11 de junho de 2022

"Ziraldo - Memórias" no Catarse (até 19/06)


Faltam 8 dias para o final da campanha no Catarse do livro "Ziraldo - Memórias", produzido e editado pelo Francisco Ucha. Um lançamento que não pode ficar de fora da biblioteca dos apaixonados pelos quadrinhos e pela história gráfica brasileira. Além da capa dura (com a maravilhosa arte de Luiz Carlos Fernandes) e recompensas tentadoras, o projeto conta com um conteúdo primoroso e primordial:

- a entrevista (originalmente em duas partes) na íntegra, que Ziraldo concedeu ao Jornal da ABI há dez anos para Francisco Ucha e mais dois jornalistas. O próprio Ziraldo mencionou depois que essa foi a entrevista mais completa de sua vida.
- prefácio genial de Ricky Goodwin, jornalista, amigo de Ziraldo e editor das famosas entrevistas do Pasquim.
- texto inédito e surpreendente do jornalista e escritor Zuenir Ventura, outro grande amigo de Ziraldo.
- um texto meu sobre as primeiras publicações de Ziraldo, principalmente nos quadrinhos, antes de se tornar conhecido na grande imprensa.
- uma pesquisa profunda em várias fases de sua carreira, trazendo à tona alguns momentos nunca antes revelados.
- fotos e imagens inéditas.
- uma história em quadrinhos na íntegra, publicada originalmente na revista Vida Infantil nos anos 1950.
Enfim, um projeto imperdível, que merece bater sua meta. O link para apoiar é esse:

29 de maio de 2022

Momento Rockabilly - Informativo nº2 (junho-2022) - Mais um petardo de José Zinnerman Nogueira

Recebi mais um petardo imprescindível do meu velho amigo José Zinerman Nogueira, o "Fóssil Vivo do Underground": o informativo "Momento Rockabilly", um movimentado zine digital com grandes momentos do gênero rockabilly (e seu "primo" atual psychobilly), tanto dos velhos tempos como do último mês. E o veículo rocker vem com aquele já conhecido "pacote completo" do Nogueira: cobertura de shows, perfil de artista, foto histórica, entrevista, letra de música, galeria de imagens e contatos das bandas. Com destaque para o rocker Caio Durazzo (que aparece na capa ao lado de JZN, acima), outro que faz muito pela cena do rock underground. Para quem quer visualizar este informativo completo (nº2, que tem data de junho de 2022), ou outras criações de José Zinerman Nogueira (o homem não para!), entre em contato nos seguintes endereços:

zinerman_nogueira (instagram)

CX Postal 22 CEP 01031-970 SP-SP

José Zinerman Nogueira (Facebook)

e-mail: jn7400@gmail.com 

26 de maio de 2022

Baú do Malu 86: Livreto "Tambaú - A Cidade dos Milagres" - Ado Benatti



Esse simpático livreto acima eu encontrei dentro de um móvel bem antigo em um antiquário da região de São Pedro-SP uns tempos atrás. Me chamou a atenção a bela imagem da capa (sem crédito) e o seu caráter bem artesanal. Tirando a informação de que o livrinho foi distribuído pela Tipografia "Souza", situada no bairro do Brás (São Paulo), mais nada se sabe dessa misteriosa mini publicação (data, tiragem, etc - como não tem preço, possivelmente foi distribuído gratuitamente). No texto de introdução do autor, fica-se sabendo dos "Milagres de Tambaú", cidade que segundo ele "era falada no Brasil inteiro como palco de milagres e acontecimentos incomuns", atribuídos a um padre falecido - Donizetti Tavares de Lima - considerado santo pelos devotos, ainda em vida, principalmente a partir da meados da década de 50. O autor, Ado Benatti (outro mistério), preferiu contar a história desses milagres usando a linguagem dos cordéis (nas palavras dele, na "linguagem sertaneja"),com estrofes de 8 linhas em 22 páginas (o total do livro é de 32 páginas). Numa rápida pesquisa na internet, vê-se que o padre Donizetti (1882-1961) é bem comentado até hoje e deixou marcas na cidade de Tambaú-SP. Mais aqui: http://www.padredonizetti.com.br/bio.asp

