25 de março de 2020
Albert Uderzo (1927-2020) e Manu Dibango (1933-2020)
Nesses tempos difíceis e temerosos do Coronavírus, em casa (claro!), nos resta rezar, torcer, passar informações construtivas, trabalhar - na medida do possível, cuidar dos idosos e crianças que por ventura conheça, ler, escrever, ver filmes, curtir a família e fazer coisas juntos, ligar para os amigos, arrumar coisas e objetos espalhados, fazer faxina, compartilhar cultura e conhecimento via internet e ter fé, muita fé (por mais que alguns discursos, pronunciamentos e coletivas tentem nos puxar para o abismo da ignorância).
E seguir aqui com esse velho blog. Nos últimos dias se despediram dois grandes caras da cultura mundial: o desenhista francês Albert Uderzo e o músico camaronês Manu Dibango. Uderzo foi cocriador de Asterix e todo o universo ao seu redor. Ao lado do genial argumentista René Goscinny (falecido em 1977 aos 51 anos) criou em 1959 o gaulês irredutível Asterix e toda uma gama irretocável de personagens. Agradeço ao Albert por todos os álbuns do Asterix que li até hoje ( e hoje comecei a reler) - dos 37 álbuns falta-me uns três - inclusive os últimos, já com outros dois criadores à frente ( com toda reverência e respeito à dupla Uderzo-Goscinny mas sem o mesmo carisma ). Uderzo cocriou e desenhou muitos clássicos - Hum-Pa-Pá, Lucky Luke, Iznogoud, entre outros - mas Asterix superou todos, alcançando um patamar bem alto entre as melhores HQs mundiais.
Manu Dibango, lendário saxofonista do afro-jazz, faleceu por complicações da Covid-19 aos 86 anos. Camaronês, viveu desde a adolescência na França, mas também morou na Bélgica, voltou à África, e entre uma viagem e outra, foi acumulando influências que desembocaram no seu originalíssimo jazz, com misturas de r&b, funk, sons africanos, música eletrônica, etc. O sucesso veio com Soul Makossa, de 1972. Em 1987 comprei seu álbum Electric Africa, um discaço que me fisgou primeiro pela capa (abaixo) e depois pelas suas quatro faixas incríveis, com participação de Herbie Hancock (ouçam no link logo abaixo da capa).Tenho ele até hoje e estou escutando nesse exato instante!
https://www.youtube.com/watch?v=zK69LoCTYus
22 de março de 2020
Kenny Rogers (1938-2020)
Kenny Rogers, o irrequieto compositor e cantor que modificou a cara do country tradicional ao incorporar elementos do pop, do rock e do soul, muitas vezes com pitadas românticas, se foi aos 81 anos na sexta-feira (20), deixando um legado gigantesco para a música mundial. Esteve ativo até 2017, em uma carreira de seis décadas. No início chegou a participar de banda folk e com sua banda First Edition, na segunda metade dos anos 60, entrou nas paradas com foco no "flower power" psicodélico, munido do microfone principal e baixo. A banda seguiu até meados dos anos 70, e seu fim fez Kenny partir para carreira solo. Foi aí que sua alquimia folk/pop fez a diferença e entrou nas paradas para nunca mais sair. Estourado nas rádios nos anos 80 e 90, em trilhas sonoras de filmes e em duetos inesquecíveis ( um dos grandes hits do karaokê aqui em casa é We've Got Tonight, de Bob Seger, com a cantora Sheena Easton) com Dolly Parton, com os Bee Gees, Kim Carnes, Gladys Night, Lionel Ritchie, Don Henley, Kris Kristofferson, entre outros - sem contar sua importante participação em We Are the World -, Kenny Rogers encantou gerações.
https://www.youtube.com/watch?v=C3BuITOx3Cs ***************** https://www.youtube.com/watch?v=l5F_5a_8Cwc
19 de março de 2020
Coleção Gibi 26 - Vida Apertada! (1948)
Uns dos itens mais legais da nossa era de ouro dos quadrinhos ( que começou com Aizen e seu Suplemento Juvenil em 1934 e foi até os anos 50) são esses chamados "tijolinhos", simpáticos livrinhos bem grossos e compactos que se baseavam em HQs de personagens famosos na época, transformando-os em "quadrões" de uma página com seus respectivos textos na página adjacente. As séries de tijolinhos se multiplicaram entre os anos 30 e 40: Coleção Mirim, Coleção Disney, Coleção Gibi, entre outras, quase todas publicadas pelas empresas de Adolfo Aizen ( Grande Consórcio de Suplementos Nacionais, até 1939; A Noite, com Aizen como editor; e Ebal, a partir de 1945) e de Roberto Marinho (O Globo). Essa Coleção Gibi, que trouxe o presente número entre seus lançamentos, foi lançada depois do sucesso dos tijolinhos de O Globo Juvenil. Saiu entre 1940 e 1951, com interrupções. Pafúncio e Marocas (Bringing Up Father), criação de George McManus datada de 1913, aparece aqui em 424 páginas (!) com o título genérico "Vida Apertada" (assim saía também nas tiras de jornais brasileiros no período). A capa, como se percebe n última imagem abaixo, é assinada por Gutemberg Monteiro ( Gut M), que seguiria carreira na Rio Gráfica de Marinho e outras editoras, até fazer sucesso nos EUA desenhando tiras como Tom & Jerry (assinando Goot).
