31 de julho de 2011

O AcervoSorve 5 : As Aventuras de Sir Charles Mogadom & do Conde Euphrates de Açafrão (Editora Terceiro Nome - 2010)

Desde o ano passado eu estava de olho nesta autêntica e surreal obra saída da imaginação dos irmãos Matuck, e graças ao infalível faro de Paulicus Bianchi I, ei-la cá, devidamente incorporada ao acervo. Esse grande livro forjado por Artur, Carlos e Rubens Matuck, artistas premiadíssimos,  remonta à 1970 (!) quando o mais velho, Rubens, do alto de seus 11 anos, iniciou a onírica concepção do mundo paralelo de Mogadom & Euphrates, e prossegue interminente, durante quatro décadas, com as participações precisas de seus irmãos Artur e Carlos, em paralelo com as diversas atividades dos autores. O livro, com 160 páginas e formato de 26,5 x 36 cm, pode ser considerado "de arte", mas também " de quadrinhos": os desenhos são quase todos feitos com lápis de cor e as influências múltiplas vão desde anúncios antigos, estampas de Eucalol e embalagens de remédios à literatura e o próprio mundo dos quadrinhos ( que como os autores explicitam, "...livro que pode ser traduzido como uma grande homenagem ao gênero"). Entre os autores citados como referências, só ícones da HQ: Flavio Colin ( de "O Anjo"), Angelo Agostini ( ítalo-brasileiro pioneiro dos quadrinhos mundiais), Georges Remi (o nome real de Hergé, criador de Tintim), Carl Barks ( o homem dos "patos" da Disney), Hal Foster ( de "O Principe Valente" e "Tarzan"), Winsor McCay ( autor do moderno e incomparável "Little Nemo in Slumberland", de 1905, talvez a maior influência para esta obra) , Ub Iwerks, Floyd Gottfredson ( os dois são artistas pioneiros da Disney) e Ziraldo ( de "Pererê" e "Menino Maluquinho"). Como são muitas informações e detalhes, o jornalista e crítico de arte Oscar D'Ambrosio introduz o leitor às histórias, comentando o processo criativo dos autores e as obras que inspiraram a produção, além de entrevistas fictícias com personagens.
Dentro desse surreal mundo paralelo, cabe até a participação, em dois capítulos, de um grande inventor do nosso mundo, Alberto Santos-Dumont. Lançada no final de 2010, os críticos não entenderam bem a proposta, justamente por ser uma obra sem limite de gênero, sem enredo linear, que mescla técnicas e formatos, bem de acordo com os dois focos principais: o sonho e o universo paralelo infantil. Entender criticamente essa explêndida sequência de quadros oníricos e surreais realmente é perder tempo. Torna-se inútil, como tentar "explicar" poesia. Feliz de quem segue viagem, sem o ranço e a seriedade dos "especialistas", ao sabor do vento e das sensações criadas pelas paisagens magníficas do universo matuckiano.

26 de julho de 2011

Anima Mundi 2011

A 19ª edição do Festival Anima Mundi, o maior festival de animação da América Latina, já tem divulgado os vencedores de sua etapa Rio de Janeiro, encerrada no dia 24. Amanhã o evento aporta em São Paulo e segue até o final do mês. Dos quase 80 países que se inscreveram com mais de 1300 longas e curtas - novo recorde do festival - foram selecionados pelo júri oficial 421 filmes de 44 países ques serão exibidos nas mostras principais. Além das oficinas, workshops e debates de praxe, o festival traz para esta edição 2011 a presença de grandes profissionais da indústria da animação, como o americano David Daniels, responsável por clipes famosos ( como "Big Time" de Peter Gabriel), Shinichiro Watanabe, diretor japonês de seriados cults ( como "Cowboy Bebop", que será exibido) e o diretor de arte Thomas Cardone, do longa "Rio". Essa nova maratona animada promete.  

FESTIVAL INTERNACIONAL DE ANIMAÇÃO DO BRASIL
de 27 a 31 de julho de 2011
Local: Memorial da América Latina / Centro Cultural BB / Espaço Unibanco Augusta / Cine Livraria Cultura

Fundação Memorial da América Latina

Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664 – Barra Funda
Ingresso: R$ 8,00, inteira; R$ 4,00, meia-entrada
Horário de funcionamento: diariamente, das 11h às 24h
Vendas por dia, a partir da abertura da bilheteria
(11) 3823 4600

Local: Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP)
Endereço: Rua Álvares Penteado, 112 – Centro
Ingresso: R$ 8,00, inteira; R$ 4,00, meia-entrada
Horário de funcionamento: diariamente, das 10h às 20h
Vendas antecipadas para todos os dias
(11) 3113 3651 / 3113 3652

Local: Espaço Unibanco de Cinema
Endereço: Rua Augusta, 1.475 – Cerqueira César
Horário de funcionamento: 14h às 23h
Ingresso: R$ 8,00, inteira; R$ 4,00, meia-entrada
Vendas antecipadas para todos os dias
(11) 3288 6780

Local: Cine Livraria Cultura
Endereço: Rua Padre João Manoel, 100 – loja 1 – Cerqueira César
Horário de funcionamento: 14h às 23h
Ingresso: R$ 8,00, inteira; R$ 4,00, meia-entrada
Vendas antecipadas para todos os dias
(11) 3285 3696

Programação em São Paulo:
http://www.animamundi.com.br/pt/festival/programacao/grade-de-sessoes-sao-paulo:584.html
Premiados no Rio:
http://www.animamundi.com.br/pt/festival/premiacao/premiados:617.html
Assista os finalistas deste ano e das outras edições:
http://www.animamundi.com.br/pt/web-cel/
O blog do festival com as últimas:
http://festivalanimamundi.blogspot.com/

23 de julho de 2011

Amy Winehouse (1983 - 2011)

Amy Winehouse, como todo mundo já sabe neste início de noite de 23/07/2011, foi encontrada morta em seu apartamento no primeiro período do dia. A cantora/compositora britânica tinha 27 anos e enfileira-se ao lado de outros artistas que tiveram a vida interrompida com esta mesma idade: Janis Joplin, Jim Morrison, Jimi Hendrix, Brian Jones e Kurt Cobain, pra citar os mais conhecidos. Há muito tempo Amy vinha mantendo-se na corda bamba ( sem rede alguma embaixo para ampará-la): as gravações frustradas para o disco novo que nunca saiu, as recaídas químicas, os shows decepcionantes e constrangedores, a incapacidade de cantar, compor e tocar a carreira em frente. Mas não quero aqui analisar os porques de mais esta morte prematura no showbiz. Prefiro relembrar as grandes músicas de seus dois únicos discos ( Frank, de 2003 e Back to Black de 2006), músicas vindas de uma frágil e junk branquela britânica, que ao lado de Joss Stone, Nicole Willis e Sharon Jones, revitalizaram a música black na última década, vitaminando o "neo soul" para uma nova geração de músicos e apreciadores da "música com alma".
Tears Dry On Their Own : http://www.youtube.com/watch?v=ojdbDYahiCQ&feature=related
Back to Black: http://www.youtube.com/watch?v=TJAfLE39ZZ8&feature=relmfu 
You Know I'm No Good: http://www.youtube.com/watch?v=b-I2s5zRbHg&feature=relmfu
Rehab: http://www.youtube.com/watch?v=KUmZp8pR1uc&feature=fvwrel
Stronger Than Me: http://www.youtube.com/watch?v=7CYE0DYIbaw&feature=relmfu
You Sent me Flying: http://www.youtube.com/watch?v=bjNLCbIMzZs&playnext=1&list=PL9234D26DE40487E4
Wake up Alone: http://www.youtube.com/watch?v=sZo8gUCt2hM&feature=related

20 de julho de 2011

Dumbfoundead – Jam Session 2.0

Dia de escarafunchar vídeos legais na web. Além do postado há pouco no blog-irmão Tripicalistas ( http://tripicalistas.blogspot.com/2011/07/cold-mailmantime-is-of-essence.html ) , pesquei outro muito interessante, e que embora seja de um ano e meio atrás, merece toda a atenção, pelo modo sui generis e inusitado do projeto, criado por Cain Mosni, envolvendo músicos de várias partes do globo em uma jam session virtual denominada "Jam Session 2.0". Além de um MC cantando em português (com sotaque) e castelhano ( a letra também cita o Brasil), chama a atenção o afinado vocal feminino permeando a poesia falada de Brian ( o próprio Cain Mosni). Mui bueno.
http://www.youtube.com/watch?v=1oU0I8APK-o

