31 de outubro de 2009

Asterix 50


O baixinho e irredutível gaulês Asterix completou 5 décadas no último dia 29 - uma data que merece ser comemorada por todos os seus milhares de leitores espalhados pelo globo. A efeméride relaciona-se a um dos personagens mais cativantes e espirituosos dos quadrinhos, que extrapolou a arte e virou símbolo perpétuo francês. As sacadas geniais são inúmeras desde o início, graças principalmente ao criativo roteirista René Goscinny, falecido em 1977. O parceiro Albert Uderzo, exímio e incansável desenhista do herói, teve a dificílima tarefa de prosseguir com o personagem, mesmo sabendo que a verve humorística do co-criador Goscinny fosse insubstituível. A garra e o amor ao personagem deu forças ao artista e seu esforço foi recompensado: depois de 34 álbuns best-sellers, Asterix chega ao seu cinquentenário com saúde e fôlego absoluto, principalmente depois que o octagenário Uderzo assinou contrato para que seus dois assistentes, que o ajudam há anos na empreitada, continuem dando vida à Asterix. Um brinde a todos da aldeia gaulesa, de preferência com a poção mágica do velho druida Panoramix, com votos de vida longa a essa fantástica saga que encanta gerações.
Saiba mais sobre as comemorações e os novos projetos:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n09102009_11.cfm

26 de outubro de 2009

Almanaque Brasil

História, música, curiosidades, biografias, passatempos, literatura, arte, folclore, cultura. O Almanaque Brasil, que completou 10 anos em 2009, traz em suas páginas tudo isso e muito mais. Eu tive o privílégio de acompanhar a trajetória do Almanaque desde o início, quando alguns integrantes da redação da revista apareciam no Dedoc para pesquisar as pautas e as imagens do mês - a agitada repórter Janaína, o concentrado pesquisador Henrique, a grande fotógrafa Yolanda Huzak, com um histórico profissional e social digníssimo...
A publicação é uma cria da mente incessante de Elifas Andreato e teve desde o início a providencial ajuda editorial do seu parceiro de desafios Mylton Severiano; deu no que deu: um belo exemplo de cultura em revista, bem nos moldes dos antigos almanaques. E o melhor, é que além da sua distribuição nos vôos da TAM (desde o nº1) e um esquema normal de assinaturas, o Almanaque Brasil está integralmente na internet. Confiram, conheçam, divulguem. Em meio à tanta cultura inútil e fofocaiada assolando bancas e web, o AB é uma arca lotada de tesouros, pronta para ser desenterrada.
ps: as capas, todas elas, são maravilhosas, feitas sempre por renomados artistas. No destaque, a capa de setembro, de Gringo Cardia.

22 de outubro de 2009

E o disco tocou...

por Marcelo Tieppo

Era um garoto que ainda não gostava de Beatles e de Rolling Stones, pelo menos não como gostaria alguns anos mais tarde, e que gostava mesmo era de fazer gols pelas ruas do Brás e de sofrer ao ouvir o Corinthians pelo rádio de pilha.
Época de jejum e de promessas. O compacto ganho tinha de um lado o hino do Corinthians e de outro uma marchinha gravada por Silvio Santos, que tinha um trecho assim: "quem é que não vê que o Corinthians nasceu com o destino de ser campeão, reparem que quando ele perde é porque francamente o juiz foi ladrão. É minha opinião".
O fato é que o garoto prometeu tocar o hino só no dia em que o alvinegro levantasse uma taça. A vitrola foi ajeitada em 74, 76 e no segundo jogo da final de 77, mas nada de a agulha desencantar e o grito e o hino ficavam engasgados mais uma vez.
Naquele dia 13 de outubro de 77, o garoto limpou o compacto com capricho, comprou uma agulha nova, escutou a marchinha de Silvio Santos para se inspirar e deixou tudo pronto para finalmente ouvir o hino corintiano no último volume.
Depois do gol de Basílio, os minutos finais pareciam uma eternidade, mas como não há mal que dure pra sempre, o hino tocou 23 vezes assim que Dulcidio Wanderlei Boschilla apitou o fim do jogo.
No dia seguinte, ironia do destino, o garoto participou de uma competição de escolas no programa Silvio Santos. A tal marchinha não tocou nos intervalos, mas o hino corinitiano ecoou naquele estúdio da então TV Tupi mais 23 vezes.
Em tempo: o compacto tocou tanto nos anos seguintes que não suportou tamanha emoção e foi substituído alguns anos depois.

