28 de outubro de 2010

O carioquíssimo "Por Toda Minha Vida" com ele? Pô, que raro, meu!

Olha ele por aqui de novo. E é por aí - que venham mais dez, cem posts. Sinal que estão falando do homem em seu centenário como se deve. Agora esta me pegou pelo cangote: o carioquíssimo "Por Toda Minha Vida", da carioquíssima Rede Globo, que já exibiu ícones da cidade maravilhosa como Tom Jobim, Cazuza e Tim Maia, nos brinda hoje ( depois de "A Grande Família") com a história de um dos maiores compositores paulistas: Adoniran Barbosa. Coisa rara na tela da vênus platinada. Vou assistir de camarote, na beira do sofá, com uma cervejinha gelada e uns petiscos, vestindo meu belo paletó xadrez, aquele mesmo que eu vestia pelas noites do velho Bixiga. Adoniran vive.

22 de outubro de 2010

John, jovem, em breve nas telonas


Estreou nos EUA o filme sobre a juventude de John Lennon, "Nowhere Boy" ( referência a uma das melhores da safra do compositor, "Nowhere Man"). Em dezembro chega por aqui. Pelos traillers que já pipocaram de um ano pra cá dá pra ver que a película pega fundo nas conturbadas relações familiares dos Lennon e no cotidiano  da cidade de Liverpool, uma década depois do fim da 2ª Guerra. E claro, captura o início da paixão de John pelo rock and roll e por osmose, sua amizade com Paul e a formação dos Quarrymen ( a banda anterior aos Beatles). Baseado no livro da meia-irmã de John, Julia Baird, "Imagine This: Growing Up With My Brother John Lennon", o longa tem grandes chances de agradar tanto aqueles que buscam a fagulha que deu origem ao incêndio irreversível chamado Beatles, como os que se rendem a uma boa história de conflitos e amores ( mesmo que nem sempre resolvidos) envolvida em emocionante trilha. Atentem para o jovem ator Aaron Johnson - ele tem o timbre de voz de John!
1º trailler: http://www.youtube.com/watch?v=Y6Km9L1Sqd0
Trailler oficial (legendado): http://www.youtube.com/watch?v=jWG0t1BQf8Y
E pra quem gosta de pôsters, aqui vão todos os antecessores do oficial (acima) e a sua versão nacional:

19 de outubro de 2010

O AcervoSorve 3 - Edições Fac-similares do Jornal "ex-" ( Coleção Completa) - Instituto Vladimir Herzog (2010)

Essa eu babei, abobalhei, embasbaquei, bambeei, quedei em êxtase. Compadre Paul Seven Lagoon me aparece com suas habituais sacolas culturais/literárias sortidas e entre tantas edições supimpas, eis que ele me joga na mão uma encadernação tamanho jornal, em capa bege e preta, que só pelo visual externo já me impressionou. Mas eu não esperava que ao abrir a "embalagem", toparia com a coleção completa de um dos mais importantes jornais da chamada "imprensa nanica" brasileira, o "ex-". Surgido no final de 1973, o jornal tablóide nasceu de uma morte. Explico: a revista underground Grilo, famosa por trazer ícones dos quadrinhos marginais/alternativos e sensuais como Robert Crumb, Volinski e Guido Crepax, há tempos estava na mira da linha dura, e ao chegar com muito custo na edição 48, mandou em seu rodapé (da pág 4 a 14) um aviso sem volta: "Stop-Press: a censura negou o registro do Grilo, por considerar o conteúdo desta revista atentatório à moral e aos bons costumes. O Grilo então recorreu à própria censura, retirando desta edição as histórias que o censor julgou inapropriadas para nossos leitores. Caso a resposta seja negativa, o Grilo passará a ser impresso em formato tablóide, ou seja, deixará de ser revista para ser jornal ( os jornais estão dispensados de registro de censura) e já a partir do próximo número -o 49 - circulará com o novo nome: "ex-". Adivinhem no que deu? o "ex-" nasceu, sem tempo para charutos e champanhes, sob a sombra tenebrosa do governo Médici. Para driblar e confundir os censores, tascou na sua primeira capa Hitler, nú, se bronzeando numa praia. E foi com essas armas, o humor, a metáfora, o escárnio,o olhar contundente por trás da imagem satírica, que as edições seguintes brindaram os leitores com capas antológicas e matérias emocionantes. Quadrinhos, suplementos literários, foto-reportagens, entrevistas. E como bem disse no encarte especial da coleção, o jornalista Dácio Nitrini, que participou de todas as edições do periódico: "O ex- é como se fosse neto da revista O Bondinho e filho do gibi underground Grilo. Sendo assim, é bisneto da mitológica Realidade, origem de um grupo formado por jornalistas brilhantes que provocaram saltos de qualidade editorial em vários veículos, inclusive rádio e tevê. Sérgio de Souza, Narciso Kalili, Hamilton Almeida Filho, Mylton Severiano da Silva, Amâncio Chiodi, Paulo Patarra, entre outros".
O "ex-" durou 16 números e o último, com a capa estampando uma das reportagens mais corajosas do nosso jornalismo, encerrou qualquer possibilidade de sobrevivência ao bravo tablóide. Foi o único que noticiou com todas as letras a morte de Vladimir Herzog ("Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós" -outubro de 1975), mostrando para quem quisesse ver, a cena de uma farsa engendrada nos porões assassinos da ditadura. O jornal, que tinha nascido de uma morte editorial, morria desta vez por escancarar uma morte brutal. Mas não pensem que o núcleo citado por Nitrini entregou-se de bandeja. A edição seguinte -17 - permaneceu inédita. O "ex-" virou "Mais Um", com marcas latentes do ex- em suas páginas, mas que só durou um número - devidamente incluído nesta coleção ( além de uma edição extra - "Ex-tra"-  com Paulo Evaristo Arns e outra com o melhor do jornal, também inédita até agora). E outros nomes vieram depois, sempre no drible e na raça. A ditadura um dia acabou, mas esses jornalistas, que criavam jornais, levavam porrada e continuavam mesmo assim abrindo jornais, prosseguiram brilhantemente - o último "filhote" dessa turma é "Caros Amigos", que já virou década e mantém leitores fiéis. O Instituto Vladimir Herzog (logicamente) lançou essa preciosa coleção ao completar um ano em junho, em parceria com a Imprensa Oficial do Estado de SP. Quem sabe não é a deixa para relançarem Grilo, Sol, O Bondinho, etc.
Seguem algumas capas- e que capas!- do 'ex-'. O 'ex-' brincava, mas não estava para brincadeiras...



