26 de junho de 2013

Fim de linha para Brasinha, Gasparzinho e Riquinho da Pixel

A\ última Brasinha, de junho
Acabei de ler no Planeta Gibi: as revistas mensais Riquinho, Gasparzinho e Brasinha serão descontinuadas pela Editora Pixel/Ediouro por conta das vendas fracas. Nós, meros mortais leitores não temos como saber o que delimita vendas fracas de vendas satisfatórias para uma empresa média que publica quadrinhos, mas sempre é muito triste essas "mortes" de gibis em bancas. No ano passado, até comemorei em um post o início da publicação desses clássicos ( http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/08/os-classicos-voltaram-as-bancas.html) . Como há muito tempo não compro mais as revistas mensais dos super heróis (só as especiais)e esporadicamente adentro o mundo de Tex, vinha nos últimos tempos comprando quase toda a linha de quadrinhos da Pixel ( Luluzinha, Bolinha, Recruta Zero e Popeye, além das recém abortadas - exceto Luluzinha Teen), mais  J.Kendall, da Mythos e especiais da Disney e da MSP. Os três títulos que chegaram ao fim vinham publicando histórias dos primórdios, bem clássicas, com um rodízio bem interessante de personagens no mês. Mas é isso. Mais mortes prematuras, e dessa vez em série, nessa minha já longa vida de colecionador de quadrinhos.

25 de junho de 2013

Marcello Grassmann (1925-2013)

Arquivo pessoal
Faleceu na semana passada um dos maiores criadores brasileiros, o artista plástico Marcello Grassmann. Conhecido internacionalmente, dedicou-se com afinco à gravura, onde estudou com mestres do gênero e pode dar asas a personagens  monstruosos e/ou fantásticos, cercados por uma atmosfera medieval sombria toda própria. Antes de se firmar como gravurista virtuose, foi um requisitado ilustrador de cadernos culturais/literários na imprensa paulista - passou no final dos anos 40 pelo Suplemento Literário do Diário de São Paulo e também pelo O Estado de S.Paulo. Deixa um enorme legado, que pode ser conferido na Pinacoteca do Estado e nos blogs abaixo, mantidos por membro da família, que não estão atualizados, mas trazem um bom panorama da sua obra.
http://marcelograssmann.blogspot.com.br/
http://www.grassmanngaleria.blogspot.com.br/





Ouvi: "Vespas Mandarinas - Animal Nacional"

Com atraso, finalmente ouvi de ponta a ponta, o CD bem comentado do Vespas Mandarinas, "Animal Nacional" (Deckdisc), lançado em abril. A banda idealizada pelo músico e VJ Chuck Hippolito ( do Forgotten Boys) com outros músicos importantes da cena, depois de dois EPs e um álbum ao vivo e algumas mudanças na formação, finalmente debuta com um disco "completo" e de estúdio. A formação atual: Chuck Hippolito (guitarra/vocal), Thadeu Meneghini (guitarra/vocal - ex-Banzé e Conjunto Vazio), André Dea (bateria), Flavio Guarnieri (baixo), além da presença constante de Adalberto Rabelo Filho nas letras. Ao ouvir o CD, me vi entre os anos 80 e 90, quando as guitarras ainda eram bem trabalhadas no rock e não tão diluídas como hoje. Percebi pitadas de Capital Inicial ( principalmente na primeira faixa, "Cobra de Vidro") e Tia Anastácia. Pops bem ajambrados em certos momentos, peso+melodia em outros; letras bem construídas e com tintas existencialistas, algumas baseadas em contrastes e antagonismos ( como em "Não sei o que fazer comigo", versão de um rock uruguaio e "O Inimigo"), outras (poucas) um tanto óbvias nas rimas, mas sem prejudicar o conjunto. Duas participações de peso neste quesito dão ainda mais qualidade às composições: Arnaldo Antunes (em "A prova") e Bernardo Vilhena (em "Santa Sampa"), dois poetas/letristas que ajudaram a moldar o rock Br oitentista. No final, a sensação de um trabalho básico, honesto, encorpado, preocupado com a mensagem e também  tentando mostrar um pouco da vivacidade e do tesão do rock brasileiro, perdidos em algum ponto do final do século passado.
Um bônus bem bacana: o clip da música Cobra de Vidro é dirigido pelo surpreendente mestre do "terrir", Ivan Cardoso. Abaixo:



24 de junho de 2013

Ressuscitaram o NP

O Notícias Populares, jornal que fez história com suas manchetes e matérias infames e sensacionalistas e que circulou entre 1963 e 2001, foi ressuscitado no final de maio para a campanha do filme "Faroeste Caboclo". A agência ClickIsobar resolveu reviver o periódico cult com esse"último número", distribuído nos cinemas e encartado na Folhona, e para isso, até uma redação improvisada com jornalistas que trabalharam mesmo no NP foi montada para criar manchetes e notícias relacionadas a cenas do longa. O resultado pode ser conferido acima (a capa do "último número") e no site do projeto, com vídeos das reportagens e making of:
http://www.ultimonp.com.br/

21 de junho de 2013

Finalmente...Laços!

