13 de fevereiro de 2015

Os 12 discos (+1) preferidos de Leo Engelmann*

"Malu e demais, finalmente a lista completa. Eu não queria repetir os disco citados por vocês, mas ficou difícil, visto que muita coisa eu ouvi por osmose de vocês mesmos. Mas muita coisa mesmo."


1. "Calor", Guilherme Arantes. 1986. CBS.
Meu primeiro LP dele, ganho de amigo secreto. Pra mim, o melhor LP dele em termos de produção. Naquela época (1986), foi gravado parte nos EUA, ainda um luxo pra época. Tem participação de gente de fora do Brasil.

                                                                    

2. "Cabeça dinossauro", Titãs. 1986. WEA. 

Auge da carreira do grupo, quando ainda era completo. 8 integrantes num grupo de rock. Vale destacar a mensagem subliminar da sequencia musical, onde há, implícita, a história da humanidade. Só prestar atenção: o LP abre com os batuques indígenas de "Cabeça dinossauro", que passa a mensagem sem o uso de nenhum verbo na letra, "Família" e "Dívidas". Em 2012, o álbum foi relançado em CD trazendo a versão demo completa.




3. "Off the wall", Michael Jackson. 10/08/1979. Epic Records. 

Não poderia faltar o ex-integrante do Jacksons 5. Primeiro álbum solo de Michael Jackson, foi gravado em exatos 180 dias e lançado menos de dois meses depois do término das gravações. Mas o que me vale mesmo é o relançamento em 2001 do CD especial de 30 anos ( não seriam 32? ) de "Off the wall", trazendo a bonus track com a demo de "Don't stop 'til you get enough" tocada pela Jacksons 5.



4. "The division bell", Pink Floyd. 28/03/1994. EMI. 
Não ter nada de Pink Floyd numa lista básica de álbuns realmente é de uma falta de sensibilidade sem tamanho. Desse álbum, minha preferida é "Take it back". Mas o que me chama atenção, mesmo, é a capa: os 'cabeções' da Ilha de Páscoa estão na capa que eu considero uma das mais bonitas.


5. "Moto Perpétuo", Moto Perpétuo. 1974. Continental. 
Rock progressivo nacional, o LP pode ser considerado raro pois foi o único lançado pela banda, que durou entre 1974 e 1975. Guilherme Arantes ( sim, de novo ) era o tecladista, vocal e compositor de várias faixas do LP. 



6. "Concentração", gravadora _____?, 1985 (?). Ah, o Jazz and Blues. Tão falado por vocês. Assisti uma única vez com o Marqueta um show do Celso Pixinga no J&B. Acredito que a questão técnica da gravação e finalização de um LP fora dos selos das grandes teria sido o maior desafio. É pelo desafio que ele está na lista, além claro, das músicas. É item de colecionador. Certa vez encontrei no Mercado Livre o LP à venda de um rapaz nas Alagoas.



7. "Clube da Esquina", Odeon, 1972. Discoteca básica da MPB. Aliás, discoteca básica, independente de ser o que é. Primeiro trabalho de Milton Nascimento e Lô Borges, juntos. Até então, Milton esteve se apresentando no RJ ( ele é carioca ) e havia lançado 5 álbuns entre 1965 e 1970. Falando em Milton...



8. "Travessia", Milton Nascimento. 1967, Codil; 2002, Dubas. Me perdoem, caros. Perdão duas vezes. A primeira, por repetir Milton Nascimento. O segundo perdão, por ter nesse disco a música "Travessia". E é dessa música que eu me atrevo a falar do disco todo. O ano, 1967. Vários países da América Latina estavam vivendo Ditadura Militar. O mesmo vale para o Brasil. Quem falasse mal do governo, pau. Seja jornalista, pintor, metalúrgico, sindicalista. Seja motorista de ônibus, dona de casa, professor, aluno. Na música, surgia o Tropicalismo, músicas com letras que criticavam a ditadura militar. Até aí, nenhuma novidade. "Travessia", de 1967, composto também por Fernando Brant e Wagner Tiso, foi somente o primeiro disco solo de Milton, segundo lugar no segundo  Festival Internacional da Canção da Rede Globo. Se prestar atenção na letra, há traços fortes de tropicalismo em "Travessia". Pra mim, é o ponto de partida dessa minha tese. Para reforçar ainda mais esse traço tropicalista, ouça "Promessas do Sol", de Milton Nascimento também.







9. "Milagre dos Peixes", Milton Nascimento. 1973, EMI Odeon. "Milton de novo, Léo?" Milton de novo. Disco com a minha idade, lembrado aqui não pelas músicas em si. Em tempos de mp3, youtube e podcasts, quem dá valor à capa? Há trabalhos magníficos em capas de LPs e CDs, como Born in the USA, de Bruce Springsteen; Pulse, de Pink Floyd ( o importado tinha um led piscando ); o LP de Fátima Guedes, gravado em 1980; Cristalina, de Lulina; Songs, do Yes, e por aí vai. Quando vi numa Feira de LPs em Santo André o disco "Milagre do Peixes" à venda, não pensei duas vezes para comprá-lo. A capa do LP se desdobra em seis e vira uma fotografia do Milton Nascimento criança. 