( com letra e ficha) http://letras.terra.com.br/dumbfoundead/1683862/

Cândido Portinari no MAM

"O Mestiço", obra célebre de Portinari produzida em 1934
Exposição imperdível essa no MAM que resgata a arte de Cândido Portinari desde o seu início. A mostra,
inaugurada na quinta, 14, traz  noventa pinturas e desenhos ( além de documentos e objetos pessoais) que formam um detalhado painel da evolução técnica do pintor modernista, de 1920 a 1945. Entre os blocos que tentam situar sua trajetória em fases distintas, destaque para os primeiros esboços ainda em Brodoski (SP), a época de estudante da Escola Nacional de Belas Artes, no Rio e o período da viagem para a Europa ( fins dos anos 20) onde travou contato com Picasso. Raridades, painéis gigantes e obras reverenciadas refazem caminhos inaugurais do artista, mas já demostram a grandiosidade de sua obra, latente desde sempre.

"No Ateliê de Portinari" - MAM (Avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, Parque do Ibirapuera). Tel. (011) 5085-1300. 10 h/18 h (fecha 2ª). R$ 5,50 (domingo - grátis). Abriu 14/07 e segue até 11/9.

15 de julho de 2011

Extrato MTV: as 7 maiores invenções dos Beatles

A minha molecada vive assistindo a MTV. Eu particularmente acho tudo meio chato - as músicas da moda são praticamente idênticas ( vide as várias imitadoras atuais de Madonna ou de Lady Gaga, esta também  uma Madonna reciclada, embora eu a respeite por toda a sua postura performática). Os programas informativos também pecam por insistir no "jornalismo de celebridades". Mas entre tantos pops repetitivos e notícias fúteis, há coisas bacanas no meio da programação, principalmente nos quesitos "humor" e "clássico". O programa relâmpago "Extrato", por exemplo, traz sempre listas bem interessantes e recheadas de detalhes biográficos. Em uma dessas edições mais recentes que eu consegui assistir, gostei muito do assunto ( "As 7 maiores invenções dos Beatles") e de como conseguiram costurá-lo com um texto enxuto mas bem pesquisado. Sigam abaixo o vídeo com a íntegra do programa no site da MTV:
http://mtv.uol.com.br/programas/extrato

13 de julho de 2011

Porque Hoje é Dia de Rock!

Mais um Dia Mundial do Rock. Dia de ouvir a Kiss FM ( http://www.kissfm.com.br/portal/ ), desencavar aquele LP de rock que você não escuta há anos ou tirar a poeira da guitarra encostada atrás do armário há séculos e conseguir resgatar na memória, quem sabe, aquele riff clássico que você aprendeu ainda na adolescência. Dia de procurar um bom show de rock na cidade, de preferência um bem escondido, talvez em um porão insuspeito. Dia de conversar sobre rock em um bar, melhor ainda se esse bar tiver uma jukebox original americana. E dia também de rever o excelente documentário que a TV Cultura apresentou dentro da maxi série "EsseTal de Rock and Roll" (no original: "Seven Ages of Rock", da BBC): "My Generation - O Nascimento do Rock".
Parte 1: http://www.youtube.com/watch?v=lvhpclR4OdA&feature=related
Parte 2: http://www.youtube.com/watch?v=f-MpdipphdA&feature=mfu_in_order&list=UL
Parte 3: http://www.youtube.com/watch?v=TVXQAltVon8&feature=mfu_in_order&list=UL

12 de julho de 2011

Itamar Assumpção grátis ( ele ia curtir essa idéia!), entre outros "iconoclássicos"

A série "Iconoclássicos" do Itaú Cultural é uma interessante mostra que exibirá gratuitamente até o final do ano, cinco documentários que se aprofundam em artistas com pontos comuns entre si, ou como o organizador do projeto Roberto Cruz, observa, "... artistas que têm em comum a verve iconoclasta e um olhar crítico e transformador de nossa brasilidade". Ícones, clássicos, iconoclastas, são eles: Itamar Assumpção ("Daquele Instante em Diante"), Paulo Leminski ( "Ex Isto"), Nelson Leirner ( "Assim
É, se lhe Parece"), Zé Celso ( "EVOÉ! Retrato de um Antropófago")  e Rogério Sganzerla ( "Mr Sganzerla - Os Signos da Luz"). O compositor, agitador e independente crônico Itamar Assumpção já abriu a série no dia 08/07 e seguirá até 04/08 na Cine Artplex Unibanco e em duas salas do Espaço Unibanco ( Augusta e Pompéia. Com depoimentos de familiares e amigos, entre eles, as filhas, a esposa, o parceiro Arrigo Barnabé e Suzana Salles, o diretor Rogério Velloso tenta mostrar as várias facetas do múltiplo músico - uma aventura trabalhosa mas ao mesmo tempo deliciosa ( sem contar o lado histórico, já que nunca Itamar foi mostrado tão à fundo) Estão prometendo um DVD pra breve e eu espero que não vire só promessa. Sigam abaixo o trailer do filme de Itamar e o roteiro da série até o final, com endereços e datas (para os horários é melhor ligar para o Itau Cultural). Além de São Paulo, a mostra acontece simultaneamente em outras cidades ( incluídas no final do roteiro) Só relembrando: é GRÁTIS. 
http://www.youtube.com/watch?v=BW29DJlXuHw

ICONOCLASSICOS


"Daquele Instante Em Diante"
Itamar Assumpção por Rogério Velloso (110 min, 2011)
Para convidados: 5 de julho de 2011, às 21h30, no Cine Arteplex Unibanco Frei Caneca, salas 4, 5 e 6
Em cartaz: De 8 de julho até 4 de agosto de 2011 (horário a definir)
Espaço Unibanco Pompéia, Espaço Unibanco Augusta e Arteplex Frei Caneca

"Ex Isto"
Paulo Leminski por Cao Guimarães - 86 min, 2010
Para convidados: 2 de agosto de 2011, às 21h30
Em cartaz: De 5 de agosto a 1º de setembro de 2011

"Assim É, Se Lhe Parece" - 75 min, 2011

Nelson Leirner por Carla Gallo
Para convidados: 30 de agosto de 2011, às 21h30
Em cartaz: De 2 até 29 de setembro de 2011

"EVOÉ! Retrato de um Antropófago" - 104 minutos, 2011

Zé Celso por Tadeu Jungle e Elaine Cesar
Para convidados: 1º de novembro de 2011, às 21h30
Em cartaz: De 4 de novembro até 1º de dezembro de 2011

"Mr Sganzerla - Os Signos da Luz"
Rogério Sganzerla por Joel Pizzini
Para convidados: 29 de novembro de 2011, às 21h30
Em cartaz: De 2 a 29 de dezembro de 2011

São Paulo

Cine Arteplex Unibanco
Rua Frei Caneca, 569 - Shopping Frei Caneca
Fones: 11. 3472-2359 / 3472-2000

Espaço Unibanco Pompeia
R. Turiaçu, 2.100 - Shopping Bourbon, 3º andar
São Paulo - SP
Fone: 11. 3673-3949

Espaço Unibanco Augusta
R. Augusta, 1.470 e 1.475
São Paulo - SP
Fones: 11. 3288-6780 e 3287-5590

Curitiba

Unibanco Arteplex Crystal
Shopping Crystal
Rua Comendador Araújo, 731 - Batel

Fortaleza

Espaço Unibanco Dragão do Mar
Rua Dragão do Mar, 81 - Centro

Porto Alegre

Unibanco Arteplex Bourbon
Shopping Bourbon Country
Av. Túlio de Rose, 80 - Passo da Areia

Rio de Janeiro

Unibanco Arteplex Botafogo
Praia de Botafogo, 316 - Botafogo

Salvador

Espaço Unibanco Glauber Rocha
Praça Castro Alves - Centro

Santos

Espaço Unibanco Miramar
Miramar Shopping Center
Av. Marechal Floriano Peixoto, 44 - Gonzaga