A expectativa era grande. Depois do excelente "Magnetar" de Danilo Beyruth, número inaugural do selo Graphic MSP, e depois de vários previews na internet, eis que o aguardado número 2, "Laços", de Vitor e Lu Cafaggi (Editora Panini) finalmente deu o ar de sua graça, ao vivo e a cores nas bancas. Os traços dos irmãos mineiros tem identidade própria: Vitor transpira movimento em cada quadrinho e seus personagens, mesmo não tendo a preocupação de repetir fielmente todas as referências clássicas (a sua Mônica não é tão dentuça nem seus cabelos são divididos; os cinco fios de cabelo do Cebolinha são bem mais longos e se movimentam bastante sobre sua cabeça, e assim por diante), já nos enlaçam nas primeiras páginas, tal a cumplicidade e encanto com que retrata a turminha protagonista - no caso aqui, Mônica, Cebolinha, Cascão e Magali ; Lu, dez anos mais nova que o irmão, não transparece seu currículo ainda recente nos quadrinhos e apresenta com maturidade, páginas de flash backs que emocionam pra valer; seus desenhos suaves e ternos chegam a levitar do papel. O enredo a quatro mãos também flui muito bem, mesclando memórias, citações e homenagens a grandes momentos da história da turma e diálogos ágeis. E como uma boa novela gráfica, traz momentos de humor, suspense, aventura, terror, nostalgia, ternura, tensão. Com mais liberdades que as histórias mensais infantis, pode mostrar com mais realismo e menos restrições, a "braveza" da Mônica, as provocações da turma rival e um ângulo pouco explorado da vizinhança do Bairro Limoeiro, com a presença de um mendigo e de um proprietário de ferro velho.Vale ressaltar também a feliz inclusão de um trecho verídico da infância do próprio Mauricio de Sousa. Os autores também fizeram questão de incluir - alguns bem vapt vupt, é verdade - coadjuvantes bem interessantes na narrativa: os pais (principalmente o casal Cebola, tanto no passado como no presente), Maria Cebolinha, Seu Juca do carrinho de cachorro quente, Jeremias, Titi, Aninha, Xaveco e sua irmã Xabéu, Cascuda, Denise e a turma da rua ( ou do bairro?) de cima; sem contar o Sansão, coelho de pelúcia da Mônica, sempre na mão da heroína ou voando velozmente em direção às cabeças de certos meninos e o Floquinho, famoso cão verde do Cebolinha e peça chave de toda a trama - é a partir de seu sumiço que a aventura se desenrola. Desde já um dos melhores lançamentos do ano, "Laços" enobrece a produção de quadrinhos brasileiros e mantém em grande nível o selo Graphic MSP, que já tem engatilhado o terceiro número. Que essa série continue por longos anos e consiga manter o preço tão em conta - R$ 19,90 (capa cartonada) e R$ 29,90 (capa dura).

20 de junho de 2013

Capa do Mês: Grandes Histórias de Férias Disney

A capa do mês fica para esta publicação gigante da Editora Abril, "Grandes Histórias de Férias", com 6 histórias (algumas inéditas) de grandes mestres da Disney mundial como Marcos Rota, Vicar, Cavazzano e Carl Barks. Tudo embalado em um surpreendente tamanho de 29,7 x 42 cm. Deitado, é exatamente o tamanho da minha tela de computador! Na minha grande coleção de quadrinhos, não vi edição com estas proporções. Segundo o ótimo Enciclopédia HQ (http://www.enciclopediahq.com/2011/12/teste.html) é o maior formato da Disney lançado no Brasil, superando o Grande Almanaque Disney, de 1977. Mais um belo lançamento da equipe Disney BR, e de novo com cores, papel, layout e acabamento de primeira. Ah, ia me esquecendo: preço de capa, 20 pilas.

12 de junho de 2013

Google homenageia Dia dos Namorados com casal inusitado

Acima, o casal escolhido pelo Google para homenagear o Dia dos Namorados em sua página inicial: Mônica e Cebolinha. Com direito a coraçõeszinhos sobrevoando e claro, o velho coelho Sansão com um nó nas orelhas. Sempre rolou um clima, não há dúvidas. O amor só não apagou hábitos consolidados...

