29 de junho de 2012

Clube da Esquina madruga na Globo

A Rede Globo das "altas horas' não é a mesma Globo do dia ou do chamado 'horário nobre'. A emissora dos Marinho deixa as produções mais 'cults', sofisticadas ou segmentadas para a faixa da 'meia-noite pra frente'. Em muitos casos, vale a pena ficar acordado e checar essas produções, como "´Por Toda a Minha Vida", séries especiais, algumas entrevistas e atrações pontuais do Jô Soares ou do Altas Horas do Serginho Groismann e o Som Brasil, que em suas últimas edições vem prestando homenagens de respeito, de Gilberto Gil ( que terá reprise no Canal Viva neste sábado e domingo em homenagem a seus 70 anos), a Luiz Gonzaga, da Bossa Nova e Raul Seixas à Música Nordestina e à Jovem Guarda, entre outros. Hoje, o mesmo Som Brasil prestará tributo a um dos melhores discos brasileiros já feitos, o Clube da Esquina, de 1972, idealizado por Milton Nascimento e Lô Borges (os dois na foto, com Camila Pitanga) com uma congregação única de instrumentistas e letristas. Entre os convidados do programa, além da dupla mentora, estarão no palco Fernanda Takai e a banda As Minas, Megh Stock, Filipe Catto e o grupo Kamy - muitos nem tinham nascido quando o disco foi gerado. Na grade, a data do Som Brasil é sexta-feira, 29, depois do Programa do Jô, mas na prática isto quer dizer, madrugada de sábado, 30, entre  uma e duas da matina. Vale a pena ficar acordado - Milton, Lô, Beto Guedes e Cia não frequentam Faustão, Caldeirão e outros "ãos" globelezados. Melhor assim.
Making of: http://globotv.globo.com/rede-globo/som-brasil/t/veja-tambem/v/assista-ao-making-of-do-som-brasil-em-homenagem-ao-clube-da-esquina/2010372/

27 de junho de 2012

A volta do Pelezinho

Confirmado: Pelezinho, personagem criado por Mauricio de Sousa em meados dos anos 70, e que teve gibi mensal próprio pela Editora Abril entre 1977 e 1982 ( além das tiras de jornais e almanaques e especiais pela Abril - até 1987 e Editora Globo - até 1990), está de volta! segundo Pelé, em entrevista coletiva hoje ao lado de Mauricio de Sousa e a direção da Editora Panini, a volta visa a Copa do Mundo do Brasil em 2014. Pelezinho foi sem dúvida um dos gibis mais criativos da época e merece ser reapresentado para as novas gerações. Serão republicadas todos os números da fase Abril na ótima Coleção Histórica (quadrimensal), além de outros formatos para a banca, todos com histórias já publicadas. Um gibi mensal no tradicional formatinho não foi descartado, mas não há nenhuma previsão ( um nº zero especial foi impresso,  mas só para divulgar a volta).O atual gibi do Ronaldinho Gaúcho, segundo Mauricio, não será descontinuado por conta do novo contrato com a empresa de Pelé. Inclusive é cogitada a criação de outros personagens futebolistas para os quadrinhos até as Olímpiadas do Rio 2016, como Neymar ( Pelé sugeriu também Rogério Ceni). Segue release para a imprensa com todos os lançamentos do novo projeto:
http://www.inteligemcia.com.br/76476/2012/06/27/a-torcida-pediu-e-pelezinho-entra-em-campo-novamente/
A "carreira" do personagem também pode ser conferida nesta ótima matéria do Marcus Ramone:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/Pelezinho.cfm

26 de junho de 2012

Stones 50

Meio século de Stones agora em julho. O logotipo comemorativo (by Shepard Fairey) já saiu do forno (acima) e a banda se prepara para a reunião que decidirá toda a estratégia para a antológica efeméride . Um disco com inéditas não está descartado, mas por enquanto, só o show dos 50 anos daqui três semanas e uma exposição fotográfica em Londres. Esperamos algo substancioso por estas plagas, afinal, não é qualquer banda que completa 50 anos. Só as que são feitas de pedra.
E falando em pedra, no clima do cinquentenário, segue uma gravação de 1962, ano 1 do grupo, que conseguiu se safar das vissitudes do tempo e das intempéries:
http://www.youtube.com/watch?v=gL-f-8Vh068


25 de junho de 2012

Baú do Seu João 6: Coleção Saraiva (anos 50/60)

