13 de abril de 2012

Em família, na emocionante Exposição Quadrinhos'51

No final de março, tive o prazer de visitar a Exposição Quadrinhos '51(já comentada aqui). E melhor ainda, acompanhado de minha esposa e filhos.Ver in loco, como obra de arte que são, originais dos maiores mestres dos nossos quadrinhos, além de revistas raríssimas, foi uma experiência única. Exemplares nº 1 ( Mickey, O Pato Donald, Pererê, Bidu, Tio Patinhas, Zaz Traz, etc), primeiros desenhos e o primeiro gibi inteiramente feito pelo mestre Álvaro de Moya ainda criança, o raríssimo acervo do grande José Lanzelotti ( material que sobreviveu a um grande incêndio), originais de terror e guerra ( de Rodolpho Zalla, Homobono, Collonese, Ignacio Justo) artes antológicas para capas ( principalmente dos especialistas Jayme Cortez, Miguel Penteado e Gutemberg), autógrafos e artes diversas do imenso acervo de Moya, memorabilia de Tex (homenagem à Sergio Bonelli), originais autografados de grandes artistas internacionais ( Mort Walker, Will Eisner, Andre Le Blanc, Breccia) . Para aficionados como eu, um passeio inesquecível pela história da nona arte. Parabéns a todos que participaram da idealização e da produção da mostra - a idéia das mapotecas foi genial . As fotos falam por si ( e a atenção e a curiosidade dos meus, me proporcionaram um particular e imenso orgulho):
Original de Rodolpho Zalla


Original de André le Blanc 

Original de Rubens Cordeiro 
Original de Jayme Cortez 
idem 
Gibi raro com capa de Lanzelotti ( Curupira nº1) 
Originais de Lanzelotti que escaparam de um incêndio
Revista da La Selva com capa de Jayme Cortez 
Meus rebentos "pirando" nos gibis antigos
Mais gibis da La Selva com arte de J.Cortez 
Arte de Spacca 
Gibi raríssimo
Gibi artesanal do "Gavião Fantasma", feito pelo "guri" Álvaro de Moya
Original de Primaggio Mantovi 
Almanaque Zaz Traz, Zaz Traz e Bidu: os primeiros gibis com personagens de Maurício de Sousa
O famoso e raro O Pato Donald nº1 (1950)
Arte original de Antonino Homobono 
Troféu HQ Mix 96 (com Pererê do Ziraldo) do acervo de Álvaro de Moya 
Página original: Paulo Hamazaki/Julio Shimamoto
Tex - tributo ao recém falecido Sergio Bonelli
Meu amore, e os heróis
Arte para capa: original de Miguel Penteado

nºs 1

10 de abril de 2012

Chocarrice: um blog supimpa, bacana e do balaco

Em minhas "andanças" pela internet, topo sempre com blogs mui interessantes, principalmente voltados para meus assuntos favoritos: artes gráficas/quadrinhos/música. O "Chocarrice" do título é um blog extremamente rico de material editorial, com foco em quadrinhos/cartuns/charges do século XX. Tem de tudo um pouco: artistas europeus e americanos convivem no blog com geniais brasileiros do traço; e HQs de Hanna Barbera dividem espaço com cartuns mais acadêmicos. Nos marcadores do blog dá para se ter uma noção do nível: o grande Carlos Estêvão tem  25 entradas ( suas famosas páginas em O Cruzeiro e até um gibi inteiro do seu Dr. Macarra), J.Carlos 15 , EBAL também 15, Péricles 15 (Amigo da Onça, claro), Antonio Torres 9, Ziraldo e Fortuna 8 cada, e por aí vai. E tem as surpresas/raridades: Flavio Colin ( com o seu Vizunga), Dr. Fraud ( do Canini), George McManus, Pichard, Kurtzman, Barbarella, Eduardo Ferro, Millôr (como Vão Gogo), etc, etc. Um acervo riquíssimo, que pelo que soube em matéria do O Globo, é tocado pelo entusiasta colecionador de imagens antigas, Rafael Monte ( que assina Venceslau Gama e tem outros blogs nessa pegada). Um tesouro gráfico realmente. Um único porém, que não estraga a iniciativa, mas deixa os maníacos por datas/arquivos/catalogação/História ( como eu) um tantinho frustrados: a falta de qualquer referência à datas e nomes das publicações ( estas dá até pra avistar nos rodapés das imagens). Se tivesse mais esse atrativo, o blog não só permaneceria volumoso e sortido, mas também uma referência completa para estudiosos, colecionadores e historiadores. O intuito é mesmo formar um grande painel de "recortes" do século passado, e aí o blog acerta em cheio.
O blog: http://chocarrice.blogspot.com.br/

