29 de junho de 2018
Adeus e até breve, gibis Disney !
A notícia oficializada no início do mês pegou até os mais bem informados do meio de calças curtas: as revistinhas mensais de quadrinhos Disney editadas pela outrora poderosa Editora Abril chegavam ao fim no Brasil depois de várias décadas ( O Pato Donald foi lançado em 1950! Mickey em 1952!). Na verdade toda a linha Disney foi descontinuada, incluindo aí as especiais, as séries de capa dura e as temáticas, mais esporádicas. Depois da choradeira geral dos colecionadores, vieram as perguntas: o que ocasionou essa interrupção definitiva? Porque esse fim de contrato por parte da Abril logo após um período de lançamentos de coleções majestosas, como "Mickey Anos de Ouro" e "Coleção Carl Barks"? e a pergunta mais frequente: quem vai assumir no Brasil a publicação das revistas Disney? Quanto às respostas das duas primeiras, muita coisa rolou por baixo dessa ponte chamada Abril até que esse desfecho terrível se concretizasse: estratégias comerciais erradas da editora em outras áreas e que prejudicaram a empresa como um todo, problemas de logísticas e distribuição ( lembrando que a DINAP pertence à Abril), avalanche de lançamentos que no fim não rendeu o resultado de vendas esperado ( não quer dizer que não vendiam... apenas não chegaram ao pico superestimado proposto), entre tantos outros percalços administrativos. O fato é que depois da morte do apaixonado fundador Victor Civita ( em 1990) e a do seu filho Roberto Civita ( em 2013) a coisa só desgringolou nas mãos dos netos herdeiros. Trabalhei na Abril entre 1989 e 2002 e já no início desse século, logo após a mudança de grande parte da empresa para o imponente prédio NEA na Marginal Pinheiros, algo já não cheirava bem no ar dos seus corredores. A Veja, que a partir dos anos 70 se tornou referência no jornalismo nacional sob a gestão Mino Carta e se destacou em fases políticas importantes, culminando na série de reportagens investigativas que ajudaram a derrubar o presidente Collor, nos últimos tempos se tornou um arremedo de si mesmo. Várias revistas foram descontinuadas na última década e com o passar dos anos a editora foi esvaziando os andares do prédio onde até então reinava. Se segura agora, desesperadamente, na desprestigiada Veja e em algumas poucas boas ideias que perduraram ( como a Mundo Estranho). Muitos dizem que os gibis vendiam bem, mas não conseguiriam segurar essa peteca depenada por muito mais tempo. Agora é ver quem vai assumir os gibis Disney no Brasil.É só uma questão de tempo. Esse nicho ainda tem muito o que render no país, mesmo com crise, com menos leitores que há vinte, trinta anos atrás, pois ainda há muitos apaixonados e aficionados por esse vasto universo. Eu pessoalmente aposto na Panini como nova editora da linha. Mas pode surgir um azarão nessa disputa... quem dá mais? ----------------------------------------------------------
Matérias sobre o assunto: https://www.planetagibi.com.br/2018/06/fim-de-uma-era-pato-donald-de-julho.html -------http://www.universohq.com/noticias/abril-confirma-em-comunicado-a-assinantes-fim-dos-quadrinhos-disney-na-editora/ --------------- https://oglobo.globo.com/cultura/livros/quadrinhos-da-disney-nao-serao-mais-publicados-no-brasil-partir-de-junho-22762264 -------------------
27 de junho de 2018
O Clube da Madrugada: patrimônio cultural amazônico
Um movimento literário com ecos do Modernismo, o Clube da Madrugada, do Amazonas, já passa dos 60 anos, e embora não atue mais como um clube, continua vivo na memória dos mais velhos e na bagagem de quem ainda faz literatura e cultura por lá. Eu conheci a sua história através da minha filha, que escolheu o clube como tema em um trabalho escolar sobre folclore e cultura amazônica. Me encantei! Grandes literatos que passaram pelo Madrugada, um clube cuja sede sempre foi embaixo de uma imponente árvore no centro de Manaus, conseguiram manter a chama da literatura na região por muitos e muitos anos. E isso no Brasil não é nada fácil, pois quem faz cultura e promove a leitura e a discussão artística no país tem que nadar contra a corrente, sempre. Separei uns links bacanas abaixo, para se entender os meandros desse que é um dos mais importantes movimentos culturais nacionais. ------------------------------------------------------------------------------------
https://www.acritica.com/channels/entretenimento/news/movimento-cultural-clube-da-madrugada-comemora-60-anos-de-fundacao-no-am ----------
https://www.youtube.com/watch?v=5ppQqNO6dL4 -------------
http://bv.cultura.am.gov.br/templates/areatematica/seriememoria/pdfs/04241b14f8e942f978a985cffa9071ce.pdf
22 de junho de 2018
( O Acervo Sorve): Cebolinha da Trol
Semana de sorte: estava eu em direção à estação de trem - Utinga - Santo André -, quando, ao observar uma caixa cheia de brinquedos em meio a roupas em um bazar de calçada, percebi uma perninha com sapato marrom que me chamou a atenção. Fui conferir e lá estava: um legítimo Cebolinha da Trol do final dos anos 60, com sua famosa roupa amarela e vermelha!