Itaú Cultural
Avenida Paulista, 149, Estação Brigadeiro do Metrô
Fones: 11. 2168-1776/1777
www.twitter.com/itaucultural
www.facebook.com/itaucultural/
www.youtube.com/itaucultural
www.flickr.com/itaucultural/

8 de julho de 2011

Billy Blanco (1924 - 2011)

Entre gênios: Adoniran Barbosa, Billy Blanco, Nelson Cavaquinho e Cartola
Hoje o samba ficou mais triste. E amanhã, provavelmente, muitas Teresas deixarão de ir à praia. Faleceu  Billy Blanco, o homem que ajudou a criar o samba moderno e o tingiu com muito humor e cotidiano. Billy é um ícone, parceiro de Tom Jobim, Baden Powell, Sebastião Tapajós, entre tantos. Fez a ponte entre o samba-canção e a bossa nova e deixou como legado 500 composições, muitas inéditas. Sigam no link abaixo vida e obra do mestre:
http://www.musicabrasileira.net/billyblanco/

30 de junho de 2011

O incompreendido e incomparável Nick Drake

Nick Drake morreu em 1974, aos 26 anos, incompreendido por crítica e público da época. Lançou em vida três discos emblemáticos para o folk e a música britânica, cada um com seu universo e particularidades únicas. O primeiro, Five Leaves Left, de 1969, trouxe um emocionante violão perpassado por orquestrações suaves e vocal sussurrante que viraria seu emblema. O segundo, Bryter Layter (1970),  dialoga com o jazz e o rock e é o que chega mais perto de uma formação "banda" ( graças as participações do guitarrista Robert Thompson, que já participara do primeiro, e seus comparsas do Fairport Convention, além de John Cale); o derradeiro, Pink Moon (1972) é o mais intimista e instrospectivo, mas não menos brilhante. Três discos imprescindíveis que não aconteceram. O magnífico e inusitado disco de estréia vendeu umas três mil cópias. Nick ficou chateado mas não se abateu com o fiasco e logo engatou o lançamento do segundo trabalho, demonstrando sua boa forma e até resquícios de humor entre suas explanações melancólicas de praxe. O resultado pífio nas vendas desta vez  bateu fundo e Nick nunca mais foi o mesmo. Se ele era monossilábico, ficou catatônico; se as drogas e as pílulas eram casuais, tornaram-se um preenchimento das horas; quando gravou as sessões caseiras do derradeiro Pink Moon, seu estado depressivo era tanto, que deixou a fita na mesa da secretária da gravadora Island sem conversar com ninguém. Logo depois voltou para a casa de sua família onde veio falecer dois anos depois. Neste ínterim, ainda tentou uma última sessão de gravação, mas seu estado lastimável só permitiu a conclusão de quatro canções ( lançadas postumamente). O terceiro disco também não vendeu nada, estarrecendo os amigos e músicos que sempre o viram, desde a escola de música, como um gênio criativo sem igual. Mas paralelamente a sua criação ímpar, havia uma timidez, um antimarketing e uma índole indomável que acabaram implodindo qualquer empurrão comercial em sua carreira. Por uma década, Nick Drake ficou fadado ao limbo, só lembrado por privilegiados conhecedores de sua obra. Até que os anos oitenta sopraram ventos em outra direção e fãs do mainstrean como Robert Smith (The Cure) e Peter Buck ( REM) começaram a incensá-lo e louvá-lo em entrevistas, e seu nome passou a figurar entre lendários e influentes de uma geração. Seus três discos de carreira, quem diria, passaram a frequentar listas de melhores discos de todos os tempos. Vários artistas da nova geração (e também Elton John, da velha guarda) regravaram clássicos de sua obra. Nick Drake finalmente e merecidamente, saía da sombra.
Em tempo: Renato Russo gravou Clothes of Sand de Drake em seu primeiro disco solo de 1994 ( todo em inglês). Já as nossas gravadoras - novidade - nunca lançaram os discos de Nick Drake em terra brasilis.

River man: http://www.youtube.com/watch?v=idcaRTg4-fM&feature=related
Way to Blue: http://www.youtube.com/watch?v=S40DdlD9JxI
Cello Song: http://www.youtube.com/watch?v=_1YsFgDaEeo
At the Chime off a City Clock: http://www.youtube.com/watch?v=Y4Va1xJUjC0
Poor Boy: http://www.youtube.com/watch?v=NdYJyp4EIbI
Northern Sky: http://www.youtube.com/watch?v=y11X5WljnFA&feature=related
Parasite (cover de Beck): http://www.youtube.com/watch?v=rUzGz3pBeFQ
Road/ Place To Be/  Which Will.(três faixas de Pink Moon): http://www.youtube.com/watch?v=ZT17fInnJ_I
Clothes of Sand ( com Renato Russo): http://www.youtube.com/watch?v=lN4WcXfxY_s
Day is Done: http://www.youtube.com/watch?v=Cyv4qB5Aft4&feature=related
Pink Moon: http://www.youtube.com/watch?v=aXnfhnCoOyo

22 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (9) - Bárbara Eugênia

Divulgação
Bárbara Eugênia é bárbara mesmo, e nada ingênua. Veste camiseta do Sonic Youth, canta o que quer ( e o que já viveu) e já é referência na nova cena paulistana. A sua música é moderna sem forçar a barra e tem um frescor espontâneo e despojado só dela. Mas quase, por pouco mesmo, não rolou nada disso. Carioca radicada em São Paulo desde 2006, vinda de uma separação dolorosa ( e qual separação não é dolorosa?) e de um quase início de carreira na MPB tradicional, Bárbara só aprumou seu rumo quando trombou em 2007 com o produtor Apollo 9 que lhe deu a chance de participar da trilha do cultuado filme "O Cheiro do Ralo". Em seguida, engatou uma parceria com Edgar Scandurra em projeto sobre Serge Gainsbourg. Já enturmada em Sampa, se aconchegou entre a turma que vem fazendo a novíssima cena musical brasileira, em parcerias certeiras com Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) e Cidadão Instigado. Suas dores e cores de amores, embalados em baladas pop e rocks lisérgicos, conquistaram muitos protagonistas, a ponto de seu disco de estréia, lançado no segundo semestre de 2010 ( "Journal de Bad", um dos melhores lançamentos do ano passado) ter participações atemporais - Otto, Edgard Scandurra, os citados Tatá Aeroplano e Cidadão Instigado, Tom Zé ( em uma vibrante participação em "Dor e Dor", pérola de sua lavra), Pupillo e Dengue (Nação Zumbi), Karina Buhr, entre outros. Bárbara Eugênia é das minhas - adora a música criada entre os anos 50 e 70 - e está aí pra injetar emoção nas modorrentas audições teleguiadas que se avizinham. Sem estardalhaço nenhum, mas com atitude e presença, em quintais até então abandonados.
http://www.barbaraeugenia.com/
http://www.youtube.com/watch?v=Lowic6flj_8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6pKAw_nYxWc
http://www.youtube.com/watch?v=82tI54LTXBA&feature=fvwrel
http://www.youtube.com/watch?v=I2h0Fdb5V64&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=7h_UW8_iWcA&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=-VyXUMfcKFc&feature=related

21 de junho de 2011

A música de Chico Buarque, de volta

Chico Buarque segurando o seu novo disco "Chico" ( Reprodução - Site Oficial)
Chico Buarque, depois de alguns anos mergulhado no mar da literatura, está de volta à música. Como sempre, trazendo poesia de primeira dentro de uma canção brasileiríssima. "Querido Diário" é a primeira música de trabalho do disco prestes a sair do forno. O áudio foi disponibilizado para os fãs que fizeram a pré-compra de seu novo CD "Chico" no site  http://www.chicobastidores.com.br/. Esse mesmo áudio acabou vazando e está rolando no Youtube (veja abaixo em matéria do UOL):
Áudio:  http://mais.uol.com.br/view/zwuxgmhe6kop/chico-buarque--querido-diario-04020C9A3966C8B91326?types=A&
Letra:
"Querido diário"

Hoje topei com alguns conhecidos meus
Me dão bom-dia [bom-dia], cheios de carinho;
dizem para eu ter muita luz
e ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho

Hoje a cidade acordou toda em contramão
Homens com raiva,
buzinas, sirenes, estardalhaço
De volta à casa, na rua
recolhi um cão
que, de hora em hora, me arranca um pedaço

Hoje pensei em ter religião
De alguma ovelha, talvez,
fazer sacrifício
Por uma estátua ter adoração
Amar uma mulher sem orifício

Hoje, afinal, conheci o amor
E era o amor, uma obscura trama
não bato nela, não bato
nem com uma flor
mas se ela chora, desejo-me em flama

"Querido diário"
Hoje o inimigo veio,
veio me espreitar
Armou tocaia lá
na curva do rio
Trouxe um porrete, um porrete a "mode" me quebrar
mas eu não quebro não, porque sou macio, viu?!

