30 de dezembro de 2025

Feliz Ano-Novo! (com Dalcio Machado)

Esse ano louco, trágico, surpreendente, violento, desafiador, está se despedindo. 2025 entra para a história por vários motivos, entre eles, por ter sido o ano da COP30, realizada no Brasil, que se não teve um relatório final que batesse o martelo para retroceder finalmente o avanço da crise climática, deixou pontos importantes planando no ar e nas cabeças de muita gente que pode mexer os pauzinhos para ao menos minimizar a catástrofe natural que se aproxima. Outro motivo que fez de 2025 um ano inesquecível foi a prisão inédita na história do país, de militares, no caso, os fardados que tentaram o golpe contra a democracia. O ano também teve dose maciça de violência, com guerras pipocando em vários cantos do mundo, o feminicídio marcando sua presença nefasta no noticiário brasileiro e manifestações sociais em vários países - com os EUA de Trump numa ebulição interna que só deve crescer em 2026. Houve perdas  que doeram - Lô Borges, Jards Macalé, Nana Caymmi, Pepe Mujica, Ozzy Ousborne, Angela Ro Ro, Preta Gil, Arlindo Cruz, David Lynch, Papa Francisco, Luiz Fernando Veríssimo, Diane Keaton, Brigitte Bardot (que deve ser reverenciada pela sua arte e defesa dos animais em contrapartida às suas declarações pessoais lastimáveis), Jussara Lanzelotti (filha do grande artista José Lanzelotti e guardiã do seu legado) Fausto Kataoka (o grande editor e gráfico, já homenageado aqui no blog) e Von Dews (grande pesquisador do universo Marvel e principalmente do universo dos X-Men). Pessoalmente, me despedi de amigos também: Ada Caperuto, que se foi tão jovem e no auge de sua criatividade como jornalista, escritora e artista e ontem, uma grande amiga da família, dona Iolanda, que viveu bastante e intensamente, sempre ajudando o próximo e distribuindo sua simpatia inerente. No campo do trabalho, o bolso ficou quase todo o tempo vazio, mas pude participar de projetos incríveis: um deles, o álbum "Fábulas de La Fontaine Ilustradas por Gustavo Doré", mais uma restauração e homenagem à Ebal do editor e amigo Francisco Ucha, onde pude participar, além da revisão e pesquisa, de um texto sobre os tradutores das fábulas publicadas nesse álbum originário dos anos 1960. O ano viu também mais uma biografia escrita por mim na série "Biografias Ilustradas" da Editora Criativo, com edição de Marcio Baraldi: "Bira Dantas - A Arte de Viver da Arte" - uma grande honra ter tido essa oportunidade de retratar a vida de um dos mais importantes artistas gráficos em atividade no Brasil. Para a Criativo escrevi também o texto de apresentação do álbum "A Turma do Ia Ia Iac", de Paulo Hamasaki e da biografia de Mario Mastrotti ("Quadrinhos Cúbicos") feita por Fernando Moretti - Mastrotti, aliás, que pude homenagear em artigo da revista Raízes, bem como a querida Ada Caperuto ( em parceria com Lilian Mendes). As revisões também foram intensas - "Olhares sobre Wolverine" (com organização de Guilherme Smee); "Curiosidades Marvel", obra escrita e pesquisada por Alexandre Morgado e editada por Levi Trindade; "Splash - Uma Breve História da Publicidade em Quadrinhos", um calhamaço formidável escrito e pesquisado pelo colossal Toni Rodrigues, também grande amigo; e a biografia de Akira Toriyama, do inoxidável Eduardo Pereira (a quem pude finalmente conhecer pessoalmente no Gibi SP Festival). Tive a honra também de revisar duas obras realizadas por membros de minha família: as ficções "Becos Etéreos" do meu sobrinho Guilherme Scapacherri e "Arevalidad", do meu cunhado Magno Veiga (obra com objetivos sociais). Graças ao meu sobrinho Gui, participei também do curta sobre a videolocadora Charada, heroica casa cultural da Zona Leste (escrevi sobre ela no blog), a sair em circuito comercial em 2026. E pude pela terceira vez, fazer a cobertura da CCXP, via LivedeQuadrinhos, do Ucha (a quem agradeço por mais essa oportunidade), ao lado do chapa Marcus Santana (as entrevistas estão linkadas em post anterior). Como escritor, participei de uma Fanzinada Especial num casarão no centro de São Paulo (lindo!), ao lado de Mastrotti, Paulo Baptista e outros amigos (Thina Curtis, valeu!) e consegui organizar dois Saraus na Livraria Casa das Ideias, aqui no meu bairro (um deles, foi devidamente registrado no blog). Por tudo isso, um ano intenso, em todos os sentidos. Reencontrei muitos amigos - em encontros da Turma do Ponto de Táxi, minha grande turma da mocidade e da Turma de Jornalismo da Metodista, com amigos essenciais na minha trejetória - e viajei com a família para lugares mágicos - Paraty, São Thomé das Letras e Ouro Preto. Que venha 2026, com saúde e muitas surpresas boas. A todos os leitores e seguidores do Almanaque do Malu, um ótimo e feliz ano à frente! Vamos que vamos. 

Ilustrando esse último artigo do ano, um cartum (mais um) genial do sempre criativo Dalcio Machado.


