12 de fevereiro de 2015

Os Tons de Cinza de Dálcio Machado


Um dos chargistas mais geniais do Brasil, Dálcio Machado vive se superando nas páginas diárias do Correio Popular de Campinas. Hoje foi um desses dias em que sua criatividade bateu lá em cima.( para acompanhar todas as charges diárias de Dálcio, fique ligado nesse link: http://correio.rac.com.br/index.php?id=/entretenimento/charges/

11 de fevereiro de 2015

Baú do Malu 54 - Garrafa Térmica "Turma da Mônica" da Trol



Pra fugir um pouco dos itens de papel, trago aqui essa simpática garrafinha térmica azul de plástico da Turma da Mônica. Não consta o ano de fabricação, mas pelo traço dos personagens ( ainda pontudos), ela pode ter sido feita entre 1969 e 1972. A fabricante, aliás, é a saudosa Trol, a mesma do Velotrol, do Playmobil e dos bonecos da turma da Mônica nos anos 60/70. Um item em muito bom estado, pelos seus mais de 40 anos, que eu encontrei em minhas fuçadas e cavocadas pelo centrão velho de São Paulo.

10 de fevereiro de 2015

A importante Ovelha Negra em livro

Ovelha Negra foi um mítico veículo de humor gráfico de vida curta ( apenas oito edições), mas que mesmo assim acabou publicando 100 artistas em suas páginas. Um recorde. Em plena ditadura militar, a publicação tinha foco no desenho de humor e em sua breve existência foi bombardeada pela censura. O experiente cartunista DaCosta, também professor, pesquisador e frequentador assíduo de salões de humor, ouvia muito falar do tal jornal em conversas com colegas, mas percebia uma total falta de precisão histórica nos detalhes de sua publicação. Movido pelo ímpeto de curiosidade e interesse no assunto, resolveu ir fundo nessa história e sua meticulosa pesquisa de cinco anos acabou virando dissertação de mestrado em 2012, pela USCS, com orientação do professor Roberto Elísio dos Santos. O próximo passo foi transformar o trabalho acadêmico em livro, intitulado "O Berro da Ovelha Negra".Uma terceira etapa está rolando agora: a campanha de crowdfunding para financiar a produção e o lançamento da obra.
DaCosta foi um dos premiados do último Ângelo Agostini da AQC-SP, como melhor cartunista de 2014 e em 30 anos de profissão, sempre levou muito a sério o humor gráfico no Brasil. Para ajudá-lo nessa missão de perpetuar a memória de um dos baluartes da imprensa nanica nacional, siga as coordenadas no link abaixo:

http://www.kickante.com.br/campanhas/o-berro-da-ovelha-negra

9 de fevereiro de 2015

Uma tarde inesquecível na Rick and Roll



Sábado foi dia de dois eventos de primeira, e eu tive que optar por um deles. Como já tinha ido à Feira do Vinil de Santo André no mês passado, escolhi ir com meu filho Gabriel ( olha ele aí again) na famosa loja de discos Rick and Roll, no lançamento da segunda edição do livro do Ronaldo Estevam, "Manual do Candidato a Pop Star", um honesto e divertido relato autobiográfico de suas três décadas de experiência dentro da indústria cultural. Conheço o Ronaldo desde os anos 80, época da formação de suas primeiras bandas. Nunca esqueço quando ia comprar pão na padaria perto de casa ( Canoa) e um quarteirão antes, já era possível ouvir um som rolando no ar, em um volume considerável para aquela hora da manhã. Era o Ronaldo, vizinho da padaria, ensaiando com sua banda, invariavelmente com seus amigos Haroldo, Carlão ou Corradini, mandando ver no velho e bom rock! Ultimamente, o contato era só via internet, mas ontem consegui finalmente reencontrá-lo ao vivo. O grande Haroldo Monteiro, o mesmo amigo em comum daqueles tempos, já estava presente. A família de Ronaldo - sua mãe, irmã e cunhado - chegou logo depois. A nova Rick and Roll Discos, do incansável Ricardo Martins ( cujo apelido dá nome à sua loja) agora fica no térreo da galeria do número 85 da Av. Francisco Matarazzo (loja 5), no centro de São Caetano e está com o mesmo clima e layout da pioneira Rick and Roll da Rua Baraldi, fundada nos anos 80. A tarde foi muito enriquecedora. Ganhei dedicatória no meu exemplar do livro e ainda levei pra casa o CD "Algum Lugar pro Amor", pacote do Ronaldo que sorverei na semana. Já a conversa musical, ampla e irrestrita, nos levou a discutir a cena roqueira atual, a importância de algumas bandas oitentistas brasileiras, a visível lacuna dos anos 90, a surf music, a droga no rock, Mutantes, Marmelades ( Rick mostrou um vídeo incrível dos membros da banda cantando maravilhosamente bem, 40 anos depois), Free, os estradeiros Almir Sater e Zé Geraldo, Michael Jackson, o grunge, a cena do ABC, lembranças das brigas entre os punks e os cabeludos nos anos 80, entre tantos outros assuntos. O amigo do Rick e frequentador da loja Fantomas, ajudou nessa sadia conversa de louco ( e também ajudou nas fotos). O auge desse papo transcendental foi quando descobri entre os compactos à venda, um do lendário Harry Nilsson, um compositor que fez muita música, romântica inclusive, para vários músicos da virada dos anos 60 para os anos 70 e se tornou grande amigo de John Lennon, inclusive protagonizando ao seu lado as polêmicas noitadas no período que Lennon chamou de "fim de semana perdido". Nilsson faleceu em 1994 e deixou alguns clássicos como o tema de Midnight Cowboy. Quando estávamos às gargalhadas com a aparição de Nilsson à nossa roda, eis que surge o Carlos (Neno), outro velho amigo da antigas formações musicais de Ronaldo, e aí pra finalizar com chave de platina, rolou uma session descontraída com Legião Urbana e Beatles, bandas aliás, que estão entre as preferidas minhas e de meu escudeiro Gabriel. Abaixo, algumas imagens capturadas dessa tarde tranquila e mágica, incluindo detalhes e itens incríveis dessa loja que já virou patrimônio musical atemporal de São Caetano do Sul e do rock brasileiro. (créditos das fotos: Rick and Roll; Ronaldo Estevam e Marcos Massolini)

Da esquerda para a direita: Rick com a mascote da loja, Gabriel, Ronaldo, Malu, Haroldo e Neno













e aqui, o vídeo feito durante a "session":
https://www.facebook.com/video.php?v=10202656235121758

7 de fevereiro de 2015

Ron Mueck e Dom Quixote: algumas horas de fila podem valer a pena




No fim de semana passado, fiz em família dois programas que tinham como bônus extra algumas horas em filas extensas: a exposição do australiano Ron Mueck na Pinacoteca do Estado e a peça  "O Homem de La Mancha" , peça encenada no Sesi-SP com direção e versão de Miguel Falabella. Em ambos os casos, esperamos em filas por mais de 1 hora - a diferença é que a exposição era paga - barata, mas paga - e a peça tinha um esquema de distribuição de ingressos gratuitos um pouco antes da apresentação. Só de ver essas filas, a sensação imediata é de ojeriza e afastamento. Mas em casos como esses, quando o evento é muito compensador e único, a insistência e paciência em permanecer numa longa espera vale muito a pena no final. A exposição de Ron Mueck é única, por se tratar de obras com proporções totalmente fora do padrão - os tamanhos das esculturas humanas hiper realistas são diminutas ou gigantescas - e trazerem detalhes de pele, como rugas, manchas, cravos, veias, expressões faciais, além dos cabelos idênticos aos nossos, que impressionam e fazem quem está próximo às figuras expostas sentir que a qualquer momento, elas podem mover o rosto, piscar os olhos ou dar um passo à frente. Já a peça dirigida pelo hiperbólico Falabella faz não só a gente parar e pensar na condição humana - exatamente como era o intuito da montagem anterior, na época da ditadura - como traz para mais perto da nossa realidade brasileira toda a luta cotidiana de um sonhador que imagina um mundo mais justo. O diretor, muito feliz na junção, mistura nessa nova montagem o universo de Cervantes ao mundo hostil de nosso sistema psiquiátrico, principalmente o dos tempos de regime militar. Para isso,  tira da manga a figura peculiar e mágica do artista-paciente Arthur Bispo do Rosário, também conhecido por Gentileza, que viveu praticamente toda a vida internado num desses sanatórios e acabou se tornando uma lenda, ao fazer do seu cotidiano e de objetos ao redor, obras de arte pura. O seu personagem nem é tão esmiuçado pelo enredo, e nem precisa: sua presença como uma espécie de rei do local, dá o tom certo para a trama. O elenco segura muito bem a onda, com grande destaque para o protagonista, o ator Cleto Baccic, que dá um show na pele de Miguel de Cervantes e D.Quixote - e já recebeu diversos prêmios por sua interpretação ( a peça ganhou o APCA de 2014). O cenário de Claudio Tovar ( sim, o mesmo Tovar do antológico Dzi Croquettes) também impressiona.
As duas atrações ainda estão em cartaz em fevereiro, mas a exposição do Ron Muek termina em 22 de fevereiro. Mais informações nos links abaixo