18 de outubro de 2010

Capa do Mês: Phill Collins - Going Down ( Outubro/2010)

Essa capa acima é nostálgica não só pelo repertório do recém lançado álbum de Phill Collins com canções da gravadora Motown escolhidas a dedo (Going Down). As circunstâncias são mais avassaladoras que a bela foto do jovem Phill, retratado junto à sua bateria aos 12 anos, pode revelar. O atual Phill Collins já vinha de um grave distúrbio auditivo, aparentemente estabilizado, e para completar, um problema no nervo da mão esquerda fez com que o cantor/baterista tivesse que prender as baquetas com fita adesiva durante as gravações, pois sem esse recurso ele sequer conseguia segurá-las. Essa e outras revelações bambásticas, como o seu grande desejo de tocar no The Who e os motivos que levaram o Genesis ao fim estão na Billboard Brasil de outubro (nas bancas). E esta capa acima, que depois das revelações se torna mais tocante e emoldurada no tempo, é a minha 'capa do mês' de outubro, sem sombras.
# Trechos disponíveis da entrevista da Billboard:
http://billboard.br.com/noticias/na-batida

16 de outubro de 2010

The Simpsons e o Rock

O já veterano desenho animado The Simpsons ( existe desde 1989) faz sucesso por n motivos, entre eles, o de ser o desenho com mais referências ligadas ao mundo real, seja em política, artes, ecologia, globalização ou fama instantânea. Todos os políticos de destaque no planeta já fizeram ponta em seus episódios, e claro, a maioria com a pior das intenções. Ídolos do esporte, baluartes da literatura e da religião, astros da TV e do cinema, milionários - ninguém escapa do humor crítico e ácido da série. Entre essas pontas e aparições, certamente os maiores destaques nesses mais de vinte anos foram as estrelas da música, principalmente americana e inglesa. Muitos deles não deram só o ar da graça. Em muitos episódios, rolaram performances ao vivo ou rápidos apartes musicais. Selecionei no yutube algumas dessas participações (pena que poucas estão disponíveis):
#Slide various:
http://www.youtube.com/watch?v=l6VPc5FQxb0&feature=related
# Ramones:
http://www.youtube.com/watch?v=84aRTri8AAk&feature=related
# Beatles ( clipe c/ Here Comes the Sun)
http://www.youtube.com/watch?v=uzqm5LliCKw 
# Versão simpsoniana para "In-A-Gadda-Da-Vida" de Iron Buterfly
http://www.youtube.com/watch?v=0PyBWLALFLQ 
#Green Day
http://www.youtube.com/watch?v=X6pTiTXba-w&feature=related

15 de outubro de 2010

O AcervoSorve 2 - Mick Jagger e os Rolling Stones - Willi Winkler ( Larousse - 2010)