14 de março de 2020
Jorge Salomão (1946-2020)
Jorge Salomão nos deixou no dia 07/03, depois de complicações de uma cirurgia do coração. Jorge, assim como seu irmão Waly, foi um furacão cultural, participando ativamente da cena teatral de Salvador no final dos 1960 e a partir de 1969 fazendo parte da turma poética do Rio de Janeiro, frequentadora do Pier e que iria produzir monolitos fundamentais para a geração 70 do mimeógrafo, do fanzine e dos saraus, principalmente com a revista Navilouca, criada por Torquato Neto e o mano Waly Salomão. Barulhento, apaixonado e inquieto, o poeta foi também um grande performer da poesia falada e publicou seis livros: Mosaical (1996), O olho do tempo (1997), Campo da Amerika (1998), Sonoro (1999), Alguns poemas e + alguns (2016) e 7 em 1 (2019 - obras completas). Como letrista, marcou presença em muitas composições: ´com Dulce Quental ( "Natureza Humana", ao lado de Waly, versão de Human Nature), com o Barão Vermelho (“Política voz” e "Fúria e Folia", parcerias com Frejat), Marina Lima (“Pseudoblues”), Zizi Possi (“Noite”, com Nico Rezende), Adriana Calcanhotto (“Sudoeste”), Cássia Eller (“Barraco”), entre outras. As letras de música, aliás, eram seu maior combustível atual, e alguns lançamentos com a sua assinatura virão ainda este ano: no segundo semestre, a cantora Laura Finocchiaro, grande amiga do poeta, lançará disco que incluirá "A Vagar", canção inédita com letra de Jorge. Outra grande novidade, ainda em fase de produção e com apoio do Sesc, é o disco que reunirá todas as parcerias musicais de Jorge Salomão, em gravações realizadas por nomes como Wanderlea, Zeca Baleiro, Mônica Salmaso, entre outros. Siga em paz, poeta Jorge!
11 de março de 2020
Sebos em Brasília
Brasília tem sebo sim senhor/senhora, e a matéria do Correio Braziliense de hoje mostra muito bem isto. Vale a pena saber, principalmente porque alguns desses sebos tem exclusivamente venda online (como a Dom Caixote na foto abaixo) como muitos deles ficam meio "escondidos" dentro da capital.
Sigam o link abaixo
https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2020/03/10/interna_diversao_arte,833144/sebos-resistem-e-agitam-parte-da-vida-cultural-da-cidade.shtml?fbclid=IwAR2jBFETuzCjNgwM74gDIx_CgKqgnECiPYyS0jqfFmbh0WPEGZXqFDciuf4
(Guilherme Cobelo/divulgação)
Boletim Poesia.Net 439 - Ana Santos
No novíssimo boletim 439 do Poesia.Net capitaneado pelo grande Machadinho, a envolvente poesia da gaúcha Ana Santos comparece com muito louvor! Que grata surpresa! Aproveito para avisar os amantes da poesia que o nobre Carlos Machado, jornalista e também poeta, mantém o Poesia.Net com boletins mensais há mais de década no ar, seja como mailing ou na rede - eu, abençoado, recebo via e-mail desde o início. Entrem no link abaixo e curtam as centenas de boletins já produzidos, todos com comentários, resenhas e notícias avulsas focadas, claro, na poesia. Viva!
http://www.algumapoesia.com.br/poesia4/poesianet439.htm
(Ana Santos)
10 de março de 2020
Livro YéYé - Martins Fontes na Intimidade (1963)
Esse simpático livro de 118 páginas, lançado em 1963 em São Paulo, enreda a trajetória de Martins Fontes, que a moçada atual conhece como nome de livraria, mas pouco ou nada sabe sobre esse Martins Fontes anterior, o poeta, médico e tradutor José Martins Fontes (1884-1937). A livraria foi lançada em 1970 por outros Martins Fontes, enquanto o grande poeta santista da virada do século passado, amigo íntimo de Olavo Bilac e patrono da cadeira nº26 da Academia Paulista de Letras, foi um escritor de mão cheia e produção caudalosa, além de médico influente e conferencista que correu o Brasil e o Mundo. A curiosidade deste volume que trago aqui é que ele contém em suas páginas uma dedicatória do autor Nelson Libero (amicíssimo de Bilac e Fontes e parente do Líbero Badaró) ao grandioso ator Procópio Ferreira. Consegui o exemplar em um leilão online com os espólios da família, após a morte de sua filha Bibi Ferreira em fevereiro do ano passado. Guardarei com carinho dobrado em minha biblioteca.
