29 de novembro de 2013

HQ inédita de Zé Carioca prestará homenagem a Renato Canini

Primeira página da HQ inédita
A HQ "A Fuga Muito Doida de Zé Carioca", com argumento de Paulo Maffia, desenhos, roteiro e cores de Fernando Ventura, e arte-final de José Wilson Magalhães, será publicada na próxima edição de Zé Carioca (nº 2391), dia 05/12 nas bancas, e prestará homenagem ao recém falecido Renato Canini, um dos maiores desenhistas que já passaram pela equipe Disney no Brasil. Essa história é de 2005, a princípio um plano B caso Maffia não recebesse a história inédita "O Código da Trinta" de Canini, que faria parte do volume Mestres Disney dedicado a ele. A história encomendada chegou e essa acabou engavetada durante esse tempo todo. Com o falecimento do desenhista gaúcho, resgataram-na. O Ventura costuma caprichar em tudo que faz - aguardemos a homenagem.

28 de novembro de 2013

Bob Dylan, 72 anos, inova outra vez

O assunto do dia na web foi o incrível novo vídeo de Bob Dylan para a sua clássica "Like a Rolling Stone", canção com quase 50 anos de idade. Não é pra menos: o clipe, interativo, traz um seletor de canais que ao ser clicado pelo espectador muda automaticamente para outro programa, como numa TV. O detalhe impressionante é que todos os que aparecem nas imagens, seja apresentador, cantor, chef de cozinha ensinando culinária, repórter, maratonista, rapper, dono de loja de penhores ( sim, são aqueles famosos do "Trato Feito", do canal History) e até o próprio Bob Dylan no ano em que lançou a música, entre outros, cantam a música em sincronia perfeita. Imaginem a trabalheira que foi gravar e editar isso! coisas de Mister Bob Dylan. Não consegui explicar esse trem direito? ah, vai logo no vídeo aqui embaixo que você vai sacar a essência de mais essa guinada evolutiva do bardo Zimmerman.
http://video.bobdylan.com/desktop.html

Foto do Mês: Mônica

No último fim de semana, em passeio no Ibira com a family, tirei essa foto da estátua da Mônica no parque, uma das 50 espalhadas pela cidade na expo a céu aberto intitulada Mônica Parade, uma parceria da Panini com a MSP. É mais uma ação no ano em que a dentuçinha completa 50 primaveras. A Mônica ruiva acima, com o Sansão roxo, é obra da artista Luciana Assumpção. Todas as estátuas e seus respectivos artistas podem ser visto aqui: http://monicaparade.com.br/galeria/

27 de novembro de 2013

Gilvan Samico meets Quinteto Armorial


Essa capa fulgurante aí em cima é do LP "Aralume" do Quinteto Armorial (Gravadora Marcus Pereira - 1974), um dos ícones do movimento de mesmo nome engendrado por Ariano Suassuna no início dos anos 70. Assim que soube do falecimento do grande artista Gilvan Samico ( ver post anterior), fui revirar minha coleção de LPs em busca exatamente dessa capa. Aí está. Gravura simples e ao mesmo tempo intensa, impregnada de heroísmo, símbolos míticos e fé nordestina - atentem para o profeta de lança em punho do alto de uma estrela cadente, o dragão-serpente ( do mar?), a mulher nordestina penitente de pés descalços e a igrejinha ao fundo. Essa gravura que se fez capa de LP é como um quadro de parede. Pura arte, que o CDzinho, com sua capinha de plástico ridiculamente mínima, defenestrou de nossas estantes.

26 de novembro de 2013

Gilvan Samico ( 1928-2013)

Fiquei sabendo pela minha amiga Pilar no FB. O artista plástico Gilvan Samico, um dos maiores gravuristas brasileiros faleceu ontem em Recife, aos 85 anos. Dono de uma técnica inigualável na xilogravura, riscou personagens mitológicos, bíblicos, lendários , misturando a seca nordestina com paisagens fantásticas, povoadas por dragões, sereias, animais espantosos e seres antropomórficos. Não por acaso, sua arte virou símbolo do movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna com bases profundas na cultura popular nordestina. Já perto dos 30 anos, Samico estudou gravura com nada mais nada menos que Lívio Abramo, mestre mundial do gênero. Esse passo grandioso na carreira não impediu o início árduo em São Paulo, quando por falta de recursos, gravava sua arte em madeiras de caixotes de frutas achadas na rua. Seu talento e perseverança sobrepujou as dificuldades e logo ele já era considerado um dos grandes gravuristas do país, e a partir daí pode escolher sua madeira preferida por toda a vida adiante: a pequiá-marfim. Deixou-nos uma obra imensa, intensa, singular. E muita saudade aos amigos que sem exceção o pintam como um  homem íntegro, autêntico e correto até o fim.
Algumas obras monumentais de Gilvan Samico:





25 de novembro de 2013

Novo clipe dos Beatles!