Eu já li de tudo sobre os Rolling Stones. Magazines especiais, livros biográficos, revistas-pôsters, encartes e livretos de discos. E olha só: esse livro aí em cima me surpreendeu, tanto para o bem quanto para o mal. O alemão Willi Winkler, um cara que tinha 5 anos quando os RS surgiram, pincela de exageros sua escrita surrealista, mas talvez seja o livro que mais se aprofunda no cotidiano do grupo. Intercalando capítulos com títulos nominais ( Mick Jagger, Marianne Faithfulll, Brian Jones...) e títulos musicais ( Paint it,Black, Play with Fire, Street Fighting Man...),Willi chafurda Londres, encara turnês intermináveis e penetra nas suítes privadas e nos bastidores, jogando ao vento mentiras sinceras e verdades questionáveis. Além de todos os integrantes oficiais, traz à luz seres circundantes e que ajudaram a forjar o espectro da banda, como Andrew Loog Oldham, Marianne Faithfull e Anita Pallemberg. Houve sim por parte do autor uma extensa pesquisa. Pelo que sei dos Stones, ele mistura 50% de veracidade com 50% de mito, mas ora, ora, quem sabe dos Rolling Stones senão eles mesmos? o que vale é que o autor é corajoso, escrevendo fervorosamente sobre sexo, drogas e rock and roll, e certamente dando mais ênfase aos dois primeiros itens. O intuito é chocar e ao mesmo tentar desmistificar um balaio de quase 50 anos. Um universo de quase meio século que engloba mortes, egos, prazeres, traições e mitos. O título brasileiro, Mick Jagger e os Rolling Stones, não faz jus ao conteúdo ( Jagger é um dos que estão na linha de tiro mas não é o único destaque). Ficaria bem melhor: As Vidas e as Mortes dos Rolling Stones, ou ainda, Nas Vísceras dos Rolling Stones. Um livro instigante e provocador. E por consequência, questionável e safo. Nada mais Stones.

8 de outubro de 2010

Google homenageia John Lennon em seus 70 anos

Essa é a cara do logo do Google hoje, 08 de outubro de 2010, para homenagear os 70 anos de John Lennon. Pela primeira vez o site transformou o seu logo de entrada em um vídeo, utilizando no caso uma animação baseada nos desenhos do próprio compositor. O doodle ( como é chamado o logo do Google) animado vem com desenho estilizado do rosto de John e no lugar do "e" aparece um play que abre o mini-vídeo de 32 segundos. O Google sempre teve muita criatividade para compor seu logo, principalmente em efemérides ou homenagens. Desta vez, se superou.

Atualização - para quem não viu o doodle animado comemorativo dos 70 anos de John Lennon:


6 de outubro de 2010

22ºHQ MIX

Daqui há pouco, a partir das 20 horas, começa mais uma tradicional HQ Mix, que premia os melhores do ano anterior em várias categorias da história em quadrinho nacional e internacional.
O prêmio foi criado há mais de 20 anos por iniciativa do programa TV Mix da TV Gazeta, que contava com Sérginho Groismann e Jal em seus quadros. O apresentador, atualmente na Globo, é mestre de cerimônias do evento desde o início e o quadrinista Jal, um dos organizadores. Além das premiações habituais, o HQ Mix contará também com duas grande novidades para a área: o anúncio de fundação da Feco Brasil (versão nacional da Federação Internacional de Cartunistas, com base na Europa), organização que pretende defender os interesses dos cartunistas e será representada por Sonia Luyten, doutora na área e autora de livro sobre quadrinhos. E também entre as novidades, o acordo entre o HQMix e o Festival de Quadrinhos de Amadora, de Portugal, com o intuito de, nas próximas edições da premiação, intercambiar o desenhista brasileiro mais votado para lá, enquanto Amadora, enviará, por sua vez, um autor português para o Brasil.
O charme da edição deste ano fica por conta do troféu, que a cada ano traz um personagem diferente. Desta vez, Maurício de Sousa, que completou 50 anos de profissão, empresta um de seus personagens mais "adultos" para a estatueta: O Astronauta ( abaixo), que por muitos anos, entre os anos 60 e 70, foi desenhado pelo próprio Maurício e não por uma equipe.
 O evento, gratuito, será realizado, como nos outros anos, no teatro do Sesc Pompéia ( Rua Clélia,93 - tel. 3871-7700). A organização apenas pede para que se retire o ingresso 1 hora antes no local.
Também dá pra acompanhar a cerimônia à distância: o Blog dos Quadrinhos, do incansável Paulo Ramos, cobrirá o evento ao vivo.
http://www.hqmix.com.br/
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/

Ed Wilson, pioneiro do nosso rock


Faleceu na madrugada de domingo (3), o compositor, cantor e instrumentista Ed Wilson ( Edson Vieira de Barros), irmão de outros dois pioneiros do rock brasileiro, Paulo César e Renato Barros. Os três irmãos formaram a primeira dentição de uma das mais importantes bandas de rock nacional, Renato e Seus Blues Caps no finalzinho dos anos 50. Edson ficou como crooner do grupo por pouco tempo, até 1961, quando se lançou em carreira solo, deixando o nome verdadeiro de lado para virar Ed Wilson, sob os auspícios de Carlos Imperial. Atravessou a Jovem Guarda com certo sucesso, principalmente na voz de outros ídolos do movimento, e continuou compondo para os irmãos. Foi um dos que não foram esquecidos na vasta letra de "Arrombou a Festa" (Roberto Carlos - Erasmo Carlos): "...lá fora um corre-corre dos brotos do lugar/ era o Ed Wilson que acabava de chegar...". Por ironia do destino e por sobrevivência, Ed foi sentir mesmo o gosto do sucesso bem longe do rock, já nos anos 80, uma década ingrata para a maioria dos artistas jovemguardistas, quando teve sua composição Chuva de Prata ( em parceria com Ronaldo Bastos) cantada e espalhada por Gal Costa nas rádios de todo o país. Outras canções de sua lavra "popular-romântica" no período também tiveram boa acolhida: Pede a Ela ( com Tim Maia) e Aguenta Coração ( c/ José Augusto). Com os revivais cada vez mais fortalecidos a partir dos anos 90, Ed Wilson voltou às origens e pôde reviver suas antigas canções ao lado dos irmãos. Cantando baladas açucaradas, rocks singelos e clássicos de Elvis, o pioneiro rocker vinha ultimamente trazendo no semblante o mesmo brilho no olhar do menino do bairro de Piedade (RJ), que nos longínquos anos 50, ao lado dos irmãos (Os Bacaninhas do Rock da Piedade), resolveu virar do avesso a tradicional música brasileira.

