21 de junho de 2010

Grandes discos ao vivo (1)– 1969/1970/1971

Confesso que disco ao vivo me deixa com a pulga atrás da orelha. Até que a audição me prove o contrário, eu tenho uma predisposição automática de achar que a maioria dos discos "live" não captam o clima e as nuances técnicas dos shows. Tudo bem que a tecnologia melhorou muito esta captação, mas nada que me surpreenda - ver/ouvir ao vivo é muito, mas muito melhor. Mas ao longo da história, alguns lançamentos viraram ícones justamente por capturar a alma e o ambiente das performances ao vivo. E quando os fonogramas conseguem esta proeza, entram para o seleto clube dos discos essenciais. Selecionarei no ano alguns deles, que no correr dos meus 42 anos me fisgaram de jeito. Começando por estas três pérolas abaixo, lançadas entre 1969 e 1971:

MC-5-Kick out the Jams -(1969) - ao lado dos Stooges, do lunático Iggy Pop, o MC-5 foi uma das bandas mais 'sujas' e barulhentas surgidas no final dos anos 60. A história deles é uma profusão de lances extravagantes e radicais (leia aqui: http://www.beatrix.pro.br/mofo/mc5.htm ) e o disco em questão captura com precisão uma performance esporrenta ( um termo que cai bem ao legado do MC-5) do final de 68. Para quem acha que os sixties eram só paz e amor, eis uma mostra de que a pancadaria sonora já era burilada muito tempo antes do punk setentista. Esse disco, com seu ataque direto, palavrões e discursos inflamados, captura com exatidão esse abscesso inflamado que atingiu a frágil pele rosada do flower power. As cenas abaixo não correspondem ao show do disco mas são as mesmas músicas tocadas na mesma época. http://www.youtube.com/watch?v=iM6nasmkg7A http://www.youtube.com/watch?v=6Cg0qJ-ieRk http://www.youtube.com/watch?v=LEi1-FSec24&feature=related

The Who - Live at Leeds - 1970 - O The Who atingiu o seu auge após a gravação do clássico "Tommy", de 1968, ópera rock saída da cabeça efervescente de Pete Townshend. A banda logo se movimentou para gravar ao vivo aquela fase mágica de performances cruciais. Dois locais foram escolhidos e para a gravação do vinil acabou prevalecendo a apresentação perfeita na Universidade de Leeds. Perfeita ao extremo, não só porque enquadra a banda em seu melhor momento, como flagra versões ao vivo estendidas superiores às originais. Discaço. http://www.youtube.com/watch?v=9g30nwCpyaA http://www.youtube.com/watch?v=ea0759BeJ2U&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=Sg3fmZyE3cg&feature=related http://www.youtube.com/watch?v=uY9sDk6NyQY http://www.youtube.com/watch?v=Y9kP5_NAsBw&feature=related

Allman Brothers - At Fillmore East (1971) - Este álbum gravado ao vivo em Manhattan foi a obra-prima desta grande banda de blues e southern rock. Com 7 músicas e 70 minutos de duração, foi o canto de cisne do genial Duane Allman que morreria no mesmo ano - o disco posterior de estúdio (Eat A Peach) contou com sua participação, mas não em todas as faixas. É um raro momento em que as gravações ao vivo suplantam as de estúdio. As improvisações surpreendentes, o clima crescente do disco, as tabelinhas precisas entre os riffs de Duane e os outros instrumentos ( incluindo as duas baterias) e o tesão de todos os integrantes por estarem ali, tocando com muito suór e sangue, alçam este disco ao panteão dos grandes álbuns ao vivo de todos os tempos.
http://www.youtube.com/watch?v=KHhKnc0XZrs
http://www.youtube.com/watch?v=5K8SYmWjV6w

18 de junho de 2010

Álbum Branco: os Beatles desnudos

Uma capa branca, simples, apenas com o nome da banda, discretamente em relevo, como se os Fab Four quisessem enxotar o clima colorido/circense do anterior Sgt Pepper's. Um conteúdo transparente, à flor da pele, onde finalmente os Beatles se mostravam individualmente, cada um com seu grito/desabafo lancinante. Em nenhum outro momento na curta carreira da banda, John, Paul, George e Ringo se mostraram tão humanos e fragilizados, ainda que geniais e intensos. E em nenhum outro álbum deles, couberam tantas influências e confluências musicais. O chamado White Album ( na verdade The Beatles) foi lançado no final de 1968, depois de longas sessões de gravações durante o ano. Era o início das divergências estéticas e pessoais que levariam a banda ao seu fim em menos de dois anos. O ano por si só já se mostrava o mais conturbado da década – Vietnã, movimentos estudantis, Martin Luther – e o clima ao redor se refletiu nas composições do período. A viagem imediatamente anterior à Índia para meditação transcendental com o guru Maharishi Mahesh Yogi, só trouxe aborrecimentos e decepções, mas rendeu uma enxurrada de composições. Tão boas, que das quase 50 canções criadas no retiro, 30 entraram no disco e forçaram a banda a conceber um álbum duplo, na contramão dos lançamentos vigentes. Aquele ano, certamente era um ano diferente para eles: as mulheres definitivas, Yoko Ono (Lennon), Linda Eastman (Paul) e Patty Boyd (George), freqüentavam as sessões e chegaram a participar de algumas faixas no vocal ; Ringo, logo ele, o mais conciliador, sumiu das gravações por duas semanas, alegando falta de atenção dos companheiros – quando voltou, haviam rosas sobre sua bateria, cortesia do arrependido George, e pelo menos três gravações tiveram a presença do multi-instrumentista Paul nas baquetas; Algumas sessões foram finalizadas por um único membro – Macca tocou solo em Wild Honey Pie e Blackbird, John debulhou Julia acompanhado dele mesmo. Esse inédito clima caótico foi o início do fim, mas também presenteou os Beatles com seu álbum mais eclético e mais profundo. De seus sulcos, jorraram blues, country, baladas arrebatadoras, pops descomplicados, rocks puros, colagens e até esboços do que viria a ser o hard rock setentista.
O White Album está entre os 200 discos definitivos no Rock and Roll of Fame e sempre consta na lista das dez obras mais importantes do rock. Lennon o considera seu favorito.
Fiquem com algumas das incríveis criações do Álbum Branco:

9 de junho de 2010

As canções para o Rei...rejeitadas

Eu estou sempre lendo sobre música brasileira e atento aos mínimos detalhes da história. Concomitantemente, compro biografia pra burro. O livro de cabeceira do momento é "A canção do Mago - a trajetória musical de Paulo Coelho"(Editora Futuro- 2007). Muitos torcem o nariz pro tal "mago", que vende milhares de livros pelo mundo afora - eu pessoalmente, não tenho nada contra e acho que há muita inveja solta por aí ( é aquela velha mania de achar que pro cara fazer sucesso, tem que ser erudito, acadêmico ou algo similar - esquecem que existe também faro, caradura, coragem, bagagem, etc) - mas esse livro, da jovem e promissora jornalista carioca Hérica Marmo, traz subsídios importantes para meus escaninhos: os meandros políticos e culturais dos loucos e conturbados anos 70, detalhes curiosos e até então escondidos da vida de Raul Seixas, a indústria fonográfica de então ( e um destaque especial para o produtor Roberto Menescal, cuja participação neste processo precisa ser reavaliada), as várias composições espalhadas de Paulo Coelho ( que inclui Rita Lee & Tutti Frutti, Fábio Jr ainda saindo do ovo e muitos outros), entre outras tantas cositas más. O assunto deste post também surgiu de sua leitura: quantos e quantos compositores do período, consagrados e novatos, mandaram composições para apreciação do rei do disco Roberto Carlos; e quantos, muitos, tiveram suas canções rejeitadas. Esse tema já estava no meu córtex há um tempo, e quando li neste livro, que Paulo Coelho e Raul Seixas tinham mandado a música Bruxa Amarela ("Acabei de dar um check-up geral na situação/ o que me levou a reler Alice no País das Maravilhas"...) para Roberto Carlos, o assunto saiu da escotilha. Neste caso específico, os dois autores esqueceram completamente a índole de bom moço do rei ou mandaram a música pra incomodar mesmo, pois em sua letra há citações de cerveja, morte, e logicamente, da bruxa do título - temas óbvios para a lixeira imediata de Roberto. Mas em muitos outros casos, o cantor-compositor simplesmente rejeitou uma canção enviada, muitas vezes até encomendada, por detalhes pouco explicados, ou por encafifar com alguma palavra ( ele costuma pedir mudanças nas letras de seus compositores mais habituais). Abaixo, alguns casos sobre canções "reijeitadas", ou seja, rejeitadas pelo rei:
1) A citada "Bruxa Amarela", de Paulo Coelho e Raul Seixas, acabou sendo gravada pela Rita Lee no LP Entradas & Bandeiras, de 1976. A mesma música foi reescrita por Raul com o nome "Check-Up" e por descrever sem firulas, pílulas e remédios ( Discomel, Kilindrox, Ploct-Plux 25...), ficou censurada por anos.
2) Uma das mais famosas músicas rejeitadas pelo Rei foi "Se eu Quiser Falar com Deus", de Gilberto Gil. O excelente livro Todas as Letras, organizado por Carlos Rennó (Cia das Letras - 1996), traz detalhes do próprio Gilberto Gil e eu transcrevo aqui: " O Roberto me pediu uma canção; do que eu vou falar? Ele é tão religioso - e se eu quiser falar de falar com Deus? Com esses pensamentos e inquirições feitas durante uma sesta, dei início a uma exaustiva enumeração: 'Se eu quiser falar com Deus, tenho que isso, que aquilo, que aquilo outro'. E saí. À noite voltei e organizei as frases em três estrofes. O que chegou a mim como tendo sido a reação dele, Roberto Carlos, foi que ele disse que aquela não era a idéia de Deus que ele tem. 'O Deus desconhecido'. Ali, a configuração não é a de um Deus nítido, com um perfil claro, definido. A canção (mais filosofal, nesse sentido, do que religiosa) não é necessariamente sobre um Deus, mas sobre a realidade última; o vazio de Deus: o vazio-Deus."
"Se eu Quiser Falar com Deus" foi gravada pelo próprio Gilberto Gil e por Elis Regina, ambos em 1980.
3) No mesmo livro, cita-se também a canção anterior de Gil "Nova Era", de 1976, como outra mandada para o cantor e não gravada. Sem mais detalhes...
****
O livro sobre Roberto Carlos escrito por Paulo Cesar de Araújo (Editora Planeta - 2006), trouxe vários casos em seu capítulo sobre compositores. Uma pena que até hoje, esta preciosa obra, detalhada ao extremo, estaja embargada. Seguem alguns:
4)Sérgio Sampaio, nascido em Cachoeiro de Itapemirim, sempre tentou compor para o conterrâneo famoso, e acabou fazendo uma música, "Meu Pobre Blues" (1974), gravada por ele mesmo, falando sobre o assunto: "Eu queria tanto ouvi-lo cantar/ eu não preciso de sucesso/ eu só queria ouvi-lo cantar o meu pobre blues e nada mais".
5)Tom Jobim e Roberto se encontraram em 1973, em Nova York e o segundo revelou sua vontade em gravar "Ana Luísa". Tom mandou a letra inteira para o seu hotel mas por alguma cisma o cantor nunca gravou-a, assim como não gravou "Ângela", música de Tom oferecida a ele em outra oportunidade.
6)Zé Ramalho compôs em 1980 uma canção para Mister Braga gravar. "Eternas Ondas" falava em apocalipse e trazia metáforas políticas ("Quanto tempo temos antes de voltarem/Aquelas ondas.."). Um dos executivos da CBS na época achou que tinha tudo a ver com o rei e convidou o compositor paraibano para acompanhá-lo em um passeio no iate "Lady Laura". Lá, Ramalho cantou várias canções de seu repertório, menos a inédita, e no final, entregou uma fita cassete com a gravação de "Eternas Ondas" para apreciação do ídolo. Alguns dias depois, o empresário confirmou que Roberto gostara muito da música, mas achou a letra carregada e forte demais, com suas referências ao final dos tempos. Fagner acabou gravando a canção em 1981, com enorme sucesso nacional.
7)Caetano Veloso teve três composições suas gravadas por Roberto Carlos ( Como Dois e Dois, Muito Romântico e Força Estranha). A única que o intérprete não aceitou gravar foi "Ela e Eu", canção romântica gravada por sua irmã, Maria Bethânia, em 1979.
8)Chico Buarque também mandou música inédita para o rei. Depois que Roberto pediu-lhe uma música em 1978 e Chico lhe enviou a já famosa Cálice ( recusada por Roberto, obviamente), foi a vez de Chico lhe mandar em 1984, "Tantas Palavras" ( dele e Dominguinhos), não gravada e sem explicação direta por parte de Roberto.
***
Passar pelo crivo de Roberto Carlos é realmente tarefa árdua, mas muitos conseguiram furar o bloqueio e outros até tiveram a honra de serem contactados pelo próprio. Centenas deles, anônimos ou consagrados, tentam até hoje, e dependendo do astral, da confluência cósmica dos planetas, da sorte, do momento, dos trâmites burocráticos, do tempo e disposição de Roberto Carlos, podem, pelo menos quatro ou cinco deles por ano, ao lado da dupla Erasmo-Roberto e outros habituais compositores, ver uma música inédita de sua lavra, em um disco novo do Rei.

8 de junho de 2010

Baú do Malu 25 - Edição Especial 'A Arte de Rodolfo Zalla’ (1992)


Dedicatória exclusiva do mestre

Interna da edição especial, destacando técnicas e capas do artista

Tenho por este exemplar acima um grande apreço. Não bastasse ser uma edição especialíssima - tri-lingüe, direcionada para o tradicional Festival de Lucca, na Itália, com editoral de Álvaro de Moya, matéria biográfica e big entrevista engendradas pelo maior especialista da obra de Zalla, Wagner Augusto (incluindo também a história dos dez anos da Editora D-Arte, fundada pelo artista), ainda me deu o privilégio de uma dedicatória exclusiva e um dedo de prosa com o mestre em 1994. Rodolfo Zalla, argentino de nascença, adotou o Brasil em meados dos anos 60 e sedimentou aqui sua carreira como quadrinista, ilustrador e editor. O quadrinho de terror nacional não teria uma história tão substanciosa se Zalla não tivesse criado o Estúdio D-Arte, ainda nos anos 60 e a Editora D-Arte na década de 80. O estúdio contava com uma sagaz equipe de argumentistas e artistas e produziu um imenso material de terror de qualidade. Já a editora, entre trancos, barrancos e planos econômicos, conseguiu por mais de dez anos, segurar no mercado duas publicações de terror, Calafrio e Mestres do Terror e revelar novos talentos ao mesmo tempo em que mantinha na ativa grandes artistas veteranos. A caprichada edição em destaque traz ainda pequenos perfis de artistas fundamentais do terror nativo, momentos da vida do artista em fotografias de arquivo,cronologia, artes originais e histórias inéditas. E comprova que sua arte não se limitou ao terror, mas também passou pelo faroeste, guerra, aventura e até uma importante incursão ao universo Disney, onde desenhou por anos a fio o personagem Zorro para a revista Almanaque Disney da Editora Abril, com histórias produzidas no Brasil. Ativíssimo aos 78 anos de idade, Rodolfo Zalla participou recentemente do projeto ‘Sábados da Memória das Artes Gráficas’, no auditório da Biblioteca de São Paulo, em que gravou depoimento para um futuro caderno bibliográfico e deixou a marca de sua mão que será inserida em um totem da fama. Merecido.

5 de junho de 2010

As aparições relâmpagos de Stan Lee

Todos os filmes da Marvel adaptados dos quadrinhos trazem uma aparição relâmpago infalível: a do criador de 99% dos heróis marvelianos da era de prata ( como é chamado o período de retomada dos heróis no início dos anos 60), Stan Lee. Muitos espectadores não ligam o nome do grande autor/editor à figura simpática do velhinho coadjuvante que insiste em aparecer rapidamente em vários filmes recentes de heróis, mas é compreensível: quem não conhece sua cara jamais vai imaginar que esse senhor, de óculos, cabelo de algodão e olhar distraído, que se mistura nas cenas aos trauseuntes civis, é um dos maiores criadores e argumentistas da história dos comics. De sua cabeça surgiram personagens ícones como Homem-Aranha, Hulk, Quarteto Fantástico, X-Men, Demolidor, Namor, Thor, Homem de Ferro, Capitão América, Surfista Prateado, entre outros. Jack Kirby, artista estupendo, foi seu maior parceiro e co-autor de alguns destes heróis citados. Além das participações especiais na telona, que incluem outros filmes fora do universo Marvel, Stan Lee já foi personagem de quadrinhos, garoto(!?) -propaganda e freqüentou recentemente um dos episódios de Big Bang Theory, seriado televisivo de sucesso da Warner.

Ficha:
Stanley Martin Lieber
Nasc: 28/12/1922 – New York (87 anos!)