10. "Serious Hits Live", Phill Colins. 1990, Atlantic / Warner / Virgin. Esse pegou a virada da era LP e CD. Tanto que há pra vender as duas versões: LP duplo e CD. Três, se contar o DVD. Gosto de shows ao vivo, de verdade. Para minha decepção, esse é um show que jamais vou ver, ao vivo, no Brasil. O outro que eu queria ver era "Pulse". Pra quem viu o DVD ( será que tem dvd áudio 5.1? Blu-ray? ), se encanta com o palco, montado no centro. A plateia fica em volta, 360 graus. Participação do naipe de metais "The Phoenix Horns", diretamente do "Earth, Wind and Fire". Não acabou: Chester Thompson na bateria ( ele faz uma batalha com Phill Colins durante o show ) e Daryl Stuermer na guitarra acompanhavam Colins no Genesis. Disco para ver e ouvir em alto e bom som.




11. "Nirvana unplugged", Nirvana. 1994, Original Records Group. Até então eu não curtia muito rock pesado. "Nevermind", LP lançando o grupo Nirvana, me chamou muito a atenção. Disco de cabeceira também, mas falemos do Acústico deles. A marca "Unplugged" e "Acústico" pertenceram ao grupo Abril e à MTV antes dessa nova fase que temos aí. Como dito antes, eu curto sons ao vivo. Os acústicos são um prato cheio para isso. "Nirvana unplugged" surgiu também quase no mesmo contexto de "Serious Hits Live": a transição LP para CD. Além das inúmeras histórias que envolvem a gravação desse show ( o líder da banda Kurt Cobain pediu uma decoração de velório, além de estar drogado na gravação e ter errado muitas músicas por esquecimento ), existe uma tiragem especial do vinil na cor branca. Sim, o disco é branco. Encontrei um exemplar usado num site gringo a 197 reais, câmbio de hoje.



12 ( ufa ). Eu morava no Bairro Campestre, em Santo André. Essa, aliás, é a época em que eu tenho minhas lembranças mais antigas: a de quando eu tinha quatro ou cinco anos de idade. Eu ia numa escolinha que eu não gostava de jeito nenhum. Papai enfeitava a árvore da frente de casa com luzes brancas de Natal ( encontrei numa loja há umas três semanas as luzes, farei pro próximo Natal ), meu irmão com uma bandeira enorme do Corinthians, sinto até hoje o gosto do ovo de páscoa que ganhei nessa casa, o Fusca verde de um dos primeiros amigos do meu irmão e da família, as idas com meu vô na padaria da esquina. O ano? 1978 ou 1979. Nesse turbilhão de lembranças estavam uma vitrolinha portátil mais pesada que eu e um compacto laranja-translúcido com a história da Cinderela, narrada pelo Senor Abravanel. O disco foi lançado em 1975 e numa pesquisa rápida, dá pra encontrá-lo à venda por 45 reais. Esse, aliás, é o primeiro disco realmente meu ( salvo engano ) que deu origem ao que sou hoje: radialista, coralista e apaixonado por músicas.


Bonus album ( como não bastasse a bonus track )


13. "Renato Teixeira & Pena Branca e Xavantinho ao vivo em Tatuí", gravado em 21, 22 e 23 de setembro de 1992, gravadora Kuarup.
Um verdadeiro Ode à Música Caipira. Esqueçam Chitãozinho & Xororó, Trio Parada Dura, Donizetti e Perla. Para quem conhece Almir Sáter, Passoca, Helena Meireles, esse álbum está no mesmo nível. Diria até acima. Só clássicos intimistas da música caipira, passando por "Romaria", "Cio da Terra", "Amanheceu peguei a viola" e as surpreendentes "Gente que vem de Lisboa / Peixinhos do mar" ( mistura de música caipira e ladainha ) e "Rapaz caipira" ( Renato Teixeira faz uma brincadeira com a plateia sobra o sotaque caipira ). Vale cada música, cada acorde. 

