Hoje, mesmo na correria, parei um minutinho na ótima exposição individual do caricaturista Toni D'Agostinho, montada na estação Paraíso do Metrô, com o título "Mulheres que Mudaram o Brasil". Não bastasse a usual elegância e originalidade no traço do artista ( que conheço desde os primeiros trabalhos publicados nas edições cooperativadas capitaneadas pelo Mastrotti), há também o ótimo texto de Natalia Negretti ( que infelizmente o celular não capturou com precisão). A expo já passou pela estação República e fica até 23/04 na Paraíso. Excelente! ( a minha favorita dessa série é a Nair de Teffé ). Vejam algumas imagens:
12 de abril de 2017
As mulheres de Toni D'Agostinho em exposição no Metrô
Hoje, mesmo na correria, parei um minutinho na ótima exposição individual do caricaturista Toni D'Agostinho, montada na estação Paraíso do Metrô, com o título "Mulheres que Mudaram o Brasil". Não bastasse a usual elegância e originalidade no traço do artista ( que conheço desde os primeiros trabalhos publicados nas edições cooperativadas capitaneadas pelo Mastrotti), há também o ótimo texto de Natalia Negretti ( que infelizmente o celular não capturou com precisão). A expo já passou pela estação República e fica até 23/04 na Paraíso. Excelente! ( a minha favorita dessa série é a Nair de Teffé ). Vejam algumas imagens:
5 de abril de 2017
Os minicontos de Noll na Ilustrada
![]() |
| Noll na época em que colaborava para a Folha ( crédito: divulgação/Folha de S.Paulo) |
Alguns deles estão abaixo, numa seleção que a própria Folha fez em matéria de seu falecimento;
"Coágulos"
(publicado em 15 de outubro de 1998)
(publicado em 15 de outubro de 1998)
Foi durante o temporal que o vulto me apareceu. Parei o carro e você surgiu atrás das afoitas hastes do pára-brisa. seu rosto saído do nada e aquele ruído nervoso no pára-brisa. Você entrou. e o beijo se embebendo do surto celeste. Aí sacudi a cabeça para me libertar de uma espécie de desfalecimento súbito em todo o carro. A atmosfera emudeceras: relâmpagos sem trovão, pára-brisa sem ruído, palavras virando coágulos. Tudo se desesperou e eu gritei e você gritou e veio a madrugada e o agudo sabor de mais um beijo. Depois foi só estio. E nós, pele e osso, jejuando na bruta calmaria.
"O foco"
(publicado em 2 de novembro de 2000)
(publicado em 2 de novembro de 2000)
Ele toca, com cuidado. A mão sente, devagar. Primeiro uma saliência calosa, como se fosse a beira de uma cratera. Os dedos descem, parece que em direção à arena. Pedras pontiagudas, logo um terreno arenoso. Os dedos avançam. Procuram um centro, a esfera nuclear. A mão suada pára, descansa um pouco, sente a textura ainda íngreme, sempre pedregosa. Coberta de sinais prematuros para um sujeito ainda forte como ele, recebe em cheio a grosseira luz daquela hora. Um homem sem chapéu, camisa, todo áspero de vento. Seus dedos, ciscando ali, na terra, sonham às vezes com outra consistência...O que ele faz em pleno meio-dia, cego de sol? Prepara as primeiras filmagens. Para amanhã cedo. Por isso seu tato se aproxima do centro da cratera. De onde tudo deverá partir.
*
Férias
(publicado em 7 de dezembro de 2000)
(publicado em 7 de dezembro de 2000)
Ele estaria à espera, sempre. Por que ela depositava tanta confiança? Realmente, era uma exagerada reserva de fé em apenas uma criatura, ele, de compleição tão sucinta, quase um fiapo, como qualquer outra pessoa, aliás, se comparada àquela paisagem ali, por onde corria um rio prateado -esse, sim, todo à espera da lua para se azular. Ela mordeu o lábio, como poderia ter sorrido, se recolhido em concha, tudo porque repentinamente estranhara a imagem do homem que deveria àquela hora estar à sua espera, ensaboado dentro da banheira, bem como gostava. E, de preferência, de chapéu de feltro, como um extinto personagem de filme francês, a ler quem sabe um livro ilustrado sobre John Ford. Ela entrou no rio. Ouviu um assobio. "Tem gente perto", murmurou. E mergulhou para se refazer.