As participações no cinema:
*Homem de Ferro 2 (2010) (longa-metragem) - como Larry King
*Homem de Ferro (2008) (longa-metragem) - como Stan Lee (na entrada da festa, cumprimentado por Tony Stark)
* O Incrível Hulk (2008) (longa-metragem)- homem abrindo a geladeira (não creditado)
*Confissões de Super-Heróis (2007) (longa-metragem) - como Stan Lee (não creditado)
*Homem-Aranha 3 (2007) (longa-metragem) -conversando com o herói (não creditado)
*Moebius Redux: A Life in Pictures (2007) (longa-metragem) - como Stan Lee
*Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado (2007) (longa-metragem) -convidado barrado no casamento
*X-Men - O Confronto Final (2006) (longa-metragem) – no meio dos objetos da rua levantados por Jean Grey
*Quarteto Fantástico (2005) (longa-metragem) - carteiro Willie Lumpkin
*Homem-Aranha 2 (2004) (longa-metragem), - homem se esquivando de destroços
*O Diário da Princesa 2 (2004) (longa-metragem)
*Demolidor - O Homem sem Medo (2003) (longa-metragem) – idoso sendo salvo
*Hulk (2003) (longa-metragem) - segurança
* Homem Aranha (2003) – cena de acidente envolvendo o Duende Verde
*Os Super-Heróis dos Quadrinhos (2002) - documentário
*Stan Lee: Mutantes, Monstros & Quadrinhos (2002) - documentário
*X-Men - O Filme (2000) (longa-metragem) - vendedor de cachorro- quente
*Barrados no Shopping (1995) (longa metragem)
Algumas cenas:

31 de maio de 2010

Bill, 73

De vez em quando esqueço que eu mesmo já desfilo na ala dos quarenta e poucos (safra 67) e talvez por isso, acabo congelando também a idade dos outros. No post sobre o Faces citei o ex-baixista dos Stones, Bill Wyman, "perto dos 70 anos". Só agora me toquei que estamos em 2010 e o velho Bill conta com 73 anos ( 74 em outubro próximo). Mais velho que os outros integrantes dos Stones, quando surgiu na banda em 1962, já era um homem casado de 26 anos.
William George Perks (seu nome de batismo), ainda toca esporadicamente, seja no combo Rhythm Kings, com seu amigo de longa data Mick Taylor (outro ex-Stones) ou em ocasiões comemorativas. E vejam só, até largou aquela cara de quem está tocando por obrigação, a mesma com que digladiava-se com seu colega atrás das baquetas, Charlie Watts, pelo prêmio imaginário "o músico mais enfastiado do rock". No Rhytm, ao lado de ases da música britânica ( Peter Framptom, Georgie Fame e Albert Lee, por exemplo), anda distribuindo solertes sorrisos de satisfação. Bill é uma figuraça.

28 de maio de 2010

Yvonne Elliman: um vulcão havaiano ainda em erupção


Yvonne Elliman nasceu no Havaí em 1951 e sua voz maravilhosa deixou marcas profundas na música setentista. Primeiro no teatro (1971) e no cinema (1973), com sua iluminada Maria Madalena do musical hippie Jesus Cristo Superstar; depois, como backing vocal de Eric Clapton por 5 anos, sempre com destaque; e causando doce frisson na megalômana discoteque, em canções próprias e dos irmãos Gibbs ( como na trilha sonora de Saturday Night Fever). Em 1979, largou tudo para cuidar da família e fazer tortas. Só voltou em 2004, depois de um show tributo ao homem que a descobriu para os musicais em 1969, Tim Rice. Um quarto de século sem a voz de Yvonne foi mesmo de doer, mas ao que parece, ela vem fazendo shows constantes e concorridos e não pensa em largar a música mais uma vez. Produtores do meu Brasil varonil, tragam Miss Yvonne pra cá, que nós merecemos ouví-la ao vivo!
Discografia:1972 - Yvonne Elliman 1973 - Food of Love 1975 - Rising Sun 1976 - Love Me 1978 - Night Flight 1979 - Yvonne 2004 - Simple Needs EP
Grandes momentos:
Can't Find My Way Home:
Love me
Best my love
Walk Right In

A nova face do velho Faces

Quando bati o olho na notinha da internet,"Faces volta com novo vocalista", pensei cá com meus botões: quem será o corajoso que aceitou sentar no velho trono do rouco Rod Stewart? mas quando vi quem era o destemido - Mick Hucknall, ex-líder do Simply Red - entendi tudo e desenrolei o novelo: lembrei que há um ano atrás, li sobre o fim do Simply Red e também sobre a vontade do vocalista em explorar outros terrenos na música, diante do cansaço em relação ao soul comercial formatado da banda. E soube agora, que o Faces, com o trio original remanescente ( Ron Wood, Kenney Jones e Ian McLagan) já havia se unido no ano passado a Bill Wyman, ex-baixista dos Stones e ao próprio Mick Hucknall, para um show único no Royal Albert Hall, em Londres. O encontro suscitou emoções e agora o vocalista foi oficializado no site do grupo, junto com outra grande surpresa: Glen Matlock, o cara que empunhou o baixo na doideira chamada Sex Pistols foi confirmado na nova formação. Quem esperava Bill Wyman, o reservado ex-stone à beira dos 70 anos, não deve saber que ele só toca em show beneficiente, rodeado de amigos, e nunca por dois dias seguidos. Segundo notas, Rod Stewart não aceitou convite de McLagan para se unir aos velhos companheiros sob o teto Faces. E eu acho que foi bom pra eles. Embora Mick tenha 15 anos a menos do que Rod ( enquanto nascia, Rod já cantava), as coincidências entre os dois vocalistas são muitas: os dois são do Reino Unido, adoram futebol e mantêm raízes fincadas no esporte bretão- Rod jogou no Brentford Football Club na juventude e torce ferrenhamente para os clubes Celtic, na Escócia e Manchester United na Inglaterra, enquanto Mick é fanzaço e sócio colaborativo do, adivinhem? Manchester United. Ambos tem uma rouquidão de berço, veneram o soul e o rithm and blues e estouraram na carreira com releituras próprias desses ritmos. Mas, embora o mais velho seja considerado um dos melhores vocalistas britânicos, faz tempo, muito tempo, que perdeu a explosiva emoção dos primeiros anos de juventude mod. Atualmente fez sucesso com releituras da Broadway e tenta timidamente voltar ao terreno do rock. Tá difícil. Já Hucknall parece bem mais motivado na carreira e deve dar tudo de si entre os clássicos músicos e o novo desafio nas plagas do rock. Veremos se desta reunião sairá material inédito. Tem tudo pra rolar.
Só pra fechar: Ron Wood não saiu dos Stones. A banda mais velha do rock está em férias prolongadas e como Ron precisa de atividade constante para fugir da ociosidade pós-internação alcoolica, o momento vem bem a calhar.
Não percam a história do Faces, Small Faces e Humble Pie, fantásticas bandas que se entrelaçaram na história, a seguir, neste mesmo blog.
Vejam o concerto de reunião do Faces no ano passado, com Hucknall, Wymann e convidados, bem ao estilo festeiro dos britânicos: http://www.youtube.com/watch?v=dB9GqxDlKcE
e interview da volta (Sky News): http://www.youtube.com/watch?v=qv6X5jJa0m8

24 de maio de 2010

O exílio exultante dos Stones

Meados de 1971: enquanto o show business continuava em rebordosa por incontáveis desgraças - fim dos Beatles, mortes de Jimi Hendrix (18/09/1970), Janis Joplin (04/10/1970) e Jim Morrison (03/07/1971), os Stones seguiam (como todo o resto do mundo), mais perdidos do que nunca. As diferenças entre Keith Richards e Mick Jagger começavam a ficar nítidas demais: o primeiro se enfiando nas drogas pesadas com os dois pés, o outro assumindo as rédeas do grupo, mas também escancarando seu lado 'celebridade do jet set', com direito à casamento milionário e badalações sem fim. O grupo, endividado até o pescoço sob o peso das taxas exorbitantes do fisco britânico, resolveu debandar para a França, onde os impostos eram bem mais brandos. No território francês, mais precisamente na badalada Côte D'Azur, Keith alugou uma mansão decadente, Villa Nêllcote, e foi ali, neste climão de drogas, decadência e fim dos utópicos sonhos sessentistas, que os Stones, sem mesmo saberem, fizeram um dos sons mais sujos, crus, livres e libertários da história do rock. As gravações para o próximo disco ( o 10º da carreira) tinha tudo pra não dar liga, mas do caos se fez o céu. Keith alternava alquimias no banheiro com riffs inimagináveis, vindos de algum lugar do Mississipi de décadas atrás; Mick Jagger arrancava com força todos os seus velhos ídolos de rithm'blues da garganta; Watts e Wyman sumiam por um tempo da baderna, mas quando assumiam seus instrumentos, tocavam com raiva e rigor; Mick Taylor exortava a sombra do finado Brian Jones, morto há dois anos, e transpirava blues por todos os poros. Os convidados se incorporavam à densidade nevoenta das sessões: Nicky Hopkins, fantástico nas cordas; os sopros, idem; as participações vocais femininas, minha nossa!
Exile on Main Street, o discão feito no exílio francês, foi lançado no ano seguinte. Quando a bolacha saiu, a crítica, perdida como nunca, não entendeu nada. O público não sacou de imediato, mas com o passar das décadas, elevou-o ao panteão das grandes obras musicais. Até Mick Jagger demorou a assimilá-lo e só recentemente percebeu a pérola que sua banda concebeu. Em Exile, tudo é esquisito: os vocais as vezes parecem saídos de um buraco; ouve-se vozes, gritos, instrumentos rústicos. Mas o frescor e a vibração preenchem tudo e o resultado é um álbum histórico e único.
Depois do livro e da música inédita do mês passado, estou trazendo mais uma vez o assunto Exile para este blog, mas o motivo é forte. Depois de quase 40 anos ( e eu estou pulando de propósito o primeiro lançamento em CD, que não capturou toda a força do original), após uma apurada pesquisa do produtor Don Was, que mergulhou em centenas de horas de gravações do período, o tão esperado Exile on Main Street, remasterizado e retrabalhado com empenho e cuidado, volta em três versões: 1) com as 18 músicas originais, em remasterizações mais próximas possíveis das gravações do LP; 2) edição de luxo, incluindo as gravações originais + 10 canções inéditas encontradas pela produção ( entre elas dois takes alternativos de Loving Cup e Soul Survivor); 3) super luxo, com a edição de luxo citada + o documentário em DVD ( lançado por Jagger em Cannes), livro de 50 páginas e discos em vinil.
É do cacete ou não é?
E atenção, atenção: soube pela internet que o canal Multishow vai passar o documentário de Exile On main Street na íntegra, no dia 04/06, às 23 horas. Chequem por favor a programação, pois se realmente for vero, é imperdível. Abaixo, uma das músicas inéditas do Exile 2:
http://www.youtube.com/watch?v=_Oy2-V286H8

