Quando o Mario Mastrotti me avisou que ia reativar o tradicional encontro dos profissionais das artes gráficas no ABC - que ele idealizou e produziu em 13 edições, até 2019 - e pediu minha ajuda, tínhamos pouquíssimo tempo para preparar o material de divulgação e a própria divulgação em si. Como sabíamos que esse era um momento-chave para esse tipo de encontro - momento em que mais uma vez a democracia corre sério risco - ligamos o botão de emergência e mandamos ver. Ativamos contato com o sempre presente Tadeu, da Livraria-Sebo São Caetano, que prontamente cedeu o espaço e rapidamente o material gráfico foi providenciado. Muita gente que convidamos não pôde comparecer - o que é muito natural, ainda mais com o tempo exíguo - mas no final, vieram nove pessoas, que o que eu sempre comento, é um baita milagre, se levarmos em conta os problemas, compromissos, perrengues, distâncias e outros contratempos dessa nossa vida moderna. Ainda mais, se levarmos em conta a própria profissão do desenhista, que na maioria das vezes envolve prazos curtos, freelancers de última hora e mil coisas para administrar ao mesmo tempo. Cheguei lá e estavam presentes Mario Mastrotti e o escritor e professor Edgar Nóbrega, que não é da área, mas estava passando por lá e acabou prestigiando o evento. Em pouco tempo, o espaço - entre as estantes abarrotadas de livros do sebo, que conta com mais de 100 mil títulos - já estava tomado de artistas: Juliano Kaapora - quadrinista e cartunista nascido em Ribeirão Claro (PR), criado em Piraju (SP) e que já está morando há seis anos em São Caetano do Sul, depois de uma longa temporada no bairro do Jabaquara; Chico Pereira - cartunista e caricaturista de Mauá, grande batalhador e incentivador das artes gráficas na região; Fernandes - com estúdio em Santo André, mais de quarenta anos de carreira e premiadíssimo, considerado um dos maiores caricaturistas do mundo; Adilson Lima, arte educador e coordenador da Gibiteca de Santo André, que reabriu há pouco depois de 10 anos inativa; Luigi Rocco, cartunista e pesquisador, especialista na história das tiras em quadrinhos brasileira (visitem seu blog: tvmemory.blogspot.com); Ale Michelacchi, publicitário e entusiasta da cultura, sempre presente nos eventos de quadrinhos e música. Além da conversa divertida e memorável - causos incríveis, lembranças de salões de humor e de artistas maravilhosos pelo Brasil - alguns pontos foram surpreendentes: a presença de Kaapora, que eu só conhecia de nome e nem imaginava que morasse em São Caetano; ele está na lida dos quadrinhos desde seus 13 anos, idade com que começou a desenhar para um suplemento infantil em Piraju, no interior de São Paulo, e desde então já fez muita coisa, incluindo vários projetos solos ou em parceria e ganhou prêmios em vários salões de humor; além da surpresa de ele ser morador da cidade, a sua mochila parecia mágica - a cada instante ele tirava desenhos originais, revistas em que participou e até exemplares originais do próprio suplemento infantil onde começou a desenhar! Outro que sempre surpreende é o Fernandes, com sua desenvoltura ao vivo no desenho e ao mesmo tempo, sua simplicidade natural ao contar de suas experiências e labutas na profissão, desde Avaré até o ABC - ouvir o mestre e presenciar sua arte brotando é sempre uma delícia e dessa vez, para minha surpresa ainda maior, soube que ele morou por vinte anos no meu bairro, em São Caetano! (e eu só o encontrava na época, em outros lugares, longe daqui...rs); Chico Pereira não ficou atrás - ele que tanto divulgou o evento e é onipresente em movimentos da área - e mostrou toda sua criatividade e energia, não parando de desenhar um só minuto e paralelamente fazendo da calçada em frente à livraria uma celebração à parte com suas caricaturas ao vivo; Adilson Lima e Luigi Rocco foram outras presenças que enriqueceram a conversa, afinal, são dois estudiosos dos quadrinhos brasileiros e sabem muitos detalhes de bastidores dos artistas; e claro, não poderia deixar de mencionar o cartunista, quadrinista e caricaturista Mario Mastrotti, agregador desde sempre, na labuta desde 1975, e que foi o responsável por esse evento aconchegante e fabuloso. E que fique o registro das artes espontâneas, feitas no calor do momento, com o tema Democracia! (vejam as fotos). Que a partir de agora, esse tradicional encontro volte a ter uma periodicidade sem lacunas, pois a categoria precisa mais do que nunca se unir, trocar experiências ao vivo e mostrar que a democracia persiste, assim como a arte.
Sentados: Chico Pereira, Fernandes e Marcos Massolini; de pé: Adilson Lima, Mario Mastrotti e Edgar NóbregaA turma, com Carlos Tadeu Furtado (terceiro da esquerda para a direita), dono da livraria São Caetano que nos acolheu para esse encontro
Fernandes presenteou Juliano com uma caricatura
O papo correu solto, com muitas surpresas

















