7 de junho de 2013

Jornada Cultural de Santo André

A plural cidade em que eu nasci, Santo André, terá a partir de amanhã a sua Jornada Cultural, uma verdadeira maratona de cultura, com 121 eventos em 36 horas seguidas. Começa a partir das 10hs de amanhã ( e eu vou estar logo na arrancada, assistindo a palestra do grande Ariano Suassuna) e fecha no domingo às 22hs. A agenda completa com todas as atrações segue lá embaixo. Entre as centenas de boas pedidas, algumas pra mim imperdíveis: a oficina para crianças administrada por Cerito com personagens dos quadrinhos e da TV (13:30h, amanhã), Fanzinada, com a competente Thina Curtis a frente (das 11h as 18h, amanhã), workshop com Cerito, Fernandes e Gilmar, também para as crianças (16h as 18h,amanhã), "As Histórias em Quadrinhos Underground", com o mestre Marcatti (16as 17h,amanhã), exibição do filme "Itamar Assumpção - Daquele Instante em Diante" (17h as 19h, amanhã), Caricaturas ao vivo, no domingo (das 14h as 18h) com meu amigo Humberto Pessoa e a produção de um fanzine coletivo, com Thina Curtis e Fernanda Aragão, entre 17h e 18h também no domingo. Muitas atrações se repetem nos dois dias, dando a chance para quem perdeu alguma. Entrecortando o evento também haverá a tradicional Feira do Vinil (entre 10h e 17h no sábado), o Festival do Minuto, com curtas selecionados (entre 15h30 e 17h do sábado e 11h e 12h do domingo) além da exposição Clarice Lispector e o 41° Salão de Arte Contemporânea Luiz Sacilotto. Todas essas citadas rolarão ou nas dependências do Paço Municipal ou na Casa da Palavra. Em outros centros culturais, no calçadão, praças e parques da cidade haverá muita música, folclore e dança. E em bairros como Vila Luzita, Capuva e Centreville também. Fiquem ligados.
http://www2.santoandre.sp.gov.br/images/pdf-portal-pmsa/SCELT/agenda_jornada_para_web.pdf

4 de junho de 2013

Entrevista com Jaguar no blog Historietólogo

O nobre colega mexicano Juan Navarrete,  que faz um magnífico trabalho de pesquisa histórica e mapeamento das historietas e do humor gráfico latinoamericano em seu blog Historietólogo,  me avisou que postou ontem a entrevista que fez com o cartunista Jaguar em abril de 2012.  Eu não poderia deixar de divulgar essa entrevista tão importante com um de nossos mais autênticos profissionais do traço. Juan já tinha avisado em um comentário ao meu post sobre os Chopnics ( aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/07/chopnics.html ) que entrevistara Ziraldo e Jaguar quando de sua passagem pelo Brasil. Ei-la então na íntegra, no link abaixo. Lembrando também que o blog Historietólogo tem um arquivo bem amplo desde 2011, disponível para consulta, além de blogs e sites diversos linkados em sua página, para deleite dos apreciadores do humor gráfico latinoamericano, pouco divulgado na imprensa brasileira.
http://historietologo.blogspot.mx/2013/06/jaguar.html



2 de junho de 2013

Páginas raras de "Vamos Ler!" no blog do Museu dos Gibis

Ranieri e suas preciosidades (foto arquivo pessoal)
Eu acompanho já faz um tempo o importante trabalho de resgate histórico realizado pelo Museu dos Gibis. O responsável pelo blog, Ranieri Andrade, é figura conhecida entre os colecionadores de quadrinhos e enquanto vende as edições repetidas de seu grandioso acervo (cerca de 50 mil exemplares), tanto ao vivo na famosa Feira da Praça XV, no Rio de Janeiro, como no Mercado Livre, faz questão de manter atualizada a página do museu com posts ricamente ilustrados, sempre com obras raras e informações curiosas e preciosas para os colecionadores e apaixonados pela nona arte. Paralelamente, monta "aos poucos" seu grande projeto, o mesmo que dá título ao blog: um verdadeiro museu dos gibis, com sede sólida e instalações apropriadas, voltado para exposições permanentes e eventos. Entre suas atividades como contador e as vendas, indexações e aquisições das revistas (a esposa Rita é quem controla as vendas no Mercado Livre), o tempo fica curto e os intervalos entre os posts maiores, mas quando pinta novidade, vale muito a pena a espera. O post de ontem, por exemplo, trouxe imagens raríssimas de uma revista famosa em sua época, a "Vamos Ler!", que desde o início transbordou talentos em suas páginas, de afiados autores literários a cartunistas e ilustradores. Nássara e Théo, pelo que os exemplos demonstram, apareceram com afinco nesta gênese. Os quadrinistas também marcaram forte presença na publicação, com capas vistosas - principalmente de Monteiro Filho - e aventuras seriadas, como as criadas pelo moderno Carlos Thiré (ex-marido de Tônia Carreiro, falecido precocemente), um profissional plural que também marcou presença em animação, publicidade, cinema e televisão. Segue abaixo o link do último post. As publicações anteriores também são bem recomendáveis. Para quem quer comprar alguma edição do Museu dos Gibis, é só seguir as coordenadas no próprio blog. Eu já adquiri algumas revistas do seu acervo, e tanto o atendimento, a logística e o cuidado com o produto são irrepreensíveis. Ranieri, antes de tudo, é um entusiasta apaixonado pelos quadrinhos e esse detalhe faz toda a diferença.
http://www.museudosgibis.blogspot.com.br/2013/06/vamos-ler-de-1936-1946-uma-pequena.html#comment-form