22 de maio de 2010

Zé, O Soldado Raso: esclarecimentos importantes

O post sobre o Recruta Zero rendeu um comentário pertinente e esclarecedor de Hélio Fittipaldi, filho do editor Savério Fittipaldi, que publicava no início dos anos 70, famosos livrinhos com o melhor da HQ mundial, e achei importante abrir este novo post para as devidas retificações.
A primeira correção é com relação ao nome da antiga Saber: o correto é Saber S/A-Expansão Industrial e Comercial da Cultura, e não Editora Saber como eu havia citado. No início dos anos 90, como esclareceu Hélio, a Editora Saber Ltda., sob sua batuta, e aí sim com editora no nome, publicou novas revistas do personagem, podendo enfim utilizar o nome Recruta Zero.
A outra alteração é com relação ao título 'Zé, o Soldado Raso'. Na verdade, a intenção do editor Savério Fittipaldi não foi de maneira nenhuma batizar o personagem à revelia. Por causa do contrato da King Features com a Rio Gráfica e Editora (atual Editora Globo) na época, que possibilitou à editora de Roberto Marinho o registro do nome Recruta Zero, a Saber S/A não pôde usar o mesmo nome. Daí portanto, surgiu o título Zé, o Soldado Raso.
Agradeço muito ao Hélio Fittipaldi pela sua providencial intervenção e peço desculpas pelo uso equivocado da expressão "forçou a amizade" - no fim, quem acabou forçando fui eu, mesmo sem intenção. Aquele post foi uma homenagem ao personagem Beetle Bailey e suas várias fases no Brasil, o que inclui sem dúvida, a clássica coleção da Saber S.A. (agora aprendi). De quebra, o comentário em questão revelou uma importante informação histórica de mercado: o gibi editado pela RGE, desenhado aqui no Brasil (até onde eu sei, um dos artistas era Primaggio Mantovi) não chegava a 12 mil exemplares, enquanto Zé O Soldado Raso, com histórias originais, vendia de 48 a 50 mil exemplares.

14 de maio de 2010

História em Quadrinhos em revista de História, sim senhor!

Entre feitiçarias, máquinas voadoras e prostitutas....a Turma da Mônica.
Como já comentei em outra oportunidade, sou camundongo de banca de jornais, daqueles que fuçam todo o território pertencente ao jornaleiro e suas divisões estabelecidas. Por esse motivo, sempre evitei assinatura, que tira o prazer imensurável de adentrar uma banca, além de corroborar para o fim da sinergia entre vizinhos e confrades das redondezas. Papo de banca é tão rico quanto papo de boteco ou de churrasco de domingo. Mas voltando ao assunto do espaço físico da banca, sempre prestei mais atenção nas prateleiras de música e quadrinhos, minhas paixões de sempre, mas também nos jornais, nos fascículos e coleções diversas. Ultimamente, com o crescente avanço do nicho "nostálgico" nas pautas editoriais, surgiram dezenas de revistas voltadas para a História, assim mesmo, com H maiúsculo. A maioria centra fogo na história mundial, com ênfase em guerras e biografias de grandes figuras-chaves da humanidade. Como o meu foco coloca sempre o Brasil à frente, adicionei à minha cesta mensal de banca a Revista de História da Biblioteca Nacional, embora anos antes eu já comprasse a excelente Nossa História, que tinha à frente Pedro Correia do Lago em parceria com a mesma BN, mas que acabou fechando depois de desentendimentos e uma curta sobrevida solo. A publicação da Biblioteca Nacional surgiu desse rebuliço e mantém-se solerte como única revista unicamente voltada para a historia brasilis.
Eis que em seus dois últimos números, me deparo com um assunto que nunca pensei ver entre os artigos acadêmicos da publicação: quadrinhos! No mês passado, o pesquisador Gonçalo Júnior expôs com a propriedade de sempre, a história do famoso Gibi, que virou sinônimo de revista em quadrinhos no Brasil. E o último número, de maio, traz artigo do professor Waldomiro Vergueiro, da USP, um dos pioneiros em levar os quadrinhos para o universo acadêmico. O tema, surpreende quem conhece superficialmente o trabalho de Maurício de Sousa,o mais bem sucedido profissional de quadrinhos no Brasil: ao capturar uma história longínqua da turma da Mônica, original de 1971 ( Mônica nº 15 – Editora Abril) , intitulada Os Azuis, o professor analisa a crítica crônica contra o trabalho do autor, acusado de superficial , violento e de exercer má influência sobre o público infantil, e traz à baila o contraponto inserido nesta história específica, que trata com rara delicadeza temas como racismo, discriminação e cultura das aparências. Eu que acompanho gibis daquela época vou mais além: antes de Roberto Carlos, Maurício de Sousa já abordava ecologia e degradação do meio-ambiente, em historinhas do Horácio, do Astronauta e da própria Turma da Mônica. Se a superficialidade imperou nas décadas seguintes, aí é uma outra história, mas a avaliação é pertinente e apropriada para sepultar enganos bisonhos.
Já estava na hora das HQs entrarem oficialmente nas discussões e análises acadêmicas e esse espaço em revista especializada abre novos horizontes para a nona arte. Se o cinema, o teatro e a fotografia sempre pautaram reportagens históricas, porque não os quadrinhos?

