4 de janeiro de 2012

Virada com Ramones, Cássia Eller e as "500 Mais da Kiss"

Virei o ano focado em duas figuraças que se foram há dez anos: Cássia Eller ( falecida em 29/12/2001) e Joey Ramone (em 15/04/2001).
Aprontei uma grande seleção, com ênfase nessa dupla, para trilha de estrada e me preparei para viajar para o interior, já pensando também em votar via online e acompanhar a maratona da já tradicional "As 500 Mais da Kiss FM" (que rola a partir de 31/12). Não foi proposital, mas depois me lembrei que a rádio 'classic rock' também é de 2001.
Na bagagem de viagem também estava o livro "Hey Ho Let's Go - A História dos Ramones", de Everett True (Editora Madras - capa abaixo), que estou acabando de ler agora. Esta biografia me confirmou uma coisa que eu sabia de relance: Joey Ramone, o desengonçado, alto, amigável, festeiro, esquisito vocalista dos Ramones era realmente a alma da banda, o cara que amava o rock and roll (principalmente os pioneiros e os conjuntos vocais femininos) e direcionava toda a sua vida para a música. Como hobby, colecionava discos e pôsteres psicodélicos dos anos 60. Johnny, o guitarrista, era o oposto: pragmático ao extremo, mandão, prático, fanático por beisebol, republicano - Ramones para ele também era algo maior, mas direcionado totalmente para o ganha-pão, o trabalho e a possibilidade real de aposentadoria ( e bem ou mal, foi quem manteve a "firma" funcionando- a cabeça da banda com certeza).
Por conta desse antagonismo todo, os dois não dirigiram a palavra um ao outro nos últimos dez, doze anos da banda (!!). Dee Dee, o baixista, era o mais porra-louca de todos ( dizem que foi ídolo de Sid Vicious) e levou tudo sempre às últimas consequências, mas também foi um letrista profícuo e uma espécie de ponte entre Joey/Johnny. Faleceu um ano depois de Joey e dois antes de Johnny. Dos fundadores, apenas Tommy, o baterista ( e  primeiro produtor da banda) está vivo, além dos bateristas Marky ( que ficou mais tempo na banda) e Ritchie e o baixista CJ. Cássia Eller, assim como Joey, vivia para a música. Para esconder sua timidez, virava personagem no palco e arrebentava. Cantava de tudo, não só rock, e seu único defeito era não compor. Vi alguns programas na TV sobre ela neste meio tempo ( entre o livro do Ramones e as 500 Mais) e numa fração de segundo me dei conta de como Cássia e os Ramones fazem falta neste atual cenário musical, articulado demais, empresariado demais, direcionado demais, muito bonitinho e "fofinho" até, mas com emoção, tesão e improviso de menos.Quanto às 500 Mais da Kiss, muita música dos Ramones entre elas e sem grandes surpresas entre as primeiras colocações ( a exceção foi o raro glam rock do Sweet, 12º, que eu fiz questão de selecionar abaixo).
Um detalhe inédito que não me escapou é que neste ano, Rolling Stones e Eric Clapton foram varridos das primeiras colocações (a melhor dos Stones ficou em 50º - a lista, do ótimo site Meteleco, que publicou-a com muito súor já no dia 2, tem link abaixo).

30 de dezembro de 2011

O Guia do Bob Dylan - Nigel Williamson (Ed.Aleph)

Acabei de ler este ótimo "guia" sobre Bob Dylan (acima), volume de uma série aclamada no Reino Unido, a "Rough Guides",que chegou neste ano ao Brasil (vi também à venda o guia Led Zeppelin. No ano que vem tem o do Pink Floyd). A compilação é bem completa e além de conter uma biografia detalhada e cheio de notas e boxes complementares essenciais (bios de suas influências, perfil das musas, detalhes de sessões, etc), inclui resenhas de todos os discos ( os famosos bootlegs estão todos aqui), lista com as 5o maiores canções do trovador, os filmes, frases, livros&sites&fanzines e até uma seleção com os "outros Bob Dylans" que vieram na sequência do original. Em se tratando de um dos artistas mais "impenetráveis" da música ( tanto por suas autonarrações extravagantes, surreais e fantasiosas como por todo o folclore criado ao seu redor), o guia esmiuça, tenta explicar mistérios e principalmente, penetra em sua criação com bisturi cirúrgico. Pra quem quer descobrir porque esse americano esquisito, com voz de taquara e letras quilométricas mudou todo o cenário do pop mundial em apenas três anos e mesmo indo e voltando lá do fundo, manteve sua aura de trovador essencial,  esse guia é perfeito como obra de referência e reverência.