Como eu já tinha prometido anteriormente, aos poucos vou postando os impressionantes achados pós-reforma na casa do meu enciclopédico pai, que já voltou do hospital são, salvo e emputecido diante da nova decoração que acabou desestruturando sua "desordem ordenada" de poeiras cósmicas, ácaros imemoriais e caixas herméticas. Entre as relíquias que foram aflorando dos armários mágicos do Seu João, essa Coleção Saraiva salta à vista. Desde minha primeira infância, já babava por essas capas na estante enquanto deglutia um copo de leite C com bolacha Maria. E não tem como não babar. São as maravilhosas ilustrações do único artista da série, o mestre Nico Rosso, que ornamentou todos os volumes da coleção (perto de 200), de 1948 (um ano depois de chegar da Itália) à meados dos anos 60, com seu estilo barroco e eclético, o mesmo que ao longo dos anos deu vida tanto ao legítimo terror nacional nos quadrinhos como às ilustrações de contos de fadas e capas e histórias diversas para editoras como Ebal, La Selva,Taíka e M&C. Seu João guardou 13 volumes, e são as suas capas que disponho aqui. Vale a pena ver e rever. Pra mim, essas imagens não tem só tinta e papel, mas cheiro de infância.
Vol.31 - janeiro 1951
Vol. 87 - Setembro 1955
Vol.90 - dezembro 1955
Vol. 107 - maio 1957
Vol.117 - março 1958
Vol.120 - junho 1958
Vol.125 - Novembro 1958
Vol.151 - Janeiro 1961
Vol.162 - Dezembro 1961
Vol.166 - Abril 1962
Vol. 173 - Novembro 1962
Vol.175 - janeiro 1963
Vol. 186 - Dezembro 1963

19 de junho de 2012

Troféu HQMix 2012: saiu a lista dos vencedores

Saiu ontem a lista oficial dos laureados do 24ºTroféu HQMix 2012. A premiação será no dia 30 deste mês no mesmo bat-Sesc Pompéia. Segundo o site do evento, falta definição ainda para três premiações  acadêmicas: melhor doutorado, melhor mestrado e trabalho de conclusão de curso.

Adaptação para os Quadrinhos
Clara dos Anjos - Wander Antunes e Marcelo Lelis

Caricaturista
Gustavo Duarte

Cartunista
Dalcio Machado

Chargista
Angeli

Desenhista Estrangeiro
David Mazzucchelli

Desenhista Nacional
Marcelo Lelis

Destaque Internacional
Fábio Moon e Gabriel Bá

Destaque Latino-americano
Fierro (Argentina)

Edição Especial Estrangeira
Asterios Polyp - David Mazzucchelli

Edição Especial Nacional
Morro da Favela - André Diniz

Editora do Ano
Leya/Barba Negra

Evento
7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos)

Exposição
Criando Quadrinhos - Ivan Costa

Grande Contribuição
FanZines nas Zonas de Sampa

Grande Mestre
Marcatti

Homenagem Especial
Mauro dos Prazeres (sócio-fundador da editor Devir, morto neste ano)

Homenagem Especial
Achados e Perdidos - Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno "Ito"

Livro Teórico
Ângelo Agostini - Gilberto Maringoni

Mídia sobre Quadrinhos
Mundo dos Super-Heróis

Novo Talento - Desenhista
Magno Costa e Marcelo Costa

Novo Talento - Roteirista
Vitor Cafaggi

Produção para Outras Linguagens
Angeli 24 Horas - Beth Formaggi

Projeto Editorial
MSP Novos 50 - Mauricio de Sousa

Publicação de Aventura/Terror/Ficção
Birds - Gustavo Duarte

Publicação de Clássico
Arzach - Moebius

Publicação de Humor Gráfico
Uma Patada com Carinho - Chiquinha

Publicação de Tira
Macanudo - Liniers

Publicação Erótica
Black Kiss - Howard Chaykin

Publicação Independente de Autor
Birds - Gustavo Duarte

Publicação Independente de Grupo
Café Espacial

Publicação Independente Edição Única
O Louco, a Caixa e o Homem - Daniel Esteves e Will

Publicação Infantojuvenil
Turma da Mônica Jovem - Mauricio de Sousa

Publicação Mix
MSP Novos 50 - - Mauricio de Sousa

Roteirista Estrangeiro
David Mazzucchelli

Roteirista Nacional
André Diniz

Salão e Festival
3º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro

Tira Nacional
Manual do Minotauro - Laerte

Web Quadrinhos
Terapia - Mario Cau, Marina Kurcis e Rob Gordon

Web Tiras
Um Sábado Qualquer - Carlos Ruas 

O troféu deste ano homenageia o clássico personagem de Primaggio Mantovi, o palhaço Sacarrolha (abaixo)


Mais informações sobre o evento:

15 de junho de 2012

Stan Lee e a DC

Essa me apareceu sem querer, ao cair na mão um exemplar do catálogo/magazine da Editora Taschen (original americano) da virada 2011/2012 (Winter). Logo nas páginas iniciais, a publicação pediu para algumas personalidades escolherem seu livro do catálogo Taschen predileto. E olhem só qual o mestre Stan Lee escolheu: "75 Years of DC Comics" de Paul Levitz ( lançado em 2009). Bem compreensível, pois quando a sua eterna rival nos comics surgiu, Stan tinha 11 anos, e certamente curtiu muito as então pioneiras histórias nas revistas. Mais de cinco anos depois (1939), Stan virava assistente na Timely, futura Marvel, enquanto Superman já fazia sucesso na rival e Batman era lançado. Mas aí seus olhos já estavam voltados para seus próprios roteiros e criações, que o levaria ao topo do mercado duas décadas e meia depois.

14 de junho de 2012

Carlos Reichenbach (1945-2012)

Os grandes do cinema brasileiro vão nos deixando. Primeiro foi o Paulo Cezar Saraceni em abril e hoje, no dia de seu aniversário, o indomável Carlos Reichenbach, Carlão para os chegados. Cineasta inconformado, independente, indomável, indulgente, esse sim era uma pessoa in. Fez do cinema sua vida, batalhou pela arte, ajudou muitos na profissão, revelou dezenas de atores/atrizes, ganhou prêmios e foi reconhecido internacionalmente. Sofreu muito para finalizar seus filmes... talvez porque nunca foi bajulador e nunca fez nada por encomenda. Dêem uma passeada agora pela internet e vejam quantos amigos e colegas gratos, quantos fãs e quantos influenciados pela sua arte. Diretor, produtor, crítico, professor, fotógrafo, roteirista, Reichenbach foi guerreiro do nosso cinema. Que seus filmes continuem chocando os hipócritas e iluminando os idealistas.
Curta metragem "Esta Rua tão Augusta" (1966-1968) -http://www.youtube.com/watch?v=oGmQ99A6uRY
Curta metragem "Murilolendo" (1997/TV Cultura) - http://www.youtube.com/watch?v=jQxb3GF_fBA
Série Obra Revelada (2009/Itaú Cultural) - http://www.youtube.com/watch?v=L0SoPLRcym8
Episódio Canal Brasil 10 anos (2008) - http://www.youtube.com/watch?v=1YKaq2ovRSI
Vídeo homenagem no III Curta Neblina (dez/2011)- http://www.youtube.com/watch?v=q_cCKXLhvrA
Especial TV PUC SP (2005 - trecho) - http://www.youtube.com/watch?v=mbs7qDSpT1E


Festival de Cultura e Arte do Grande ABC

No final de semana vai rolar um evento cultural bem eclético cá em São Caetano. É o Festival de Cultura e Arte do Grande ABC, realizado pelo Diário do Grande ABC em parceria com a Prefeitura de São Caetano do Sul e apoio da Universidade Metodista. Arte, shows, poesia, desenhos, teatro. Confiram na agenda do site oficial os horários e endereço. No sábado (16) tem show com o legendário Zé Geraldo (17h) e mais tarde o Funk Como Le Gusta. No domingo (17) rola Claudio Zoli (17h) e mais tarde a banda Cachorro Grande. Entremeando esses grandes shows, artistas inscritos mostram seus trabalhos. Inclusive, um de nossos parceiros do livro "Brasil do Bem", o Humberto Pessoa, estará no local expondo três caricaturas ( link do seu blog abaixo).
Agenda oficial:  http://www.dgabc.com.br/festivalabc/
Blog do Humberto Pessoa: http://humbertopessoa.blogspot.com.br/2012/06/1-festival-de-cultura-e-arte-do-grande.html

13 de junho de 2012

Semanário, jornal de Timor Leste

Este peculiar jornal acima, "Semanário", que mistura português com dialeto local é do longínquo Timor Leste. O exemplar, de 05/05/2012 , foi um presente do meu cunhado Zé, que passou um mês no país lecionando em curso especial do Senai ( na verdade eu tinha pedido um gibi de lá, mas ele não localizou banca ou outro local de venda de quadrinhos). Embora Timor atravesse um período de paz, ficamos um tanto apreensivos com essa viagem pro outro lado do planeta ( contando as baldeações e trocas de vôos, a viagem de volta durou 39 horas!!), mesmo sabendo que o motivo era nobre. És muito bem vindo de volta, caríssimo Zé!