29 de maio de 2013

Site de Vinicius traz poeta por inteiro

Um site quase completo esse oficial do poeta Vinicius de Moraes. Tem toda a sua obra - poesia, prosa/artigos, teatro, letra/música, críticas de cinema. Tudo bem dividido, em ordem alfabética para cada gênero e com busca geral por palavra chave. A poesia também pode ser lida em sua bibliografia completa. Pra completar, uma biografia no estilo linha do tempo e uma seleção intitulada "Outros Olhares", com textos sobre o poetinha. E uma outra seção, 'iVinicius', traz matérias e textos sobre Vinicius capturados na internet e uma loja com produtos (CDs, livros, etc). Nesta mesma seção, um espaço chamado "conte sua história com Vinicius", tem o intuito de trazer histórias vindas de fãs, contemporâneos e amigos. Só não considerei o site completo por não dispor de uma galeria de imagens. De resto, uma página à altura do escritor plural, dinâmico, impetuoso - um dos mais completos da língua portuguesa, que não teve preconceito ou pudor em seguir sua carreira entre a poesia mais formal, os artigos e crônicas em redações de jornais e revistas e a letra de música mais coloquial.
http://www.viniciusdemoraes.com.br/site

28 de maio de 2013

Aldir Blanc em livro

Sensacional. Eis uma palavra apropriada para descrever esse livro, "Aldir Blanc - Resposta ao Tempo" (Editora Casa da Palavra), idealizado e escrito pelo jornalista Luiz Fernando Vianna, amigo de Aldir há 20 anos. A obra traz uma biografia muito bem arranjada pelo autor e ainda, de lambuja, fotos significativas na vida do poeta e 450 letras de sua lavra - cerca de 100 inéditas. Só não entraram algumas poucas da  juventude, por Aldir não considerá-las à altura das outras. Uma obra fantástica, elástica, eclética, que transita facilmente entre o "sujo" e o 'singelo", sempre em alto nível linguístico. Até quando recorre à palavrões ( como em sua parceria com Guinga, que no início estranhou essa liberdade poética) Aldir não derrapa na grosseria - sua escrita é sempre distinta. Das primeiras letras com Sílvio da Silva Junior (entre elas a clássica "Amigo é pra essas Coisas") , passando pela incensada dupla com João Bosco ( que gerou hinos da resistência como "O Bêbado e a Equilibrista", "O Mestre Sala dos Mares" e "Ronco da Cuíca") e culminando com parcerias intensas com Guinga ( que gerou um dos melhores discos dos anos 90: "Simples e Absurdo") e Moacyr Luz ( com seus sambas libertários). Esses citados são os mais constantes, mas há também outros não menos importantes como Cristóvão Bastos ( do sucesso na voz de Nana Caymmi, "Resposta ao Tempo"), Márcio Proença, Ivan Lins, Carlos Lyra, Edu Lobo e dois de seus maiores amigos, já falecidos, Paulo Emílio e Maurício Tapajós. E tem também a vida, narrada com transparência pelo autor, não deixando de lado os medos, pavores, traumas, saudades, perdas, amizades, turbulências, paixões, cismas e excessos do grande poeta carioca, saudado por Dorival Caymmi como "Ourives do palavreado". Esse livro vale muito a pena, assim como vale a pena ir atrás dos seus  livros de crônicas. Os da Editora Codecri (entre o final dos anos 70 e início dos 80) são mais difíceis de encontrar. Eu tenho o de 1996, "Um Cara Bacana na 19ª" (Record), um dos meus xodós na prateleira. Falar que é um baita livro é chover no molhado. Aldir Blanc é foda e tá falado.