28 de dezembro de 2011

Nelson Cavaquinho, 100

Eu não poderia fechar o ano sem homenagear os 100 anos de Nelson Cavaquinho, o mais intuitivo entre tantos dos nossos sambistas intuitivos. Apesar do apelido ( o nome de batismo é Nelson Antonio da Silva), seu instrumento de fé sempre foi o violão, com o qual dedilhava harmonias de modulações inesperadas, com toques precisos e rascantes providenciados sempre por apenas dois dedos. Quem o via tocando nos pés sujos cariocas (seu reduto habitual) ficava de queixo caído, não só pelo peculiar jeito de tocar, mas também pela quantidade de cerveja entornada, a voz roufenha e única em anos de boemia e as letras de uma poética intensa e lírica, sempre sobrevoando lealdade, corações despedaçados e a implacável morte, seu tema mais comum. Nascido em 29/10/1911, viveu intensos 74 anos ( até 18/02/1986) , ricos em histórias que acabaram entrando para o folclore cultural brasileiro, seja de seus tempos de guarda noturno ( devidamente montado à cavalo) , das amizades musicais e da boemia inveterada. Nelson Cavaquinho foi único, mais uma força da natureza brasileira a fabricar sons do coração. 
Durante o ano, a TV produziu alguns bons programas sobre o compositor (vejam os links abaixo) e a EMI lançou uma edição especial com dois CDs em sua homenagem ( link para compra também abaixo). Viva Nelson!
#Ensaio ( TV Cultura - 30/10/2011 - reeditando o programa MPB Especial de 1973) - http://tvcultura.cmais.com.br/ensaio/nelson-cavaquinho
# Mosaico ( original de 2007 - reapresentado em 2011- TV Cultura) 
# Disco Nelson Cavaquinho – 100 anos – Degraus da Vida Emi Odeon -2 CDs 

26 de dezembro de 2011

O Verão do Píer (Dunas da Gal)

Neste mês li uma matéria muito boa sobre o famoso Verão do Píer, em Ipanema, ocorrido em 1972 e que sem querer se tornou revolucionário e influência para outros verões sucessores ( como o Verão da Lata e o Verão do Apito). Tudo começou com o movimento dos surfistas, que correram para para lá depois que o imenso píer, uma nada elegante estrutura de madeira, aço e ferro adentrando o mar, foi afixado para escorar os tubos de esgoto e acabou involuntariamente aumentando o tamanho das ondas e formatando exóticas dunas artificiais na orla (montes de areia retirada do fundo do mar). O movimento do surf trouxe também artistas, descolados, vagabundos, poetas e intelectuais, e em pouco tempo formou-se a primeira tribo em Ipanema. Gal Costa, que fazia show ali perto, foi a pioneira e tornou-se musa inspiradora, chegando a batizar as tais dunas. A história completa, com fotos incríveis de Fernando Fedoca Lima, Eurico Dantas e Frederico Mendes ( frequentadores do local) podem ser lidas na íntegra no link abaixo ( matéria original da Revista O Globo de 04/12/2011, de autoria de Renato Lemos). Também existe uma página específica sobre o píer, pierdeipanema.com.br e para 2013 cogita-se o lançamento do longa "Píer de Ipanema-1972", de Fernando Keller. 