Rock de Brasília, o filme

Ontem, minha namorada de quase 20 anos me presenteou com esse documentário acima (valeu, moi), o já premiado "Rock Brasília - Era de Ouro" de Vladimir Carvalho (Coleção Canal Brasil/2011). O cineasta já tem fama de ourives da película, pois costuma colecionar imagens por anos a fio até compor um painel representativo de uma época ou um movimento. Esse último encerra uma trilogia sobre a construção cultural e ideológica da capital federal, e mostra imagens de seu arquivo pessoal desde o final dos anos 80 ( o auge das principais bandas Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial). Não tive tempo de ver ainda mas não vejo a hora. Enquanto isso, deixo um trecho aqui:
Entrevista ao Canal Brasil: http://www.youtube.com/watch?v=22Q0nZvfGuQ
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=PEcvjN7s260

11 de junho de 2012

A revista da Mônica que nunca foi lançada - parte 2

Sergio de Souza. Declaração do editor joga mais luz ao "não lançamento" de Mônica em 1969.
No ano passado levantei um assunto misterioso e periclitante: o lançamento da Mônica em revista em 1969, ou seja, um ano antes do seu lançamento pela Editora Abril em 1970, pontapé fundamental de Mauricio de Sousa para seu império editorial atual (veja aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2011/06/o-misterio-da-ube-e-o-quase-lancamento.html ). Na época eu 'pesquei' o assunto no blog do Roberto Guedes, ao pesquisar sobre o Alain Voss, e também de um breve comentário sobre o fato retirado de um depoimento do próprio Mauricio à revista Mundo dos Super Heróis, mas detalhes precisos, neca de pitibiriba. Naquele post eu prometi que assim que surgissem mais indícios, faria um complemento. E um ano depois, sem querer (é sempre assim), acabei esbarrando no mesmo assunto quando pesquisava sobre a imprensa alternativa nos anos de chumbo. A fonte consultada foi o completo livro do Bernardo Kucinski, "Jornalistas e Revolucionários- Nos Tempos da Imprensa Alternativa"(Editora Scritta -1991 -capa abaixo), uma obra de cabeceira pra mim e que esmiuça com precisão e muita pesquisa a trajetória da imprensa alternativa (ou "nanica", como dizem) desde o Golpe de 64 ( com o pioneiro Pif Paf de Millôr) até os jornais sindicais do início dos anos 80.
Kucinski, ele próprio um jornalista que passou por vários veículos à margem da grande imprensa, é meticuloso e traz não só bastidores como vários perfis dos articulistas e protagonistas desse jornalismo marginal que acabou mudando a linguagem da própria 'big press'. No capítulo que identifica com detalhes a 'turma' do Sergio de Souza (ex-editor de Caros Amigos e dezenas de outras publicações, falecido em 2008), a mesma que revolucionou o jeito de se fazer reportagem em revista ( Realidade) e inovou em distribuição ( Bondinho), eu parei no seguinte trecho:
"...Mas "ninguém queria contratar o grupo como um todo, tinham medo, até que Samuel Wainer chamou-os para produzir IDÉIA NOVA, um grande tablóide dominical de informação; Wainer alugou um andar de hotel na boca do lixo, em São Paulo, para fazer o projeto em segredo, mas quando estava quase pronto, veio o famigerado AI-5, ele pagou  e premiou todo o mundo e sumiu". Em seguida, a equipe revisteira propôs à editora dos irmãos Rossolitto, donos de gráfica e de uma revista grosseira de polícia, o lançamento de três revistas: "uma revista de histórias em quadrinhos do Alan Voss, que ficou bastante conhecida; a revista da Mônica, com o Maurício de Souza (sic); e uma revista feminista, CARA METADE, que se proporia a mostrar como as mulheres vêem os homens; estava o time todo, estavam prontos os fotolitos do Mauricio de Souza (sic) e os da história em quadrinhos, e os homens disseram que não tinham mais capital para bancar os projetos...".
Esse trecho do livro foi baseado em depoimento do próprio Sergio de Souza dado ao autor em 1990. Uma nova e mais clara luz sobre o caso, que nos traz novos nomes. Se no post anterior tínhamos UBE, agora temos também os irmãos Rossolito, nomes por trás da editora. A revista de Voss "que ficou bem conhecida" é o "Careca", também citada anteriormente; e com essa nova declaração, feita por um protagonista, entende-se que os projetos não foram pra frente por receio político mesmo, medo até, rebatizado de "falta de capital" (afinal, estava tudo pronto para lançamento). Se não houve prisões, como Maurício supõe, com certeza rolou uma dispersão do grupo, que logo, sob o novo nome de  A&C (Arte & Comunicações), lançaria O Bondinho, um projeto tímido inicialmente, distribuido só no interior do Pão de Açúcar e que logo se transformaria num dos veículos mais surpreendentes e anárquicos da imprensa tupiniquim. Mas essa é uma outra história...

