No dia 23/01/2001, eu e meu grande amigo Cido (hoje mais conhecido como Cidoli) fomos prestigiar o lançamento simultâneo do Projeto 13, da Editora DBA, que iria publicar (e publicou) ao longo do ano e no correr de 2002, 13 livros sobre os maiores clubes do Brasil: Flamengo (por Ruy Castro), Santos (por José Roberto Torero), Corínthians (por Washington Olivetto), São Paulo (por Alberto Helena Junior), Palmeiras (por Mário Prata), Botafogo (por Sérgio Augusto), Fluminense (por Nélson Motta), Vasco (por Aldir Blanc), Grêmio (Eduardo Bueno), Inter (Luís Fernando Veríssimo), Atlético Mineiro (Roberto Drummond), Cruzeiro (Jorge Santana) e Bahia (Bob Fernandes). Dos autores, só não avistei no bar São Cristóvão naquela noite (um bar temático sensacional na Vila Madalena) o Aldir e o Drummond. O restante estava lá, numa animação bem espontânea. Sentei como meu chapa Cido - mais um oriundo das fileiras do histórico Dedoc da Abril - e logo percebemos que a mesa mais animada do pedaço - com Casagrande, Sócrates, Biro-Biro e outros - estava bem ao nosso lado, com uma montanha de gargalos de cerveja no centro da roda servindo de decoração. Depois de alguns depoimentos, momentos clássicos da peleja nacional no telão e garçons solícitos trazendo muita bebida e acepipes na nossa mesa, uma cena me chamou a atenção na entrada do movimentado boteco: na porta, com um ar de quem estava totalmente deslocado do ambiente, olhando pra várias mesas pra ver se conhecia alguém, o inoxidável Roberto Dinamite, maior artilheiro da história do Vasco da Gama (com 708 gols em 1110 jogos), ao lado de um amigo. Eu, que já estava com algumas ampolas a mais de cerveja na cachola, não titubeei e gritei com todas as minhas forças, acenando para o craque carioca: "Roberto, Roberto, aqui...senta aqui...". Quem estava perto, podia jurar que essa minha intimidade revelada aos gritos vinha certamente de um amizade de anos. Qual o quê - essa naturalidade nada mais era que "pingaiada" mesmo. Dinamite, num primeiro momento, titubeou, firmando a vista para ver se me reconhecia. Na segunda vez que eu gritei, sorriu e veio decidido, em passos rápidos, de encontro à nossa mesa. O grande Roberto Dinamite sentou na nossa mesa! E em poucos minutos, deixou a timidez de lado e mostrou toda a sua simpatia e humildade, numa conversa que se estendeu até o fim do encontro. Entre risadas e memórias inesquecíveis, lembrei, como bom corinthiano, daquele jogo que nenhum alvinegro com mais de cinquenta e cinco anos esquece, em que ele fez os cinco gols na vitória do Vasco da Gama no Corínthians por 5x2 no dia 04 de maio de 1980 no Maracanã. Eu, com 12 anos na ocasião, fiquei triste e chocado com aquele chocolate cruzmaltino, mas foi ali também que comprovei que o nosso carrasco daquele dia era realmente um dos mais importantes goleadores brasileiros de todos os tempos. E como eu e o Cidão comprovamos naquele dia tão especial, um ser humano de primeira. (p.s: como era de praxe na época, não tiramos foto da nossa animada mesa - uma lástima! Ficou de lembrança o cartão que o Roberto deixou pra gente - na foto acima, junto à nota da Folha sobre o lançamento).
11 de abril de 2026
30 de março de 2026
Que Capa! Mendez em "O Malho" de fevereiro de 1945
13 de março de 2026
3º Sarau Literário da Casa das Ideias: um sucesso!
Mantendo o ritmo quinzenal desta coluna, hoje destaco a iniciativa dos proprietários da Livraria Casa das Ideias, que além de abrirem espaço aos apreciadores da boa literatura, estão conseguindo promover encontros entre clientes e escritores, numa atividade diferenciada, distante da concorrência digital dos tablets e Iphones.