(Marcelo Tieppo é jornalista profissional, louco por música e corinthiano desde a barriga da sua mãe)
* Texto original do blog do autor com reprodução autorizada pelo mesmo: http://giattitieppo.zip.net/index.html

21 de outubro de 2009

Discos que nos Tocam 4: “Balançando com Milton Banana Trio” (1966)

por Duda Moura

Disco lançado pela Odeon em 1966 com o grande baterista Milton Banana no comando do trio. Na minha opinião o melhor álbum dos vinte que lançou ao longo de sua carreira solo, o que mais chama a atenção é o suingue de um verdadeiro brasileiro, sua simplicidade ao tocar coisas consideradas complexas pelos bateristas e sua pegada do morro, invejada por todos os músicos.
Apesar das músicas terem um conceito jazzístico da época de ouro dos trios de samba jazz, Milton, junto com Cid ao piano e Mario no contra-baixo acústico, conseguem passar algo inexplicável, de sintonia sonora tão brasileira, quase mágica. Destaque para a música “Cidade Vazia” de Baden Powell e Luis Fernando Freire que pode ser conferida no tributo ao Milton Banana no youtube: http://www.youtube.com/watch?v=ifWZiy1J2_4
Pra quem não sabe, Milton Banana foi o baterista que acompanhou Tom Jobim, João Gilberto, Stan Getz, dentre outros, no Carnegie Hall em Nova York em 1962, no show de Bossa Nova que mudou a história da música mundial.

Track List do álbum:
01 - Cidade Vazia (Baden Powell / Luis Fernando Freire)
02 - Barquinho Diferente (Sergio Augusto)
03 - São Salvador (Durval Ferreira / Aglaê)
04 - Amanhã (Walter Santos / Tereza Souza)
05 - Improviso (Cido)
06 - A Resposta (Marcos Valle / Paulo Sergio Valle)
07 - Sonho de Um Carnaval (Chico Buarque)
08 - Feitinho Pro Poeta (Baden Powell / Luis Fernando Freire)
09 - Aruanda (Carlos Lyra / Geraldo Vandré)
10 - Tristeza (Haroldo Lobo / Niltinho Tristeza)
11 - Ora Bolas (Ian Guest / Zilmar de Araújo)
12 - Encanto Triste (Durval Ferreira / Pedro Camargo)

(Duda Moura) - baterista profissional e professor de bateria, integrante do Double Duo Jazz Quartet e autor do Método de Bateria "Ouvir e Tocar"

16 de outubro de 2009

Mundo dos Super Heróis: nas bancas e na Fest Comix



A revista Mundo dos Super Heróis surgiu em julho de 2006, com uma proposta inovadora: reunir em uma só publicação, dossiês minuciosos dos grandes heróis dos quadrinhos, perfis amplos dos maiores autores - tanto dos atuais como dos grandes mestres, cobertura jornalística sobre a cultura HQ e lançamentos na área, reportagens sobre o quadrinho nacional, análises de seriados de TV e cinema, coluna sobre action-figures e desenhos de leitores. O que poderia virar uma salada destemperada na mão de incautos, acabou se tornando uma grande publicação, graças à obstinação do editor Manoel de Souza e sua sagaz equipe especializada. O cuidado de cada edição, a diagramação bem estudada, a qualidade gráfica, a capa milimetricamente produzida, a pesquisa aprofundada, tudo isso tem a ver com a dedicação apaixonada que floresce em cada fechamento e resplandesce no produto final. A última edição, já nas bancas ( capa acima) mantém a qualidade e traz grandes matérias: um rico dossiê sobre o Homem de Aço, dividido por décadas, completando o primeiro, publicado na edição nº1 da revista; perfil do polêmico e torrencial Todd McFarlane; matéria completa sobre o clássico Dick Tracy; cobertura do HQMIX e muito mais em suas 98 páginas. O sucesso da publicação já possibilitou o surgimento de novos produtos ligados à MSH. O livro Super-Heróis do Cinema e dos Longas-Metragens da TV, escrito pelo especialista e redator da Mundo, André Morelli já comparece nas boas casas do ramo e a edição 2 do gibi História do Brasil está em vias de publicação. Enquanto outros projetos são arquitetados pela brava redação, uma grande mostra da interação da revista com o mercado e seus leitores pode ser conferida em uma série de palestras produzidas pela Mundo e ministradas por grandes profissionais ligados à área, na 16ª edição da Fest Comix. Confiram no release acima e nos links abaixo a programação, e atentem para uma mudança de última hora , com a troca do desenhista Ivan Reis, que não poderá comparecer, pelo quadrinhista Klebs Junior.

