Meu velho conhecido Roberto Wally, artista e batalhador das causas justas em São Caetano, valorizou demais da conta o acervo com sua nobre coleção de Literatura de Cordel ( com letra maiúscula mesmo, porque é escrita genuinamente popular, e portanto, de suma importância acadêmica). Separei alguns exemplos para expôr a diversidade dos temas, que vai do cotidiano nordestino às lendas e histórias populares e assuntos do noticiário nacional. Supra sumo, Wally. Valeu!
1 de novembro de 2010
28 de outubro de 2010
O carioquíssimo "Por Toda Minha Vida" com ele? Pô, que raro, meu!
Olha ele por aqui de novo. E é por aí - que venham mais dez, cem posts. Sinal que estão falando do homem em seu centenário como se deve. Agora esta me pegou pelo cangote: o carioquíssimo "Por Toda Minha Vida", da carioquíssima Rede Globo, que já exibiu ícones da cidade maravilhosa como Tom Jobim, Cazuza e Tim Maia, nos brinda hoje ( depois de "A Grande Família") com a história de um dos maiores compositores paulistas: Adoniran Barbosa. Coisa rara na tela da vênus platinada. Vou assistir de camarote, na beira do sofá, com uma cervejinha gelada e uns petiscos, vestindo meu belo paletó xadrez, aquele mesmo que eu vestia pelas noites do velho Bixiga. Adoniran vive.
22 de outubro de 2010
John, jovem, em breve nas telonas
Estreou nos EUA o filme sobre a juventude de John Lennon, "Nowhere Boy" ( referência a uma das melhores da safra do compositor, "Nowhere Man"). Em dezembro chega por aqui. Pelos traillers que já pipocaram de um ano pra cá dá pra ver que a película pega fundo nas conturbadas relações familiares dos Lennon e no cotidiano da cidade de Liverpool, uma década depois do fim da 2ª Guerra. E claro, captura o início da paixão de John pelo rock and roll e por osmose, sua amizade com Paul e a formação dos Quarrymen ( a banda anterior aos Beatles). Baseado no livro da meia-irmã de John, Julia Baird, "Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon", o longa tem grandes chances de agradar tanto aqueles que buscam a fagulha que deu origem ao incêndio irreversível chamado Beatles, como os que se rendem a uma boa história de conflitos e amores ( mesmo que nem sempre resolvidos) envolvida em emocionante trilha. Atentem para o jovem ator Aaron Johnson - ele tem o timbre de voz de John!
1º trailler: http://www.youtube.com/watch?v=Y6Km9L1Sqd0
Trailler oficial (legendado): http://www.youtube.com/watch?v=jWG0t1BQf8Y
E pra quem gosta de pôsters, aqui vão todos os antecessores do oficial (acima) e a sua versão nacional:
19 de outubro de 2010
O AcervoSorve 3 - Edições Fac-similares do Jornal "ex-" ( Coleção Completa) - Instituto Vladimir Herzog (2010)
Essa eu babei, abobalhei, embasbaquei, bambeei, quedei em êxtase. Compadre Paul Seven Lagoon me aparece com suas habituais sacolas culturais/literárias sortidas e entre tantas edições supimpas, eis que ele me joga na mão uma encadernação tamanho jornal, em capa bege e preta, que só pelo visual externo já me impressionou. Mas eu não esperava que ao abrir a "embalagem", toparia com a coleção completa de um dos mais importantes jornais da chamada "imprensa nanica" brasileira, o "ex-". Surgido no final de 1973, o jornal tablóide nasceu de uma morte. Explico: a revista underground Grilo, famosa por trazer ícones dos quadrinhos marginais/alternativos e sensuais como Robert Crumb, Volinski e Guido Crepax, há tempos estava na mira da linha dura, e ao chegar com muito custo na edição 48, mandou em seu rodapé (da pág 4 a 14) um aviso sem volta: "Stop-Press: a censura negou o registro do Grilo, por considerar o conteúdo desta revista atentatório à moral e aos bons costumes. O Grilo então recorreu à própria censura, retirando desta edição as histórias que o censor julgou inapropriadas para nossos leitores. Caso a resposta seja negativa, o Grilo passará a ser impresso em formato tablóide, ou seja, deixará de ser revista para ser jornal ( os jornais estão dispensados de registro de censura) e já a partir do próximo número -o 49 - circulará com o novo nome: "ex-". Adivinhem no que deu? o "ex-" nasceu, sem tempo para charutos e champanhes, sob a sombra tenebrosa do governo Médici. Para driblar e confundir os censores, tascou na sua primeira capa Hitler, nú, se bronzeando numa praia. E foi com essas armas, o humor, a metáfora, o escárnio,o olhar contundente por trás da imagem satírica, que as edições seguintes brindaram os leitores com capas antológicas e matérias emocionantes. Quadrinhos, suplementos literários, foto-reportagens, entrevistas. E como bem disse no encarte especial da coleção, o jornalista Dácio Nitrini, que participou de todas as edições do periódico: "O ex- é como se fosse neto da revista O Bondinho e filho do gibi underground Grilo. Sendo assim, é bisneto da mitológica Realidade, origem de um grupo formado por jornalistas brilhantes que provocaram saltos de qualidade editorial em vários veículos, inclusive rádio e tevê. Sérgio de Souza, Narciso Kalili, Hamilton Almeida Filho, Mylton Severiano da Silva, Amâncio Chiodi, Paulo Patarra, entre outros".
O "ex-" durou 16 números e o último, com a capa estampando uma das reportagens mais corajosas do nosso jornalismo, encerrou qualquer possibilidade de sobrevivência ao bravo tablóide. Foi o único que noticiou com todas as letras a morte de Vladimir Herzog ("Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós" -outubro de 1975), mostrando para quem quisesse ver, a cena de uma farsa engendrada nos porões assassinos da ditadura. O jornal, que tinha nascido de uma morte editorial, morria desta vez por escancarar uma morte brutal. Mas não pensem que o núcleo citado por Nitrini entregou-se de bandeja. A edição seguinte -17 - permaneceu inédita. O "ex-" virou "Mais Um", com marcas latentes do ex- em suas páginas, mas que só durou um número - devidamente incluído nesta coleção ( além de uma edição extra - "Ex-tra"- com Paulo Evaristo Arns e outra com o melhor do jornal, também inédita até agora). E outros nomes vieram depois, sempre no drible e na raça. A ditadura um dia acabou, mas esses jornalistas, que criavam jornais, levavam porrada e continuavam mesmo assim abrindo jornais, prosseguiram brilhantemente - o último "filhote" dessa turma é "Caros Amigos", que já virou década e mantém leitores fiéis. O Instituto Vladimir Herzog (logicamente) lançou essa preciosa coleção ao completar um ano em junho, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de SP. Quem sabe não é a deixa para relançarem Grilo, Sol, O Bondinho, etc.
Seguem algumas capas- e que capas!- do 'ex-'. O 'ex-' brincava, mas não estava para brincadeiras...
O "ex-" durou 16 números e o último, com a capa estampando uma das reportagens mais corajosas do nosso jornalismo, encerrou qualquer possibilidade de sobrevivência ao bravo tablóide. Foi o único que noticiou com todas as letras a morte de Vladimir Herzog ("Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós" -outubro de 1975), mostrando para quem quisesse ver, a cena de uma farsa engendrada nos porões assassinos da ditadura. O jornal, que tinha nascido de uma morte editorial, morria desta vez por escancarar uma morte brutal. Mas não pensem que o núcleo citado por Nitrini entregou-se de bandeja. A edição seguinte -17 - permaneceu inédita. O "ex-" virou "Mais Um", com marcas latentes do ex- em suas páginas, mas que só durou um número - devidamente incluído nesta coleção ( além de uma edição extra - "Ex-tra"- com Paulo Evaristo Arns e outra com o melhor do jornal, também inédita até agora). E outros nomes vieram depois, sempre no drible e na raça. A ditadura um dia acabou, mas esses jornalistas, que criavam jornais, levavam porrada e continuavam mesmo assim abrindo jornais, prosseguiram brilhantemente - o último "filhote" dessa turma é "Caros Amigos", que já virou década e mantém leitores fiéis. O Instituto Vladimir Herzog (logicamente) lançou essa preciosa coleção ao completar um ano em junho, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de SP. Quem sabe não é a deixa para relançarem Grilo, Sol, O Bondinho, etc.
Seguem algumas capas- e que capas!- do 'ex-'. O 'ex-' brincava, mas não estava para brincadeiras...