20 de junho de 2018
FLIQ 2018 anuncia seus cartazes oficiais
O entusiástico Renato Frigo, criador e produtor do Festival de Quadrinhos de Limeira, acaba de anunciar os dois cartazes oficiais do evento. E que cartazes! Nesta edição, o FLIQ homenageia o clássico e amado Tex , que completa 70 anos em 2018, e o mítico personagem aparece com destaque tanto na arte do italiano Claudio Villa como na cena ilustrada pelo brasileiro Pedro Mauro, convidado de honra do festival, que fez questão de incluir a plaquinha de Limeira direcionando a dupla Tex Willer e Kit Carson. O FLIQ 2018 vem angariando grandes expectativas e essas boas vindas maravilhosamente ilustradas carimbam com muita propriedade o que vem por aí!
Todos os detalhes do festival, no post do Frigo lá no CdHQs: http://colecionadoresdehqs.com.br/definidos-os-cartazes-oficiais-do-festival-de-quadrinhos-de-limeira-2018/
18 de junho de 2018
Audálio Dantas (1929-2018)
Fica aqui registrado o falecimento de mais um dos grandes jornalistas que esse país concebeu, Audálio Dantas, mestre na arte de escrever em jornais e revistas com precisão e apuro. Se foi no dia 30/05, alguns dias depois de outro genial escriba de sua geração, Alberto Dines. Audálio foi um profissional referenciado por sua luta constante pelos direitos humanos. Em 1975, como presidente do sindicato dos jornalistas, foi uma das vozes preponderantes na denúncia à farsesca morte do jornalista Vladimir Herzog nos porões da ditadura. Outra façanha sua foi ter conhecido a catadora de papéis e favelada Carolina Maria de Jesus, e ter se oferecido para datilografar os manuscritos do seu primeiro livro, "Quarto de Despejo", que se tornaria um fenômeno de vendas. Alagoano de nascimento, Dantas trabalhou em muitas publicações, com destaque para O Cruzeiro, Manchete, Quatro Rodas, Realidade e Folha da Manhã. Também escreveu diversos livros, inclusive um sobre Herzog, em que conta como o jornalista foi vítima dos nazistas na Iugoslávia nos anos 40, além da ditadura. Por ser muito atuante e "elétrico", encontrei Audálio em dezenas de eventos, lançamentos e palestras dos anos 90 pra cá. As últimas duas foram no lançamento do livro de poesias do amigo em comum Machadinho, em 2015, quando troquei um ótimo papo com ele na fila do autógrafo e em setembro do ano passado, no velório do Álvaro de Moya. Audálio, atrasado, perdeu o velório e eu o acompanhei por dois quarteirões, até meu ponto. Agora, o velho jornalista parte, num momento em que o jornalismo nem parece mais jornalismo. E se por acaso encontrar o colega Dines, não se espantem ocupantes de lá, se não aparecer uma revistinha ou um jornal publicado, com a graça, a apuração e a presteza de sempre.
15 de junho de 2018
"O Judoka, por FHAF" no Catarse!