6ª Virada Cultural

A 6ª Virada Cultural, com início no sábado (15), está mais diversificada do que a edição passada (veja abaixo link do mapa com as atrações por ordem alfabética e programação dos palcos) e mais uma vez, pelo seu gigantismo, inclui atrações imperdíveis entre outras tantas nem tanto. Mas o painel multifacetado é sempre louvável e traz apresentações, exposições e performances pra todos os gostos. Além das homenagens ao centenário Adoniran Barbosa pipocarem por todos os lados , o palco musical da Praça Julio Prestes (Av.Duque de Caxias, próximo à Sala São Paulo) é o maior destaque do evento, por trazer três apresentações internacionais de relevo: os cubanos Barbarito Torres e Ignacio Mazcote, a banda Living Colour e o platinado ABBA. Listei algumas atrações que me chamaram a atenção de cara:
# # Barbarito Torres e Ignazio Mazcote (Cuba) - o famoso grupo cubano Buena Vista Social Club já perdeu muitos integrantes originais, mas ainda mantém a aura. Um de seus integrantes, Barbarito Torres, o “rei do alaúde” se apresenta ao lado de outro expoente da música da Ilha, Ignazio Mazcote, fundador do Afro Cuban All Stars, inaugurando a Virada no sábado. Praça Julio Prestes 18h sábado (15)
# # Cantoria – No encerramento deste mesmo palco, outro encontro que promete: os quatro fantásticos violeiros, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo, cujo show originou dois dos melhores discos brasileiros nos anos 80 ( Cantoria 1 e 2 - Selo Kuarup)de novo ao vivo depois de quase trinta anos. Praça Julio Prestes 18h domingo (16)
# # ABBA e Living Colour – As atrações mais chamativas do Virada. ABBA é ABBA, uns acham uma baba e outros babam, mas certamente é um grupo que tem história e gerou consideráveis hits e cifrões ao longo da carreira. O Living Colour deixou muita gente perplexa nos anos 80, com sua mistura black/rock que fez escola. Com o passar dos anos, os ânimos se afrouxaram, mas o seu virtuosismo ao vivo deve se manter intacto. Living Colour (3h) e ABBA (15h do domingo). Praça Julio Prestes.
## Zélia Duncan e Céu – Zélia e Céu estarão no palco da Julio Prestes também, uma seguida da outra. Zélia Duncan já cravou suas marcas na MPB e Céu está em reta ascendente e surpreendente. Zélia as 21h e Céu as 0h.
# #Dimensão Nerd - O local mais alucinado do Virada, denominado Dimensão Nerd, é imperdível para os fãs de Sci-Fi, animação e quadrinhos . Terá encontro de editores independentes de HQ, exposição de Toy Art e várias paradas temáticas: Cosplay ( fantasias inspiradas em heróis do mangá e do anime), Parada Estelar ( para os fãs de Guerra nas Estrelas, com direito até a luta de sabres), Parada Mágica e Medieval ( com personagens de Senhor dos Anéis, Harry Potter, etc) e Monstros. No espaço também haverá jogos de tabuleiro, RPG, games diversos e teatro. Horários sob consulta. Praça Roosevelt
# #Trem das Onze - trem especial da CPTM percorre o trecho entre as estações Braz e Luz, de 1 em 1 hora, e no seu interior, projeções de imagens,, espetáculo baseado no programa radiofônico Charutinho-Histórias da Maloca e apresentação de grandes sucessos de Adoniran Barbosa, homenageado-mor da 6ª Virada. Começa as 23 horas do sábado e vai até 11 horas do domingo.
# #Seções monstruosas de cinema - Filmes de monstros clássicos, entre eles Godzilla e Lobisomem, estarão em dois cinemas do centro, Cine São José (Rua Dom José, 306) e Cine Windsor (Av Ipiranga 974). Seções a partir das 18 horas do sábado, segue até o fim da tarde de domingo. Aproveitando a deixa: no Cine Arouche haverá sessões de musicais clássicos.
# #Carros antigos - No domingo (16) de manhã, haverá uma grande exposição de carros antigos no Parque Dom Pedro 2º. Começa às 9h e vai até as 16h.
# #Rock - Além de Pitty, Titãs, CPM 22 ( cantando Ramones) ,o redivivo Raimundos, a histórica Patrulha do Espaço e os Velhas Virgens ( que homenageam Adoniran), o palco roqueiro desta edição receberá duas lendas do gênero: a Big Brother and Holding Company, primeira banda de Janis Joplin, e The Grand Mother Re-Invented, com membros da antológica Mothers of Invention do finado, genial e crazy Frank Zappa. Atenção aos horários, pois as duas bandas gringas abrem o palco ainda na noite de sábado. Av. São João, próximo a Rua General Osório, virado para a Av. Ipiranga.
# #Soul e Stars - Dois monumentos do soul e da música negra se apresentam no palco mais eclético e talvez mais cult do evento : Booker T., da legendária Booker T. and the MGs (11 horas) e Temptations ( 1h da manhã). Não bastassem essas figuras legendárias, subirão neste mesmo palco dois brasileiros mundialmente conhecidos, o bruxo Hermeto Pascoal (19 h) e o incensado Airto Moreira (21h), além do “gliterrível” Edy Star, que a pedidos, repete o mesmo show da Virada 2009 com músicas de Raul Seixas e Sergio Sampaio (5h). No domingo ainda destacam-se o bardo gaúcho Nei Lisboa (7h), Tatit, Wisnik e Nestrovski e Grupo (11h) e outra brasileira “estrangeira”, Flora Purim (15h). Bulevar São João/Vale do Anhangabaú
# #Samba - Grandes inovadores do estilo se apresentam no palco dedicado ao velho samba, começando com dois mestres, Paulo Vanzolini e Nélson Sargento (19 e 21hs respectivamente); logo em seguida, homenagem a Simonal, com seus dois filhos Max de Castro e Simoninha (23 h) e ainda o corinthiano Germano Mathias e o carioquíssimo Dicró no mesmo breque às 17 horas do domingo, a eloquente Elza Soares (3h da matina - domingo) e o jovial Jair Rodrigues (1h). Entremeios, mestres do pagode e do fundo de quintal e o inusitado Orlandivo ( famoso por tocar “chave” e compor a clássica “Bolinha de Sabão”). Praça da República - Próximo à av. Ipiranga, virado para a Rua do Arouche.
É muita coisa. Em cada espaço ou palco, sempre há uma atração ou mais a destacar. Tem reggae na Barão de Limeira, música clássica e dança na Estação da Luz, Arrigo Barnabé e ícones da Jovem Guarda no Largo do Arouche, novos artistas na Washington Luis ( incluindo três compositoras destacadas em post anterior deste blog: Juliana Kehl, Tulipa Ruiz e Karina Buhr), Toquinho na Julio Prestes e muito , muito mais. A Virada dura 24 horas, começando às 18h de sábado para terminar às 18h do domingo.Mais informações, consulte o site oficial do evento ou o Mapa da Virada Cultural 2010:http://entretenimento.uol.com.br/virada-cultural/2010/atracoes/

11 de maio de 2010

Recruta Zero em exposição




Beetle Bailey nasceu em 1950 pelas mãos de Mort Walker e vem sendo publicado no Brasil há décadas, em revistas (da Rio Gráfica nos anos 60 até a Mythos recentemente) e tiras ( jornais diversos - o Estadão o publica faz tempo). No Brasil, os tradutores resolveram fugir do nome original alusivo ao formato de seu capacete (besouro) e preferiram distingui-lo pela sua ordem hierárquica ( zero na escala militar, raso). O nome brasileiro Recruta Zero lhe caiu muito bem, assim como Brucutu ( Alley Oop) e Ferdinando ( Li'l Abner). Mesmo com o nome firmado em nossas plagas, chegou a ter um segundo batismo brasileiro, quando a Editora Saber em sua famosa coleção de livrinhos de borda amarela do início dos 70, forçou a amizade e resolveu chamá-lo de Zé, o Soldado Raso. Mort Walker é um desenhista profícuo e argumentista sagaz. Aos 86 anos, passa ao largo da aposentadoria e continua desenhando sua tirinha de caserna há ininterruptos 60 anos. E certamente estaria no Brasil, não fosse a idade avançada, para prestigiar a mostra em homenagem aos 60 anos do seu soldado folgado, que o Sesc Vila Mariana expõe desde o dia 07, com originais inéditos, palestras e vídeos.
Acima, reproduzo algumas capas de minha coleção, como o álbum da LP&M, que traz um histórico do personagem desde o começo, quando ainda era um jovem universitário ( a tira só virou "militar" em 1951), passando pelo gibi em formato livro da Editora Saber e culminando na última dentição do personagem em nossas bancas, pela Mythos.
O Estadão fez um ótima matéria escrita pelo Jotabê Medeiros, incluindo uma mini-entrevista com Mort Walker e intervenções do mestre Álvaro de Moya ( http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,recruta-zero-completa-60-anos-de-anarquia,547458,0.htm )
Como o nascimento do Zero é 04/09 ( mesma data do meu nascimento! será por isso que me identifico tanto com ele?), haverá posteriormente uma análise mais histórica do personagem aqui no blog.
O Sesc Vila Mariana fica na Rua Pelotas, 141 ( tel 5080-3000) e a exposição, gratuita, fica até o dia 27/06, de terça à sexta (10h as 21h30) e sábados e domingos ( 1oh às 18h30).

8 de maio de 2010

Sérgio Ricardo, muito além do violão vilão

Sérgio Ricardo ficou estigmatizado para sempre por um ato de poucos segundos. Depois de cantar com dificuldades sua música Beto Bom de Bola no Festival da MPB de 67, em meio a intermitentes vaias - e eu estou cada vez mais convicto que os festivais de música dos anos 60 tinham na platéia mais profissionais de vaias do que outra coisa - o compositor perdeu a paciência, e no desfecho da canção, quebrou o violão no chão e jogou-o na turba barulhenta. Muitos na época queriam ter feito o mesmo, mas o único que enfrentou "fisicamente" a platéia foi ele. Caetano Veloso atacou na oratória um ano depois, Jards Macalé comeu rosas com maçã em sua Gothan City (1969) e Walter Franco e o maestro Julio Medalha sentaram no palco e silenciosamente, armaram um jogo imaginário - mas jogar violão, só ele. Certamente um dos momentos mais emblemáticos dos 60, mas que ao longo dos anos, ficou tatuado para sempre na carreira errática de Sérgio Ricardo - uma última mini-entrevista com ele em jornal de SP só repisou esse assunto - e prejudicou demais sua jornada musical posterior. Como o artista jogava com as duas e cabeceava, acabou se virando em outras atividades como cinema e artes plásticas, o que virou uma saída salutar de sobrevivência. A sua música, revista longe do violão quebrado, é bem interessante. Sempre política/social, com um breve início mais suave na bossa nova, lembra as toadas do seu contemporâneo Geraldo Vandré, embora repique no samba, entranhada nos sertões e interiores miseráveis do país, com um vocal que lembra a clã Caymmi. Depois da sua elogiada parceria com Glauber Rocha e outras trilhas ( incluindo até novela televisiva), Sérgio lançou alguns discos esporádicos, belos e fortes como sempre, mas péssimos em venda, e acabou caindo de cabeça no cinema como realizador e produtor, na literatura e nas artes plásticas, em obras muito elogiadas no meio. Nesta segunda-feira, 10, a Casa das Rosas ( Avenida Paulista,37) lança mais um volume da competente e aberta coleção Aplauso ( da Imprensa Oficial, que já tem pelo menos uma centena de lançamentos) e o biografado da vez é o próprio Sérgio Ricardo, que completa 60 anos de carreira e também está com uma exposição de arte plástica digital , intitulada Artistas da Rua, com cerca de vinte telas, no interior do mesmo espaço cultural desde a semana passada. O livro em questão, Canto Vadio, foi escrito pela Eliana Pace e custa R$30. É uma grande chance de se conhecer outras facetas deste artista, que merece uma reavaliação de sua obra, muito além de um certo violão vilão que violou vaias.
Pra quem não viu, a sua participação no FMPB da Record ( e uma ráida aparição de Chico Anysio no júri): http://www.youtube.com/watch?v=OqtgtrSxj6M