18 de outubro de 2010
Capa do Mês: Phill Collins - Going Down ( Outubro/2010)
Essa capa acima é nostálgica não só pelo repertório do recém lançado álbum de Phill Collins com canções da gravadora Motown escolhidas a dedo (Going Down). As circunstâncias são mais avassaladoras que a bela foto do jovem Phill, retratado junto à sua bateria aos 12 anos, pode revelar. O atual Phill Collins já vinha de um grave distúrbio auditivo, aparentemente estabilizado, e para completar, um problema no nervo da mão esquerda fez com que o cantor/baterista tivesse que prender as baquetas com fita adesiva durante as gravações, pois sem esse recurso ele sequer conseguia segurá-las. Essa e outras revelações bambásticas, como o seu grande desejo de tocar no The Who e os motivos que levaram o Genesis ao fim estão na Billboard Brasil de outubro (nas bancas). E esta capa acima, que depois das revelações se torna mais tocante e emoldurada no tempo, é a minha 'capa do mês' de outubro, sem sombras.
# Trechos disponíveis da entrevista da Billboard:
http://billboard.br.com/noticias/na-batida
# Trechos disponíveis da entrevista da Billboard:
http://billboard.br.com/noticias/na-batida
16 de outubro de 2010
The Simpsons e o Rock
O já veterano desenho animado The Simpsons ( existe desde 1989) faz sucesso por n motivos, entre eles, o de ser o desenho com mais referências ligadas ao mundo real, seja em política, artes, ecologia, globalização ou fama instantânea. Todos os políticos de destaque no planeta já fizeram ponta em seus episódios, e claro, a maioria com a pior das intenções. Ídolos do esporte, baluartes da literatura e da religião, astros da TV e do cinema, milionários - ninguém escapa do humor crítico e ácido da série. Entre essas pontas e aparições, certamente os maiores destaques nesses mais de vinte anos foram as estrelas da música, principalmente americana e inglesa. Muitos deles não deram só o ar da graça. Em muitos episódios, rolaram performances ao vivo ou rápidos apartes musicais. Selecionei no yutube algumas dessas participações (pena que poucas estão disponíveis):
#Slide various:
http://www.youtube.com/watch?v=l6VPc5FQxb0&feature=related
# Ramones:
http://www.youtube.com/watch?v=84aRTri8AAk&feature=related
# Beatles ( clipe c/ Here Comes the Sun)
http://www.youtube.com/watch?v=uzqm5LliCKw
# Versão simpsoniana para "In-A-Gadda-Da-Vida" de Iron Buterfly
http://www.youtube.com/watch?v=0PyBWLALFLQ
#Green Day
http://www.youtube.com/watch?v=X6pTiTXba-w&feature=related
#Slide various:
http://www.youtube.com/watch?v=l6VPc5FQxb0&feature=related
# Ramones:
http://www.youtube.com/watch?v=84aRTri8AAk&feature=related
# Beatles ( clipe c/ Here Comes the Sun)
http://www.youtube.com/watch?v=uzqm5LliCKw
# Versão simpsoniana para "In-A-Gadda-Da-Vida" de Iron Buterfly
http://www.youtube.com/watch?v=0PyBWLALFLQ
#Green Day
http://www.youtube.com/watch?v=X6pTiTXba-w&feature=related
15 de outubro de 2010
O AcervoSorve 2 - Mick Jagger e os Rolling Stones - Willi Winkler ( Larousse - 2010)
Eu já li de tudo sobre os Rolling Stones. Magazines especiais, livros biográficos, revistas-pôsters, encartes e livretos de discos. E olha só: esse livro aí em cima me surpreendeu, tanto para o bem quanto para o mal. O alemão Willi Winkler, um cara que tinha 5 anos quando os RS surgiram, pincela de exageros sua escrita surrealista, mas talvez seja o livro que mais se aprofunda no cotidiano do grupo. Intercalando capítulos com títulos nominais ( Mick Jagger, Marianne Faithfulll, Brian Jones...) e títulos musicais ( Paint it,Black, Play with Fire, Street Fighting Man...),Willi chafurda Londres, encara turnês intermináveis e penetra nas suítes privadas e nos bastidores, jogando ao vento mentiras sinceras e verdades questionáveis. Além de todos os integrantes oficiais, traz à luz seres circundantes e que ajudaram a forjar o espectro da banda, como Andrew Loog Oldham, Marianne Faithfull e Anita Pallemberg. Houve sim por parte do autor uma extensa pesquisa. Pelo que sei dos Stones, ele mistura 50% de veracidade com 50% de mito, mas ora, ora, quem sabe dos Rolling Stones senão eles mesmos? o que vale é que o autor é corajoso, escrevendo fervorosamente sobre sexo, drogas e rock and roll, e certamente dando mais ênfase aos dois primeiros itens. O intuito é chocar e ao mesmo tentar desmistificar um balaio de quase 50 anos. Um universo de quase meio século que engloba mortes, egos, prazeres, traições e mitos. O título brasileiro, Mick Jagger e os Rolling Stones, não faz jus ao conteúdo ( Jagger é um dos que estão na linha de tiro mas não é o único destaque). Ficaria bem melhor: As Vidas e as Mortes dos Rolling Stones, ou ainda, Nas Vísceras dos Rolling Stones. Um livro instigante e provocador. E por consequência, questionável e safo. Nada mais Stones.
8 de outubro de 2010
Google homenageia John Lennon em seus 70 anos
Essa é a cara do logo do Google hoje, 08 de outubro de 2010, para homenagear os 70 anos de John Lennon. Pela primeira vez o site transformou o seu logo de entrada em um vídeo, utilizando no caso uma animação baseada nos desenhos do próprio compositor. O doodle ( como é chamado o logo do Google) animado vem com desenho estilizado do rosto de John e no lugar do "e" aparece um play que abre o mini-vídeo de 32 segundos. O Google sempre teve muita criatividade para compor seu logo, principalmente em efemérides ou homenagens. Desta vez, se superou.
Atualização - para quem não viu o doodle animado comemorativo dos 70 anos de John Lennon:
Atualização - para quem não viu o doodle animado comemorativo dos 70 anos de John Lennon:
6 de outubro de 2010
22ºHQ MIX
Daqui há pouco, a partir das 20 horas, começa mais uma tradicional HQ Mix, que premia os melhores do ano anterior em várias categorias da história em quadrinho nacional e internacional.
O prêmio foi criado há mais de 20 anos por iniciativa do programa TV Mix da TV Gazeta, que contava com Sérginho Groismann e Jal em seus quadros. O apresentador, atualmente na Globo, é mestre de cerimônias do evento desde o início e o quadrinista Jal, um dos organizadores. Além das premiações habituais, o HQ Mix contará também com duas grande novidades para a área: o anúncio de fundação da Feco Brasil (versão nacional da Federação Internacional de Cartunistas, com base na Europa), organização que pretende defender os interesses dos cartunistas e será representada por Sonia Luyten, doutora na área e autora de livro sobre quadrinhos. E também entre as novidades, o acordo entre o HQMix e o Festival de Quadrinhos de Amadora, de Portugal, com o intuito de, nas próximas edições da premiação, intercambiar o desenhista brasileiro mais votado para lá, enquanto Amadora, enviará, por sua vez, um autor português para o Brasil.
O charme da edição deste ano fica por conta do troféu, que a cada ano traz um personagem diferente. Desta vez, Maurício de Sousa, que completou 50 anos de profissão, empresta um de seus personagens mais "adultos" para a estatueta: O Astronauta ( abaixo), que por muitos anos, entre os anos 60 e 70, foi desenhado pelo próprio Maurício e não por uma equipe.
O evento, gratuito, será realizado, como nos outros anos, no teatro do Sesc Pompéia ( Rua Clélia,93 - tel. 3871-7700). A organização apenas pede para que se retire o ingresso 1 hora antes no local.
Também dá pra acompanhar a cerimônia à distância: o Blog dos Quadrinhos, do incansável Paulo Ramos, cobrirá o evento ao vivo.
http://www.hqmix.com.br/
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
O prêmio foi criado há mais de 20 anos por iniciativa do programa TV Mix da TV Gazeta, que contava com Sérginho Groismann e Jal em seus quadros. O apresentador, atualmente na Globo, é mestre de cerimônias do evento desde o início e o quadrinista Jal, um dos organizadores. Além das premiações habituais, o HQ Mix contará também com duas grande novidades para a área: o anúncio de fundação da Feco Brasil (versão nacional da Federação Internacional de Cartunistas, com base na Europa), organização que pretende defender os interesses dos cartunistas e será representada por Sonia Luyten, doutora na área e autora de livro sobre quadrinhos. E também entre as novidades, o acordo entre o HQMix e o Festival de Quadrinhos de Amadora, de Portugal, com o intuito de, nas próximas edições da premiação, intercambiar o desenhista brasileiro mais votado para lá, enquanto Amadora, enviará, por sua vez, um autor português para o Brasil.