Já está valendo lá no Catarse um projeto que vale muito a pena participar. Trata-se de uma iniciativa rara, pois resgata o trabalho singular de um dos grandes quadrinistas brasileiros, FHAF (Floriano Hermeto de Almeida Filho), que com apenas cinco histórias produzidas para o personagem Judoka, da EBAL, mostrou imediatamente que tinha uma arte arrojada e moderna aliada a um roteiro consistente. O impacto da arte de FHAF pode ser percebida logo em seguida à sua primeira história em 1970: especialistas como Alvaro de Moya e Moacy Cirne cravaram no ato que ali estava um desenhista estreante impetuoso, capaz de se equiparar a grandes mestres por seus enquadramentos e ângulos inusitados. Quem está por trás desse projeto - que entre outras recompensas tem como protagonista um livro com mais de 170 páginas com todas as cinco histórias na íntegra + entrevista + 15 páginas de quadrinhos inéditos - é o jornalista Francisco Ucha, especialista em quadrinhos e administrador do ótimo blog "Um Sítio no Planeta Mongo". Foi Ucha o curador de uma das mais importantes exposições de quadrinhos realizadas no país, Quadrinhos'51, realizada em 2012 em homenagem a alguns dos maiores quadrinistas brasileiros, além de relembrar na ocasião os 61 anos da primeira exposição de quadrinhos do mundo, a "Exposição Internacional de Quadrinhos", produzida em 1951 por Álvaro de Moya, Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado e Syllas Roberg.
O livro "O Judoka, por FHAF" é uma ótima oportunidade para se iniciar no país uma bibliografia memorialista voltada para a obra de artistas importantes do Quadrinho nacional. Está na hora de sair do limbo obras de arte como estas, assinadas pelo incrível FHAF. Todos os detalhes para participar desse lançamento histórico pode ser conferido na página do projeto no Catarse, aqui:
https://www.catarse.me/judokaporfhaf
Patati ( 1960-2018)
Lá se vai mais um grande batalhador das histórias em quadrinhos no Brasil! Muito triste! Patati já vinha lutando contra o diabetes há anos e sofreu ontem um ataque cardíaco fulminante.
Conheci Carlos Eugênio Batista ( seu nome de batismo) nos eventos de HQs, o último na premiação da AQC em que foi escolhido "Mestre dos Quadrinhos" ( link sobre o evento lá embaixo). Merecidíssimo, aliás: começou com roteiros de terror para a Vecchi sob edição do Ota Assumpção. Seguiu colaborando com várias revistas do underground - Porrada e Nervos de Aço foram algumas delas - Metal Pesado, a especial Brazilian Heavy Metal, entre tantas outras. Foi curador de festivais, consultor, criador de personagens ( Nonô Jacaré, o mais conhecido), escritor, pesquisador, tradutor, colunista. Como diziam seus colegas, uma verdadeira enciclopédia, principalmente quando o assunto era terror. Escreveu Almanaque dos Quadrinhos ao lado do Flavio Braga e vários álbuns em parceria. Um abnegado dos quadrinhos! Vai fazer muita falta! ##### http://colecionadoresdehqs.com.br/dia-do-quadrinho-nacional-encontros-e-surpresas/
13 de junho de 2018
Baú do Malu 75 : Hora Zero ( ano 1 nº 3 - 1958 - Ed. Maya)
Entre os anos 50 e 60, muitas editoras pequenas e médias se arriscaram na publicação de HQs e esse movimento gerou muitas revistas obscuras e de poucos números nas bancas. A revista Hora Zero, derivada da argentina "Hora Cero", vinha com excelente material de artistas/roteiristas que produziam no país vizinho, entre eles Oesterheld, Hugo Pratt, Francisco Solano López (a última aqui, do marciano, é dele, embora não assinada). Nesta edição, lê-se "4 Aventuras Completas", mas só foram publicadas três! A Editora Maya é dos mesmos donos da Garimar, e editava pelo menos meia dúzia de revistas em quadrinhos ( vejam a contracapa publicada aqui), entre elas a famosa O Falcão Negro. Hora Zero aparece como "especial de Serviço Secreto", outra publicação mensal da editora. O logo da Garimar não aparece neste número, mas tenho outro número ( o 5) cuja capa estampa um"impresso por Garimar S/A". Pequenos detalhes misteriosos dessas editoras também misteriosas!