Baú do Malu 12


Gedeone Malagola, mestre dos quadrinhos falecido no ano passado, foi citado no Baú 10 e eu precisava resgastar esta capa com a sua assinatura, feita para a revista Raio Negro nº 12 de 1968 ( Editora GEP). O super-herói, brasileiro da gema, veio à luz graças a cabeça criativa de Gedeone, num período em que vários outros personagens superpoderosos invadiram as bancas brasileiras. Já houvera um impulso anterior, quando o Capitão 7 bombou na TV na virada dos 50 e virou gibi pelas mãos de Jayme Cortez na Editora Continental, mas foi a partir do sucesso do lançamento das revistinhas de super-heróis da Ebal, vendidas somente nos postos Shell em 1967,que outras editoras resolveram lançar heróis também. Uma delas foi a GEP, do incansável Miguel Penteado, que apresentou a revista Raio Negro ainda em 1966, com os personagens Raio Negro e Hydroman em desenhos de Akimoto e roteiro e arte-final de Gedeone.
Só uma curiosidade: Gedeone Malagola, que já vinha escrevendo e criando desde a década de 40, fez parte da equipe de roteiristas do Capitão 7 no início da década. Sua relação com os uniformizados portanto, já vinha de longe.
Lá no alto, além da histórica capa, fiz questão de incluir uma página interna com o vilão Op-Art, na verdade uma auto-caricatura do autor. Op-Art, diminutivo de Optical Art, um subgênero na arte moderna, também remete à "trapo", lido ao contrário. Gedeone Malagola era um sujeito ágil mesmo....
Para saber mais sobre heróis Shell, heróis brasileiros e Gedeone Malagola:

15 de outubro de 2009

1000!!!!!!!!!!

Este humilde blog bateu nas 1000 visitas!
A todos que ajudaram, colaboraram, participaram e tiveram a paciência em acompanhá-lo, meu muito obrigado. Vamos seguindo, com muita velharia e saudosismo, mas também novidades e tendências. Logo haverá entrevistas inéditas neste espaço. Aguardem...
Para selar este momento, fiquem com o bardo e poeta Leonardo Cohen.
http://www.youtube.com/watch?v=xXaRT8CXmGE
http://www.youtube.com/watch?v=P0j14GrB-u8&feature=PlayList&p=CA0F969A83BA6706&playnext=1&playnext_from=PL&index=1

Kid Vinil, Nenê e Tinta Preta em noite Beatles

Na semana passada presenciei uma grande celebração musical, que por diversos motivos, não pude publicar aqui na sequência. Mas antes tarde do que nunca - o encontro merece esse registro.
No dia de 05 de outubro, como eu havia divulgado no blog, a Fnac Paulista reuniu em formato pocket show, diversos artistas em torno do lançamento dos três CDs do Projeto Beatles'69, idealizado pelo antenado Marcelo Fróes e seu selo Discobertas. Conheço o Fróes há uns dez anos, desde os tempos de Dedoc-Abril, quando ele vinha diretamente do Rio para selecionar fotos da Jovem Guarda para o seu livro sobre o assunto ( que saiu pela Editora 34 e virou referência). Com o tempo, conheci melhor seu trabalho e me encantei com o Internacional Magazine, tablóide musical que ele editava há um bom tempo e que vinha recheado de entrevistas, críticas e histórias da musica brasileira e mundial. Gostei tanto, que rapidamente assinei o jornal, e posteriormente tive o prazer de participar como jornalista, ao fazer uma matéria com o Duda Moura, grande baterista do ABC e camarada de tempos.
Com as idas e vindas da vida, não vi mais o Marcelo ao vivo, mas a dupla e-mail/internet manteve nossos papos em dia. Ultimamente, postei sobre o seu selo Discobertas e divulguei o evento na Fnac, onde presenciei momentos únicos.
Por chegar atrasado, perdi a apresentação da banda Surfadelica e a participação da Aretha, filha da Vanusa. Mas deu tempo de ver a simpática Wanderléa na platéia, que mora ali perto e estava de saída e finalmente rever Marcelo Fróes, que me apresentou vários artistas ligados ao projeto. Ao vivo, estava a incendiária banda Tinta Preta, que além de composições próprias instigantes, brindou o público com números espertos e incandescentes dos Beatles. Principalmente quando chamaram ao palco o polivalente Kid Vinil, empunhando uma camiseta do Mick Jagger e logo depois, Nenê dos Incríveis, ele mesmo, um dos melhores baixistas do rock nacional. O primeiro soltou o vocal em Come Together, junto à vocalista Erika, enquanto o veterano baixista, além de estraçalhar em beatles songs, nos presenteou com uma alegre "Vendedor de Bananas", de Jorge BenJor, sucesso com os Incríveis. Mérito também da banda, que segurou a onda dos convidados com propriedade. E mérito de Marcelo Fróes, que sabe como poucos, organizar um projeto eclético, mas sem firulas, histórico, mas ultra-moderno.
Na foto acima, a banda Tinta Preta em plena ação, com seu convidado especialíssimo, Kid Vinil ( se eu fosse viver de fotografia, tava passando fome - sorry!)