O charme da edição deste ano fica por conta do troféu, que a cada ano traz um personagem diferente. Desta vez, Maurício de Sousa, que completou 50 anos de profissão, empresta um de seus personagens mais "adultos" para a estatueta: O Astronauta ( abaixo), que por muitos anos, entre os anos 60 e 70, foi desenhado pelo próprio Maurício e não por uma equipe.
O evento, gratuito, será realizado, como nos outros anos, no teatro do Sesc Pompéia ( Rua Clélia,93 - tel. 3871-7700). A organização apenas pede para que se retire o ingresso 1 hora antes no local.
Também dá pra acompanhar a cerimônia à distância: o Blog dos Quadrinhos, do incansável Paulo Ramos, cobrirá o evento ao vivo.
http://www.hqmix.com.br/
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
Ed Wilson, pioneiro do nosso rock
30 de setembro de 2010
Os Sousa voltaram!
A coleção L&PM Pocket, que já vem lançando material do Maurício de Sousa há um tempo, surpreendentemente lançou em seu número 872 as clássicas tirinhas da família criada por Maurício de Sousa em 1968. Surpreende porque desde 1989 não se publicava mais as "desventuras" dos Os Sousa, que levou esse nome por ser inspirada inicialmente na família do próprio Maurício. O grande destaque da série é o personagem Mano, o camarada folgazão e espaçoso, que atazanou sem trégua seu irmão e a cunhada, em situações impagáveis. Quem leu o Diário do Grande ABC nos bons tempos, entre os 70 e os 80, além do lendário Díarinho, também topava com as inesquecíveis tirinhas dos Os Sousa. Vale a pena revê-los, nas melhores livrarias e bancas do ramo. Eu tive um imenso prazer, comparável ao lançamento do álbum do Nico Demo anos atrás. Que apareçam mais personagens "sumidos" do baú do Maurício de Sousa.
Capa do Mês ( Serafina/FSP Setembro 2010)
Capa da revista Serafina, da Folha de São Paulo, com o poeta Ferreira Gullar, 80 anos. A foto é de Murillo Meirelles, que foi muito feliz na concepção deste close incrível.
29 de setembro de 2010
Jerry "The Killer" Lewis ataca novamente!
Jerry Lewis é um dos poucos pioneiros do rock que ainda está por aí. Elvis Presley, embora muitos não admitam isso, morreu em 1977. Bill Haley também se foi novo ( no início dos 80). Carl Perkins, o homem que moldou o rockabilly ( "Blue Suede Shoes") partiu em 1998. O sutil Roy Orbison, teve uma sobrevida digna nos anos 80, mas não teve tempo de saborear a fase, pois faleceu em 1988. O gigante Fats Domino( em todos os sentidos) sobreviveu ao Katrina e já passou dos 80 anos, mas não se apresenta em público há tempos. Fora os que morreram no auge da mocidade, como Buddy Holly ( em acidente de avião em 1959, que vitimou também Ritchie Valens e Big Bopper). Sobraram três, coincidentemente, os mais elétricos e mais "desencapados" de todos eles: Little Richards, Chuck Berry e ele, o endiabrado pianista do rock and roll, Jerry Lee Lewis, que completou 75 anos hoje e fará uma apresentação especial logo mais, cantando seus sucessos de sempre ( "Whole Lotta Shakin' Goin' On" e "Great Balls of Fire") e algumas de seu disco recentemente lançado, "Mean Old Man" ( Homem Malvado), disco que aliás, conta com parceiros musicais pra lá de especiais - Keith Richards, Mick Jagger, Ron Wood, Ringo Starr, Kid Rock e Willie Nelson. Matéria da Reuters sobre a entrevista coletiva dada pelo veterano ontem no Museu Grammy reclama de suas respostas evasivas e lacônicas. Mas cá pra nós, como responder com entusiasmo perguntas como: "-Como está Carl Perkins, seu colega de gravadora Sun Records?". Jerry até que respondeu educadamente: "-Um grande sujeito, um amigo muito querido." Como eu já mencionei, o colega Carl Perkins não está mais entre nós há 12 anos.
Se o velho rocker não está muito aí para conversa, o mesmo não se pode dizer de suas peripécias ao piano. Quem viu as gravações do disco garante que The Killer tocou tudo em um take só, sem delongas nem xurumelas. Estremecendo chão e pessoas à volta. Jerry continua, sem dúvida, um sujeito sacudido.
Seguem duas apresentações típicas de Lewis, a primeira no longínquo 1957 e a última ao lado de friends ( Ron Wood, Keith Richards, Solomon Burke,Tom Jones, entre outros) já com 71 anos. Os movimentos não são os mesmos, claro, mas e a aura que se forma à sua volta?
http://www.youtube.com/watch?v=8yRdDnrB5kM
http://www.youtube.com/watch?v=4j1OU9aqq08&feature=fvw
Se o velho rocker não está muito aí para conversa, o mesmo não se pode dizer de suas peripécias ao piano. Quem viu as gravações do disco garante que The Killer tocou tudo em um take só, sem delongas nem xurumelas. Estremecendo chão e pessoas à volta. Jerry continua, sem dúvida, um sujeito sacudido.
Seguem duas apresentações típicas de Lewis, a primeira no longínquo 1957 e a última ao lado de friends ( Ron Wood, Keith Richards, Solomon Burke,Tom Jones, entre outros) já com 71 anos. Os movimentos não são os mesmos, claro, mas e a aura que se forma à sua volta?
http://www.youtube.com/watch?v=8yRdDnrB5kM
http://www.youtube.com/watch?v=4j1OU9aqq08&feature=fvw
24 de setembro de 2010
Discos que nos Tocam (5): Ângela Ro-Ro (1979)
Quando Ângela Ro-Ro, lenda da noite carioca, finalmente lançou seu disco em 1979, até os que acompanhavam sua longa jornada blueseira madrugada adentro, tiveram que parar tudo e beber uma água com açúcar. Aquele lançamento era realmente um soco no fígado da vaporosa MPB vigente. Tava tudo lá naquele vinil: a voz rouca impregnada de whisky, a fossa debochada, o deboche enfossado, o piano blueseiro, o desabafo nas letras confessionais. Ângela Ro-Ro inteira ali, de carne e fosso. E ela sempre foi assim. Ganhou o apelido por conta da risada escandalosa e a voz rouca, mas em se tratando de composição, sempre arrancou-as de algum lugar entre o coração e a alma. No final dos 60, bem novinha, foi tocar em Londres e acabou ficando por lá um bom tempo, fazendo inclusive, uma participação gaiteira no disco de Caetano feito na terra do Fog, Transa (1972). Na volta, participou do Festival de Rock de Saquarema (1974) e topou com Rita Lee & Tutti Frutti. Entre idas londrinas e noites clandestinas, criou-se ao seu redor uma verdadeira legião underground de fãs notívagos, até que veio este disco inaugural, com Ângela já aos 29 anos. A compositora já lotara no início de 1979 o Teatro Ipanema, em sessões à meia-noite ( tudo a ver com Ângela) e participara do badalado disco Mel de Maria Bethânia ( tocando piano na faixa Gota de Sangue, de sua autoria) e o disco homônimo de estréia foi o desfecho perfeito para um ano em que os holofotes se voltaram com justiça para ela. O vinil em questão, lançado pela Polygram, não traz uma música ruim sequer - blues encorpados, baladas arrasadoras, cozinha forte de bar, piano avassalador. Um long play entre os melhores dos anos 70, que rodou muito na vitrola de Cazuza e fez a cabeça de muita gente boa como Cássia Eller,entre tantos.
Quando eu boto ele aqui em casa, a noite entra em animação suspensa. É tiro e queda.
Faixas:
Cheirando a Amor
Gota de Sangue
Tola foi você
Não há Cabeça
Amor, meu Grande Amor
Me Acalmo Danando
Agito e Uso
Mares de Espanha
Minha Mãezinha
Balada da Arrasada
A mim e Mais Ninguém
Abre o Coração
https://www.youtube.com/watch?v=kwXbssnJsFU
Quando eu boto ele aqui em casa, a noite entra em animação suspensa. É tiro e queda.