* Leo Engelmann é radialista e um turbilhão criativo ambulante

Tomie Ohtake (1913-2015): o descanso da incansável

Tomie Ohtake chegou ao Brasil a passeio em 1936, mas gostou tanto daqui que acabou ficando. Casou no ano seguinte e embora já pintasse por hobby em seu Japão natal desde nova, decidiu focar na família por uma década e meia. Em 1952 retornou à arte, dessa vez de forma mais segura, após visitar uma mostra no MAM do pintor japonês Keya Sugano. Vários críticos e merchands na época incentivaram-na a continuar experimentando, entre eles Mario Schenberg e Geraldo Ferraz. Com esse incentivo na alma, Tomie se aproximou a partir de 1954 do abstracionismo, mas sem se envolver com os cânones acadêmicos. Estava aberto o caminho de experimentalismo e dualidade que perdurou por toda sua carreira artística. Força e suavidade, leveza e aspereza. E sempre com muita poesia. Naturalizou-se brasileira na década de 60, época crucial para a afirmação de sua pintura abstrata única - foi esse o período de suas famosas pinturas às cegas. Já nos anos 80, a linha curva vira o eixo de suas esculturas e a partir dos anos 90, transparência, profundidade e um ar etéreo fazem com que sua arte extrapole horizontes terrestres, como se acolhesse paisagens siderais diversas. Tomie, embora reservada e instrospectiva, mas sempre muito querida. foi grande amiga de Haroldo de Campos e  Yoko Ono, entre outros artistas. Virou a "dama das artes plásticas brasileiras" e suas obras estão espalhadas por todo o Brasil,  principalmente em São Paulo, terra que a acolheu. Aqui pertinho de mim, no paço de Santo André, tem uma obra recente sua ( veja link abaixo), assim como no Memorial da América Latina, estações de metrô e ruas ( o outro link abaixo, com as principais obras em São Paulo) . Trabalhou até o fim, até o último minuto de seus 101 anos, dois meses e 22 dias. Ontem, inevitavelmente, a morte levou a incansável guerreira.

http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=53992

http://vejasp.abril.com.br/materia/guia-obras-publicas-tomie-ohtake-sao-paulo/

12 de fevereiro de 2015

Os 12 discos preferidos do Rogério Engelmann*

Agora é pra valer! Um pouco antes do pontapé inicial dado pelo meu último post de 2014, ( http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2014/12/meus-12-discos-preferidos.html ), convidei grandes amigos, conhecedores e apreciadores da boa música, para publicar aqui no blog seus "12 discos preferidos". Como citei anteriormente, sei da tremenda encrenca que é listar só 12 discos entre tantos que ouvimos, curtimos e muitas vezes, veneramos durante a vida. Mas também sei que entre pré-listagens, rascunhos, reavaliadas e triagens, acrescidas de palpitações, apertos no coração e espasmos, essa brincadeira acaba ficando muito divertida.
Dois dos meus grandes amigos, os irmãos Rogério e Leo Engelmann, entregaram quase simultaneamente suas respectivas listas. Na verdade, confesso, eu acabei atrapalhando um pouco essa entrega, pois citara no início da ideia 10 discos, como no livro original, mas no fim prevaleceram mesmo os 12, só para diferenciar um pouco ( e - parece pouco mas não é - acrescentar pelo menos dois discos essenciais que estavam na reserva por falta de espaço).
Abaixo, a lista do Rogério, com seus devidos comentários.


"Tenho enorme dificuldade em elaborar uma lista dessas. Ao longo dos anos, esses "12+" foram mudando muito, em função da quantidade e qualidade do que fui ouvindo. Como vocês já apontaram, "10" pode virar "20", ou "10" nacionais e "10" internacionais, sei lá. Aí vai a lista dos "Doze"...Os comentários são curtos, mas já passou muito tempo!"


1 - Concentração - 1986 - Vários - Vinil gravado ao vivo no Jazz & Blues. Esse, como todos abaixo, causaram grande impacto na primeira audição, e viram bem até hoje.


2 - Off the Wall - 1979 - Michael Jackson - O melhor álbum pop de todos os tempos.


3 - Give me the Night - 1980 - George Benson - O segundo melhor álbum pop de todos os tempos.


4 - The Dude - 1981 - Quincy Jones - "O" álbum pop do produtor do primeiro e do segundo. É inclassificável, não há escala para esse. Suprasumo.


5 - Cosmic Messenger - 1977 - Jean-Luc Ponty - Minha iniciação no fusion.    Esse, por ser o primeiro marcou, por isso está aí. Mas tenho outros, não sei dizer de qual gosto mais.


6 - Radioactivity - 1978 - Kraftwerk - Minha iniciação no eletrônico.   Na verdade foi o "The Man Machine", que ouvi em 1975, mas foi o Radioactivity que impactou mesmo. Ou consolidou o do primeiro. Sei lá. Isso dá uma boa história...


7 - Corredor Polonês - 1987 - Patife Band - Uma pedrada. Que veio de estilingue pelo rádio (o Transglobe do Nê), numa noite morna da primavera de 1988, no sítio do Egon. 


8 - Variations for Winds, Strings and Keyboards - 1986 - Steve Reich - É o maior esforço feito para transformar música em arquitetura. Tenho uma sensação de "espaço" quando ouço, a mesma que sinto ao apreciar um prédio.


9 - Find Out - 1985 - Stanley Clarke - Misturou black music, jazz fusion e música clássica no contra baixo. Falo do Stanley Clarke, esse álbum é bom mas é meio popzinho. E sem falar do "Return to Forever".


10 - Zapp - 1980 - Zapp - O Funk em estado essencial, no nível "zero", ou seja, no nível do piso das pistas de dança (o melhor nível possível, em certos aspectos). Uma espécie de "buraco negro" do Funk. O Zapp faz o tempo parar.