Ron Mueck: http://www.pinacoteca.org.br/pinacoteca-pt/Upload/file/faq-fevereiro.pdf 

O Home de La Mancha http://www.sesisp.org.br/cultura/teatro/o-homem-de-la-mancha.html


Grandes mulheres que se foram

Algumas grandes representantes do bloco feminino se despediram nesse começo de 2015. E todas elas, de algum modo, remaram contra a maré, numa época em que a arte e o mundo eram muito mais machistas que hoje.

Maria Della Costa ( 1926-2015)

Divulgação Coleção Aplauso
O teatro sempre foi sua casa. Adentrou o palco à convite de Bibi Ferreira, depois de uma carreira na adolescência como manequim e dançarina. Foi a primeira protagonista de uma peça de Bertold Brecht no país. Dez anos depois de sua estreia, e dois depois de sua própria companhia, funda o teatro com seu nome em São Paulo e se consagra com o sucesso das peças encenadas, além de lançar nomes como Fernanda Montenegro e Sérgio Britto e contracenar com Paulo Autran. No cinema, trabalhou em clássicos como "Inocência" e "Moral em Concordata" - um filme inédito de media metragem,  com sua última participação, rodado em 1989, está em fase de edição. Na TV foi mais discreta: Beto Rockfeller na Tupi e duas ou três participações na Globo. Sua alma empreendedora a fez dona de uma pousada em Paraty na maturidade. Viveu muitos anos na cidade litorânea, e  em uma de minhas visitas por lá, a vi andando rapidamente, fagueira e ainda bonita, já com mais de 60 anos. Faleceu no dia 24/01, depois de um tempo internada. A coleção Aplauso da Imprensa Oficial  tem sua biografia ( uma tese de doutorado), já na segunda edição.

http://livraria.imprensaoficial.com.br/maria-della-costa-seu-teatro-sua-vida-2-edic-o-colec-o-aplauso-especial-2702.html


Vanja Orico (1931-2015)

A atriz, cantora e cineasta nasceu Evangelina Orico e foi a única brasileira a atuar em um filme de Fellini. Participou de mais de 20 filmes nacionais e estrangeiros, e se imortalizou em participações marcantes nos filmes do ciclo do cangaço, principalmente em "O Cangaceiro", premiado em Cannes, onde cantou lindamente "Sodade, Meu Bem, Sodade" e "Mulher Rendeira". A partir daí, lançou-se em disco, enquanto continuava sua saga na telona. Nos anos 70 rodou seu único longa como diretora, "O Segredo da Rosa" e em 1994, o Quinteto Violado conheceu a atriz/cantora através de Geraldo Vandré. Desse encontro, saiu um CD independente pelo selo Mato. Faleceu no dia 28/01.

https://www.youtube.com/watch?v=rLCrQ_U2gpc  (Sodade Meu Bem Sodade)

https://www.youtube.com/watch?v=oOumq-kWf-Y  ( filme "O Cangaceiro" - íntegra)


Odete Lara (1929-2015)

A enigmática Odete Lara foi uma das grandes divas do nosso cinema, com 32 filmes no currículo, incluindo suas participações icônicas em dois filmes do Cinema Novo - Noite Vazia (1964) e O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969) - que a tornaram musa do movimento. Sempre plural, Odete foi modelo do primeiro desfile de moda do Brasil, em 1951 no MASP, foi atriz em várias telenovelas da TV Tupi, fez shows e discos com Vinicius de Moraes, cantou também em show com Chico Buarque, e depois da maturidade, largou tudo para escrever livros autobiográficos, fazer traduções e mergulhar no budismo. Em sua autobiografia "Minha Jornada Interior", Ignácio de Loyola Brandão sintetizou sua persona, ao dizer no prefácio que a atriz era dotada de uma solidão ancestral. Séria, enigmática, namoradeira, independente, meditativa, confrontadora de tabus... assim foi e viveu Odete Lara até o seu desencarne no dia 04/02/2015.