É isso mesmo que vocês leram. A banda mais importante de todos os tempos no pop mundial está com clipe novo, depois de 43 anos do seu fim. A proeza coube à BBC, que resolveu criá-lo para divulgar o recente "On Air - Live at The BBC Volume 2", lançando mão de recursos modernos mesclados à cenas históricas. Eu achei bem legal. Curtam o vídeo no "Draw and Arts":
http://beatlesdrawandarts.blogspot.com.br/2013/11/the-beatles-words-of-love-novo.html

22 de novembro de 2013

Zélia Duncan e convidados exaltam Itamar Assumpção

Anteontem, eu, esposa, filhos, sobrinha e sogra fomos passear no Parque Ibirapuera, com a intenção também de parar no show especial do feriado da Consciência Negra, com Zelia Ducan e convidados homenageando o essencial Itamar Assumpção. Zélia conheceu bem o cult compositor da Zona Leste paulistana e sempre gravou suas músicas. O dia tava lindo e embora demoramos muito para atravessar o parque, lotado, tivemos a sorte de chegar perto do palco externo do auditório do Ibirapuera bem nas primeiras notas do clássico "Nego Dito", o suprasumo do repertório do homenageado. E logo na sequência entraram no show Rappin'Hood,  Anelis Assumpção e Tulipa Ruiz. Essas duas aliás, têm uma relação estreitíssima com a geração do Lira Paulistana, reduto dos primórdios de Itamar: Anelis, cantora e compositora, é sua filha e Tulipa, idem idem, é filha do guitarrista Luiz Chagas, um dos fundadores daquela turma. A homenagem foi bem singela e emocionante. Fechou com a música de Zélia "Alma", algo que Seu Assumpção botava em tudo que fazia. Um desfecho perfeito. Em algum lugar do gigante Cosmo, o velho Nego Dito Beleléu chacoalhou seus dreads e abençoou suas crias.

19 de novembro de 2013

Mestres do Soul em Sampa

Um evento de responsa acontece entre hoje e amanhã, bem no centrão de São Paulo. Alguns dos maiores nomes do soul brasileiro adentrarão o feriado da Consciência Negra relembrando grandes sucessos e matando a saudade de muitos. O quilate é alto: Hyldon, Toni Tornado, Gerson King Combo, Carlos Dafe, Di Melo, Luis Vagner, Lady Zu e Paulo Diniz. Eu pessoalmente sempre achei essa vertente soul no Brasil muito competente e bem diferente do soul gringo. A música dessa turma tem soul, mas também tem samba, rock, funk ( o verdadeiro), música nordestina, latina, etc. é uma cozinha muito bem temperada e todos eles ainda são bons instrumentistas. Eu sempre fui atrás desse material fonográfico e embora seja difícil ou oneroso seus respectivos LPs, consegui através dos anos alguns bons vinis, principalmente compactos. Quem puder ir não se arrependerá. Fora que é de graça. Aliás, a produção avisou ontem que o horário dos shows do dia 20 foi adiantado para as 14 horas por causa de um outro evento no mesmo dia no Anhangabaú. O flyer acima está correto - acompanhem o endereço certo e os horários. E viva Tim Maia, "pai espiritual" de todos.

2ª Expo Beatles vem aí

A Ibérica Cultural e Idiomas , localizada em São Caetano do Sul/SP, sempre apoiou e realizou eventos culturais relevantes em sua sede. Indo das artes plásticas às artes gráficas, passando pelo lançamento de um informativo cultural e culminando em uma exposição sobre os Beatles na virada de 2012 para 2013, que conquistou grande repercussão na macrorregião do ABC, em São Paulo e até no litoral paulista, a escola de propriedade de Henrique Valsésia prossegue com sua verve cultural e mais uma vez prepara uma surpreendente exposição para o final de ano. A 2ª Expo Beatles, com data confirmada para 15 de dezembro, promete ser uma continuação à altura da comentada primeira exposição, com atrações simultâneas de peso. Um dos trunfos será a participação do premiado DJ, MC e produtor Preto-EL que fará ao vivo uma apresentação inusitada e inédita acrescentando Beatles em seus scratches na pick-up. Paralelamente haverá a grande exposição com caricaturas dos Fab Four assinadas por artistas premiados, fotos de carreira, itens de memorabilia, revistas, LPs e compactos originais, perfis biográficos, brindes e um grande pôster expondo a linha do tempo do grupo. A 2ª Expo Beatles conta mais uma vez com o planejamento e a produção do empresário e músico Henrique Valsésia (blog ibericaculturaleidiomas.blogspot.com.br), do cartunista e professor Mario Mastrotti (blog Beatlesdrawandarts.blogspot.com), deste que vos escreve e estará aberta para visitação gratuita de segunda a sexta das 9h às 21h e aos sábados das 9h às 17h, entre 15/12/2013 e 25/01/2014.