20 de dezembro de 2011

Capa do mês: As Aventuras de Sherlock Holmes ( Editora Zahar)

Adquiri um livro de bolso nesta semana com uma arte de capa muito bem resolvida: "As Aventuras de Sherlock Holmes", da Editora Zahar. A edição faz parte da série "Bolso de Luxo" da editora carioca, e traz capa dura, uma dúzia de casos do famoso detetive de Arthur Conan Doyle ( na verdade, o volume reúne os doze primeiros contos de Holmes, publicados entre julho de 1891 e junho de 1892 na revista britânica Strand Magazine) e 50 ilustrações originais de Sidney Paget. Com projeto gráfico de Carolina Falcão, a arte da capa é de Rafael Nobre ( incluindo imagem de Andrew Ward/Life File/Getty Images). Uma cena muito bem urdida, como se vê na reprodução acima.

12 de dezembro de 2011

O bom blog do Dagomir

Durante todo o ano, acompanhei vários endereços na blogosfera, principalmente os voltados para a cultura, a História ( e aí incluo também o colecionismo), a música e os quadrinhos ( minhas paixões). Entre tantos, um realmente me fisgou pra valer: o blog do Dagomir Marquezi. Escritor, roteirista e jornalista, ele mantém a página desde 2006, e o que se percebe de cara em seus posts é que ele gosta muito do seu ofício de escrever. Histórias de suas amizades, projetos, viagens e descobertas, sempre com foco em sua produção literária e jornalística, que passa por todos os meios de comunicação possíveis: revista, jornal, fanzine, livro,tv, rádio e internet. Seu texto tranquilo, elegante sem ser rebuscado,direto ao ponto, traz ao leitor do blog uma cumplicidade natural, como em uma carta a um velho conhecido. De quebra, o autor resgata pérolas de sua produção de quatro décadas, como histórias em quadrinhos de fanzines setentistas, matérias raras de revistas e vídeos dos seus tempos de roteirista de TV. Nos meus anos de DEDOC-Abril ( 1989 a 2002) , cheguei à vê-lo em diversas ocasiões, pesquisando fotos para uma matéria nova ou mergulhando nas velhas pastas com matérias de jornais clipadas. Pelo que vejo hoje em seu blog, a sua escrita hiperativa continua à toda, seja no novo livro sobre JK como em seus blogs-irmãos ( que podem ser acessados na mesma página), nas colaborações mensais na Placar ( "Mortos-Vivos") e Info ( "Em 2031") e eventuais em outros veículos.Dagomir, para citar uma de suas paixões, continua uma veloz locomotiva.
http://dagomir.blogspot.com/

9 de dezembro de 2011

Coojornal, o resgate

Estava eu ontem na Fnac Paulista com as crianças, quando me deparei com uma exposição sui generis: 24 capas do histórico informativo alternativo gaúcho Coojornal estampavam discretamente as paredes do café interno da megalivraria. Editado pela Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, o jornal existiu entre 1975 e 1982 e se destacou por sua linguagem direta e provocativa, sem partidarismo.Na entrada do café, um livro propositadamente em destaque: "Coojornal - Um Jornal de Jornalistas sob o Regime Militar", organizado pelo antigo colaborador Rafael Guimaraens (que chegou a ser preso pela Ditadura), e Clô Barcellos, responsável pela Editora Libretos.A seleção para a obra reproduz 33 reportagens, além de entrevistas representativas ( com Elis, Brizola, Chico Buarque, etc), fotos, charges e cartoons. Entre os colaboradores, Eduardo Bueno, Caco Barcelos, Eduardo Galeano, Hamilton Almeida Filho, Palmério Dória, Ricardo Chaves, Edgar Vasques e Santiago.Tanto o livro como a exposição itinerante ( que passa por vários pontos culturais durante todo o ano) fazem parte de um grande projeto de memória, que também inclui um documentário ( junto com o livro por um preço só), palestras, site do projeto e a digitalização de toda a coleção do jornal ( em doses homeopáticas, claro).


Esse resgate todo foi incumbido inicialmente ao ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Porto Alegre e segundo editor do Coojornal, Osmar Trindade, que faleceu em 2009, mas deixou a semente nas mãos de Guimaraens e Clô, que conseguiram passar o projeto na Lei Rouanet. A exposição segue até o dia 15/12 na Fnac Paulista, fechando à partir das 18h com uma apresentação do documentário e debate com a presença dos ex-coojornalistas Elmar Bones, Ayrton Centeno e Rafael Guimaraens.( o livro está à venda por: R$40,00).