27 de dezembro de 2025

Bau do Malu 91 - Cartão 'print' com as assinaturas originais dos membros do Iron Maiden




Consegui esse item num leilão há alguns anos atrás. Além dos autógrafos de todos os integrantes da banda inglesa, feitos com caneta esferográfica, a peça veio com certificado de autenticação, datado de 26/01/2015, legitimando a origem do documento.

26 de dezembro de 2025

A biografia de Bira Dantas pela Editora Criativo


Desde julho estava escrevendo com muito carinho a biografia do múltiplo Bira Dantas (cartunista, caricaturista, quadrinhista) e finalmente neste final de dezembro ela ficou pronta na gráfica e já está disponível para venda no site da Editora Criativo (link abaixo). Essa série "Biografia Ilustrada", aliás, já ultrapassou 20 títulos, graças à dedicação e paixão dos "cabeças" dessa coleção, que homenageia tanta gente importante das artes gráficas e dos quadrinhos no Brasil: Carlos Rodrigues e Franco de Rosa (da Criativo) e Marcio Baraldi (do selo Grrr!) - e graças ao convite deste último, pude escrever a terceira biografia para a série (além do Bira, escrevi as biografias de Getulio Delphim e Paulo Hamasaki). Como muitos amigos e colegas de profissão comentam, Bira Dantas merece muito essa homenagem, não só pela sua importância para as nossas artes gráficas, mas pelo seu empenho e ação para que as HQs brasileiras tenham visibilidade e o respeito que merecem. Fiquei extremamente orgulhoso de ser o autor desse livro e um pouquinho decepcionado por não poder ter incluído tudo o que Bira já produziu nesses quase 50 anos de carreira - embora saiba que para isso, a biografia precisasse de mais de 200 páginas. De qualquer maneira, este volume inclui o melhor de Bira Dantas, esse artista incrível que não para de produzir (enquanto estou escrevendo aqui, certamente um novo projeto está sendo finalizado por ele). Obrigado, Bira, por tudo!

A biografia pode ser adquirida aqui: https://www.comix.com.br/graphic-book-bira-dantas-a-arte-de-viver-da-arte.html?srsltid=AfmBOopafUUZIpN6hJTxxUIPm29doz5BRJMINZDi0GZvlyvKZ1nB3Heh

Homenagem dupla na revista Raízes nº71: Ada Caperuto (1965-2025) e Mario Mastrotti


A última revista Raízes (a 71, lançada neste mês) me encantou deveras. Na mesma edição pude homenagear dois grandes amigos - aqueles de uma vida toda - e o resultado me emocionou profundamente. Mario Mastrotti é um artista muito conhecido no Grande ABC, muito por conta do seu personagem Cubinho, que surgiu em 1975 nas páginas do Diário do Grande ABC e conquistou um lugar no panteão das HQs brasileiras icônicas por tratar de temas corajosos (violência, guerra e igualdade em plena Ditadura Militar) e até então quase não comentados na imprensa (degradação ambiental, ecologia, racismo). Mastrotti desde então fez muito pelas artes gráficas brasileiras, criando outros personagens para jornais e revistas, unindo cartunistas do Brasil inteiro nas publicações cooperativas de sua editora Virgo e participando ativamente de salões de humor e mostras (como as mostras de aniversário do Cubinho em São Caetano, a precursora mostra em duas edições sobre os Beatles em São Caetano, os prêmios em salões de humor tanto nacionais como internacionais e sua participação ativa na produção do Salão de Humor de Doação de Órgãos, que rola a todo vapor há anos). Escrever um artigo sobre os 50 anos de sua carreira, ele que é um grande chapa com quem tive a honra de executar projetos mágicos (e ainda estamos nesse caminho) me fez mais feliz nessa reta final de 2025. A outra homenagem, para a querida amiga Ada Caperuto, que estudou na minha turma de jornalismo da Metodista (lá nos idos do final dos anos 1980), foi mais emocionante e dolorosa, pois ela nos deixou repentinamente no segundo semestre aos 60 anos, em plena atividade como jornalista, escritora e artista plástica. Em parceria com Lilian Mendes (que assinou o artigo) conseguimos homenagear a tempo essa grande amiga, que transboradava criatividade, escrevia como poucos e amava sua cidade natal São Caetano. Que sua presença marcante nessa passagem pela Terra inspire artistas, jornalistas e principalmente as mulheres que tem muito o que escrever, desenhar e pintar, mas por vários motivos, escondem suas criações no fundo das gavetas. Mastrotti e Ada presente!

                                      Uma das incríveis ilustrações de Ada Caperuto

                                        O emblemático Cubinho em exposição pelos seus 40 anos (2015)

Quem quiser adquirir a edição 71 de Raízes, pode retirar um exemplar gratuitamente na sede da Fundação Pró-Memória de São Caetano, na Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255, em São Caetano do Sul-SP. No início de 2026 essa edição estará disponível digitalmente e na íntegra no site da Pró-Memória (ao lado de todas as outras edições da revista).

As entrevistas para a LivedeQuadrinhos na CCXP 2025

                                                                        Eu entrevistando o autor Wander Antunes na CCXP 2025 

Pelo terceiro ano consecutivo, eu e o chapa Marcus Santana fizemos entrevistas para o canal LivedeQuadrinhos de Francisco Ucha. Um prazer imenso encontrar e conversar com pessoas tão talentosas!

