27 de maio de 2011

Alain Voss (1946-2011)

Alain Voss foi um dos grandes quadrinistas da Metal Hurlant, mas no Brasil, onde viveu a maior parte de sua vida ( Voss nasceu na França, veio pequenino pra cá e no início dos 70 voltou pra Europa) as suas mais conhecidas "obras" são as duas capas que fez para os Mutantes: "Jardim Elétrico" de 1971, e "Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets", de 1972. Mas o artista já produzia para os quadrinhos desde os anos 60, em revistas como O Loco (Editora Taika - 1968 - nos moldes da Mad americana e antes da Mad Brasil) e personagens próprios como "O Careca" (1969). Esse último poderia ter sido bem mais conhecido na época, mas a União Brasileira de Editoras, que pretendia  lançar a revista do personagem e também a primeira edição de Mônica, desistiu de se lançar nos quadrinhos e todos os 8.000 exemplares de "O Careca" já impressos foram incinerados ( no ano seguinte, a Editora Abril lançou Mônica). "O Careca" só foi ressucitado em 1995, em edição facsimilar do Comix Club. Depois de estourar na França nos anos 70, com fantásticas histórias sci-fi na Metal Hurlant via Les Humanoides Associés (onde se tornou amigo pessoal de Moebius) e álbuns avulsos de grande sucesso, Voss voltou ao Brasil em 1981, publicando HQ na Inter-Quadrinhos ( Editora Ondas) e na efêmera revista "Monga, a Mulher Gorila" (Press-Maciota). Entre trabalhos publicitários e editoriais diversos, ganhou dois prêmios HQ-Mix: em 1988, como "melhor desenhista nacional" e 1989, por "melhor exposição". Em 2001, o Itaú Cultural promoveu o evento "Anos 70: Trajetórias", destacando o trabalho de Voss ao lado de Roberto Crumb, Paulo Caruso, Angeli, Flávio e Laerte. Nos últimos anos, criou quadros, ilustrou capas de discos e livros e mesmo debilitado por um AVC sofrido em 2009, colaborou com a edição brasileira do Le Monde Diplomatique, produziu a HQ  "Anarcity" no computador e lançou as tiras "Os Zensetos" para  Caros Amigos. Alain Voss faleceu no dia 13 de maio em Portugal, onde morou por anos. No dia 16, Rita Lee twittou em sua homenagem: "Alain Voss era um artista gauche. Sarcástico e irônico. Perdia o amigo mas ñ perdia um deboche cruel. Tenho vários quadros da época Mutante".
Galeria "Alain Voss":
Capa do LP "Jardim Elétrico" dos Mutantes (1971)
"O Careca" - a revista original de 1969 não foi lançada

"Heilman"de 1978
Capa "Inter-Quadrinhos" - 1981
"Parodies" - série que virou álbum na Europa

"Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets' (1972)

26 de maio de 2011

"20 anos Gibiteca Henfil"

Começou no dia 19 deste mês no Centro Cultural São Paulo a mostra "Henfil nos 20 anos da Gibiteca". Intercalando imagens de duas exposições famosas, "Henfil Baixou Aqui" ( apresentada no Salão de Humor de Piracicaba logo após sua morte) e “Henfil – Vida e Obra”, coletânea de diversos personagens criados pelo artista e charges políticas e esportivas ( por anos, Henfil desenhou no Jornal dos Sports do Rio e também na revista Placar), a mostra é um verdadeiro mergulho na obra incomparável do mestre mineiro, patrono da gibiteca. Como de praxe, Ivan Cosenza, filho e herdeiro de suas obras, organizou e produziu a exposição, que vai até 17 de julho e é grátis.

"20 anos Gibiteca Henfil"
Data: de 19/5 a 17/7
Horário: de terça a sexta das 10h às 20h e aos sábados e domingos das 10h às 18h
Local: Centro Cultural São Paulo - CCSP
End.: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso - próximo à Estação Vergueiro do Metrô - centro - São Paulo
Preço: entrada gratuita
Tel.: (11) 3397-4002
http://www.centrocultural.sp.gov.br/

25 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(5) - Anelis Assumpção

Anelis Assumpção - que responsa - é filha do inesquecível Itamar Assumpção, o homem que revirou de ponta cabeça a MPB na virada dos 70 pros 80. Mas não é que esse DNA todo, nesse caso, só ajudou? Pai e filha tem muita coisa em comum: a poesia concreta/urbana/urgente; a mensagem desafiadora; os arranjos desconstruídos, entre o jazz, o pop e a MPB tradicional. Somam-se a essas atávicas semelhanças, a sua privilegiada vocação vocálica, o dub impassível, a suavidade insuspeita e o distanciamento natural da sua atualidade, que a mantém imune a rótulos absurdos que lançavam maldição às gerações passadas. Da sua geração, só faltava ela lançar disco solo ( as suas ex-companheiras de DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó já debutaram). Não falta mais: seu CD/LP "Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa" (imagem acima) está na boca do forno e seu lançamento está marcado para o início de junho ( ouça ele inteiro no link abaixo). A demora tem justificativas fortes: a compositora maturou suas canções enquanto produzia a antologia definitiva da obra de seu pai, "Caixa Preta" ( com todos os discos de carreira + dois inéditos). E o destino fez mais. Itamar havia prometido produzir o primeiro disco da filha mais velha, se em contrapartida ela o ajudasse a botar toda a sua discografia em dia. E mesmo com seu falecimento em 2003, tudo aconteceu como prometido: com o dinheiro da "Caixa Preta", Anelis conseguiu bancar as gravações e a produção de seu disco - de uma maneira ou de outra, o pai cumpriu seu trato também. E a faixa de abertura é de quem? ele, Itamar Assumpção, claro. Abrindo clareira pra filha, prestes a lançar um dos discos do ano.
http://www.anelis.com.br/
http://www.facebook.com/pages/Anelis-Assump%C3%A7%C3%A3o/112958915387280
http://www.youtube.com/watch?v=mnBPEPGAWpM
http://www.youtube.com/watch?v=9lLhvNidFiE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=adhT1gM5PKo&feature=related

21 de maio de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade

Os vídeos campeões de audiência no Youtube geralmente focam três situações: o cômico, o ridículo ou o polêmico. Pois A Banda Mais Bonita da Cidade conseguiu entre ontem e hoje uma proeza incrível: o clip caseiro produzido pela banda incluindo uma dezena de amigos músicos em um casarão centenário no interior do Paraná, já está neste momento em que escrevo, alcançando 500.000 visualizações. A canção "Oração" é bonitinha, simples sem ser simplória e emotiva na medida, daquelas que ficam ressoando na cabeça. Mas o toque mágico de tudo foi a filmagem, gravada em plano-sequência, que conseguiu capturar uma espontaneidade rara de se ver nesses tempos tecnológicos e cínicos. A banda é formada por Uyara Torrente (vocal), Vinícius Nisi (violão, teclado e piano infantil), Rodrigo Lemos (banjolele e guitarra), Diego Plaça (violão e baixo) e Luís Bourscheidt (percussão e bateria). O cara que inicia o vídeo com o gravador na mão e anda pela casa é Leo Fressato, o compositor da canção. A coisa bombou de uma maneira, que muitos veículos correram para entrevistar a turma ( veja abaixo a da Marie-Claire, com o tal vídeo da banda e mais duas gravações na mesma casa). Só espero que essa "fama" instantânea não estrague justamente o melhor deles: a alegria de fazer música.
http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI234865-17642,00-VINICIUS+NISI+INTEGRANTE+DA+BANDA+MAIS+BONITA+DA+CIDADE+QUE+VIROU+HIT+NA+IN.html

19 de maio de 2011

12/05/2011: Waters, Gilmour e Mason no mesmo palco

O dia: 12 de maio de 2011. O local: 02 Arena em Londres. O show: turnê 2011 de Rogers Waters. Os três remanescentes da formação original do Pink Floyd, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour ( dois fundadores, Syd Barret e Richard Wright, já faleceram) subiram ao palco para uma verdadeira celebração junto ao público. O momento foi emocionante e não foi pra menos: eles não tocavam juntos desde o Live 08 em 1995, ou seja, 16 anos antes ( o tecladista Richard Wright também estava naquela apresentação). Os três tocaram juntos apenas duas vezes em 30 anos. O encontro começou com uma apresentação já ensaiada de Gilmour ( nas alturas do grande muro de Waters), mas a entrada de Mason, em seguida, foi totalmente espontânea, propiciando um desfecho perfeito. Quem sabe, os três não gravam material novo, depois de longos invernos de isolamento?