Faixas:
Cheirando a Amor
Gota de Sangue
Tola foi você
Não há Cabeça
Amor, meu Grande Amor
Me Acalmo Danando
Agito e Uso
Mares de Espanha
Minha Mãezinha
Balada da Arrasada
A mim e Mais Ninguém
Abre o Coração
https://www.youtube.com/watch?v=kwXbssnJsFU
19 de setembro de 2010
Dom Quixote, uma bela obra itinerante
Ontem fui com a família na gigantesca e lotada Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e logo na entrada do prédio, nos defrontamos com uma maravilhosa obra intitulada Dom Quixote. Embora (soube depois) essa incrível exposição exista desde 2005, inicialmente no próprio Conjunto Nacional e nos anos seguintes, em diversos locais da região Sudeste, só pude ter o prazer de encontrá-la agora em 2010. As esculturas de Dom Quixote, Sancho Pança e o cavalo Rocinante, vistas ao vivo, encantam e surpreendem, tanto pelo tamanho como pelas centenas de objetos recicláveis que fazem parte das três estruturas. A partir de terça, a exposição sai mais uma vez do seu espaço original e se instala na estação Sacoman do metrô ( no Ipiranga). Vale muito a pena ver com os próprios olhos.
Para saber mais ( os responsáveis, a inspiração, rota histórica e detalhes e materiais das obras):
http://www.ccn.com.br/dom_quixote.php
http://www.cooperaacs.org.br/
Para saber mais ( os responsáveis, a inspiração, rota histórica e detalhes e materiais das obras):
http://www.ccn.com.br/dom_quixote.php
http://www.cooperaacs.org.br/
17 de setembro de 2010
Baú do Malu 27 - Folheto Convite do Clube "Amigos do Sesc e Senac" - 3º Festival de Arte ( 23/03/1950)
Quem é rato de sebo como eu, sabe: por detrás das capas dos livros raros existe um verdadeiro tesouro escondido. Dentro de páginas amareladas de livros antigos já cheguei a encontrar dinheiro, convite, postal, ticket e poesias manuscritas. Sem contar as dedicatórias. Outro dia, me deram uma edição espírita de autoria de Chico Xavier, dos anos 70, e quando eu abro a primeira página, está lá, uma dedicatória do próprio Chico Xavier. Este exemplo que colei acima explicita bem estes "encontros": um folheto de programação datado de 23/03/1950 que eu encontrei dentro de um velho livro da coleção do meu pai ( eh, sempre o velho João) do saudoso Círculo do Livro. Na verdade, é um programa-convite do evento intitulado "3º Festival de Arte", encenado pelo "corpo de baile da Escola de Dansas (sic) Clássicas de Maria Zemerova" no "Auditório da Escola Caetano de Campos" (ainda na Praça da República), organizado por professoras da centenária escola e produzido pelo Clube "Amigos do Sesc e Senac. Realmente um achado histórico. Assim que encontrei esse documento, entrei em contato com o Centro de Referência em Educação Mário Covas para que esse convite seja incorporado ao acervo específico da Escola Caetano de Campos ( fundada no século XIX!!). Eu guardo coisa pra caraco, mas também tenho consciência. Existem certos docs históricos que devem permanecer em centros documentais especializados. É o caso, e espero que sirva como luva para eles. Aliás, quem quiser conhecer, vale uma boa olhada no site do Centro, que tem muita informação essencial sobre a história da educação em São Paulo.
15 de setembro de 2010
O louco Jim Carrey em impagáveis performances musicais
Jim Carrey não é só o cara que mais faz caretas no cinema. Ele também tem seus méritos como comediante e costuma se entregar de corpo e alma aos personagens, mesmo que suas extravagâncias cênicas às vezes esconda sua real concentração. Mas vamos dar um desconto, pois ao que parece, Jim é daquele jeito também fora das câmeras. Essa entrega total faz com que ele faça muitas cenas mirabolantes sem precisar de dublês, como pular de bungee jump ou extrapolar em lances circenses ( o que já lhe ferrou algumas costelas). A maioria de seus filmes também tem um fundo musical bem intenso, incluindo cenas em que ele próprio ataca de vocalista. Selecionei quatro trechos hilários abaixo. O primeiro link traz a já clássica performance do ator, cantando alucinadamente em um karaokê caseiro, Somebody to Love, classicão do Jefferson Airplane, no filme O Pentelho (Cable Guy - 1995/1996). O segundo traz a sua interpretação entusismada para a canção Jumper, do Third Eye Blind, ao lado de um suicida em potencial no filme Sim Senhor (Yes Man - 2008). Detalhe curioso: no final, ele dá uma batida no violão e grita "I got blisters on my fingers" (Eu tenho bolhas nos meus dedos), mesma frase usada por Ringo Starr no fim da música Helter Skelter, após pequeno solo de bateria. O terceiro link, é um trechinho impágavel em cena inicial de O Mentiroso (Liar Liar - 1997) e o último traz uma incrível e rara gravação de I am Walrus ( talvez a música mais pirada dos Beatles) ao lado do lendário produtor dos Fab Four, George Martin (que riu muito com o maluco) para a trilha do filme O Mundo de Andy (Man on the Moon -1999), sobre a tragicômica vida do humorista e ator performático Andy Kaufman(1949-1984), e que também protagoniza.Vida longa ao Crazy Jim.
http://www.youtube.com/watch?v=mMSC-GhY0-g
http://www.youtube.com/watch?v=yvkMy-Pj64E&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=biUHyy9dExc
http://www.youtube.com/watch?v=lTO85q4oc2c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=mMSC-GhY0-g
http://www.youtube.com/watch?v=yvkMy-Pj64E&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=biUHyy9dExc
http://www.youtube.com/watch?v=lTO85q4oc2c&feature=related
13 de setembro de 2010
Wesley Duke Lee
Faleceu ontem, aos 78 anos de idade, o múltiplo artista Wesley Duke Lee. Desenhista, gravador, artista gráfico, professor, fotógrafo, Wesley participou de grupos e movimentos cruciais, como o Realismo Mágico e o Rex nos anos 60. A sua inquietude crônica o fez um experimentalista de primeira hora: além de pioneiro em happenings no Brasil, passou pela pop art, criou objetos tridimensionais, experimentou cartografia, caligrafia oriental, pesquisou técnicas de xerox, vídeo, polaroid e várias outras reproduções eletrônicas de imagens.
Assista o vídeo do Itaú Cultural, em que ele chama a si mesmo de "artesão de ilusões":
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=877
E nesta galeria do UOL, grandes momentos de sua longa carreira:
http://entretenimento.uol.com.br/album/wesley_duke_lee_album.jhtm?abrefoto=4#fotoNav=1
Assista o vídeo do Itaú Cultural, em que ele chama a si mesmo de "artesão de ilusões":
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=877
E nesta galeria do UOL, grandes momentos de sua longa carreira:
http://entretenimento.uol.com.br/album/wesley_duke_lee_album.jhtm?abrefoto=4#fotoNav=1
Clausuras, dores e casulos transformadores
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| Renato Russo na adolescência (Arquivo Pessoal) |
As biografias não mentem: convalescências, prisões, doenças mobilizantes, acidentes, entre outras rupturas radicais, muitas vezes servem como chaves que evocam vocações, ativam sonhos escondidos e transformam para sempre a vida e a postura dos atingidos.
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| Típico pôster de Griffin (1968) |
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| Tom Jobim mergulhado na música (anos 50) |
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| "O Filho da Revolução" de Carlos Marcelo |
Mais sobre:
http://www.renatorussoolivro.com.br/home.asp
http://www.rickgriffinink.com/
http://passagemcultural.blogspot.com/2009/01/em-1927-nasceu-o-maestro-soberano.html
1 de setembro de 2010
Baú do Malú 26 (Especial 100 Anos de Corínthians) - Autógrafos Corínthians 1980
No embalo do centenário do coringão velho de guerra, desencavei esta preciosidade: autógrafos dos principais jogadores da equipe corinthiana do início de 1980, que acabara de vencer o Campeonato Paulista de 1979 ( que teve a final em 1980). A data: 21/03/1980. O local: Luxor, em Maceió - a equipe acabara de jogar com o Remo pelo Campeonato Brasileiro ( perdeu por 1x0) e estava chegando à Alagoas onde jogaria com o CRB ( ganhou de 2x1)*. Pelo que vi do precioso papel acima, todos os jogadores titulares assinaram, com exceção de Amaral, mais alguns reservas, o médico, o técnico interino ( que daria lugar para Jorge Vieira já no outro jogo) e até o jornalista Flávio Adauto. Começando lá de cima, temos: Flávio Adauto, jornalista na época do O Estado de Sao Paulo, Gil, Solito, Renê de Toledo (médico), Wilsinho, Mauro, Nicanor (de Carvalho, técnico interino), Wladimir, Jairo, Píter, Caçapava, Geraldão, Basílio, Carlinhos, Biro-Biro, Zé Maria, Sócrates ( o único que escreveu mais que o nome: 'uma lembrança de'), Márcio e Wagner ( que deve ser o Vaguinho, embora seu nome de batismo seja Wagno). Um timaço, que ainda dispunha de muitos heróis de 1977, e que já se preparava para um futuro próximo glorioso ( o da Democracia Corinthiana), que teve Sócrates como um de seus artífices. A assinatura ao lado da do Basílio não reconheci- quem souber me avisa.