https://www.youtube.com/watch?v=CajORmdL93s  (Filme Noite Vazia - Íntegra)

https://www.youtube.com/watch?v=nWwRy5YqRNI ( Molambo -cena do filme "A Rainha Diaba")

https://www.youtube.com/watch?v=o3VTQpfIq_A ( com Vinicius - Samba em Prelúdio)


Julio Hungria (1938-2015)

O homem faleceu no dia 11/01, mas só soube nessa semana. O polivalente Julio Hungria se foi aos 76 anos, depois de passar por praticamente todos os meios de comunicação em sua frutífera carreira de jornalista. Fundador do emblemático site Blue Bus, de notícias diárias sobre publicidade, comunicação e midia business, Julio começou como produtor de discos na Philips e EMI-Odeon, depois de realizar pioneiramente shows de bossa nova no final dos 50. Por um bom tempo, acumulou vários empregos na imprensa: foi editor e crítico de música no JB entre 1967 e 1974 (e foram esses textos que me apresentaram a ele); chefiou o departamento de produção da rádio Jornal do Brasil (1960 a 1974); e assinou coluna no Pasquim no início dos 70. Não bastasse essa penca de cargos, ainda achava tempo para escrever textos avulsos para revistas de música, como na mítica "Rock, a História e a Glória" iniciada em 1974. Na TV foi subeditor do Jornal de Vanguarda; depois do JB, ficou três anos como editor do Segundo Caderno do Última Hora, até abrir a Radio Atividade, produtora de jingles, que lhe deu um outro viés à carreira, voltada nas últimas três décadas para o mercado publicitário; mesmo assim, sua veia de redação fez com editasse o jornal do Clube de Criação do RJ ( entre 1990 e 1994) e continuasse escrevendo sobre música como freelancer em vários veículos. Foi em 1995 que teve o lampejo e criou o Blue Bus, site que logo se transformou em grande referência na cobertura diária à mídia e publicidade por sua interatividade inédita. Hungria sempre esteve um passo a frente em suas múltiplas atividades; que continue agitando criativamente o ambiente onde estiver.


6 de fevereiro de 2015

Foto (s) do Mês: Elvis e Sophia (1958)

crédito: Paramount
Uma sequência que transborda beleza é essa tirada nos estúdios da Paramount em 1958, com os feios Elvis Presley e Sophia Loren. Sophia com 23 aninhos, Elvis com 22. Ela à beira do estrelato mundial, que viria em 1962, ele já com fama global desde 1956. Ambos esbanjando juventude. Avistei em um dos grupos oficiais do Elvis do Facebook e compartilho aqui, como imagem do mês.

3 de fevereiro de 2015

31º Prêmio Ângelo Agostini - Grandes encontros!