Fábrica da Simca do Brasil em São Bernardo do Campo nos anos 60
Foto esplendorosa que eu capturei do ótimo grupo do FB, "Fotos Antigas de São Bernardo do Campo", postada por Finardi. Não sei se é de arquivo pessoal, mas não vi os créditos da imagem. De qualquer maneira, é uma das fotos mais lindas que já vi das antigas montadoras do ABC. A Simca do Brasil, como descreve a legenda no corpo da própria foto, ficava no KM 23 da Via Anchieta em São Bernardo/SP e tinha em sua linha de montagem alguns dos automóveis mais queridos e disputados pelos amantes de carros. Como acontece muito neste mercado até hoje, a Simca estava no seu auge de produção em 1965/1966 com 2300 funcionários quando chamou a atenção da Chrysler americana, que já era dona da Simca francesa, que assumiu o comando da filial no segundo semestre de 1966. O modelo Simca durou só mais alguns meses, até que a Chrysler do Brasil encorporou o nome Simca e estancou sua fabricação no país em 1967. Como já dizia Marcelo Nova no seu clássico "Simca Chambord", gravado com o Camisa de Vênus em 1986, "Acabaram com o Simca Chambord". Na música, é uma metáfora aos dias de chumbo da Ditadura. Aqui, acabaram literalmente com o luxuoso veículo.
5 de março de 2020
Aviso Final 37
Encontrei meu amigo Renato Donisete , que mora no meu bairro, e viva! Lá estava ele com o último Aviso Final na mão. O fanzine, especializado em som punk e afins, já atravessou décadas e segue firme no mesmo formato e sempre com uma cor chamativa servindo de fundo para as entrevistas e perfis produzidos pelo ativíssimo Donisete. Mais um viva para essa publicação que já é um patrimônio da contracultura aqui do ABC. Segue a capa desse número 37 ,com data de dezembro de 2019, que traz uma longa e completa entrevista com a banda Armagedom, que completou 35 anos recentemente. Quem quiser entrar em contato com o Renato, manda e-mail para avisofinal@gmail.com
29 de fevereiro de 2020
José Mojica Marins (Zé do Caixão) (1936-2020)
Algumas personalidades nos passam a imagem de que são imortais, nunca vão deixar esse nosso planetinha. Mojica, que se amalgamou de uma forma tão profunda ao seu personagem mais famoso, que virou Zé do Caixão pro resto de sua vida, era desses - por mais que soubéssemos que já alguns bons anos vinha com sua saúde bem frágil. No dia 13 deste mês ( data bem propícia), ele partiu. Fica um legado dos mais pitorescos, inovadores e singulares da cinegrafia mundial. Para saber mais sobre o genial diretor/ator/roteirista/produtor, leiam sua boa biografia escrita pela dupla André Barcinski e Ivan Finotti, os quadrinhos que saíram com o personagem entre os anos 60 e 90 e principalmente assistir seus filmes. Vale muito a pena conhecer o seu estranho mundo! O livro pode ser achado na estante virtual e em alguns sebos físicos por aí - e aposto que logo sairá uma nova edição. Já os quadrinhos, hoje raros (principalmente os dos anos 60 e 70), se forem achados, virão com valores salgados, mas não custa ir atrás. A dupla Nico Rosso e R.F.Lucchetti, principalmente, fez um trabalho esplendoroso com o personagem nas HQs.
Adeus, grande Mojica!
Desarquivando Alice Gonzaga no Curta!
Acho que já disse aqui, mas vale repetir: os canais fechados que me deleitam a alma ultimamente são poucos, mas ainda bem que existem! Além do History - assisto só alguns programas, pois a maioria deles não é da minha praia - e da TVT (quando quero me inteirar do social e das lutas das minorias), me fixei ultimamente em três canais essencialmente de arte/cultura: Canal Brasil, da major Globo (tirando a participação de alguns globais, nem parece), focada em cinema; Arte 1, focada em artes em geral ( escultura, dança, cinema, música, teatro, artes plásticas, etc) e que passa muito documentário bom ( principalmente vindos da França); e o Canal Curta!, que como o próprio nome diz, foca em curtas-metragens - frisando que os curtas são sobre todos os assuntos possíveis, com ênfase em biografias/perfis. Deste último me encantei ontem com o documentário sobre a Alice Gonzaga, filha do cineasta Adhemar Gonzaga. O curta, "Desarquivando Alice Gonzaga" (de Betse de Paula) foca em sua vida e principalmente na sua longa luta pela preservação do espólio do pai e dos arquivos da Cinédia, estúdios em que Adhemar reinava. Hoje mesmo, passou no canal ( 19h30 -canal 546 na Net/Claro; 76 da Oi TV; 664 da Vivo TV). Fiquem ligados que anda passando no período. Abaixo, o trailer...