Acompanhem o projeto no site e toda a saga do Coojornal na ótima série feita pela reportagem do Sul21:
 http://www.coojornal.com.br/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-a-cooperativa-que-incomodou-a-ditadura/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-um-alternativo-suprapartidario/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-a-memoria-comeca-a-ser-resgatada/

4 de dezembro de 2011

Um samba para Sócrates

Crédito: site oficial do Corínthians
O disco "Ná Ozetti" de 1988 foi o tão aguardado primeiro LP solo da cantora que perambulara desde o final dos anos 70 por dezenas de festivais e discos ( principalmente da cena paulistana) e se destacara no experimental e inteligente grupo Rumo. Eu gastei com vontade os sulcos deste vinil e o considero um dos destaques daquela década.
Entre canções memoráveis, líricas e reconfortantes, esse disco trouxe uma homenagem especial ao Dr. Sócrates: um samba bem pra frente, alegre e faceiro, de autoria do prof. José Miguel Wisnik, intitulado "Socrates Brasileiro", cuja letra pegava o mote não só da extensão do nome de batismo do craque (Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira), como aproveitava também para destacar o seu peculiar segundo nome também no título. Nesse 04/12/2011, que entra para a história com o pentacampeonato brasileiro do Corínthians e com o falecimento de um de seus maiores ídolos, fecho o dia com esse delicioso samba, recheado de política, povo, labuta e esperança, e sem transparecer um pingo de tristeza, como bem o doutor gostaria.
http://www.youtube.com/watch?v=8YzgF0PiBS8

30 de novembro de 2011

Oito vídeos de George Harrison (escolhidos a dedo por Tânia Vinhas do blog da Superinteressante)

Eu sempre que posso dou uma olhada nos meus sites preferidos da blogosfera e a página da Super está entre as ++ da minha lista. Por coincidência, minha esposa Cris mandou por e-mail o link desta matéria-homenagem, publicada ontem ( 10 anos exatos da morte de George). Eu não tinha visto, mas bem sei da competência da Tânia Vinhas em capturar lances inusitados e curiosos do vasto mundo cultural pop. Uma ótima chance para analisar as várias facetas do mais misterioso entre os FabFour.
http://super.abril.com.br/blogs/cultura/8-momentos-agitados-da-carreira-de-george-harrison-o-beatle-quieto/

Mark Twain ganha Doodle especial em seu 176º aniversário

O Google trouxe nesta quarta-feira mais um Doodle especial, desta vez  para o escritor e jornalista americano Mark Twain (1835-1910 - nome de batismo: Samuel Clemens), no dia de seu 176º aniversário.No cabeçalho da página aparecem crianças pintando a palavra "Google" em um cercado, referência direta aos seus personagens mais famosos ( a cena de Tom Sawyer caiando a cerca é clássica). Com títulos como 'As Aventuras de Tom Sawyer', 'As Aventuras de Huckleberry Finn', e  'O Príncipe e o Mendigo', o escritor é clássico absoluto, recomendado para quem ama literatura bem feita e ainda por cima feita com emoção.