6 de maio de 2010

Keith Richards na Guitar Player brasileira


A Guitar Player de abril ( que só chegou na banca aqui perto nesta semana) traz a lenda viva do rock Keith Richards em uma matéria que talvez seja a mais completa sobre sua longa carreira e sua técnica única. O autor Ricardo Vidal fez uma bela reportagem que disseca o homem e o guitarrista, buscando referências cruciais na infância/juventude pobre, no eterno encontro/desencontro com Mick e na longa estrada stoneana. Geralmente em matérias extensas sobre os Stones, o foco sempre acaba dividido entre Mick e Keith. Como essa da Guitar Brasil é inteiramente dedicada ao mestre do anel de caveira, ficou visível o cuidado do jornalista em trazer a tona tanto o lado humano, carregado de autodestruição, excessos e excentricidades, como a faceta heróica e profissional, laureada por sucesso, criatividade e entrega. Aliada a biografia acurada, que destaca também as grandes influências do guitarrista como Chuck Berry e várias lendas do blues, a revista ainda traz a sua tradicional análise técnica e de estilo: lista e comentários de todo o equipamento na carreira ( guitarras prediletas, amplificadores e efeitos), discografia comentada dos Stones com ênfase nas intervenções antológicas de Keith e 15 músicas pautadas na seção 'lições', de Satisfaction (1965) a Like a Rolling Stone (Dylan, versão 1995). Aliás, na obra-prima Satisfaction, segundo os autores que compilaram as pautas, o clássico riff é tocado errado por muita gente boa (?!!), que confunde o efeito utilizado. No fim da leitura, só comprovei o que já sabia: Keith Richards é genial sem nunca ter complicado. Afinal, a essência do rock não é essa?

4 de maio de 2010

Baú do Malu 24 - Edições portuguesas de BD

Antologia da BD Clássica 9 - Brick Bradford - Editorial Futura - 1983
Antologia da BD Clássica 11 - Corrigan - Editorial Futura - 1984

Antologia da BD Clássica 14 - Rip Kirby II - Editorial Futura - 1984

Antologia da BD Clássica 13 - Aventuras de Dick - Editorial Futura - 1984

Coleção Jerry Spring nº2 - Pancho em Apuros - Edições 70 -1983

Os Escorpiões do Deserto - Um Fortim em Dancália - Edições 70 - 1984

Aventuras de Corto Maltese -As Célticas I-Os Anjos à Janela do Sol Nascente - Edições 70-1982

Revista O Mosquito - janeiro de 1986

Sargento Kirk - 2ºvolume - Bertrand Editora -1985

Coleção 16/22 -Barbarella - A Obra-Prima - Meriberica/Liber - 1979

Aventuras Completas de Modesty Blaise - Gradiva - 1986

História em Quadrinhos em Portugal chama-se Banda Desenhada. HQ portanto, é BD. Durante os anos 70 e principalmente a década seguinte, álbuns e mais álbuns portugueses de banda desenhada apareciam à venda no Brasil, graças ao intercâmbio de algumas livrarias e distribuidoras escolhidas à dedo. Uma das maiores difusoras destes álbuns, sem dúvida nenhuma foi a Martins Fontes, que pelas suas origens, tinha um contato mais próximo com o mercado lusitano. Pelo que sei de alguns amigos que viajaram à Europa recentemente ( e que são intimados a trazer exemplares de lá), o mercado de quadrinhos, em consonância com a crise que se alastra por todas as áreas econômicas, anda cambaleante. Espanha, França e Portugal tiveram várias editoras e revistas extintas de 10 anos pra cá e o que se vê hoje são raríssimos lançamentos. A Itália, embora em crise, segue bem com seus 'fumetti' em bancas, que ao contrário de seus vizinhos, sempre se virou bem em vendas ao privilegiar gibis-formatinhos de papel barato.
Eu nunca tive grana sobrando pra ficar comprando álbuns novos em livrarias, salvo raríssimas exceções, e consegui a maioria destes exemplares acima, posteriormente em sebos e promoções.
Muitos deles são coletâneas de tiras clássicas de jornais, e o grande destaque aqui fica para o genial e inimitável Hugo Pratt, artista italiano que correu mundo e trabalhou vários anos na América do Sul.

1 de maio de 2010

Portal Cultura Brasil

Na quarta-feira passada, a Fundação Padre Anchieta lançou o Portal Cultura Brasil, um site colossal dedicado exclusivamente à música brasileira. O portal alia conteúdo musical de 40 anos da TV Cultura com 73 anos da Rádio Cultura, disponibilizando imagens e aúdios raros, entrevistas e trechos de programas essenciais como Ensaio, Viola, Minha Viola e RadarCultura. Além do acervo histórico, a página produzirá conteúdo atualizado e interativo. Um projeto digno de nota, e certamente um tesouro para apreciadores, pesquisadores e estudiosos da nossa música. Segue o link do novo portal e detalhes mais precisos no release de lançamento:
http://www.culturabrasil.com.br/
http://www.tvcultura.com.br/conteudo/25719

28 de abril de 2010

Esqueci... Adoniran também em disco nas bancas

Falei sobre o Adoniran Barbosa, bombando em todas as mídias, e me esqueci de um lançamento recentíssimo. Sim, a coleção de disquinhos da Folha, "Raízes da Música Popular Brasileira", chegou no final de semana com Adoniran Barbosa, CD número 7, incluindo texto corretíssimo do editor do projeto, Carlos Calado, e faixas bem selecionadas com o melhor da obra do compositor paulista. Estão lá as melhores versões: originais de Saudosa Maloca, Trem das Onze e Samba do Arnesto, com os onipresentes Demônios da Garoa, interpretações próprias de Adoniran em Vila Esperança, Samba Italiano e Mulher, Patrão e Cachaça e tabelinhas vocais únicas com o autor em Prova de Carinho ( c/ Vânia Carvalho), Tiro ao Álvaro ( c/ Elis Regina), Iracema (c/ Clara Nunes), Despejo na Favela ( c/ Gonzaguinha), e Aguenta a Mão, João ( c/ Djavan), todas do incrível disco solo de Adoniran de 1980, sob a direção de Fernando Faro, com vários duetos desta estirpe. Completam o disco, a clássica versão de Bom Dia, Tristeza, de Adoniran e Vinicius, na voz de Sylvia Telles na plenitude de 1958, a hilária interpretação d'Os Originais do Samba para As Mariposas e o impressionante trio Adoniran, Carlinhos Vergueiro e Clementina de Jesus, na brilhante "obra dentro da obra" Torresmo à Milanesa.
Mais uma dentro desta coleção, que até agora tem tratado com respeito os grandes mestres da música brasileira. E um pontinho pra Folha, que vem ultimamente com um jornalismo cultural fashion-enfadonho, artificial e ralo, em contrapartida ao revigorado Caderno 2 do Estadão, com matérias bem mais aprofundadas e interessantes.