25 de maio de 2022

Baú do Seu João 35 - Foto do Corínthians de 1969



Depois de um longo inverno, volto com o baú do meu saudoso pai, João Massolini (1939-2019), um dos mais surpreendentes guardadores de "cultura" que tive o prazer de ver/conviver na vida. Esta foto história do Corínthians de 1969 (uma das muitas formações daquele ano) estava no meio de alguns documentos dele e embora não seja uma foto original, está num formato "cartão postal", com efeito plastificado, margem branca e a escalação descrita no verso. Certamente foi feita na época como brinde ou peça promocional. Meu pai foi, além de guardador contumaz de cultura, um corinthiano roxo. Literalmente, pois quando o Corínthians perdia, a coloração do rosto enfurecido dele podia pender para o vermelho e quando a coisa tava braba mesmo, chegava bem próxima do roxo! Um beijo, pai querido!
obs: a legenda original está com um ligeiro erro sequencial. A escalação certa, da esquerda para a direita é esta: Lula, Oswaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos, Dirceu Alves e Lidu. Agachados: Paulo Borges, Adnan, Benê, Rivelino e Eduardo.


29 de abril de 2022

100 anos de Toots Thielemans (Doodle)

Hoje o Google homenageou o grande músico belga Toots Thielemans, que completa 100 anos hoje, com um 'Doodle' muito bem desenhado. Toots, considerado um dos maiores gaitistas de todos os tempos, chegou a tocar ao vivo no Brasil e participou de projetos com brasileiros ao longo da carreira (Sivuca, Elis Regina e Astrud Gilberto foram alguns deles). Começou a carreira como guitarrista, e além da gaita, foi também um grande assoviador profissional.

25 de abril de 2022

"50 Poemas de Revolta"



Aqui pertinho de casa, uns quatro quarteirões pra cima, uma lojista resolveu colocar na calçada um simpático móvel com livros sortidos para retirada grátis. O famoso "deixe um, pegue outro". Hoje levei lá cinco livros do meu acervo e peguei três: um infantil do escritor João Carlos Marinho - "O Conde Futreson" - com a turma do Gordo; um volume da série "Viagem pelo Brasil", "Qual é o seu Norte - Almanaque da Amazônia", de Silvana Salerno com ilustrações do ótimo Gonzalo Cárcamo; e um livrinho de antologia poética, "50 Poemas de Revolta" (Cia das Letras), com uma seleção bem escolhida de poemas indignados, daqueles que põe o dedo na ferida, cutucam, gritam aos quatro ventos, ironizam a hipocrisia, subvertem o estabelecido. Entre os poetas, luminares como Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Drummond, Vinicius, Roberto Piva, Zuca Sardan, Chacal, Ana Cristina César, Torquato Neto, Leminski, Alice Ruiz, Jorge de Lima e muitos outros. Nesses tempos em que se trocam as mãos pelos pés como se troca de roupa, se indignar, se revoltar, é como respirar! Seguem dois versinhos singelos da antologia citada:


ERRO DE PORTUGUÊS

Oswald de Andrade


Quando o português chegou

Debaixo d'uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

o português



OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu 

                                                                    {Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos 

                                                                      {edifícios.

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.


(no correr do ano, posto mais desses versos subversivos)




24 de abril de 2022

Cartões comerciais no armarinho



Fui acompanhar minha sogra em suas caçadas por boas linhas para tricô/crochê e nessa expedição paramos em um armarinho no centro de São Caetano. Tudo muito colorido e cheio de surpresas (ainda mais para um leigo como eu), incluindo pincéis, papeis colantes, miniaturas de todo tipo, etc. Na saída, no caixa, vi esses cartões comerciais e trouxe comigo - achei o design bem criativo em ambos. O primeiro, capturando imagem de algum anúncio bem antigo, onde as mulheres lindas desenhadas imperavam e outro com um bem resolvido lettering, onde a agulha perpassa o título. Ei-los aqui, para apreciação.