30 de setembro de 2010

Os Sousa voltaram!

A coleção L&PM Pocket, que já vem lançando material do Maurício de Sousa há um tempo, surpreendentemente lançou em seu número 872 as clássicas tirinhas da família criada por Maurício de Sousa em 1968. Surpreende porque desde 1989 não se publicava mais as "desventuras" dos Os Sousa, que levou esse nome por ser inspirada inicialmente na família do próprio Maurício. O grande destaque da série é o personagem Mano, o camarada folgazão e espaçoso, que atazanou sem trégua seu irmão e a cunhada, em situações impagáveis. Quem leu o Diário do Grande ABC nos bons tempos, entre os 70 e os 80, além do lendário Díarinho, também topava com as inesquecíveis tirinhas dos Os Sousa. Vale a pena revê-los, nas melhores livrarias e bancas do ramo. Eu tive um imenso prazer, comparável ao lançamento do álbum do Nico Demo anos atrás. Que apareçam mais personagens "sumidos" do baú do Maurício de Sousa.

Capa do Mês ( Serafina/FSP Setembro 2010)

Capa da revista Serafina, da Folha de São Paulo, com o poeta Ferreira Gullar, 80 anos. A foto é de Murillo Meirelles, que foi muito feliz na concepção deste close incrível.

29 de setembro de 2010

Jerry "The Killer" Lewis ataca novamente!

Jerry Lewis é um dos poucos pioneiros do rock que ainda está por aí. Elvis Presley, embora muitos não admitam isso, morreu em 1977. Bill Haley também se foi novo ( no início dos 80). Carl Perkins, o homem que moldou o rockabilly ( "Blue Suede Shoes") partiu em 1998. O sutil Roy Orbison, teve uma sobrevida digna nos anos 80, mas não teve tempo de saborear a fase, pois faleceu em 1988. O gigante Fats Domino( em todos os sentidos) sobreviveu ao Katrina e já passou dos 80 anos, mas não se apresenta em público há tempos. Fora os que morreram no auge da mocidade, como Buddy Holly ( em acidente de avião em 1959, que vitimou também Ritchie Valens e Big Bopper). Sobraram três, coincidentemente, os mais elétricos e mais "desencapados" de todos eles: Little Richards, Chuck Berry e ele, o endiabrado pianista do rock and roll, Jerry Lee Lewis, que completou 75 anos hoje e fará uma apresentação especial logo mais, cantando seus sucessos de sempre ( "Whole Lotta Shakin' Goin' On" e "Great Balls of Fire") e algumas de seu disco recentemente lançado, "Mean Old Man" ( Homem Malvado), disco que aliás, conta com parceiros musicais pra lá de especiais - Keith Richards, Mick Jagger, Ron Wood, Ringo Starr, Kid Rock e Willie Nelson. Matéria da Reuters sobre a entrevista coletiva dada pelo veterano ontem no Museu Grammy reclama de suas respostas evasivas e lacônicas. Mas cá pra nós, como responder com entusiasmo perguntas como: "-Como está Carl Perkins, seu colega de gravadora Sun Records?". Jerry até que respondeu educadamente: "-Um grande sujeito, um amigo muito querido." Como eu já mencionei, o colega Carl Perkins não está mais entre nós há 12 anos.
Se o velho rocker não está muito aí para conversa, o mesmo não se pode dizer de suas peripécias ao piano. Quem viu as gravações do disco garante que The Killer tocou tudo em um take só, sem delongas nem xurumelas. Estremecendo chão e pessoas à volta. Jerry continua, sem dúvida, um sujeito sacudido.
Seguem duas apresentações típicas de Lewis, a primeira no longínquo 1957 e a última ao lado de friends ( Ron Wood, Keith Richards, Solomon Burke,Tom Jones, entre outros) já com 71 anos. Os movimentos não são os mesmos, claro, mas e a aura que se forma à sua volta?
http://www.youtube.com/watch?v=8yRdDnrB5kM
http://www.youtube.com/watch?v=4j1OU9aqq08&feature=fvw

24 de setembro de 2010

Discos que nos Tocam (5): Ângela Ro-Ro (1979)