4 de abril de 2012

Ocupação Angeli

A "Ocupação Angeli", espaçosa exposição do cartunista/chargista/quadrinhista no Itaú Cultural segue até o final deste mês e merece ser vista com calma e acuidade, pois o material selecionado é imenso. São 800 obras (80 originais), além de fotos, objetos e documentos tirados de seu acervo pessoal com 30 mil obras (sua produção artística de 40 anos). A "ocupação" também inclui uma publicação com quadrinhos, charges e ilustrações de Angeli ao lado de textos da produção e do amigo Laerte, especialmente para o evento. A curadoria ficou a cargo da designer Carolina Guaycuru e o projeto expográfico é da cenógrafa Patrícia Rabbat, que procurou recriar com bastante detalhes o estúdio de criação do artista. A mostra vai até 29/04 e é de graça.
Entrevista recente para a revista Brasileiros:http://www.revistabrasileiros.com.br/2012/03/26/confissoes-de-um-cartunista/
Angeli sobre Millôr: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidiano/34113-maioral-ele-inventou-o-humor-moderno-brasileiro.shtml

"Ocupação Angeli"
Até 29/04
Terças a sextas, das 9h às 20hs
Itaú Cultural
Avenida Paulista,149 (Estação Brigadeiro do Metrô)
Grátis

3 de abril de 2012

Bau do Malu 36 - Diversões Escolares nº 3,6,7 e 9 (1960/1961)

A Editora Abril, em seus primeiros dez anos (1950-1960) lançou poucas revistas e nem todas alcançaram o sucesso desejado pelo boss Victor Civita. Se O Pato Donald (1950), Mickey (1952), Capricho (1952 - a primeira revista brasileira com fotonovelas), Ilusão (1958) e Manequim (1959) seguiram adiante com força (mesmo que o início de quase todas tenha sido aos trancos e barrancos), outras não tiveram sorte no mercado e sumiram em pouco tempo: Raio Vermelho (1950 - depois Misterix), Meu Bem ( 1952 - revista com quadrinhos românticos) ,Você (1958 - também com fotonovelas, mais requintadas) e Noturno (1959). A virada da década pareceu dar uma nova arejada na editora com o lançamento da pioneira Quatro Rodas (agosto de 1960). Diversões Escolares, outra dica do irmão argentino de Victor, Cesar Civita, começou muito bem neste mesmo ano de 1960 (e mesmo mês), apresentando uma revista em formatinho made in Itália (Fratelli Fabbri Editori, de Milão, mas produzida na Editorial Codex, da Argentina), no estilo "almanaqueiro" de Seleções, mas direcionada aos jovens em idade escolar. Com este foco, publicava seções educativas e de curiosidades, voltadas para as ciências, a natureza, trabalhos manuais e colecionismo - a seção sobre filatelia fez sucesso logo de início. Também incluía desde o começo, histórias em quadrinhos de dois personagens: Saturnino, um alienígena ("Saturnino descobre a Terra", de C.Solini) e o jovem índio canadense Alce Branco ( "Na aldeia dos índios", sem assinatura de autor). Detalhe curioso: no logotipo característico da editora nestes primeiros anos, junto à arvorezinha vermelha na capa, a inscrição "Editora Abril Didática". O intuito talvez fosse prosseguir com esta linha educativa ( o que só foi se concretizar mesmo com a Fundação Victor Civita, décadas depois).
Edição 3 - 15/10/1960
Anúncio de Quatro Rodas - ( edição 3)
Ainda em 1961, com as vendas aquém do esperado pela cúpula, houve uma reformulação na publicação, com o intuito de salvá-la. Cláudio de Souza, o "bombeiro" de plantão do seu Victor para resgates e salvamentos quase impossíveis, ficou encarregado das mudanças, que começaram com a troca de nome para "Diversões Juvenis". Mas os detalhes desta nova roupagem, vou deixar para o próximo Baú . Algumas dessas informações eu tirei das edições que aqui estão e que fazem parte do meu acervo, mas muitos detalhes preciosos e precisos vieram do excelente e pouco comentado livro "O Homem Abril - Cláudio de Souza e a história da maior editora brasileira de revistas", do historiador e jornalista Gonçalo Junior ( Opera Graphica Editora -2005), que assim como outras obras mais debatidas do autor ( Guerra dos Gibis 1 e 2) expõe todo o painel editorial de uma época, além de esmiuçar e investigar detalhes mal explicados ou esquecidos da história. Um dos melhores livros históricos/biográficos que já li e que ainda pode ser encontrado ( na Comix Book Shop, sai por R$49,00). Estas belas capas expostas aqui são made Italy, feitas por um tal de Cozzi A.
Edição 6 - 15/01/1961
HQ com Saturnino ( edição 6)