8 de junho de 2018
"Arthur Moreira Lima - Um Piano Para Todos", no Festival In-Edit Brasil
(divulgação)
Fiquei muito entusiasmado e contente com o convite que acabei de receber do meu amigo de longa data Marcelo Mazuras. Depois de bons anos em produção, finalmente seu filme "Arthur Moreira Lima - Um Piano Para Todos" surge para o público, tendo sua primeira exibição incluída na programação do já tradicional Festival In-Edit Brasil. A premier será no domingo, 10/06, às 17hs, no CineSesc da Rua Augusta e terá a apresentação do próprio Mazuras. A expectativa é grande: cheguei a ver o filme ainda em processo de edição e ali já pude perceber o cuidado da direção com os mínimos detalhes, desde cenas cotidianas ao redor do palco como todo o processo criador antes, durante e depois do pianista, que há mais de uma década vem tocando o projeto de levar seu piano para o interior do Brasil mais profundo. Nas imagens que vi, nada era descartável, inclusive o silêncio. Domingão vou ver finalmente esse conteúdo finalizado!
A programação do In-Edit 2018, aqui:
http://www.in-edit-brasil.com/Arthur-Moreira-Lima--Um-Piano-Para-Todos-film.html?pelId=692&edId=54
5 de junho de 2018
A arte "iluminada" de Vincent Bal
A dica é da página da Feel Desain no FB: a surpreendente arte de Vincent Bal, cineasta e artista belga, que desde 2016 vem criando a série de doodles intitulada Shadowology, onde objetos comuns do cotidiano interagem com a luz e trazem à tona sombras transformadoras. Vejam o resultado nas imagens selecionadas e no site de Bal: https://www.instagram.com/vincent_bal/
3 de junho de 2018
Baú do Seu João 22: Almanaques de Farmácia
Dentre os curiosos itens do acervo coletado durante toda a vida por meu pai, os almanaques de farmácia chamam a atenção. Estes destacados no post foram distribuídos em períodos diferentes nas drogarias da região do ABC. Na verdade, as farmácias encomendavam um lote desses almanaques para o fabricante e as edições solicitadas vinham personalizadas, geralmente com tarja informando nome e endereço do estabelecimento que as adquiriu. De início, os motivos de capa eram mais artísticos, com ilustrações ou símbolos religiosos. Com o passar dos anos, a fotografia entrou no lugar da arte e modelos e atrizes começaram a aparecer em destaque. Nestes almanaques selecionados podemos ver a presença da modelo Rose di Primo, famosa por comerciais e por posar para revistas masculinas e a atriz Pepita Rodrigues.
29 de maio de 2018
Mais despedidas em Maio
Mês terminando e incluo como homenageados do blog mais três personalidades que tanto fizeram para a cultura e história brasileira e que se despediram em maio;
ROBERTO FARIAS (1932-2018) - Diretor de cinema de muito sucesso e prêmios entre os anos 60 e 80, fez filmes cultuados como "Cidade Ameaçada" (1960), premiadíssimo e um dos primeiros policiais brasileiros; o ótimo e cult "Assalto ao Trem Pagador" (1962) e o político "Pra Frente, Brasil" (1982); e também sucessos populares como as chanchadas "Rico Ri a Toa" ( com Zé Trindade - 1957)) e "Um Candango na Belacap" (1961); o divertido "Toda Donzela tem Um Pai que é Uma Fera" (1966); e a trilogia com Roberto Carlos, "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" (1968), "Roberto Carlos e o Diamante Cor-De-Rosa" (1970) "Roberto Carlos a 300 Quilômetros por Hora" (1971) e "Os Trapalhões no Auto da Compadecida" (1986). Também fez o documentário "O Fabuloso Fittipaldi" (1973) e várias colaborações com a Rede Globo, desde pioneiros programas ao vivo nos anos 60 até seriados que se tornaram bem conhecidos como "Memorial de Maria Moura" (1994), "A Máfia no Brasil" (1984) e "As Noivas de Copacabana" (1992), além do polêmico "Você Decide", com participação do público no desfecho das histórias. Grande parte dos seus filmes no cinema teve a participação do irmão mais novo, o ator Reginaldo Farias ( acima, na foto, à esquerda), que ao seu lado, acabou abocanhando alguns prêmios de crítica. Nos últimos tempos era consultor na Globo Filmes.