Baú do Malu 34 - Raio Vermelho nº 49 -20/12/1952

O Pato Donald foi a primeira revista da Editora Abril, e isso é alardeado desde os tempos de Victor Civita, o homem que fundou a editora nos idos de 1950, em São Paulo. Na verdade, o Pato Donald virou uma espécie de "moedinha nº1" do velho editor e sua revista, lançada em julho de 1950, sempre foi considerada a primeira da editora porque trouxe sorte e sucesso ao empreendimento ( a revista existe até hoje e segundo seu filho, Roberto Civita, jamais deixará de existir, tanto por razões históricas como emotivas). Mas antes, existiu um "patinho feio" na ´história da Abril: a revista "Raio Vermelho", lançada em maio de 1950 e editada nos mesmos moldes do irmão Cesar Civita, da Editorial Abril da Argentina ( lá a mesma revista chamava-se "Misterix").As historietas eram feitas na Itália, montadas na Argentina e despachadas para o Brasil, mas seja por seu formato estranho ( horizontal), que acabava empastelando os quadrinhos e diminuindo os balões, seja pelo ritmo mais "lerdo" das aventuras, em comparação com os ágeis heróis americanos, a revista nunca foi um sucesso e parou em fevereiro de 1953 ( no mesmo ano houve uma nova tentativa, utilizando-se o mesmo título argentino, "Misterix"). Esta edição (capa acima), de 20 de dezembro de 1952 ( muitos especialistas cravam que a revista parou em 1951) já saía em formato americano, mas mesmo assim a revista estava à beira de seu desaparecimento. As histórias, muito bem desenhadas pelos italianos e argentinos, trazem os personagens Kayo Kirby, Homem de Ferro ( muito antes do famoso da Marvel, mas sem armadura - só força descomunal), Bull Rocket e Dito Mangalô ( tira cômica).Destaque para a primeira tira que abre a edição, "Trabuco e Trinquete" (destaque abaixo),desenhada por Luis Destuet ( e assinada, raridade nas revistas da Abril da época), artista argentino,o mesmo que já desenhava para a Disney em seu país e nessa época era contratado da Abril para ensinar o "estilo Disney" aos jovens desenhistas da editora ( entre eles, Álvaro de Moya).O diretor de quadrinhos na época era Jerônimo Monteiro, um pioneiro dos quadrinhos brasileiros e também da literatura sci-fi por aqui. Outro detalhe curioso é o logo da editora na capa, um quadrado branco com a letra A em preto, que eu nunca tinha visto em outra publicação da casa.

29 de novembro de 2011

Caetano Veloso e Ronnie Von (1967)

Estava eu com esse disquinho na mão hoje (logo abaixo) - de vez em quando eu cato um compacto da minha coleção pra pesquisar sua história - e descobri que antes dessa gravação de "Pra Chatear" de Sérgio Murillo (de 1968), houve outra no ano anterior, com Ronnie Von e o então jovem compositor baiano Caetano Veloso ( acima, o compacto retirado do LP Ronnie Von nº 3).

A música "Pra Chatear" é uma composição de Caetano Veloso, inspirada em tradicional ciranda pernambucana. Vale a pena escutar esse raro registro da dupla, que de tão descontraído, até inclui uma risada de Ronnie Von, que na época já despontava como uma alternativa mais voltada ao "rock inglês" ( inclusive com versões de Beatles), em contrapartida à Jovem Guarda mais "americana" de Roberto Carlos.
http://mais.uol.com.br/view/7itgi4myir9b/ronnie-von-e-caetano-veloso--pra-chatear-1967-0402CC183660D0911326?types=A&

26 de novembro de 2011

Capa do Mês: Piauí 62

A Piauí de novembro saiu com essa chamativa capa estampando famoso óleo do pintor holandês Marinus van Reymerswaele, de 1540,. Essa obra é conhecida por “Dois coletores de impostos” ou “O gabinete do coletor de impostos”, mas na internet encontrei também como “Os Agiotas” e “Os Usurários”. Na verdade, nem a autoria de Marinus é comprovada inteiramente, embora outras obras de sua autoria foquem em tema econômico ( dinheiro, bancos, impostos). A equipe de arte da revista fez algumas inserções modernas, atualizando o dinheiro para dólares e euros, modificando o conteúdo do livreto para gráficos e grafando nas vestimentas marcas famosas do mundo financeiro ( Goldman Sachs, Merril Lynch). Outra curiosidade é a máscara “V de Vingança” ( a máscara de Guy Fawkes) logo atrás dos camaradas (referência direta aos manifestantes de Wall Street). Aliás, os confrades da usura receberam um discreto fotoshop no rosto, além de mudanças cromáticas nas vestimentas .Comparem a capa (acima) com o quadro original ( abaixo) e aproveitem também para ler uma boa matéria dessa edição, de autoria de Renato Terra ( músico e cineasta de “Uma Noite em 67”), que com o foco no esquema de lançamento do último disco de Lenine, acabou destrinchando o comércio musical atual, com suas saídas e armadilhas.
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/questoes-tecnomusicais/lenine-lanca-um-som