Saiu a lista do 23º Troféu HQMix

O HQ MIX, maior prêmio brasileiro dos quadrinhos, já tem a lista oficial dos indicados deste ano (link abaixo) e a imagem do troféu-escultura do Geraldão (acima), personagem de Glauco, falecido no ano passado e homenageado nesta 23ª edição. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 15 de setembro.
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/noticia/

15 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (8) - Camila Costa

Camila Costa é uma verdadeira pérola a se descobrir. Sua voz doce e seus arranjos primorosos remetem o ouvinte a várias paisagens, todas paradisíacas. As sensações podem ser as mesmas de uma suíte de Guinga & Aldir ou um flerte do "Círco Místico" de Chico & Edu. Violonista, cantora e compositora, fundou há mais de 10 anos, com Nilze Carvalho, o Sururu na Roda, com a proposta de preservar e resgatar o cancioneiro popular. Com o grupo, lançou três discos, participou de workshops sobre o samba em universidades americanas e se aprofundou intensamente em marchinhas clássicas e sambas dos primórdios, num belo trabalho de resgate cultural. Em 2005, consegue uma brecha na agenda do Sururu e grava o seu primeiro trabalho solo, "Reflexo", com dez composições próprias, mostrando um lado autoral passional e intenso. Um disco emocionante, mas inexplicavelmente desapercebido. Entre 2007 e 2009 faz apresentações elogiadas no exterior, ao lado do pianista Itamar Assière e também com o Sururu na Roda. No mesmo ano de 2009, seu projeto "Bendito é o Maldito entre as Mulheres" é aprovado e finalmente em 2011, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil (SP), com Camila ( que também dirigiu e roteirizou todo o projeto) ao lado de Jards Macalé e outras cantoras compositoras cantando a obra de outros homenageados ditos "malditos" (veja aqui, as participações deste projeto incrível: http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10165,1,0,1,1.bb?codigoEvento=3930 ). Essa realização de sucesso parece ter aberto uma grande janela na carreira da compositora, que neste ano se desligou do Sururu de Roda e está em vias de finalizar canções fresquíssimas que fecharão um novo disco ( as demos estão em seu myspace abaixo). Ao que tudo indica, o trabalho não será nada convencional....
http://www.myspace.com/camilacostaoficial
http://www.youtube.com/user/camilacostabrasil?blend=21&ob=5
http://www.youtube.com/user/camilacostabrasil?blend=21&ob=5#p/a/u/2/GsvPaMzHaZs

13 de junho de 2011

Valeu, Bigorna!

Hoje fui fazer o meu habitual caminho pelas novidades dos quadrinhos na internet e tomei um susto: um dos melhores sites sobre a nona arte está encerrando suas atividades, depois de mais de seis anos prestando serviço inestimável à categoria. Márcio Baraldi, uma espécie de super-herói multitarefas do nosso quadrinho pátrio, que ultimamente estava carregando o Bigorna nas costas, conta toda a saga de sacrifícios para manter a página em pé e o que o levou a fechar o ciclo ( além do pertinente desabafo sobre a HQ nacional).Eu que acompanhei o Bigorna por todos esses anos- entrevistas, discussões, prêmios, polêmicas... foram muitos os momentos que fizeram história - espero que o Baraldi, para fechar com chave de ouro, edite uma coletânea ( quando der tempo, claro) com os melhores momentos do site. O Bigorna deixa uma lacuna enorme no jornalismo especializado em quadrinhos, por sua crítica, nunca inconsequente, por seu foco no quadrinho nacional, sem intolerância, e por dar espaço pra todos que quiseram divulgar ou colaborar. Valeu, Márcio Baraldi, valeu Bigorna...

http://www.bigorna.net/index.php?secao=artigos&id=1306717371  ( dêem uma boa sacada no desenho que abre o editorial do Baraldi. É do Bira, outro multi das artes gráficas, que aglomerou numa cena só, personagens clássicos e de todos os gêneros do quadrinho brasileiro. Entre tantos, Garra Cinzenta, Bidu, Saci, personagens do Henfil, Jotalhão, Mônica, Maria Erótica, Turma do Xaxado, Cubinho, Maciota, Bob Cuspe, Trapalhões...

Double Duo Jazz Quartet em grande forma

Divulgação
Recebi do nobre Duda Moura, via Youtube, o último show da Double Duo Jazz Quartet, formação instrumental em que democratiza sua audaciosa batera ao lado de Amílcar Lobosco ( flauta e sax), Ary Holland ( piano) e Nilton Leonarde (baixo). Parceiros de longa data, os músicos demonstram em versões arejadas de jazz, mpb e pop, uma inabalável sintonia fina entre eles que transparece naturalmente nas execuções ao vivo. Acompanhem trechos do show em apresentação deste mês, as últimas no site do Duda e o primeiro post do Double Duo aqui no Almanaque, em 2009 ( com o myspace do quarteto).
 http://www.dudamoura.com.br/
http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/double-duo-jazz-quartet.html

9 de junho de 2011

"Eduardo e Mônica", a música, vira filme publicitário

Divulgação
A já clássica "Eduardo e Mônica", história completa de amor letrada e musicada por Renato Russo nos tempos em que se intitulava "O Trovador Solitário" ( um pouco antes da Legião Urbana), virou filme da operadora Vivo pelas mãos da O2 e da agência África. O clipe ficou bem maneiro, e as trocentas vezes que o casal acessa os devidos celulares não comprometem a produção bem amarrada. Com seus 4 minutos e pouco ( a música rola na íntegra), o comercial não teria longa vida no congestionado e veloz horário nobre televisivo. Daí a preferência pela divulgação apenas na internet.
http://www.youtube.com/watch?v=gJkThB_pxpw&feature=pyv

Les Paul e o "Doodle para tocar"

A equipe do Google responsável pela criação dos famosos doodles está cada vez mais criativa. Desta vez, o logo interativo do dia, em homenagem ao  mestre Les Paul, permite que o internauta toque música utilizando o mouse ou o teclado.É isso mesmo! A façanha inédita já virou febre entre os internautas, a ponto de divulgarem sequências no teclado para algumas músicas famosas ( veja lá embaixo).
Les Paul (Lester William Polfuss - 1915-2009) foi um versátil guitarrista de jazz e rock, vendedor de milhares de discos, mas ficou mesmo na história por ser o inventor que alterou o curso da música com a criação da guitarra elétrica de corpo maciço e os múltiplos canais para as gravações. Hoje, completaria 96 anos.
Muitos artistas usaram e divulgaram a Gibson Les Paul para o mundo. Entre tantos, destaco 20 dos bons:
Jimi Hendrix
Eric Clapton
Ace Frehley
Jimmy Page
Steve Howe
Slash
Bob Marley
Zakk Wylde
Brian Jones
Joe Perry
Adrian Smith
Pete Townshend
Rafael Bittencourt
Mark Knopfler
Gary Moore
Billie Joe Armstrong
Paul McCartney
George Harrison
Eddie Van Halen
Raul Seixas
Além do vídeo oficial para o doodle "musical", fiquem com algumas sequências divulgadas hoje na internet:
“Asa Branca”, Luiz Gonzaga - 1235534 1235543 11235 54314 33223 2211
“One” (Metallica) – 3-7-3-5, 1-7-1-5, 3-7-3-5, 1-7-1-5-8
“In the End” (Linkin Park) – 2-6-6-4-3-3-3-342-6-6-4-3-3-3- 342 -6-6-4-3-3-3 – 3-4-2 – 6-6-4-3
“Run to the Hills” (Iron Maiden) – 0 009 990 889 778
“Judas” (Lady Gaga) – J KKKKK JHHHGJHGG JJJJL; HJ
Marcha Imperial do filme “Star Wars” – E, E, E, Q, T, E, Q, T, E, U, U, U, I, T, E, Q, T, E
Trilha do Filme “Poderoso Chefão” – D-H-K-J-H-K-H-J-H-F-G-D
Parabéns pra Você – AASAFD , AASAGF, AAKHFDS, KKJGHGAASAFD , AASAGF, AAKHFDS, KKJGHG
Trilha do filme “Indiana Jones” – ERTI WER TYUP YU IOP
When the Saints Go Marching In (hino gospel americano) – A-D-R-T X2 , A-D-R-T-D-A-D-S, D-D-S-A, A-T-T-R, D-R-T-D-A-S-A
Trilha do filme “Harry Potter” – e-y-i-u-y-p-o-u-y-i-u-y-u-e

 Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=LT4fPPMXvVk 

7 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (7) - Lulina


foto: Marcelo Costa
Lulina pode até ter criado a Lulilândia, um lugar seu de conto de fadas, cheio de ETs, referências ao número 13 e personagens excêntricos. Mas seu mundo real é bem mais bacana..Esse seu jeitão descolado e meio "nas nuvens" esconde uma vida hipercriativa, que inclui seu segundo trampo oficial como redatora publicitária ( o primeiro é, logicamente, o de cantora-compositora), uma produção literária em off ( já lançou livro e tem muitas poesias e contos inéditos) e um gosto para a ilustração. Nascida no Recife, morou um bom tempo em Olinda, voltou pra Recife, até chegar a São Paulo há uns 9 anos, onde se adaptou rapidamente à cena indie da cidade. Começou a gravar discos caseiros ( 9 ao todo: "Cochilândia", "Bolhas na Pleura", "Sangue de ET", entre outros), que distribuia gratuitamente aos amigos e interessados, chamando atenção pelas letras irônicas e bem humoradas. Quando finalmente calhou de lançar o primeiro disco oficial de estúdio, em 2009, não perdeu a verve: batizou-o de "Cristalina", por ser o "primeiro disco sem ruídos" de sua original carreira. Tanto o disco como a inclusão de suas músicas em trilha (Alice - HBO) e compilações estrangeiras ( Lulina tem uma extensa correspondência com a Europa - principalmente Glasgow) não rompeu seu espírito underground - ela nem cogita interromper sua produção caseira. E segue divulgando sua música com medidas certas de bossa, estranheza, Mutantes, suavidade, Ultraje, humor, Syd Barret, etc, etc., ao lado do comparsa Leo Monstro e banda e com seu jeito Lulina de sempre.
http://lulilandia.wordpress.com/
http://www.myspace.com/lulina
http://www.youtube.com/watch?v=d6kojs-KPKI
http://www.youtube.com/watch?v=7ShKoL6soYI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=TY5D8GDRdfY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=3Zgwm3dPHzA&feature=related

6 de junho de 2011

O mistério da "UBE" e o quase lançamento da revista Mônica em 1969

A Mônica, no início, e a capa da Mônica nº1 (Ed.Abril - maio de 1970)
Eu, que adoro chafurdar atrás de um assunto que me interessou, nesta semana fui, por incrível que pareça,  perseguido por um assunto. Explico. Tudo começou com o post sobre o Alain Voss. Ao pesquisar sobre ele, me deparei com um episódio que até então desconhecia: o suposto esquema de lançamento da revista Mônica, de Maurício de Sousa, pela União Brasileira de Editoras, a mesma que lançaria seu personagem Careca em revista própria, mas teve todo o projeto abortado ( a fonte é o blog do Roberto Guedes e a citação é do editor Franco de Rosa - veja aqui: http://guedes-manifesto.blogspot.com/2009/07/40-anos-de-o-careca.html . O ano:1969; ou seja, um ano antes do lançamento real de Mônica pela Editora Abril ( a revista saiu da gráfica de Victor Civita em maio de 1970 e logo se mostrou um sucesso editorial retumbante). Fiquei encafifado com essa menção, mas deixei quieto (eu  só o mencionei, no post do Voss). Na sexta passada, comprei a revista Mundo dos Super Heróis nº 27, com a surpreendente matéria de capa sobre Maurício de Sousa, em um amplo dossiê de 40 páginas (!). E lá, na entrevista com o mestre, feita por Manoel de Souza e André Morelli, o assunto reapareceu. O trecho da entrevista é esse:
Manoel: Parece que, quando você lançou a Mônica, pela Abril, ocorreu um salto na sua carreira e as coisas realmente começaram a acontecer...
Maurício: Em partes. Antes da Abril, eu já estava trabalhando com merchandising, estava entrando na área de desenho animado...a Abril foi parte do processo. Se eu não tivesse ganho prêmios no exterior, não tivesse com o merchandising estourando e publicando tiras em 300 jornais, não teria revista ainda. Um ano antes da Abril, eu já planejava lançar uma revista com outra editora. Mas os jornalistas que montaram essa editora tiveram problemas com a ditadura militar e acabaram presos.
Manoel: Que editora era?
Maurício: Não me lembro. Eles estavam começando, eram jornalistas ex-colegas meus. Só sei que foram presos e minha célula editorial foi desmontada. Eles sumiram e eu não sabia onde eles estavam. Foi um golpe duro.
Quando bati o olho nesse ponto da conversa, percebi que o assunto voltara pra me cutucar, mas não ficou só nisso não. No sábado, comprei em um sebo da minha cidade o livro "Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque" (1977- Livraria Sant'anna) do magistral pesquisador Ary Vasconcelos (1926-2003) .Uma importante obra que resgata do limbo os músicos brasileiros do século XIX. E não é que ao ler o curriculum vitae do autor, o danado do assunto, mesmo em um livro sobre música, reapareceu? entre centenas de funções exercidas por Ary no meio jornalístico-editorial, está lá: Diretor de Redação da União Brasileira de Editores - UBE (1968-1969). O mesmo nome citado por Franco ( a única diferença é que no livro está Editores e no blog do Guedes, Editoras. A sigla é a mesma) e o mesmo período citado por Voss e Maurício. Bom, o assunto venceu pelo cansaço. Esses indícios me atiçaram e aqui estou eu. Dei uma sapeada na web, mas pelo visto esse tema precisará de uma boa pesquisada externa. Quem sabe o próprio Franco não tenha mais pistas. Juntando o que temos, dá pra se tirar uma conclusão: o que estava no terreno da "lenda", depois dessa declaração do Maurício, passou para o campo das possibilidades. A revista Mônica ( ou da turma da Mônica com outro título) quase saiu em 1969, por uma editora desconhecida- isso é fato, mas é só a ponta do iceberg. Quem eram os jornalistas da UBE? quais eram seus planos no campo editorial? além do Careca e Mônica, havia intenção de lançar outras revistas? como foi esse "desmanche"´da editora via ditadura? Vou atrás de mais pistas. Quem souber de algo, por favor, me ajude nesse resgate.