HQ com o jovem índio Alce Branco (Ed.6)
Edição 7 - 15/02/1961
Anúncio de Band-Aid ( edição 7)
Anúncio de Nescau ( ed.7)
Matéria sobre "os truques do cinema" (ed.7)
Anúncio da nova revista do Zé Carioca (ed.7)
Edição 9 (maio 61)
Seção "Os pequenos entrevistam os grandes" (ed.9). O entrevistador no caso,  Flávio de Souza, aqui com 7 anos, é filho do editor Cláudio de Souza. Flávio se tornou escritor, roteirista e produtor de TV ( é o criador do Castelo Rá-Tim-Bum)
idem
Seção " O Tio Filatelista" (ed.9)

30 de março de 2012

English Tim

Tim Maia causa espanto, sudorese, euforia, tremores, felicidade profunda e outras reações espontâneas em qualquer ser que em algum momento da vida, ouça a sua voz gutural e bem colocada num soul/funk abrasileirado ou numa balada desavergonhada de sua grandiosa criação. Tim Maia é Tim Maia - único e insubstituível. E sempre, em sua extensa discografia, fez questão de soltar seu vozeirão e suingue em pelo menos uma faixa por disco, na língua de Shakespeare. Quando isso acontecia, Tim ficava mais universal ainda e podia ser equiparado a qualquer bambambam do soul americano. Chegou a fazer um disco inteiro em inglês. Com vocês, o English Tim:
http://www.youtube.com/watch?v=5-esKrwuVRw
http://www.youtube.com/watch?v=rHVaCW6cNrs&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=HgVXgNLQ_n4&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=81Bfah5xbV4&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6cUWl65QE_s&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=E9PQuEB6ais&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=AXKudAhFQ5Y&feature=related

28 de março de 2012

Millôr Fernandes (1924-2012)

Millôr Fernandes, assim como o recém falecido Chico Anysio, era gênio. Ambos tinham os dois pés (e a cabeça) no humor, e ambos eram ecléticos, irrequietos e workaholics. Perder esses dois em poucos dias é um rombo sem tamanho no humor brasileiro.Homem de imprensa, escritor, desenhista/chargista/caricaturista, dramaturgo, jornalista, tradutor e principalmente humorista, Millôr fazia bem tudo o que se metia a fazer. Fundou o antológico Pif-Paf, de poucos números, assassinado no início da ditadura, o mesmo Pif-Paf que influenciaria o não menos antológico Pasquim e traria Millôr novamente na proa e na mira dos militares. Ornamentou com desenhos inimitáveis e textos irrepreensíveis as grandes revistas semanais e jornais diversos ao longo de sua carreira de quase oito décadas (!) - como na longínqua Cruzeiro dos anos 40/50, onde já fazia história com sua coluna dupla Pif-Paf. Tradutor conceituado, frasista dos melhores, chegou até a enveredar pelos quadrinhos, em um momento bem surreal de sua obra ( veja abaixo). Embora polivalente até a tampa, não gostava de rótulos, definições e se achava "sem estilo".Antenado até o fim, até poucos dias atrás deixava sua marca na internet e nas redes sociais. Além do site oficial, separei alguns tópicos interessantes, que se não chegam a alcançar a magnitude do mestre, pelo menos deixam à mostra uma pontinha de sua genialidade. Valeu Millôr!
# Site oficial: http://www2.uol.com.br/millor/
#Entrevista(Luís Antonio Giron-Época 2004): http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT741449-1666-1,00.html
#Frases: http://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/livros/noticias/15-frases-marcantes-do-escritor-millor-fernandes
# Arte: http://estadao.br.msn.com/fotos/galeria-de-fotos.aspx?cp-documentid=33062338
# parceria com Carlos Estêvão na HQ: http://www.readoz.com/publication/read?i=1043787&pg=30#page30