2 de abril de 2022

Ruy Maurity (1949-2022)

     (crédito: Pinterest/Silvana Regina)

Ultimamente, principalmente na pandemia, passei a escutar sons recorrentes quando escrevia a trabalho no computador: Nick Drake, Elton John, Donny Hathaway, Astrud Gilberto, Johnny Alf, entre outros. E o querido Ruy Maurity era um deles - ouvi muito, muito, sua música profundamente brasileira, rural, que funde com perfeição folclore, crença, natureza e um olhar bem próximo daquele brasileiro que mora lá no fundo do Brasil, fora das mídias e das estatísticas. O som de Maurity me acompanha desde a infância, quando assobiei e cantarolei muito "Nem Ouro, Nem Prata" ("Eu vi chover, eu vi relampear") e "Marcas do que se Foi", que a família toda cantava anualmente nas festas de réveillon. O compositor, ao lado do seu parceiro José Jorge, foi figura carimbada nas trilhas de novelas por toda a década de 1970 e surgiu para a música no Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia Cinco", dele e de Zé Jorge, no início da década. Além de "Nem Ouro Nem Prata" e "Marcas do que se Foi", outras músicas de seu repertório acabaram na boca do povo, como "Serafim e seus Filhos" (regravada por vários artistas e com direito a continuação) e "Menina do Mato". Os amigos e conhecidos são unânimes em dizer que Maurity era uma pessoa muito tranquilo e doce. Eu pude presenciar isso quando há uns quatro ou cinco anos atrás, resolvi ligar para ele, com a intenção de entrevistá-lo. Ele foi muito solícito e simpático, mas recusou meu convite: "Marcos, no momento eu só quero curtir os meus bichos e minha aposentadoria". Realmente, esse amor pelos bichos era latente em suas postagens nas redes sociais, geralmente com fotos de cães de todos os tipos. Até que no dia 01/04, no portal do seu irmão, o também compositor Antonio Adolfo, veio a notícia de seu desencarne, aos 72 anos. Que sua doçura ecoe na imensidão e sua entrada no outro plano venha com a tranquilidade que você sempre procurou colher aqui nessa vida.

Aqui, full, um dos grandes discos de Ruy Maurity: 

https://www.youtube.com/watch?v=q0LyE9WDExU

30 de março de 2022

Elifas Andreato (1946-2022)


Elifas Andreato partiu aos 76 anos. Mais um grande artista gráfico brasileiro que nos deixa recentemente - nesse último mês, tivemos a partida de Gepp (1954-2022), da inesquecível dupla Gepp & Maia (como esquecer a série do Pinóquio-Maluf do JT?) e do Luscar (1949-2022), um dínamo do nosso humor gráfico. Elifas foi editor, compositor, ilustrador e principalmente design gráfico, se consagrando como um dos mais prolíficos capistas de discos do Brasil. E em todas essas atividades, nunca deixou de lado sua veia democrática e sua luta em favor dos desfavorecidos. A sua arte cativante e vívida certamente ficará em evidência para gerações futuras, assim como atingiu seus contemporâneos de forma tão profunda. Muitos  textos bem feitos sobre sua longa carreira podem ser lidos de ontem pra hoje na internet ( o texto do Mauro Ferreira no G1 e o trecho da entrevista dada ao ótimo Marcelo Pinheiro, sobre o jornal Opinião, cofundado por ele, são bons exemplos), mas quero deixar aqui alguns momentos em que o Elifas passou por minha vida e deixou marcas indeléveis.

- Ainda na minha infância, tive o privilégio de manusear e escutar a coleção "História da Música Popular Brasileira", da Editora Abril, que meu pai pacientemente completou comprando os fascículos mensais na banca de jornal. Além de conhecer a nata da música brasileira nos textos de especialistas e nas faixas dos discos que vinham encartados, apreciei com gosto pela primeira vez a arte única de Elifas, nas artes, nas fotos e na composição das capas dos fascículos - um dos primeiros trabalhos gráficos de sua lavra.

- Segui na vidas como colecionador de HQs e discos e um grande apreciador da arte nas capas dos LPs, um dos objetos sagrados da nossa cultura que propiciou momentos únicos do design brasileiro. Elifas, um dos capistas mais atuantes, aparecia sempre em minhas aquisições, com destaque para suas obras-primas para discos de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Foram muitos (em sua carreira, aproximadamente 500 capas).