24 de novembro de 2011

20 anos sem Freddie Mercury

Um dos melhores vocalistas de todos os tempos já deixou o Planeta há duas décadas exatas. O dia traz homenagens em várias mídias, e elas já começaram no final de semana.
No domingo, o bom programa Extrato da MTV veio com o título "Os Hinos da Rainha", trazendo em sua tradicional lista, 15 das músicas mais representativas do Queen.
Assista aqui: http://mtv.uol.com.br/programas/extrato/videos/os-hinos-da-rainha
Hoje rola muita coisa boa relacionada ao Queen e a Freddie. Nas ondas do rádio, via Antena 1 ( essa dica é do Léo) entre 18h e 19h, uma hora exclusiva com a banda no programa Big Hour ( sintonize no 94,7 FM)
ou na web: http://www.antena1.com.br/
O site The Living Brick criou para a data um boneco do cantor feito de Lego
aqui: http://livingdigital.com.br/20-anos-sem-freddie-mercury/
O site do Fantástico resgatou um antigo programa ( com apresentação de uma jovem Cristiane Torloni) com imagens inéditas de show raro do Queen.
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1676867-15605,00-MORTE+DE+FREDDIE+MERCURY+COMPLETA+ANOS.html 
Paulo Cavalcanti na Rolling Stone digital traz hoje uma ótima matéria com os últimos dias de Freddie ( e links com fotos, vídeos e promoção)
http://www.rollingstone.com.br/noticia/os-ultimos-dias-e-morte-de-freddie-mercury/
E para quem quer novidade ( e mesmo 20 anos depois, sempre aparece uma), na sexta, o The Sun noticiou que em 2012 as gravações de Freddie com Michael Jackson sairão em disco. A fonte é duvidosa, mas quem falou foi o próprio Brian May. É ver para crer.
http://culturasemcensura2.blogspot.com/2011/11/dueto-entre-michael-jackson-e-freddie.html

18 de novembro de 2011

O Espírito Vivo de Will Eisner

Spirit, a obra prima de Will Eisner (1917-2005), é tema de exposição inédita na Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo), fechando as comemorações de 20 anos do espaço.A mostra apresenta 106 desenhos originais do artista norte-americano, além de uma estátua de bronze do personagem esculpida pelo artista Peter Poplaski. Em paralelo à homenagem ao personagem, a proposta da curadora Marisa Furtado é mostrar o processo criativo e a personalidade de Eisner, que esteve no Brasil sete vezes ( e eu fiquei frente a frente com ele em uma delas.Aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/frente-frente-com-o-mestre.html ) e se não bastasse ter revolucionado os quadrinhos já em 1940, com suas quebras de páginas, ângulos cinematográficos e grafismos inéditos em The Spirit, também quebrou a boca do balão nos anos 70, quando inaugurou ( alguns dizem que ele consolidou) o gênero graphic novel.
Vale a pena, muito a pena, conhecer a obra e o processo criativo desse genial artista. E para aqueles que não conhecem sua obra, nunca é tarde. Depois de uma passadinha na exposição, que é gratuita, podem aproveitar a própria gibiteca e apreciar qualquer uma das fantásticas histórias criadas por Will Eisner.
Em tempo: Marisa Furtado, curadora da exposição, e também diretora dos documentários da Série Profissão Cartunista. dirigiu o primeiro filme feito no mundo sobre Eisner, aprovado pelo próprio ( disponível em DVD) e faz um trabalho explêndido de pesquisa e design nessa apaixonante exposição.
"O Espírito Vivo de Will Eisner"
Centro Cultural São Paulo (Piso Flávio de Carvalho - Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso. Junto à estação Vergueiro do Metrô).
Até 18 de dezembro (terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h)
Informações: 3397-4002
Grátis

Trilha natalina com The Smiths

A nova revelação da música londrina está na trilha do novo filme natalino da rede John Lewis. Slow Moving Millie canta com muita emoção uma nova versão da música "Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”, by The Smiths, cover que estará no seu primeiro álbum a ser lançado em dezembro. Sigam no Tripicalistas:
http://tripicalistas.blogspot.com/2011/11/smiths-no-novo-filme-natalino-da-rede.html