Seguem as cenas do grande encontro ( registros de celulares, claro) e uma matéria original da Rolling Stone.com, traduzida pela Nathália Plá da Whiplash.
http://whiplash.net/materias/news_851/130393-pinkfloyd.html
http://www.youtube.com/watch?v=-L42YTWSJtI
http://www.youtube.com/watch?v=TTHX6VsU2ZA

18 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(4)- Andréa Dias

Andréa Dias era pra estar aqui faz tempo, mas antes tarde do que nunca. Ela sem dúvida é uma das mais autênticas compositoras dos últimos anos, mesclando com convicção humor, sarcasmo, ironia,  em crônicas cotidianas de amores e dissabores existenciais e sociais. Se Andrea cantasse lá nos idos dos oitenta, Itamar Assumpção lhe daria aval - sua música tem samba de breque, atonalidades e espírito rock e a poesia corajosa de suas letras mistura lirismo com marcas de medicamentos. E desde que lançou o autoral "Vol.1" em 2007, vem embasbacando sua classe. Fez parte da Banda Glória e da DonaZica, teve uma breve passagem pela Farofa Carioca do Seu Jorge, antes do estouro, e desde o primeiro disco, vem tocando e gravando com meio mundo do meio: Fernando Catatau, Marcelo Jeneci, Oswaldinho da Cuíca, Zeca Baleiro, Arrigo Barnabé, TomZé, Zélia Duncan, Jair Rodrigues, entre outros. O "Vol 2" veio em 2010, mais uma vez com todas as composições suas.Engatou shows em Sevilha e Paris.Participou de coletâneas internacionais. Andréa tem uma vida tão intensa quanto sua carreira: ex-evangélica, saiu de casa aos 17 e caiu no mundo. Virou garçonete, babá, fez bicos, morou na casa de amigos, perambulou pelo mundo, passou fome, até que em um bar que trabalhava, sua voz agradou o dono, que lhe deixou cantar para os clientes. Misturou no repertório, sua musa Janis Joplin, os maçetes do coral da igreja que frequentava e as quebradas do samba de breque. Deu em tudo isso. E Andréa Dias quer mais.
"O Fio da Comunicação" - http://www.youtube.com/watch?v=_6JdJEiUV-4
"Homem" - http://www.youtube.com/watch?v=J_R3blpq36E&feature=fvwrel ( essa música foi composta por Andrea logo depois de ouvir do ator Paulo Cesar Pereio que "mulher boa é mulher morta")
"Asas" e "Bode" - http://www.youtube.com/watch?v=jhC3llLNdO4&feature=related
"Retrato" - http://www.youtube.com/watch?v=Lelar9jvvlk&feature=related

Paulo Leminski e os quadrinhos

Eu leio muito sobre HQ, e muitas vezes me deparo com personalidades da cultura e das artes que receberam influência dos quadrinhos em suas formações. Quando li na última semana um trecho sobre Paulo Leminski no livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", do incansável pesquisador Gonçalo Júnior, me veio o estalo: vou começar a postar essas referências! primeiro, porque geralmente partem de figuras que a priori não imaginamos que um dia foram fãs de gibis; e segundo, porque eses registros formarão um painel interessante para futuras consultas. Os quadrinhos, ao que parece, finalmente estão se firmando como arte e entretenimento sério aos olhos da sociedade. HQ nunca foi coisa só para criança, embora forças externas ( igreja, governo, pais, escola) sempre a colocassem como vilã, má influência e subliteratura. Da minha geração, de cada 50 amigos ( e a minha velha tchurma tinha por volta disso mesmo), cinco liam quadrinhos às vezes e outros cinco liam com frequência. 40 deles sequer tomaram conhecimento ou não puderam acompanhar as artes sequenciais impressas. Muitos pais rasgavam as revistinhas, muitos padres faziam discursos contra, muitos professores condenavam. Hoje - até que enfim - a diferença entre quadrinhos adultos e infantis está muito clara. Do começo do seculo XX até o início da década de 1980, fã de quadrinho era que nem sambista ( dos anos 20 aos 50) ou roqueiro (dos anos 60 aos 80) - invariavelmente tachado de vagabundo. Gibi deixava a mente preguiçosa. Grandes fãs desta nobre arte, principalmente jornalistas e fanzineiros, conseguiram reverter essa pecha e hoje livros, graphic novels e revistas de luxo repousam triunfais nas prateleiras das livrarias. O que precisa-se agora é salvar a velha banca de jornais e as revistas populares - mas essa é uma outra estória. Fiquemos com o Leminski, que abre essa série.

"... a jornalista e poetisa Alice Ruiz tornou-se editora de Horóscopo Rose, com circulação mensal, que teve em seu marido, o poeta Paulo Leminski (1944-1989), um colaborador importante e assíduo. Principalmente na produção de roteiros para histórias em quadrinhos sobre o tema. Leminski era um apaixonado por histórias em quadrinhos desde a infância. Adorava ler gibis durante a madrugada. De preferência, de terror, da La Selva. Não perdia um número de O Terror Negro, Histórias do além e Sobrenatural. "Ele tinha um certo fanatismo pelos quadrinhos de horror. Quando nos conhecemos, possuía uma pilha de gibis que vinha colecionando desde menino", relembrou a ex-mulher. A mãe do poeta lhe contou que era comum, na alta madrugada, ela acordar e ver luz no corredor. Como dormia no mesmo quarto do irmão, Paulo não acendia a luz para não acordá-lo. Quando todos iam dormir, ele pegava os gibis e virava a noite no corredor."
( trecho do livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", de Gonçalo Júnior - Editora Peixe Grande - 2010).
ps: só para situar, esse trecho se refere ao momento em que a Grafipar, famosa editora de Curitiba, estava iniciando sua produção nos quadrinhos e em poucos anos faria história nesse gênero.Leminski e Alice Ruiz colaboraram com a editora nesse período.