2 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (6) - Nina Becker

                                                                                                            Divulgação

A música de Nina Becker é camaleônica. Quando surgiu na Orquestra Imperial, por volta de 2002, cobrindo a ausência temporária da crooner Thalma de Freitas, aderiu ao formato multicolorido e alegórico da superbanda e por ali ficou. Veio das artes cênicas e produção de filmes publicitários, abriu ateliê cult de moda simultaneamente à orquestra, mas nunca mais abandonou a música. Também pudera - a escola em que entrou pela porta da frente não podia ser mais perfeita para sua formação prática: além da Thalma, tinha Kassin, Rodrigo Amarante, Moreno Veloso, Nelson Jacobina e seu filho Rubinho, entre tantos novatos e mestres. Durante os movimentados anos ao lado dos parceiros imperiais, começou a compor, e antes mesmo que gravasse essas canções autorais, foi considerada pela APCA como a melhor cantora de 2008 e uma das artistas mais influentes da sua geração, pela revista Bravo. Até que em 2010, finalmente veio á luz outros tons de Nina até então desconhecidos pelo seu público. De uma só tacada, a compositora lançou dois discos irmãos, o "Azul", gravado durante um ano, mais instrospectivo, contemplativo, sereno, e o "Vermelho", gravado ao vivo em estúdio em apenas quatro dias, mais imediato, mais recheado de instrumentos, mas tão delicado quanto. Das 20 músicas dos dois disquinhos, tem duas do Jorge Mautner/Nelson Jacobina (Samba Jambo no Azul e Lágrimas Negras no Vermelho), tem canções da novíssima geração e tem parcerias de Nina com os integrantes da aliada Banda do Amor e também com membros da Orquestra Imperial. Dois discos que embalam o ouvido como música de ninar, assobio de avô, violão no sofá, ambos longe, muito longe do agito carnavalesco d'antes. Mais uma prova de que Nina Becker tem cores de sobra em seu arco-íris particular.
 http://www.ninabecker.net/
http://www.youtube.com/watch?v=DkUIejKOszc&feature=related
Medo: http://www.youtube.com/watch?v=NCTPKwj0hyQ
Toc Toc: http://www.youtube.com/watch?v=4iOqkZKXNF8&feature=related
Ela Adora: http://www.youtube.com/watch?v=lr8AlOF1qno&feature=related
Pedido: http://www.youtube.com/watch?v=vM8lwx7Px94&feature=related
Janela: http://www.youtube.com/watch?v=8z6Qs72R2kI&feature=related
Lágrimas Negras: http://www.youtube.com/watch?v=9bFdzh91i2o&feature=related
Tropical Poliéster: http://www.youtube.com/watch?v=AllzIp--yEU
Madrugada Branca: http://www.youtube.com/watch?v=gpH2tF2I3F0&feature=related

27 de maio de 2011

Alain Voss (1946-2011)

Alain Voss foi um dos grandes quadrinistas da Metal Hurlant, mas no Brasil, onde viveu a maior parte de sua vida ( Voss nasceu na França, veio pequenino pra cá e no início dos 70 voltou pra Europa) as suas mais conhecidas "obras" são as duas capas que fez para os Mutantes: "Jardim Elétrico" de 1971, e "Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets", de 1972. Mas o artista já produzia para os quadrinhos desde os anos 60, em revistas como O Loco (Editora Taika - 1968 - nos moldes da Mad americana e antes da Mad Brasil) e personagens próprios como "O Careca" (1969). Esse último poderia ter sido bem mais conhecido na época, mas a União Brasileira de Editoras, que pretendia  lançar a revista do personagem e também a primeira edição de Mônica, desistiu de se lançar nos quadrinhos e todos os 8.000 exemplares de "O Careca" já impressos foram incinerados ( no ano seguinte, a Editora Abril lançou Mônica). "O Careca" só foi ressucitado em 1995, em edição facsimilar do Comix Club. Depois de estourar na França nos anos 70, com fantásticas histórias sci-fi na Metal Hurlant via Les Humanoides Associés (onde se tornou amigo pessoal de Moebius) e álbuns avulsos de grande sucesso, Voss voltou ao Brasil em 1981, publicando HQ na Inter-Quadrinhos ( Editora Ondas) e na efêmera revista "Monga, a Mulher Gorila" (Press-Maciota). Entre trabalhos publicitários e editoriais diversos, ganhou dois prêmios HQ-Mix: em 1988, como "melhor desenhista nacional" e 1989, por "melhor exposição". Em 2001, o Itaú Cultural promoveu o evento "Anos 70: Trajetórias", destacando o trabalho de Voss ao lado de Roberto Crumb, Paulo Caruso, Angeli, Flávio e Laerte. Nos últimos anos, criou quadros, ilustrou capas de discos e livros e mesmo debilitado por um AVC sofrido em 2009, colaborou com a edição brasileira do Le Monde Diplomatique, produziu a HQ  "Anarcity" no computador e lançou as tiras "Os Zensetos" para  Caros Amigos. Alain Voss faleceu no dia 13 de maio em Portugal, onde morou por anos. No dia 16, Rita Lee twittou em sua homenagem: "Alain Voss era um artista gauche. Sarcástico e irônico. Perdia o amigo mas ñ perdia um deboche cruel. Tenho vários quadros da época Mutante".
Galeria "Alain Voss":
Capa do LP "Jardim Elétrico" dos Mutantes (1971)
"O Careca" - a revista original de 1969 não foi lançada

"Heilman"de 1978
Capa "Inter-Quadrinhos" - 1981
"Parodies" - série que virou álbum na Europa

"Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets' (1972)

26 de maio de 2011

"20 anos Gibiteca Henfil"

Começou no dia 19 deste mês no Centro Cultural São Paulo a mostra "Henfil nos 20 anos da Gibiteca". Intercalando imagens de duas exposições famosas, "Henfil Baixou Aqui" ( apresentada no Salão de Humor de Piracicaba logo após sua morte) e “Henfil – Vida e Obra”, coletânea de diversos personagens criados pelo artista e charges políticas e esportivas ( por anos, Henfil desenhou no Jornal dos Sports do Rio e também na revista Placar), a mostra é um verdadeiro mergulho na obra incomparável do mestre mineiro, patrono da gibiteca. Como de praxe, Ivan Cosenza, filho e herdeiro de suas obras, organizou e produziu a exposição, que vai até 17 de julho e é grátis.

"20 anos Gibiteca Henfil"
Data: de 19/5 a 17/7
Horário: de terça a sexta das 10h às 20h e aos sábados e domingos das 10h às 18h
Local: Centro Cultural São Paulo - CCSP
End.: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso - próximo à Estação Vergueiro do Metrô - centro - São Paulo
Preço: entrada gratuita
Tel.: (11) 3397-4002
http://www.centrocultural.sp.gov.br/

25 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(5) - Anelis Assumpção

Anelis Assumpção - que responsa - é filha do inesquecível Itamar Assumpção, o homem que revirou de ponta cabeça a MPB na virada dos 70 pros 80. Mas não é que esse DNA todo, nesse caso, só ajudou? Pai e filha tem muita coisa em comum: a poesia concreta/urbana/urgente; a mensagem desafiadora; os arranjos desconstruídos, entre o jazz, o pop e a MPB tradicional. Somam-se a essas atávicas semelhanças, a sua privilegiada vocação vocálica, o dub impassível, a suavidade insuspeita e o distanciamento natural da sua atualidade, que a mantém imune a rótulos absurdos que lançavam maldição às gerações passadas. Da sua geração, só faltava ela lançar disco solo ( as suas ex-companheiras de DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó já debutaram). Não falta mais: seu CD/LP "Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa" (imagem acima) está na boca do forno e seu lançamento está marcado para o início de junho ( ouça ele inteiro no link abaixo). A demora tem justificativas fortes: a compositora maturou suas canções enquanto produzia a antologia definitiva da obra de seu pai, "Caixa Preta" ( com todos os discos de carreira + dois inéditos). E o destino fez mais. Itamar havia prometido produzir o primeiro disco da filha mais velha, se em contrapartida ela o ajudasse a botar toda a sua discografia em dia. E mesmo com seu falecimento em 2003, tudo aconteceu como prometido: com o dinheiro da "Caixa Preta", Anelis conseguiu bancar as gravações e a produção de seu disco - de uma maneira ou de outra, o pai cumpriu seu trato também. E a faixa de abertura é de quem? ele, Itamar Assumpção, claro. Abrindo clareira pra filha, prestes a lançar um dos discos do ano.
http://www.anelis.com.br/
http://www.facebook.com/pages/Anelis-Assump%C3%A7%C3%A3o/112958915387280
http://www.youtube.com/watch?v=mnBPEPGAWpM
http://www.youtube.com/watch?v=9lLhvNidFiE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=adhT1gM5PKo&feature=related