Este baú especial vai para todos os corinthianos apaixonados da nação alvinegra, e especialmente para meu pai, João Massolini, responsável-mor pelo meu corinthianismo, meu falecido vô Antonio Massolini ( goleiro da GM nos anos 30/40 e outro corinthiano roxo), meu brother Marcelo Tieppo, os irmãos Engelmann (Leo, Rogério & Lu), Tio Aramis, corinthianíssimo e sócio antigo, meu sogro Demeure, meu cunhado Zé ( e Flavito e Meurinho, da semifinal pra frente), minha mana Helô, meus filhos Letícia e Biel ( no bom caminho), os cenbraconianos Edu Soares, Colela, Wilsão, Tadeu e Denise, Mazurão,Wally, e minha amada companheira Cris. Viva nós!
* as informações dos jogos da época foram tiradas do Almanaque do Timão ( Abril - 2000) do grande Celso Unzelte, um dos maiores corinthianos dentro do jornalismo esportivo.
Este baú especial vai para todos os corinthianos apaixonados da nação alvinegra, e especialmente para meu pai, João Massolini, responsável-mor pelo meu corinthianismo, meu falecido vô Antonio Massolini ( goleiro da GM nos anos 30/40 e outro corinthiano roxo), meu brother Marcelo Tieppo, os irmãos Engelmann (Leo, Rogério & Lu), Tio Aramis, corinthianíssimo e sócio antigo, meu sogro Demeure, meu cunhado Zé ( e Flavito e Meurinho, da semifinal pra frente), minha mana Helô, meus filhos Letícia e Biel ( no bom caminho), os cenbraconianos Edu Soares, Colela, Wilsão, Tadeu e Denise, Mazurão,Wally, e minha amada companheira Cris. Viva nós!
* as informações dos jogos da época foram tiradas do Almanaque do Timão ( Abril - 2000) do grande Celso Unzelte, um dos maiores corinthianos dentro do jornalismo esportivo.
31 de agosto de 2010
O cinema de Rafael Saar encontra Luhli, Lucina e Baby do Brasil
| Luhli & Lucina - foto de Luiz Fernando Borges da Fonseca |
| Baby do Brasil em show no Sesc Pompéia-SP - Foto de Gabriel Chiarasrelli |
| Luhli, Lucina e os tambores - foto de Luiz Fernando Borges da Fonseca |
AM –Baby do Brasil, Luhli e Lucina viveram à fundo o conceito de comunidade hippie. Ney Matogrosso era hippie antes dos Secos & Molhados e sempre manteve ao longo da carreira uma postura “alternativa”. Quais são as pontas que ligam esses quatro peculiares artistas brasileiros ao cinema de Rafael Saar?
RS-Todos eles são especialmente cinematográficos por possuírem uma proposta estética sonora e visual muito interessante e particular. Além disso o pioneirismo destes artistas, que tendo surgido todos num mesmo momento histórico de repressão do país, mudaram desde os meios de produção musical, passando pelas influências que deixaram na própria música brasileira e chegando ao comportamento da sociedade.
AM-"Luhli & Lucina – Porque sim, porque não?" dará grande enfoque ao singular relacionamento entre Luhli, Lucina e Luiz Fernando Borges da Fonseca. "Apocalipse segundo Baby", adentrará o esoterismo e o mundo evangélico para seguir a carreira da múltipla Baby do Brasil. Com você não tem essa de ‘suavidade nos temas’, né?
RS-São histórias lindas e instigantes e o que proponho é tratar estes temas de forma natural. Seja no amor de Luhli, Lucina e Luís, ou de Baby e Pepeu; seja na música gospel de Baby ou na pesquisa de pontos de umbanda de Luhli e Lucina; discutir ou entender de que forma estes aspectos influenciaram e influenciam a arte que eles produzem.
| Baby do Brasil em show no Sesc Pompéia-SP - Foto de Gabriel Chiarasrelli |
AM-Existe uma amnésia crônica e um desleixo generalizado no Brasil em relação à sua memória cultural. Como conseqüência, resgatar documentos e materiais de arquivo torna-se um dos maiores obstáculos na produção de documentários. Como andam estas “escavações” para as duas produções?
RS-Os obstáculos são muitos nas escavações de material de arquivo, que são fundamentais neste tipo de proposta de trabalho. É uma pena que os arquivos, principalmente de emissoras de TV, cuidem tão mal de acervos tão preciosos à memória cultural. Estamos ainda em busca de muitos programas e filmes dados como perdidos, tanto dos Novos Baianos, como de Luhli e Lucina.
É uma pena também que o acesso e o preço que se paga por esse acesso seja tão alto, e por vezes inviabilize que idéias se concretizem, e que as pessoas tenham a possibilidade de conhecer sua história.
Conto muito com a ajuda de colecionadores, pesquisadores e fãs em geral que tenham imagens desses artistas para que os projetos se concretizem.
AM-Como você vê o atual mercado de documentários no Brasil? Existe um novo boom do gênero no país, paralelo ao sucesso alcançado pela literatura biográfica?
RS-Com a dificuldade que tem se encontrado para financiamento de projetos de ficção, que são bem mais caros, e com o digital e o barateamento dos meios de produção, o documentário ganhou um impulso muito grande. O importante agora é fazer com que toda esta produção chegue ao grande público, na salas de cinema e na TV aberta, e saia do pequeno circuito de festivais.
AM-Obrigado, Rafael, pela entrevista. Alguma colocação final?
RS-Quem puder contribuir com material como filmes, vídeos, áudios e fotos para os projetos, entre em contato com rafaelsaar@gmail.com
AM-Valeu!
Seguem os promos das duas produções:
http://www.youtube.com/watch?v=jupTPIMI63Y Baby
http://www.youtube.com/watch?v=bu7Fbo9EXAM Luhli e Lucina Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=zt4hGb8Rugs Luhli e Lucina Parte 2
27 de agosto de 2010
O melhor de Chico nas bancas
Hoje nas bancas chegou o primeiro disquinho/livreto da 'Coleção Chico Buarque' (Abril Coleções). Ao que parece, a Abril engata a mesma marcha da Folha, que lançou num fôlego só, coleção sobre bossa nova e na sequência, série com compositores da velha guarda da MPB, que termina justamente nesta semana, após 25 volumes. O formato é o mesmo, mas a nova coleção, além de focar um artista só, recupera os discos oficiais de carreira, lançados originalmente em vinil. Como a inclusão de todos os discos da longa carreira de Chico ficaria inviável para um lançamento desses, optou-se por uma seleção com os 20 discos mais relevantes, onde o principal jurado, ao que parece, é o próprio Francisco Buarque. A começar por esse primeiro, Chico Buarque 1978, que já na apresentação aparece como o disco escolhido pelo próprio compositor para inaugurar a coleção. Eu estou com ele: esse sempre foi, ao lado do Construção (1971 - o 2º da coleção) meu 'disco do Chico de cabeçeira'. As suas faixas misturam trilha de teatro e cinema, músicas liberadas depois de anos no cabide da censura e inéditas imponentes. Nesta amálgama surgem vários Chicos: o político (Apesar de Você/ Cálice/Tanto Mar), o cronista (Feijoada Completa/ Trocando em Miúdos/Pivete), o desbravador da alma feminina ( O Meu Amor/ Pedaço de Mim) e até o narrador satírico/crítico de si mesmo ( Até o Fim). Um clássico disco pra iniciar uma coleção interessante. Pra encerrar eu iria comentar sobre uma grande lacuna, que a primeira vista eu não havia localizado: Chico Canta (1973) não está entre as capinhas da coleção e eu já ia reclamar, por ser esse um clássico iminente, talvez o mais político deles e o mais decapitado ( há músicas sem letra nenhuma e outras com o áudio avariado). Mas então botei a vista em Calabar, o Elogio de Traição (1973) e saquei tudo: a coleção não só incluiu as músicas de Chico Canta, como manteve o nome da peça que na época foi censurada e não pôde dar nome ao disco. Uma boa surpresa inicial - veremos se o repertório será idêntico. De resto, alguns discos paralelos à discografia oficial, como o italiano, c/ arranjos de Ennio Morricone ( Per Un Pugno di Samba - 1970) e o ao vivo, e fácil de encontrar até hoje ( Ao Vivo Paris - Le Zenith - 1986). De lacuna mesmo, só o Vol.4 (1970), um disco bacana ( que inclui o desabafo Agora Falando Sério), mas que talvez o compositor não goste tanto, por ter sido uma imposição da gravadora após o fracasso de vendas do primeiro disco em italiano. O resto, só alegria: estão incluídos os imbatíveis Construção, Meus Caros Amigos (1976), Vida (1980) e Chico Buarque (1984). Os iniciais, que firmaram Chico como grande cronista, do naipe de Noel Rosa e Sinhô: Chico Buarque 1 (1966), Vol.2 (1967) e Vol.3 (1968). E os da última lavra, que se não chegam aos pés dos antigos, também não comprometem a obra. Resumo da Ópera do Malandro: entre violências gratuitas dos jornais diários, fofocas inúteis das revistas de celebridades e pornografia e futebol saindo pelo ladrão, a coleção Chico Buarque é um alento aos olhos de quem merece um oásis logo de manhãzinha, depois do café com pão de sexta-feira.