https://www.youtube.com/watch?v=DxmycKCYWLc
25 de fevereiro de 2020
Cláudia Telles (1957 -2020)
Claudia Telles, filha de uma das maiores intérpretes da bossa-nova, Sylvia Telles (morta aos 32 anos em um acidente) e do virtuoso violonista Candinho, faleceu aos 62 anos no dia 21/02, de endocardite. Tinha uma das vozes mais suaves da nossa música brasileira e foi uma grande divulgadora da bossa nova. Começou a cantar ainda criança, ao participar de show ao vivo com a mãe e ainda bem jovem, já nos anos 70, substituiu sua amiga Regina no Trio Esperança, onde pode fazer inúmeras gravações de estúdio e ao vivo, acompanhando grandes artistas, e criando experiência para uma careira solo que não tardaria. O momento oportuno surgiu em 1976, quando Walter D'Ávila Filho lhe ofereceu a música "Fim de Tarde" de seu parceiro Mauro Motta, produtor da CBS, que lhe caiu como uma luva e fez um estrondoso sucesso em compacto. O LP saiu em 1977, e além do hit anterior, contava com as corajosas adições de "Dindi", música de Tom Jobim e Aloysio Oliveira que sua mãe imortalizou e "And I Love Her" dos Beatles. O disco rendeu mais dois sucessos, "Eu Preciso te Esquecer" e "Aprenda a Amar" e a fez seguir em sucesso pelos anos conseguintes. Na virada da década, Claudinha deu uma guinada radical na carreira, deixando um pouco de lado o pop soul que vinha interpretando para iniciar um longo mergulho na bossa nova - o que incluía logicamente a perpetuação do nome de sua mãe - e na música brasileira mais clássica. Quem a ouviu cantar Dindi ao vivo sabe bem do que ela era capaz. Esse desprendimento na carreira fez com que se afastasse dos modismos das gravadoras e consequentemente não gravasse discos com tanta assiduidade. Mas continuou fazendo shows e apresentações em programas até o momento em que sua saúde não mais permitiu. Claudia parte precocemente, mas deixa um legado de luta em favor da boa arte, da música bem elaborada e cheia de encantamento. Nada que surpreenda vindo da filha da grande Sylvia Telles.
https://www.youtube.com/watch?v=cU7_L0_gs8Q -------------------------------------------------------------------------------------
https://www.youtube.com/watch?v=LxSpGiU7Nio
22 de fevereiro de 2020
2020 - Iniciando os trabalhos! (Com Zuza e Ruy)
Depois de 11 anos de blog, é a primeira vez que inicio as postagens de um ano novo em fevereiro! Não foi por desleixo, mas por questões puramente técnicas - no último mês vi meu velho computador entrar em modo "auto-destruição", após mais de uma década de serviços bem prestados. Agora, com equipamento em cima, volto com o Almanaque em pleno Carnaval já pensando em postar com fervor até o fim deste mês - que já está indo embora - para dar conta desse atraso. Aguardem! A minha maior folia neste Carnaval, aliás, vai ser ler dois livros maravilhosos que focam em épocas maravilhosas: Copacabana, de Zuza Homem de Mello (Sesc), que conta a história do samba-canção (da década de 20 à 1958) e o último do Ruy Castro, "Metrópole à Beira-Mar - O Rio Moderno dos Anos 20", que como o próprio título diz, esmiúça a capital federal do Brasil nos loucos anos 20, através de suas mais produtivas e criativas personalidades. Leitura dupla em grande estilo para começar bem 2020!(e que capas!)
20 de dezembro de 2019
Alegrias do ano: Musical dos Novos Baianos !
O ano não foi nada fácil. Além de toda essa pataquaiada mensal que a gente tem que engolir via Brasília, meu pai partiu para outro plano em 25/01, o que por si só já modificou meu ano todo ( e outros por vir). Mas justamente porque sei que ele não ia gostar nada nada dessa melancolia, vou colocar algumas alegrias do ano, pois no meio da tormenta, sempre tem arco-íris, pessoas boas, arte, cultura e esperança. Que bom!