Quando Ângela Ro-Ro, lenda da noite carioca, finalmente lançou seu disco em 1979, até os que acompanhavam sua longa jornada blueseira madrugada adentro, tiveram que parar tudo e beber uma água com açúcar. Aquele lançamento era realmente um soco no fígado da vaporosa MPB vigente. Tava tudo lá naquele vinil: a voz rouca impregnada de whisky, a fossa debochada, o deboche enfossado, o piano blueseiro, o desabafo nas letras confessionais. Ângela Ro-Ro inteira ali, de carne e fosso. E ela sempre foi assim. Ganhou o apelido por conta da risada escandalosa e a voz rouca, mas em se tratando de composição, sempre arrancou-as de algum lugar entre o coração e a alma. No final dos 60, bem novinha, foi tocar em Londres e acabou ficando por lá um bom tempo, fazendo inclusive, uma participação gaiteira no disco de Caetano feito na terra do Fog, Transa (1972). Na volta, participou do Festival de Rock de Saquarema (1974) e topou com Rita Lee & Tutti Frutti. Entre idas londrinas e noites clandestinas, criou-se ao seu redor uma verdadeira legião underground de fãs notívagos, até que veio este disco inaugural, com Ângela já aos 29 anos. A compositora já lotara no início de 1979 o Teatro Ipanema, em sessões à meia-noite ( tudo a ver com Ângela) e participara do badalado disco Mel de Maria Bethânia ( tocando piano na faixa Gota de Sangue, de sua autoria) e o disco homônimo de estréia foi o desfecho perfeito para um ano em que os holofotes se voltaram com justiça para ela. O vinil em questão, lançado pela Polygram, não traz uma música ruim sequer - blues encorpados, baladas arrasadoras, cozinha forte de bar, piano avassalador. Um long play entre os melhores dos anos 70,  que rodou muito na vitrola de Cazuza e fez a cabeça de muita gente boa como Cássia Eller,entre tantos.
Quando eu boto ele aqui em casa, a noite entra em animação suspensa. É tiro e queda.

Faixas:
Cheirando a Amor
Gota de Sangue
Tola foi você
Não há Cabeça
Amor, meu Grande Amor
Me Acalmo Danando
Agito e Uso
Mares de Espanha
Minha Mãezinha
Balada da Arrasada
A mim e Mais Ninguém
Abre o Coração

https://www.youtube.com/watch?v=kwXbssnJsFU

19 de setembro de 2010

Dom Quixote, uma bela obra itinerante

Ontem fui com a família na gigantesca e lotada Livraria Cultura do Conjunto Nacional, e logo na entrada do prédio, nos defrontamos com uma maravilhosa obra intitulada Dom Quixote. Embora (soube depois) essa incrível exposição exista desde 2005, inicialmente no próprio Conjunto Nacional e nos anos seguintes, em diversos locais da região Sudeste, só pude ter o prazer de encontrá-la agora em 2010. As esculturas de Dom Quixote, Sancho Pança e o cavalo Rocinante, vistas ao vivo, encantam e surpreendem, tanto pelo tamanho como pelas centenas de objetos recicláveis que fazem parte das três estruturas. A partir de terça, a exposição sai mais uma vez do seu espaço original e se instala na estação Sacoman do metrô ( no Ipiranga). Vale muito a pena ver com os próprios olhos.
Para saber mais ( os responsáveis, a inspiração, rota histórica e detalhes e materiais das obras):
http://www.ccn.com.br/dom_quixote.php
http://www.cooperaacs.org.br/

17 de setembro de 2010

Baú do Malu 27 - Folheto Convite do Clube "Amigos do Sesc e Senac" - 3º Festival de Arte ( 23/03/1950)

Quem é rato de sebo como eu, sabe: por detrás das capas dos livros raros existe um verdadeiro tesouro escondido. Dentro de páginas amareladas de livros antigos já cheguei a encontrar dinheiro, convite, postal, ticket e poesias manuscritas. Sem contar as dedicatórias. Outro dia, me deram uma edição espírita de autoria de Chico Xavier, dos anos 70, e quando eu abro a primeira página, está lá, uma dedicatória do próprio Chico Xavier. Este exemplo que colei acima explicita bem estes "encontros": um folheto de programação datado de 23/03/1950 que eu encontrei dentro de um velho livro da coleção do meu pai ( eh, sempre o velho João) do saudoso Círculo do Livro. Na verdade, é um programa-convite do evento intitulado "3º Festival de Arte", encenado pelo "corpo de baile da Escola de Dansas (sic) Clássicas de Maria Zemerova" no "Auditório da Escola Caetano de Campos" (ainda na Praça da República), organizado por professoras da centenária escola e produzido pelo Clube "Amigos do Sesc e Senac. Realmente um achado histórico. Assim que encontrei esse documento, entrei em contato com o Centro de Referência em Educação Mário Covas para que esse convite seja incorporado ao acervo específico da Escola Caetano de Campos ( fundada no século XIX!!). Eu guardo coisa pra caraco, mas também tenho consciência. Existem certos docs históricos que devem permanecer em centros documentais especializados. É o caso, e espero que sirva como luva para eles. Aliás, quem quiser conhecer, vale uma boa olhada no site do Centro, que tem muita informação essencial sobre a história da educação em São Paulo.