ALBERTO DINES (1932-2018) - Pra mim, um dos maiores jornalistas que este Brasil já teve. Em várias pequenas revoluções editoriais a partir dos anos 50 que acabaram influenciando o modo de se fazer jornalismo, boa parte teve a mão e a mente de Dines. Começou como crítico de cinema nos início dos anos 50, na revista A Cena Muda. Logo estava na revista Visão, recém-lançada, a primeira redação onde teve total liberdade para exibir seus dons jornalísticos. Em 1957 foi pra Manchete, onde ficou pouco mais de dois anos, até ser contratado pelo Ultimo Hora, onde assumiu a direção do segundo caderno do jornal e causou em apenas um ano um grande rebuliço entre os leitores. Em 1960 começou a colaborar com a Tribuna da Imprensa e em seguida para o Diário da Noite ( de Assis Chateaubriand). Em ambos não chegou a esquentar a cadeira, tornando-se só uma fase de transição para talvez sua maior empreitada: a gestão como editor-chefe no JB de 1962 a 1973, permeada por batalhas contra a ditadura e modernas soluções editoriais, tanto em conteúdo como em design, para os cadernos do velho veículo carioca. Ironicamente foi mandado embora do jornal por publicar um artigo que criticava a passividade e subserviência dos donos para com o governo do estado do Rio. Ficou um tempo nos EUA - onde chegou a ser professor visitante na Universidade de Columbia - até ser chamado em 1975 por Claudio Abramo para assumir a sucursal do Rio da Folha de S.Paulo. Saiu-se com mais uma de suas ideias influenciadoras: sua coluna Jornal dos Jornais, que pioneiramente avaliava a própria imprensa. Em 1980 foi para o Pasquim, em sua última grande fase. A partir de 1988 fincou moradia em Portugal, colaborando com a Abril ( onde ajudou a fundar a Exame portuguesa) e criando o Observatório de Imprensa, cria da sua coluna na Folha, mas agora um veículo próprio, que acabou virando sua bancada e bandeira no jornalismo até o fim da vida, primeiro em papel e a partir de 1996 em sua versão eletrônica. Paralelamente ao jornalismo, fez uma emblemática mas esporádica carreira de escritor e uma jornada brilhante como professor. Como literato, escreveu mais de 15 livros, com destaque para "Morte no Paraíso - a Tragédia de Stefan Zweig" (1981) e "Vínculos do Fogo - Antonio José da Silva, o Judeu e outras histórias da Inquisição em Portugal e no Brasil" (1992). Ambos com uma profunda pesquisa sobre os temas que acabava se prolongando por anos. Curiosamente a obra lançada em 1992 aparecia como "Tomo I", mas embora Dines sempre comentasse que a segunda parte surgiria um dia, essa continuação não ocorreu ( pelo menos não com ele vivo). Desde que iniciei no jornalismo em 1989, sempre tive Dines como um de meus "mestres" na arte de noticiar. Sem dúvida nenhuma, o jornalismo brasileiro nunca mais foi o mesmo com a presença iminente de Alberto Dines nas redações. Espero de coração, que reservem uma boa cadeira de canto onde quer que ele esteja , para que alguma pequena revolução escrita comece sem demora e tudo continue como tem de ser.
(divulgação Globo) --
ELOISA MAFALDA (1924 -2018) - Eloisa era daquelas atrizes que viraram referência como personalidade de novela, tanto que fez poucos trabalhos no cinema e no teatro. De origem humilde, foi costureira, secretária e acabou atriz por acaso, quando ao acompanhar seu irmão para um teste de locutor na rádio Tupi, acabou passando também em teste para atriz de rádio-teatro. Logo estava na TV onde nunca mais saiu - primeiro na Tupi, depois na TV Paulista, que virou Globo. Na Vênus Platinada fez personagens inesquecíveis como Maria Machadão ( em Gabriela), Dona Nenê, na primeira versão de A Grande Família e Dona Pombinha Abelha ( em Roque Santeiro), um estrondoso sucesso. Há muitos anos sofria de Alzheimer e faleceu ao lado da filha em sua casa em Petrópolis (RJ).