*
"A dívida"
(publicado em 29 de outubro de 2001)
(publicado em 29 de outubro de 2001)
Descarregando a ansiedade, eu passava a lâmina sem praticamente mais nada para escanhoar. Foi quando atrás de mim surgiu uma imagem de cujos traços vinha uma lembrança que eu chamaria de saudade, se conseguisse pegar um ponto, um detalhe que me parecia arisco de antemão. Me virei. Era quem pensava, sim. Eu precisava decidir se acolheria... Mas tinha o detalhe ainda velado, e só com ele eu poderia dizer "venha" ou "volte ao inferno!". A figura abriu a mão mostrando a cicatriz. Não, não era uma das chagas de Cristo, mas o tal detalhe, em ferida. A mão agora retirava a espuma em volta da minha boca, até deixá-la livre. E sem escolha. Encostei os lábios nos lábios ainda sensíveis de sua palma. Covarde, eu mendigava o perdão...
4 de abril de 2017
João Gilberto Noll ( 1946-2017) e o texto-desabafo de Carpinejar
![]() |
| divulgação FLIP |
Fique em paz, bravo escritor e que esse texto do Carpinejar reverbere por aí, para que as coisas, mesmo que tardiamente, mudem de direção.
Fabrício Carpinejar: "João Gilberto Noll foi assassinado"
João Gilberto Noll não morreu de causa natural, foi assassinado pela sociedade. Foi assassinado pela indigência cultural do Estado. Foi assassinado pelo total desprezo de nossas instituições pelos grandes artistas e narradores. Foi assassinado por ausência de incentivo e de apoio. Foi assassinado pelo orçamento imaginário da Secretaria Estadual de Cultura. Foi assassinado pela inanição do Instituto Estadual do Livro.
Em seu enterro na noite de quarta passada, na capela 9 do Cemitério João XXIII, havia menos de 50 pessoas para se despedir de um dos maiores escritores gaúchos de todos os tempos. Não apareceu prefeito ou governador, não apareceu ministro ou deputado federal, não apareceu presidente da Assembleia ou da Câmara Municipal. Os políticos não leem mais? É isto? É artigo de regimento interno?
Não se decretou luto no Estado. Não existiu nenhuma mobilização popular. Não teve cobertura da imprensa no velório.
Ele sequer aparece nos livros de nossas escolas como autor fundamental. Ele não é listado como autor obrigatório em nossos vestibulares. Ele não recebeu nenhuma honra nos últimos cinco anos — a mais recente foi como autor homenageado do Festipoa, em 2011. As novas gerações já não o conhecem, pois simplesmente não o estudam.
Noll ficou mergulhado no ocaso, logo ele que se mantinha integralmente da literatura e dependia de convites para palestras, recitais e conferências. Sua única fonte vinha a ser uma oficina de escrita criativa esporádica.
Não me insulte alegando que ele morreu de velho. Ninguém é mais velho aos 70 anos. Morreu de solidão nesta cidade abandonada às bestas, onde os livros são uma seita para pouquíssimos e corajosos.
Rio Grande do Sul virou uma Sibéria para os criadores, um exílio forçado. Ama-se esta terra platonicamente.
Não parecia que perdíamos um de nossos mitos da literatura, da estatura de um Mario Quintana, de um Caio Fernando Abreu e de um Moacyr Scliar.
Foi um enterro simples, caseiro, envolvido pelos familiares e amigos mais próximos, com apenas três coroas de flores enviadas para ornar a cabeceira do caixão. Não teve fila para se aproximar do corpo e abençoar a sua partida. Então, não me diga que ele morreu de morte natural. Foi assassinado pela indiferença. Pelo desprezo. Pela desinformação. Pela tristeza e pelo desgosto.