20 de agosto de 2010
Além de Os Flinststones e Os Jetsons, havia também outra família típica de Hanna-Barbera:Os Muzzarelas
Quando é lançada a pergunta aos fãs e apreciadores de desenhos animados: "Quais foram as séries clássicas da Hanna-Barbera protagonizados por famílias?", a resposta quase sempre é imediata: "Flinststones e Jetsons". Estas foram realmente as mais famosas, mas houve também outra, caracterizada também em um tempo antigo, mas bem mais a ver com a nossa civilização moderna: Os Muzzarelas, família de "classe média" da Roma Antiga. Muitas gags são similares às duas famílias mais famosas: os eletrodomésticos e objetos "adaptados" da época, comportamentos modernos acoplados à rotina e todo o perfil psicológico inerente aos membros cosanguíneos. Aqui temos o chefe de família sempre às voltas com o aluguel, a esposa que resolve suas trapalhadas, a caçula espertinha e o irmão que não quer saber de trabalho. O animal de estimação também surpreende: se na pré-história há um jovem dinossauro (Dino) e no futuro um simpático cão falastrão (Astro), entre os membros da família romana reina o folgazão e sensível Brutus, um enorme leão que de feroz não tem nada. Segue o primeiro episódio da série, dividido em três:
19 de agosto de 2010
Baú do Seu João 4 - Cinelândia- setembro de 1954 ( da Série Revistas de cinema que sobreviveram à terrível batalha contra os cupins cinéfilos


Aconteceu no começo do mês. Meu pai me ligou com uma voz esquisita e eu logo saquei que havia algo terrível no ar. E havia mesmo: suas mais de duzentas revistas de cinema, que ficavam guardadas em caixas no velho guarda-roupa do "quartinho" ( cômodo separado da casa, no fundo do quintal) foram devoradas por uma impiedosa horda de cupins famintos. Gelei da cabeça aos pés e enquanto corria os 100 metros que separam nossas casas, já imaginava os buracos nos lindos olhos azuis de Marilyn, os rombos na barriga de Kim e as mordidas nas pernas da Audrey. Ao chegar lá, meus temores se materializaram: Cinemin, Cinelândia, Cine-Fan e Filmolândia, dezenas delas, em pandarecos, corcomidas pelos pequenos monstros cinéfilos que devoraram sem piedade, em pouco mais de um mês, capas com starlets e mocinhos, cenas de filmes antológicos e centenas de fotos do cast de ouro de Hollywood. Nem John Wayne deu jeito. Os maiores heróis do far-west e das milionárias sagas da época foram engolidos pelos miseráveis e minúsculos gulosos, sem mesmo terem tempo de sacar seus revólveres ou espadas. Moçoilas estonteantes não puderam nem retocar a maquiagem. Entre mortos e feridos, eu e Seu João ainda conseguimos retirar do desastre alguns exemplares intactos ou quase, cerca de vinte deles. Uma das edições resgatadas é esta acima, de 1954, com a capa da suprema loira ( que vendia mesmo sem ter matéria nenhuma sobre ela na edição) e que contém também a curiosa matéria que selecionei sobre a acidentada viagem de Ava Gardner ao Rio de Janeiro em setembro de 1954. Esta e outras que salvamos, serão postadas aos poucos no Almanaque do Seu João. Quanto aos cupins, da mesma forma que a Hollywood clássica, que sucumbiu aos seus próprios excessos, também eles tiveram uma morte agonizante e lenta, embebidos em veneno viscoso, após um mês de extravagante comilança entre os poderosos da indústria cinematográfica.
18 de agosto de 2010
Chorinho raro no Porta Curtas
De vez em quando dou uma bisbilhotada no ótimo Porta Curtas, portal patrocinado pela Petrobras com um acervo de mais de 700 curtas. Tem muitos filmes curiosos, novidades e raridades como este curta abaixo, "Chorinhos e Chorões", de 1974, dirigido por Antonio Carlos da Fontoura, com a consultoria de Lucio Rangel, arquivos de Almirante e narração de Hugo Carvana (que não parece em nada com o Hugo Carvana interpretando...). Vale a pena rever mestres como Pixinguinha, Jacob do Bandolim, Cesar Faria ( pai de Paulinho da Viola) e Luperce Miranda.
13 de agosto de 2010
Sexta Feira, 13 de agosto, com Zé Ramalho e sua trupe cordelista
Sexta feira? Dia 13? E ainda por cima agosto? como homenagear este dia cabalístico? Pensei em Black Sabbath, mas ia ficar meio óbvio. Aí me lembrei da capa mais sexta-feira 13 da nossa música brasileira (acima). Zé Ramalho - A Peleja do Diabo com o Dono do Céu (1979) - CBS - é certamente a capa mais performática já feita por estas plagas. Estão lá, além do anfitrião paraibano, Zé do Caixão (José Mojica Marins), que dispensa apresentações, seu assistente careca, a atriz Xuxa Lopes, com uma providencial maquiagem vampiresca, e por último a figura naturalmente performática do artista Hélio Oiticica, que morreria logo depois. Toda esta encenação cordelista foi produzida pelo cineasta Ivan Cardoso, famoso por seus filmes de "Terrir" ( terror escrachado setentista). Além da capa para deleite, fiquem com um post do Som Barato do ano passado, que dá todas as coordenadas da obra em textos de Marcelo Fróes, Sidney Rezende e do próprio Zé Ramalho, uma matéria sobre exposição fotográfica de Ivan Cardoso em 2009 ( que inclui uma bela cena com todos os integrantes da contra-capa do 'Peleja') e uma seleção das grande músicas deste disco. A ultraconhecida Admirável Gado Novo, aparece em clipe feito para o Fantástico - e o mais inacreditável é a cena em que aparece um militar batendo em um cidadão - esse clipe foi ao ar em pleno governo Geisel. Terror é pouco.
7 de agosto de 2010
Morris e o elefante
Quem tem mais de 40 anos deve se lembrar do jingle " Ô, Mônica, abrace o elefante, e beije ele bastante..". Quem tem por volta dessa idade também se lembra da música "Feelings" de Morris Albert, um grande sucesso de 1975. A música de Maurício Alberto Kaisermann (o verdadeiro nome de Morris) vendeu horrores no mundo todo, teve uma versão vertida para o punk ( pelo Offspring) e em 1988 foi declarada pela Suprema Corte da Califórnia ( EUA) como plágio de "Pour Toi", uma música francesa de 1956. Eu nunca escutei a tal música francesa, mas o jingle do Extrato de Tomate Elefante da Cica sim, e dá para se perceber semelhanças na linha melódica (mas não suficientes para se caracterizar plágio) . Segundo o criador da turma da Mônica e xará do compositor, a música Feelings se "inspirou" no jingle criado alguns bons anos antes. Abaixo, o jingle todo (c/a declaração de Maurício de Sousa) e a inevitável Feelings...