13 de maio de 2011

Toninho Spessoto (1958-2010)

Eu soube muito depois sobre seu falecimento, mas não importa. O Rick Berlitz me avisou meses depois que Toninho Spessoto, um dos maiores jornalistas musicais do país tinha falecido em 23 de dezembro de 2010. Além da data ingrata, perto do Natal, a internet, com sua enxurrada de informações para todo o lado, traz tanto lixo e inutilidade, que na filtragem final algumas notas cruciais acabam invisíveis. Jornalista quase não escreve sobre jornalista ( que bobagem!) e poucas notas sairam a respeito do seu falecimento. Não deveria ser assim. Spessoto foi um dos críticos mais apaixonados por música e arregimentou durante a vida muitos amigos no meio, principalmente entre os músicos independentes, categoria que ele defendeu e colocou como prioridade em suas batalhas profissionais. Além de crítico e jornalista, foi radialista, produtor e até arriscou-se em algumas composições, como membro do Clube Caiubi ( link abaixo). As suas contribuições ao jornalismo musical em 30 anos de carreira são infindáveis: colaborador da Bizz, revista Sucesso, Rolling Stone, JB, Portal Imprensa; editor da Rádio Pool e Bandeirantes; colaborador da Rádio Alvorada de Belo Horizonte e Juiz de Fora, produtor da AllTV. Nos últimos tempos, além do seu imprescindível blog Acordes ( desde 2007), também fazia os programas  “Fora de Série” e “Papo de Músico”, na Rádio USP. Nesses tempos de preconceitos gratuitos e relações glaciais, foi antes de tudo um grande apreciador da "boa música", fosse o gênero que fosse, e sempre dava uma força para talentos escondidos nos subterrâneos do brutal mercado musical. Nos meus tempos de Dedoc Abril, vi muito o Toninho tomando café e pesquisando suas pautas, sempre com seu jeito tranquilo e discreto. Ele já está fazendo uma falta danada.
http://blogacordes.blogspot.com/
http://clubecaiubi.ning.com/profile/toninhospessoto
http://www.dicionariompb.com.br/toninho-spessoto/dados-artisticos
http://emiliopacheco.blogspot.com/2010/12/toninho-spessoto.html

Hard Rock Cafe argentino traz a a história por trás da música

Esses chamativos e bem urdidos pôsteres acima são criações da Y&R de Buenos Aires para campanha fresquíssima do Hard Rock Cafe argentino, intitulada There's a story behind every song (Há uma história por trás de toda canção). As três clássicas canções escolhidas são transportadas para a linguagem dos quadrinhos em uma bem amarrada sequência de ilustrações alusivas tanto à letra da composição como à própria vida do criador. Na transposição de Tears in Heaven de Eric Clapton, a letra autobiográfica que narra a triste e real história do filho de Clapton, que morreu aos 4 anos após cair do 53º andar do seu apartamento em Nova York, transforma-se em quadros sem balões ou legendas, intercalando cenas do nascimento da criança, o relacionamento pai e filho, as excursões e ensaios paralelos, o acidente fatal, a reação emocional imediata de Clapton e a criação da música neste turbilhão todo. Let it Be, assinada por Lennon-McCartney, mas cria inconteste de Paul, traz em sua versão folder o início rock and roll da banda mais famosa do mundo, passando pela beatlemania, as polêmicas e buscas do quarteto, o momento de inspiração/revelação de Paul,, a fuga de John para Yoko e a inexorável dissolução da banda depois de conflitos internos e desavenças. O painel ilustrado de Redemption Song vai mais longe ainda, ao resgatar o passado africano, a escravidão e luta do povo, a tradição rastafári vinda de lá, o início do reggae e dos Wailers, a carreira e o sucesso solo de Marley e até a referência ao seu dedo machucado em uma pelada no Brasil, mal curado, que acabou progredindo para um câncer e levando o compositor em 1981.  Uma bela campanha, que muito além do apelo comercial, faz uma grande homenagem à música.

11 de maio de 2011

Mais uma bela homenagem em animação do Google

Hoje na página inicial do Google, mais uma bem feita homenagem em animação à uma figura importante da história das artes. A personalidade em foco desta vez é a revolucionária dançarina americana Martha Grahan (117º aniversário), em animação realizada por Ryan Woodward, ilustrador especialista em storyboards.

Acompanhem o Doodle animado e sua pré-produção:
http://googlediscovery.com/2011/05/10/google-faz-doodle-animado-em-homenagem-a-martha-graham/

9 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras 2011 -(3)- Simona Talma

O cenário musical do Rio Grande do Norte anda fervilhando desde a década passada, e muito dessa alta temperatura tem a ver com grandes talentos autorais que em um determinado momento resolveram unir forças e mostrar suas criações. Na cidade de Natal, além do Policanto, evento em que um artista convidado canta o repertório de um artista homenageado, outro projeto crucial, o Retrovisor, pensado em 2005 e desenvolvido em 2008 por Valéria Oliveira, Luiz Gadelha, Khrystal, Ângela Castro e Simona Talma, não só uniu composições dessa turma, como conseguiu lançar a música potiguar para outras esferas. Todos fizeram música com todos. Se a mentora Valéria já era uma grande referência para o grupo, depois de brilhar como intérprete no Japão desde os anos 90 ( onde lançou quatro discos), além de Suíça e EUA , e cantar ao lado de ícones como Edu Lobo, Hugo Fattoruso, Mário Adnet e João Bosco, entre outros, foi depois de se voltar para seus conterrâneos que finalmente conseguiu mostrar com mais convicção sua porção autoral iniciada em 2005 - postura que manteve até hoje. Khrystal lançou um excelente disco em 2007, "Coisas de Preto" e com a música homônima e outras de sua autoria à  tiracolo, escancarou seus vários talentos: cantora, violonista, guitarrista, pandeirista, pesquisadora de ritmos, encantando Guinga, Aldir Blanc e Tárik de Sousa, que a trouxe ao Rio. Ângela Castro, nascida em Porto Velho, mas desde 2000 em Natal, invadiu festivais e eventos com sua banda Rosa de Pedra, que lançou disco homônimo no ano primeiro do Retrovisor e assim como Khrystal, tocou em especial da Globo . E Simona Talma, talvez a mais inquieta de todas, já partiu para o autoral logo no seu debut ( "A Moça mais Vagal que Há"), gravado em 2005 mas só lançado no benfasejo ano de 2008. Com ares carregados de blues, rock e jazz, a compositora deslavadamente emociona quem a ouve. E não para: além de banda infantil (Trem Fantasma) e programa de vídeo no youtube (Microondas), lançou no ano passado ao lado do onipresente Luiz Gadelha ( o responsável por fazê-la cantar) o disco "Matando o Amor". A moça é matadora mesmo.
Todas as citadas aqui merecem destaque nesta série "Compositoras", mas resolvi deixar a instigante Simona Talma representando todas elas. A magnífica Valéria Oliveira, já com duas décadas de carreira, merecerá um post à parte em breve; Khrystal já venceu festival ( com música sua e de Simona), ganhou prêmos importantes, mas meu feeling diz que ela ainda vai lançar um grande disco entre este ano e 2012 - prefiro aguardar até lá. Ângela Castro ainda é uma integrante de banda e eu preferi não dissociá-la dela - merecerão post próprio com certeza. Simona Talma, é com você:


#Projeto Incubadora: http://www.dosol.com.br/2011/02/11/projeto-incubadora-simona-talma-e-luiz-gadelha-em-estudio-processo-de-gravacao/ 
# Gargalo: http://www.youtube.com/watch?v=_YNXrwBRU9A&NR=1   
# Eu te peço um Verso: http://www.youtube.com/watch?v=u7P0BUTxYNg&feature=related
# Dito Blues: http://www.youtube.com/watch?v=0OOPRx-m_mY&feature=related
# Confio a um Blues: http://www.youtube.com/watch?v=wOzHOBLRRQ8&feature=related
# O Roqueiro e a Hippie: http://www.youtube.com/watch?v=MNOahP-elbE&feature=related

29 de abril de 2011

In-Edit Brasil 2011: documentários musicais para todos os gostos

Desde ontem rola em São Paulo o plural "In-Edit- 3º Festival Internacional do Documentário Musical", com mostras e exibições competitivas de filmes documentais sobre o amplo universo da música.