27 de abril de 2010

Grandpa e Sungha: geniais e díspares talentos do Youtube



Um é velho, cego, rural, amarrotado, bluesy, instintivo. O outro é jovem, precoce, urbano, elegante, técnico, disciplinado. Geniais e intrépidos, cada um no seu jeito e em seu mundo. Só que no universo do Youtube, mundos distantes podem muito bem se acomodar em uma lista de favoritos de um desktop mais distante ainda.
Grandpa Elliot é um ícone das ruas de New Orleans, tocando ao ar livre no tradicional bairro French Quarter há décadas. 65 anos, cego, sempre com a mesma roupa, a gaita de prontidão, para o vozeirão que emociona. Nos últimos anos, depois de bombar com 30 milhões de visualizações no Youtube em uma participação magnífica de uma coletiva Stand By Me tocada e cantada na calçada - seu palco natural antes e depois do fatal Katrina - participou de diversas gravações e projetos, podendo mostrar seus dotes pela primeira vez em estúdios e shows. Seu primeiro disco saiu do forno agora.
Sungha Jung é um menino que mora na Coréia do Sul e deve ter seus 13 anos agora. Os vídeos com suas performances chegam a 1000, com milhões de visualizações cada um, e vão dos tempos em que usava fralda e manuseava o violão maior que ele, do seu pai professor, até hoje, em duelos com profissionais tarimbados. A sua desenvoltura impressiona e deixa claro sua obstinação e apuro técnico. Faz covers de todo o universo pop, de Michael Jackson à U2, de Dire Straits à Clapton. Mas a sua especialidade é Beatles, como se vê nos vídeos abaixo.
Dois gênios díspares em um mesmo domínio na rede mundial. É a boa música do planeta, há tempos sem fronteiras.
#Stand By Me - performances coletivas do projeto"Playing for Change" com artistas de várias partes do mundo, incluindo Grandpa (2008) - http://www.youtube.com/watch?v=Us-TVg40ExM
# Fannie Mae - projeto "Playing for Chance" - Grandpa Elliott (2009) - http://www.youtube.com/watch?v=tGoBUnC809w&feature=channel
# Amazing Grace (2006) - Grandpa livre leve solto - http://www.youtube.com/watch?v=_2siewLVmqU&feature=related
# Come Together (2007) - Sungha Jung mirabolante - http://www.youtube.com/watch?v=vS0QjEeNYpM
#Blackbird (2007) - Sungha estraçalhando - http://www.youtube.com/watch?v=hCT9xnlhldM&feature=related
# Canon - Trace Bundy & Sungha Jung (2008) - http://www.youtube.com/watch?v=4IQYpopq6jA&feature=related
# Freight Train - Sungha Jung em performance de 26/04/2010 - http://www.youtube.com/user/jwcfree?blend=1&ob=4

Ludopédio, o jogo do Chico

Chico Buarque de Hollanda estava exilado na Itália entre 1969 e 1970 quando criou um novo jogo de tabuleiro, batizado de Ludopédio. Este palavrão quer dizer "jogo com os pés" ( ludo= jogo; pédio ou pédico=pés) e por pressão de alguns puristas da língua, quase virou nome oficial do famoso football no Brasil da década de 40. Já pensou? na rádio ouviríamos: "Ludopédio.. é na Bandeirantes", ou mesmo na famosa letra do próprio Chico: "Aqui na Terra tão jogando Ludopédio..." o que fatalmente faria ele acabar a rima assim: "Tem muito samba, muito choro e muito tédio". Eca.
Bom, o nome felizmente não pegou, mas quando Chico foi batizar a sua invenção lá na Itália, baixou um brasilerismo arcaico e pimba: Ludopédio. Pra um jogo de tabuleiro o nome ficou até simpático e vindo do Chico, bem pensado. Afinal, a palavra ludo, além de jogo, também significa brinquedo, divertimento. A Grow, na época, bancou a idéia e lançou comercialmente o Ludopédio, que ficou em evidência durante a Copa de 70 mas depois sumiu. Ressurgiu anos depois como Escrete, mas alguns fãs do jogo original não aprovaram a nova versão, mais econômica e que abolia o lado cômico e satírico inserido por Chico Buarque. O compositor tabuleirólogo criara na época, opções de "jogadas"(na verdade, cartas) bem mais variadas e engraçadas que na segunda versão, além de introduzir personagens folclóricos do futebol como o pai-de-santo e o cartola.
Se o Escrete é um jogo difícil de localizar hoje em dia, imaginem o Ludopédio...será que o Museu do Futebol, lá no Pacaembú, tem um? o Chico deve ter....

26 de abril de 2010

Adoniran, 100, em show, disco, site, programa de TV...

Adoniran Barbosa foi o maior divulgador de São Paulo em seus sambas únicos, mas a recíproca, infelizmente, não foi sempre a mesma . Adoniran penou para ser reconhecido como compositor e depois de um início insípido ainda na década de 30, só voltou a compor duas décadas adiante, após criar diversos personagens ao lado do produtor Oswaldo Moles - que o consagraram no humor radiofônico - e participar de várias produções cinematográficas da época. No início dos 50, lançou dois compactos próprios, sem repercussão, até que encontrou a sua cara-metade em um jovem grupo de samba, que deu viço e originalidade às suas composições: estava decretada a imortal parceria Adoniran-Demônios da Garoa. A música nunca mais o largou, embora a carreira seguisse tortuosa: nos anos 60, um certo "Trem das Onze" deu combustível suficiente para que Adoniran e os Demônios sobrevivessem aos obstáculos da Jovem Guarda e dos Festivais, que sepultaram muita gente boa do samba. Nos 70, o compositor ainda teve grandes surpresas, ao gravar os primeiros LPs pelas mãos do obstinado produtor Pelão e ter suas gravações divulgadas por grandes intérpretes como Elis Regina e Clara Nunes. Mas tirando esses picos, o mestre sambista não foi homenageado, laureado e cultuado o suficiente em vida, o que é lastimável. São Paulo o esqueceu muitas e muitas vezes antes e depois da sua morte, em 1982. Agora, no ano de seu centenário, parece que finalmente o seu legado será reconhecido como patrimônio cultural paulista e brasileiro. Se o ano começou com o louvável lançamento de um CD tributo ( com Maria Alcina, Cristina Buarque, Oswaldinho da Cuíca, entre outros) e um furo hediondo - nenhuma escola de samba se lembrou de homenagear o centenário do compositor, nem mesmo a Vai-Vai - a coisa parece que tomou rumo de março pra cá e segue prometendo. Já rolou reedição da boa biografia do Celso Campos Jr. (Editora Globo) e shows bem cuidados ( como o memorável evento gratuito de ontem, no Ibirapuera, com a regência do maestro Amilson Godoy e participações de Jair Rodrigues, Arnaldo Antunes, Demônios da Garoa, Roger, Língua de Trapo, Eduardo Gudin, Vânia Bastos e Patty Ascher). Entre sexta-feira (30) e sábado(1), a Globo vai exibir o primeiro "Som Brasil" do ano, em homenagem ao compositor paulista. E no decorrer do ano teremos a abertura da Casa Adoniran, finalmente um museu à sua altura em São Paulo, o programa "Por Toda a Minha Vida" na Globo e o portal Adoniran na internet, idealizado por sua família ( link abaixo). Adoniran Barbosa multimídia! nada mais justo.

24 de abril de 2010

Baú do Malu 23 - Álbuns de figurinhas

Editora Abril - 2002
Editora Três (Especial da revista Istoé) - 2007
Editora Abril - 1994

Editora Abril - 1990

Editora Morumbi (Portugal) - original Panini - 1985

Editora Abril - 1979

Editora Abril - 1971

Editora Aquarela - 1969

Álbum especial da Revista Mickey - Ed.Abril -1968/69

Eu sou do tempo em que figurinha se colava com Tenaz e podia vir "premiada" e sei que de ciclos em ciclos, este hobby, que nunca sai de circulação, retoma forças no Brasil. Com a Copa do Mundo chegando, a febre das figurinhas voltou em altíssima temperatura e atingiu fedelhos, marmanjões, donas de casas, empresários, nerds e malandros. Na semana, um caminhão carregado de figurinhas ( 135 mil, pra ser mais exato) foi interceptado e depenado em Santo André - pelo que fiquei sabendo, parece que capturaram os larápios ontem. Já pensou se a moda pega?
Aqui no blog já mostrei o raro álbum de figurinhas do meu pai, com os principais atores e atrizes do cinema da década de 50 ( Baú do Seu João 3). Hoje incluo exemplares da minha coleção, não tão raros assim, mas que dá uma idéia da produção de álbuns entre o final dos 60 até o início dos 2000 (acima). Meus filhos Gabriel e Letícia, 11 e 9 anos respectivamente, já tem coleção própria, iniciada há uns 6 anos, por influência minha: Bob Esponja, Princesas Disney, Betty Boop, Heróis Marvel, entre outros, e claro, o disputado Oficial da Copa do Mundo 2010 - somando estes aos meus e os do Seu João, tem-se uma coleção de três gerações, perfazendo 60 anos de cromos ilustrados.
Numa próxima oportunidade contarei a história das figurinhas no Brasil ( incluindo estampas de Elcalol, chicletes, balas e clássicos da Vecchi).