23 de maio de 2013

Phono 73

Essa arte deslumbrante, usada  no cartaz e nas capas dos LPs do festival, tem a inconfundível assinatura de mestre Benício
Eu tinha visto de relance no ano passado a aparição deste filme no Youtube. Achei até que ele não ficaria muito no ar. Hoje, caí sem querer nele e desta vez resolvi assisti-lo inteiro. A película de 35 minutos e pouco, na verdade é o filme original do evento, devidamente editado, com seus melhores momentos. E que momentos! O Phono 73 foi um festival idealizado pela gravadora Philips no Anhembi (em três noites de maio de 1973) com todo o seu elenco musical da época, uma verdadeira seleção de craques: Chico Buarque, Gilberto Gil, Jorge Ben, Caetano Veloso, Gal Gosta, Maria Bethânia, Raul Seixas, Sergio Sampaio, Hermeto Paschoal, Nara Leão, Simonal, Toquinho & Vinicius, Elis Regina, entre outros. Fora os grandes instrumentistas e backings da casa. Foram vários momentos antológicos: o famoso corte no áudio do microfone de Chico Buarque, em pleno dueto de Cálice com Gilberto Gil - além da censura deslavada e mal disfarçada, comprova-se na gravação o dialeto inventado no improviso por Gil e o protesto iminente de Chico, tanto nos gestos como em palavras como "arroz à grega" ( lembrando expedientes que veículos editoriais como Estadão e Veja também utilizavam na época para taparem o buraco da tesoura da censura); a impressionante desenvoltura de Raul Seixas, com o primeiro disco solo recém lançado e esboços gestuais que já antevinham a tal Sociedade Alternativa; seu amigo Sergio Sampaio, que conseguia ser mais magro que ele e se marcar, mais louco ( vale a pena ver em sua performance a reação da plateia); Elis Regina, já pronta para as grandes produções que faria por toda a década; Jorge Ben, talvez em seu auge como instrumentista – em uma prévia de sua parceria com Gilberto Gil que resultaria em dois discos;  Gal e Bethânia resplandecentes, a primeira totalmente “índia” (nome do seu LP de 1973) , a outra em fase dramática e visceral ( como seu LP daquele ano, Drama 3° Ato); a dupla Toquinho & Vinicius, queridíssimos da turma universitária; e o desfecho propício com Caetano Veloso, antropofagiando a própria Tropicália, no clima de seu disco mais crazy e mais polêmico ( Araçá Azul – um campeão de devoluções). Phono 73 foi tudo isso e mais um pouco. Esse filme captura toda a loucura, tensão e criatividade de uma geração tão primordial para nossa música, que acabou se tornando atemporal.
http://www.youtube.com/watch?v=3GBZO30zzlg

21 de maio de 2013

Ray Manzarek (1939-2013)

Ray Manzarek, fundador e tecladista do The Doors, faleceu ontem. Um músico original, hipnótico, que ao lado do carismático e crazy vocalista Jim Morrison, autenticou o som visceral e viajante da banda. Seus arranjos no teclado forjaram uma das trilhas mais certeiras para o verão hippie de São Francisco e toda a efervescência que se seguiu. Um toque lisérgico e sombrio adicionado à festa. Não por menos, é considerado um dos melhores do instrumento no rock. Continuou levando o legado dos Doors e de Jim até o fim, embora tenha virado autor de livros e enveredado por vôos solos nos "intervalos". Já imaginaram Light My Fire, Riders on the Storm, The End, entre outros clássicos, sem seu teclado? sem chance.
http://www.youtube.com/watch?v=3XzHotB5-To

8 de maio de 2013

Ray Harryhausen (1920-2013)

Reprodução
Ontem faleceu um monstro sagrado do cinema, pioneiro e lenda dos efeitos especiais: Ray Harryhausen. Seus modelos de criação, que iam de criaturas mitológicas e monstros horrendos a dinossauros e estátuas vivas, criavam vida e assombravam a platéia, em um tempo sem ajuda digital nenhuma. Tudo era criado com inspiração e principalmente transpiração. Foi pai de um tipo de animação em stop motion, quadro a quadro, batizada de Dynamation. Referência para muitos profissionais da sétima arte,como Spielberg, George Lucas e Peter Jackson, ganhou um Oscar honorário em 1992 e uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, prêmios merecidíssimos para uma carreira iniciada nos anos 40 e que concebeu cenas incríveis como a famosa luta dos esqueletos em "Jasão e os Argonautas" (1963). Produziu 17 filmes, dirigiu nove curtas e se encarregou dos efeitos especiais de 15 longas, entre eles a trilogia Simbad. Sobre o mestre, George Lucas disse: "Sem Ray Harryhausen, possivelmente não teria existido Guerra nas Estrelas". Um visionário, com certeza, que abriu a cabeça e os olhos de muitas gerações subsequentes no cinema.
Segue matéria especial do Omelete com a bio e alguns seres criados por Ray Harryhausen e a tal cena dos esqueletos:
http://www.youtube.com/watch?v=EMQ-8I9t6Yo
http://www.youtube.com/watch?v=pF_Fi7x93PY