24 de maio de 2018
Carlos Massanori Oshiro ( 1966-2018)
Soube hoje em postagem na rede do falecimento de um antigo e querido amigo, o Nori ( Carlos Massanori Oshiro). Eu particularmente o conhecia desde os anos 70, quando estudamos juntos no primário e ginásio (28 de Julho). Nos últimos tempos parei com frequência na tradicional quitanda de sua família na Rua Taipas em São Caetano para trocar figurinhas com o Nori. Sempre com um sorriso no rosto, sempre gentil e parceiro. Até que ele adoeceu e nós os amigos, ficamos sabendo da gravidade da situação. Eu e o Mauricio Elias ( esse, um amigo mais antigo ainda - estudei com ele no "prezinho") combinamos de visitá-lo mas ele acabou partindo antes. Fica a saudade e essa foto acima, de 2015, em frente à quitanda: ele, eu e o Mauricio, num momento descontraído de papo e amizade que agora fica na eternidade.
18 de maio de 2018
Margot Kidder (1948-2018 ): a Lois Lane inesquecível
Tudo leva a crer que a Lois Lane interpretada pela atriz Margot Kidder em quatro filmes do Superman nas telonas entre 1978 e 1987 seja a preferida entre os milhares de fãs do homem de aço espalhados pelo globo. Não tenho dados que comprovem, mas diante da comoção na internet e dos tantos comentários depois de seu falecimento no dia 13/05, aos 69 anos, certamente ela se transformou na Lois Lane definitiva para muitos. Sua Lois Lane foi moldada com perfeição: nem muito frágil, nem muito fria; dona de si, mas romântica; bonita sem ser de porcelana; a Lois Lane dos anos 70/80 era de carne e osso - até fumava - e talvez por isso cativou tantos. Selecionei algumas cenas icônicas para homenagear a atriz: SSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSSS
https://www.youtube.com/watch?v=4KTwdr5aTT4 /// https://www.youtube.com/watch?v=yOJtLC2pRII ///
https://www.youtube.com/watch?v=394jYH82s2o /// https://www.youtube.com/watch?v=TjgsnWtBQm0
17 de maio de 2018
Portal Beatles Brasil entrevista Marcelo Tieppo
Meu amigo gêmeo ( nascemos no mesmo dia, mês e ano) Marcelo Tieppo foi entrevistado pelo Portal Beatles Brasil e é com grande prazer que replico essa sincera conversa aqui no Almanaque. Além de jornalista dos bons, Tieppão é fanzaço de carteirinha dos Fab Four e descreve com detalhes para o site sua antiga relação com a banda, seus discos/ integrantes favoritos e o impacto de ter visto Paul McCartney ao vivo. Mas principalmente, reforça o quanto poderosa foi a música dos Beatles na sua luta contra o câncer, uma batalha narrada minuciosamente em seu livro "Tocando a Vida", em que transforma em capítulos as canções da banda que o ajudaram nos momentos mais difíceis do tratamento. Uma experiência inspiradora que merece ser compartilhada! ¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨¨http://portalbeatlesbrasil.com.br/new/marcelo-tieppo-fala-da-sua-batalha-contra-o-cancer-com-a-ajuda-dos-beatles/
16 de maio de 2018
Plebe Rude e A Cor do Som - Shows incríveis no SESC em abril/maio
Para registro, fui again em dois shows ótimos no Sesc, a preços populares. No final de abril (20) o Plebe Rude, talvez a banda de Brasilia da segunda geração que mais tenha capturado o espírito do punk rock, fez um baita show histórico - intitulado "Primórdios" - que como o nome diz, trouxe músicas iniciais de carreira, compostas entre 1981 e 1983. Coincidentemente no mesmo dia saiu o disco homônimo "Primórdios" com nove músicas inéditas, as mesmas incluídas no show. O som tava alto, como deve ser um show de rock pesado e o entusiasmo dos integrantes foi contagiante. Além de músicas primitivas do repertório, descomplicadas e juvenis na medida, a banda também incluiu sucessos como "Até Quando Esperar" e "O Concreto Já Rachou" e músicas cults do rock nacional como "Medo" do Cólera, "Pânico em SP" do Inocentes e "Luzes", clássico da banda brasiliense "Escola de Escândalos". Um show efervescente, vibrante, tendo a frente dois fundadores da Plebe - Philippe Seabra e André X ( esse, um dos responsáveis pelos discos importados que fizeram a cabeça da primeira geração punk de Brasília) e outro das antigas, Clemente Nascimento, dos Inocentes, já há vários anos na banda, além do baterista Marcelo Capucci. Valeu muito!