16 de abril de 2010

Amanhã (17/04), no Reino Unido, é dia de vinil e single novo dos Stones ( e Blur, Beatles, Muse,Them Crooked Vultures, etc etc)

Amanhã, terceiro sábado de abril, comemora-se no Reino Unido pelo terceiro ano, o Dia da Loja de Discos (Record Store Day), comemoração que presta apoio às lojas independentes de varejo e vem angariando a força de artistas de renome. Os Rolling Stones, que lançarão no dia 17 de maio o ansiosamente aguardado remaster do mais cultuado álbum de sua longa carreira, Exile on Main Street, participará da efeméride fonográfica soltando um single inédito, Plundered my Soul, em compacto vinil de edição limitada e que terá versão digital em iTune disponível na internet hoje (sexta,16), segundo a gravadora Universal. O single é uma das músicas desenterradas das gravações originais do disco de 1972 e virá como um dos 10 bônus da reedição especialíssima de Exile. A descoberta da canção inédita causou espanto e comoção à longeva banda, que não se lembrava da sua existência. Inclusive, durante a pesquisa nas masters originais, outras músicas até então desconhecidas vieram à luz, como Following the River e Pass the Wine.
O Dia da Loja de Discos conta com o apoio de outras gravadoras e artistas e vários lançamentos sairão simultaneamente com cópias reduzidas ( 1000, se não me engano), entre eles, Queens of the Stone Age (o EP Feel Good Hit of the Summer), Them Crooked Vultures (picture disc exclusivo), Beatles (!!!), Blur ( que não lança nada inédito há 7 anos), Muse, Dead Weather e um curioso vinil de 12 polegadas com Black Sabbath e Metallica dividindo os lados. Coisa de louco.
Fiquem com a nova música stoneana, via Youtube:
http://www.youtube.com/watch?v=eB5i38QzFIw

Na RS do mês, os "inimigos" Beck e Clapton se declaram

A capa da matriz RS, em fevereiro

Um encontro memorável. Eric Clapton e Jeff Beck, dois dos melhores guitarristas do mundo, sempre se estranharam e se admiraram em mais de 40 anos de carreira, e agora no início do ano, por intermédio da Rolling Stone,se encontraram na casa do segundo, para botarem todos os pingos nos is. Além de ingleses, quase vizinhos, os dois passaram pelo mesmo conjunto no início da carreira e ali mesmo já mostraram que não eram guitarristas comuns (pra não dizer normais). O conjunto chamava-se Yardbirds, um dos pioneiros na releitura britânica do blues original americano e famoso por ter acolhido ao longo de sua formação, três pilares da guitarra mundial: Eric Clapton, Jeff Beck e Jimmy Page. Clapton entrou no final de 1963, quando a banda já tentava a sorte no circuito londrino, e permaneceu pouco mais de um ano, fase em que pôde aprimorar sua técnica única e ganhar prestígio ( ainda não como "God", mas já como "Slowhand"), deixar ótimas recriações modernas e legítimas de blues em compactos e LP e poder excursionar com um de seus heróis, o legendário Sonny Boy Williamson. Saiu por não concordar com o atalho pop que o conjunto insinuava em "For your Love" de 1965, single de sucesso que participou contrariado e foi determinante para sua saída. Foi aí que surgiu Jeff Beck, mas o que pouca gente sabe é que o primeiro convite foi para Jimmy Page, já um conhecido e requisitado músico de estúdio, que elegantemente explicou na época: "“Se eu não conhecesse o Eric e não gostasse dele, teria topado. Mas eu gostava muito dele e não queria que pensasse que fiz alguma coisa pelas suas costas". O próprio Page recomendou Jeff Beck, que sem cerimônias, aceitou no ato. Começava a fase mais psicodélica dos Yardbirds, influência do novo guitarrista, mais rock and roll e mais afeito aos dispositivos modernos do instrumento. Jeff introduziu novos efeitos como a slide, o fuzz e técnicas de equalização e feedback, além de sua performance de tocar rapidamente com uma só mão, que chamou a atenção na época até de Jimi Hendrix. Mais um ano e o baixista, Paul Samwell-Smiths resolveu saltar do trem, deixando a vaga para o friend e multi-instumentista Jimmy Page. Durante dois anos, a dobradinha Beck/Page aprontou o diabo, principalmente no final do grupo, quando Page assumiu a outra guitarra. Os dois controlavam com perfeição a distorção e os efeitos eletrônicos e levaram o instrumento a um patamar distante daquele conduzido pelo pop até então, um pontapé inicial ( também de Hendrix) que modificou para sempre o papel da guitarra no rock. Em 1968, apesar de todo o pioneirismo e criatividade em sua curta história, o Yardbirds encerrou suas atividades. Page ainda tentou uma sobrevida como News Yardbirds, mas logo virou o leme e fundou o Led Zeppelin. Beck ficou na sua, até que cruzou com um jovem escocês de voz rouca cheirando bourbon, de nome Rod Stewart e criou o cultuado e efêmero Jeff Beck Group, antes de cair nas águas profundas do jazz rock nos 70. Clapton passou por várias formações até se fixar como artista solo: John Mayall and the Bluebreakers (65), Cream (66 a 68), Blind Faith (69) e Delaney and Bonnie and Friends (70). E virou mito, como todos sabem.
Depois de 45 anos, dois heróis desta saga descrita, botam a conversa no lugar e trazem à tona histórias trancafiadas, versões revisitadas e declarações apaixonadas. Sobram reverências e invejas. Não que eles não se viram mais - tocaram várias vezes juntos a partir de 1981 - mas nunca de forma tão próxima e tão íntima. A profunda reportagem com os dois pode ser vista e revista na edição do mês da Rolling Stone Brasil. Resumo da elaborada e enorme matéria: os inimigos Clapton e Beck se amam.

14 de abril de 2010

Frusciante e mais uma lista frustrante

Mais uma lista daquelas "os melhores..." foi anunciada na semana. A Rádio BBC fez uma enquete online no Reino Unido para saber dos internautas qual era o melhor guitarrista dos últimos 30 anos. O resultado, ao que parece, deixou muita gente surpresa. Com todo respeito ao bom trabalho de John Frusciante no Red Hot Chili Peppers ( que sempre teve no baixo de Flea sua bússola), mas no período temos guitarristas brilhantes que nem sequer foram citados entre os dez primeiros, como Randy Rhoads, Steve Vai, Ingwie Malmsteen, Joe Satriani, Stevie Ray Vaughan, Robert Cray, Eddie Van Halen, pra citar só alguns. Slash, segundão, é figurinha fácil destas lists, a presença de Johnny Marr é compreensível por ser uma lista inglesa e Peter Buck foi outra surpresa ( agradável... gostei de vê-lo citado). Kirk Hammett e Tom Morello merecem as posições. Agora, Prince?? piraram na batatinha...
Lista sempre suscita discussões acaloradas. Escolher entre tantos nomes em três décadas é sacanagem pura. Aí, no final, é sempre assim: frustrante... nessa, sobrou pro Frusciante.

Veja a lista dos 10:
01. John Frusciante, Red Hot Chili Peppers
02. Slash, Guns N’ Roses, Velvet Revolver
03. Matt Bellamy, Muse
04. Johnny Marr, The Smiths
05. Tom Morello, Rage Against The Machine
06. Kirk Hammett, Metallica
07. Jonny Greenwood, Radiohead
08. Prince
09. Jack White, White Stripes
10. Peter Buck, REM
A lista completa com os quarenta candidatos você pode ver no site da BBC Music.

13 de abril de 2010

O Pequeno Livro do Rock


Pink Floyd, Freak Brothers, Jackson 5, Black Sabath, Nick Drake, Pop francês e logo dos Stones: tudo isso em uma única página.


Um momento aparentemente banal, que mudou a história do rock pra sempre: o encontro casual dos adolescentes Mick Jagger e Keith Richards em uma estação de trem londrina.

Eis um livrinho de HQ(modo de escrever: o formato é de LP 45, mas com 224 páginas) bacana, supimpa, sem pretensão de ser um "compêndio" ou obra histórica oficiosa, mas meticulosamente estudado e atento à detalhes únicos e cruciais. Cronológica sim, mas como o próprio autor diz, "uma colcha de retalhos" que procura retratar momentos "interessantes" e ângulos importantes do rock através de sua ótica de quadrinista, fã ardoroso e colecionador compulsivo de recortes, discos e revistas.
Esta visão icônica e apaixonada não deixa de pontuar datas e momentos cruciais da história, mas traz também quadrinhos ilustrativos hilários, curiosos e intrigantes de toda a saga do rock (e do pop) no século, começando pelo surgimento do jukebox em 1915, caminhando com o blues, pai de todos, percorrendo a época de ouro do gênero e culminando no punk e no pós-tudo atual. Aliás, sem ortodoxia, inclui também a nossa bossa, que de rock não tem nem o branco dos olhos. Na ala tupiniquim, também faz presença os Mutantes e o atual frisson CSS (Cansei de Ser Sexy).
O autor, o francês Hervé Bourhis, começou a anotar, rabiscar e guardar tudo o que lhe vinha a frente relacionado à cultura rock: discos, matérias e notinhas, rankings, literatura do gênero. Essa obsessão começou aos 14 anos e perdura até o momento (ele tem 35 anos), tanto que a obra lançada agora no Brasil teve uma primeira edição na França em 2007 com muito sucesso e pôde ser atualizada até 2009 nesta nova tiragem, graças ao material contínuo gerado por sua curiosidade crônica.
Hervé deve ser um cara legal: imagino-o sentando pra beber uma cerveja na hora do almoço e discorrendo sobre HQ e rock. Se o seu interlocutor for este escrevinhador aqui, garanto que a gente fecha as portas do bar, ajuda o dono a lavar o recinto e o papo continua fluindo.