Rolling Stone e as mãos do Rock

Essa foto aí em cima está na nova Rolling Stone, que completa 3 anos de Brasil, e ao que parece, com fôlego de sobra para muitos anos. As mãos calosas em destaque, que tanto contribuíram para a história da guitarra, dos riffs e do próprio rock, são do sexagenário Keith Richards, que concede à revista uma mini-entrevista, enfeite diante das seis ótimas fotos publicadas na matéria (todas de Francesco Carrozzini). A edição comemorativa também traz o colírio Megan Fox, em depoimento revelador, as matérias políticas e polêmicas habituais, arquivo histórico com entrevista da banda Pearl Jam no auge do grunge e uma lista interessante das 100 maiores músicas da MPB - deu Construção de Chico Buarque em primeiríssimo lugar. Como toda lista do gênero, esta não foge à regra e gera estranhamento em alguns itens da seleção. Particularmente, eu deixaria metade e incluiria outras cinquenta. Mas gosto é gosto. O único porém da lista da RS é que não há explicação nenhuma de como se chegou às músicas selecionadas - como foi a votação? qual foi o critério? melhor deixar pra lá... e curtir essa mão curtida em rock.

Boas novas

Finalmente, depois de anos e anos de lacuna, eis que surge um sebo especializado em mangás, animês e quadrinhos em São Caetano. A Proxy, idealizada e capitaneada pelos irmãos Roberto e Manoel, tem material de sobra para os aficionados, incluindo séries e desenhos raros de TV, temporadas completas de animês, mangás clássicos e um variado acervo de gibis. Este último quesito é o grande destaque da loja, com centenas de exemplares da Marvel, álbuns contemporâneos, coletâneas de luxo da Panini e várias raridades na linha Disney, faroeste e infantil. Vale muito a pena passar por lá, não só pelos produtos em oferta, mas também pelo atendimento diferenciado dos donos, colecionadores e apreciadores de um bom papo cultural.
Endereço da Proxy Comic Shop: Rua Bom Pastor, n° 863, Vila Gerty - São Caetano do Sul - travessa da Visconde de Inhaúma, próximo à padaria Ben-Hur e à Fundação das Artes. Fone: 2311-2010

11 de outubro de 2009

Site Caymmi

Falei do mestre Dorival Caymmi no post anterior e não poderia deixar de fora seu novo site, Caymmi Acervo Digital, idealizado pelo Instituto Antonio Carlos Jobim com o providencial incentivo do governo federal e do projeto Natura Musical, que já rendeu frutos substanciosos para a cultura. A iniciativa de organizar e estruturar o site com peças inéditas do acervo pessoal de Caymmi partiu de seu filho e seu neto, Danilo e Gabriel Caymmi, além do músico Paulo Jobim, filho do maestro soberano Tom Jobim. Muito material ainda está em fase de captura e catalogação -a estimativa é que mais de 10 mil peças, entre documentos, correspondências, reportagens, partituras manuscritas, vídeos inéditos, capas de discos e milhares de fotos estejam disponíveis no site, que se divide em acervo e perfil biográfico. O trabalho árduo dura um ano, mas já rende um conteúdo considerável: 37 discos ( incluindo os 19 de carreira), quase 2000 fotos, 85 partituras, além de cartazes, pinturas, crônicas, jornais e revistas ( mais de 500 matérias). Um projeto à altura da grandiosidade de Dorival Caymmi. Que sirva de exemplo para que obras de outros mestres da nossa música tenham tratamento digno idêntico e se perpetuem na incomensurável teia da web.
http://www.dorivalcaymmi.com.br/

9 de outubro de 2009

Baú do Malu 11


Pererê nº3, dezembro de 1960. Essa jóia do nosso quadrinho nacional, que durou de 1960 a 1964, é considerada a primeira revista nacional de um só autor ( a revista Bidu também é de 1960 - quem chegou primeiro? Mas Bidu tinha outros autores, se não me engano). O personagem virou símbolo de uma época, juntamente com Brasília, a Bossa Nova e a revista Cruzeiro. Um clássico indiscutível, que trazia em suas histórias encharcadas de Brasil, toda as aspirações e esperanças de uma geração. Com o golpe em 1964, a revistinha acabou e Ziraldo se bandeou para suas outras 100 atividades paralelas, e o quadrinho brasileiro nunca mais foi tão profundamente brasileiro. Tentou-se uma volta na década seguinte pela Abril, mas os tempos eram outros. A Editora Salamandra iniciou há alguns anos atrás uma série de livros com a Turma do Pererê, com o intuito de publicar toda a saga em cerca de vinte álbuns, mas pelo andar da carruagem, a continuidade da coleção é uma incógnita.
Deleitem-se com esta beleza de capa e de lambuja, uma página interna com a simpática aparição de um de nossos mais queridos compositores populares, mestre Dorival Caymmi.
E para saberem mais sobre a antiga revista Pererê, uma ótima entrevista do autor,editor e pesquisador Wellington Srbek sobre o assunto:
http://maisquadrinhos.blogspot.com/2008/10/ziraldo-o-pai-da-perer.html