10 de junho de 2012

Ivan Lessa (1935-2012)

A foto clássica na redação do Pasquim: Ivan Lessa e Jaguar
O Pasquim abarcou em sua redação dezenas de "escribas natos", alguns inclusive fundando um novo estilo no jornalismo brasileiro. Por lá passaram excelentes cronistas/jornalistas/escritores como Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Luis Carlos Maciel, Sérgio Augusto, Moacyr Scliar, Newton Carlos, Martha Alencar. Mas os criadores de textos que mais impregnaram (no bom sentido) o jornal alternativo foram Millôr Fernandes, Paulo Francis e Ivan Lessa, a trinca que levou a acidez e a ironia a um patamar único no humor jornalístico. Os três 'enfant terribles' já desencarnaram, Millôr a pouco tempo e agora Ivan, aos 77, dias depois de sua última crônica na BBC. Ivan Lessa sempre foi afiadíssimo em sua redação, daqueles nunca em cima do muro, sempre cutucando, ironizando, destilando veneno e antídoto na mesma proporção. Fez uma dupla memorável com Jaguar, antes mesmo do Pasquim, ao criar as tiras do 'Chopnics', que combinava beatnik com chopps e aparecia no Jornal do Brasil e no Jornal dos Sports simultaneamente (e que deu vida à Sig, o ratinho). Continuou com o mesmo espírito no Pasquim até virar correspondente na Inglaterra e nunca mais voltar para o seu amado Rio de Janeiro. Voltou sim, uma vez, acho que na década passada, e viu um Rio tão diferente daquele setentista, sujo, violento, sem seus bares prediletos, que preferiu ficar com aquele Rio antigo no seu coração e continuar escrevendo seus textos, cada vez mais corrosivos (entendem agora por que?) no Reino Unido. Trabalhou até o fim, deixando centenas de crônicas para a BBC (link abaixo). Um dos nossos maiores textos, com certeza, e pouco conhecido por aqui justamente por essa distância. Mas Ivan Lessa, o filho do Orígenes, sempre nos sobrevoou com seu texto, independente da Geografia, tanto para trovoar como para ensolarar os ares do seu velho Brasil.
As crônicas na BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120608_ivan_lessa_rw.shtml

7 de junho de 2012

Lira Paulistana - O Filme

Postei faz pouco tempo sobre o festival de documentários e dentre os filmes estava lá um dos lançamentos brasileiros mais aguardados, o "Lira Paulistana" de Riba de Castro, ex-sócio do emblemático Teatro Lira Paulistana, cuja finalização a minha amiga Pilar já tinha avisado via Face me enviando o pôster oficial (este acima). Vale a pena ficar ligado na programação cultural de São Paulo, pois certamente o filme surgirá em salas comerciais ( por pouco tempo, como de praxe) e circuitos alternativos. A produção durou alguns anos e pode ser dissecada em sua página oficial ( que parou de ter atualizações mas tem links e matérias bem interessantes sobre todo o processo do doc e os 30 anos do movimento). No embalo, segue também o making of e o trailer. Pelo clima e quantidade de depoimentos, parece que a película chegou onde queria. Espero que sim.
O site: http://lirapaulistana.net/
Making Of: http://www.youtube.com/watch?v=HJld7rvHrVw&feature=endscreen&NR=1
O trailer: http://www.youtube.com/watch?v=2w5wjtezXB8

1 de junho de 2012

Nelson Jacobina e Levon Helm: dois instrumentistas que tocavam com a alma

Levon Helm (1940-2012)
Nelson Jacobina (1954-2012)
Nelson Jacobina, violonista requisitado, compositor de mão cheia, foi fiel escudeiro do apocalíptico Jorge Mautner. Em décadas de atividade, sempre que possível, estava no palco com seu amigo pré/pós tropicalista, assim como em diversos discos independentes, shows pelo Brasil afora e ultimamente, membro efetivo da incrível Orquestra Imperial.
Levon Helm, baterista fundador da The Band, que acompanhou Bob Dylan em inúmeras ocasiões, ajudou a cunhar com seus colegas de banda a junção folk/country/rock e foi um dos primeiros bateristas vocalistas da cena.
Tanto Nelson como Levon elevaram a música às alturas e ambos amavam tanto o que faziam, que praticamente entravam em transe quando tocavam. Eram instrumentistas de alma. Coincidência ou não, os dois  tinham câncer há anos, mas não arredaram o pé dos palcos, mesmo com dor, fraqueza, vertigens, o que fosse. Em 19 de abril, Levon Helm, às vésperas dos 72 anos, descansou de sua heróica batalha. Nelson Jacobina, aos 58 anos, alguns dias depois de sua última apresentação, fez sua passagem em 31 de maio. Sempre considerei a música um dom supremo, um tipo de poder mágico. Esses dois extraordinários instrumentistas  ajudaram a sacramentar minha opinião.