- Quando fui trabalhar no Dedoc da Abril no início dos anos 90, tive a honra de ajudar a equipe do Almanaque Brasil em suas pesquisas mensais sobre a cultura brasileira. O Almanaque é uma das mais importantes obras culturais feitas no país e ainda carece de um estudo mais aprofundado. São anos e anos de publicação, primeiro como revista de bordo da TAM e depois seguindo independente. Conheci na ocasião a querida fotógrafa Iolanda Husak, ex-esposa e amiga para toda vida de Elifas - ela também uma insaciável batalhadora da democracia - Bento, o editor (e filho dos dois) e a ótima equipe da revista.

- No ano passado, consegui o telefone do Elifas e liguei na raça. Estava escrevendo a biografia do Joselito Mattos (outro grande capista) e queria saber alguns detalhes de sua produção no mercado fonográfico. Ele foi de uma simpatia e docilidade extrema e nosso papo acabou se alongando por mais de meia hora! Um grande momento que não esquecerei jamais.

Por essas e outras, Elifas permanecerá em nossa mente, coração e claro, em nosso olhar. Basta olharmos uma ilustração editorial, um cartaz, uma capa de livro ou uma capa de disco desse artista magnífico, que sua sensibilidade artística nos acalentará sempre.

Para ver sua obra e carreira, aqui: http://www.emporioelifasandreato.com.br/main.asp

José Zinerman Nogueira: o "Fóssil Vivo do Underground" a todo vapor!

O caríssimo José 'Zinerman' Nogueira, amigo de muitas e boas, não para quieto e diariamente - repito - diariamente, cria programas, produz vinhetas, desencava tesouros culturais e cria arte de todas as formas (gráfica, plástica, visual, etc). Com seu humor rápido, suas tiradas únicas, cenário psicodélico (do seu próprio QG) e trilhas sonoras tiradas de seu baú de preciosidades, Zinerman anda botando fogo nas noites enfadonhas e dias modorrentos do Instagram. Pra quem não sabe, o Nogueira é cofundador ao lado de Sylvio Passos do primeiro fã clube oficial do Raul Seixas e criador de outros tantos fã clubes pioneiros do rock tupiniquim. Também é um dos fanzineiros mais antigos e atuantes no Brasil, se correspondendo com artistas e escrevinhadores do mundo todo! Eu tive o privilégio de colaborar em alguns zines seus. O seu acervo cultural já alimentou inclusive muitas produções literárias, radiofônicas e cinematográficas. Quem tiver fôlego e quiser acompanhá-lo no Insta, é só buscar seu nome lá: José Zinerman Nogueira. O homem não para! (abaixo, um dos últimos vídeos de sua lavra)




29 de março de 2022

Jean

Soube hoje que mais um amigo de real grandeza desencarnou. O Jean, além do caráter ilibado e da amizade para toda obra, era um grande conhecedor da história e da discografia do rock e um aficionado por cinema clássico. Que o digam os frequentadores e amigos que o encontravam a postos na tradicional Metal Music no centro de Santo André - o bom papo podia durar horas! Assim foi por duas décadas, lembrando e indicando lados Bs matadores, faixas injustiçadas e discos imperdíveis. Antes, foi proprietário de loja de discos e frequentador de centenas de shows e festivais de rock a partir do final dos anos 60. No início da década passada, numa fase em que revendia vistosas camisetas de rock (eu acabei comprando várias que uso até hoje), foi um dos amigos mais atuantes na montagem das duas edições da Expo Beatles, que eu, o Henrique Valsésia e o Mário Mastrotti montamos em São Caetano com grande sucesso. Seguimos com a amizade e na pandemia conseguimos trocar muitas figurinhas via whatsapp - cheguei a lhe emprestar uma sacola de DVDs para que suportasse bem essa fase de recolhimento. Na última troca de mensagens, há 15 dias, mandei mais uma lista de filmes para ele escolher e ele agradeceu do jeito que sempre respondia: "Valeu, Poeta!". Ele vinha reclamando de um cansaço extremo há um termpo - ele que sempre foi um andarilho raiz - e tinha exames agendados para checar o coração. Estranhei que ele não me retornou sobre os filmes, até que hoje o baque: ele tinha sido internado na semana com pneumonia e não resistiu a uma infecção. Siga em paz, querido amigo Jean, e que se faça um grande concerto de rock para celebrar sua chegada em um lugar de muita harmonia e luz - um reflexo natural para sua alma nobre.