7 de maio de 2013

Google homenageia Saul Bass

Saul Bass, um dos maiores designers gráficos da sétima arte e também cineasta, referência em abertura de filmes (Hitchcock por exemplo) foi meticulosamente homenageado pelo Google, por seu aniversário de nascimento comemorado amanhã (08/05). Com uma trilha compatível à arte de Saul - "Unsquare Dance", de Dave Brubeck - o Doodle é muito bem engendrado (detalhe para as ferramentas de controle) e traz uma animação que simula com bastante fidelidade a genialidade deste grande estilista do cinema.
http://www.youtube.com/watch?v=DbqU040Xnog

4 de maio de 2013

Rolling Stone lança edição especial sobre John Lennon

divulgação
Grata surpresa nas bancas: uma edição especialíssima da Rolling Stone Brasil sobre John Lennon, com entrevistas ( incluindo a primeiríssima de 1968 e a última, três dias antes de seu assassinato), fotos inéditas e matérias bem interessantes, como a do processo de composição da universal "Imagine" e a visão de John sobre sua música mais famosa. Não faltam os últimos dias de Lennon antes do fatídico atentado contados por Yoko Ono e uma análise bacana e justa sobre todos os discos solos, que costumam ser bem depreciados por parte da crítica. Comentários de compositores/músicos sobre John (com destaque para Stevie Wonder) e a visão do próprio homenageado sobre 27 composições de sua lavra completam a pauta dessa edição caprichada.

3 de maio de 2013

In-Edit Brasil 2013


Começa hoje e segue até 12 de maio mais um "In-Edit Brasil", mostra que rola há quatro anos em várias cidades brasileiras com o intuito de espalhar por várias salas de cinema, documentários nacionais e internacionais voltados para a música (em São Paulo,os filmes passarão no MIS-SP, Cinesesc, Cinamateca Brasileira, Matilha Cultural e Cine Olido). Este ano a qualidade dos filmes parece se manter no bom nível dos festivais anteriores. A começar pelo "oscarizado' "Searching For  Sugar Man", que captura a procura de dois músicos/fãs sul-africanos pelo ídolo em comum Jesus Sixto Rodriguez, compositor e cantor americano que gravou apenas dois discos no início dos anos 70 e sumiu entre lendas e mitos. Também há interessantes curtas do incensado e respeitado Dick Fontaine, cineasta inglês com quase meio século de serviços prestados e o homenageado desta edição; dois deles enchem os olhos: "Betty Carter: New All the Time" (1994), que foca a dedicação e a generosidade como professora de uma das mais copiadas cantoras de jazz; e "Art Blakey - The Jazz Messenger" (1987), um retrato meticuloso do grande baterista em companhia de ícones como Wayne Shorter, os brothers Marsalis, Dizzy Gillespie e uma surpreendente nova geração, em sua incessante missão de recrutar jovens talentos para o seu antológico grupo The Jazz Messengers. Outros destaques estrangeiros da mostra: "Beware of Mr.Baker" sobre o grande e intempestivo Ginger Baker, um dos fundadores do Cream e dos primeiros instrumentistas a se embrenhar no interior da África em busca de ritmos nativos; "Neil Young -Journeys", terceira parte da trilogia do cineasta e amigo pessoal do compositor canadense, Jonathan Demme; "The Punk Syndrome", de Jukka Karkkainen e Jani-Petteri Passi, que adentra um manicômio finlandês onde quatro internos se movimentam para montar uma banda punk; "Mission the Lars", road movie que traz Tom Spicer, autista, que com uma little help de seus irmãos, tenta alcançar seu sonho de conhecer Lars Ulrich, baterista do Metallica; "Glastopia", do rodado Julien Temple ( de Absolute Begginers), sobre os bastidores de Glastonbury, seu festival favorito; e "Sunset Strip", com depoimentos de celebridades de Hollywood e da música sobre suas experiências e "micos" nos bares, casas de shows e inferninhos deste pequeno e fervescente pedaço da Sunsert Boulevard, em Los Angeles - entre os entrevistados, Perry Farrell, Lemmy, Alice Cooper, Ozzy, Slash, Johnny Depp, Dave Navarro, entre outros. Um filme peculiar, que pode passar batido, mas merece uma chance é o islandês "Grandma Lo-Fi", sobre uma senhorinha que ganhou um tecladinho Casio e decidiu tocar algumas coisinhas. Entre os 58 filmes selecionados para esta quinta edição do festival, onze documentários são brasileiros, uma ligeira queda em comparação aos anos anteriores, mas nada que influa na intensidade e no interesse dos temas. Quatro deles estão na mostra competitiva: "A Batalha do Passinho", "Jards", "Música Serve pra Isso: Uma História dos Mulheres Negras" e "Um Filme para Dirceu". O filme sobre os Mulheres Negras ( na verdade, a dupla Maurício Pereira e André Abujamra), com direção de Bel Bechara e Sandro Serpa, traz a saga bem humorada da autointitulada "terceira menor Big Band do mundo", que com inovação, vestuário estranho ( chapéu coco + capa de chuva), mistura de ritmos e tiradas rápidas ( tanto musicais como nas letras), chacoalhou a cena alternativa na segunda metade dos 80 e se configurou como um das criações mais inventivas da música brasileira; "Jards", já citado anteriormente aqui no blog, é também uma ótima pedida - o filme destrincha ou tenta destrinchar o processo criativo do impávido Jards Macalé, figura ímpar de nossa MPB. "Ensaio sobre o Silêncio", de Zeca Ferreira, não compete mas chama a atenção pelo seu tema volátil: em cena, três dos maiores instrumentistas atuais - Renato Braz, Nailor Proveta e Edson Alves; o registro é direto, sem depoimentos e com os protagonistas ocultos; a inspiração: João Gilberto, mestre do silêncio; o resto é transpiração e concentração. Entre os curtas brasileiros, destaque para "Crisálida", de Thiago Brito e Rafael Saar ( olha ele aqui outra vez no blog), onde Tetê Espíndola convida o "bruxo" Hermeto Pascoal para gravar uma faixa de seu disco e "Dom Salvador - Endless Soul", de Artur Ratton e Lilka Hara, com as lembranças e histórias de um dos nossos maiores músicos de jazz e MPB.
Não citei nem a metade, pra se ter uma noção de como o festival está mais uma vez plural e diversificado. Escolham suas sessões, amigos. ( abaixo, o site oficial com toda a programação nacional ).