21 de maio de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade

Os vídeos campeões de audiência no Youtube geralmente focam três situações: o cômico, o ridículo ou o polêmico. Pois A Banda Mais Bonita da Cidade conseguiu entre ontem e hoje uma proeza incrível: o clip caseiro produzido pela banda incluindo uma dezena de amigos músicos em um casarão centenário no interior do Paraná, já está neste momento em que escrevo, alcançando 500.000 visualizações. A canção "Oração" é bonitinha, simples sem ser simplória e emotiva na medida, daquelas que ficam ressoando na cabeça. Mas o toque mágico de tudo foi a filmagem, gravada em plano-sequência, que conseguiu capturar uma espontaneidade rara de se ver nesses tempos tecnológicos e cínicos. A banda é formada por Uyara Torrente (vocal), Vinícius Nisi (violão, teclado e piano infantil), Rodrigo Lemos (banjolele e guitarra), Diego Plaça (violão e baixo) e Luís Bourscheidt (percussão e bateria). O cara que inicia o vídeo com o gravador na mão e anda pela casa é Leo Fressato, o compositor da canção. A coisa bombou de uma maneira, que muitos veículos correram para entrevistar a turma ( veja abaixo a da Marie-Claire, com o tal vídeo da banda e mais duas gravações na mesma casa). Só espero que essa "fama" instantânea não estrague justamente o melhor deles: a alegria de fazer música.
http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI234865-17642,00-VINICIUS+NISI+INTEGRANTE+DA+BANDA+MAIS+BONITA+DA+CIDADE+QUE+VIROU+HIT+NA+IN.html

19 de maio de 2011

12/05/2011: Waters, Gilmour e Mason no mesmo palco

O dia: 12 de maio de 2011. O local: 02 Arena em Londres. O show: turnê 2011 de Rogers Waters. Os três remanescentes da formação original do Pink Floyd, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour ( dois fundadores, Syd Barret e Richard Wright, já faleceram) subiram ao palco para uma verdadeira celebração junto ao público. O momento foi emocionante e não foi pra menos: eles não tocavam juntos desde o Live 08 em 1995, ou seja, 16 anos antes ( o tecladista Richard Wright também estava naquela apresentação). Os três tocaram juntos apenas duas vezes em 30 anos. O encontro começou com uma apresentação já ensaiada de Gilmour ( nas alturas do grande muro de Waters), mas a entrada de Mason, em seguida, foi totalmente espontânea, propiciando um desfecho perfeito. Quem sabe, os três não gravam material novo, depois de longos invernos de isolamento?

Seguem as cenas do grande encontro ( registros de celulares, claro) e uma matéria original da Rolling Stone.com, traduzida pela Nathália Plá da Whiplash.
http://whiplash.net/materias/news_851/130393-pinkfloyd.html
http://www.youtube.com/watch?v=-L42YTWSJtI
http://www.youtube.com/watch?v=TTHX6VsU2ZA

18 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(4)- Andréa Dias

Andréa Dias era pra estar aqui faz tempo, mas antes tarde do que nunca. Ela sem dúvida é uma das mais autênticas compositoras dos últimos anos, mesclando com convicção humor, sarcasmo, ironia,  em crônicas cotidianas de amores e dissabores existenciais e sociais. Se Andrea cantasse lá nos idos dos oitenta, Itamar Assumpção lhe daria aval - sua música tem samba de breque, atonalidades e espírito rock e a poesia corajosa de suas letras mistura lirismo com marcas de medicamentos. E desde que lançou o autoral "Vol.1" em 2007, vem embasbacando sua classe. Fez parte da Banda Glória e da DonaZica, teve uma breve passagem pela Farofa Carioca do Seu Jorge, antes do estouro, e desde o primeiro disco, vem tocando e gravando com meio mundo do meio: Fernando Catatau, Marcelo Jeneci, Oswaldinho da Cuíca, Zeca Baleiro, Arrigo Barnabé, TomZé, Zélia Duncan, Jair Rodrigues, entre outros. O "Vol 2" veio em 2010, mais uma vez com todas as composições suas.Engatou shows em Sevilha e Paris.Participou de coletâneas internacionais. Andréa tem uma vida tão intensa quanto sua carreira: ex-evangélica, saiu de casa aos 17 e caiu no mundo. Virou garçonete, babá, fez bicos, morou na casa de amigos, perambulou pelo mundo, passou fome, até que em um bar que trabalhava, sua voz agradou o dono, que lhe deixou cantar para os clientes. Misturou no repertório, sua musa Janis Joplin, os maçetes do coral da igreja que frequentava e as quebradas do samba de breque. Deu em tudo isso. E Andréa Dias quer mais.
"O Fio da Comunicação" - http://www.youtube.com/watch?v=_6JdJEiUV-4
"Homem" - http://www.youtube.com/watch?v=J_R3blpq36E&feature=fvwrel ( essa música foi composta por Andrea logo depois de ouvir do ator Paulo Cesar Pereio que "mulher boa é mulher morta")
"Asas" e "Bode" - http://www.youtube.com/watch?v=jhC3llLNdO4&feature=related
"Retrato" - http://www.youtube.com/watch?v=Lelar9jvvlk&feature=related

Paulo Leminski e os quadrinhos

Eu leio muito sobre HQ, e muitas vezes me deparo com personalidades da cultura e das artes que receberam influência dos quadrinhos em suas formações. Quando li na última semana um trecho sobre Paulo Leminski no livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", do incansável pesquisador Gonçalo Júnior, me veio o estalo: vou começar a postar essas referências! primeiro, porque geralmente partem de figuras que a priori não imaginamos que um dia foram fãs de gibis; e segundo, porque eses registros formarão um painel interessante para futuras consultas. Os quadrinhos, ao que parece, finalmente estão se firmando como arte e entretenimento sério aos olhos da sociedade. HQ nunca foi coisa só para criança, embora forças externas ( igreja, governo, pais, escola) sempre a colocassem como vilã, má influência e subliteratura. Da minha geração, de cada 50 amigos ( e a minha velha tchurma tinha por volta disso mesmo), cinco liam quadrinhos às vezes e outros cinco liam com frequência. 40 deles sequer tomaram conhecimento ou não puderam acompanhar as artes sequenciais impressas. Muitos pais rasgavam as revistinhas, muitos padres faziam discursos contra, muitos professores condenavam. Hoje - até que enfim - a diferença entre quadrinhos adultos e infantis está muito clara. Do começo do seculo XX até o início da década de 1980, fã de quadrinho era que nem sambista ( dos anos 20 aos 50) ou roqueiro (dos anos 60 aos 80) - invariavelmente tachado de vagabundo. Gibi deixava a mente preguiçosa. Grandes fãs desta nobre arte, principalmente jornalistas e fanzineiros, conseguiram reverter essa pecha e hoje livros, graphic novels e revistas de luxo repousam triunfais nas prateleiras das livrarias. O que precisa-se agora é salvar a velha banca de jornais e as revistas populares - mas essa é uma outra estória. Fiquemos com o Leminski, que abre essa série.

"... a jornalista e poetisa Alice Ruiz tornou-se editora de Horóscopo Rose, com circulação mensal, que teve em seu marido, o poeta Paulo Leminski (1944-1989), um colaborador importante e assíduo. Principalmente na produção de roteiros para histórias em quadrinhos sobre o tema. Leminski era um apaixonado por histórias em quadrinhos desde a infância. Adorava ler gibis durante a madrugada. De preferência, de terror, da La Selva. Não perdia um número de O Terror Negro, Histórias do além e Sobrenatural. "Ele tinha um certo fanatismo pelos quadrinhos de horror. Quando nos conhecemos, possuía uma pilha de gibis que vinha colecionando desde menino", relembrou a ex-mulher. A mãe do poeta lhe contou que era comum, na alta madrugada, ela acordar e ver luz no corredor. Como dormia no mesmo quarto do irmão, Paulo não acendia a luz para não acordá-lo. Quando todos iam dormir, ele pegava os gibis e virava a noite no corredor."
( trecho do livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", de Gonçalo Júnior - Editora Peixe Grande - 2010).
ps: só para situar, esse trecho se refere ao momento em que a Grafipar, famosa editora de Curitiba, estava iniciando sua produção nos quadrinhos e em poucos anos faria história nesse gênero.Leminski e Alice Ruiz colaboraram com a editora nesse período.