11 - Via Láctea - 1979 - Lô Borges - Podia ser o Clube da Esquina, podia ser algum do Beto Guedes ou podia ser do Milton, mas vai o do Lô, e "Tudo o Que Você Podia Ser"...


12 - Pedrinho - 1980 - Vitor Assis Brasil - Saxofonista virtuose, fez carreira nos EUA, faleceu jovem, doença rara. Infelizmente pouco divulgado. Vinil, que rodou muito, mas muito mesmo, junto com o "Banda Metalurgia", o "Concentração", "Pindorama" do Pau Brasil, e outros, que já faziam um Jazz Brasil já meio "ácido"... Uma homenagem.


"Baixei" essa lista em cerca de dois minutos. Não está em ordem de importância. Mas tem mais, tem muito mais.Se eu mandar outra lista amanhã, ou semana que vem, talvez não sejam os mesmos; falta muita coisa aí. Chic Corea, Miles Davis, Paco de Lucia, Ron Carter, Sting e The Police, Double, Premiatta F. Marconi, Triumvirat, Crosby, Stills, Nash & Young, O Terço, Os Mutantes, George Duke, George Clinton, Chaka Kan, Earth, Wind and Fire, Heatwave, Tim Maia, Banda Black Rio, Azymuth, Jorge Ben, Metalurgia, Joss Stone, US3, Incognito, Jamiroquai, Kruder & Dorfmeister, Tom Jobim, João Gilberto e toda a turma da Bossa Nova, e tem mais...Vou parar por aqui. Difícil mesmo."

* Rogério Engelmann é arquiteto e sempre que tem oportunidade, projeta paredes de sons inquebrantáveis.

Os Tons de Cinza de Dálcio Machado


Um dos chargistas mais geniais do Brasil, Dálcio Machado vive se superando nas páginas diárias do Correio Popular de Campinas. Hoje foi um desses dias em que sua criatividade bateu lá em cima.( para acompanhar todas as charges diárias de Dálcio, fique ligado nesse link: http://correio.rac.com.br/index.php?id=/entretenimento/charges/

11 de fevereiro de 2015

Baú do Malu 54 - Garrafa Térmica "Turma da Mônica" da Trol



Pra fugir um pouco dos itens de papel, trago aqui essa simpática garrafinha térmica azul de plástico da Turma da Mônica. Não consta o ano de fabricação, mas pelo traço dos personagens ( ainda pontudos), ela pode ter sido feita entre 1969 e 1972. A fabricante, aliás, é a saudosa Trol, a mesma do Velotrol, do Playmobil e dos bonecos da turma da Mônica nos anos 60/70. Um item em muito bom estado, pelos seus mais de 40 anos, que eu encontrei em minhas fuçadas e cavocadas pelo centrão velho de São Paulo.

10 de fevereiro de 2015

A importante Ovelha Negra em livro

Ovelha Negra foi um mítico veículo de humor gráfico de vida curta ( apenas oito edições), mas que mesmo assim acabou publicando 100 artistas em suas páginas. Um recorde. Em plena ditadura militar, a publicação tinha foco no desenho de humor e em sua breve existência foi bombardeada pela censura. O experiente cartunista DaCosta, também professor, pesquisador e frequentador assíduo de salões de humor, ouvia muito falar do tal jornal em conversas com colegas, mas percebia uma total falta de precisão histórica nos detalhes de sua publicação. Movido pelo ímpeto de curiosidade e interesse no assunto, resolveu ir fundo nessa história e sua meticulosa pesquisa de cinco anos acabou virando dissertação de mestrado em 2012, pela USCS, com orientação do professor Roberto Elísio dos Santos. O próximo passo foi transformar o trabalho acadêmico em livro, intitulado "O Berro da Ovelha Negra".Uma terceira etapa está rolando agora: a campanha de crowdfunding para financiar a produção e o lançamento da obra.
DaCosta foi um dos premiados do último Ângelo Agostini da AQC-SP, como melhor cartunista de 2014 e em 30 anos de profissão, sempre levou muito a sério o humor gráfico no Brasil. Para ajudá-lo nessa missão de perpetuar a memória de um dos baluartes da imprensa nanica nacional, siga as coordenadas no link abaixo:

http://www.kickante.com.br/campanhas/o-berro-da-ovelha-negra

9 de fevereiro de 2015

Uma tarde inesquecível na Rick and Roll



Sábado foi dia de dois eventos de primeira, e eu tive que optar por um deles. Como já tinha ido à Feira do Vinil de Santo André no mês passado, escolhi ir com meu filho Gabriel ( olha ele aí again) na famosa loja de discos Rick and Roll, no lançamento da segunda edição do livro do Ronaldo Estevam, "Manual do Candidato a Pop Star", um honesto e divertido relato autobiográfico de suas três décadas de experiência dentro da indústria cultural. Conheço o Ronaldo desde os anos 80, época da formação de suas primeiras bandas. Nunca esqueço quando ia comprar pão na padaria perto de casa ( Canoa) e um quarteirão antes, já era possível ouvir um som rolando no ar, em um volume considerável para aquela hora da manhã. Era o Ronaldo, vizinho da padaria, ensaiando com sua banda, invariavelmente com seus amigos Haroldo, Carlão ou Corradini, mandando ver no velho e bom rock! Ultimamente, o contato era só via internet, mas ontem consegui finalmente reencontrá-lo ao vivo. O grande Haroldo Monteiro, o mesmo amigo em comum daqueles tempos, já estava presente. A família de Ronaldo - sua mãe, irmã e cunhado - chegou logo depois. A nova Rick and Roll Discos, do incansável Ricardo Martins ( cujo apelido dá nome à sua loja) agora fica no térreo da galeria do número 85 da Av. Francisco Matarazzo (loja 5), no centro de São Caetano e está com o mesmo clima e layout da pioneira Rick and Roll da Rua Baraldi, fundada nos anos 80. A tarde foi muito enriquecedora. Ganhei dedicatória no meu exemplar do livro e ainda levei pra casa o CD "Algum Lugar pro Amor", pacote do Ronaldo que sorverei na semana. Já a conversa musical, ampla e irrestrita, nos levou a discutir a cena roqueira atual, a importância de algumas bandas oitentistas brasileiras, a visível lacuna dos anos 90, a surf music, a droga no rock, Mutantes, Marmelades ( Rick mostrou um vídeo incrível dos membros da banda cantando maravilhosamente bem, 40 anos depois), Free, os estradeiros Almir Sater e Zé Geraldo, Michael Jackson, o grunge, a cena do ABC, lembranças das brigas entre os punks e os cabeludos nos anos 80, entre tantos outros assuntos. O amigo do Rick e frequentador da loja Fantomas, ajudou nessa sadia conversa de louco ( e também ajudou nas fotos). O auge desse papo transcendental foi quando descobri entre os compactos à venda, um do lendário Harry Nilsson, um compositor que fez muita música, romântica inclusive, para vários músicos da virada dos anos 60 para os anos 70 e se tornou grande amigo de John Lennon, inclusive protagonizando ao seu lado as polêmicas noitadas no período que Lennon chamou de "fim de semana perdido". Nilsson faleceu em 1994 e deixou alguns clássicos como o tema de Midnight Cowboy. Quando estávamos às gargalhadas com a aparição de Nilsson à nossa roda, eis que surge o Carlos (Neno), outro velho amigo da antigas formações musicais de Ronaldo, e aí pra finalizar com chave de platina, rolou uma session descontraída com Legião Urbana e Beatles, bandas aliás, que estão entre as preferidas minhas e de meu escudeiro Gabriel. Abaixo, algumas imagens capturadas dessa tarde tranquila e mágica, incluindo detalhes e itens incríveis dessa loja que já virou patrimônio musical atemporal de São Caetano do Sul e do rock brasileiro. (créditos das fotos: Rick and Roll; Ronaldo Estevam e Marcos Massolini)

Da esquerda para a direita: Rick com a mascote da loja, Gabriel, Ronaldo, Malu, Haroldo e Neno













e aqui, o vídeo feito durante a "session":
https://www.facebook.com/video.php?v=10202656235121758

7 de fevereiro de 2015

Ron Mueck e Dom Quixote: algumas horas de fila podem valer a pena




No fim de semana passado, fiz em família dois programas que tinham como bônus extra algumas horas em filas extensas: a exposição do australiano Ron Mueck na Pinacoteca do Estado e a peça  "O Homem de La Mancha" , peça encenada no Sesi-SP com direção e versão de Miguel Falabella. Em ambos os casos, esperamos em filas por mais de 1 hora - a diferença é que a exposição era paga - barata, mas paga - e a peça tinha um esquema de distribuição de ingressos gratuitos um pouco antes da apresentação. Só de ver essas filas, a sensação imediata é de ojeriza e afastamento. Mas em casos como esses, quando o evento é muito compensador e único, a insistência e paciência em permanecer numa longa espera vale muito a pena no final. A exposição de Ron Mueck é única, por se tratar de obras com proporções totalmente fora do padrão - os tamanhos das esculturas humanas hiper realistas são diminutas ou gigantescas - e trazerem detalhes de pele, como rugas, manchas, cravos, veias, expressões faciais, além dos cabelos idênticos aos nossos, que impressionam e fazem quem está próximo às figuras expostas sentir que a qualquer momento, elas podem mover o rosto, piscar os olhos ou dar um passo à frente. Já a peça dirigida pelo hiperbólico Falabella faz não só a gente parar e pensar na condição humana - exatamente como era o intuito da montagem anterior, na época da ditadura - como traz para mais perto da nossa realidade brasileira toda a luta cotidiana de um sonhador que imagina um mundo mais justo. O diretor, muito feliz na junção, mistura nessa nova montagem o universo de Cervantes ao mundo hostil de nosso sistema psiquiátrico, principalmente o dos tempos de regime militar. Para isso,  tira da manga a figura peculiar e mágica do artista-paciente Arthur Bispo do Rosário, também conhecido por Gentileza, que viveu praticamente toda a vida internado num desses sanatórios e acabou se tornando uma lenda, ao fazer do seu cotidiano e de objetos ao redor, obras de arte pura. O seu personagem nem é tão esmiuçado pelo enredo, e nem precisa: sua presença como uma espécie de rei do local, dá o tom certo para a trama. O elenco segura muito bem a onda, com grande destaque para o protagonista, o ator Cleto Baccic, que dá um show na pele de Miguel de Cervantes e D.Quixote - e já recebeu diversos prêmios por sua interpretação ( a peça ganhou o APCA de 2014). O cenário de Claudio Tovar ( sim, o mesmo Tovar do antológico Dzi Croquettes) também impressiona.
As duas atrações ainda estão em cartaz em fevereiro, mas a exposição do Ron Muek termina em 22 de fevereiro. Mais informações nos links abaixo