Uma das minhas alegrias em 2019 foi ver o musical dos Novos Baianos no teatro do Sesc Vila Mariana. A montagem, despretensiosa, cheio de música boa e com história não linear ficou perfeita e a cara dos Novos Baianos! Adorei...(abaixo, a capa do programa do show)
11 de dezembro de 2019
Noel Rosa, 109 anos (Doodle)
Hoje o Google homenageia um dos maiores músicos brasileiros de todos os tempos: Noel Rosa. Os seus um século e nove anos de nascimento mereceram um doodle com desenho simples mas singelo na abertura do site, como vocês podem apreciar abaixo.
https://www.br-nav.com/?source=6e57b02cff294b80a677f412230e18dd
9 de dezembro de 2019
Meu Primeiro LP
Esse LP, da rádio Antena 1, de 1979, foi o primeiro disco comprado com meu próprio dindim-arame-tutu-money. Eu tinha acabado de completar 12 anos e tinha ganhado um dinheirinho ajudando um candidato a vereador da minha cidade entregar santinho. Adquiri no antigo Mappin, e pode parecer a primeira vista que foi um impulso de adolescente ao ver essa linda capa - claro que isso ajudou - mas na verdade eu já conhecia pelo menos umas três músicas do LP, principalmente a festiva "Who Were You With In The Moonlight" do Dollar. As faixas giram em torno da discotheque e do pop, dois gêneros bem presentes na época, e claro, músicas melosas ( que a gente chamava de "lentas") e "balanços" jazzísticos. O LP está comigo até hoje, 40 anos depois, e é exatamente esse que aparece na foto abaixo! A íntegra do disco está no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=fXS6oTkC__k
6 de dezembro de 2019
Fim de semana periclitante: A Estátua Viva Vive e Expo Vintage Edição Extra
O fim de semana promete. Amanhã, a partir das 14hs, no Chopp in House do meu velho amigo Paulo Sacheta haverá o lançamento oficial do livreto "A Estátua Viva Vive", projeto poético-fotográfico-performático que fiz com o Carlão - Carlos Lopez Perez - que além de estátua viva é cosplay urbano, escritor, aventureiro e futuro ator de curta metragem. Será a partir das 14h, com leitura ao vivo, autógrafos e promoções imperdíveis no cardápio. Amanhã e domingo também rola a Feira Expo Vintage, desta vez em edição extra, capitaneada pelo Leo Marck, que levou o sucesso da empreitada para dentro da cervejaria Madalena, em Santo André. O formato vencedor é o mesmo do Encontro de Carros Antigos do Parque Chico Mendes em São Caetano, com bandas ao vivo e expositores sortidos dentro do universo retrô: colecionismo, brinquedos, miniaturas, arte retrô, moda vintage, pinups & rockers, posteres, discos de vinil e memorabilia em geral. Links e endereços abaixo. O old amigo Ricardo Rick and Roll Martins ficará a cargo da apresentação no palco, além de sua conhecida loja de LPs presente. Vou estar lá com ele no domingão. Mais um finde para a História!
https://www.revistamenu.com.br/2019/12/05/cervejaria-madalena-promove-feira-retro-no-abc-paulista/
https://www.facebook.com/events/2512990702266848/
4 de dezembro de 2019
"Salve-se Quem Puder" - Duayer/Francisco Ucha (o lançamento)
Ontem, dia 03/12, estive com minha cúmplice Cris no lançamento do livro "Salve-se Quem Puder - Cartuns e Fotos de Duayer", projeto bolado e produzido pelo Francisco Ucha com biografia, depoimentos, fotos e cartuns, muitos inéditos, do artista em sua fase no Pasquim e em participações posteriores na imprensa ( Status Humor, Pingente, Mad, etc). Um livro magnífico, super bem feito, que eu tive a honra de participar como revisor. O lançamento 1 já tinha rolado na Comix no sábado e lá eu também estive, ocasião em que pude finalmente conhecer o casal Duayer e Lourdes ( simpaticíssimos e calorosos) e trocar figurinhas com amigos como Luigi Rocco ( do excelente Tiras Memory) e Worney ( sempre a jato). Ontem foi na Livraria Martins Fontes-Paulista e o encontro se mostrou à altura da obra, com a presença de luminares da nossa imprensa e cultura: Jal (que escreveu a orelha do livro), Spacca ( que trouxe a tiracolo um livro raro do Duayer), Rosane Pavam, Ligia Colares ( da Avec Editora), Carlos Marchi (autor da excelente biografia do jornalista Carlos Castelo Branco), Volney Faustini, Fabio Siqueira, Antonio Carlos ( Gibiteca do Antonio), a artista Silvia Ruiz, entre outros. Mas a presença mais surpreendente da noite foi a do grande jornalista José Hamilton Ribeiro, um dos maiores repórteres que esse Brasil já viu, com seus 84 anos bem vividos e com disposição para dar e vender! Uma noite para não se esquecer!