Desde a sua fundação em 2024, a Livraria Casa das Ideias sempre visou oferecer um espaço literário além dos limites dos shoppings e bienais do livro – movimentando a cidade ao disponibilizar um ambiente doméstico para encontros poéticos, com intervenção gráfica de vozes de diversos segmentos culturais.
Com a curadoria e parceria do escritor e amigo Marcos Massolini, em fevereiro de 2025 aconteceu o primeiro sarau, que reuniu cerca de 50 pessoas entre escritores, declamadores e expositores. Superando as expectativas, no mesmo ano aconteceu o segundo encontro com um público mais amplo e diversificado, atraindo membros da Academia Popular de Letras e da Fundação Pró Memória, ambas de São Caetano do Sul.
Esse resultado positivo possibilitou um novo encontro, e no último sábado, dia 7 de março, aconteceu o 3° Sarau Literário. O evento contou com novas atrações, como a primeira Feira de Autores da Casa das Ideias, que trouxe editores do ABC e da Grande São Paulo para um público ansioso por novidades no mercado literário.
Estiveram presentes a diretora das bibliotecas municipais de SCS, Ana Maria Guimarães Rocha, o casal poético Zhô Bertholini/Jurema Barreto de Souza, a editora e escritora Solange Sólon Borges, o cineasta Guilherme Scapacherri, o escritor Nelson Albuquerque, o mestre de cerimônias Magno Veiga, o caricaturista Mário Mastrotti, o artista plástico Luiz Gonzaga, o publicitário Paulo Sacheta, a artista Marisa Castro, e eu, que não poderia deixar de prestigiar essa ação …
Nem a tarde chuvosa apagou a celebração, com sorteio de obras, quiz literário e premiações, declamação de poesias, troca de livros e oficina de artes. Transitando entre a tradição e a modernidade, os DJs Rogério, Léo Engelmann e Arnaldo Rhomens animaram o universo pensante do ABC.
E como dizia o escritor Frederick Douglas “Uma vez que você aprende a ler, será livre para sempre”
A Livraria Casa das Ideias fica na Rua Oriente, 246, no Bairro Barcelona, em São Caetano, ao lado do tradicional Bar do Nelson, fundado em 1953.
A cultura da cidade sobrevivendo ao tempo.
@rickandroll_
7 de fevereiro de 2026
16 de janeiro de 2026
Novo blog: As Capas Fonográficas de Joselito Mattos
Já está no ar o blog "As Capas Fonográficas de Joselito Mattos". Como eu havia prometido no livro biográfico que fiz em 2023 - "Joselito Mattos Solta seus Bichos" (Ed. Noir) - as capas que não entraram no livro, seriam disponibilizadas na rede futuramente. A ideia original era listar as capas num post aqui mesmo, no Almanaque, mas a criação de um blog específico se mostrou mais eficaz, além de não se ater a uma mera lista. Além das capas que foram pesquisadas, mas não entraram na biografia, há muitas capas de autoria de Joselito a serem registradas e descobertas. Por isso peço aos amigos e colegas pesquisadores que mergulham nesse reduto mágico das capas de discos - João Antônio Buhrer, KL Bahia, Floreal Andrade, José Zinnerman Nogueira, Gonçalo Junior, Egeu Laus, Ruy Castro, César Guisser, Luiz Octavio de Oliveira, Marcelo Fróes, Gilberto Inácio Gonçalves, Herom Vargas Silva, Ricardo Leite, e tantos outros - que mandem as capas criadas por Joselito (seja solo ou em parceria) para o meu e-mail marcosmassolini@uol.com.br, em alta resolução e se possível com dados como ano, gravadora e se estiver descrito, a especificação exata na ficha técnica (layout, fotografia, design, ilustração, ou como costuma vir, capa).
O endereço do blog é: www.ascapasdejoselitomattos.blogspot.com
Em tempo: não me esqueci das capas de revistas e de livros. Para não misturar com os discos, haverá num futuro próximo o blog específico para estas capas de Joselito Mattos.