Ibérica Cultural e Idiomas – Rua Taipas, 645 - Bairro Barcelona – São Caetano do Sul – tel: 2311-1208

18 de novembro de 2013

Capa do Mês: Vida Simples

A recente e impiedosa ceifada que extinguiu algumas publicações da Editora Abril, como Bravo e Alfa, sob alegação de vendas baixas, fez vistas grossas para uma das melhores e mais discretas publicações da casa dos Civita: Vida Simples. Deduz-se que a valente publicação vende bem. Com um projeto editorial voltado para o básico e o simples, desde o design econômico até as pautas desaceleradas, a revista traz capas despoluídas e monocromáticas que enchem os olhos já tão entupidos de paisagens inúteis. Essa amarela, do copo meio cheio (e para os seus leitores ele nunca estará meio vazio) é uma síntese dessa estética discreta e eficaz. As reportagens e artigos seguem esse desprendimento e trazem inovadoras formas de se viver bem sem exageros ou deslumbres.

16 de novembro de 2013

Sidney Gusman anuncia no FIQ as próximas seis GraphicMSP

O FIQ, o maior festival de quadrinhos do Brasil está rolando a cem por hora lá nas Geraes e os confrades estão postando maravilhas lá no FB ( principalmente fotos em companhia do grande artista e boa gente George Perez, um mito entre os aficionados das HQs. E autógrafos do cara também, sem dúvida). Sidney Gusman, um dos grandes nomes responsáveis pelos últimos sopros de criatividade do Estúdio Maurício de Sousa - e talvez o primeiro no FIQ a ter uma assinatura do mestre Perez - anunciou com direito a vídeo e grande platéia, as próximas edições da série GraphicMSP. Pelo que se vê nas capas abaixo, a qualidade dos desenhos e dos roteiros têm tudo para seguir com louvor nessa coleção que já é um grande sucesso de crítica ( crítica que nos últimos tempos andava impaciente com a letargia dos gibis tradicionais da empresa). Aguardemos. Lembrando que a GMSP 4, com o Piteco do artista Shiko, foi lançada no próprio FIQ. As capas a seguir estão na ordem em que foram anunciadas:

 






12 de novembro de 2013

Délcio Carvalho (1939-2013) e Paulinho Tapajós (1945-2013)

Délcio Carvalho
Paulinho Tapajós
Tibério Gaspar avisou-nos no FB: seu amigo,o grande cantor e poeta do samba Délcio Carvalho desencarnou hoje. Este ano 13, além de levar algumas grandes pessoas do nosso convívio, também anda deixando a MPB mais deserta. No mês passado quem partiu foi o lírico Paulinho Tapajós, primo de Tibério, e outro inscrito entre os grandes compositores. Délcio Carvalho foi o parceiro mais constante de Dona Ivone Lara e deixou quase 300 composições gravadas, entre elas a obra-prima e grande sucesso 'Sonho Meu'. Já Paulinho Tapajós era filho do compositor Paulo Tapajós, este radialista e parceiro de Vinicius de Moraes, e irmão do politizado e boêmio Maurício Tapajós e da cantora Dorinha Tapajós, ambos falecidos precocemente. Além de compositor e cantor, Paulinho era um exímio violonista, escritor/poeta, arquiteto e produtor musical. Premiado em festivais ( "Cantiga por Luciana", campeã do FIC de 1969 tem coparceria sua), deixou pérolas como "Sapato Velho" (com Mu e Claudio Nucci) e "Andança" (com Edmundo Souto e Danilo Caymmi), duas músicas que não podem faltar em qualquer roda de violão que se preze. O plano de cima com esses dois está mais lírico, mais romântico, mais doce, mais nostálgico. Já aqui embaixo, todas essas palavras citadas, são ultimamente crimes inafiançáveis.
Paulinho:
* Sapato Velho (clip original de 1981 com Roupa Nova): http://www.youtube.com/watch?v=mC8L7YuUvW4
* Andança ( gravação do III FIC de 1968 - a composição ficou em 3º) - http://www.youtube.com/watch?v=f99Z_layVaU
* No Tempo dos Quintais (com Sivuca) - http://www.youtube.com/watch?v=9DP9-cb8XPI
* programa Ensaio de 2005 (TV Cultura) - http://www.youtube.com/watch?v=eSi6GfWcEFc
Délcio:
* Sonho Meu ( com Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara) - http://www.youtube.com/watch?v=GTKhvj-ZeUE
* Alvorecer ( no programa Bem Brasil - TV Cultura - 2010) - http://www.youtube.com/watch?v=AqhHC2r5WAg
* Acreditar ( no mesmo programa) - http://www.youtube.com/watch?v=uXsUBzfwqSc
* Programa Refrão com Delcio e Dona Ivone de Lara ( em três partes):
http://www.youtube.com/watch?v=FBdRQAnX9ko
http://www.youtube.com/watch?v=UuM502Fh_rQ
http://www.youtube.com/watch?v=Bj_aDq_3pyM