6 de agosto de 2010
Quadrinhos? Literatura? Não, Mr.Crumb quer discos 78 rpm brasileiros dos anos 20/30
Quem foi na Flip para ouvir de Robert Crumb alguma teoria nova sobre a nona arte ou a linguagem dos quadrinhos na novo jornalismo, perdeu a viagem. Na verdade, Robert Crumb quiçá sabe porque realmente está no Brasil. É famosa a sua aversão a entrevistas, holofotes e qualquer assunto relativamente recente. "Sou um artista da idade média", diz de si mesmo. E dá-lhe mau humor e respostas evasivas. Embora seja o grande propagador do quadrinho underground que surgiu paralelamente ao acid rock em San Francisco nos anos 60 e tenha feito arte para capa de disco de rock (Janis Joplin & Big Brother & The Holding Co.), Crumb odeia qualquer música feita depois dos anos 50 e não conhece nada sobre os novos autores de HQ. Seu maior lance é blues e música de raiz. Daí o seu real interesse por discos de 78 das décadas de 20 e 30 onde quer que aterrisse. Procurem no baú de seus avós, pois ele paga bem!
Para quem quer conhecer mais sobre o Robert Crumb:
Matéria do UOL ( Maurício Stycer), que me deu a deixa:
Hoje é dia de relembrar três grandes da MPB: Baden Powell, Adoniran Barbosa e Moacir Santos


Os dois, Baden e Adoniran, nasceram no dia 06 de agosto. Moacir Santos faleceu há 4 anos atrás, em um dia 16/08. Um dia para relembrar três artistas excepcionais.
Baden Powell - Um dos mais criativos violonistas brasileiros, nasceu em 06/08/1937 e faleceu em 26/09/2000 - mês que vem já se vão 10 anos. Veja, ouça e leia mais no blog-irmão Consciarte, do meu amigo Rick Berlitz, especialista em bossa-nova:
Adoniran Barbosa - Este gênio paulista, nascido em 06/08/1910, completa hoje 100 anos e não poderia ficar de fora. Aqui mesmo no blog, já postei sobre Adoniran três vezes: relembrem:
No mês, mas principalmente entre hoje e domingo, há uma intensa programação em torno dos 100 anos do homem. Destaquei alguns bons programas para vcs (e um vídeo, pra não perder o costume):
*Vida Rouca: Wandi Doratiotto e Danilo Moraes- Usando cavaquinho, violão, guitarra e samplers, os músicos dão novos arranjos às canções de Adoniran.
Quando: Hoje (dia 06), às 21h
Onde: Auditório Ibirapuera (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº - portão 2 do Parque do Ibirapuera) - Tel: (11) 5908-4299
Quanto: De R$ 15 a R$ 30
*Feira de Artes da praça Benedito Calixto celebra Adoniran Barbosa - A praça reúne amigos e parceiros musicais do cantor, além de exibir livros, discos e fotos de Adoniran. O jornalista e historiador Celso Campos Jr. participa do Autor na Praça, autografando a biografia no encontro que contará também com Sérgio Rubinato, sobrinho que entoará alguns dos clássicos do tio Adoniran. Outros shows ao vivo e uma mostra de filmes com a participação do sambista também fazem parte da celebração.
Quando: Sábado (07), a partir das 14h
Onde: Praça Benedito Calixto, 159 - Pinheiros
Quanto: Grátis
*Trovadores Urbanos - O grupo de serenatas tocará as principais músicas do sambista em três sextas-feiras do mês de agosto, na Janela do Sobrado, em Perdizes. Sucesso de público, o Seresta de Sexta vem chamando a atenção pelo seu formato inusitado: os músicos se apresentam na janela do sobrado, literalmente.
Quando: Dias 13/8, 20/8 e 27/8, das 20h às 22h
Onde: Rua Aimberê, 651, Perdizes
Quanto: Grátis
*100 anos de Adoniran com shows no CCSP - Diversos cantores, como Fabiana Cozza (08/08), Cauby Peixoto (15/08), Wanderléa (22/08) e Demônios da Garoa (29/8) se apresentam ao longo do mês de agosto para homenagear o centenário do compositor.
No sábado (07/8) 19h, tem Vânia Bastos e Maria Alcina. Domingo (08/8) às 18h , Osvaldinho da Cuíca, Fabiana Cozza e Milena.
Quando: dias 07, 08, 14, 15, 21, 22, 28 e 29/8. Sábados, às 19h, e domingos, às 18h
Onde: Centro Cultural São Paulo – Sala Adoniran Barbosa (Rua Vergueiro, 1000) 11 3397-4002 Quanto: Grátis
* Ouça/veja Adoniran interpretando algumas de suas criações geniais:
Moacir Santos - Nascido em 26/07/1926 em Pernambuco, maestro, compositor, arranjador, instrumentista, Moacir é um mito. Mais conhecido dos músicos do que propriamente do público, fez história no Brasil com seus arranjos para Ari Barroso e grandes nomes da bossa e antes de partir definitivamente para os States nos anos 60, deixou-nos um dos mais importantes discos da música brasileira, As Coisas (1965). Não contente, fez história por lá também, lançando discos primorosos (o primeiro foi indicado ao Grammy) e regendo como nunca. Antes de falecer, em 06/08/2006, teve bons lançamentos em CDs no Brasil e foi finalmente reconhecido em seu país, ganhando o Prêmio Tim (disco do ano) e o Prêmio Shell (conjunto da obra).
Em alguns momentos de sua biografia, Baden Powell se fez presente:Vinicius de Moraes se referiu a ele no famoso "Samba da bênção", composto em parceria com Baden Powell, nos versos: "...A bênção, Maestro Moacir Santos, que não és um só, mas tantos, tantos como o meu Brasil de todos os Santos...". Moacir participou também, de um disco de Baden Powell, como pianista e cantando em dueto com Alaíde Costa.
Músicas de Moacir de Santos:
A vida cinematográfica de Cartola
O saudoso Cartola, gênio intuitivo da nossa música, virou filme em 2006, e ainda por cima, filme bem falado por público e crítica. E não deveria ser diferente. A sua vida foi tão conturbada e movimentada, que daria pra se fazer uma penca de filmes bons, todos com doses cavalares de drama, comédia, aventura e sobremaneira, amor. Cartola nasceu Angenor é só foi descobrir que não era Agenor nos anos 60. Nasceu pobre no subúrbio, em 1908, e já na década seguinte a família se mudou para o morro, a sua amada Mangueira, que na época contava com pouco mais de 50 barracos. Com muito custo consegue terminar o primário, mas aos 15 anos, com a morte da mãe, se afasta ( ou é afastado) da família e cai na boêmia. Ainda na juventude se mostra bamba no samba e no copo e se faz respeitado pela malandragem local. Faz bicos em tipografias e na construção civil, e é na obra que conquista o apelido para a vida inteira: para evitar que o cimento e o cal caísse em seu cabelo, usava um chapéu alto, quase uma cartola. Antes dos 20, adoecido pelas noitadas no meretrício, é amparado pela vizinha Deolinda, casada e com uma filha, que acaba acolhendo-o em casa. O marido, Astolfo não agüenta a situação e sai de casa, fazendo de Cartola um chefe de família precoce. Em 1925 funda com Carlos Cachaça, amigo pra vida toda e parceiro mais constante, e outros sambistas como Massú e Zé Espinguela, o Bloco dos Arengueiros, que depois de se unir a outros blocos da comunidade, vira escola de samba em 1928, a segunda do Rio de Janeiro, com o pomposo nome G.R.E.S Estação Primeira de Mangueira. Tanto o nome como as inusitadas cores verde e rosa foram escolha de Cartola. A partir daí, se tornou o principal compositor da escola, que até 1940 sagrou-se quatro vezes campeã do Carnaval do Rio. Além do seu prestígio dentro da verde e rosa, lançou seus sambas para fora do morro, primeiro em 1931, com a venda de Que Infeliz Sorte para Mario Reis, que fez grande sucesso nas rádios ao ser repassada para Francisco Alves, e em seguida, com outras criações, nas vozes de Araci de Almeida, Carmen Miranda, Mário Reis e Sílvio Caldas (o último,também parceiro). Com outro parceiro, Noel Rosa, compôs muitos sambas que se perderam nas noites de bebedeiras de ambos e nunca foram gravados – a exceção foi o samba ‘Qual foi o mal que te fiz’, gravado por Francisco Alves e creditado só ao mangueirense. Grande testemunha dessa parceria foi Deolinda, que deu muito banho no reincidente Noel, que vivia encharcando com seu companheiro e acabava pousando por ali. Noel logo faleceu, os sambas pingavam aqui e ali, mas o dinheiro era sempre curto e Cartola precisava de um emprego fixo. Na virada da década cria com Paulo da Portela um programa de rádio bem