10 de agosto de 2022

Baú do Seu João 36: "Infraphil"

Invariavelmente, meu pai vinha do trabalho com algo que comprava na rua: se não era jornal, revista ou fascículo, podia ser alguma guloseima de mercadinho ou algum eletrônico exótico, uma ferramenta estranha ou um item tecnológico surpreendente que algum colega de "firma" lhe tinha apresentado ou dado a dica. Certa feita, adentrou nosso lar no fim do expediente com essa caixa suspeita, onde se lia: "Infraphil - o Calor que Cura". O "troço" peculiar era fabricado por uma marca famosa (a alemã Philips) e prometia curar o corpo de alguns males do cotidiano (queimaduras, luxações, machucados, sinusite, reumatismo, dores de dente) e até servir como tratamento de beleza, graças à exposição de sua luz infravermelha. O tal Infraphil tinha uma aerodinâmica arrojada e um design futurista e por algum tempo, meu pai fez um ritual diário de exposição ao raio infravermelho saído da grande "lanterna" frontal do dinâmico aparato, afinal, como dizia o folheto do aparelho revolucionário, "sua família precisa de calor". Assim foi, até que passado algumas semanas, numa noite como qualquer outra, meu pai guardou o Infraphil na caixa, enfiou no fundo de seu guarda-roupa e simplesmente se esqueceu de sua existência. Mais uma vez, como várias outras vezes, a rotina de casa voltava ao seu trivial. Pelo menos até uma outra aquisição inusitada do irrequieto Seu João, de preferência aquelas que prometiam mudar sua vida de um dia para o outro.







7 de agosto de 2022

Um brinde ao querido Jô! (Jô Soares -1938-2022)

Acompanhei o genial Jô Soares desde a infância, nos programas humorísticos da Globo. E nos anos 90, me aproximei dele muito mais do que poderia imaginar, quando trabalhava no Dedoc da Editora Abril. Como eu atendia clientes externos, comecei a fazer pesquisas jornalísticas para vários programas do SBT, como Programa Livre do Serginho Groisman, o jornal Aqui Agora e o programa de entrevistas Jô Onze e Meia. Eu procurava informações biográficas das personalidades que iam ser entrevistadas e passava para sua equipe. Cheguei a falar duas vezes com o Jô por telefone. Aliás, ele era notoriamente notívago e para as pesquisas de seus livros, costumava ligar a qualquer hora do dia, mas principalmente à noite e de madrugada para o Dedoc, onde batia longos papos com a equipe de plantão (principalmente com o saudoso Luiz Arturo, da turma dos "corujas"). O auge dessa fase áurea para mim foi quando o Adrian, da equipe do Jô Onze e Meia, me mandou convite para assistir a entrevista do brilhante quadrinista Will Eisner, criador de The Spirit, personagem icônico da nona arte e um ídolo para o próprio Jô. Essa história está contada em detalhes no link abaixo. Por ter nos brindado com tanta cultura e humor ao longo de décadas, eu levanto um brinde a você, Jô Soares e à vida fantástica que você teve aqui na Terra. ( o brinde é na caneca original do seu programa, que sempre guardei com muito carinho).

https://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/frente-frente-com-o-mestre.html?m=0