Dois momentos brilhantes da música mundial:  Maracatu Atômico, original (1972, composição de Mautner-Jacobina), executada pela bombástica Banda Atômica, com Mautner, Jacobina, Arnaldo Brandão e Vinicius Cantuária; e The Weight, um dos números ao vivo da despedida da The Band filmada por Martin Scorsese em The Last Waltz (25/11/1976) - Levon é o primeiro a cantar.
http://www.youtube.com/watch?v=0ocevnfp0vU
http://www.youtube.com/watch?v=sjCw3-YTffo

31 de maio de 2012

4º In-Edit

Em mais uma edição, o já consolidado Festival Internacional de Documentário Musical trará a partir de amanhã (hoje, só para convidados), 70 títulos de 11 países, entre eles o inédito "Lira Palistana e a Vanguarda Paulista", de Riba de Castro, "Jorge Mautner - O Filho do Holocausto", de Pedro Bial e Heitor D'Alincourt, "Siba - Nos Balés da Tormenta", de Caio Jobim e Pablo Francischelli, "Mama Africa", de Mika Kaurismäki, sobre a cantora Miriam Makeba (1932-2008), "Living in the Material World", de Martin Scorsese, sobre George Harrison, o vencedor do In-Edit Barcelona 2011 "Last Days Here", que conta a batalha de dois fãs, junto à Phil Anselmo (do Pantera) para salvar o vocalista da banda Pentagran do vício do crack, "Ray Davies - Imaginary Man" e "Kinkdom Come", ambos de Julien Temple, que resolveu fazer dois filmes separados que se completam sobre os Kinks, diante da briga ad eternum entre os irmãos fundadores da banda, Ray e Dave Davies. E tem muito, muito mais: Ozzy, Iggy Pop, David Bowie, Libertines, Queen, cena do Oriente Médio, cena africana, Serge Gaisbourg, Geraldo Vandré, música brega, Nação Zumbi. A mostra acontecerá em 6 salas entre os dias 01 e 10 de junho e este ano homenageia três personalidades: Fernando Faro, histórico produtor ainda na ativa ( criador de Ensaio - TV Cultura), Don Letts, cineasta britânico pioneiro da cena punk, que vem mostrar alguns de seus docs ( entre eles, o premiado "Westway to the World", sobre The Clash) além de ministrar Aula-Magna e discotecar no encerramento do festival e o fotógrafo Thomaz Farkas, falecido no ano passado e muito importante para o cinema brasileiro com sua série Caravana Farkas sobre músicas regionais e instrumentos musicais.
A programação completa, aqui ( por sala):
MIS 
CineSESC
Cinemateca Brasileira
Cine Olido
Cine Livraria Cultura
 