11 de novembro de 2013

Gedeone Malagola no DGABC

Avisaram lá no grupo Colecionadores de HQs que o Diário do Grande ABC de hoje dera uma nota sobre quadrinhos na coluna Memória do Ademir Médici. Fui checar o link e realmente a pauta era uma tira pioneira na região do ABC ( Capitão Astral ) publicada no jornal Folha do Povo no início da década de 50 e assinada por Gedeone (veja a coluna completa acima). Medici foi muito feliz em capturar essa preciosidade - essa conexão de Gedeone com a região do ABC não aparece em seus perfis biográficos - embora o colunista desconhecesse o artista. Prontamente liguei para ele e lembrei-o que no próprio DGABC, por conta daquela série especial sobre quadrinhos que orgulhosamente pude publicar em sua própria coluna, Gedeone já havia sido mencionado ( http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/10/no-mes-das-criancas-coluna-memoria-abre.html  -a capa com seu personagem Raio Negro é a 11). Passei o sobrenome ao Ademir e ele prometeu que vai homenagear à altura esse artista/roteirista pioneiro em super-heróis nacionais. Aguardemos. Gedeone Malagola foi incansável como autor e editor e até o fim da vida ( há uns poucos anos atrás), mesmo doente, colaborava com uma coluna mensal na Revista Mundo dos Super Heróis, falando sobre a grande paixão de sua vida - os quadrinhos, claro.
Pra fechar, lembrei que em outra ocasião mencionei Gedeone aqui no blog. Segue:
http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2009/10/bau-do-malu-12.html

8 de novembro de 2013

Ary Barroso, 110 anos, vira Doodle

Ontem não consegui nem chegar perto desse blog, aí não consegui postar essa maravilha acima, em homenagem aos 110 anos do velho e bom Ary Barroso, ídolo de Tom Jobim e uma espécie de "pai" da moderna música popular brasileira. Vale a pena mostrar esse Doodle, mesmo atrasado, pois não é sempre que um ídolo do passado é reverenciado, ainda mais um compositor que teve seu auge na primeira metade do século passado. A memória brasileira é curta, curtinha mesmo, e só de saber que um jovem curioso de 2013 pôde clicar nesse ícone e conhecer um pouco mais sobre esse lendário, polêmico e genial músico, criador das icônicas "Aquarela do Brasil" e "Rancho Fundo", já valeu a pena essa singela iniciativa da equipe brasileira do Google.

2 de novembro de 2013

O Acervo Sorve 10: Passado a Limpo - História da Higiene Pessoal no Brasil

Voltando ao "Acervo Sorve", com itens que eu ganho, compro ou garimpo para o acervo pessoal, mostro esse livro sui generis, escrito pelo sempre superlativo historiador e jornalista Eduardo Bueno ( autor do imprescindível "A Coroa, a Cruz e a Espada"), sobre a higiene desde os primórdios no Brasil: "Passando a Limpo - História da Higiene Pessoal no Brasil" (Editora Gabarito - 2007). O autor levanta dados desde o descobrimento e traz à luz hábitos de higiene dos navegantes portugueses - imundos, adoentados, sem o banho em seu cotidiano - e dos índios - com seus banhos diários. Segue adiante com as condições sanitárias insalubres da antiga capital, Rio de Janeiro, culminando com modismos, exageros e consumo de massa atual. Um livro recheado de informações e totalmente ilustrado, incluindo charges, anúncios, ilustrações e fotos que dão um panorama bem completo sobre o tema. Segue trecho que demostra bem a diferença "higiênica" entre os "barbudos" e os "pelados", ou seja, portugueses e índios do recém descoberto Brasil:

"Os peludos tinham barbas e vastas cabeleiras sebosas. Os pelados não estavam apenas desnudos, mas depilados. Os barbudos, quase todos, eram gordos ou magros demais e seus dentes, quando os tinham, estavam cariados. Os depilados exibiam dentes alvos, "bons rostos e bons narizes", "cabelos corredios e bem lavados", troncos, pernas e braços musculosos. Os barbudos raramente tomavam banho, mas a óbvia ausência de chuveiros em suas embarcações nada tinha a ver com aquilo: mesmo quando se achavam em sua terra natal, costumavam lavar-se "de corpo inteiro" apenas duas vezes por ano. Já os depilados pareciam anfíbios: banhavam-se nos rios, nas cachoeiras ou no mar de dez a doze vezes por dia."



31 de outubro de 2013

Renato Canini (1936-2013)

Renato Canini foi um dos mais autênticos criadores da nossa HQ. É só qualquer um bater o olho no seu Zé Carioca da primeira metade da década de 70 pra ver essa autenticidade: está ali um Zé Carioca finalmente incorporado à essência do brasileiro, com a Vila Xurupita escancarando barracos de verdade e o papagaio malandro mais natural, safo e driblador do que nunca, em seu traço divertido e solto. Muitos começaram a ler Disney com mais gosto na época por causa desse artista gaúcho, que nunca modificou seu estilo ou seu traço por conta de "fatores externos". Essa originalidade/liberdade gerou desconforto na matriz da Disney, e muito dizem que houve questionamentos à Abril sobre a arte fora do padrão mundial estabelecido. Uma corrente não crê nesse policiamento disneyano e acha que o autor pode ter sido patrulhado internamente, mas há indícios da presença de um profissional do estúdio responsável pela direção de arte das licenças. O certo é que Canini continuou Canini - desenhou o personagem por seis anos e chegou a roteirizá-lo - e sedimentou o caminho que o tornaria o primeiro Mestre Disney brasileiro, enquanto colaborava com a revista Recreio, Crás (com o impagável Kactus Kid) e criava as tiras do Dr.Fraud.
Revista Crás nº2 de 1974
Antes, bem antes de tudo isso, participou do CEPTA, movimento cooperativista de tiras de circulação nacional, com o personagem Zé Candango. O projeto durou pouco - o Golpe de 1964, que já tinha limado a revista Pererê de Ziraldo, decretou também seu fim. Na década seguinte, com o sucesso do Zé Carioca, pôde se realizar com um tema que lhe era valioso, a ecologia, na pele do índio Tibica, mais uma vez no formato tiras em projeto de distribuição da própria Abril. Posteriormente, Canini confirmou sua paixão e predileção por esse personagem. Entre os veículos de maior projeção, colaborou também com a revista Pancada e Pasquim e nos últimos anos, foi agraciado com muitos prêmios, ganhou uma edição especial sua na série Mestres Disney em 1995 e teve seu Kactus Kid transformado em troféu no HQMix de 2007. Seu último lançamento foi o livro Pago pra Ver, de 2012, coletânea de cartuns, desenhos e esboços relacionados aos pampas gaúchos. Canini fará muita falta, não só por sua genuína arte, mas como dizem todos os que o conheceram pessoalmente, por seu caráter íntegro e generosidade sem igual.
Zé Carioca e Nestor no traço inigualável de Canini para a capa de Mestres Disney nº5