Na ala brasileira da mostra, a variedade chama atenção. Tem muito samba ( "Cartola - Música para os Olhos", "O Samba que Mora em Mim") mas também tropicalismo ( "Os Filhos de João"), baião ( "O Homem que Engarrafava Nuvens", sobre o parceiro de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira), pífanos no Nordeste ("O Mundo Encantado de Zabé da Loca"), rock nacional ( com filmes já conhecidos de Paralamas e Titãs), entre outros. No bloco internacional a pegada é mais roqueira: tem os ingleses clássicos do The Kinks (("Do It Again"), Sex Pistols ("Who Killed Nancy?") , o interessante perfil de um símbolo do rock pesado ("Lemmy"), e filmes consagrados das maiores bandas do Reino Unido, "Gimme Shelter" e "Get Yer Ya-Ya’s Out" (ambos dos Rollings Stones) e ''What''s Happening! The Beatles in USA'', de1964 (além de "LennonNY", sobre a vida de John Lennon em Nova York).
A terceira edição do festival também faz homenagens a três cineastas, que terão mostras especiais: o espanhol Carlos Saura ( que abrirá o festival com seu "Flamenco, Flamenco"-2010), o norte-americano Albert Maysles ( do já citado filme dos Beatles) e o brasileiro Andrucha Waddington (diretor de ''Paralamas Em Close Up: Uma Breve História Do Rock Brasileiro''-1998)
O festival, com mais de 70 produções ligadas ao universo musical, acontece em São Paulo (de 28/04 a 08/05) e no Rio de Janeiro (de 06/05 a 12/05). Em São Paulo, os locais, preços e os contatos são estes, logo abaixo do site oficial do evento:
http://in-edit-brasil.com/2011/ 
 
In-Edit Brasil – 3º Festival Internacional do Documentário Musical

28 de abril a 8 de maio

MIS
Avenida Europa, 158
Entrada Gratuita
Telefone: (11) 2117-4777
Mostra Panorama Brasileiro

Galeria Olido
Avenida São João, 473
Valor do ingresso: R$ 1 (inteira)
Telefone: (11) 3331-8399
Mostras Panorama Brasileiro e Panorama Mundial

Cinesesc
Rua Augusta, 2.075
Valor do ingresso: R$ 4 (inteira)
Mostra Panorama Mundial
Telefone: (11) 3087-0501

Cine Livraria Cultura - Sala 2
Av. Paulista, 2.073
Valor do Ingresso: R$ 10 (inteira)
Telefone: (11) 3285 3696
Mostra Panorama Mundial

Matilha Cultural
Rua Rego Freitas, 542
Entrada gratuita
Telefone: (11) 3256-2636
Mostras Panorama Brasileiro e Panorama Mundial

As atrações confirmadas para o Rock in Rio 2011

Confiram no link oficial abaixo, quais são as atrações confirmadas para o Rock in Rio 2011, que acontecerá em outubro no Brasil, depois das últimas edições no exterior.
http://www.rockinrio.com.br/lineup/

Compositoras Brasileiras 2011- (2) Roberta Campos

Essa mineira de Caetanópolis, radicada desde 2004 em Sampa, adentrou 2011 com tudo. Depois de gravar, produzir, arte-finalizar e lançar seu disco independente de estréia ( "Para Aquelas Perguntas Tortas" - 2008), que acabou conquistando a Rádio Nova FM com a faixa "Mundo Inteiro", e receber elogio sincero de um de seus ídolos (“É para gente como Leandro Tavares ou a Roberta Campos cantar, que eu componho” - Marcelo Camelo na revista Rolling Stone), Roberta Campos finalmente vem conquistando seus louros de batalha com a turnê de seu último CD "Varrendo a Lua" (2010- Deckdisc - também em vinil pela Polyson), que tem a providencial participação de Nando Reis na faixa "De Janeiro a Janeiro". Aos 33 anos (que a cara de menina não revela), e mais de 200 composições (!) com influências várias, de Beatles e Clube da Esquina a Legião Urbana e Damien Rice, Roberta chega merecidamente aos ávidos ouvidos que ainda não a conheciam Brasil afora.
http://www.myspace.com/robertacampos
http://www.youtube.com/watch?v=dnnk4ZJOGls
http://www.youtube.com/watch?v=QnyHDxYNZiw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=PE4xiVzaMwg&feature=watch_response
http://www.youtube.com/watch?v=HprOoyggqCM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=8nOEO7Hm7rg&feature=related

27 de abril de 2011

Quem é Quem: Compositoras Brasileiras 2011 - (1) Bruna Caram

Já faz um ano que eu postei aqui no blog uma seleção de 20 compositoras que estavam despontando neste século (http://almanaquedomalu.blogspot.com/2010/04/quem-e-quem-as-novas-compositoras.html  ) . A repercussão foi incrível e eu prometi que neste ano eu repetiria a dose. Se naquela ocasião, eu retirei as escolhidas de um bloquinho que eu carregava pra todo lado e que vinha recheado de nomes que vinham chamando minha atenção desde 2007, agora a tarefa está mais fácil. Nesta seleção atual incluí algumas compositoras que não entraram na lista anterior por falta de espaço e outras que durante este período de um ano caíram em meus ouvidos ou me foram sopradas. O intuito dessa serie é o mesmo: mostrar que este nosso Brasil, por mais que a TV aberta e a maioria das rádios insistam em esconder, ainda é um país repleto de talentos natos e originais, e principalmente, mantendo a tradição de grandes criadoras como Rita Lee, Joyce, Luli e Lucina, entre tantas outras, um celeiro de maravilhosas compositoras-intérpretes. A única diferença é que neste ano vou postar uma artista por vez, nos próximos dias. Deleitem-se...

1- Bruna Caram

Embora tenha iniciado carreira solo em um disco só com músicas de Otávio Toledo e parceiros letristas (Essa Menina - 2006), Bruna entrou de corpo, alma e voz ao projeto, o que lhe rendeu elogios rasgados e pelo menos uma música alçada a um  patamar cult ( Palavras do Coração - Otávio Toledo/ J.C. Costa Netto). Esse grande debut abriu clareiras e possibilitou à cantora um vôo mais solto no disco seguinte, "Feriado Pessoal", de 2009, com versões acaloradas de Guilherme Arantes, Lô Borges e Caetano Veloso, sublimes composições contemporâneas,  além da música que deu nome ao álbum, de sua autoria. Pelos seus antecedentes ( a avó foi cantora de rádio, o avô é violonista) e pelos passos firmes atuais ( recém formada em música pela UNESP), Bruna Caram tem tudo para continuar encantando como intérprete e oxalá, nos presenteando com novas composições.
http://www.brunacaram.com.br/
http://www.youtube.com/watch?v=CybFAalDP_w&feature=related  
http://www.youtube.com/watch?v=6ql_TGBTOvo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=JYGM4CGvimM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=xdZCPhjYtUg&feature=related

19 de abril de 2011

Ballet Stagium homenageia Adoniran Barbosa em São Caetano

O aclamado grupo de dança Ballet Stagium traz espetáculo na quarta-feira (20/04), no Teatro Santos Dumont em São Caetano, homenageando o centenário do compositor paulista Adoniran Barbosa. Utilizando o bom humor peculiar do homenageado e aproveitando a deixa para se aprofundar na cultura brasileira, o grupo fará uma apresentação leve e com foco principalmente nos jovens, que desconhecem a rica obra deste que foi um dos mais geniais cronistas urbanos do século passado.
Teatro Santos Dumont
Av. Goiás 1.111, Centro - São Caetano do Sul
Dia 20/04 ( Quarta-feira) às 20 horas
Valor: R$ 10,00
Classificação indicativa: 12 anos