Matilha Cultural


30 de maio de 2012

Tributo à Legião Urbana

A MTV vinha divulgando com destaque o mês inteiro esse tributo e o primeiro estranhamento surgiu quando se anunciou o vocalista que faria parte do projeto junto ao baterista Marcelo Bonfá e o guitarrista Dado Villa-Lobos: Wagner Moura, o conhecido ator baiano, protagonista de Tropa de Elite. Conforme os ensaios apareceram na programação, percebeu-se que além da característica "cara de pau" que todo ator tem que ter, Wagner conhecia muito bem o repertório da banda e até que cantava direitinho, se deixássemos as comparações com Renato Russo de lado ( difícil não comparar, ein?). Quando soube uma semana antes que o lendário Andy Gill, guitarrista da banda pós-punk Gang of Four iria fazer uma participação especial nas duas noites do tributo, fiquei mais propenso ainda a acompanhar o show "ao vivo" pela MTV, ontem. Não me arrependi. Além de extenso repertório (foram 2 horas de show e 25 músicas da Legião!), há muito tempo longe dos palcos, Dado e Bonfá estavam esfuziantes como crianças, os convidados Fernando Catatau e Bi Ribeiro deram um show a parte em seus respectivos instrumentos e o emocionado Wagner Moura, que antes deste "pra valer", só tinha cantando Legião para uma platéia de mentirinha (a música "Será" no filme Homem do Futuro, que acabou chamando a atenção dos produtores da MTV), brigou no começo com o ponto de retorno na orelha, se emocionou, encharcou-se de adrenalina, cantou sem cola nenhuma, se emocionou de novo, fez um "quase mosh" na platéia, se emocionou mais uma vez, e do meio pro final "foi pra galera" de vez. Resumo da sua atuação: emoção 100%. Os apuros técnicos, uma constante nos projetos da MTV ( será que não dá pra emissora comprar microfones sem fio???? o vocalista teve a sua área reduzida por conta disso) não foram poucos -o  microfone mudo em "Fábrica' foi um dos grandes. A platéia de 7 mil pessoas, que pagou muito bem pra assistir o especial, não tava nem aí para percalços e eletrizou ainda mais o show.
Andy Gill
Quando Andy Gill adentrou o palco e iniciou uma versão venenosa de "Damaged Goods", com Bi e Catatau no suporte e Dado, fã de carteirinha do Gang of Four, no vocal, a platéia, mesmo não conhecendo a música, foi ao delírio. A satisfação latente emanada desse encontro histórico transmitia a aura necessária ao público. É essa sensação que faz do rock uma das coisas menos explicáveis do mundo. Explicar pra quê? Gill retribuiu o carinho e continuou no palco acompanhando "Ainda é Cedo".
Comparações? inevitáveis, mas nesse caso, perda de tempo.Essa formação foi só uma celebração, e a idéia de chamar um profissional fora do meio musical ( embora Wagner tenha uma banda amadora) foi perfeita - imaginem se fosse um cantor mesmo? aí sim as comparações jorrariam mais ainda em cima.
Estou ficando velho mas sem ranzinzices. Consegui assistir um show na íntegra com o ótimo repertório da Legião Urbana, Dado e Bonfá estavam afiados, a banda correspondeu, Andy Gill apareceu e gostou de tocar e Wagner Moura deixou rolar a emoção e conduziu bem a platéia, cantando sem arroubos e sem querer imitar ninguém. Renato Russo foi gênio - o cara fazia letras geniais, tinha uma das melhores vozes do rock e ainda mandava muito bem em suas performances. Para estar no lugar desse gênio é preciso ter muita coragem - e repito, cara de pau. Os fãs da Legião Urbana no fim, deram o tom, energizaram o ambiente e foram os grandes responsáveis para que tudo tenha dado certo.

39º Salão de Humor de Piracicaba

Recebi pelo correio mais um folheto de inscrição e regulamento do tradicional Salão de Humor de Piracicaba, desta vez o da 39ª edição. Pelo folheto têm-se uma noção, ainda que reduzida, da arte do cartaz oficial do evento e o autor escolhido para este ano é o grande Jaguar, que tanto prestou serviços para o nosso humor gráfico e que completa 80 anos em 2012 muito bem vividos (e bebidos). Pelo que já foi noticiado, o salão deste ano prestará uma homenagem paralela ao Pasquim e por osmose a esse mestre do cartum brasileiro. Acima, o folder, frente e verso, com a arte inconfundível de Jaguar.

29 de maio de 2012

Jota Erre (1965-2012)

O prédio redondo na esquina da Gilda com Pereira Barreto em Santo André:  lar da 97FM entre 1983 e 1992
Na sexta, 25, faleceu Jota Erre, um ícone do rock do ABC e posteriormente de São Paulo, que estava há muito tempo afastado da mídia ( pelo menos da nossa mídia paulista). Quem me trouxe a notícia foi o Rick Berlitz, meu grande companheiro de músicas e pautas, direto de Itatiba.
Antes da 89FM (a rádio rock, não essa atual), antes da Kiss, antes da Brasil 2000, existiu uma rádio que começou bem tímida (experimental pra ser mais exato), aqui pertinho de casa, com sede na Avenida Dom Pedro II (e posteriormente no prédio redondo da Rua Gilda com Av. Pereira Barreto, onde permaneceu de 1983 a 1992), e que logo angariou vários ouvintes, não só do ABC, mas de várias partes da capital e da Grande São Paulo: a 97FM. Sem qualquer vínculo com gravadoras e nem com hit parades, a emissora começou a tocar desde clássicos do rock até bandas obscuras, que nunca tinham passado pelas ondas radiofônicas brasileiras, principalmente progressivas européias e americanas do hard rock setentista. O Rock Brasil também dava as caras na programação, caso de Golpe de Estado, Made in Brazil, Violeta de Outono, Mercenárias, 365, Grinders, Angra, Korzus, Sepultura, entre tantas outras. A voz principal desta inusitada e inédita programação era justamente a do Jota Erre, que amava o que fazia, se emocionava, e compunha a seleção do dia com alma e ouvido de fã.
A notícia que o Rick me mandou, originária da Folha de 28/05, veio por e-mail. Em poucas linhas fiquei sabendo que Edson Sant'anna Jr (seu nome verdadeiro) estava com alguns poucos anos a mais que eu, vivia longe, bem longe do ABC (Rondonópolis-MT), e ainda na vida de comunicador. Talvez não soubesse ou não tenha se dado conta que uma geração inteira do ABC, ávida por novidades, considerava sua pioneira presença no dial dos pré-globalizados anos 80, uma bússola abençoada direcionando seus tímpanos para a liberdade sonora.
A matéria, assinada por Ricardo Feltrin, abaixo, na íntegra:

Edson Sant'Anna Jr. (1965-2012) - O locutor símbolo da 1ª rádio rock
RICARDO FELTRIN
EDITOR DO F5

Edson Sant'Anna Jr. ainda estava no primeiro da faculdade de jornalismo na Metodista, em São Bernardo, mas já fazia bicos como locutor e garoto-propaganda, graças a uma bela e potente voz grave.
Fazia imitações de tantos locutores que, em uma de suas "exibições", acabou descoberto e levado para a 97FM, então sediada em Santo André e que se auto-intitulava "a primeira rádio rock" do país.
Edson, ou Jota Erre, como ficou conhecido, acabou se tornando a principal voz da 97FM ainda na primeira metade dos anos 80. Acabou virando uma espécie de marca registrada do rock'n'roll e um ícone da região do ABC.
A rádio lhe permitia fazer a própria programação e tocar o que bem entendesse. Jota gabava-se de ser o único locutor do país que tinha tocado no ar uma versão de "Moby Dick" (Led Zeppelin) com direito ao solo completo de bateria de John Bonham.
Apaixonado por música, estudou, se tornou baixista e acabou integrando várias bandas nos anos 80 e 90, como a Planeta Central e Madame Terra.
Após deixar a 97FM, seguiu para outras rádios, como a Brasil 2000, Mix, Transamérica e 89FM. No início dos anos 2000, trocou a paixão do rádio pela da TV.
Praticamente sozinho, estudou leis de radiodifusão e montou em Santo André a Eco TV, emissora comunitária de sinal fechado, que inspirou a criação de outras semelhantes país afora.
Jota Erre morreu na noite de sexta, em Rondonópolis (MT), onde tinha programa numa TV local, poucas horas antes de completar 47 anos. Foi vítima de um infarto fulminante. Deixa mãe, irmãs e dois filhos.

28 de maio de 2012

O acervo sorve 7 - Retrato Vivo da Grande Aventura - Jean Manzon

Obra monumental com imagens históricas do acervo do fotógrafo francês Jean Manzon, que percorreu o nosso país de ponta a ponta entre os anos 40 e 50, inundando as páginas da mais poderosa das revistas na época, a Cruzeiro, de Assis Chateubriand, e modificando o fotojornalismo brasileiro para sempre. Manzon continuaria com seu olhar intercalado de formalidade e poesia até os anos 70, mas a produção destes primeiros anos é que melhor traduz sua técnica (como nesses dois exemplos abaixo). Esta colossal obra de 250 páginas, medindo 29,5 cm por 29,5 cm, foi lançada entre 2006 e 2007 pela Aprazível Edições e Cepar Consultoria, com edição e direção de Leonel Kaz, coordenação de Nigge Loddi, projeto gráfico de Augusto Lins Soares e pesquisa de Companhia da Memória ( de Vladimir Sacchetta) e Paulo da Costa e Silva. Devidamente absorvida pelo acervo e alocada com muito prazer na prateleira de arte/fotografia.
Cândido Portinari por Jean Manzon
Heitor Villa-Lobos por Jean Manzon

24 de maio de 2012

A nova rádio online do Canal Brasil

E no mesmo dia em que o Estadão escancarou seu acervo, a Rede Globo, por meio do seu veículo mais "cultural", o Canal Brasil, lançou sua rádio online de mesmo nome. Com ênfase em atrações de sucesso da grade televisiva, a Rádio Canal Brasil trará entre outros programas, 'Zoombido', apresentado por Paulinho Moska e o incensado 'O Som do Vinil', produzido e apresentado por Charles Gavin, além de trilhas dos documentários e filmes coproduzidos pelo canal, que tem total direcionamento para o cinema e a música.
a rádio aqui: http://radiocanalbrasil.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
Mais detalhes, aqui: http://canalbrasil.globo.com/programas/cinejornal/materias/canal-brasil-lanca-radio-online.html