8 de outubro de 2009

Baú do Seu João 2

Meu pai sempre adorou cinema e televisão. Entre as suas velhas publicações cuidadosamente guardadas, destacam-se as dedicadas à sétima arte, como esta Cinelândia de novembro de 1952, que estampa a estrelíssima Elizabeth Taylor na capa, além da chamada de matéria sobre a não menos star Marilyn Monroe. Além da capa coloridíssima, posto também matéria interna, pra mim um grande achado, sobre a "Dama do Encantado", Aracy de Almeida. Para quem conhece a Dona Aracy só nos tempos de jurada do Silvio Santos, onde vivia distribuindo zeros e rabujices, não conhece a cantora boêmia amiga dos maiores cantores e compositores dos anos 30 e 40 e amicíssima de Noel Rosa. Graças a ela e sua perseverança em gravar as músicas do amigo precocemente falecido, o legado do Poeta da Vila não caiu no esquecimento. Para conhecer a Aracy de Almeida de verdade, clique aqui:http://www.samba-choro.com.br/artistas/aracydealmeida
E para apreciar essa surpreendente reportagem da Cinelândia, clique no próprio corpo da matéria abaixo.

5 de outubro de 2009

Beatles na Fnac hoje!

Hoje tem Beatles na Fnac Paulista. À partir das 19 horas acontecerá o lançamento dos 3 CDs do projeto "Beatles 69", engendrado pelo hiperativo Marcelo Fróes e seu selo Discobertas. Nele, o produtor arregimentou uma centena de instrumentistas e cantores para gravar todo o repertório dos Fab Four em seu derradeiro ano - artistas de todas os gêneros, como Frejat, Zé Ramalho, Capital Inicial, Ivan Lins, Mu Carvalho, Leoni, Leo Jaime, Fagner, Sergio Reis, Ultraje a Rigor, Autoramas, Carmem Manfredini ( irmã de Renato Russo), João Donato e Paula Morelenbaum, entre outros. A noite será de autógrafos, com a presença de Fróes, showcases de Surfadelica e Tinta Preta, participações especiais de Aretha, Esmerya Bvlgari, Kid Vinil e Nenê Benvenuti (d'Os Incríveis), além de outras surpresas.

Fnac Paulista - Avenida Paulista, 901. 05 de outubro, 19 horas.

2 de outubro de 2009

Discos que nos Tocam 3/ Meu Nome é Gileno - Leno (1976)


por Assênia Vinil Ossamo

Tendo uma coleção quase completa do rock nacional dos anos 60 aos 80, posso afirmar sem pestanejar: "Meu nome é Gileno" é um dos melhores discos do rock tupiniquim, em todos os tempos. Instrumental impecável, composições que grudam no ouvido, produção limpa, foi aclamado pela crítica e não vendeu tão bem na época de seu lançamento (1976), recebendo uma edição em CD em 1999, dentro da série "Jovem Guarda" da Sony. O discão tem várias misturas no caldo do rock, até resquícios da jovem guarda, mas definitivamente não é um vinil retardatário do movimento jovem sessentista, onde Leno se destacou já no seu final. Pra começo, tem participações e acompanhamento que não são pra qualquer um:a cozinha pesada da cultuadíssima banda O Peso,o ritmo de Paulinho Braga, um dos melhores bateristas brasileiros, a onipresença de Paulo César Barros, ele mesmo, lendário co-fundador da banda do irmão Renato nos Blue Caps, Dominguinhos, que não carece de apresentações e o encandescente Zé da Gaita, mito entre os músicos de todas as épocas. Com essa turma, dá pra segurar bem a fervura de qualquer caldo, mas Leno foi além: construiu um disco milimetricamente dosado, com partes iguais de peso, balada, saudosismo e veia roqueira.
Letra viajante empacotando um boogie danado ( Semente Cósmica), gaita e teclado ponteando saudades sessentistas ( Jovem Guarda), rock nostálgico com guitarra arrepiante ( Em busca do Sol), cuíca em perfeito casamento com o baixo e guitarra ( Depois do Carnaval), country rock de primeira ( Grilo City), balada arrasadora - caramba, o Fabio Junior dos tempos de "Ciranda, Cirandinha" apareceu uma ano depois e acabou perdendo a chance de gravar essa!! (Chuva do Amanhecer), versão honesta ( Luar do Sertão) , versão a la Stones ( Me Deixe Mudo), blues estradeiro ( Amigo Velho) e pop romântico ( Céu Dourado, do compositor Guilherme Lamounier, esse sim gravado pelo Fábio Júnior - só não sei se essa música também).
O disco ficou melhor ainda quando saiu em CD, em projeto do incansável Marcelo Fróes, pois foram acrescidas 4 faixas tiradas de compactos anteriores, bem adequadas à sua proposta: outra baladona nos moldes de Jovem Guarda, que vendeu horrores em seu lançamento ( Flores Mortas), rock and roll na veia ( Rock, Baby, Rock), pop setentista com outra letra saudosa ( Noites de Verão) e rockão de festa-baile ( É Tudo Rock'n'Roll). "Meu Nome é Gileno" é um disco a descobrir e certamente será uma grata surpresa para muitos, principalmente para quem deixar de lado o preconceito em torno da grife "Jovem Guarda". Parem de bobagem! o potiguar Leno, ex-Jovem Guarda, ex-parceiro de Lílian, amigão de Raul Seixas e compositor-cantor-instrumentista de mão cheia, fez e faz até hoje um rock autêntico e apaixonado. E esse petardo aqui, meus caros, é um grande momento dos anos setenta.
(Assênia "Vinil" Ossamo) - colecionadora e autora do livro inédito "Discos, Discos, Amigos à Parte"