Escher chega à São Paulo

A exposição " O Mundo Mágico de Escher" chega à São Paulo hoje, depois de passar por Rio e Brasília no ano passado. Grande oportunidade de apreciar a obra fantástica deste artista considerado o "mestre do ilusionismo". Vejam mais no Tripicalistas.
http://tripicalistas.blogspot.com/2011/04/o-mundo-magico-de-escher.html

18 de abril de 2011

A "maratona Beatles" da Virada Cultural

A Virada Cultural de São Paulo deste ano teve um público recorde de 4 milhões de pessoas e momentos inesquecíveis como o emocionante encerramento com Paulinho da Viola. Um dos palcos mais disputados foi o que homenageou os Beatles: uma das melhores bandas covers do quarteto de Liverpool, a Beatles 4ever permaneceu no palco por 18 horas, em uma maratona que rendeu a execução na íntegra de 15 álbuns da banda inglesa ( um duplo e duas coletâneas), perfazendo mais de 220 músicas. O Beatles 4ever já andou fazendo maratona semelhante. No dia 08 de setembro de 2007, a banda tocou os 15 álbuns da discografia original dos Beatles em evento no teatro do Hotel Crowne Plaza, com início às 10:00h da manhã e término às 02:00h da manhã do dia seguinte (16 horas de show).
Eles já estão no Guiness, mas isso não desfez o espírito maratonista da banda, que continua com seus projetos incansáveis.

Os discos e os horários ( aproximados) da maratona:
18h - Please, Please Me - 1963

19h - With the Beatles- 1963
21h - A Hard Days Night - 1964
22h30 - Beatles For Sale - 1964
0h - Help! - 1965
1h30 - Rubber Soul - 1965
3h - Revolver - 1966
4h30 - Sgt. Pepper’S Lonely Hearts Club Band - 1967
6h - MagicalMistery Tour - 1967
7h30 - Yellow Submarine - 1967
9h - White Album Vol. 1 - 1968
10h30 - White Album Vol. 2 - 1968
12h - Let It Be - 1969
13h30 - Abbey Road - 1970
15h - Past Masters Vol.1 - 1988
16h30 - Past Masters Vol.2 - 1988

15 de abril de 2011

Google homenageia Chaplin com vídeo-paródia

O genial Charles Chaplin, completa 122 anos de nascimento amanhã (16), mas o Google disponibilizou hoje para alguns países, um Doodle especial de aniversário que parodia os filmes do cineasta/ator/produtor/músico em cenas hilárias e claro, mudas.
Curtam:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=3NGSU2PM9dA

10 de abril de 2011

Lula Côrtes: vida e obra de um multiartista

O raríssimo "Paêbiru"
No dia 26/03 faleceu Lula Côrtes, uma lenda das artes, pioneiro na psicodelia e na fusão rock/ritmos nordestinos. Em três momentos cruciais da história cultural nordestina dos anos 70 lá estava ele: em 1972, ao gravar com Laílson ( hoje artista do traço) o cultuado LP "Satwa", pela gravadora Rozemblit; ao produzir e criar a arte da capa do incensado "No Sub Reino dos Metazoários" de Marconi Notaro, de 1973; e ao finalizar um ano depois, junto à Zé Ramalho o viajante álbum duplo "Paêbiru- O Caminho da Montanha do Sol", um dos discos mais raros do Brasil por um fato insólito: após enchente do Rio Capibaribe que inundou as instalações da gravadora pernambucaca Rozemblit, poucas cópias do LP foram salvas, e hoje são vendidas a preços estratosféricos ( média de R$ 2000,00).

Arte de capa de Lula Côrtes para o disco de Marconi Notaro (1973)
Todas as três obras acima são pedras fundamentais do movimento psicodélico brasileiro e tiveram parca distribuição e participação contínua de um grupo blindado do underground nordestino que modificou o modo de se fazer música no Nordeste, contando além de Zé e Lula, com Geraldo Azevedo, Alceu Valença,  Robertinho do Recife, Ivinho, Zé da Flauta, Paulo Raphael, entre outros. Não por coincidência, os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music quando lançados em 2008 por uma gravadora independente americana, Time-Lag Records. No Brasil (oh, que novidade), necas, never, jamais foram lançados em CD. Aliás, um dos grandes desejos de Lula Côrtes era justamente o lançamento digital de Paêbiru.
Zé Ramalho, Alceu Valença e Lula Côrtes, no Festival Abertura ( 1975)
Passado esse período fértil da metade dos anos 70, Côrtes prosseguiu em suas andanças artísticas, unindo sempre música, pesquisa, artes plásticas e poesia. Depois de participar ao lado de Alceu Valença e Zé Ramalho do Festival Abertura de 1975,  concluiu nos anos seguintes as gravações de "O Gosto Novo da Vida", "Rosa de Sangue", "A Mística do Dinheiro", "O Pirata" (nenhum destes discos foram lançados comercialmente), "Nordeste, Repente e Canção" ( Gravadora Marcus Pereira) e "Lula Cortes & Má Companhia" ( só este último com distribuição em CD). Nos anos 90, chegou a frequentar a geração manguebeat, e voltou a fazer shows e a gravar -  formou bandas de blues, como a Bluebróders, e participou do CD "A Turma do Beco do Barato", que reuniu vários músicos que fizeram a cena underground do Recife nos anos 70.
Na literatura, iniciada ainda em 1972 com " O Livro das Transformações" contribuiu com diversos lançamentos de prosa e poesia, seja em edições artesanais ou audio-books; nos últimos anos, além do cargo de assessor de cultura na cidade de Jaboatão(PE), se lançou profundamente nas artes plásticas, culminando no ano passado com aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes e os aspectos históricos e ecológicos da cidade, material que se tornou parte da exposição "Fragmentos", com 35 aquarelas, aberta em setembro. o artista lutava contra o câncer há cinco anos, mas trabalhou até o fim, finalizando concertos musicais, pintando, tocando, cantando e recitando. Nada mais natural para um multiartista como Lula Côrtes.

"Paêbiru", com a capa aberta
Seguem alguns links pertinentes sobre Lula Côrtes:
# matéria ótima da Rolling Stone Brasil sobre o lendário disco Paêbiru:
http://www.rollingstone.com.br/edicoes/24/textos/agreste-psicodelico/
# Algumas músicas do Paêbiru:
http://www.youtube.com/watch?v=f97VehyBVEg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Rw-ewq7Qr2c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=I-P4SuYmdsw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=o2_q7ksZpQw&feature=related
# Lula Côrtes ( tocando tricórdio!!!) ao lado de Alceu Valença, Zé Ramalho e parte do grupo Ave Sangria ( veja ficha do vídeo) em vídeo produzido pela Globo para o Festival Abertura ( "Vou Danado pra Catende"- 1975):
http://www.youtube.com/watch?v=rnc84s-i3ew
#A música "Desengano", de sua autoria, hit da geração politizada nos anos 70 e 80 no Recife:
http://www.youtube.com/watch?v=DLFr6nXFhe0