16 de novembro de 2011

Erika Iris Simmons e sua "Tape Deck Art"

A artista americana Erika Iris Simmons  usa fitas cassete e rolos de filme para criar  portraits de alguns dos maiores ícones da música e do entretenimento. A arte realmente não precisa escolher matéria-prima pra virar obra-prima. Incrível!
http://www.flickr.com/photos/iri5/sets/72157611954107572/with/3344465546/ 

Esses retratos já influenciaram até a indústria do vídeo. No ano passado, o diretor Ethan Lader, elaborou o  clipe do cantor/compositor Bruno Mars para a música Just The Way You Are, baseado inteiramente na arte de Erika (abaixo):
http://www.youtube.com/watch?v=LjhCEhWiKXk 

11 de novembro de 2011

Eleven e o legado do casal Alain Johannes/Natasha Schneider

Escolhi este 11/11/11 para homenagear uma banda muito boa e pouco comentada no Brasil, que tem tudo a ver com a numerologia da data: Eleven. Fundada nos EUA em 1990 pelo casal Alain Johannes ( vocal, guitarra) e Natasha Schneider ( vocal, teclado), com Jack Irons na bateria, a banda encerrou as atividades com a morte por câncer de Natasha em 2008 e deixou uma discografia relevante, calcada no rock e sempre muito bem produzida e arranjada. Casados, Alain e Natasha se completavam nas idéias musicais e as composições escancaravam essa cumplicidade. Inicialmente o som do grupo não era tão denso e mesclava arranjos e harmonias bem amplas e solares, mas com a aproximação de Josh Homme ( Queen of the Stone Age) em várias parcerias, as composições tornaram-se mais pesadas e “garageiras”, mas sem perder a aura "cigana". Inclusive, Alain e Natasha participaram também do belo álbum solo de Chris Cornell, “Euphoria Morning”, do próprio Queens of the Stone Age e Alain colaborou mais recentemente com o Them Crooked Vultures ( projeto de Joss).Um casal bem camaleônico, durante um quarto de século juntos, tanto no visual como nas composições ( vejam os exemplos lá embaixo) Em 2010, Alain Johannes, considerado um dos grandes músicos da sua geração, e que além de compositor, é multi-instrumentista e produtor, lançou seu disco solo ( “Spark”, pelo selo Rekords Rekords de Joss Homme) , um registro embebido de lembranças e homenagens à sua musa – a canção “Endless Eyes” por exemplo, foi composta especialmente para o “Natasha Schneider Benefit Concert” e deu pano para toda a concepção de “tributo” do álbum. Natasha Schneider, nascida em Moscou, além da longa parceria com o marido no Eleven ( e bandas menores anteriores), participou também de filmes como “2010-O Ano em que Faremos Contato”(1984) e Spiker (1985), além de compor trilhas ( como “Who’s in Control”, para Mulher-Gato de 2004). Faleceu em 02/07/2008, e conforme relatos não confirmados, às 11:11.

Abaixo, onze bons momentos da Eleven e de Alain/Natasha (incluindo música do solo-homenagem de Alain Johannes e participações com Joss Homme/ Queen of the Stone Age).
Eleven - Raimbow's End (1991) - http://www.youtube.com/watch?v=N6Hvqj9mWds&feature=related
Eleven - Tomorrow Speaks - http://www.youtube.com/watch?v=eHjC6K0dK_M&feature=related
Eleven - Reach out  http://www.youtube.com/watch?v=X4xgT-JziVw  
Eleven - Heavy (1994) - http://www.youtube.com/watch?v=sgvyYl5JLwU&feature=related
Eleven - Took me for a Ride - http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=h3sXgq8gB-o
Eleven - You're my Diamond -  http://www.youtube.com/watch?v=JxDWxePPmKU&feature=related
Eleven - Towers - http://www.youtube.com/watch?v=tc1VlsAz4dQ&feature=related
Eleven c/Joss Homme-Stone Cold Crazy- http://www.youtube.com/watch?v=FiAWn1KSe-0&feature=related
Queen of the Stone Age ( acoustic live Berlin 2005) -In My Head - http://www.youtube.com/watch?v=1GiaN_10pNk&feature=related  
Queen of the Stone Age (live 2005) - The Lost Art of Keeping a Secret - http://www.youtube.com/watch?v=0JlYFTQIjGY&feature=fvst 
Alain Johannes - Endless Eyes - http://www.youtube.com/watch?v=soMMdBsDswA&feature=related 