As entrevistas estão disponíveis aqui:

https://www.youtube.com/@LivedeQuadrinhos/videos


17 de dezembro de 2025

Baú do seu João 41 - Livro "Super-8 e Outras Bitolas em Ação"


Teve um momento ali nos anos 1970 que meu pai, sempre irrequieto, resolveu aprender as mumunhas da arte do Super-8. Comprou livro, fez curso e no final desse processo finalizou um curta-metragem filmado no quarteirão de casa em São Caetano, munido de câmera Super-8 na mão e participações de familiares e amigos (entre eles meu saudoso tio Dito). O filme está desaparecido (mas não sumido - eu hei de encontrá-lo), mas a câmera, o projetor Super-8 e o manual do curso fazem parte do meu acervo. Este livro, comprado na época (essa terceira edição é de 1975) também sobreviveu às intempéries. Uma de suas curiosidades é que essa interessante arte de capa é do Nicolielo, veterano artista do nosso cartum (vejam seu perfil no link abaixo). Seu João sempre surpreendendo...

https://galeriaartequadros.com.br/nicolielo/

16 de novembro de 2025

Fausto Kataoka (1945-2025)


Sábado de manhã, uma notícia muito triste para o mercado gráfico e das histórias em quadrinhos: o querido e lendário Fausto Kataoka, depois de algumas semanas em estado grave no hospital, faleceu aos 80 anos.Tive a oportunidade de conhecê-lo nos famosos encontros aos sábados no seu sebo na Avenida São João, em São Paulo (Sebo do Japa), onde, rodeados de gibis antigos, cerveja e petiscos (e feijoada muitas vezes), amigos de longa data do universo das artes gráficas, se reuniam para papos inesquecíveis - passaram por lá nos últimos tempos: Henrique Farias, Drago, Omar Viñole, Gonçalo Junior, Tony Fernandes, Franco de Rosa, Julio Hamasaki, Isaac Huna, Paulo Fukue, Mario Mastrotti, Luigi Rocco, Dario Chaves, Laudo Ferreira, Gustavo Vícola, Marcio Baraldi, Nobu Chinen, Alexandre Nagado (e muitos outros), demonstrando o que Fausto tinha de melhor: seu poder agregador! Com poucas palavras no dia a dia, conseguia reunir os amigos, tanto para bebericar e conversar como para tocar um projeto editorial bacana. Assim foi na vida. Fausto, que teve sua biografia lançada no meio do ano, escrita pelo seu amigo Tony Fernandes para a Editora Criativo, é considerado um dos mais prolíficos e importantes produtores gráficos brasileiros a partir dos anos 1970 e para o boom do mercado de histórias em quadrinhos no período, sua atuação foi fundamental. Para os mais chegados, inclusive, seu apelido era Faustolito. Quando escrevi a biografia de um dos grandes amigos da sua vida, o editor, diretor de arte e quadrinista Paulo Hamasaki, falecido em 2015, Fausto não só me ajudou muito para compor os detalhes de sua história, como apareceu muito em vários capítulos do livro - a sua produção ao lado de Hamasaki desde a Noblet, passando para a editora homônima anos depois, foi imprescindível para tantos lançamentos de histórias em quadrinhos nacionais. Meus sentimentos a todos os seus familiares e amigos. Pode descansar agora, nobre Fausto, que o seu legado está registrado e será sempre lembrado por quem compactuou com seu suór, sonhos e conquistas. Abaixo, alguns encontros no Sebo do Japa em 2024 e 2025...

  da esquerda para a direita: Farias, Drago, Omar Viñole, Massolini, Franco, Julio Hamasaki, Fausto Kataoka e Isaac Huna

    Paulo Fukue, Kataoka, Isaac Huna, Tony Fernandes e Drago

    Drago, Gustavo Vícola, Gonçalo Junior, Fasto Kataoka, Paulo Fukue, Henrique Farias e Tony Fernandes

   Luigi Rocco, Tony Fernandes, Dario Chaves, Fausto Kataoka, Mario Mastrotti e Isaac Huna

     Tony Fernandes, Drago, Farias, Faustolito e Paulo Fukue

 

      Marcos Massolini, Franco de Rosa, Fausto Kataoka, Julio Hamasaki e Isaac Huna

29 de outubro de 2025

Ricardo Leite destrinchando o livro "Suplemento Juvenil - 90 Anos"


Eu adorei esse vídeo do Ricardo Leite. Além de ser um baita artista e um pessoa gentilíssima, autor de um dos livros mais importantes da HQ brasileira, que é o "Em Busca do Tintin Perdido" (quem não leu ainda, está perdendo um marco da nossa literatura voltada para a nona arte), Ricardo é daquelas pessoas que não só trabalham com o que gostam, mas também exaltam e vibram com os bastidores da história e com todos que a construíram. E quem acompanha os vídeos do Ricardo sobre as HQs, sabe que ele, quando destrincha, destrincha pra valer, trazendo as informações mais importantes sobre cada item ou tema focado. Abraço, Ricardo Leite!

https://www.facebook.com/share/v/1JwSmvGMPE/

9 de outubro de 2025

Abertura "X-Men" em The Simpsons (2017)

Uma das aberturas clássicas dos Simpsons, essa do X-Men ainda teve a aparição do "homem" (no ano segunte, ele faleceu)



30 de setembro de 2025

Gilberto, da Charada, última videolocadora da perfiferia de SP, é destaque na Folha de S.Paulo

Saiu uma ótima matéria na Folhona de hoje sobre o Gilberto da Charada. Em breve, o doc "Rebobinando Memórias" (nome provisório) vem à luz, pela Murmur. Esperando ansiosamente. Participar desse projeto foi uma grande honra pra mim - Gilberto se tornou lenda não só por ser um sobrevivente cultural e agregar tanta gente em prol do cinema e da música independente, mas por ter um espírito livre de amarras e uma solidariedade e empatia natural, coias tão raras em nosso cotidiano atual. Vida longa à charada. A matéria, assinada por Alex Sabino, tá aí embaixo.