                                   (crédito: Metal Music - Santo André)

26 de março de 2022

Baú do Malu 85: "Corça e Leão" de Adalzira Bittencourt (1929)

Este curioso livro de poesias da década de 1920 eu encontrei em um antiquário na região de São Pedro-SP há uns anos atrás. A bela e sensual capa não tem assinatura, mas dá provas de que a arte editorial ainda seguia os ares libertários franceses, postura que só ia declinar na segunda guerra mundial, quando passou a imperar o olhar americano, mais pudico. A poesia de Adalzira reflete a capa, com trechos como esse: "Em momentos risonhos/ Ó meu amor/ Quisera ser a bailadeira dos teus sonhos/Nua/ Pompeando a minha carne em flôr à luz da lua/ No bailado do amor.". A obra segue entre momentos de volúpia e prazer (leão) e singeleza e castidade (corsa), até que em certo momento, absorve um estado de amor obsessivo e doentio, onde há até a vontade de exterminar uma possível adversária (!Mas se eu souber/Que existe outra mulher/Que saiba amar mais do que eu/Hei de matá-la"). Adalzira tem uma vasta obra literária e atuou em vários campos: direito, literatura, política, ação social e foi uma das primeiras mulheres a lutar por um feminismo com características mais voltadas para a realidade brasileira. Mais uma grande mulher que merece ter sua vida contada em biografia ou no cinema. Seu perfil no wikipedia é bem completo e pode ser lido aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Adalzira_Bittencourt






17 de março de 2022

Murmur Fest


O meu sobrinho Gui mandou esse folder-convite da Murmur Fest, que rolará na Biblioteca Monteiro Lobato em São Bernardo, no dia 02/04, e eu não perco por nada! O Guilherme e a grande turma que trabalha com ele na produtora independente Murmur tiram leite de pedra para fazer um cinema honesto, verdadeiro e principalmente emocionante (com todas as nuances e ramificações que essa palavra comporta). Nesse primeiro festival organizado por eles, serão apresentados cinco curta metragens - dois que já rodaram o circuito alternativo ("Boo.pp4" e "Hóspede, Exploração e Recompensa") e três inéditos! Isso mesmo: "Bebê Diabo de São Bernardo"; "Feliz Aniversário, Mamãezinha" e "Quando o Abismo Olha de Volta" estreiam nesse dia. Após as exibições, haverá um bate-papo com os realizadores dos filmes. Uma grande oportunidade para o público conhecer de perto a produção corajosa e meticulosa dessa equipe que eu tive a honra de conhecer in loco, na minha própria casa, quando eu e minha esposa Cris abrimos as portas para a gravação de algumas cenas do curta "Bebê Diabo de São Bernardo". Ali, convivendo por três dias (em dois períodos diferentes) com toda a produção (diretor, roteirista, contrarregra, iluminador, fotógrafo, maquiador, atores, etc) pude comprovar a entrega de todos em nome da sétima arte. A maioria jovens, e totalmente compenetrados e (na medida do possível) pacientes, com a árdua, extenuante e cansativa maratona que é produzir um filme com pouca grana, poucos recursos, mas muita disposição e coragem. Fazer cinema no Brasil não é para os fracos e a Murmur marca presença com pegadas fortes no presente e no futuro do cinema nacional.