( com Francisco Ucha, o "culpado" por isso tudo, e minha escudeira Cris)
(com Duayer e o jornalista Carlos Marchi)
(Spacca, Duayer, eu e Ucha)
( Jal, eu, José Hamilton Ribeiro, Duayer e Ucha)
2 de dezembro de 2019
Raízes 60
Mais um fim de ano e a revista Raízes, semestral, tem mais um lançamento pontual reservado para dezembro. A edição de número 60 tem um gosto mais do que especial pra mim, pois desta vez fiz uma homenagem ao meu pai, João Massolini, com um artigo sobre sua vida. Esse perfil é mais do que merecido, ele que sempre foi um dos grandes entusiastas da memória de São Caetano do Sul, tanto como contumaz "guardador" de cultura e memorabilia, como colecionador da própria revista Raízes ( tinha orgulho de ter todas es edições). Seu João, além de bater ponto em todos os lançamentos ( até julho de 2018), acabou também colaborando como coautor em um artigo da revista sobre a Rosacruz sancaetanense. É por essas e outras que esse lançamento será pra mim o mais emocionante de todos. Segura aí que eu seguro aqui, pai!
29 de novembro de 2019
Salve-se Quem Puder - Cartuns e Fotos de Duayer
Depois do excelente "O Judoka - por FHAF", no ano passado, Francisco Ucha lança mais um "petardo cultural" imprescindível, "Salve-se Quem Puder - Cartuns e Fotos de Duayer", um lançamento que faz parte das comemorações de 50 anos do Pasquim, jornal da "imprensa alternativa" que fez História. Duayer, que entrou como fotógrafo no jornal, acabou ali dentro mesmo sendo descoberto como cartunista, muito pelo faro infalível de Henfil, que viu identidade própria e muita personalidade em seus desenhos. Ambas as funções foram brilhantemente exercidas por Duayer e estão escancaradas no livro, inclusive obras nunca antes publicadas! Sou bem suspeito em elogiar, pois colaborei como revisor. mas esse lançamento é primordial nesse momento em que as liberdades sociais se tornam um joguete na mão de pseudo-líderes - a arte de Duayer infelizmente se mostra mais moderna do que nunca! Ontem já rolou um pré-lançamento no Rio, no clássico restaurante Fiorentina, com a presença de amigos e ex-colaboradores do velho Pasca. Em São Paulo, duas datas foram disponibilizadas. Amanhã ( sábado) a partir das 15h, dentro da Virada Nerd, tarde de autógrafos na Comix Book Shop ( Alamenda Jaú) e na terça ( dia 03/12), na Livraria Martins Fontes da Avenida Paulista, a partir das 18h30 ( folder abaixo). Imperdível!!
22 de novembro de 2019
Mestre Maureliano
Dentre os tantos canais na grade da tv - aberta e fechada - poucos se salvam da mediocridade ou pasmaceira reinante. Alguns da área cultural eu ainda salvo, caso do Canal Brasil ( que pertence à Globo, mas é um verdadeiro oásis para quem gosta de cinema), Curta, Music Box Brazil e o Arte1. Este último, com uma programação totalmente voltada para as artes ( plásticas, gráficas, audiovisuais, dramáticas e musicais) sempre traz programas que surpreendem. Hoje parei no canal para assistir um documentário sobre o Maracatu. Na verdade, essa série intitulada "O Som e o Silêncio - Instrumentos do Maracatu" vem sendo exibida por capítulos, e neste que botei os olhos hoje, o foco está em Recife, mais especificamente na figura do mestre Maureliano Ribeiro (Mau), percussionista, professor, luthier e artesão, que faz seus tambores reconhecidos internacionalmente na cidade de Camaragibe, na região metropolitana de Recife/PE. Há anos exercendo sua função de "artesão do tambor barravento" ( na verdade, ele mesmo não chama o instrumento de tambor, mas de "bombo"), com a delicadeza e o respeito que só os "puros de tradição" têm, mestre Maureliano foi mentor de grandes instrumentistas da região, tendo inclusive ensinado integrantes do Nação Zumbi ainda no início de carreira. Depois de fazer tambores de encomenda para Sepultura, Jota Quest, Naná Vasconcelos e o próprio Nação Zumbi, entre outros, continua com sua técnica e preparo único na confecção dessas riquezas culturais - como ele próprio diz no documentário, ele está fazendo o que sempre fez, ultrapassando o conceito de mera profissão para o que na sua vida já virou missão. Os tambores originais da tradição do Maracatu estão desaparecendo na Grande Recife e demais regiões, mas Mestre Maureliano e seus discípulos ainda mantém a chama dessa riquíssima História musical e social.O contato com mestre Maureliano é fácil na internet - vamos divulgar esse trabalho belíssimo e tão importante para nosso legado. Leiam aqui matéria bem interessante sobre Maureliano no site Interdependente (originária do Jornal do Commércio): https://www.interdependente.com/2015/02/o-dono-do-batuque-do-maracatu.html
(fotos - divulgação)
18 de novembro de 2019
Jorge Fernando ( 1955-2019) e Pedrão Baldanza (1953-2019)
O mês atabalhoou e eu acabei longe do blog por esses dias. Mas volto para registrar duas partidas muito sentidas por quem ama nossa cultura e arte. Em 27/10 faleceu o ator/diretor Jorge Fernando, por complicações decorrentes de um AVC sofrido no final de 2016. Jorge Fernando era muito querido pela classe artística e deixa um trabalho inovador como diretor de novelas e minisséries na TV. Dirigiu dezenas de novelas, consolidando o horário das 19h - entre cenas antológicas, uma que dirigiu e marcou a TV foi a guerra no café da manhã entre os personagens de Paulo Autran e Fernanda Montenegro em Guerra dos Sexos, de Silvio de Abreu (1986/1987).