9 de novembro de 2011

A "Segunda-feira sangrenta" de Bob Geldof e os Boomtown Rats


Divulgação - Site oficial
 Qum escuta o nome de Bob Geldof talvez se recorde que ele foi o grande responsável pelo "Live Aid" em 1984, ao escrever a música "Do They Know It’s Christmas" (com Midge Ure do Ultravox) e conseguir juntar um grande time de músicos para o Natal daquele ano e show no ano seguinte, com a missão de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia. Ou se puxar um pouco mais a memória, talvez se lembre que ele foi o protagonista do filme "Pink Floyd The Wall", de Alan Parker (1982). Essas duas referências puxam principalmente a nossa "memória visual", e é por esse motivo que poucos sabem ou se lembram que um certo grupo irlandês, o Boomtown Rats, que existiu entre 1975 e 1985 ( e portanto, contemporâneo tanto do filme como do evento beneficiente) era a banda do próprio, Mr. Bob Geldof. E pouca gente sabe que o maior êxito do grupo, a música "I Don't Like Mondays" (de 1979) foi escrita logo depois de Bob ler nos jornais sobre um tiroteio numa escola da Califórnia executado por Brenda Ann Spencer, que disse tê-lo feito por não gostar das segundas-feiras (Mondays). Se outra banda irlandesa, U2, teve um dos seus grandes sucessos, "Sunday Bloody Sunday", baseado num violento conflito entre protestantes e católicos conhecido como "Domingo Sangrento", houve quatro anos antes, outro hit de outra banda irlandesa, que alcançou as paradas britânicas narrando outro dia violento. Sem as proporções da guerra civil irlandesa, mas uma guerra isolada e particular, do outro lado do Atlântico.
A música "I Don't Like Mondays", aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=-Kobdb37Cwc&ob=av2e
E a história do Boomtown Rats ( em inglês), aqui:
http://www.boomtownrats.co.uk/the-boomtown-rats.html

7 de novembro de 2011

O AcervoSorve 6 :álbuns portugueses da Distri - Spaghetti e o Tesouro da Pirâmide (1984) e San-Antonio na Grécia (1983)


Na minha última visita ao Sebo Proxy(já postado aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/10/boas-novas.html ) encontrei bem escondidas numa enorme pilha de gibis de super heróis, essas duas preciosidades portuguesas: os álbuns "Spaghetti - o Tesouro da Pirâmide" (1984) e "San-Antonio na Grécia" (1983), ambos da Distri Editora ( Colecção "B.D. Para Todos"). O primeiro personagem eu já tinha ouvido falar: começou em 1957 com desenhos de Dino Attanasio e roteiros do afamado René Goscinny na revista belga Tintin. Era uma série de histórias curtas que passou a ter aventuras mais longas quando Goscinny deixou de roteirizar logo no início ( para quem não sabe, ele começou a escrever as histórias de Asterix em 1959 e já fazia o cowboy Lucky Luke desde 1955). é o caso deste álbum, uma aventura posterior com roteiros de R.Francel. Já San-Antonio é um famoso personagem da literatura francesa, criação do autor Frédéric Dard.No álbum em quadrinhos,a arte é de Henri Desclez e o roteiro de Patrice Dard ( que deve ser filho de Frederic). Para saber mais sobre a obra de Attanasio e seu personagem Spaghetti, segue um ótimo post do ótimo blog português "As leituras de Pedro". E também um pouco sobre Frederic Dard, em nota sobre sua morte em 2000.
http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2011/01/spaguetti-integrale-1.html 
http://www1.folha.uol.com.br/fol/cult/ult08062000165.htm