O show do A Cor do Som ( no dia 01/05) também foi envolvente e inesquecível. Vindo com a formação original - Armandinho ( guitarras, bandolim), Dadi (baixo), Mu (teclados), Gustavo Schroeter ( bateria , ex-Bolha) e Ary Dias ( percussão) botaram pra quebrar no repertório "40 anos" ( entre aspas, porque a banda já tem 42 anos) e mostraram que antes de qualquer coisa, eles são bons instrumentistas. Bons, não, ótimos! O próprio Armandinho, que em muitos momentos parecia o Joe Satriani ( lembrando que Armandinho chegou na música antes), comentou no palco que A Cor do Som surgiu como uma banda instrumental - os vocais foram aparecendo por circunstâncias do mercado. Cada um é virtuose em seu instrumento - e isso fica claro ao vivo: Armandinho desfilando pela plateia, tocando de forma magistral e ágil; Dadi, incólume no baixo, mantendo sua aura gravada ainda nos tempos de Novos Baianos; Mu, irmão de Dadi, o homem das harmonias, climatizando as melodias com seus três teclados (!); Gustavo Schroeter, com sua veia roqueira, estraçalhando com vontade nas baquetas; e o simpático e espevitado Ary Dias, flutuando enquanto cavoca sons na percussão - e que protagonizou um dos momentos mais sinérgicos da noite, ao cantar com a plateia a hipnótica "Dentro da Minha Cabeça". Todos excelentes músicos de estúdio, todos compositores de mão cheia ( Mu, por exemplo, é um dos criadores de "Sapato Velho"), todos participando de discos e shows com a nata da música brasileira. Por isso A Coir do Som sempre dá certo quando se reúne.
14 de maio de 2018
"Papéis Efêmeros" no Sesc Ipiranga
Está rolando no Sesc Ipiranga uma exposição sui generis, daquelas de encher os olho de colecionadores e apreciadores da arte gráfica. A mostra "Papéis Efêmeros - Memórias Gráficas do Cotidiano", com curadoria de Chico Homem de Melo e direção de Solange Ferraz de Lima, traz 500 peças gráficas selecionadas de 1890 a 1990 e divididas em salas temáticas. Esses itens estavam arquivados no Museu do Ipiranga, pertencente à USP, na categoria "Outros". Vão desde rótulos, santinhos e folhetos até figurinhas, cartilhas, cartões de visita e caixas de fósforos, todos vindos de coleções diversas, muitas anônimas, passadas de pai para filho. Uma das exceções é o conjunto pertencente ao colecionador, arquiteto e professor de História Egydio Colombo (1955-2013). A exposição, parceria da USP/Museu Paulista e Sesc, é de graça e fica até 26/08.
Mais detalhes aqui: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/12061_100+ANOS+DE+PAPEIS+EFEMEROS
11 de maio de 2018
Fanzinada - álbum de fotos ( por Celso Marchini)
Na página oficial da Fanzinada no FB foi publicado um álbum gigante com imagens gerais do evento. Uma das tantas fotos presentes no álbum é essa acima ( eu, Paulo Dantas, Thina Curtis e Ricardo Escudeiro). O click é do onipresente marido da Thina Curtis, o fotógrafo Celso Marchini. Momento inesquecível para a cultura do ABC e uma comunhão artístico-cultural difícil de se ver por aí. Vida longa à Fanzinada!
https://www.facebook.com/thina.curtis/media_set?set=a.10212080073098054&type=3
10 de maio de 2018
Foto do mês: redação de O Pingente ( fonte: Nani Lucas)
Essa foto rara e antológica foi publicada na rede pelo Nani, testemunha ocular de tantas redações como esta. Na imagem, a redação da vez é de O Pingente, jornal nanico do Rio que fez história entre tantas publicações independentes ( ou quase) do período 70/80 que cutucavam com vontade a ditadura militar. Da esquerda para direita: Jésus Rocha, Duayer, Nani, Guiddacci e Coentro ( acervo Nani Lucas)
8 de maio de 2018
Entrevista com Paulo José ( CdHQs)
Saindo do forno mais uma entrevista no site Colecionadores de HQs. Desta vez, o bate-papo foi com o artista Paulo José, já há muito tempo batalhando no mercado de HQs e animação. Vejam lá como foi essa proveitosa conversa:
http://colecionadoresdehqs.com.br/entrevista-a-arte-de-paulo-jose/
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