Revista "Conhecimento Prático - Literatura" tem edição inteira dedicada aos quadrinhos

A última revista -Conhecimento Prático - Literatura ( edição 51, em bancas), da Ed. Escala, é totalmente dedicada aos quadrinhos. Além do foco principal, HQ em salas de aula como ferramenta pedagógica, também tem entrevistas com Ziraldo e Maurício de Sousa, artigos muito pertinentes sobre Clássicos da Literatura em HQ , a história do Code Authority e o auge da censura americana nos anos 50 (por Alexandre Callari), quadrinhos "poéticos-filosóficos" (por Matheus Moura), Imprensa e Impressão no Brasil (por Álvaro de Moya), um resumo da trajetória da revista O Tico-Tico, duas ótimas matérias do Nobu Chinem - "Escrevendo sobre Quadrinhos" (enfocando autores que escrevem sobre o gênero) e "A Academia abre as portas para os quadrinhos" ( sobre os núcleos de estudos do gênero dentro das universidades), entre outros bons artigos. De quebra, nas matérias mais pedagógicas, há uma extensa lista com obras de referência. Muito legal a iniciativa - pra quem como eu, adora "ir fundo" nas HQs e acredita que a nona arte é sim uma ferramenta preciosa ( e não "preguiçosa", como já apregoaram alguns) na educação, uma publicação séria com esse foco se torna essencial. Essa vai direto pro meu arquivo.

27 de outubro de 2013

Lou Reed (1942-2013)

Lou Reed, um dos mais importantes compositores do rock em todos os tempos, faleceu hoje cedo, de complicações decorrentes de um transplante de fígado realizado no início do ano. Reed foi um dos criadores que mudaram a forma de se fazer rock, ainda nos anos 60, ao fundar com seu amigo de escola, John Cale, de formação erudita, o grupo Velvet Underground, que contava também com o guitarrista Sterling Morrison e a baterista Maureen Tucker. O Velvet incorporou poesia/crônica das ruas, tabus, guitarras sujas, lirismo e underground, e embora tenha vendido muito pouco dos seus quatro discos, entre 1967 e 1970, deixou marcas profundas no rock que viria a seguir - o grupo foi influência decisiva para o glam rock, o punk e o pós-punk. Lou Reed seguiu solo ainda em 1970 e lançou pelo menos duas obras primas: Transformer (1972), com a bênção do rei da época, David Bowie, e Berlin (1973), um disco mais "cabeça", mais "cinza", mas não menos entusiasmante. Seus discos seguintes mantiveram lampejos de genialidade, uns mais coesos, outros mais confusos. Nas buscas e experimentações limítrofes, o compositor chegou até a lançar um disco recheado de ruídos e barulhos, embalado como erudito e "avant-garde" (Metal Machine Head, de 1975), que chegou a ser considerado por um bom tempo um dos piores discos de rock, mas ultimamente se tornou cult. Chocar e surpreender sempre foi seu lema, assim como a contestação e a cara fechada em aparições públicas ou entrevistas, duas marcas registradas de sua personalidade. Lou Reed foi Lou Reed até o fim: polêmico, incompreendido, difícil, genial.
Entre tantas músicas importantes do Velvet Underground e da carreira solo, fiz o meu Top Five  abaixo. E de quebra, um disco inteiro, o ótimo e subestimado Loaded, o último do Velvet Underground clássico.
* I'm Waiting for the Man - Velvet Underground - http://www.youtube.com/watch?v=hugY9CwhfzE
* Pale Blue Eyes - Velvet Underground - http://www.youtube.com/watch?v=PK4DeMYtumc
* Perfect Day - Lou Reed - http://www.youtube.com/watch?v=QYEC4TZsy-Y
* Satellite of Love - Lou Reed -  http://www.youtube.com/watch?v=MO5reyuzXis
* Walk on the Wild Side - Lou Reed - http://www.youtube.com/watch?v=0KaWSOlASWc
* Loaded - Velvet Underground (1970) (Full Album) - http://www.youtube.com/watch?v=-NwKZ9ZsgGA