Geral do auditório (com Marcio Baraldi, de branco, Murilo M. Moutinho, com revista na mão, e Carlos Arafatt, de xadrez)
No último dia de janeiro, sábado à tarde, eu, meu filho-escudeiro Gabriel ( sempre acompanhando seu atrapalhado pai nesses programas quadrinísticos) e o Mario Mastrotti, pegamos o trem da CPTM rumo ao 31º Prêmio Ângelo Agostini. Mastrotti, que frequentou a premiação em tempos pioneiros, não ia a uma edição do evento faz um bom tempo. Logo que adentramos o Memorial da América Latina, um pouco depois das 13hs, já avistamos o onipresente Marcatti em uma grande roda no hall da biblioteca. Lá dentro, Luigi Rocco ( que apareceu por esses dias aqui no blog, via "tiras memory"), velho conhecido do Mastrotti, engatou um longo papo com o mesmo. Zanzei com o Biel entre as prateleiras da Comix ( que montou um pequeno espaço de venda no local) e a pequena mas interessante exposição com originais de quadrinhos africanos. Amigos foram chegando: o professor/colecionador André Luiz Aurnheimer, da Confraria do Gibi, diretamente do Rio para receber o prêmio Jayme Cortez, me apresentou ao confrade prof. Carlos Arafat e o paranaense Rafael Sallet, Os três estavam exaustos, depois de uma "tour" pela cidade em visita à sebos estratégicos. Figuras carimbadas da produção do evento estavam à postos: Bira Dantas, com sua fiel gaita, Jal, e Worney, distribuindo um pequeno fanzine com material do mestre Rodolfo Zalla ( o Gualberto só chegou horas depois). Marcio Baraldi, irrequieto como sempre, tirava foto com muita gente. Me apresentei ao presidente da Confraria do Gibi, Helio Guerra, que só conhecia via internet, e foi nesse exato momento que um encontro de "responsa" se fez: surgiu o agitado Dedy Edson na roda, embalando um papo com o Guerra que se fosse possível duraria dias: muito bacana ver dois dos maiores colecionadores do icônico personagem Fantasma, conversando ali, com o entusiasmo de dois guris. Logo em seguida, finalmente conheci pessoalmente o Toni Rodrigues, que estava acompanhado de sua esposa Laíse. Consegui conversar por um tempo com os dois, em um proveitoso bate papo logo acrescido de outros integrantes ilustres: Franco de Rosa e Fabio Moraes, outro que eu conhecia só da rede social. Esse último, aliás, fez um trabalho fantástico na edição definitiva do Zodíako, do mestre Jayme Cortez, que saiu a pouco em uma caprichada encadernação com direito a pôster interno. Tive a honra de conhecer também um dos homenageados do dia, Gustavo Machado, um ás do traço desde os tempos da Grafipar, e também um gentleman. Os outros dois "mestres" que seriam premiados logo mais, Carlos Edgard Herrero, um dos maiores desenhistas Disney do Brasil e Murilo M. Moutinho, grande capista dos anos 70, eu só avistei de longe, mas gostei de vê-los no evento: Moutinho sempre prezou pela discrição e Herrero não costuma aparecer em eventos de quadrinhos, salvo em data muito especial, o que era o caso. Outra conversa de muito conteúdo, dividi com os especialistas Ágata Desmond e Gonçalo Jr.. Foi com eles que soube que o desenhista José Geraldo, fundador de uma famosa cooperativa de quadrinhos nos anos 60 ( a CETPA, devidamente esmiuçada no livro do Gonçalo, "Guerra dos Gibis") falecera aos 89 anos em setembro do ano passado. Sobre seu passamento, não vi uma linha sequer na internet ou outro veículo. Cumprimentei rapidamente o "primo" Primaggio Mantovi ( vendendo seu Almanaque Rocky Lane, claro), a dupla criativa Will e Daniel Esteves e outro contemplado do prêmio, Laudo Ferreira -merecidamente, diga-se. Uma última apresentação, e essa até me emocionou - foi com o Zélio, acompanhado de sua esposa Ciça ( autora da famosa tira "O Pato"). Sempre admirei muito o estilo sutil dele, com um traço mais comedido que do seu irmão Ziraldo, mas não menos dinâmico e criativo. Comentei com ele inclusive, que estava justamente na semana, revendo minha pequena coleção da rara revista Urubu, publicação com sua produção, lançada em meados dos anos 60 e um elo perdido entre o Pif Paf  do Millôr e o Pasquim. Ele gostou de saber disso, pois abriu um simpático sorriso. Depois desse grande finale com o mestre - eu tinha um compromisso inadiável e não pude ficar para a entrega dos prêmios - conseguir hablar um pouco com o impávido Marcelo Alencar, recém chegado e todo prosa porque tinha finalmente conseguido uma assinatura no seu original do Herrero. Com pressa, só tive tempo de me despedir do meu "vizinho" Mastrotti, que além do Luigi, tinha agora a companhia do ótimo Vasqs, e trocar as últimas ideias com uma turma que se formara na saída: Meu amigo Wilson Simonetto (com seu filho, sempre), Edson Diogo - o mentor do Guia dos Quadrinhos ( que esse ano rola em março!) -, Celsão Comic Hunter e Marcião e esposa, do Emporio HQ. Uma tarde com ótimo clima, quem sabe inaugurando um ótimo ano para os quadrinhos brasileiros!
Curtam as fotos ( crédito: Gabriel Canos)
Mario Mastrotti, Bira Dantas e Marcos Massolini
Eu e  Confraria do Gibi ( Carlos Arafatt, Helio Guerra e André Luiz Aurheimer)
Com o polivalente Dedy Edson
Fabio Moraes, Marcos Massolini, Toni Rodrigues, Laíse Rodrigues e Franco de Rosa
Márcio Baraldi e Mario Mastrotti: o ABC presente!
Mesa com mediação de Bira ( do seu lado é o Gabriel Bá ou o Fabio Moon?)
Marcos Massolini, Gonçalo Jr. e Ágata Desmond, da Confraria do Gibi
Mario Mastrotti, Marcos Massolini, Luigi Rocco e Vasqs
Marcelo Alencar e o original do Herrero devidamente assinado