Dono da última videolocadora da periferia de SP diversifica para sobreviver e vira personagem cult

Charada está aberta há 30 anos no mesmo endereço em Sapopemba, na zona leste da capital

'Resistente', dono realiza show de rock, comédia stand up e mostra de cinema para gerar receita

Tudo o que Gilberto Petruche, 69, faz na vida tem um objetivo: manter aberta a sua videolocadora. Ele é casado e com filhos, mas diz que a Charada, no bairro de Sapopemba (zona leste de São Paulo) é sua casa e sua família.

"Eu posso estar em dúvida sobre tudo na minha vida. Mas quando estou aqui, só tenho certezas. É o meu lugar", afirma.

Com 30 anos de existência, trata-se da última videolocadora aberta na periferia da capital.

Homem de cabelos grisalhos e óculos está em pé no centro de uma sala com paredes cobertas por prateleiras cheias de fitas VHS organizadas. Ele veste camiseta preta com detalhes verdes e calça preta com faixa branca, calçando tênis branco. No chão, tapete redondo com texto e várias sacolas coloridas estão ao lado direito.
Gilberto Petruche, 69, dono da Charada Locadora, no subsolo da loja no bairro de Sapopemba - Rafaela Araújo/Folhapress

O desafio a cada mês é arrecadar o suficiente para manter o sonho vivo. Se sobrar algum dinheiro, ótimo. Se não, paciência. O importante é subir o portão de ferro e ficar atrás do balcão todos os dias para falar sobre seu acervo 15 mil DVDs e 6.000 VHS.

A meta é chegar a R$ 3.000 para pagar o aluguel, além das contas de luz e água. A média do número de locações por mês é de 15. Cada uma custa R$ 8, com direito de ficar com o filme por dez dias. São R$ 120 no total.

A dificuldade financeira não deixa de ser ironia para alguém que é economista, administrador de empresas e técnico em contabilidade.

"Antes, eu era funcionário de empresas, mexia com o dinheiro dos outros e era bom nisso. O problema é administrar o meu."

A locadora é um símbolo. Ela continua aberta porque Petruche sempre arruma novas maneiras de criar receitas. Vai a feiras e eventos para cinéfilos ou gamers. Converte VHS (e os limpa, se necessário) para DVD.

Realiza mostras de curta metragens, shows de comédia stand up e, há nove anos, recebe grupos de rock, MPB e jazz para apresentações que já reuniram cerca de 400 pessoas em um espaço em que só com esforço mental dá para imaginar que caibam mais de 100.

No próximo mês vai acontecer a 94ª edição do festival Idade da Terra em Transe. O nome é referência a Idade da Terra e Terra em Transe, dois filmes de Glauber Rocha, o cineasta favorito de Petruche.

Em eventos, as pessoas sempre compram algo na loja. Ele também vende cervejas, refrigerantes e comida.

Deus e o Diabo na Terra do Sol, outro longa-metragem de Glauber, é o favorito do dono da Charada. Petruche afirma que seu jeito improvisado e caótico de administrar a locadora e as próprias finanças é "glauberiana".

Toda sua vida como empreendedor no ramo de filmes aconteceu dessa forma. Quando quis abrir a loja, na década de 1990, e percebeu que o Sebrae não tinha muitos conselhos a lhe dar, decidiu descobrir por si mesmo. Viu um anúncio de emprego em que uma distribuidora procurava vendedor para oferecer filmes europeus a locadoras.

Parecia perfeito. Ele ganharia comissão, conheceria o mercado por dentro e trabalharia com cinema do Velho Continente, algo que adora. Quando chegou à entrevista, viu que eram produções da Europa, sim. Mas pornôs. Foi contratado.

Rejeitou oferta do irmão para abrir a locadora na Mooca (zona leste) porque queria em Sapopemba. Desejava tentar em um bairro de periferia. Difícil foi convencer o dono do imóvel a aceitar fazer o contrato de aluguel. Ele recusou quando ouviu como o imóvel seria usado.

"Vai ser uma locadora diferente. Vou trabalhar com filmes brasileiros, argentinos, uruguaios...", explicou.

Ele se lembra do proprietário arregalar os olhos com a perspectiva de calote: "Agora é que não vou alugar mesmo!", ouviu. Mas alugou e a Charada funciona no mesmo endereço desde a inauguração, em 1995.

Não existe um número oficial sobre o número de videolocadoras ainda abertas na cidade de São Paulo. O sindicato da categoria não existe mais. Petruche diz que são apenas quatro porque os proprietários costumam conversar, falam sobre isso em eventos, vídeos e podcasts e nunca nenhum outro comerciante do ramo se apresentou.

Até 2014, tudo funcionou bem. Sempre entrou mais dinheiro do que saiu. Em um final de semana (sexta, sábado e domingo) conseguia o dinheiro para pagar o aluguel. O restante deveria servir para fazer caixa. Mas para justificar a explicação de que administra melhor o dinheiro dos outros do que o próprio, ele reinvestia tudo na compra de novos filmes. Adquiria praticamente todos. Sempre odiou dizer para um cliente que o VHS ou DVD desejado estava alugado.