1 de outubro de 2009

JB/AB - A volta

A volta vinha se insinuando desde 2004. Neste ano, a coisa tomou forma e o novo CD confirmou. Atrasado, mas inevitavelmente emocionado, reitero a retomada de uma das mais brilhantes duplas da nossa música brasileira, que durante quase uma década inteira, nos presenteou com pérolas do cotidiano e obras-primas indiscutíveis: JOÃO BOSCO E ALDIR BLANC voltaram a compor juntos!
Acompanhem a trajetória dos dois , conheçam o novo disco com as novas composições da dupla e relembrem momentos sublimes com o próprio João ao violão, Elis Regina, que lançou a dupla e incorporou diversas canções deles e uma raridade: Aldir cantor, em uma gravação em homenagem à sua carreira:
http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/elpais/2009/09/28/ult581u3512.jhtm
http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/07/06/e06077854.asp
http://www.mpbnet.com.br/musicos/aldir.blanc/
http://www.joaobosco.com.br/novo/
http://www.youtube.com/watch?v=3xOh-kwRvxc&hl=pt-BR
http://www.youtube.com/watch?v=qM09qTwmaJ4
http://www.youtube.com/watch?v=vqSiCuRhVCg&feature=PlayList&p=B3C4844A0243CBF4&index=4
http://www.youtube.com/watch?v=6kVBqefGcf4

Ivan Saindenberg

Ontem, mais um mestre dos quadrinhos nos deixou: Ivan Saidenberg, um dos recordistas em roteiros Disney para a Editora Abril, com mais de 1000 histórias no currículo, destacando a sua original intervenção no universo de Zé Carioca nos anos 70, personagem que foi totalmente remodelado e criou identidade marcante própria graças à sua criatividade sem limite. Outro que alçou vôos maiores em suas mãos foi o Peninha, que ganhou até poderes extras como Morcego Vermelho. Pedrão, Afonsinho,Vila Xurupita, Anacozeca, os primos Zé Jandaia e Zé Queijinho, Vovô Metralha, Biquinho, tudo saiu da cabeça desse grande autor, que tabelando com a arte e criação única de Renato Canini e outros artistas do Estúdio Disney, fez história.
Saiba mais sobre a morte e a obra desse excepcional criador:
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/
http://www.universohq.com/quadrinhos/2009/n01102009_09.cfm

30 de setembro de 2009

Baú do Malu 10

Do fundo do meu abarrotado armário, encontrei este exemplar nº1 da revista em quadrinhos As Aventuras de Beto Carrero, com esta chamativa capa do mestre Eugênio Colonnese que trago em destaque. Saiu em junho de 1985 pela Editora Cluq, que tinha em sua diretoria o próprio Eugênio e Wagner Augusto. Os colaboradores eram Gedeone Malagola e Helio do Soveral. Embora as histórias seguissem a premissa do bang-bang, também incluíam algumas paisagens bem brasileiras, como o Pantanal, em belos quadros do professor Colonnese. Heróica e prolífica trupe essa da Cluq: Gedeone Malagola, falecido há um ano, aos 84 anos, foi um dos maiores nomes dos quadrinhos nacionais, incentivador da nona arte até o fim e autor de milhares de histórias; Helio do Soveral, português de nascença, radialista, radionovelista, escritor e argumentista de histórias em quadrinhos, principalmente terror, fez muito sucesso nos anos 60 e 70 com seus livros infanto-juvenis e virou mito em Copacabana. Morreu por atropelamento em 1991, aos 82 anos. Wagner Augusto, um dos nossos maiores especialistas em HQ, à frente do Cluq (Clube dos Quadrinhos) já fez verdadeiros milagres no mercado dos quadrinhos nacionais, como o resgate da saga de Ken Parker em álbuns magníficos e acurados, embora em edições limitadas. E por fim, o grande mestre Eugênio Colonnese, italiano radicado no Brasil desde 1964, incansável artista falecido em agosto de 2008, aos 78 anos - uma vida inteira dedicada aos quadrinhos. Nos últimos anos dava aulas de arte sequencial em sua Escola Estúdio de Artes, em Santo André (no bairro de Utinga, pertíssimo da minha casa).
Fica aqui minha homenagem a todos esses profissionais citados, incluindo também o empresário que virou personagem, Beto Carrero. Na área de entretenimento foi um dos maiores, e quando faleceu, em fevereiro de 2008, deixou para a posteridade um dos maiores parques temáticos da América Latina, o Beto Carrero World. A sua paixão por quadrinhos propiciou o surgimento não só desta revista da Cluq, mas também o personagem infantil Betinho Carrero, com revista em circulação.