- Murmur Fest - Dia 02/04 às 14h

Biblioteca Monteiro Lobato - Rua Dr, Flaquer, 26 - Centro - São Bernardo do Campo - SP 

GRÁTIS

19 de fevereiro de 2022

HQ Memories 3

O caríssimo Luigi Rocco, quadrinhista, caricaturista, cartunista e pesquisador de HQs, acabou de lançar a edição 3 de seu fanzine "HQ Memories" e mais uma vez surpreende com a seleção de histórias clássicas. Neste número, veio com uma sequência praticamente inédita de "Vizunga", de Flavio Colin (1930-2002), tira editada por Mauricio de Sousa e publicada na Folha de S.Paulo em meados dos anos de 1960. Vizunga já tinha sido publicado na revista da Vecchi "Eureka", editada pelo saudoso Octacílio d'Assumpção (Ota) nos anos 1970, e essa parte selecionada por Luigi é a sequência imediata da publicada na época. Seguindo na revistinha, temos a nobre presença do "monstro" Wallace Wood ("Animan"), mais uma criação do pioneiro desenhista dos estúdios de Mauricio de Sousa, Joel Linck ("Bosque Encantado"), que já tinha aparecido em HQ Memories 2 e uma alucinante história da fase europeia de Alain Voss (outro que apareceu no fanzine anterior), "Maxime, o Motoqueiro", de 1974, que fecha essa edição com grande fôlego. HQ Memories é um lançamento que merece chegar ao maior número de apreciadores da velha e boa História em Quadrinhos. Luigi Rocco vem resgatando raridades absolutas, além de colocar tudo em uma embalagem muito bem feita, com capa cartão e papel do miolo de ótima qualidade, cores expressivas na capa e contracapa, além das traduções, letras e edição de arte sempre com muito esmero. Por tudo isso e pela importância do seu surgimento nesse momento tão delicado do mercado em meio a pandemia, desejo uma vida longa, muito longa a HQ Memories!

Quem quiser adquirir o fanzine, é só escrever para o Luigi Rocco no e-mail: luigirocco29@gmail.com e ele vai dar todas as coordenadas.

Doodle: Dina Di (1976-2010)

O Google fez uma bela homenagem hoje ao criar um "doodle" exclusivo nacional da pioneira do hip-hop no Brasil Dina Di (1976-2010), nascida Viviane Lopes Maties, que faria 46 anos hoje. Dina foi MC do coletivo feminino Visão de Rua, ao lado dos artistas Tum e DJ OG, e juntos lançaram o single "Confidência de uma Presidiária", que trazia na letra a dura realidade do sistema prisional feminino, vivido na pele pela própria Dina. Sua mensagem inspirou outras mulheres da periferia a tentarem a sorte no universo hip-hop e hoje é considerada uma desbravadora. Dina faleceu em 2010, depois de contrair uma infecção hospitalar logo depois de dar à luz a sua filha Aline.



18 de fevereiro de 2022

Mauricio Kus (1929-2022)