Capa (s) do Mês: LPs de uma coleção de bom gosto

Ontem quase tive um piripaque ao me deparar com duas sacolas cheias de LPs vindas da coleção do chapa Celso Vick, um dos grandes fotógrafos que conheço, além de pessoa boníssima e de um bom gosto extremo. Esse último quesito eu comprovei ao abrir as sacolas e contemplar cada um dos discos selecionados - eu já sabia que o Celso era um grande especialista em samba, principalmente o de raiz e sabia também que música para ele é algo sagrado. Surgiram ótimos discos de MPB: Toquinho ( sem e com Vinicius), Ivan lins, Gonzaguinha, Fagner, Gilberto Gil, Milton Nascimento, e música clássica de bom quilate. Mas receber nas vistas, de uma vez, dois petardos do George Duke, um classicaço de Dave Brubeck, o segundo disco do Hermeto gravado nos EUA (experimental dos pés à cabeça e com uma capa fantástica), outro classicaço da nossa música instrumental ("Pedrinho" do Victor Assis Quarteto), um Traditional Jazz Band difícil de achar por aí, um Crusaders inusitado do final dos anos 70, um Sion sinuoso e soberbo e o Joe Farrell encontrando Chick Corea? Aí foi demais da conta: que seleção! Ficam como capas do mês, com a certeza de que a trilha fantástica saída daí será devidamente tocada e avidamente ouvida . Com um brinde ao Celso Vick pelo bom gosto intrínseco.

30 de janeiro de 2015

Dia do Quadrinho Nacional

Hoje comemora-se mais um Dia do Quadrinho Nacional, data instituída desde 1984 pela AQC. Em 30 de janeiro de 1869, o editor, cartunista e caricaturista Ângelo Agostini publicava "As Aventuras de Nhô Quim", considerada a primeira história em quadrinhos brasileira e uma das pioneiras no mundo. Para a efeméride, o desenhista e roteirista Juvêncio Veloso criou e produziu um lindo pôster com os personagens mais significativos dos quadrinhos nacionais. De Pererê e Amigo da Onça à Judoka e Sacarrolha, passando pelos clássicos e os mais recentes, ficou completo! Parabéns pela iniciativa, caríssimo Juvêncio!
(Clique na imagem para melhor visualização)

Tiras Memory: a História dos quadrinhos brasileiros em jornais

Morena Flor (1949)  de André Le Blanc
O quadrinista, ilustrador e cartunista Luigi Rocco é um dos profissionais mais atuantes em sua área, tendo começado a carreira em 1980 na mítica Grafipar. Conheci seu trabalho em projetos editados pelo Mario Mastrotti, como Tiras de Letras e Humor Brasil 500 Anos. e qual não foi minha surpresa ( agradável) quando conheci recentemente seu blog Tiras Memory, criado no ano passado, que traz a História de tiras obscuras e cruciais publicadas em jornais brasileiros, principalmente entre as décadas de 60 e 80. Vale muito a pena rever ícones e ser apresentado a quadrinhos que saíram em periódicos mais populares, como Diário Popular, Folha da Tarde e Notícias Populares. Embora a grande maioria se concentre nos anos 70 e 80 ( e começo de 90), há posts com verdadeiras relíquias como Morena Flor do haitiano radicado aqui, André Le Blanc (de 1949) e a tira carioca Marcelino Cangaceiro, de 1961, do falecido autor Aylton Thomaz, entre outras. Um essencial trabalho de resgate desse gênero pouco explorado por estudiosos de HQs.
http://tvmemory.blogspot.com.br/

25 de janeiro de 2015

31º Prêmio Ângelo Agostini


O tradicional Prêmio Ângelo Agostini, da AQC (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas)  chega em sua trigésima primeira edição, como é de sua essência, homenageando mestres, trazendo à baila novatos e produções independentes e premiando iniciativas que inovam e revigoram o mercado dos Quadrinhos. Foram 7.302 votos computados via internet, e entre os agraciados, uma grata surpresa: o Prêmio Jayme Cortez para a Confraria do Gibi, do Rio. Prêmio merecidíssimo, pois o grupo, formado entre expositores e colecionadores que frequentam há anos a Praça XV e sua feira de antiguidades aos sábados, agita, celebra, divulga e compartilha a grande paixão comum pelas Histórias em Quadrinhos. Tive a honra de conhecer pessoalmente dois membros da confraria: o Prof. André Luiz Garcia Aurnheimer, grande colecionador, expositor da feira e dono da loja virtual Sebo da Bidi e o jornalista, colecionador e músico Heitor Pitombo, há anos escrevendo profissionalmente e debatendo sobre o assunto quadrinhos. Também tive o prazer de trocar figurinhas via internet com vários outros integrantes da confraria, como o fantástico colecionador Claudio de Souza Fragnan, especialista em edições dos anos 40/50, Helio Guerra, presidente fundador e um dos maiores colecionadores de Fantasma do mundo, e o grande Ranieri Andrade, mentor do Museu dos Gibis. Uma excelente turma, certamente! Estaremos lá para prestigiá-los.
A festa será no dia 31/01/2015 no Memorial da América Latina, a partir das 15 horas. Confiram os premiados:

Os premiados são esses:

Melhor Desenhista: Mario Cau
“Morphine”: Dramas pessoais e experiências narrativas « Papo de Quadrinho

Melhor Roteirista: Felipe Cagno
 
321 - Fast Comics reúne autores nacionais e já está à venda

Melhor Cartunista: DaCosta
Professor Osvaldo da Costa é homenageado no XVI PortoCartoon, em Portugal

Melhor Lançamento: YESHUAH, Onde Tudo Está - por Laudo Ferreira Jr e Omar Viñole
Quadrinhistas tentam resgatar Jesus do cânone religioso na HQ "Yeshuah"

Melhor Lançamento independente: "Nenhum Dia sem um Traço", de Ernani Counsandier
Nenhum dia sem um traço traz o trabalho do quadrinhista gaúcho Ernani Cousandier

Melhor Fanzine: 3ADFZPA - Terceiro anuário de Fanzines, Zines e Publicações alternativas
Lançamento triplo!

Melhor Web Quadrinho: Blue e os Gatos, de Paulo Kielwagen
BLUE

Prêmio Jayme Cortez: Confraria do Gibi
http://cultura.estadao.com.br/noticias/geral,confraria-de-colecionadores-quer-criar-museu-para-quadrinhos,1127954

MESTRES DO QUADRINHO NACIONAL: Gustavo Machado, Carlos Edgard Herrero e Murilo Marques Moutinho

20 de janeiro de 2015

Achado 2: Desenhos (1955)



No final de 2013, estava verificando diversos livros de uma biblioteca particular doada para o meu acervo ( graças a ponte do meu antenado cunhado José Gallo), quando, ao folhear uma publicação técnica ( Diário Oficial de São Paulo - 2005) me deparei em meio às páginas com um desenho à lápis de uma mulher, feito em um papel já bastante amarelado e com a inscrição "Hilde Rio 07-10-55; o traço é cartunesco e a assinatura "Hilde"não parece com uma assinatura de autor, mas uma simples descrição. Fiquei totalmente encafifado com esse primeiro desenho: seria uma caricatura da própria Hilde Weber, famosa desenhista que passou por diversas redações entre os anos 40 e 80, feita por algum colega de redação? ou seria um auto-retrato, riscado de forma despreocupada ( reparem que a mulher retratada ostenta um "bico de pena" em uma das mãos)? com essas dúvidas rodeando, resolvi folhear novamente o livro, como quem não quer nada... e não é que surgiu mais um esboço escondido dentro do volume!?! dessa vez o desenho era à caneta - um homem de óculos e bigode - e o estilo completamente moderno e surreal, certamente vindo de um artista das artes plásticas. Pesquisando um pouco mais, descobri que Hilde trabalhava nessa época no Rio de Janeiro, na redação da Tribuna da Imprensa e já era casada com o jornalista Cláudio Abramo, ou seja, cunhada do artista plástico e gravurista Lívio Abramo. Não tinha chegado a nenhuma conclusão quanto à assinatura do segundo desenho, quando o chapa Marcelo Alencar, via internet, ligou os fatos: o nome assinado, que eu não conseguia decifrar (  a data sim: 10/1955), era do Lívio Abramo. Bingo! Simultaneamente, outros colegas interessados por quadrinhos e artes gráficas - André Lopez, Toni Rodrigues - viram os desenhos e ajudaram na pesquisa e no quebra-cabeça: comparando a assinatura com as de outros desenhos publicados na rede, ficou comprovado que o 2º desenho é um original do Lívio Abramo. As dúvidas levantadas sobre a primeira arte permaneceram. Eu particularmente, acho que é uma caricatura da própria Hilde, desenhada ou não por ela. Independente das lacunas, são dois desenhos bem interessantes e descompromissados dos anos 50. Um pode ser de Hilde Weber, uma das mulheres que mais batalharam como chargista/cartunista profissional, permanecendo por anos a fio em redações importantes como a do Estadão, e o outro é comprovadamente um esboço à caneta de algum personagem ou mesmo um colega, assinado por um dos maiores gravuristas brasileiros - Lívio Abramo. Devidamente arquivados, à espera de futuras respostas.