Quando saiu Titanic, encomendou 55 cópias. Lembra-se de as pessoas fazerem fila na porta. Era um tempo em que ele alugava 500 filmes por dia e, se o número caía para 350, começava a questionar se havia algo errado. Seu recorde foi 890.

Com o tempo, Petruche, assim como todo o mercado, foi engolido pelos serviços de streaming e downloads pela internet. Quando abriu a Charada, diz que existiam 20 outras videolocadoras no raio de um quilômetro. Hoje, está só.

"Não tenho nada de especial aqui. As paredes [do lado de fora] são pichadas e decidi que não ia pintar porque, se gastasse dinheiro com isso, deixaria de comprar filmes. Eu só sou uma pessoa que está resistindo", resume.

Resistir virou seu marketing pessoal e o veículo para a Charada sobreviver financeiramente. Pessoas saem do interior de São Paulo e de outros estados apenas para conhecer a loja. O comércio e seu dono viraram personagens de culto entre os amantes de cinema.

Um documentário ("Rebobinando Memórias" é o título provisório) está sendo feito sobre Petruche. O canal "Rinha de Cinéfilo" fez dele um dos seus personagens principais no Instagram e no TikTok. Quase todas as semanas estudantes de cinema ou colecionadores o procuram.

"Eu faço eventos para pagar as contas. Sinto muita pena de vender meus filmes. Eu não gosto de vender. Vendo porque preciso pagar aluguel", diz, em mais uma declaração rara para um comerciante, economista e administrador.

Ficar conhecido, mesmo que seja no seu nicho, causa-lhe sentimentos conflitantes. É o que ajuda a manter seu sonho funcionando e o faz ganhar dinheiro. Mas incomoda.

"Fico pensando como vou manter isso. Eu tenho um monte de problema, preciso fazer cirurgia [de catarata] e já tenho quase 70 anos. Eu às vezes questiono se está valendo a pena. Só que eu chego aqui [na loja] e mudo de ideia. Por isso que não passa pela minha cabeça fechar."

"Eu faço eventos de música, eventos de stand up, estou em documentários, rede social, tem gente que vem aqui e me chama de lenda. Tudo isso é para conseguir recursos para a Charada. Porque a única coisa que eu quero na minha vida é ser dono de videolocadora."

22 de setembro de 2025

Gonzaguinha 80

O Globo fez a matéria ontem, mas o aniversário do Gonzaguinha é hoje. 80 anos! O grande e autêntico compositor - que até hoje não foi totalmente decifrado pela mídia e pelo público - faleceu muito, muito cedo, com apenas 45 anos. Tem tanta coisa a se descobrir na discografia dele! Hoje mesmo, em homenagem ao seu aniversário, comecei a escutar sua porção menos óbvia, ali do começo dos anos 1970 até 1975, quando ele fazia uma mistura inusitada de baião, samba, folk brasileiro, com pitadas de clube da esquina e experimentações sonoras de estúdio. Percebi nuances que não tinha captado em outras audições. Gonzaguinha precisa ser descoberto pela nova geração, essa mesma geração que anda capturando joias do samba rock, da música black brasileira dos anos 1970, do sambalanço, da música paulistana da virada dos 70 pros 80. Gonzaguinha é único e não pode ficar no limbo por não ser decifrado como devia. A matéria que eu citei tá aí embaixo.



20 de agosto de 2025

Cartão-Postal com Aquarela de Paulo Gomes

 


Lindo esse cartão-postal que comprei numa simpática lojinha em Paraty. Essa bela arte é de autoria de Paulo Gomes, um aquarelista com 60 anos de carreira (!) que é especialista em 'plein air' (a arte de pintar ao ar livre). Fui pesquisar sua história e me deparei com uma boa matéria na Fundação Roberto Marinho, de 2024; dela, extraí esse pequeno perfil do artista (além de músico,Paulo morou um tempo com a sensacional e injustamente esquecida Rosinha de Valença!). Segue abaixo...

Trajetória artística

Paulo Gomes nasceu no Rio de Janeiro, em 1950, no bairro da Penha. Decidiu ser pintor aos 9 anos e, desde os primeiros desenhos e cursos, não mudou de ideia. Aos 18, descobriu a paixão pela aquarela ao cursar a Sociedade Brasileira de Belas Artes, no Rio de Janeiro. "A aquarela é uma arte que me desafia, porque não permite errar ou apagar", diz ele.

Além de pintor, Gomes  também é percussionista e vivencia intensamente o verbo "festar", do dialeto de Paraty. Sempre ligado à música, conta que, na juventude, dividiu um apartamento com a violonista Rosinha de Valença, e conviveu com grandes nomes da música brasileira como Gal Costa, Maria Bethânia, Leny Andrade e Paulo Moura. "O artista é artista porque tem pensamento, atitude e comportamento de artista. Não é o que ele faz que o torna artista. Tudo o que faço, me proponho a fazer com arte", diz.

Entre os desafios da aquarela e do desenho técnico, especializou-se em cartografia mineral, traçando mapas do fundo do mar para empresas multinacionais, ao mesmo tempo em que aprimorava suas aquarelas. Em 1974, viajou para Paraty e se encantou com a atmosfera artística e boêmia da cidade, famosa como reduto de intelectuais e pintores modernistas como Djanira. Aos poucos, conectou-se com artistas locais, galeristas, e foi acolhido pelas famílias da região. Vendo em Paraty a oportunidade de viver de sua arte, estabeleceu-se na cidade em 1980.