29 de setembro de 2009

Plínio Marcos

Hoje, terça-feira 29-09, o Teatro Arena realiza a partir das 19 horas, reunião para homenagear o aniversário do dramaturgo Plínio Marcos, falecido em 19 de novembro de 1999 ( o que será que diria Plínio, que era místico, sobre essa sucessão de noves?). O encontro terá depoimentos de amigos e admiradores, roda de samba e comemora também os 50 anos da primeira montagem da peça Barrela.
mais informações: www.pliniomarcos.com

Só uma grata lembrança: eu e a saudosa Sonia Franiek, da minha turma de jornalismo da Metô, entrevistamos o homem, se não me engano, em 1990. Ele estava numa fase totalmente mística, jogando tarô e lendo cartas. Lembro que seu pequeno apartamento no centro tinha uma única vidraça aparente, mas um pano escuro não deixava a luz de fora atravessá-la, o que deixava o ambiente interno totalmente escuro. A conversa se apagou da minha memória, mas lembro nitidamente da grande barba do Plínio, iluminada pela vela acesa sobre a mesa, sua roupa que lembrava a de um mago e a indefectível boina no cocorucho. Um momento mágico e surreal, com toda a certeza.

Seu Salomão, o grande

No encarte do LP original Os Borges, Seu Salomão, patriarca da família (ver post abaixo), faz um depoimento emocionante que traz revelações arrebatadoras e pistas preciosas sobre cada um dos filhos. E claro, todo o seu amor à Dona Maricota. mãezona dessa renca do barulho.

"Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil
Trinta anos de jornalismo não me tornam fácil este depoimento pessoal, na verdade tão difícil quanto o início da "composição" de minha série de onze filhos e sete frustrações, em "parceria"com Maria Fragoso Borges, ex-Maria da Conceição Fragoso. Conceição para os íntimosFragoso para os nem tão íntimos e Maricota, para mim que durmo com ela, todas as noites, há mais de quarenta anos...
A idéia de tomar Maricota por companheira , por toda a vida, estalou no meu cérebro e repercutiu no meu coração numa certa noite de junho. Eu a conheci desde os bancos escolares, mas nem a título de pilhéria admitia a hipótese de que ela pudesse vir a ser minha esposa . Na tal noite , porém, depois de dançarmos e conversarmos, numa festinha de aniversário na casa de meus pais, onde eu vivia, decidi de imediato,que seria ela ou ninguém. Amor puro, profundo, repentino.Eu sabia que não se tratava de paixão e sabia, também, que o inesperado sentimento era recíproco, irreversível. E ela também sabia, embora não tivéssemos trocado uma só palavra sobre isto. Assim , dias depois, com absoluta convicção e tranqüilidade, eu disse à minha mãe: -A senhora sempre me aconselhou a procurar uma moça igual à Conceição, quando eu pensasse em casamento, não foi? Pois, bem- vou me casar com a própria Conceição. E ante o espanto de Paulina Borges, minha mãe, arrematei: Conceição ainda não sabe, mas já decidi que será ela ou ninguém. Dito e feito: menos de um ano depois, em maio, Mês de Maria, estávamos casados. Eu era, então, sargento da Polícia Militar de Minas Gerais, 22 anos; ela, normalista quase professora, 18 anos. Algo indefinível dentro de mim sempre me impregnou de uma certeza, total e emocional, de que eu seria pai de muitos filhos, oito, no mínimo. Nem os cinco anos iniciais de malogros abalaram esta certeza, porque na realidade, há coisas que a gente sabe, mas não sabe porque sabe. E esta pródiga paternidade era uma delas . Não obstante, exatamente dez dias depois de havermos comemorado o quinto aniversário de casamento, quando Marilton, o primogênito nasceu, "inaugurando o marcador"e chorando muito, como qualquer recém-nascido que se preze, posso garantir que chorei muito mais do que ele, como qualquer pai coruja que se preze. Dois anos e oito meses depois, nasceu Márcio (Marcinho). E logo depois, numa sucessão muito rápida, foram entrando no palco da vida pela ordem, Sandra , Sônia, Sheila , Salomão (Lô Borges), Marcos (Yé), Solange, Suely (Dodote), Marcelo (Telo Borges) e Mauro(Nico). Claro que todos choraram e eu, mais do que todos eles, chorei. Maricota e eu ficamos simplesmente perplexos, apatetados, com a precocidade musical do Marilton, que aos quatro anos já cantava no rádio e começava a maltratar um cavaquinho e depois um violão, e depois um piano, e depois sei lá mais o que . Adolescente, desandou a compor e a criar acordes e harmonias ao piano e ao violão. "Trem "de doido. Tão atordoados ficamos que nem notamos que o menino Márcio vinha escrevendo às escondidas para uso próprio, mini-contos, crônicas, poesias, revelando espantosa facilidade para escrever sentimentos, situações, coisas e tipos humanos. Era demais pra mim. Eu me considerava jornalista razoável, mas reconheci, até com certo despeito profissional que o menino Márcio Borges estava começando por onde eu nem havia chegado... "Trem "de doido também. E as revelações domésticas foram surgindo - eu diria- aos borbotões. Todo mundo tocando alguma coisa, todo mundo fazendo música, todo mundo cantando. Pelo simples prazer de fazer música.E não era também o que a Maricota fazia quando jovem - uma tremenda cantora, lendo música como quem lê jornal ? E não fazíamos, ela e eu, duetos aceitáveis e até mesmo bons ? E nossos ancestrais e colaterais - maestros, cantores, instrumentistas ? Que culpa tinham os meninos agora ? Não havia remédio para aquela confusão toda. Tínhamos que aguentar a barra e até reclamações dos vizinhos. E tudo ficou mais complicado, quando resolvemos comprar um piano.Com o tempo a gente se habitua, e fomos levando. Lô e Yé tocando e cantando na rua com Beto Guedes e outros meninos; Marilton, ainda imberbe, tocando e cantando em casas noturnas, onde provavelmente ficou conhecendo Wagner Tiso e Milton Nascimento; Márcio escrevendo freneticamente com aquela sua desajeitada mão esquerda. Solange também cantando e já de violão em punho; Telo e Nico batucando piano e maltratando violão. E outros instrumentos, que apareciam lá em casa como que por encanto.Os vizinhos tinham razão. Maricota e eu num estado de permanente atordoamento tentando compreender o que é que estava acontecendo em nossa casa. Quando paramos um pouco para respirar - após vinte e dois anos de procriação, dezoito gestações ao todo - quando Maricota começou a perder aquela inefável e quase indefectível silhueta de mulher sempre grávida - um ao colo, outro no ventre - tivemos uma consciência mais nítida e mais assustadora de que nossa casa estava povoada de gente que só pensava em música, raramente em qualquer outra coisa. Marilton, Márcio, Lô, Yé, Solange, Telo e Nico eram destaques especiais na arte de roubar a paz e o silêncio. Sandra, Sônia, Sheila e Dodote enriqueciam a barulheira, cantando, e ouvindo discos, geralmente no volume de som mais alto possível. Dose. Os de casa já bastavam. Mas aí, outros maníacos musicais começaram a "pintar", como que por mero e "interessante" acaso. Primeiro veio o Milton, meio acanhado, meio sem graça. Helvius Vilela veio com ele ou antes dele? Não estou bem certo. E a patota foi crescendo- Wagner Tiso ( Beto já estava incorporado) Rubinho, Toninho Horta, Nivaldo Ornelas, Martinha,até o Nelson Ned e mais uma porção de gente. Naná Vasconcelos sempre brindando a vizinhança com sua incrível poliritmia de garfos, pratos e panelas. O que quer que caisse em suas mãos . Milton Nascimento era "crooner" apenas, até que Marcinho conseguiu convencê-lo de que ele seria tão bom compositor quanto cantor. Daí por que Márcio Borges foi o primeiro parceiro de Milton . De música em música, de esquina em esquina, surgiu "Clube da Esquina" uma sequência harmônica que Lô fez na esquina de nossa casa ; Milton ouviu, gostou, colocou melodia; Marcinho pôs letra e título; e , algum tempo depois , ficou sendo o nome do famoso álbum de Milton e Lô, primeiro sucesso de Bituca, em disco, pois, a essa época, ele já havia se consagrado com "Travessia ", dele e de Fernando Brant , num festival. Até hoje ninguém perdeu o gosto pela música - estão todos em atividade. Marilton toca piano e canta , à noite , faz televisão , propaganda , durante o dia; Márcio, às voltas com as letras, em todos os sentidos, e também compondo música às ocultas, como é de seu feitio; Lô , Solange e Telo, juntos no LP "Via Láctea" e nos "shows". Um lembrete: a música "Vento de Maio" foi feita pelo Telo, com letra de Márcio, para variar. E os outros ? Os outros vão curtindo música sem pretensões e sem compromissos. Uma casa alegre, a nossa , sem dúvida, mas, sobretudo porque aprendemos a não cultivar nem dor, nem ódio, nem autopiedade, e estamos sempre de olhos abertos para o lado bom e bonito das pessoas e das coisas. E ai de nós se não fôssemos assim. "

Texto escrito por Salomão Borges, extraído do encarte do álbum "Os Borges", 1980, EMI Odeon.