Ron Mueck: http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/Upload/file/faq-fevereiro.pdf 

O Home de La Mancha http://www.sesisp.org.br/cultura/teatro/o-homem-de-la-mancha.html


Grandes mulheres que se foram

Algumas grandes representantes do bloco feminino se despediram nesse começo de 2015. E todas elas, de algum modo, remaram contra a maré, numa época em que a arte e o mundo eram muito mais machistas que hoje.

Maria Della Costa ( 1926-2015)

Divulgação Coleção Aplauso
O teatro sempre foi sua casa. Adentrou o palco à convite de Bibi Ferreira, depois de uma carreira na adolescência como manequim e dançarina. Foi a primeira protagonista de uma peça de Bertold Brecht no país. Dez anos depois de sua estreia, e dois depois de sua própria companhia, funda o teatro com seu nome em São Paulo e se consagra com o sucesso das peças encenadas, além de lançar nomes como Fernanda Montenegro e Sérgio Britto e contracenar com Paulo Autran. No cinema, trabalhou em clássicos como "Inocência" e "Moral em Concordata" - um filme inédito de media metragem,  com sua última participação, rodado em 1989, está em fase de edição. Na TV foi mais discreta: Beto Rockfeller na Tupi e duas ou três participações na Globo. Sua alma empreendedora a fez dona de uma pousada em Paraty na maturidade. Viveu muitos anos na cidade litorânea, e  em uma de minhas visitas por lá, a vi andando rapidamente, fagueira e ainda bonita, já com mais de 60 anos. Faleceu no dia 24/01, depois de um tempo internada. A coleção Aplauso da Imprensa Oficial  tem sua biografia ( uma tese de doutorado), já na segunda edição.

http://livraria.imprensaoficial.com.br/maria-della-costa-seu-teatro-sua-vida-2-edic-o-colec-o-aplauso-especial-2702.html


Vanja Orico (1931-2015)

A atriz, cantora e cineasta nasceu Evangelina Orico e foi a única brasileira a atuar em um filme de Fellini. Participou de mais de 20 filmes nacionais e estrangeiros, e se imortalizou em participações marcantes nos filmes do ciclo do cangaço, principalmente em "O Cangaceiro", premiado em Cannes, onde cantou lindamente "Sodade, Meu Bem, Sodade" e "Mulher Rendeira". A partir daí, lançou-se em disco, enquanto continuava sua saga na telona. Nos anos 70 rodou seu único longa como diretora, "O Segredo da Rosa" e em 1994, o Quinteto Violado conheceu a atriz/cantora através de Geraldo Vandré. Desse encontro, saiu um CD independente pelo selo Mato. Faleceu no dia 28/01.

https://www.youtube.com/watch?v=rLCrQ_U2gpc  (Sodade Meu Bem Sodade)

https://www.youtube.com/watch?v=oOumq-kWf-Y  ( filme "O Cangaceiro" - íntegra)


Odete Lara (1929-2015)

A enigmática Odete Lara foi uma das grandes divas do nosso cinema, com 32 filmes no currículo, incluindo suas participações icônicas em dois filmes do Cinema Novo - Noite Vazia (1964) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969) - que a tornaram musa do movimento. Sempre plural, Odete foi modelo do primeiro desfile de moda do Brasil, em 1951 no MASP, foi atriz em várias telenovelas da TV Tupi, fez shows e discos com Vinicius de Moraes, cantou também em show com Chico Buarque, e depois da maturidade, largou tudo para escrever livros autobiográficos, fazer traduções e mergulhar no budismo. Em sua autobiografia "Minha Jornada Interior", Ignácio de Loyola Brandão sintetizou sua persona, ao dizer no prefácio que a atriz era dotada de uma solidão ancestral. Séria, enigmática, namoradeira, independente, meditativa, confrontadora de tabus... assim foi e viveu Odete Lara até o seu desencarne no dia 04/02/2015.

https://www.youtube.com/watch?v=CajORmdL93s  (Filme Noite Vazia - Íntegra)

https://www.youtube.com/watch?v=nWwRy5YqRNI ( Molambo -cena do filme "A Rainha Diaba")

https://www.youtube.com/watch?v=o3VTQpfIq_A ( com Vinicius - Samba em Prelúdio)