1 de abril de 2011

Uma das mais hilárias histórias da turma da Mônica de volta às bancas

Quando comprei nesta semana a "Coleção Histórica Turma da Mônica nº 22"  e segurei na mão o Cebolinha fac-similar nº22, com o personagem-título às voltas com um disco-voador na capa, voltei à outubro de 1974, quando eu contava 7 anos completos e comprei este mesmo gibi na banca do meu bairro, perto do Rhodia ( atual Coop) graças aos trocados de minha incentivadora mãe. Conforme ia folheando a revistinha, todas as histórias, com seus detalhes, paisagens e nuances, brotavam com força de algum escaninho da minha memória. Então na página 30, eis que me aparece "Os Abobrinhas", uma das histórias mais hilárias da turma da Mônica e que eu considero uma das melhores de todos os tempos, ao lado de "Átila, o Engraxate", "Mônica é Daltônica?", entre outras. O roteiro de Márcio de Sousa pega carona nos Secos & Molhados, a grande febre da época, que tomou conta de todas as gerações, incluindo os pequeninos como eu. Além da maquiagem dos "Abobrinhas" ( Cebolinha e Cascão), há outras referências ao grupo de Ney Matogrosso e do movimento glam rock: o primeiro quadro já abre com Cebolinha ouvindo "O Vira" ( "O gato preto cruzou a estrada..."), sucesso estrondoso composto por João Ricardo ( dos Secos) e Luli ( de Luli e Lucina - na época Luli e Lucinha); e seis páginas depois o Cascão cita artistas ligados ao glam: os próprios Secos e Molhados, Alice Cooper ( um pioneiro), David Bowie ( grafado no balão como Davy Bowie) e Edy Star ( brasileiro pioneiro em maquiagem, gravou pirado disco coletivo com Raul Seixas, Sergio Sampaio e Miriam Batucada, em 1971). É uma historinha típica da época, inocente e cheia de "gags", mas pela referência e reverência pop tornou-se clássica e histórica. Para aquele menino de 1974, inesquecivelmente emocionante também.

* Nas bancas: Coleção Histórica Turma da Mônica volume 22 - março de 2011 ( inclui Mônica nº 22 - fevereiro de 1972; Cebolinha nº 22 - outubro de 1974; Cascão nº 22 - junho de 1983; Chico Bento nº 22 - junho de 1983 e Magali nº22 - janeiro de 1995) - preço R$14,95.

31 de março de 2011

Zé Ramalho (1978): estréia avassaladora

Patrick Moraz, ex-Yes. Sérgio Dias, ex-Mutantes. Bezerra da Silva, antes do sucesso uma década depois, requisitado percussionista e especialista em instrumentos do samba; Chico Batera, baterista lendário, tocou com meio mundo do Beco das Garrafas, com Elis, Chico Buarque e quase todo mundo da MPB. Arnaldo Brandão, ex- A Bolha, ex-banda de Caetano Veloso, grande homem das cordas no rock e na MPB. Paulo Moura, um dos melhores saxofonistas e clarinetistas do Brasil, falecido recentemente; Altamiro Carrilho, um dos melhores flautistas do Brasil. Mas espera aí... o que esses grandes músicos tão díspares estão fazendo lado a lado aqui? bom, todos eles tocaram no fantástico disco de estréia de Zé Ramalho, de 1978 (CBS), o mesmo que está nas bancas nesta semana, fechando a (boa) coleção do Estadão "Grande Discoteca Brasileira - 25 Discos que Fizeram História". Por vários motivos, este é um dos meus discos preferidos de sempre: pelo seu grau de emoção, pelas letras poéticas/proféticas/epopéicas, pela mistura regional e roqueira, pela melhor fase da voz de Zé Ramalho e claro, por todos essas participações acima, mais os amigos Elba Ramalho, Lizzie Bravo, Kátia de França, Geraldinho Azevedo, Chico Julien, Lula Côrtes, etc. Um discaço daqueles que abalam na primeira ouvida. Nesta nova dentição, o disco aparece com os mesmos 4 bônus lançados por Marcelo Fróes no CD de 2003, com versões acústicas de "Avohai", "Chão de Giz", "Bicho de 7 Cabeças" e "Vila do Sossego" + uma inédita, "Rato do Porto". A coleção do Estadão fecha com chave de ouro sua série, e embora tenha cometido alguns erros infantis, como não incluir nas fichas técnicas os músicos participantes ( tudo bem que alguns são impenetráveis, mas esse Zé Ramalho por exemplo, tem ficha original completa) e em alguns casos pular a discoteca básica do homenageado ( como neste Zé Ramalho, que trouxe toda a produção detalhada do artista, com ficha e tudo mais, mas pulou o 5º disco, "Orquídea Negra", considerado um dos grandes em sua fonografia). Nada que ofusque essa grande iniciativa, que trouxe de volta, a preços módicos, obras clássicas e memoráveis como Clube da Esquina , Tropicália, Acabou Chorare, Fruto Proibido, A Tábua de Esmeralda, Caça à Raposa, entre outros, além de textos adicionais condizentes nos livretos. Valeu.

29 de março de 2011

Disco inédito de Bowie cai na rede

David Bowie gravou diversas canções entre 2000 e 2001 nos estúdios da Virgin, enpolgado que estava com sua turnê na época, que incluía músicas de início de carreira;  As regravações destas + três canções novas com o mesmo clima acabaram virando disco, que ganhou até capa na ocasião, mas por problemas com os copyrights das músicas antigas, foi abandonado pela gravadora e acabou abortado (essa foi a versão que ventilou na época). Pelo menos até a semana passada, quando o disco em questão, “Toy”, caiu na internet pelas mãos de um fã que se revoltou ao se deparar com versões caríssimas em sites de venda e resolveu disponibilizar as faixas em versão virtual de alta qualidade e de graça.
Depois que Bowie largou a Virgin em 2001 e montou sua própria gravadora, "Toy" continuou na geladeira, mas algumas de suas gravações apareceram como lados B de singles do disco "Heathen" de 2002 e alguns anos depois chegou a ser ouvido na íntegra por poucos privilegiados.
O compositor inglês não lança nada desde 2003, quando saiu seu último disco de estúdio, "Reality". No ano seguinte se submeteu a uma intervenção no coração e desde então, salvo aparições em shows de amigos, se encontra numa espécie de retiro musical.
A versão que está circulando na web e vem rendendo elogios efusivos tem o seguinte repertório:

# "Uncle Floyd" - nomeada como "Slip Away" no disco “Heathen”, aparece aqui numa versão ligeiramente modificada.
# "Afraid" - outra canção inédita, que apareceu remixada no disco “Heathen”, também um pouco diferente aqui.
# "Baby Loves That Way" – regravação de uma canção dos primórdios, chegou a ser lado B de singles do disco “Heathen”.
#"I Dig Everything" - regravação
# "Conversation Piece" – regravação; saiu como bonus de uma edição limitada do disco “Heathen”.
# "Let Me Sleep Beside You" – regravação do original de 1970
# "Toy - canção inédita, depois intitulada "Your Turn to Drive", chegou a ficar disponível como faixa exclusiva no iTunes.
#"Hole In The Ground" - regravação de uma demo de 1970
#"Shadow Man" – outra regravação de uma demo de 1971; apareceu como lado B em singles
#"In The Heat of the Morning" – regravação do original de 1970
#"You've Got a Habit Of Leaving" – regravação da original de 1965, também virou lado B
#"Silly Boy Blue" - regravação da original de 1968
# “Liza Jane" - regravação do original de 1964, primeiro single da carreira de Bowie, ainda como David Jones
#"The London Boys - regravação do original de 1966
O disco, na íntegra, aqui, no Blog do Maia:
http://blogdomaia.blog.uol.com.br/arch2011-03-27_2011-04-02.html