Como o nosso maior ganhador de Prêmio Jabuti, o mais prestigiado do país, vencedor de cinco edições (1981, 1994, 1997, 2004 e 2005), vivia na total clandestinidade em Porto Alegre? Como permitimos a sua desaparição pública?
Ele não ganhou nenhuma alta condecoração em vida das autoridades no RS (a exceção foi o Fato Literário em 2009, iniciativa da RBS). Não foi patrono da Feira do Livro. Não é nome de biblioteca, dificilmente servirá para batizar alguma Casa de Cultura. Estamos vendendo o nosso patrimônio e, pelo jeito, não sobrará entidade nenhuma para ser nomeada. Como abandonamos à míngua os nossos mestres?
Não venha com o atenuante de que a sua escrita era difícil, é tão difícil quanto o fluxo de consciência de Clarice Lispector que não para de crescer em vendas e ser saudada no Exterior (The Complete Stories entrou na lista dos cem melhores livros de 2015 feita pelo jornal americano The New York Times). Sua obra — dezoito livros — continua sendo publicada pela Record. Tampouco é por carência de circulação.
Como deixamos de lado um de nossos romancistas mais adaptados ao cinema, com versões conhecidas nas telas de Harmada, Hotel Atlântico e do conto Alguma Coisa Urgentemente?
Como as mais prestigiadas universidades estrangeiras, de Iowa e King's College, lhe pagavam para vê-lo produzindo como escritor-residente, e jamais oferecemos condições para ele desenvolver a sua ficção na capital gaúcha, logo ele que residia inteiramente aqui e retratava Porto Alegre em seus livros?
Como ele era convidado a dar aula em Berkeley, nos EUA, na cátedra de Literatura e Cultura Brasileira, e nunca fora convidado para lecionar nas universidades gaúchas, logo ele formado em Letras pela UFRGS?
Como não desfrutava de espaço fixo no rádio e na TV, ele que já foi influente colunista da Folha de S. Paulo de 1998 a 2001?
Como menosprezamos alguém que renovou a escrita e enfrentou a supremacia do regionalismo, que fundou uma escrita urbana, feita da procura nômade da felicidade e de andarilhos que apenas encontravam pátria em seu corpo?
O descaso não pode ser resultado da falta de atualidade da obra de Noll, porque ele era absolutamente pós-moderno e abordava temáticas do momento como homoerotismo, inadequação social e tolerância às minorias.
Como não zelamos por uma carreira vitoriosa de 37 anos, acostumada a projetar o Rio Grande do Sul no cenário internacional?
Ele deveria ter sido lembrado, festejado, paparicado, cuidado, mimado, protegido, acalentado, amado. Assim como Pernambuco fez com Ariano Suassuna antes e depois de sua morte. Mas não aconteceu nada.
João Gilberto Noll morreu do nosso completo nada. Quem será a próxima vítima? Quem?
(Fabrício Carpinejar - Zero Hora - 30/03/2017)
3 de abril de 2017
Rick and Roll 30 Anos: segunda parte da entrevista no ABC Repórter ( 01/04)
No sábado, dia 01, saiu a segunda parte da entrevista que fiz com o icônico Ricardo "Rick" Martins, proprietário da Rick and Roll Discos, loja de São Caetano especializada em discos de vinil que completou 30 anos de fundação neste início do ano. Agradeço ao desempenho da equipe do ABC Repórter, que teve que se desdobrar para diagramar e editar a entrevista diante do espaço reduzido disponível. E ao Rick, claro, que conversou longamente comigo e trouxe no papo muitos detalhes e passagens memoráveis de sua trajetória cultural na região do ABC. ( quando aparecer a oportunidade certa, publico na íntegra essa entrevista). Viva o Rock and Roll!
O link para a 2ª parte:
http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3675#page/8
e a primeira parte ( 24/02):
http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3651#page/11
29 de março de 2017
A Pomba na rede!