Registro minha homenagem ao iluminado Mauricio Kus, falecido recentemente aos 92 anos, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ter trocado "figurinhas" por anos. Jornalista, produtor, assessor de imprensa e uma verdadeira "enciclopédia cultural", Kus esteve de corpo e alma em acontecimentos cruciais da vida cultural brasileira. Ele, em suas reportagens, assessorias, ou mesmo como anfitrião de visitantes internacionais em São Paulo, acompanhou estrelas de alto quilate e personalidades ilustres. Uma delas foi a lendária Katherine Dunhan, bailarina, coreógrafa, antropóloga e ativista americana, responsável direta pela Lei Afonso Arinos depois que o luxuoso Hotel Esplanada no centro de São Paulo recusou sua hospedagem quando soube se tratar de uma pessoa negra. O projeto de lei do deputado homônimo, que foi criado logo depois do incidente e virou lei um ano depois, em 1951, transformava em contravenção penal qualquer recusa de hospedagem de hotel, matrícula de escola, entrada em estabelecimento comercial ou contratação em empresa por preconceito de raça. Mauricio Kus, que entrevistara Katherine por conta do triste episódio para o "Correio Paulistano", foi um dos mais veementes na cobertura, classificando o ocorrido como "revoltante incidente". Logo depois da entrevista, a americana convidou-o para assistir a matinê dominical no Teatro Municipal, e ele, mesmo perdendo a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai ( o famoso "Maracanaço", desastroso momento do nosso futebol), topou na hora - e não se arrependeu. Assim foi na vida: não perdia a oportunidade de participar intensamente de momentos que podiam transformar o mundo a sua volta. Na pioneira "Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos", de 1951, que exibiu as HQs pela primeira vez no mundo como "obra de arte", lá estava Kus como peça-chave dos bastidores, ao abrir as portas (depois de várias reuniões exaustivas com a diretoria) do Centro Cultura e Progresso no bairro do Bom Retiro, para a realização do evento. Sem ele e sua insistência, os organizadores Álvaro de Moya (seu amigo desde sempre), Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado, Syllas Roberg, e o mundo, não teriam a  chance de ver concretizada a primeira exposição de quadrinhos do mundo! Outro momento de pioneirismo foi quando participou como jurado da 1ª Edição do Troféu Imprensa, em 1960. Durante a vida toda, escreveu muito sobre TV, Teatro, Música e principalmente Cinema, em diversos veículos da grande imprensa e alguns mais direcionados, como "O Espetáculo". Quando finalmente se "oficializou" como assessor de imprensa, também revolucionou na profissão e praticamente criou a função de assessor de grandes estúdios cinematográficos no Brasil (e repetiu a dose para as áreas hoteleiras, de aviação e de varejo). Virou um grande divulgador do cinema nacional, incluindo todos os filmes de Walter Hugo Khoury, abriu uma importante empresa de assessoria (PR Comunicação, depois Chaits) e se tornou representante da Braniff International Airways no país. Eu conheci Kus em um evento de comunicação há muito tempo e nos últimos anos trocávamos mensagens ou telefonemas (não tão assíduas, mas pra mim sempre valiosas). Quase sempre me ajudava a achar a saída de algum beco que eu tinha me metido em minhas pesquisas culturais. Em 2015, fez questão de mandar um convite de uma peça de teatro que ele estava produzindo/assessorando em São Bernardo, e que ele sabia ser cidade vizinha minha. Mesmo com um buraco no coração pela partida em 2007 da companheira de vida Sara, colocou sempre seu humor e espontaneidade em patamares elevados e se manteve na ativa até o último momento. Vá em paz, mestre! Grandes astros o aguardam mais uma vez!

Walter Hugo Khoury, Sandra Bréa e Mauricio Kus em 1979 (divulgação/grupo Sandra Bréa/FB)


6 de fevereiro de 2022

Grande Capa: Piauí 185 - Fevereiro de 2022



Essa capa maravilhosa da última Piauí tem essa ilustra incrível da fabulosa Elza Soares, falecida recentemente. O nome deste trabalho, ilustrado por Vito Quintans, não por menos, tem o adequado nome de "A Voz do Milênio". Ela foi por zilhões de motivos a verdadeira "Voz do Milênio" e ninguém tira isso dela (e se alguém for contestar, vai ter que trazer provas em contrário...rs). O desenho de Elza foi encomendado pela revista e as 50 personalidades que aparecem na cabeleira da cantora foram escolhidos pelo pesquisador e compositor Nei Lopes e pela pesquisadora Cléa Maria Ferreira (as identificações de cada um estão no site revistapiaui.com.br). Uma das grandes capas do ano, certamente. O único deslize da redação da Piauí, ao meu ver, foi não ter aproveitado essa fronte tão frondosa e não ter feito uma matéria sobre Elza Soares - não tem uma mísera notinha sobre a cantora na edição inteira. Fica aqui o meu protesto.