15 de setembro de 2010

O louco Jim Carrey em impagáveis performances musicais

Jim Carrey não é só o cara que mais faz caretas no cinema. Ele também tem seus méritos como comediante e costuma se entregar de corpo e alma aos personagens, mesmo que suas extravagâncias cênicas às vezes esconda sua real concentração. Mas vamos dar um desconto, pois ao que parece, Jim é daquele jeito também fora das câmeras. Essa entrega total faz com que ele faça muitas cenas mirabolantes sem precisar de dublês, como pular de bungee jump ou extrapolar em lances circenses ( o que já lhe ferrou algumas costelas). A maioria de seus filmes também tem um fundo musical bem intenso, incluindo cenas em que ele próprio ataca de vocalista. Selecionei quatro trechos hilários abaixo. O primeiro link traz a já clássica performance do ator, cantando alucinadamente em um karaokê caseiro, Somebody to Love, classicão do Jefferson Airplane, no filme O Pentelho (Cable Guy - 1995/1996). O segundo traz a sua interpretação entusismada para a canção Jumper, do Third Eye Blind, ao lado de um suicida em potencial no filme Sim Senhor (Yes Man - 2008). Detalhe curioso: no final, ele dá uma batida no violão e grita "I got blisters on my fingers" (Eu tenho bolhas nos meus dedos), mesma frase usada por Ringo Starr no fim da música Helter Skelter, após pequeno solo de bateria. O terceiro link, é um trechinho impágavel em cena inicial de O Mentiroso (Liar Liar - 1997) e o último traz uma incrível e rara gravação de I am Walrus ( talvez a música mais pirada dos Beatles) ao lado do lendário produtor dos Fab Four, George Martin (que riu muito com o maluco) para a trilha do filme O Mundo de Andy (Man on the Moon -1999), sobre a tragicômica vida do humorista e ator performático Andy Kaufman(1949-1984), e que também protagoniza.Vida longa ao Crazy Jim.
http://www.youtube.com/watch?v=mMSC-GhY0-g  
http://www.youtube.com/watch?v=yvkMy-Pj64E&feature=related 
http://www.youtube.com/watch?v=biUHyy9dExc
http://www.youtube.com/watch?v=lTO85q4oc2c&feature=related

13 de setembro de 2010

Wesley Duke Lee

Faleceu ontem, aos 78 anos de idade, o múltiplo artista Wesley Duke Lee. Desenhista, gravador, artista gráfico, professor, fotógrafo, Wesley participou de grupos e movimentos cruciais, como o Realismo Mágico e o  Rex nos anos 60. A sua inquietude crônica o fez um experimentalista de primeira hora: além de pioneiro em happenings no Brasil, passou pela pop art, criou objetos tridimensionais, experimentou cartografia, caligrafia oriental, pesquisou técnicas de xerox, vídeo, polaroid e várias outras reproduções eletrônicas de imagens.
Assista o vídeo do Itaú Cultural, em que ele chama a si mesmo de "artesão de ilusões":
http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.cfm?fuseaction=artistas_biografia&cd_verbete=877
E nesta galeria do UOL, grandes momentos de sua longa carreira:
http://entretenimento.uol.com.br/album/wesley_duke_lee_album.jhtm?abrefoto=4#fotoNav=1

Clausuras, dores e casulos transformadores

Renato Russo na adolescência (Arquivo Pessoal)
Conversando com a Cris sobre o ótimo livro "O Filho da Revolução", do jornalista Carlos Marcelo, que narra a trajetória do fundador da Legião Urbana em paralelo à própria história da capital federal ( Renato e Brasília nasceram no mesmo 1960), comentei que uma das passagens mais intrigantes é aquela em que o jovem Renato Manfredini Jr. é diagnosticado com uma terrível doença chamada epifisíólise, que desgasta ossos e cartilagens a ponto de deslocar o fêmur da bacia. Renato não podia se exercitar e sequer caminhar, o que o imobilizou na cama por dois anos. Para um garoto de 15 anos essa condição certamente é o inferno na Terra, mas nesse caso, acabou se transformando num laboratório de idéias e planos que sedimentaria toda a carreira do futuro compositor. Enclausurado e coberto de dores, Renato criou nesse período uma banda de rock imaginária (42nd Street Band) e uma persona, o vocalista e baixista Eric Russel, que já prenunciava seu futuro nome artístico. Quando curou-se, depois dos 18, todos os rabiscos, rascunhos e estratagemas planejados em seu casulo involuntário, deram a faísca necessária para a formação do seminal Aborto Elétrico e toda a postura rocker que o acompanhou pelo resto da vida. O sofrimento propiciou um plano de vôo milimetricamente estudado.
As biografias não mentem: convalescências, prisões, doenças mobilizantes, acidentes, entre outras rupturas radicais, muitas vezes servem como chaves que evocam vocações, ativam sonhos escondidos e transformam para sempre a vida e a postura dos atingidos.