![]() |
| Pomba nº 1 |
http://apomba.vigna.com.br/
27 de março de 2017
Sábados da Memória das Artes Gráficas - Entrevista com Canini ( 2010)
Finalmente a grande entrevista (nos dois sentidos) com o saudoso Renato Canini (1936-2013), o homem que revolucionou o universo das histórias do Zé Carioca, feita em 2010 para o projeto Sábados da Memória, está disponível online. A HQMixTV, canal no Youtube sob responsabilidade dos organizadores do Prêmio HQMix ( Jal, Gual & Cia) colocou anteontem o vídeo no ar, com a entrevista na íntegra mediada pelo jornalista, pesquisador e tradutor Marcelo Alencar, sempre bem informado e com aquele ímpeto e emoção que só os verdadeiros fãs da nona arte carregam. A produção foi de Gualberto e Daniela Baptista e a filmagem do Nobu Chinen. O mestre Canini mergulha em sua longa história, desde sua terra natal no Sul até as passagens memoráveis por Cacique, Recreio e Crás, e os personagens de sua lavra, como Kactus Kid, Dr. Fraud e o índio Tibica ( para o projeto Tiras da Ed. Abril). E claro, Zé Carioca, personagem que encontrou sua verve ideal graças ao traço personalíssimo de Canini e o texto inteligente e de peculiar humor de Ivan Saindenberg. O ressurgimento desta entrevista crucial é uma homenagem à altura do original e genial artista!
https://www.youtube.com/watch?v=e0wSCHpYEWQ
23 de março de 2017
Al Jarreau ( 1940-2017) - por Rogério Engelmann
![]() |
| foto: reprodução |
por Rogério Engelmann*
Ainda muito tocado com a passagem de Al Jarreau.
Virtuose, fez como poucos a ponte entre a música jazzística mais elaborada e o pop, tendo como instrumento sua voz incrivelmente versátil, de timbre inconfundível, límpido, além de potente.
Conhecia Al Jarreau do vídeo clip 'Mornin’, de 1983. Não tinha prestado muita atenção, achava muito “levinha”.
Não ligava muito porque, com a história do som e dos bailes, que bombavam naqueles dias, eu prestava mais atenção no potencial dançante, ia atrás de som mais “pegado”, o que até então eu não sentia, no pouco que eu tinha ouvido de Al Jarreau.
Porém, fui fisgado para sempre, em 1985, pela sonoridade jazzy da faixa mais pop do álbum Al Jarreau In London, a balada "I Will Be Here For You", que rodou nas rádios naquela época. Me chamou atenção o fato de ser ao vivo. “Esse canta mesmo... Banda afiada...”
Fui atrás do álbum, que aos poucos ganhou espaço no prato do toca discos. Fui realmente arrebatado pela sonoridade. Som muito elaborado, bem jazzístico, arranjos impecáveis. Depois descobri que George Benson teve sua origem também como guitarrista de jazz. Curtia muito "Give me The Night', álbum de Benson, produzido por Quincy Jones. E o mestre produtor também tinha o seu álbum, The Dude, de 1981, impecável. Nesse, descobri a cantora Patty Austin, que pra mim foi uma espécie de musa na época.
Foram esses álbuns e mais alguns desses virtuoses, que, como num batismo ou iniciação, me ligaram de forma inescapável ao universo da música negra, do soul, do jazz, do blues. Definiram meu gosto musical, me ensinaram a Ouvir, a prestar atenção.
Depois vieram outros: Stanley Clarke, Marcus Miller, Chic Corea, Jean Luc Ponty, George Duke, mais “elétricos”; Paco De Lucia, John Mc Laughlin, Al Di Meola, Crusaders, Winton Marsalis, e um posterior e natural aprofundamento no jazz clássico: Art Blakey, Chet Baker, Miles Davis, Dave Brubeck... E o jazz brasileiro: Zimbo Trio, Vitor Assis Brasil, Teco Cardoso, Pixinga, e o trio Arismar do Espírito Santo, Silvia Góes e Roberto Sion, que tive o privilégio de ouvir ao vivo muito proximamente, inclusive na mesa de som, numa casa de jazz em que trabalhei como sonoplasta e dj em 1987. Rodei muito Al Jarreau lá.