Aos 74 anos, pai de quatro filhos e avô de oito netos, Paulo Gomes celebra sua jornada artística que, embora envolva outras paisagens e lugares mundo afora, tem Paraty como cenário mais frequente. “Essa exposição é um reconhecimento da minha história com a cidade, que acima de tudo é um lugar onde gosto de estar, afinal, ninguém fica onde não gosta”, diz. Quando não está em alguma esquina com seu cavalete, ele pode ser visto nos bares, tocando com amigos, ou no Atelier da Casa da Árvore, refúgio suspenso que construiu durante a pandemia.

Na aquarela do Brasil de Paulo Gomes tem samba e pandeiro e uma paleta de sensações em que arte e ritmo se encontram em harmonia.

(p.s. do Massolini: que quiser entrar em contato com o artista, o e-mail dele está na segunda foto lá em cima).

7 de agosto de 2025

Na Flip 2025

                       Minha visão do Ruy Castro em sua palestra na Flip, à beira da porta de entrada

Eu e a tropa aqui de casa (com a sempre presente sogra, claro), esticamos até a Flip 2025, que esse ano homenageou o grande Paulo Leminski, o poeta brasileiro que mais conseguiu aproximar a poesia do leitor brasileiro, sem baixar a guarda de sua escrita afiada e aguçada. Leminski estava em todas as partes - saraus, casas parceiras, na praça popular, nas estantes, nas rodas de conversa, nas palestras e naturalmente, nas rodas de violão. Afinal, ele se aproximou também da música popular e se tornou um letrista de mão cheia (vide as dezenas de músicas compostas com Moraes Moreira, entre elas, "Decote Pronunciado", "Promessas Demais" e "Desejos Manifestos"; "Xixi nas Estrelas", com Guilherme Arantes, talvez a maia famosa entre elas; e tantas outras, muitas que eram versos e foram musicados, como "Dor Elegante", com Itamar Assumpção e "Verdura", com Caetano Veloso). Em Paraty, além das filhas de Leminski, Áurea e Estrela (que fazem um trabalho estupendo de preservação do legado do pai) e da viúva e mãe delas, Alice Ruiz, que participaram de conversas e oficinas durante todo o evento, estava também em outras rodas o biógrafo Toninho Vaz, que fez o ótimo "O Bandido que Sabia Latim", biografia do escritor. Infelizmente, por conta de alguns trechos do livro que desgostaram a família, eles não são convidados para um mesmo encontro/recinto. Não encontrei nem a família, nem o Toninho na Paraty lotada, mas Leminski estava no ar, no folheto na mão da criança, no sarau repleto da praça e nas inúmeras conversas, prosas e palestras em que seu nome foi proferido. Em uma delas, logo no primeiro dia, o poeta e compositor Arnaldo Antunes emocionou a plateia quando recitou e cantou Leminski, depois de dizer que conheceu a escrita dele muito antes de se conhecerem e que para ele, o poeta curitibano era um elo muito visível entre o Concretismo e a Tropicália. Sem me prender à agenda oficial, planei pelas ruas e poças a base da intuição, o que me foi muito útil. Conheci poetas na rua, troquei livros, ouvi batuques, cantorias, rituais indígenas. Na Casa Sesc, fui contemplado com uma conversa cheia de piados e cantos misteriosos da maravilhosa Tetê Espíndola, cada vez mais jovial com suas medeixas brancas reluzentes, ao lado do biógrafo Fábio Schunck, na mesa "Observação de Aves e Preservação da Natureza". Foi nesse clima de "Pássaros na Garganta" que encontrei, depois de muitos anos, o jornalista Celso Masson, ex-Veja. Horas depois, já estava na porta da Casa Folha ( e ali fiquei, pois cheguei atrasado e não consegui entrar) assistindo o magnífico Ruy Castro - sou fã de carteirinha do seu texto há décadas - numa conversa intensa sobre o seu novo livro "Trincheira Tropical" (Companhia das Letras - 2025), que destrincha a Segunda Guerra no Rio de Janeiro. Nessa de ficar um tempão na entrada do evento, fui "encontrado" pela minha colega de jornalismo da Metodista (lá se vão quase 40 anos), Marina, com seu sorriso e simpatia intactos. Com o final da palestra, vieram grandes momentos. Na fila do autógrafo, conheci o Claudio Miranda, enteado de Ziraldo, e proseamos com gosto. E na hora da dedicatória, aproveitei pra bater um papo supimpa com Ruy (apesar da longa fila de espera atrás da gente) - falamos do Joselito e de seus personagens (que ele lia na infância); do quanto ele apreciou a biografia que fiz sobre esse mesmo artista; da Ebal e o seu encontro com o artista Max Yantok - Ruy ainda menino. Estava tão extasiado com a conversa, que acabei não vendo na hora a dedicatória: "Para Marcos, nosso historiador da caricatura, abração do R.C - Paraty - 2025". Que emoção!

Depois desses momentos inesquecíveis, faltava a cereja do bolo: curtir o passeio ao lado da patroa, dos filhos e da sogra - afinal, há 30 anos atrás, cá estávamos, eu e a Cris, curtindo uma maravilhosa lua-de-mel nessa cidade tão acolhedora e cultural. O ciclo se fecha? Nem pensar...a ideia é voltar sempre que possível, de preferência em outra edição mágica da Flip (nessa, só faltou encontrar o velho chapa Belinho, que mora e trabalha na região - na próxima dá certo!)