Julio Hungria (1938-2015)

O homem faleceu no dia 11/01, mas só soube nessa semana. O polivalente Julio Hungria se foi aos 76 anos, depois de passar por praticamente todos os meios de comunicação em sua frutífera carreira de jornalista. Fundador do emblemático site Blue Bus, de notícias diárias sobre publicidade, comunicação e midia business, Julio começou como produtor de discos na Philips e EMI-Odeon, depois de realizar pioneiramente shows de bossa nova no final dos 50. Por um bom tempo, acumulou vários empregos na imprensa: foi editor e crítico de música no JB entre 1967 e 1974 (e foram esses textos que me apresentaram a ele); chefiou o departamento de produção da rádio Jornal do Brasil (1960 a 1974); e assinou coluna no Pasquim no início dos 70. Não bastasse essa penca de cargos, ainda achava tempo para escrever textos avulsos para revistas de música, como na mítica "Rock, a História e a Glória" iniciada em 1974. Na TV foi subeditor do Jornal de Vanguarda; depois do JB, ficou três anos como editor do Segundo Caderno do Última Hora, até abrir a Radio Atividade, produtora de jingles, que lhe deu um outro viés à carreira, voltada nas últimas três décadas para o mercado publicitário; mesmo assim, sua veia de redação fez com editasse o jornal do Clube de Criação do RJ ( entre 1990 e 1994) e continuasse escrevendo sobre música como freelancer em vários veículos. Foi em 1995 que teve o lampejo e criou o Blue Bus, site que logo se transformou em grande referência na cobertura diária à mídia e publicidade por sua interatividade inédita. Hungria sempre esteve um passo a frente em suas múltiplas atividades; que continue agitando criativamente o ambiente onde estiver.


6 de fevereiro de 2015

Foto (s) do Mês: Elvis e Sophia (1958)

crédito: Paramount
Uma sequência que transborda beleza é essa tirada nos estúdios da Paramount em 1958, com os feios Elvis Presley e Sophia Loren. Sophia com 23 aninhos, Elvis com 22. Ela à beira do estrelato mundial, que viria em 1962, ele já com fama global desde 1956. Ambos esbanjando juventude. Avistei em um dos grupos oficiais do Elvis do Facebook e compartilho aqui, como imagem do mês.

3 de fevereiro de 2015

31º Prêmio Ângelo Agostini - Grandes encontros!