Então, numa espécie de confissão eu rabisco aqui a minha homenagem pessoal a Al Jarreau. Seu grande papel ou missão, e arrisco a dizer, o seu legado, talvez até maior do que sua música, ao longo dos seus cinquenta anos de carreira, com sua voz e carisma únicos, foi a de criar a ponte do pop para uma sonoridade mais sofisticada e ligada ao jazz. Sonoridade que, no caso dele, é lírica.
Não tenho dúvida de que Al Jarreau está lá em cima, no Paraíso, cantando "Roof Garden", perguntando no refrão:
“Does anyone wanna go
waltzing in the garden?
Does anyone wanna go
dance up on the roof?
( E lá no fundo, o backing vocal: “Party…” )
* Rogério Engelmann é arquiteto e um grande construtor de textos, principalmente quando o assunto é música de boa qualidade.
22 de março de 2017
Os comics americanos nas páginas dominicais dos jornais: os museus do mundo deveriam prestar atenção neste tesouro das artes!
As páginas dominicais dos jornais americanos na primeira metade do século XX eram um verdadeiro deslumbre para os olhos, pois os grandes artistas dos comics tinham total liberdade neste dia específico da semana, para criar, viajar, aprofundar e colocar camadas nas histórias de seus personagens. Publicar em página inteira, formato que foi sendo preterido a partir dos anos 50 (na verdade, desde a segunda guerra), era um dos atributos que davam às tiras da era de ouro um ar de obra-prima. O Marcelo Alencar, em mais um de seus posts de bom gosto no FB, deu pano pra manga ontem ao publicar uma página dominical espetacular de "Bringing up Father", de Geo McManus ( 05/05/1940, acima) o que suscitou comentários apaixonados e uma certeza: todo mundo que bateu o olho no post - e tinha especialistas passando por ali - consideram McManus um gênio. Suas texturas, camadas e profundidades neste período entre os anos 30 e 40 provam isto e demonstram que o quadrinho europeu deve muito a ele, principalmente a escola franco-belga. As páginas ou pranchas dominicais sempre foram um colírio/delírio para meus olhos e quando topo com uma destas da era gold das "sunday pages", guardo em arquivo digital, para sempre que possível, me deleitar com essas obras plásticas fantásticas. Entre meus preferidos, além do McManus, Frank King ( "Gasoline Alley"), Winsor McCay ( "Little Nemo") e George Herriman (Krazy Kat). Alguns personagens pouco conhecidos no Brasil também brilharam nos domingos, como Kin-der-Kids, de Lyonel Feininger, publicado em curto período ( 1906-1907) no Chicago Sunday Tribune e tão revolucionário como Krazy Kat e Little Nemo; Little Jimmy (ou apenas Jimmy) de James Swinnerton, de 1904 ( e que durou até 1958, com um pequeno hiato na época da 2ª guerra), com inusitadas formas do uso dos balões, cores e quadros; e Polly and Her Pals, de Cliff Sterret, iniciado em 1912 e durando também até 1958. Polly foi uma das mais anárquicas contribuições para as tiras de jornais, seja na formatação dos quadros, seja em seu surreal cenário. Os museus do mundo deveriam prestar mais atenção nessas preciosidades impressas - alguns colecionadores sabem bem o seu valor histórico para as artes e guardam os originais à sete chaves. Vamos a algumas páginas destes tesouros gráficos do século XX:
![]() |
| 10/05/1931 |
![]() |
| 04/11/1928 |
![]() |
| 28/05/1936 |
![]() |
| 12/09/1937 |
![]() |
| 03/02/1941 |
20 de março de 2017
Chuck "Rock and Roll" Berry (1926-2017)
O incendiário Chuck Berry, não só uma legenda, mas o "próprio" rock and roll, como disse certa vez John Lennon, foi um dos precursores que fundiram em meados dos anos 50 o blues, o country e outros ritmos para criar e legitimar o que passou a ser chamado rock. Charles Edward Anderson Berry Senior tinha como ídolos na juventude Nat King Cole e Muddy Waters e embora tocasse blues com vontade, dizia não ser tão "blue" (triste) assim, pois sempre teve comida na mesa. Logo em seus primeiros anos de rock and roll, estourou nas paradas com uma série de petardos - Rock and Roll Music", "Oh, Carol", "Johnny B.Good", "Sweet little Sixteen", "Maybellene", "Roll Over Beethoven", "Menphis, Tennessee", "You Never Can Tell" ( essa teve uma retomada forte na época do filme Pulp Fiction). Quando o rock inglês estourou no início dos 60, lá estavam as