24 de março de 2011

18 de março de 2011

A ressurreição de Leon Russell

Divulgação
O mundo do rock dá mesmo voltas. Elton John , que tremeu na base quando viu seu herói Leon Russell na platéia do seu show em 1970 no Troubadour em Los Angeles - ano-chave de sua carreira, quando estourou da noite pro dia - e em pouco tempo o teve ao seu lado em turnê, jamais imaginaria que 40 anos depois, tiraria do ostracismo o mesmo Russell, ídolo seu desde sempre.
Leon é uma lenda e não é pra menos. Nascido em 1942, aos 14, já tocava na noite. Antes dos 18, formou o grupo Starlighters que acompanhou Jerry Lee Lewis no auge. Em pouco tempo virou músico de estúdio requisitado e ao lado dos Wrecking Crew tocou com quase todo mundo que valia a pena nos anos 60- incluindo gravações de Phil Spector e até o boss Frank Sinatra. No ano do verão do amor, 1967, construiu um estúdio caseiro e lançou dois aclamados discos com Marc Brenno. Então veio 1969 e o músico extrapolou: co-produziu e arranjou o segundo disco de Joe Cocker - onde tocou piano, órgão e guitarra e ainda lhe deu um single: "Delta Lady"; E antes do ano acabar, gravou e fez parte do Delaney and Bonnie & Friends, um dos grandes momentos combos de Eric Clapton. No ano seguinte, liderou a clássica Mad Dogs & Englishs, com 3 percussionistas e 10 membros no côro, que se consagrou ao lado de Joe Cocker com disco duplo ao vivo e se tornou seu passaporte para a participação em 1971 no famoso Concerto para Bangladesh de George Harrison. Participação aliás considerada das melhores - a sua dobradinha Junking Jack Flash/ Youngblood foi unânime. Dois discos solos consagradores depois e um matador ao vivo triplo fecham essa fase rockstar e logo o compositor resolve dar uma guinada, criando em 1973 um alter ego country, Hank Wilson ( que voltaria em dois discos mais recentes). Nessa nova aura country, grava e viaja com Willie Nelson várias vezes atá o fim da década. Nos anos 80 e 90, excursiona muito. Faz shows com outra lenda, Edgar Winter ( imaginem o "mar de barba branca" no palco) e recebe um Grammy especial em 2001.

Crédito: Don Nix
Corte para dezembro de 2008. Elton John está ao vivo no programa Spectacle de Elvis Costello e no meio do papo, discorre longamente sobre Leon, que não tinha contato há 38 anos e só sabia de sua presença quando via cartazes de shows em teatros baratos. Foi o estopim para que um mês depois Elton resolvesse tocar com seu mestre e a coisa desencadeasse no já clássico álbum "The Union" (2010), com o eterno letrista Bernie Taupin e convidados especiais perfazendo um  disco coberto de emoção e agradecimentos. Leon Russel, 68, ressurgiu das cinzas graças ao empurrão do fã Elton John, 63. Dois sexagenários em busca do oxigênio puro que corria nas artérias abertas da inesquecível década de 70. "The Union" chega perto.
Ouça o disco todo aqui: http://www.radio.uol.com.br/#/volume/elton-john-&-leon-russell/the-union/21111
e veja/ouça mais um pouco aqui: http://www.youtube.com/watch?v=N-sSSPj0p74&feature=related
                                                 

16 de março de 2011

"Mulheres" by Mastrotti

Conhecido na região do ABC como caricaturista, cartunista, quadrinista, professor e editorialista, Mario Dimov Mastrotti, em busca de ampliar ainda mais seus horizontes artísticos, traz para o Espaço Cultural Ibérica trabalhos inusitados em giz pastel sobre envelopes. Aproveitando as comemorações do mês internacional da mulher, o artista surpreende com desenhos originais de mulheres imaginárias em retratos de amplas influências. A exposição tem a produção do “Cultura Independente” e será aberta para o público, gratuitamente, no dia 19 de março, a partir das 16 horas.

"Mulheres - Pastel no Envelope"
De Mario Dimov Mastrotti
Espaço Cultural Ibérica
Rua Taipas, 645
São Caetano do Sul – SP
Tel: 42276333

11 de março de 2011

Disney para fãs e fanáticos

Há um bom tempo estou para postar sobre os "Esquilos", verdadeiros colecionadores/arqueólogos do universo Disney. E hoje, aproveitando a dica do Léo sobre o "SuperScans", encontrei a página "Quadradinho Patópolis". O primeiro surgiu de um clube seleto e restrito de colecionadores e embora continue bem fechado, vem disponibilizando em sua página verdadeiros tesouros da história da HQ Disney no Brasil - incluindo perfis de mestres, curiosidades editoriais e capas e histórias raras - tanto no "esquiloscans" como no "blog dos esquilos". O outro blog conheci hoje e disponibiliza qualquer gibi Disney que cai nas mãos da equipe - tem desde Pato Donald da década de 50 e primeiros números do Tio Patinhas, até edições mais recentes.
Duas surpresas agradabilíssimas para os disneyólogos e disneyólatras de plantão.... de quebra incluí link para o simpático blog do Ludy, "Universo Disney", o essencial "Edição Extra", com notícias do mundo Disney e o inacreditável "Vila Xurupita", com todas as capas de Mickey, O Pato Donald, Zé Carioca, etc etc....
http://www.esquiloscans.com.br/ 
http://blogdosesquilos.blogspot.com/
http://quadradinhospatopolis.blogspot.com/  
http://ludy-quadrinhosdisney.blogspot.com/

3 de março de 2011

Um projeto imprescindível: "J.Carlos em Revista"

O projeto "J.Carlos em Revista" já existe há uns bons três anos, mas é sempre louvável colocá-lo em foco e se possível, apresentá-lo ao maior número de interessados possível. A iniciativa é fantástica: sob a batuta do incansável caricaturista/editor Cassio Loredano, que vem fazendo um brilhante resgate da obra do genial artista gráfico desde 1995, com cinco publicações lançadas e uma em vias de publicação, e a coordenação da fotógrafa e designer gráfica Julieta Sobral, "J. Carlos em Revista" simplesmente tem digitalizado e disponibilizado em alta resolução para consulta gratuita, todo o acervo das revistas "O Malho" e "Para Todos", na gestão de J. Carlos durante nove anos entre as décadas de 1920 e 1930. Eu, que sou suspeitíssimo e adoro um cheiro de papel velho, achei bem agradável o método usado para folhear as revistas arrastando-se o mouse. Outro detalhe incomum é que qualquer página de leitura na tela também pode ser impressa e há pesquisa por palavra-chave.


Para ter acesso ao material, basta se cadastrar ou acessar como visitante os sites linkados abaixo ( a página da Memória Gráfica Brasileira inclui o mesmo projeto, além de história e novidades ligadas ao designer gráfico). Sob o patrocínio da Petrobras Cultural, o projeto rendeu além do site, dois livros: "O Vidente Míope", de autoria do historiador Luiz Antônio Simas e "O Desenhista Invisível, da professora Julieta Sobral".