                           Paraty, oh, Paraty!

                         Nas praças e vielas, a literatura abraça a cidade

                           
                              No recinto lotado, Tetê solta seus pássaros da garganta.

                            Eu e Cris, em Paraty, trinta anos depois.


17 de julho de 2025

Baú do seu João nº40: Manual das Mágicas por Shu Lyng


Voltando com a série 'Baú do seu João" depois de um tempão (sorry, pai!), eis um item daqueles que eu apreciava na estante de casa desde os primeiros anos da década de 1970, na minha tenra primeira infância. É uma primeira edição, publicada pela "Livraria Fittipaldi Editora" e deve ser do final dos anos 1960 (não tem referência de ano na obra). Na última capa, aparecem outros lançamentos dessa série popular vendida em banca, no estilo 'manual', como "O Mistério dos Sonhos", "Curso Completo de Rádio", "Chofer em 20 Lições sem Mestre" e até "Para Evitar a Gravidez". No miolo, ilustrado, os truques de mágicas ligeiras mais conhecidas em shows são revelados, numa seleção de 'spoiler' que deve ter feito os mágicos profissionais da época imaginarem esse tal de Shu Lyng (certamente, um pseudônimo de algum colaborador da editora) sendo serrado (pra valer) no centenário truque de "serrar uma mulher ao meio", um clássico da categoria.


11 de julho de 2025

Livrarias podem se consolidar como ponto de encontro (Coluna Mauro Calliari - Folha de S.Paulo 11/07/2025)

 O Mauro Calliari é administrador, doutor em urbanismo e escreveu o livro "Espaço Público e Urbanidade em São Paulo". Vale a pena ler o que ele acha sobre os espaços literários e porque eventos ligados a esse gênero atraem tanta gente. Concordo e é por isso que acredito nos 'saraus de bairro', em bibliotecas públicas, centros culturais e pequenas livrarias, um polo crucial para atrair novamente a vizinhança para o mundo cultural.

Livrarias podem se consolidar como ponto de encontro (Mauro Calliari )

Que os brasileiros leem pouco, parece quase senso comum. Mas estamos lendo cada vez menos. A média de quatro livros por ano é a mais baixa da série histórica. Pela primeira vez, o número de leitores ficou abaixo dos não-leitores. Isso significa não ter nem encostado em nenhum livro nos últimos três meses. Talvez esse dado não seja suficiente para levar uma passeata de protesto à avenida Paulista, mas para mim gera arrepios saber que um terço dos universitários não leu nem um trecho de livro nenhum, físico ou digital nos últimos três meses.Por isso tudo, causa espécie quando se constata a superlotação dos eventos literários. A Feira da USP leva 50 mil pessoas todo ano, em busca dos 50% de desconto. A Feira de Livro realizada no Pacaembu no mês passado estava bonita com a multidão ouvindo palestras sobre temas algo áridos sentadas no gramado como se estivessem numa praia. A Bienal do Livro do Rio de Janeiro levou 740 mil pessoas –quase dez Maracanãs lotados– para passear num verdadeiro parque do livro. A Flip vem aí e promete lotar a cidade de Paraty.

Como explicar essa aparente contradição?

A primeira constatação é que as feiras vão muito além da venda de livros. Na feira do Pacaembu, eu assisto a palestra do autor canadense que me interessou, pesco alguma história divertida, compro o livro, ganho um autógrafo e quem sabe ainda posto uma foto minha com o sujeito. De quebra, vejo gente bacana, como um pão de queijo, e pronto, o programa durou uma tarde inteira. Se estiver na Bienal do Rio de Janeiro, consigo até andar de roda-gigante.

Isso explica a estratégia das livrarias. Tudo virou experiência. Para concorrer com a compra online (que hoje já abocanhou 32% do mercado de livros no Brasil), a palavra de ordem hoje no varejo é a experiência do consumidor.

Algumas livrarias nasceram para atrair pessoas. El Ateneu, em Buenos Aires, montada num antigo teatro, é uma estrela de primeira grandeza nos guias de turismo. A Cultura do Conjunto Nacional atraía gente do Brasil inteiro, interessados na arquitetura generosa e na oportunidade de sentar perto do dinossauro. Minha preferida sempre foi o Shopping Ática, que tinha a ambição de ter todos os livros em catálogo no Brasil, acabou vendida e o prédio foi ocupado pela FNAC, até ser ocupado pela Prevent Senior.

As pequenas livrarias conseguem emular apenas parte dessa experiência, mas todas fazem bem para a cidade.

A Livraria da Vila, a Megafauna, a Martins Fontes, a Travessa, os sebos e as livrarias de bairro como a Simples, a Bibla, a Zaccara e a NoveSete, e até a Drummond, que ocupou um pedacinho do conjunto Nacional, entregam ambientes agradáveis, cafés, lançamentos, eventos e até clube de leitura.

É saudosismo? Talvez.

Livrarias fazem parte daquela categoria que o sociólogo americano Ray Oldenburg chamou de third place, ou terceiro lugar, aquele lugar privado que funciona como espaço público, onde vizinhos se encontram regularmente, como o cabeleireiro ou boteco. Nesses lugares, nunca falta assunto e as ideias ganham vida própria.

Vender livros é um business arriscado. Que haja mil livrarias e quase 5 mil farmácias no estado de São Paulo não é um acaso.