diferenciado, onde os ouvintes eram apresentados a sambas inéditos da dupla e podiam batizá-los. Também são dessa época as famosas gravações do maestro Leopoldo Stokowski no navio S.S.Uruguay, atracado no Rio em uma daquelas viagens da “boa vizinhança” EUA-Brasil. O maestro juntou a nata da música popular brasileira da época (Pixinguinha, Donga, João da Baiana, componentes da Mangueira, entre outros) e as execuções captadas na ocasião saíram posteriormente nos EUA em álbuns de 78 rpm. Algumas dessas faixas chegaram a sair no Brasil décadas depois em tiragem limitada através do Museu Villa-Lobos, mas logo voltaram a ser itens raríssimos como de início (para conhecer toda a saga, leiam as heróicas reportagens de Daniella Thompson feitas em 2005 http://daniellathompson.com/Texts/Stokowski/Cacando_Stokowski.htm .Cartola, claro, estava entre os escolhido e foi elogiado pessoalmente por Heitor Villa-Lobos, que ajudara o músico americano, mas dinheiro que é bom, never( na verdade, o compositor chegou a receber, um ano e meio depois, um pagamento que lhe rendeu três maços de cigarros vagabundos). Em 1941, logo depois de algumas apresentações com Paulo da Portela e Heitor dos Prazeres em São Paulo, Cartola simplesmente desaparece de cena. Por 15 anos, escafedeu-se do mapa! Depoimentos posteriores do compositor dão algumas pistas desse período, mas propositadamente o mantém na obscuridade: ‘coisas pesadas’ e ‘me envolvi com uma mulher’ são os termos usados. O que se sabe é que até 1946, ficou à beira da morte por conta de uma meningite e enviuvou-se de Deolinda. O fato é que Cartola sumiu, e do esconderijo em que estava, ainda pôde ouvir ou saber da vitória de sua Mangueira em 1948, com um samba seu e de Carlos Cachaça, “Vale do São Francisco”. Muitos achavam que o sambista tinha batido as botas, até que em meados dos anos 50, foi ‘encontrado’ pelo cronista Stanislaw Ponte Preta, lavando carros em um condomínio de Ipanema. Logo em seguida, Sérgio levou-o de volta para a rádio e Jota Efegê conseguiu-lhe um emprego no Diário Carioca. Outros como o cartunista Lan e o crítico e especialista Lúcio Rangel também abriram-lhe portas. Cartola voltava à vida. No fim da década, já enamorado de Eusébia Silva do Nascimento, a Zica,consegue algumas pontas em filmes, como no famoso Orfeu Negro de 1959 (veja aqui a aparição do casal nos 5min55: http://www.youtube.com/watch?v=ZtDNtvAJOC0 ).
Nos anos 60, volta a falar com o pai, reaproxima-se das composições e abre a porta de sua casa para os diversos amigos sambistas e boêmios. Nestas reuniões, onde a boa comida de Zica e a roda de samba imperavam, brota-se a idéia de um restaurante, que viria a se tornar realidade em 1964, com a inauguração do Zicartola, em 1964, na Rua da Carioca. Logo a casa se torna famosa, tanto pelos quitutes de Zica, como pela reunião da melhor música feita no morro e na cidade. Sambistas veteranos encontravam-se ali com a nova geração: Nara Leão ( que gravaria Cartola no show Opinião), Zé Keti, presença constante no palco ( e que também participaria do Opinião), o jovem Paulinho da Viola ( um dos primeiros da geração 60 a gravar Cartola), Nélson Cavaquinho e Hermínio Bello de Carvalho, entre outros. A casa não durou muito, mas ficou pra sempre cravada na história do Rio do Janeiro. Cartola prosseguiu, ainda pobre, mas finalmente com casa própria e emprego fixo (como contínuo) e redescoberto pela nova geração. A sua maior frustração era não ter um disco próprio. Essa lacuna só foi preenchida em 1974, quando o produtor Pelão ( João Carlos Botezelli), que já havia feito milagre no ano anterior ao produzir o disco de Nelson Cavaquinho, conseguiu convencer Aloísio Falcão, da gravadora Marcus Pereira, a fazer um disco solo do veterano compositor. Depois de algumas resistências internas, o disco não só saiu, como foi aclamado pela crítica e virou clássico no ato. Dois anos depois, repetiu-se a dose e o sucesso foi ainda maior: duas das músicas mais conhecidas de Cartola entraram no vinil de 76, ‘As Rosas Não Falam’ e ‘O Mundo é um Moinho’. A fase era tão boa, que Cartola finalmente estreou seu primeiro show individual, um sucesso que ficou em cartaz por meses.
A repercussão dos trabalhos na Marcus Pereira fez com que o compositor assinasse contrato com a major RCA Victor, que providenciou a produção de Sergio Cabral para o próximo disco, outro primor. Aos 70 anos, engatilhou ainda um quarto disco solo, enquanto finalmente tinha um retorno financeiro e um conforto merecedor junto à Zica. Mas a saúde começava a cobrar os excessos de uma vida toda. Cartola ainda fez alguns shows e recebeu merecidas homenagens, até que em novembro de 1980, ao lado de sua amada Zica, despediu-se da vida e entrou para sempre na história da música brasileira. Um filme é pouco para Cartola. Que se façam outros. Que venham outros livros, que se divulgue o site ( abaixo). Cartola, sábio do povo, poeta intuitivo, melodista nato, merece.
*Site: http://www.cartola.org.br/
Nos anos 60, volta a falar com o pai, reaproxima-se das composições e abre a porta de sua casa para os diversos amigos sambistas e boêmios. Nestas reuniões, onde a boa comida de Zica e a roda de samba imperavam, brota-se a idéia de um restaurante, que viria a se tornar realidade em 1964, com a inauguração do Zicartola, em 1964, na Rua da Carioca. Logo a casa se torna famosa, tanto pelos quitutes de Zica, como pela reunião da melhor música feita no morro e na cidade. Sambistas veteranos encontravam-se ali com a nova geração: Nara Leão ( que gravaria Cartola no show Opinião), Zé Keti, presença constante no palco ( e que também participaria do Opinião), o jovem Paulinho da Viola ( um dos primeiros da geração 60 a gravar Cartola), Nélson Cavaquinho e Hermínio Bello de Carvalho, entre outros. A casa não durou muito, mas ficou pra sempre cravada na história do Rio do Janeiro. Cartola prosseguiu, ainda pobre, mas finalmente com casa própria e emprego fixo (como contínuo) e redescoberto pela nova geração. A sua maior frustração era não ter um disco próprio. Essa lacuna só foi preenchida em 1974, quando o produtor Pelão ( João Carlos Botezelli), que já havia feito milagre no ano anterior ao produzir o disco de Nelson Cavaquinho, conseguiu convencer Aloísio Falcão, da gravadora Marcus Pereira, a fazer um disco solo do veterano compositor. Depois de algumas resistências internas, o disco não só saiu, como foi aclamado pela crítica e virou clássico no ato. Dois anos depois, repetiu-se a dose e o sucesso foi ainda maior: duas das músicas mais conhecidas de Cartola entraram no vinil de 76, ‘As Rosas Não Falam’ e ‘O Mundo é um Moinho’. A fase era tão boa, que Cartola finalmente estreou seu primeiro show individual, um sucesso que ficou em cartaz por meses.
A repercussão dos trabalhos na Marcus Pereira fez com que o compositor assinasse contrato com a major RCA Victor, que providenciou a produção de Sergio Cabral para o próximo disco, outro primor. Aos 70 anos, engatilhou ainda um quarto disco solo, enquanto finalmente tinha um retorno financeiro e um conforto merecedor junto à Zica. Mas a saúde começava a cobrar os excessos de uma vida toda. Cartola ainda fez alguns shows e recebeu merecidas homenagens, até que em novembro de 1980, ao lado de sua amada Zica, despediu-se da vida e entrou para sempre na história da música brasileira. Um filme é pouco para Cartola. Que se façam outros. Que venham outros livros, que se divulgue o site ( abaixo). Cartola, sábio do povo, poeta intuitivo, melodista nato, merece.
*Site: http://www.cartola.org.br/
*Com o pai (trecho do filme Cartola-2006): http://www.youtube.com/watch?v=acLkgRX28D8
*Com Paulinho da Viola (trecho do filme Cartola): http://www.youtube.com/watch?v=26wDkehacic&feature=related
*Ensaio(1974): http://www.youtube.com/watch?v=_bBid7i34XI&feature=related
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