músicas do homem nos primeiros discos dos Beatles, dos Rolling Stones ( "Come On", compacto de estreia do grupo). E foi com essa leva de roqueiros que seu nome perdurou nos anos 60 e 70, depois de uma tragédia pessoal em 1959 que o levou à prisão por 10 meses ( mais um do panteão do rock and roll a se "ferrar" no biênio 59/60, período em que o rock and roll foi considerado morto e enterrado). Seu gênio difícil, irracível e sua "excentricidade" estavam sempre por perto... num projeto/homenagem que Keith ajudou a produzir nos anos 80 ( Hail, Hail, Rock and Roll), os dois já tinham se estranhado, quando o mestre parou o ensaio da música Oh,Carol, do repertório dos Stones por anos, para dizer que Keith estava completamente errado. A reverência era tanta, que Keith, brigão notório,acabou engolindo o chiclete, mesmo contrariado. Em outra época, se saiu pior: ao encontrar uma guitarra do ídolo dando sopa no camarim, Keith começou a tocar e acabou levando um soco na fuça de Chuck. Coisas do amor! O ritmo de Berry foi se arrefecendo a partir dos anos 80 - seu último LP de estúdio com inéditas foi em 1979 - mas seus shows continuaram movimentados e cheios de energia, embora ele soubesse como ninguém entreter a plateia quando se cansava. Passou pelo Brasil em uma edição do Free Jazz e na primeira década deste século, por duas vezes. Quando fez 90 anos, anunciou que estava finalizando um disco novo, com inéditas, a sair em 2017! Chuck Berry, o Sr. Rock and Roll, se despede em grande estilo - o que não poderia ser diferente em se tratando de Chuck Berry.
https://www.youtube.com/watch?v=NIb-Q2xyHcc
https://www.youtube.com/watch?v=6ROwVrF0Ceg
https://www.youtube.com/watch?v=kT3kCVFFLNg
Um grande momento de Hail, Hail Rock and Roll (1987) : https://www.youtube.com/watch?v=Gb5BifGi-6Q
https://www.youtube.com/watch?v=5madtiLf7DI
17 de março de 2017
Jay Lynch e Skip Williamson - dois ícones do underground se despedem
Os dois, Jay e Skip, são da mesma geração e foram legendas do underground americano, com artes extremamente originais e de identidade própria. Suas histórias, ilustrações, capas, cartuns, dão o tom de uma época criativa e anárquica dos quadrinhos independentes, com muita acidez no humor e psicodelismo no grafismo. Neste mês de março foram para outro plano - Jay em 05/03 e Skip ontem, ambos com 72 anos. Que as obras desses geniais artistas continuem inspirando novas gerações de "inconformados" e sonhadores!
A arte de Jay Lynch:
A arte de Skip Williamson:
A arte de Jay Lynch:
A arte de Skip Williamson:
![]() |
| Ms. natural, criação de Robert Crumb, com arte de Skip |
14 de março de 2017
Casa de Rui Barbosa disponibiliza folhetos de cordel pioneiros e clássicos
Esta semana anda plena de dicas boas. A última delas, do amigo Nilton Jorge, traz uma ótima notícia vinda dos lados da Casa de Rui Barbosa, fundação carioca ligada ao Ministério da Cultura. A instituição vem desde dezembro de 2016 desenvolvendo um projeto de digitalização - e em alguns casos restauração - de 2340 folhetos de cordel de 21 poetas! Se por um lado o acesso físico a esse acervo só é permitido a pesquisadores e estudiosos e é preciso uma autorização da fundação para consulta no local, com esse novo projeto online abriu-se uma janela incondicional para o aprofundamento da história do cordel no país. O trabalho, sob direção da pesquisadora Ivone da Silva Ramos Maya, estava inicialmente focado na obra do pioneiro poeta paraibano Leandro Gomes de Barros (1865-1918), considerado um grande mestre do cordel e dono da cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, fundada em 1988. Mas com o sucesso da empreitada, optou-se por expandir esse resgate e outros 20 poetas tiveram suas obras incluídas. Grande parte desse acervo já caiu em domínio público ou foi autorizado pelos herdeiros - foram dois grupos escolhidos: os pioneiros, nascidos na segunda metade do século 19 e os da segunda geração, nascidos no início do século 20 e inseridos nesse mercado quando os pioneiros já tinham morrido. Uma iniciativa exemplar - se outras áreas como as das revistas e gibis da época de ouro e a imprensa alternativa e de humor tivessem esse cuidado com sua história, a memória gráfica brasileira estava salva.