26 de março de 2012

Cobertura completa do lançamento do "Brasil do Bem", by Os Quadrinhos

Rubens Jr, em mais uma cobertura dinâmica, fez uma reportagem completa sobre o lançamento do livro de caricaturas "Brasil do Bem", no dia 17/03 na HQMix. Vale a pena visualizar em fotos e vídeo, a presença maciça de artistas, familiares, fãs e figurinhas carimbadas, esbanjando energia positiva e arte!
http://osquadrinhos.blogspot.com.br/2012/03/lancamento-do-livro-brasil-do-bem.html#more

23 de março de 2012

O homem dos 200 personagens sai de cena

Chico Anysio, depois de um longo internamento, se despediu hoje, aos 80 anos. A magnitude e importância para a cultura do país deste humorista genial, criador de mais de 200 personagens, pode ser medida na comoção generalizada por toda a internet e outras mídias. Além dos fãs espalhados pelo território brasileiro (e certamente os brasileiros no exterior), as mensagens carinhosas e de gratidão vem não só da televisão, seu território mais explorado, mas também do teatro, humor, cinema, literatura, jornalismo, música e artes em geral. Não custa lembrar, que além de ter sido um dos humoristas pioneiros em stand up comedy, tão decantada hoje, Chico também foi ator, diretor, roteirista, compositor, escritor, pintor, e dizem, um ótimo jogador de botão. Mas essas mensagens sinceras vindas de todo o lado não existem apenas por seu comprovado dom para a criação humorística em todas as suas vertentes. Chico Anysio foi - e não sou eu que estou dizendo, mas todos os que conviveram com ele - um homem generoso, desprendido, humilde na medida, e que sabia como poucos unir a classe e as diferentes gerações. O homem Chico Anysio segue para outras missões; seus 209 personagens, um recorde mundial, ficam aqui, espalhados em arquivos, memórias, documentos, páginas e vídeos do nosso mundo.
Segue um depoimento recente (2011) e bem interessante de Chico Anysio, dentro de um quadro do Fantástico, em que discorre sobre a vida e sua trajetória:
http://www.youtube.com/watch?v=a7R3IE6wOIo

22 de março de 2012

Exposição Quadrinhos'51

Hoje foi aberta ao público a Exposição Quadrinhos'51, no Museu Belas Artes de São Paulo -MuBA. Para quem gosta de quadrinhos clássicos mundiais e a primorosa arte de mestres da nona arte brasileira essa mostra é primordial e imperdível. Até o dia 26 de maio estarão expostos originais de criadores nacionais como Rodolfo Zalla, Julio Shimamoto, Primaggio Mantovi, os saudosos Eugênio Colonnese e Messias de Mello, entre outros . Paralelamente serão celebrados os 61 anos da pioneira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos, montada pelos jovens e audaciosos Álvaro de Moya, Syllas Roberg, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado e Jayme Cortez e a primeira no mundo a expor artes originais de monstros sagrados da HQ mundial como Alex Raymond, Mort Walker, Will Eisner, Milton Caniff, etc, além de tratar as histórias em quadrinhos como arte. Para tanto, foram selecionadas artes originais, gibis e documentos da coleção particular de Moya, o último remanescente da corajosa turma de 1951, com destaque para as artes originais exclusivas com dedicatórias.Também estão na exposição publicações raras de Shimamoto, Primaggio, Zalla e César Cerito. Ao todo, a mostra estará dividida em três grandes temas: Originais dos mestres brasileiros de HQ (dos anos 40 ao 80); Documentos ( como os registros da 1ª Exposição Internacional de História em Quadrinhos; e Publicações (edições raras e exclusivas). O MuBA fica na Rua Dr. Álvaro Alvim, 76, na Vila Mariana e a mostra é gratuita. Segue o link do blog do evento com toda a programação, horários e palestras:
http://quadrinhos51.wordpress.com/

21 de março de 2012

Capa do Mês: Newsweek - 26 de março 2012

Estava atrás de uma capa criativa para março, quando me veio de bandeja via Dagomir Marquezi/Facebook uma baita sacada editorial. A novíssima edição da Newsweek, especial, deu capa para a incensada série Mad Men, em nova temporada. O detalhe inusitado é que para dar ênfase à época em que a história se passa a magazine semanal não se fez de rogada: voltou à 1965, tascando o seu logotipo tal qual era naquele ano e conseguindo com que seus anunciantes retomassem anúncios sessentistas - alguns até preferiram criar peças novas com sacadas vintage. Não ficou interessante?