Outro muito querido, desta vez na música, é o baixista Pedrão Baldanza, gaúcho que aportou em São Paulo no final dos 60 e desde então manteve-se ativo como instrumentista de estúdio e em bandas essenciais como Enigmas (que apoiou os Novos Baianos em início de carreira) e O Som Nosso de Cada Dia, uma das mais importantes bandas progressivas brasileiras.No Rio de Janeiro a partir do final dos anos 70, intensificou o contato com artistas da música brasileira e gravou/tocou com, entre tantos, Elis Regina, Raul Seixas, Rosa Maria, Sá & Guarabyra, Ney Matogrosso, etc. Pelas suas contas, gravou no período 1979-2000 aproximadamente 1500 faixas ( como mencionou em entrevista ao site Consultoria do Rock em 2017). Faleceu em 28/10 aos 66 anos.
Aos dois, meu muito obrigado pela intensidade com que vivenciaram e produziram arte!
Jorge Fernando em Ciranda, Cirandinha (1978): https://www.youtube.com/watch?v=ksP2jmjj6bs ------------------
Pedrão Baldanza (com Fabio Caramuru): https://www.youtube.com/watch?v=7wVzHMXActY
26 de outubro de 2019
Walter Franco (1945-2019)
Lá foi um dos grandes compositores brasileiros. Walter Franco deixou nosso planeta nesta semana aos 74 anos e deixou um legado vanguardista insuperável. Músico com muita personalidade, acabou caindo naquele rol maldito dos tais malditos que a mídia impôe aos que não podem ser rotulados. Sua bela música acabou restrita, mas ficará para todo o sempre como única, profunda, em movimento, moderna. Aqui no meu acervo tenho o famoso LP branco da mosca, seu debut em disco, e que por muitos anos foi disputado a tapa ( o original da época ainda o é) e os três posteriores eu consegui em CD. Todos frequentam meu som a todo momento e o Revolver, de 1975, é o meu preferido - não desmerecendo os outros, cada qual com suas texturas e direções. Tive o privilégio de vê-lo ao vivo com a família há uns dois anos e meio atrás, no Centro Cultural São Paulo. O show foi bem de perto, bem aberto e vibrante, com participação de seu filho Diogo como integrante de uma banda bem afiada. Senti que ele estava um pouco cansado, mas nada que o impedisse de tirar foto com os fãs pós-show. Vá em paz, Walter Franco - e espero que como disse uma de suas mais duradouras músicas - vá com a "mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo". Lá embaixo, o link para o programa "Som do Vinil" sobre o clássico "Revolver".
https://www.youtube.com/watch?v=-CZKpozwuY4
20 de outubro de 2019
Foto do Mês: Lô Borges (Teatro Sesi - Prêmio Bunge - 07/10)
Um encontro especialíssimo no mês foi o pocket show de Lô Borges no Prêmio Bunge, realizado no Teatro Sesi no dia 07/10. Acompanhado de seu irmão Telo Borges, também compositor como ele, nos teclados e o excelente Henrique Matheus na guitarra, o mineiro desfilou sucessos duradouros do Clube da Esquina, movimento primordial da música brasileira, que teve Milton Nascimento e os irmãos Borges (Lô, Marilton, Telo, Nico, Márcio, Solange, Yé), entre outros, como peças-chave. Um show compacto mas bem emocionante, que ainda nos premiou com um encontro nos bastidores que carimbou de vez a noite. E nos provou que Lô continua um artista sem problemas com ego ou estrelismo - gente como a gente - o que é muito gratificante presenciar e comprovar ao vivo.