Típico pôster de Griffin (1968)
Rick Griffin, famoso artista gráfico e quadrinista californiano, era também surfista dos bons e seus primeiros trabalhos traziam toda a cultura surfer para a arte do início dos anos 60, abusando de ondas gigantescas e personagens ensolarados.Até que em 1964, sofreu um grave acidente de carro rumo à São Francisco, onde lesionou seriamente um olho e teve várias cicatrizes permanentes no rosto. A partir daí, o surfista louro e galã Griffin trocou o bronzeado e as bermudas por um tapa olho e uma vasta barba cinza, e mudou totalmente sua concepção artística, que passou a incorporar elementos psicodélicos e darks como caveiras, lagartos cobras e esqueletos. Foi a partir desse terrível acidente que Griffin se encontrou como artista, criou os mais incríveis posters de bandas hippies dos anos 60/70 e pôde virar lenda antes de morrer ( em outro acidente, em 1991), tornando-se ao lado de Stanley Mouse, Victor Moscoso, Alton Kelly e Wes Wilson um dos 'Big Five" da psicodelia.

Tom Jobim mergulhado na música (anos 50)
Tom Jobim era na juventude um exímio esportista, caçador,nadador e mergulhador, até que em uma brincadeira besta na praia, caiu de mau jeito e avariou seriamente as costas. Impedido de praticar esportes, "mergulhou" de vez no piano e na noite. O resto é história.
"O Filho da Revolução" de Carlos Marcelo
Lembrei de três casos, mas com certeza há muitos enredos similares em que uma "avalanche" no caminho abriu clareira para um novo atalho, mais transformador e corajoso que o primeiro. Quem lembrar de outros, é só acrescentar.
Mais sobre:
http://www.renatorussoolivro.com.br/home.asp
http://www.rickgriffinink.com/
http://passagemcultural.blogspot.com/2009/01/em-1927-nasceu-o-maestro-soberano.html

1 de setembro de 2010

Baú do Malú 26 (Especial 100 Anos de Corínthians) - Autógrafos Corínthians 1980

No embalo do centenário do coringão velho de guerra, desencavei esta preciosidade: autógrafos dos principais jogadores da equipe corinthiana do início de 1980, que acabara de vencer o Campeonato Paulista de 1979 ( que teve a final em 1980). A data: 21/03/1980. O local: Luxor, em Maceió - a equipe acabara de jogar com o Remo pelo Campeonato Brasileiro ( perdeu por 1x0) e estava chegando à Alagoas onde jogaria com o CRB ( ganhou de 2x1)*. Pelo que vi do precioso papel acima, todos os jogadores titulares assinaram, com exceção de Amaral, mais alguns reservas, o médico, o técnico interino ( que daria lugar para Jorge Vieira já no outro jogo) e até o jornalista Flávio Adauto. Começando lá de cima, temos: Flávio Adauto, jornalista na época do O Estado de Sao Paulo, Gil, Solito, Renê de Toledo (médico), Wilsinho, Mauro, Nicanor (de Carvalho, técnico interino), Wladimir, Jairo, Píter, Caçapava, Geraldão, Basílio, Carlinhos, Biro-Biro, Zé Maria, Sócrates ( o único que escreveu mais que o nome: 'uma lembrança de'), Márcio e Wagner ( que deve ser o Vaguinho, embora seu nome de batismo seja Wagno). Um timaço, que ainda dispunha de muitos heróis de 1977, e que já se preparava para um futuro próximo glorioso ( o da Democracia Corinthiana), que teve Sócrates como um de seus artífices. A assinatura ao lado da do Basílio não reconheci- quem souber me avisa.
Este baú especial vai para todos os corinthianos apaixonados da nação alvinegra, e especialmente para meu pai, João Massolini, responsável-mor pelo meu corinthianismo, meu falecido vô Antonio Massolini ( goleiro da GM nos anos 30/40 e outro corinthiano roxo), meu brother Marcelo Tieppo, os irmãos Engelmann (Leo, Rogério & Lu), Tio Aramis, corinthianíssimo e sócio antigo, meu sogro Demeure, meu cunhado Zé ( e Flavito e Meurinho, da semifinal pra frente), minha mana Helô, meus filhos Letícia e Biel ( no bom caminho), os cenbraconianos Edu Soares, Colela, Wilsão, Tadeu e Denise, Mazurão,Wally, e minha amada companheira Cris. Viva nós!

* as informações dos jogos da época foram tiradas do Almanaque do Timão ( Abril - 2000) do grande Celso Unzelte, um dos maiores corinthianos dentro do jornalismo esportivo.