13 de maio de 2011

Toninho Spessoto (1958-2010)

Eu soube muito depois sobre seu falecimento, mas não importa. O Rick Berlitz me avisou meses depois que Toninho Spessoto, um dos maiores jornalistas musicais do país tinha falecido em 23 de dezembro de 2010. Além da data ingrata, perto do Natal, a internet, com sua enxurrada de informações para todo o lado, traz tanto lixo e inutilidade, que na filtragem final algumas notas cruciais acabam invisíveis. Jornalista quase não escreve sobre jornalista ( que bobagem!) e poucas notas sairam a respeito do seu falecimento. Não deveria ser assim. Spessoto foi um dos críticos mais apaixonados por música e arregimentou durante a vida muitos amigos no meio, principalmente entre os músicos independentes, categoria que ele defendeu e colocou como prioridade em suas batalhas profissionais. Além de crítico e jornalista, foi radialista, produtor e até arriscou-se em algumas composições, como membro do Clube Caiubi ( link abaixo). As suas contribuições ao jornalismo musical em 30 anos de carreira são infindáveis: colaborador da Bizz, revista Sucesso, Rolling Stone, JB, Portal Imprensa; editor da Rádio Pool e Bandeirantes; colaborador da Rádio Alvorada de Belo Horizonte e Juiz de Fora, produtor da AllTV. Nos últimos tempos, além do seu imprescindível blog Acordes ( desde 2007), também fazia os programas  “Fora de Série” e “Papo de Músico”, na Rádio USP. Nesses tempos de preconceitos gratuitos e relações glaciais, foi antes de tudo um grande apreciador da "boa música", fosse o gênero que fosse, e sempre dava uma força para talentos escondidos nos subterrâneos do brutal mercado musical. Nos meus tempos de Dedoc Abril, vi muito o Toninho tomando café e pesquisando suas pautas, sempre com seu jeito tranquilo e discreto. Ele já está fazendo uma falta danada.
http://blogacordes.blogspot.com/
http://clubecaiubi.ning.com/profile/toninhospessoto
http://www.dicionariompb.com.br/toninho-spessoto/dados-artisticos
http://emiliopacheco.blogspot.com/2010/12/toninho-spessoto.html

Hard Rock Cafe argentino traz a a história por trás da música

Esses chamativos e bem urdidos pôsteres acima são criações da Y&R de Buenos Aires para campanha fresquíssima do Hard Rock Cafe argentino, intitulada There's a story behind every song (Há uma história por trás de toda canção). As três clássicas canções escolhidas são transportadas para a linguagem dos quadrinhos em uma bem amarrada sequência de ilustrações alusivas tanto à letra da composição como à própria vida do criador. Na transposição de Tears in Heaven de Eric Clapton, a letra autobiográfica que narra a triste e real história do filho de Clapton, que morreu aos 4 anos após cair do 53º andar do seu apartamento em Nova York, transforma-se em quadros sem balões ou legendas, intercalando cenas do nascimento da criança, o relacionamento pai e filho, as excursões e ensaios paralelos, o acidente fatal, a reação emocional imediata de Clapton e a criação da música neste turbilhão todo. Let it Be, assinada por Lennon-McCartney, mas cria inconteste de Paul, traz em sua versão folder o início rock and roll da banda mais famosa do mundo, passando pela beatlemania, as polêmicas e buscas do quarteto, o momento de inspiração/revelação de Paul,, a fuga de John para Yoko e a inexorável dissolução da banda depois de conflitos internos e desavenças. O painel ilustrado de Redemption Song vai mais longe ainda, ao resgatar o passado africano, a escravidão e luta do povo, a tradição rastafári vinda de lá, o início do reggae e dos Wailers, a carreira e o sucesso solo de Marley e até a referência ao seu dedo machucado em uma pelada no Brasil, mal curado, que acabou progredindo para um câncer e levando o compositor em 1981.  Uma bela campanha, que muito além do apelo comercial, faz uma grande homenagem à música.

11 de maio de 2011

Mais uma bela homenagem em animação do Google

Hoje na página inicial do Google, mais uma bem feita homenagem em animação à uma figura importante da história das artes. A personalidade em foco desta vez é a revolucionária dançarina americana Martha Grahan (117º aniversário), em animação realizada por Ryan Woodward, ilustrador especialista em storyboards.

Acompanhem o Doodle animado e sua pré-produção:
http://googlediscovery.com/2011/05/10/google-faz-doodle-animado-em-homenagem-a-martha-graham/

9 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras 2011 -(3)- Simona Talma

O cenário musical do Rio Grande do Norte anda fervilhando desde a década passada, e muito dessa alta temperatura tem a ver com grandes talentos autorais que em um determinado momento resolveram unir forças e mostrar suas criações. Na cidade de Natal, além do Policanto, evento em que um artista convidado canta o repertório de um artista homenageado, outro projeto crucial, o Retrovisor, pensado em 2005 e desenvolvido em 2008 por Valéria Oliveira, Luiz Gadelha, Khrystal, Ângela Castro e Simona Talma, não só uniu composições dessa turma, como conseguiu lançar a música potiguar para outras esferas. Todos fizeram música com todos. Se a mentora Valéria já era uma grande referência para o grupo, depois de brilhar como intérprete no Japão desde os anos 90 ( onde lançou quatro discos), além de Suíça e EUA , e cantar ao lado de ícones como Edu Lobo, Hugo Fattoruso, Mário Adnet e João Bosco, entre outros, foi depois de se voltar para seus conterrâneos que finalmente conseguiu mostrar com mais convicção sua porção autoral iniciada em 2005 - postura que manteve até hoje. Khrystal lançou um excelente disco em 2007, "Coisas de Preto" e com a música homônima e outras de sua autoria à  tiracolo, escancarou seus vários talentos: cantora, violonista, guitarrista, pandeirista, pesquisadora de ritmos, encantando Guinga, Aldir Blanc e Tárik de Sousa, que a trouxe ao Rio. Ângela Castro, nascida em Porto Velho, mas desde 2000 em Natal, invadiu festivais e eventos com sua banda Rosa de Pedra, que lançou disco homônimo no ano primeiro do Retrovisor e assim como Khrystal, tocou em especial da Globo . E Simona Talma, talvez a mais inquieta de todas, já partiu para o autoral logo no seu debut ( "A Moça mais Vagal que Há"), gravado em 2005 mas só lançado no benfasejo ano de 2008. Com ares carregados de blues, rock e jazz, a compositora deslavadamente emociona quem a ouve. E não para: além de banda infantil (Trem Fantasma) e programa de vídeo no youtube (Microondas), lançou no ano passado ao lado do onipresente Luiz Gadelha ( o responsável por fazê-la cantar) o disco "Matando o Amor". A moça é matadora mesmo.
Todas as citadas aqui merecem destaque nesta série "Compositoras", mas resolvi deixar a instigante Simona Talma representando todas elas. A magnífica Valéria Oliveira, já com duas décadas de carreira, merecerá um post à parte em breve; Khrystal já venceu festival ( com música sua e de Simona), ganhou prêmos importantes, mas meu feeling diz que ela ainda vai lançar um grande disco entre este ano e 2012 - prefiro aguardar até lá. Ângela Castro ainda é uma integrante de banda e eu preferi não dissociá-la dela - merecerão post próprio com certeza. Simona Talma, é com você:


#Projeto Incubadora: http://www.dosol.com.br/2011/02/11/projeto-incubadora-simona-talma-e-luiz-gadelha-em-estudio-processo-de-gravacao/ 
# Gargalo: http://www.youtube.com/watch?v=_YNXrwBRU9A&NR=1   
# Eu te peço um Verso: http://www.youtube.com/watch?v=u7P0BUTxYNg&feature=related
# Dito Blues: http://www.youtube.com/watch?v=0OOPRx-m_mY&feature=related
# Confio a um Blues: http://www.youtube.com/watch?v=wOzHOBLRRQ8&feature=related
# O Roqueiro e a Hippie: http://www.youtube.com/watch?v=MNOahP-elbE&feature=related