Num país em que quase 60% dos municípios não têm sequer um ponto de vendas de livros, as cidades deveriam estender o tapete para cada empreendedor que desafia a racionalidade econômica e abre uma nova livraria.

10 de julho de 2025

"Giga Superman" em São Caetano do Sul (1978)

 

Nessa semana em que as palavras mais faladas são 'taxa' (graças às estapafúrdias taxas de 50% que Trump anunciou  para vários produtos brasileiros) e "Superman', por conta da estreia em terras brasilis do novo longa do Superman dirigido por James Gunn, me deparo com essa cena icônica: a montagem de um Superman gigante em frente ao cine Vitória de São Caetano do Sul, na estreia do primeiro filme do super herói kryptoniano em 1978. Eu, do alto de meus 10 anos, fui assistir a clássica película e quase caí pra trás na fila que se formava na calçada, quando vi ao vivo essa "escultura" inflável com estrutura de madeira e capa esvoaçante. Vale ressaltar, principalmente para quem não vivenciou a época, que essas filas eram supernormais e chegavam a preencher todo o quarteirão ao redor do cinema - presenciei essas filas quilométricas em filmes como "Tubarão", "ET' e "Contatos Imediatos do Primeiro Grau", só pra ficar nas obras spielberguianas. (obs: não encontrei o crédito do fotógrafo para essa imagem - se alguém souber, por favor, me avisa e faço o devido registro).

7 de julho de 2025

"Rebobinando Memórias" com o incrível Gilberto Charada

                   Murmur a postos, na Charada - e o Gilberto, com pose de "O Pensador"

Nesse fim de semana, rolaram as primeiras filmagens do documentário "Rebobinando Memórias", produzido pela Murmur Filmes e dirigido por Jefferson Mendes, que conta a fantástica história do Gilberto e sua heroica e resiliente Charada, um misto de locadora, centro cultural e núcleo cinematográfico de resistência. Participei como um dos personagens-chave desse doc e adorei, tanto pela maneira como fui tratado pela equipe toda da Murmur, como pela oportunidade - já era em tempo - de conhecer o incrível Gilberto, que vem realizando um trabalho não só de resistência, mas de "iluminescência" cultural por décadas. Viva a Murmur, Viva Gláuber, Viva Elis, Viva Taiguara, Viva Claudete Soares, Viva os irmãos Barnabé, Viva Carlão Reichenbach, Viva Gilberto Charada!

Música de Manivela (Oswald de Andrade)


Passei em branco em junho - revisões, revisões e mais revisões - mas pra começar bem esse julho friorento, nada como um bom disco na vitrola e uma poesia para acompanhar. Essa aí embaixo, do primeiro livro de poesias de Oswaldo de Andrade, vem bem a calhar.


Música de Manivela

Sente-se diante da vitrola

E esqueça-se das vicissitudes da vida

Na dura labuta de todos os dias

Não deve ninguém que se preze

Descuidar dos prazeres da alma

Discos a todos os preços

(Oswaldo de Andrade - do livro "Pau-Brasil", de 1925)




31 de maio de 2025

"Fábulas de La Fontaine": edição ilustrada clássica da Ebal está de volta!

 

Em 1968, a Ebal (Editora Brasil -América), do visionário Adolfo Aizen, lançou com pompa e circunstância a edição de luxo "Fábulas de La Fontaine Ilustradas por Gustave Doré", chamando a atenção pela qualidade na impressão, a escolha do papel, a capa plastificada e o tamanho inusitado de 22x32 cm. Além do mais, não era uma edição em quadrinhos - a especialidade da Ebal - mas um lançamento "fora da curva", trazendo a poesia clássica de La Fontaine e as impressionantes ilustrações de Doré, numa caprichada variação de uma coletânea brasileira de 1886 com o melhor do material português, incluindo tradutores renomados. o título fez sucesso entre os leitores, o que fez com que ganhasse reedições em 1978, 1983, 1986, 1991 e 1996. Para comemorar os 80 anos da Ebal, o editor, designer e jornalista Francisco Ucha, trouxe de volta essa maravilha impressa, via campanha no Catarse. Esse lançamento é só o começo: além de um volume ilustrado com a história da Ebal ("Ebal - Uma História Ilustrada" - entrando no Catarse também), ainda há outros projetos ligados à efémeride da Ebal em produção, para lançamento até o final de 2025, com o apoio e produção de uma equipe afiada (Toni Rodrigues, Rogério Casacurta e eu) -  Aguardem!

Para colaborar ou divulgar as campanhas da Ebal, é só entrar nos links abaixo:

https://www.catarse.me/lafontaine 

https://www.catarse.me/ebal80anos


14 de maio de 2025

Paulo Borges segue arrasando na Europa


O digníssimo Paulo Borges, quadrinista, ilustrador e arte-educador, que eu tive a honra de entrevistar na última CCXP, tem longa história nas HQs (veja link abaixo). E sua arte exuberante, há algum tempo vem sendo cada vez mais conhecida no exterior, principalmente na Europa, onde já fechou contratos importantes para lançamentos de álbuns. Na sua última postagem nas redes, mais uma vez seus seguidores derrubaram o queixo com a publicação da capa do álbum "Le Royames des Sidhes", a sair em breve na França pela Kamiti Editions. Que capa! Para acompanhar todos os lançamentos do Paulo, é só segui-lo:  @pauloborges_art