31 de agosto de 2010

O cinema de Rafael Saar encontra Luhli, Lucina e Baby do Brasil

Luhli & Lucina - foto de Luiz Fernando Borges da Fonseca

Baby do Brasil em show no Sesc Pompéia-SP - Foto de Gabriel Chiarasrelli
Depois de seis curtas-metragens, entre eles o premiado Depois de Tudo (2008) com Ney Matogrosso e Nildo Parente, o cineasta Rafael Saar engata em 2010 duas produções que prometem chacoalhar o cinema documental brasileiro. O longa-metragem Apocalipse segundo Baby com previsão de lançamento para 2012, enfocará toda a carreira da cantora niteroiense ( ou baiana da Baía de Guanabara, como ela mesmo diz), incluindo a longa jornada junto aos Novos Baianos e os projetos solos posteriores, mas com ênfase na sua incessante busca espiritual , numa ponte entre a Baby esotérica e a evangélica atual. Já Luhli & Lucina – Porque sim, porque não?, produzido em parceria com o Canal Brasil, concluirá a maioria das filmagens este ano para lançamento em 2011. A cultuada dupla, que já foi Luli & Lucinha, existiu entre 1971 e 1997 e deixou marcas na história da nossa música, ao lançar um dos primeiros discos independentes brasileiros e tratar pioneiramente de temas ecológicos. As duas continuam a mil, em produções solos e vários projetos culturais/sociais. Luhli foi quem apresentou Ney Matogrosso a João Ricardo do Secos & Molhados e foi co-autora de dois dos maiores sucessos da banda, O Vira e Fala (João Ricardo- Luhli). Lucina iniciou carreira no grupo Manifesto, que acompanhou Gutemberg Guarabyra na apresentação da sua vitoriosa Margarida, no II Festival Internacional da Canção de 1967. Além da face musical, o longa trará à tona a vida alternativa e comunitária de Luhli, Lucina e o fotógrafo Luiz Fernando Borges da Fonseca, um “casal de três” que deu muito o que falar na época.

Luhli, Lucina e os tambores - foto de Luiz Fernando Borges da Fonseca
Entrei em contato com Rafael Saar via internet, para falar sobre cinema e jogar um pouco de luz sobre os dois trabalhos:

AM –Baby do Brasil, Luhli e Lucina viveram à fundo o conceito de comunidade hippie. Ney Matogrosso era hippie antes dos Secos & Molhados e sempre manteve ao longo da carreira uma postura “alternativa”. Quais são as pontas que ligam esses quatro peculiares artistas brasileiros ao cinema de Rafael Saar?

RS-Todos eles são especialmente cinematográficos por possuírem uma proposta estética sonora e visual muito interessante e particular. Além disso o pioneirismo destes artistas, que tendo surgido todos num mesmo momento histórico de repressão do país, mudaram desde os meios de produção musical, passando pelas influências que deixaram na própria música brasileira e chegando ao comportamento da sociedade.

AM-"Luhli & Lucina – Porque sim, porque não?" dará grande enfoque ao singular relacionamento entre Luhli, Lucina e Luiz Fernando Borges da Fonseca. "Apocalipse segundo Baby", adentrará o esoterismo e o mundo evangélico para seguir a carreira da múltipla Baby do Brasil. Com você não tem essa de ‘suavidade nos temas’, né?

RS-São histórias lindas e instigantes e o que proponho é tratar estes temas de forma natural. Seja no amor de Luhli, Lucina e Luís, ou de Baby e Pepeu; seja na música gospel de Baby ou na pesquisa de pontos de umbanda de Luhli e Lucina; discutir ou entender de que forma estes aspectos influenciaram e influenciam a arte que eles produzem.

Baby do Brasil em show no Sesc Pompéia-SP - Foto de Gabriel Chiarasrelli

AM-Existe uma amnésia crônica e um desleixo generalizado no Brasil em relação à sua memória cultural. Como conseqüência, resgatar documentos e materiais de arquivo torna-se um dos maiores obstáculos na produção de documentários. Como andam estas “escavações” para as duas produções?

RS-Os obstáculos são muitos nas escavações de material de arquivo, que são fundamentais neste tipo de proposta de trabalho. É uma pena que os arquivos, principalmente de emissoras de TV, cuidem tão mal de acervos tão preciosos à memória cultural. Estamos ainda em busca de muitos programas e filmes dados como perdidos, tanto dos Novos Baianos, como de Luhli e Lucina.
É uma pena também que o acesso e o preço que se paga por esse acesso seja tão alto, e por vezes inviabilize que idéias se concretizem, e que as pessoas tenham a possibilidade de conhecer sua história.
Conto muito com a ajuda de colecionadores, pesquisadores e fãs em geral que tenham imagens desses artistas para que os projetos se concretizem.

AM-Como você vê o atual mercado de documentários no Brasil? Existe um novo boom do gênero no país, paralelo ao sucesso alcançado pela literatura biográfica?
 
RS-Com a dificuldade que tem se encontrado para financiamento de projetos de ficção, que são bem mais caros, e com o digital e o barateamento dos meios de produção, o documentário ganhou um impulso muito grande. O importante agora é fazer com que toda esta produção chegue ao grande público, na salas de cinema e na TV aberta, e saia do pequeno circuito de festivais.
 
AM-Obrigado, Rafael, pela entrevista. Alguma colocação final?
 
RS-Quem puder contribuir com material como filmes, vídeos, áudios e fotos para os projetos, entre em contato com rafaelsaar@gmail.com
 
AM-Valeu!
 
Seguem os promos das duas produções:
http://www.youtube.com/watch?v=jupTPIMI63Y   Baby  
http://www.youtube.com/watch?v=bu7Fbo9EXAM Luhli e Lucina Parte 1
http://www.youtube.com/watch?v=zt4hGb8Rugs  Luhli e Lucina Parte 2