25 de outubro de 2013

All Doodles

O último Doodle, em homenagem ao primeiro vôo de paraquedas
Eu sempre tive muita admiração pelos Doodles, os logotipos do Google estilizados, criados para datas especiais ou homenagens à personalidades. Artísticos, com animação, interativos, a criatividade sempre impera nessas criações exclusivas. Pois nessa semana, meu filho descobriu no próprio Google um atalho precioso que guarda todos os Doodles feitos até hoje, incluindo os pioneiros, mais simples, lá nos primórdios da empresa, até os atuais, mais rebuscados. E o melhor: na página, estão os Doodles feitos no mundo inteiro, ou seja, ali estão de verdade, todos os Doodles produzidos. Vale a pena ver:
http://www.google.com/doodles/finder/2013/All%20doodles

21 de outubro de 2013

2ª Capa do Mês: MAD outubro de 2013

Fugi à regra este mês e incluí mais uma capa para ser a "do mês". Os criadores da Mad americana de outubro foram muito felizes na concepção da capa - o assunto, não poderia ser mais "em cima" do que este. Spy x Obama x Spy! A arte é de Mark Fredrickson.

19 de outubro de 2013

Doodle Vinicius 100

Mais uma vez o Google presta loas a uma personalidade brasileira com um Doodle caprichado, e desta vez, além do aniversário ser de um século, o homenageado é um dos grandes da nossa cultura em todos os tempos. Vinicius de Moraes foi poeta dos melhores, boêmio de carteirinha, diplomata por teimosia, letrista por osmose ( e só por isso revolucionou a forma de se fazer letra no Brasil), fanático pelas mulheres por natureza. Vinicius, como bem notou Drummond, foi o poeta que mais viveu a poesia - sua vida era carne viva, flor da pele, intensa, profunda, como os mais importantes poemas. Oficialmente Vinicius faz 100 anos hoje, mas todo mundo sabe que ele viveu 100 anos ou mais em seus sessenta e tantos anos. Saravá, poetaço ( não vou te chamar de poetinha hoje)!.

18 de outubro de 2013

A impressionante arte de Joe Black

fotos divulgação
Quase 10.000 soldadinhos de brinquedos formam o rosto do ex-líder comunista Mao Tsé-Tung (acima e abaixo). Essas e outras obras impressionantes fazem parte da exposição do artista Joe Black em cartaz a partir de hoje no Opera Gallery de Londres.

+ no release da exposição com outras obras que também "enganam a vista":
http://www.operagallery.com/media/Joe%20Black%20-%20Ways%20Of%20Seeing.pdf

A Volta do Peixe Peludo


No final de 2010, um ser zoomórfico, com cara de peixe, pés humanos, pelos por todo o corpo e boemia underground inerente, virou personagem principal de um caprichado álbum de HQ idealizado pela dupla Rafael Moralez (textos) e Rodrigo Bueno (desenhos), sucesso de crítica e indicado a três prêmios HQMix (post: (http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2010/12/um-peixe-trompetista-peludo-e-ranzinza.html ). Eis que dois anos depois, o Peixe Peludo dá as caras again, via Catarse (detalhes aqui: http://catarse.me/pt/peixepeludo2 ). Pra quem não sabe, Catarse é a maior plataforma de financiamento coletivo (crowdfunding) do Brasil, viabilizando em quase três anos de existência cerca de 700 projetos criativos. Eu contribuí sem pestanejar (viva o quadrinho independente!) e o processo é bem rápido e indolor – as opções vão desde o livro autografado até recompensas adicionais como adesivos, camisetas e páginas originais.Conversei no FB com Rafael Moralez para saber mais detalhes dessa volta “catártica” do Peixe Peludo:

AM: Rafael, você e o Rodrigo já tinham uma trilogia em mente quando lançaram o primeiro álbum do Peixe Peludo?
RM: Sabíamos que ia ser mais de um número, mas não era certo quantos. A trilogia surgiu quando começamos a escrever o segundo. Três é um número bom.

AM: O Rodrigo comenta no vídeo de divulgação do projeto que essa nova história está ainda melhor que a primeira. Você também acha isso?
RM: Ela tá bem mais pesada, dias atrás reli e achei boa, se não tivesse gostado diria numa boa. Acredito que amadurecemos mais o personagem e temos mais claro para nós quem ele é. A ideia da trilogia ajudou nisso, agora sabemos pra onde ele vai e o que temos que fazer com a história. Parece que não tem sentido, mas o terceiro número vai fechar tudo isso, vai ser bem legal!

AM: O Peixe Peludo de 2010, ranzinza, musical, boêmio, urbano, é o mesmo Peixe Peludo de 2013?
RM: Um pouco sim, mantivemos suas características. Não vejo ele como ranzinza, mas sim como um sujeito crítico, que observa a sociedade e o mundo a sua volta com personalidade de pensamento. Ele não é mais um cordeiro que abaixa a cabeça na cidade de São Paulo, ele é um ser que pensa muito sobre as coisas. Acho o peixe um personagem bastante lúcido e um tanto revoltado com o mundo.