17 de janeiro de 2015

Baú do Malu 53: caderno, livros de leitura e cartilhas dos anos 60/70

Nossa Cartilha - Helena Ribeiro São João - 38 ª edição - Livraria Francisco Alves - 1965

Vamos Sorrir/ I Livro de Leitura - Maria Braz e Cândido de Oliveira- 2ª edição - FTD - 1965

Vamos Sorrir/ Livro de Leitura III ano primário - 2ª edição - s/d

Cartilha "Lalau, Lili e o Lôbo" - Rafael Grisi - Editora do Brasil - 1967

Brasília - 4º livro primário - Daisy Bréscia - Livraria Francisco Alves - 17ª ed.- 1969

Caderno Melhoramentos 'Vila Sésamo' ( item pessoal datado de novembro de 1975 - 1ª série primária)

Contracapa do mesmo caderno ( nov/1975)

Folha de rosto do mesmo caderno. Entre os desenhos, personagens de quadrinhos, bichos, um fantasma, um chinês, uma bola, um chapéu, um carrinho e um super herói inventado ( Super K?)

Juntei aqui alguns itens escolares que ganhei faz um bom tempo, muitos do acervo do Sergio Garcia, ortodontista, historiador e amigo da família. Também incluí um curioso caderno que usei no final da minha 1ª série do 1º grau ( primário na época) com a presença na capa de Gugu e Grilo, personagens do famoso programa da época, Vila Sésamo. Detalhe interessante é que ainda estava engatinhando na arte de escrever, mas já enfeitava as páginas com desenhos de todos os tipos, com ênfase em personagens de quadrinhos, claro, já que aprendi a ler com cinco anos de idade, com os gibis da Disney, Marvel e Maurício de Sousa, entre outros.

16 de janeiro de 2015

Capa do Mês: Piauí 100


Excelente essa capa da Piauí nº100. Em clima de manifestação, com toque de Sgt Pepper, o artista Caio Borges, sócio do Estúdio Onze de São Paulo, colocou dezenas de personalidades (e personagens) atuais e históricos numa passeata contra a própria Piauí ( observem os cartazes). A revista, em seus 100 números sempre foi um veículo pra quem gosta de ensaios, análises, crônicas, textos longos, perfis extensos, arte, fotografia, quadrinhos & ilustração. Ou seja, a tal revista "cabeça". Outra característica marcante é sua ausência de lado: embora haja colaboradores de todas as matizes, não há um direcionamento de esquerda ou de direita, embora, dependendo do ângulo, ela seja acusada de pertencer aos dois lados. Independente da diretriz, o seu jornalismo é quase literário, como fazia a velha e boa Realidade. A diferença é que enquanto a Realidade era fotográfica até a alma, a Piauí usa e abusa da ilustração, embora não deixe a fotografia de lado. Adoro suas capas, seu papel amarelado, quase jornal, e os quadrinhos que sempre pintam em suas últimas páginas ( Robert Crumb está sempre presente). Nessa capa, ela mostra toda a sua verve irônica, rindo se si mesma. Que bom!
Algumas figuras na passeata da Piauí 100: Fidel e Obama juntos, fumando charuto, Robin, Dilma e Chapolim Colorado ( com o cartaz "Piauí é Coxinha"), Einstein, Pateta, um astronauta, Laerte, Marx, os Bee Gees, John Travolta ( com seu visual "Embalos de Sábado a Noite"), Pinguim (do Batman), Getúlio Vargas, Ricardo Teixeira, a rainha de Branca de Neve ( Bruxa Má), E,T de Spielberg, Evo Morales, Chacrinha, Irmãos Cara de Pau (Belushi & Aykroyd), presidente Lincoln, Fred Flintstone, Michael Jackson, Pantera Cor de Rosa, Delfim Netto, outra Dilma ( com o irmão Marx, Harpo), Nietzsche, Brigitte Bardot, uma foca, Fernando Henrique, Rainha Elizabeth, além de black blocs, mascarados e Julian Assange apontando na frente de todo mundo. Tem muito mais... quem identificar, por favor, fique à vontade nos comentários.