O cartunista, ilustrador e designer gráfico José Carlos de Brito e Cunha (1884-1950) , mais conhecido como J. Carlos, trabalhou durante anos nas revistas “O Malho” e “Para Todos”, onde assumiu por um tempo o cargo de editor - não por coincidência, as fases mais vistosas e dinâmicas das duas publicações. O genial artista, influente na arte gráfica brasileira até hoje, produziu mais de 100.000 ilustrações e criou personagens ícones, como a famosa “Melindrosa”, xodó dos anos 20 e a personagem Lamparina para os quadrinhos d'O Tico Tico. Além das famosas charges políticas, foi o primeiro brasileiro a desenhar Mickey e chegou a colaborar na cenografia de Alô, Alô, Carnaval , depois de ser cooptado por Walt Disney em pessoa, maravilhado pelo traço único e seus papagaios marotos ( que iriam influenciar na criação de Zé Carioca).

J.Carlos em seu estúdio, por volta de 1920.
http://www.jotacarlos.org/ 
http://www.memoriagraficabrasileira.org/

2 de março de 2011

Capa do Mês (atrasada): LP "Freewhellin' Bob Dylan" - 1963 ( em homenagem à Suze Rotolo)

Em fevereiro não tive tempo de escolher a "capa do mês", mas há "manaus" que vem para "belem". Li hoje no "Stycer" sobre a morte da artista Suze Rotolo, falecida aos 67 anos no dia 25/02 ( e só anunciada três dias depois). Além de acompanhar o jovem Bob Dylan nesta capa emblemática e ser sua namorada por três anos (1961-1964), influenciou imensamente seu despertar artístico. Criada em uma família politizada e de esquerda e com formação cultural considerável para sua pouca idade ( começou a namorá-lo com 17), Suze apresentou o bardo à poesia de Blake e Rimbaud, Bertolt Brecht e à luta política. Em contrapartida, virou musa inspiradora de canções iniciais como "Don't Think Twice, It's All Right", "Boots of Spanish Leather", “One Too Many Mornings” e "Tomorrow Is a Long Time". Na primeira, Dylan escreveu: "Uma vez amei uma mulher, uma criança, me disseram / Dei a ela meu coração, mas ela queria minha alma".

O disco em questão, de 1963, é o segundo de sua carreira, e foi tão catalisador, que catapultou Dylan ao estrelato, com clássicos instantâneos como “Blowin´in the Wind”, “A Hard Rain’s a-Gonna Fall” e a própria “Don’t Think Twice, It’s All Right”. Em 2003, esse mesmo disco foi incluido na lista da Rolling Stone no nº 97 dos 500 Melhores Álbuns de Todos Os Tempos. Logo Suze entraria na elipse sem volta do redemoinho chamado sucesso e perderia Dylan para sempre. Quatro anos depois desta foto, ela se casou e teve um filho. Seguiu como artista, designer de jóias e ao contrário de Dylan, nunca abandonou a militância política.

Feita no Greenwich Village, em Nova York, em fevereiro de 1963, há poucos metros de distância do apartamento onde o jovem casal morava, a famosa imagem foi produzida por Don Hunstein, na época fotógrafo da Columbia Records. Uma cena inocentemente libertária, prenúncio de uma década que mudaria tudo - não há homenagem melhor à Suze Rotolo, musa primeira de Mister Bob Dylan. 

1 de março de 2011

Gonçalo Júnior, finalmente, com blog próprio

Ninguém me contou e eu não li em nenhum lugar, mas cerca de 20 dias atrás me deparei com o blog criado pelo historiador-jornalista-pesquisador-arqueólogo dos quadrinhos Gonçalo Júnior ( já desde o final de 2010). No início do ano passado tive um curso muito interessante ministrado por ele na Casa das Rosas, onde pude acompanhar com detalhes e documentos toda a "guerra" travada pelos titãs Adolfo Aizen ( EBAL) e Roberto Marinho (RGE), guerra essa cercada pela imprensa, igreja, políticos e sociedade em geral, da década de 30 até a ditadura, esmiuçada com perfeição em seu livro "A Guerra dos Gibis- A Formação do Mercado Editorial Brasileiro e a Censura aos Quadrinhos, 1933-64 " ( Cia das Letras - 2004). No mesmo curso, além de adiantar pra gente com exclusividade, grande parte do conteúdo que sairia em seu livro sequencial, "A Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo – Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar – 1964/1985" (Peixe Grande - 2010), Gonçalo relatou com entusiasmo sua incrível descoberta "arqueológica" recente, quando ao entrar em contato com um colecionador, acabou encontrando um tesouro incalculável em um casarão cheio de esconderijos e porões secretos. Agora, no seu blog, pude acompanhar com mais detalhes ainda, esta incrível aventura, digna de uma clássica história em quadrinhos, desde o seu início. Sigam lá:
http://goncalo.junior.blog.uol.com.br/

Baú do Malu 33 - Aventuras do Anjo - RGE (1960-1962)

Edição nº 15 - Julho de 1960
Edição nº 16 - Agosto de 1960
Edição nº 17 - Setembro de 1960

Edição nº 10 - Fevereiro de 1960
Edição nº 34 - Fevereiro de 1962 ( a RGE, neste ano "resolveu" não datar mais as edições)
Esses cinco exemplares de "Aventuras do Anjo" acima são dos itens que mais estimo em minha coleção de HQs. Essa devoção tem motivos fortes: os desenhos primorosos do mestre Flavio Colin ( numa fase inicial influenciada por Milton Caniff) certamente são um deles; o excelente estado das edições, outro. O Anjo foi o primeiro personagem "fixo" da carreira do genial Flávio Colin (1930-2002), que permaneceu como artista exclusivo da revista mensal por 43 meses, ou quase quatro anos ( a publicação durou cinco anos exatos). "Jerônimo, o Herói do Sertão" e as "Aventuras do Anjo" foram duas radionovelas que marcaram época e acabaram extrapolando a mídia rádio, transformando-se em filmes, seriados e gibis ( Jerônimo, na mesma RGE de Roberto Marinho, iniciou-se em julho de 1957 e durou seis anos no traço de Edmundo Rodrigues).
Depois deste explêndido começo, Colin seguiu sua saga heróica dentro dos quadrinhos e acabou se transformando num dos maiores artistas brasileiros da nona arte. Seu desenho com o passar das décadas, adquiriu contornos próprios e uma inimitável sintetização dos traços, passando por todos os gêneros possíveis, principalmente de temática brasileira. Fez terror à beça, folclore e dedicou a vida aos quadrinhos - se por um lado tornou-o um mestre, em termos financeiros foi um desastre. Ah, se Colin tivesse nascido na Europa! ( e olha que mesmo aqui, chegou a lançar álbuns para o velho continente).

Interna da edição nº 34: chiaro-escuro típico de Colin
Para fechar, só um detalhe a respeito das cinco edições: comprei-as há mais de 10 anos numa banca especializada, chamada "As Mil e Uma Leituras", na ponta da Praça da República próxima ao teatro. Essa banca saiu dali há pouco tempo ( por culpa do Kassab e sua "cidade limpa") e era um verdadeiro oásis para os apreciadores de relíquias. Suas coleções, impecáveis, ficavam estrategicamente escondidas atrás do balcão. Nada ali era barato, mas qualquer edição rara que você solicitasse - "Dick Tracy", "Bidu", "Globo Juvenil" - se não tinha, o dono ( esqueci o nome dele) conseguia depois. Não por coincidência, todos esses nomes citados estavam na ponta da língua quando consegui um dinheiro extra do orçamento para torrar em raridades. A outra opção era "Aventuras do Anjo". E não me arrependi.
Para saber mais sobre o mestre Flavio Colin, segue entrevista concedida ao Universo HQ um pouco antes de seu falecimento:
http://www.universohq.com/entrevistas/flavio-colin-uma-lenda-viva-dos-quadrinhos-e-brasileiro-com-orgulho/