AM: A opção para esse novo álbum é a via independente. Como você vê essa tendência de lançamentos “sem editora” nos quadrinhos? Esse caminho foi natural para vocês ou brotou diante das adversidades do mercado?
RM: O caminho surgiu quando a editora que acenou dizendo que ia lançar o número dois deu pra trás e disse que não ia mais lançar. Estávamos com ele quase pronto. Tanto eu como Rodrigo sempre fizemos Fanzine no melhor esquema “faça você mesmo”; não tivemos a mínima dúvida e encaramos isso numa boa. Acho que é o caminho sair das editoras, gravadoras e até livrarias - só assim podemos ter uma verdadeira cena independente de quadrinhos no Brasil; e tem muita gente fazendo trabalhos excelentes. Quanto menos gente entre você e o leitor, melhor.

AM: No caso do Peixe Peludo, conseguindo a arrecadação necessária no Catarse, quais são os próximos passos até o volume chegar às mãos do leitor? Esse nº 2 da trilogia será posteriormente vendido em livrarias ou eventos? 
RM:Assim que terminar o tempo de arrecadação do Catarse vamos correndo pra gráfica, pois queremos entregar os exemplares aos colaboradores em dezembro. Vamos vender o número dois de mão em mão e deixaremos alguns em livrarias de quadrinhos em São Paulo. O projeto tem uma página no facebook (https://www.facebook.com/PeixePeludo?ref=hl) Vamos usar ela com contato para quem quiser comprar um exemplar.   

AM: Obrigado pelas informações, Rafael! E muita boa sorte para vocês, incluindo o Peixe Peludo, claro. Abraço.
RM: Nós todos que agradecemos. Muitíssimo obrigado!! Abração!

15 de outubro de 2013

Vários ângulos do cinema de Stanley Kubrick em mostra/exposição no MIS

Imperdíveis a mostra e a expo do fenomenal Stanley Kubrick que rola simultaneamente em São Paulo, graças ao MIS. A mostra, retrospectiva, com a nata da sua produção, vai até quinta (17), e a exposição, cheia de surpresas, segue até 12/01/2014, trazendo imagens, objetos, vídeos, áudios, figurinos dos filmes, entre outras preciosidades. O mestre merece esta homenagem.
Mais detalhes no CidadedeSãoPaulo: http://www.cidadedesaopaulo.com/sp/br/cinema/4093-mis-promove-mostra-de-cinema-e-expo-de-stanley-kubrick




13 de outubro de 2013

Jards Macalé e as biografias

Não vou nem me aprofundar nessa história do tal "movimento contra as biografias não oficiais", pois acho de uma estreiteza absurda. Mas só pra constar, adoro biografias e tenho uma estante cheia delas. Incluindo os livros que em algum momento foram proibidos, "Noel Rosa-Uma Biografia"(que já postei aqui http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2010/02/bau-do-malu-19-noel-rosa-uma-biografia.html ) e "Roberto Carlos em Detalhes". Também tenho "O Bandido que sabia Latim" biografia do Paulo Leminski que o Toninho Vaz fez alguns anos atrás e que agora teve a nova edição atualizada abortada por uma liminar da família do poeta. Comprei-os legalmente com meu suado dinheirinho em seus respectivos lançamentos em livraria e não tem ninguém nesse mundo que me tire eles. Mas esse meu post na verdade foi escrito pra poder incluir uma nota maravilhosa que eu vi hoje e que revela a opinião do sempre polêmico e genial Jards Macalé. Saiu na coluna Gente Boa do O Globo e deve fazer muita gente sair de cima do muro em relação a esse assunto.

11 de outubro de 2013

Capa do Mês - Poeira Zine 50


Outra capa não caberia aqui. A icônica revista Poeira Zine, publicação preferida de 10 entre 10 roqueiros da gema, caprichou nessa última edição e botou em sua fronte duas das vozes femininas mais genuínas e simbólicas dos agitados anos 60: Janis Joplin e Grace Slick.

4 de outubro de 2013

Previews: Graphic MSP "Piteco - Ingá"


Ontem rolou um grande acontecimento no FB: Sidney Gusman, responsável pelo Planejamento Editoral da Mauricio de Sousa Produções e um dos que deram o empurrão necessário para que a coleção Graphic MSP virasse realidade, abriu uma página especial de previews do novo volume da coleção, "Piteco - Ingá",com roteiro e arte do paraibano Shiko. E pelas imagens, será mais um álbum de grande qualidade, a altura dos três últimos números, "Astronauta - Magnetar" de Danilo Beyruth, "Turma da Mônica - Laços", de Vitor e Lu Cafaggi e "Chico Bento - Pavor Espaciar", de Gustavo Duarte. Imagens que surpreendem, seja pelos traços fortes, rústicos e o cenário de cores barrentas e ao mesmo tempo vibrantes, além do tema transcendente que se inspira na pedra do mesmo nome, monumento arqueológico situado no sertão paraibano, com inscrições e gravuras cobertas de mistérios e lendas. Em novembro, no Festival Internacional de Quadrinhos, finalmente poderemos botar as mãos nessa maravilha. Enquanto isso, fiquemos com algumas das imagens divulgadas (e a capa acima):





3 de outubro de 2013

Saiu o Mandrake da Pixel!