16 de outubro de 2019
Baú do Seu João 32 - Breda (folheto da Mercedes-Benz)
Eis mais um achado daqueles no meio da papelada guardada do meu saudoso pai. Desta vez apareceu um folheto ( ou parte dele) patrocinado pela Mercedes e pelo jeito com direcionamento para o turismo em São Paulo. Além da paisagem central da cidade na fronte, há no verso um belíssimo desenho de um modelo de ônibus da empresa Breda. Essa Breda presta serviços pelo Brasil e principalmente no Sudeste há décadas - aqui no ABC faz fretamento para várias empresas, entre elas a GM. Mostrei para meu primo Roberto, um expert em ônibus, e ele me disse que esse modelo ainda é o chamado "bicudinho", por conta de sua frente mais "avançada". O ano deste folheto eu não achei, mas estou pesquisando. Qualquer outra notícia, acrescento.
4 de outubro de 2019
Cartões QSL do acervo de Herbert Schlindwein
Uma matéria saborosa e rara de se ver, pelo seu assunto atípico: a Folha de S.Paulo publicou na semana passada uma reportagem assinada por Jasmin Endo Tran que encontrou em Brusque, Santa Catarina, o Gustavo, neto do seu Herbert Schlindwein e com ele uma coleção formidável de cartões QSL. Contando com cerca de 4000 unidades , o conjunto impressiona pelo design e estilos gráficos impressos, esbanjando cores, criatividade e variedade artística. O termo QSL, como a matéria informa, faz parte do código Q da radiocomunicação e quer dizer "entendido" ou "eu confirmo a recepção do seu contato. Era como seu Herbert e seus milhares de colegas radioamadores espalhados pelo mundo se comunicavam e a frase está marcada em todos os cartões do acervo, que eram mandados depois de usados para o receptor, numa logística toda própria que podia durar meses.Lendo tudo isso, me emocionei ao lembrar dos meus tempos de escoteiro, nos idos de 1979/1980,especificamente de uma atividade em que cada grupo ficou a noite e a madrugada inteira na casa de um radioamador experiente da região do ABC. O nome do senhor que nos acolheu com gosto em sua casa me fugiu com o passar dos anos, mas a sensação de estar presente naquele momento em que mensagens do Japão e da América Latina conseguiram conexão em seu receptor de radioamador foi realmente única - fora o fato de nós, do alto de nossos 12/13 anos, ter a oportunidade de passar a noite inteira fora de casa!! O que mais chama atenção nesse acervo no Sul, além da quantidade, é mesmo o design das peças. O uso das imagens não tinha restrições e eram feitas/montadas/gravadas pelos próprios radioamadores, que experimentavam pra valer e misturavam várias técnicas diferentes, como tipografia, colagem, carimbos, fotografia, ilustração, etc., quase todas com apuro e qualidade ímpar. O neto Gustavo, além de poder preservar o legado e a memória do avô saudoso, tem em mãos uma seleção riquíssima em termos gráficos e um recorte valoroso dentro da história pouco contada dos radioamadores, verdadeiros heróis e desbravadores em um tempo mais inocente pré-internet. Vejam a matéria completa no link abaixo e apreciem algumas imagens que colei lá em cima e aqui embaixo ( fotografei direto da tela...me desculpem a qualidade) - Crédito: Folhapress
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https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2019/09/com-cartao-ate-da-antartida-acervo-de-radioamador-em-sc-revela-joias-do-design.shtml
1 de outubro de 2019
Seu Otacilho
Um dos grandes momentos do mês de setembro, daqueles que a gente leva para a vida, foi ter conhecido o formidável Seu Otacilho ( assim mesmo, com lh), em uma instituição de idosos na zona sul da capital. Fiz parte de uma ação com minha esposa e vários voluntários,onde, além de várias atividades como música e sarau de leitura, os moradores do asilo recebiam cartinhas e desenhos de crianças de outra instituição que escutaram as histórias dos próprios idosos e colocaram no papel o que sentiram da narrativa pessoal deles. Receber uma devolutiva de uma criança que escutou a sua história de vida fez com que cada idoso reagisse de uma maneira, mas sempre com emoção, agradecimento, felicidade. Seu Otacilho, ex-marinheiro, com voz de locutor a la Jamelão e conhecedor de sambas antigos, foi além e contou outras histórias ao vivo para nós - algumas de seu tempo como encarregado da caldeira no navio, navegando em várias partes do mundo, com destaque para a Argentina e os EUA. Chegou a morar em Los Angeles por alguns meses e lá também colheu algumas histórias hilárias, que ao saírem de sua boca agora, às portas dos 80 anos, vem carregada de sorriso e satisfação, como se viessem de uma das crianças das cartinhas. Na foto abaixo, com o voluntário Pablo que eu conheci no dia, essa alegria contagiante transparece! Viva Seu Otacilho! Obrigado pela ótima manhã e começo de tarde em sua companhia - foi uma honra conhecê-lo!
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