Geral do auditório (com Marcio Baraldi, de branco, Murilo M. Moutinho, com revista na mão, e Carlos Arafatt, de xadrez)
No último dia de janeiro, sábado à tarde, eu, meu filho-escudeiro Gabriel ( sempre acompanhando seu atrapalhado pai nesses programas quadrinísticos) e o Mario Mastrotti, pegamos o trem da CPTM rumo ao 31º Prêmio Ângelo Agostini. Mastrotti, que frequentou a premiação em tempos pioneiros, não ia a uma edição do evento faz um bom tempo. Logo que adentramos o Memorial da América Latina, um pouco depois das 13hs, já avistamos o onipresente Marcatti em uma grande roda no hall da biblioteca. Lá dentro, Luigi Rocco ( que apareceu por esses dias aqui no blog, via "tiras memory"), velho conhecido do Mastrotti, engatou um longo papo com o mesmo. Zanzei com o Biel entre as prateleiras da Comix ( que montou um pequeno espaço de venda no local) e a pequena mas interessante exposição com originais de quadrinhos africanos. Amigos foram chegando: o professor/colecionador André Luiz Aurnheimer, da Confraria do Gibi, diretamente do Rio para receber o prêmio Jayme Cortez, me apresentou ao confrade prof. Carlos Arafat e o paranaense Rafael Sallet, Os três estavam exaustos, depois de uma "tour" pela cidade em visita à sebos estratégicos. Figuras carimbadas da produção do evento estavam à postos: Bira Dantas, com sua fiel gaita, Jal, e Worney, distribuindo um pequeno fanzine com material do mestre Rodolfo Zalla ( o Gualberto só chegou horas depois). Marcio Baraldi, irrequieto como sempre, tirava foto com muita gente. Me apresentei ao presidente da Confraria do Gibi, Helio Guerra, que só conhecia via internet, e foi nesse exato momento que um encontro de "responsa" se fez: surgiu o agitado Dedy Edson na roda, embalando um papo com o Guerra que se fosse possível duraria dias: muito bacana ver dois dos maiores colecionadores do icônico personagem Fantasma, conversando ali, com o entusiasmo de dois guris. Logo em seguida, finalmente conheci pessoalmente o Toni Rodrigues, que estava acompanhado de sua esposa Laíse. Consegui conversar por um tempo com os dois, em um proveitoso bate papo logo acrescido de outros integrantes ilustres: Franco de Rosa e Fabio Moraes, outro que eu conhecia só da rede social. Esse último, aliás, fez um trabalho fantástico na edição definitiva do Zodíako, do mestre Jayme Cortez, que saiu a pouco em uma caprichada encadernação com direito a pôster interno. Tive a honra de conhecer também um dos homenageados do dia, Gustavo Machado, um ás do traço desde os tempos da Grafipar, e também um gentleman. Os outros dois "mestres" que seriam premiados logo mais, Carlos Edgard Herrero, um dos maiores desenhistas Disney do Brasil e Murilo M. Moutinho, grande capista dos anos 70, eu só avistei de longe, mas gostei de vê-los no evento: Moutinho sempre prezou pela discrição e Herrero não costuma aparecer em eventos de quadrinhos, salvo em data muito especial, o que era o caso. Outra conversa de muito conteúdo, dividi com os especialistas Ágata Desmond e Gonçalo Jr.. Foi com eles que soube que o desenhista José Geraldo, fundador de uma famosa cooperativa de quadrinhos nos anos 60 ( a CETPA, devidamente esmiuçada no livro do Gonçalo, "Guerra dos Gibis") falecera aos 89 anos em setembro do ano passado. Sobre seu passamento, não vi uma linha sequer na internet ou outro veículo. Cumprimentei rapidamente o "primo" Primaggio Mantovi ( vendendo seu Almanaque Rocky Lane, claro), a dupla criativa Will e Daniel Esteves e outro contemplado do prêmio, Laudo Ferreira -merecidamente, diga-se. Uma última apresentação, e essa até me emocionou - foi com o Zélio, acompanhado de sua esposa Ciça ( autora da famosa tira "O Pato"). Sempre admirei muito o estilo sutil dele, com um traço mais comedido que do seu irmão Ziraldo, mas não menos dinâmico e criativo. Comentei com ele inclusive, que estava justamente na semana, revendo minha pequena coleção da rara revista Urubu, publicação com sua produção, lançada em meados dos anos 60 e um elo perdido entre o Pif Paf  do Millôr e o Pasquim. Ele gostou de saber disso, pois abriu um simpático sorriso. Depois desse grande finale com o mestre - eu tinha um compromisso inadiável e não pude ficar para a entrega dos prêmios - conseguir hablar um pouco com o impávido Marcelo Alencar, recém chegado e todo prosa porque tinha finalmente conseguido uma assinatura no seu original do Herrero. Com pressa, só tive tempo de me despedir do meu "vizinho" Mastrotti, que além do Luigi, tinha agora a companhia do ótimo Vasqs, e trocar as últimas ideias com uma turma que se formara na saída: Meu amigo Wilson Simonetto (com seu filho, sempre), Edson Diogo - o mentor do Guia dos Quadrinhos ( que esse ano rola em março!) -, Celsão Comic Hunter e Marcião e esposa, do Emporio HQ. Uma tarde com ótimo clima, quem sabe inaugurando um ótimo ano para os quadrinhos brasileiros!
Curtam as fotos ( crédito: Gabriel Canos)
Mario Mastrotti, Bira Dantas e Marcos Massolini
Eu e  Confraria do Gibi ( Carlos Arafatt, Helio Guerra e André Luiz Aurheimer)
Com o polivalente Dedy Edson
Fabio Moraes, Marcos Massolini, Toni Rodrigues, Laíse Rodrigues e Franco de Rosa
Márcio Baraldi e Mario Mastrotti: o ABC presente!
Mesa com mediação de Bira ( do seu lado é o Gabriel Bá ou o Fabio Moon?)
Marcos Massolini, Gonçalo Jr. e Ágata Desmond, da Confraria do Gibi
Mario Mastrotti, Marcos Massolini, Luigi Rocco e Vasqs
Marcelo Alencar e o original do Herrero devidamente assinado

Capa (s) do Mês: LPs de uma coleção de bom gosto

Ontem quase tive um piripaque ao me deparar com duas sacolas cheias de LPs vindas da coleção do chapa Celso Vick, um dos grandes fotógrafos que conheço, além de pessoa boníssima e de um bom gosto extremo. Esse último quesito eu comprovei ao abrir as sacolas e contemplar cada um dos discos selecionados - eu já sabia que o Celso era um grande especialista em samba, principalmente o de raiz e sabia também que música para ele é algo sagrado. Surgiram ótimos discos de MPB: Toquinho ( sem e com Vinicius), Ivan lins, Gonzaguinha, Fagner, Gilberto Gil, Milton Nascimento, e música clássica de bom quilate. Mas receber nas vistas, de uma vez, dois petardos do George Duke, um classicaço de Dave Brubeck, o segundo disco do Hermeto gravado nos EUA (experimental dos pés à cabeça e com uma capa fantástica), outro classicaço da nossa música instrumental ("Pedrinho" do Victor Assis Quarteto), um Traditional Jazz Band difícil de achar por aí, um Crusaders inusitado do final dos anos 70, um Sion sinuoso e soberbo e o Joe Farrell encontrando Chick Corea? Aí foi demais da conta: que seleção! Ficam como capas do mês, com a certeza de que a trilha fantástica saída daí será devidamente tocada e avidamente ouvida . Com um brinde ao Celso Vick pelo bom gosto intrínseco.