4 de fevereiro de 2022

Doodle: Jogos de Inverno de Pequim (Beijing 2022)

 Hoje o Google lançou um Doodle animado bacanudo com o tema dos Jogos de Inverno de Pequim. Vejam abaixo. (ainda acho que essas animações tinham que vir com o crédito dos criadores, que geralmente são muito bons. Inclusive tem a equipe brasileira, que lança ilustrações e animações inéditas em efemérides nacionais)



2 de fevereiro de 2022

Isaac Bardavid (1931-2022)


Uma das vozes mais marcantes da dublagem brasileira silenciou ontem: Isaac Bardavid, grande ator e dublador, faleceu aos 90 anos (faria 91 em 13/02) em sua cidade natal, Niterói/RJ. Dono de uma voz única - grave, potente, poderosa - dublou personagens marcantes do cinema e da TV: Esqueleto (vilão de He-Man), K.I.T.T (o computador do seriado Super Máquina), Tigrão (o amigão do ursinho Pooh), o treinador de Hércules, Filoctetes, no desenho homônimo da Disney; Capitão Haddock ("As Aventuras de Tintim") e principalmente Wolverine (dublou o personagem por 23 anos), seu papel preferido. Esses são os mais lembrados, mas tem centenas de outras participações que merecem citação. Vou citar mais 22: Rei Harold (pai de Fiona em Shrek); Rei Tritão ("A Pequena Sereia"); Robert Baratheon ("Game of Thrones"); tio Fester Addams (em "A Família Addams" 1 e 2); Jor-El (em "Superman - O Filme"); Chefe Powhatan (dos dois "Pocahontas"); Obi-Wan Kenobi ("Guerra nas Estrelas"); o narrador de "Horton e o Mundo dos Quem"; Richard Nixxon ( interpretado por Anthony Hopkins no filme "Nixxon'); Odin (em "Thor" e "Thor - O Mundo Sombrio"); Presidente Snow (da franquia "Jogos Vorazes"); Abutre ("Era do Gelo 2"); Horácio Slughorn (nos filmes de Harry Potter); Tio Patinhas (como Ebenezer Scrooge em "O Conto de Natal do Mickey"); o promotor de "Os Intocáveis"; Capítão Gancho (de "Jake e os Piratas da Terra do Nunca"); Robotnik (da franquia "Sonic"); Yao ("Mulan"); Billy Bones ("Planeta do Tesouro"); Joshamee Gibbs (dos filmes "Piratas do Caribe"); Agamenon (do filme "Troia"); Pandam (em "Pokémon: Sun & Moon"). E mais, muito mais. Alguns atores como Ian Holm, Albert Finney e Martin Landau, vira e mexe tinham dublagem dele. Não bastasse essa imensa carreira como dublador, foi ator dos bons em peças, programas de humor, séries e novelas, e um poeta esporádico ( lançou o primeiro livro em 2016 e o segundo já estava quase pronto). Fica aqui a minha sincera homenagem a esse artista gigante.
(abaixo, o momento em que Isaac conheceu o ator Hugh Jackman/Wolverine em 2017, no programa The Noite no SBT).




26 de janeiro de 2022

O livro do Vitorio Cestaroli será lançado hoje!

 


Este é o livro do grande Vitorio Cestaroli, saído fresquinho da gráfica. O projeto, por vários motivos, levou alguns anos para ficar pronto e fazer parte da equipe que o ajudou na elaboração (fiz a revisão e o texto da quarta capa), ainda mais no meio dessa pandemia, é realmente um privilégio e um contentamento sem tamanho. Vitório abriu seu coração e mente para contar detalhes e momentos de sua longa carreira na publicidade e no meio editorial, em empresas como Editora Abril, Globo, Mesbla e OESP, e também passagens de sua vida em família, no futebol e na assistência social. Uma trajetória marcada pelo seu temperamento forte e muitas vezes a flor da pele, mas sempre leal, honesto e sincero. As fotos históricas, com grandes profissionais da publicidade, times em que jogou, viagens em família, aliadas às ilustrações fidedignas do ótimo Mario Mastrotti (mais uma vez, meu caminho cruza o do Mastrotti, com quem já fiz projetos inesquecíveis), algumas hilárias, dão o tempero certo para essa intensa autobiografia. A acuidade gráfica da Grife Publicações também deve ser mencionada. Mando mais uma vez os parabéns ao Vitorio e vou fazer o possível para estar presente hoje no seu lançamento às 19:30h no Clube São Caetano, local tradicional aqui da minha cidade, frequentado pelo autor há décadas. A capa aí em cima tem ilustração e lettering do Mastrotti e aqui embaixo segue a dedicatória que o Vitório fez pra mim.