Para consultar: http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/acervo.html
12 de março de 2017
Rolling Stone brasileira, série 1, disponibilizada na rede
![]() |
| A rara número zero |
https://www.pedrarolante.com.br/
10 de março de 2017
"Eu Não Sou Lixo", de Gonçalo Junior
Vem aí mais uma grande biografia escrita pelo pesquisador e jornalista Gonçalo Junior! Amanhã ( sábado) para minha alegria, ele estará em São Caetano do Sul, minha terra, lançando o livro "Eu Não Sou Lixo" (Editora Noir), biografia do cantor e compositor Evaldo Braga ( de "Sorria, Sorria" e a própria "Eu Não Sou Lixo" entre outras pérolas do cancioneiro popular), morto precocemente aos 27 anos. Gonçalo continua com o foco em temas e perfis que fogem da obviedade e do lugar comum - ele já escreveu obras fundamentais com foco nas histórias em quadrinhos ( Guerra dos Gibis 1 e 2, por exemplo), fez livro sobre a história do chiclete, caixa compilando as chamadas "tijuanas bibles", revistinhas americanas com sátiras pornôs do cinema e da animação dos anos 30 aos 50, e entre as biografias com sua assinatura já se aprofundou na vida e carreira de personalidades díspares como Rubem Alves, Assis Valente e Claudio de Souza ( aproveitando sua história dentro da Abril para revelar a saga da família Civita e os bastidores da editora), todas reveladoras e surpreendentes, resultado de sua pesquisa milimétrica e profunda. O local do lançamento será na Rick and Roll Discos - que está em novo endereço em parceria com o Duboiê Bar, no centro da cidade. Um evento que promete, pois além de finalmente rever o Gonçalo ( a última foi em uma premiação de quadrinhos e já faz um tempo), encontrarei certamente mais amigos e levarei no fim das contas pra casa uma obra vibrante com a qualidade de quem nunca escreve nada sem paixão.
2 de março de 2017
Os 30 anos da Rick and Roll Discos - entrevista no jornal ABC Repórter (24/02/2017)
Na sexta feira passada, véspera do feriadão de Carnaval, saiu no jornal ABC Repórter uma entrevista que fiz com o Ricardo "Rick" Martins por ocasião dos 30 anos de sua loja, a Rick and Roll, um verdadeiro patrimônio cultural da cidade de São Caetano. Na verdade foi publicada parte dessa grande entrevista e a expectativa é que saia ainda a sequência. Nessa primeira parte, Rick conta desde seus primeiros anos, quando conheceu pra valer o rock e também sua iniciativa inicial com o Rocker Jornal no início dos anos 80, até chegar à compra de uma loja de heavy metal pertencente a um amigo. Estava inaugurada a loja Rick and Roll, especializada em rock, principalmente o de raiz ( rock and roll, rockabilly) e vertentes mais atuais ( psychobilly), mas com uma diversidade de opções dentro do universo do rock que faz qualquer apaixonado, colecionador ou fã se perder de amor em suas prateleiras.
O link para a entrevista, aqui:
http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3651
http://digital.maven.com.br/pub/abcreporter/?numero=3651#page/11
Assinar:
Postagens (Atom)
















