11 de janeiro de 2026
Poesias viscerais diretamente do Ceará
No ano passado, participei mais uma vez do melhor evento de quadrinhos de São Paulo, o Gibi SP Festival, capitaneado pelos queridos Wilson Simonetto e Helena Hernandes. Entre tantas surpresas boas e encontros emocionantes, pude finalmente conhecer ao vivo o escritor e pesquisador Eduardo Pereira, que veio diretamente de Fortaleza-CE para lançar a sua biografia sobre Akira Toriyama, criador do megassucesso "Dragon Ball". Não pudemos conversar tanto como gostaríamos, por conta da movimentação constante em nossas respectivas mesas do evento, mas conseguimos trocar rapidamente bons papos culturais. Gentilmente, Eduardo, sabendo de meu gosto e de minhas atividades como poeta, me presenteou com livros de poesias viscerais, cada um a seu modo, e com fortes laços com o Ceará. Abaixo, um pouco sobre eles:
Fúria/José Alcides Pinto
José Alcides Pinto (1923-2008), jornalista, escritor e poeta nascido em Fortaleza-CE, é um verdadeiro ícone da poesia brasileira e um dos nomes mais conhecidos da Geração de 45. Filho de um capitão de tropa de ciganos, exerceu a pofissão de jornalista em vários jornais da capital federal entre os anos 1940 e 1960, como Diário Carioca, O Jornal, Diário de Notícias, Correio da Manhã, além da revista Leitura. Para os irmãos Pongetti, organizou duas antologias de novos poetas brasileiros, em 1950 e 1951 e em 1956, fundou no Ceará uma sucursal do movimento concretista. Com mais de 50 livros na carreira, entre contos, romances, poesia, ensaios críticos e peças teatrais, ganhou o prêmio Olavo Bilac pelo conjunto da obra, outorgado pela ABL. Sua literatura, carregada de polêmicas (sua obra poético-erótica Relicário Pornô, de 1982, é uma das mais incensadas e discutidas dentro desse gênero literário), vem recheada de mistérios, sobressaltos, universos fantásticos e sobrenaturais - como ele mesmo sempre deixava claro em suas conversas. Morreu atropelado por uma motocicleta em Fortaleza, aos 85 anos, em plena forma intelectual.
Poemas do Povo da Noite/ Pedro Tierra
Pedro Tierra é o pseudônimo de Hamilton Pereira da Silva, um sobrevivente do inferno carcerário do período mais perverso da ditadura militar. Esse livro nasceu dentro de centros de detenção e porões de tortura, com poemas lidos e declamados posteriormente em reuniões e atos pela Anistia e democracia na virada dos anos 1970/1980. A obra já está em sua 5ª edição, a última, publicada pela Fundação Perseu Abramo.
Esse livro de poesias de Paulo Alberto Moretzsohn Monteiro de Barros (nome de batismo do colunista e político Artur da Távola, 1936-2008) passou quase despercebido em 1986. Távola, que teve seu mandato de deputado estadual cassado pelo regime militar e iniciou sua carreira de comunicador no Chile, onde se exilou, já era bem conhecido como jornalista em jornais impressos (onde mantinha colunas sociais e sobre TV) quando lançou esse livro de poesias. Deputado Constituinte e um dos fundadores do PSDB, apresentou em seguida um programa sobre música clássica na TV Senado (por quase 20 anos) e foi diretor da Rádio Roquette Pinto. Lançou vários livros com o pseudônimo que usava na imprensa, mas um de seus grandes sonhos era ser reconhecido como poeta. Não conseguiu, mas graças a sua viúva Mirian Ripper - que dizia que o marido deixara poemas inéditos para três livros - teve um livro póstumo lançado, com 24 poemas inéditos (selecionados por Mirian), O Jugo das Palavras (Record, 2013). A sua poesia é bem interessante e transborda jogo de palavras, em um ritmo alucinante.

