Depois de grande expectativa, saiu hoje nas bancas o Mandrake da Editora Pixel, nos mesmos moldes do último lançamento com o Fantasma: 130 páginas e preço de capa R$16,90. As histórias, coloridas, são quatro"O Mundo do Espelho", "O Colégio de Mágica" "O Chefe" e "O Contrabandista". R$16,90. Mais um lançamento caprichado sob a batuta da Otamix. E que venham mais clássicos!

2 de outubro de 2013

Bye, MTV


A MTV encerrou suas atividades e agora ressurge com outro padrão, outro formato e uma cara mais "Fazenda" ( a se basear nos novos contratados: Supla, Fiuk, entre outros). Ultimamente, até meus filhos adolescentes estavam sem paciência para a programação da emissora - assistiam alguma coisa da equipe do humor e olhe lá. Eu só parava pra ver se tinha a ver com "clássicos" ou "História" ( o que era bem raro). Foi nessas que acabei acompanhando trechos do My MTV, que andava reprisando cenas dos primórdios com os VJs pioneiros ( Cuca, Gastão Moreira, Edgard, Astrid, entre outros) . A verdade é que a MTV que surgiu em 1990 há muito tempo não existia mais. Com a internet e a rapidez com que a música corre o mundo, o canal ficou meio sem chão e tentou por várias vezes adaptar seu foco. Como agora, com o falecimento do Roberto Civita, a Editora Abril adotou uma política de manutenção dos produtos tops de linha ( daí o fechamento de algumas revistas que não alcançavam esse padrão de vendas), a emissora entrou no pacote. Adios, velha MTV. Talvez você tenha se despedido um pouco tarde demais.
O vídeo de despedida:
E os últimos minutos:

1 de outubro de 2013

Capa do Mês - Rolling Stone nº 84 ( e alguns pitacos sobre o RiR)

Embora essa RS seja de setembro - eu só botei a mão nela hoje, portanto, essa capa com foto do show do Bruce Springsteen (que parece até montagem, não fosse uma cena habitual em sua turnê mundial) fica como capa destaque da virada setembro/outubro. Nos créditos da magazine consta: "Bruce Springsteen fotografado por Jo Lopez no Estádio San Siro, em Milão, Itália, em 3 de junho de 2013". A foto escancara bem a entrega do compositor americano em seu show. Quem o viu/assistiu no Rock in Rio comprovou o seu vigor e entusiasmo em plenos 64 anos, pulando, correndo, saltando no piano, carregando uma fã no colo, surfando e saracoteando na platéia. Com essa postura, fez um show muito mais quente que as outras atrações e pra muitos, o melhor. Iron, Metallica, Alice in Chains, entre outros bastiões do rock, fizeram bons shows, profissionais, mas talvez um tanto burocráticos. A presença de Zé Ramalho com o Sepultura foi um grande momento, assim como a improvável mistura Gogol Bordello/Lenine. O ótimo e remendado Helloween agitou pra valer a galera, com participação até de seu vocalista original, Kai Hansen, mas por incongruências da produção, teve que se contentar com o palco secundário. Na ala nacional rolaram homenagens a Raul Seixas e Cazuza com um time afinado. Não assisti (porque não deu) Offspring, Marky Ramone, Muse, Ben Harper, portanto não tenho nada a declarar sobre eles. Também não assisti Beyoncé, Ivete Sangalo e Justin Timberlake, mas esses porque não quis mesmo. Os suecos do Ghost, com suas vestes papais, surpreenderam. Bon Jovi e Sebastian Bach decepcionaram ( pelo menos a mim). No fim, Bruce Springsteen foi mesmo o destaque do Rock in Rio 2013, um festival mais uma vez esquizofrênico, com esparsos momentos de brilho, mas que deve se manter como grife por uns bons anos ainda.

30 de setembro de 2013

MeMo, a Revista da Memória Gráfica, já está no número 3


Demorei pra divulgar essa preciosidade chamada "MeMo - A Revista da Memória Gráfica". Fiquei extasiado tanto com o primeiro como com o segundo número e cheguei até a comentar com um dos editores, o diretor de arte e pesquisador Toni Rodrigues, sobre a impressionante riqueza de detalhes e a impecável pesquisa das duas primeiras edições lançadas - sobre Nico Rosso e Monteiro Filho, respectivamente. Agora, com o terceiro número saído do forno, focando Luiz Saidenberg, me sinto no dever de divulgar esse magnífico documento,que mantém a qualidade e a amplitude dos números anteriores e joga luz na obra de um grande mestre dos quadrinhos que ainda não tinha sido destacado com essa merecida relevância. Vale muito a pena baixar o conteúdo dos três volumes. E que venham muitos outros - a História Gráfica agradece. Só um desejo de colecionador das antigas: será que um dia essas revistas sairão em papel?
para baixar, aqui.