11 de abril de 2026

Eu, Cido e o Roberto Dinamite


No dia 23/01/2001, eu e meu grande amigo Cido (hoje mais conhecido como Cidoli) fomos prestigiar o lançamento simultâneo do Projeto 13, da Editora DBA, que iria publicar (e publicou) ao longo do ano e no correr de 2002, 13 livros sobre os maiores clubes do Brasil: Flamengo (por Ruy Castro), Santos (por José Roberto Torero), Corínthians (por Washington Olivetto), Palmeiras (por Alberto Helena Junior), Palmeiras (por Mário Prata), Botafogo (por Sérgio Augusto), Fluminense (por Nélson Motta), Vasco (por Aldir Blanc), Grêmio (Eduardo Bueno), Inter (Luís Fernando Veríssimo), Atlético Mineiro (Roberto Drummond), Cruzeiro (Jorge Santana) e Bahia (Bob Fernandes). Dos autores, só não avistei no bar São Cristóvão naquela noite (um bar temático sensacional na Vila Madalena) o Aldir e o Drummond. O restante estava lá, numa animação bem espontânea. Sentei como meu chapa Cido - mais um oriundo das fileiras do histórico Dedoc da Abril - e logo percebemos que a mesa mais animada do pedaço - com Casagrande, Sócrates, Biro-Biro e outros - estava bem ao nosso lado, com uma montanha de gargalos de cerveja no centro da roda servindo de decoração. Depois de alguns depoimentos, momentos clássicos da peleja nacional no telão e garçons solícitos trazendo muita bebida e acepipes na nossa mesa, uma cena me chamou a atenção na entrada do movimentado boteco: na porta, com um ar de quem estava totalmente deslocado do ambiente, olhando pra várias mesas pra ver se conhecia alguém, o inoxidável Roberto Dinamite, maior artilheiro da história do Vasco da Gama (com 708 gols em 1110 jogos), ao lado de um amigo. Eu, que já estava com algumas ampolas a mais de cerveja na cachola, não titubeei e gritei com todas as minhas forças, acenando para o craque carioca: "Roberto, Roberto, aqui...senta aqui...". Quem estava perto, podia jurar que essa minha intimidade revelada aos gritos vinha certamente de um amizade de anos. Qual o quê - essa naturalidade nada mais era que "pingaiada" mesmo. Dinamite, num primeiro momento, titubeou, firmando a vista para ver se me reconhecia. Na segunda vez que eu gritei, sorriu e veio decidido, em passos rápidos, de encontro à nossa mesa. O grande Roberto Dinamite sentou na nossa mesa! E em poucos minutos, deixou a timidez de lado e mostrou toda a sua simpatia e humildade, numa conversa que se estendeu até o fim do encontro. Entre risadas e memórias inesquecíveis, lembrei, como bom corinthiano, daquele jogo que nenhum alvinegro com mais de cinquenta e cinco anos esquece, em que ele fez os cinco gols na vitória do Vasco da Gama no Corínthians por 5x2 no dia 04 de maio de 1980 no Maracanã. Eu, com 12 anos na ocasião, fiquei triste e chocado com aquele chocolate cruzmaltino, mas foi ali também que comprovei que o nosso carrasco daquele dia era realmente um dos mais importantes goleadores brasileiros de todos os tempos. E como eu e o Cidão comprovamos naquele dia tão especial, um ser humano de primeira. (p.s: como era de praxe na época, não tiramos foto da nossa animada mesa - uma lástima! Ficou de lembrança o cartão que o Roberto deixou pra gente - na foto acima, junto à nota da Folha sobre o lançamento).

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