IN-EDIT BRASIL 2013 
De 03 a 12 de maio de 2013. 
Salas em São Paulo: 
MIS (Entrada Grátis) 
CineSESC (R$ 8,00, R$ 4,00 e R$ 2,00) 
Cinemateca Brasileira (R$ 8,00 e R$ 4,00) 
Matilha Cultural (Entrada Grátis) 
Cine Olido * (R$ 1,00 e R$ 0,50)

http://www.in-edit-brasil.com/2013/    


29 de abril de 2013

Paulo Vanzolini (1924-2013)

LP de 1981, o primeiro em que cantou suas próprias composições
Acabei de colocar o CDzinho nº 16 da Coleção Raízes da Música Popular Brasileira da Folha, para escrever esse post sobre o grande Paulo Vanzolini, falecido ontem na cidade que tanta adorava. A primeira vez que botei o ouvido em alguns de seus sambas milimétricos foi nos anos 70, ao fuçar na coleção de fascículos do meu pai, lançada pela Abril Cultural com a história da nossa MPB. Numa talagada só, do alto dos meus 10,11 anos, conheci mais a fundo a obra e a história de monstros sagrados como Chico Buarque, Ismael Silva, Cartola, Lupicínio Rodrigues, Noel Rosa, Nelson Cavaquinho, entre tantos outros que saíram na série. Um dos fascículos focava dois autores paulistanos, na vida real amigos: Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini. Ali, no mini-LP com músicas de ambos - que embora vivessem tomando uma branquinha juntos, jamais fizeram um samba juntos - eu conheci dois dos mais gabaritados estilistas do samba paulista, um samba bem diferente do carioca, por sinal. Me apaixonei na hora por aquelas letras cheias de referências à cidade da garoa e seus habitantes multifacetados e melodias tão densas e sincopadas. Decorei várias daquelas músicas e passei a cantá-las pela vida afora. Uma das minhas preferidas era Samba Erudito, maravilhosamente escrita e musicada por mestre Vanzolini:

Samba Erudito
Paulo Vanzolini

Andei sobre as águas
Como São Pedro
Como Santos Dumont
Fui aos ares sem medo
Fui ao fundo do mar
Como o velho Picard
Só pra me exibir
Só pra te impressionar

Fiz uma poesia
Como Olavo Bilac
Soltei filipeta
Pra ter dar um Cadillac
Mas você nem ligou
Para tanta proeza
Põe um preço tão alto
Na sua beleza

E então, como Churchill
Eu tentei outra vez
Você foi demais
Pra paciência do inglês
Aí, me curvei
Ante a força dos fatos
Lavei minhas mãos
Como Pôncio Pilatos

Cantei muito essa pérola, principalmente com meu parceiro de roda de violão Rick Berlitz. Depois fiz questão de citar o mestre em um de meus poemas ( que irá sair em uma antologia ainda este ano). Em duas longas entrevistas entre 2010 e 2011 com dois especialistas da MPB, Zuza Homem de Mello e Pelão ( João Carlos Botezelli), para uma pesquisa sobre a Gravadora Marcus Pereira (inéditas - o livro, do M.Mazuras, iria sair pela Lei Rouanet mas não foi aprovado), a frequência do nome Vanzolini foi inevitável - seu primeiro disco autoral, pelo selo (ainda com o nome de Jogral) saiu apenas em 1967 (e cantado por outros artistas). Boêmio convicto (até o fim da vida), bares como o Jogral nos anos 60 eram sua segunda casa e neles mostrava suas composições ao vivo - como não lia música, muitas ficavam no subconciente dos frequentadores e amigos e só eram gravadas muito tempo depois ( e às vezes nem eram). O samba e a cachacinha eram seus hobbys - a profissão mesmo sempre foi zoólogo, atividade que lhe rendeu prêmios e prestígio. Mas pérolas eternas como Ronda e Volta por Cima e outras jóias raras menos conhecidas mas também brilhantes, ficarão para sempre nas rodas, mesas e casas onde se ouve samba/música de respeito e sem obviedades.
Segue um dos melhores perfis do compositor, escrito em 2012 pela competente jornalista Ana Ferraz:
http://www.cartacapital.com.br/cultura/a-sabedoria-do-boemio-2/

26 de abril de 2013

Dois vídeos bacanas: Eduardo e Mônica versão moderna e Corrida Maluca em comercial de carro


Fotos:Divulgações
Dois vídeos recentes me chamaram a atenção pela criatividade. O primeiro, criado e produzido pela equipe do Duka7 * (http://duka7.com.br/), traz uma "recauchutagem" moderna do famoso casal Eduardo e Mônica, protagonista da música homônima feita por Renato Russo em sua fase "Trovador Solitário" em 1982 e que estourou com seu Legião Urbana no segundo LP de 1986. O vídeo, com técnica Draw my Life,  traz várias referências ao atual cotidiano digital e de redes sociais. Assisti no FB em compartilhamento da antenada Ana Vidotti e pelo link pude conhecer outros trabalhos hilários deste ótimo site Duka7. O segundo vídeo** eu vi na TV mesmo e demonstra como essa guerra de marketing automotiva vem fazendo bem aos comerciais da categoria (vide Volkswagen e Hyundai). A agência Y&R, com produção da Partizan e direção de Antoine Bardou-Jacquet, na Espanha, revive os saudosos personagens da Corrida Maluca da Hanna Barbera, série de grande sucesso produzida entre 1968 e 1970 e replicada para pelo menos três gerações seguintes (graças aos reprises). Aqui, os desastrados corredores tentam disputar posições com o lançamento Peugeot 208.
A criatividade anda meio escondida entre prazos apertados e idéias forçadas, mas  ainda pode render bons filmes, mesmo que em raras e pequenas doses.
*Nova "Eduardo e Mônica": http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=gCVuTDDFjCo  
* Corrida Maluca/Peugeot 208: http://www.youtube.com/watch?v=zAsyF4J_klk

*Créditos de "Eduardo e Mônica 2013":
Desenhos - Luciano Andrade (http://lukesdrad.deviantart.com)
Edição - Gui Toledo e Bruno Felix
Áudio - Jp Caetano (Bateria), Luiz Angelo Pizzonia (Baixo e Violão) e Gui Toledo (voz, edição e mixagem)
Letra - Braian Rizzo, Bruno Felix, Gui Toledo, Luciano Andrade, Diego Ferraz, Thabata carvalho e toda a galera do facebook.

** Ficha do filme publicitário "Corrida Maluca/Peugeot":

Cliente: Peugeot
Produto: Peugeot Modelo 208
Título: Vitória
Duração: 1X60”/ 1X30”/ 1X5”
VP de Criação: Rui Branquinho
Direção de Criação: Victor Sant'Anna/ Rui Branquinho
Criação: Fabio Tedeschi/ Leandro Camara/ Felipe Pavani/ Victor Sant'Anna/ Rui Branquinho
Atendimento agência: Alessandro Cardoni / Waleska Bueno / Marina Freitas / Ana Coelho
Aprovação cliente: Frédéric Drouin / Frederico Battaglia / Alessandra Souza / Stephanie Sliepen
Planejamento: David Laloum / Cesar Ortiz / João Gabriel Fernandes / Rodrigo Magalhães
Mídia: Gustavo Gaion / Gabriela David / Rafael Leal
RTVC: Nicole Godoy/ Camila Naito/ Cleo Goncalves
Produtora Filme: Partizan/ Movie & Art
Direção: Antoine Bardou-Jacquet
Direção de Fotografia: Damien Morisot
Produtor executivo: Madeleine Sanderson/ Georges Bermann/ Douglas Costa/ David Stewart, Paulo Dantas
Atendimento produtora: Regiani Pettinelli/ Douglas Costa
Montagem: Bill Smedley
Pós produção/ finalização: ETC London
Produtora: A9 audio
Produtor: Apollo 9 e Henrique Racz
Atendimento: Roberto Faria
Finalização de audio: Factory UK
Data de produção: Abril 2013