27 de julho de 2012

Chopnics

Com a morte do Ivan Lessa e a notícia de que Jaguar está adoentado ( no ano de seu 80º aniversário - veja crônica no fim do post ), não me saiu da cabeça a clássica tirinha Chopnics. A idéia de criá-la partiu do publicitário Zequinha de Castro Neves para o lançamento da cerveja Skol em 1964. Zequinha pediu para a dupla Jaguar (desenhos) e Ivan Lessa (textos) uma tira de quadrinhos para ser publicada em dois grandes jornais cariocas ( Correio da Manhã e O Globo). O nome Chopnics surgiu de uma brincadeira com as palavras chopp e beatniks. As histórias mostravam a Ipanema da época, principalmente a praia, os botecos e seus frequentadores, inspirados nos amigos reais dos criadores. Hugo Bidet, figura mítica do Rio e que ganhou seu apelido depois de servir feijoada em um bidê numa festa em sua casa, virou o personagem BD. Logo em seguida surgiu seu alter ego, Capitão Ipanema, que ao pronunciar a palavra mágica SKOL ( à semelhança do SHAZAM do Capitão Marvel original) ganhava superpoderes e defendia como podia a comunidade ipanemense. O detalhe é que se o capitão ultrapasse os limites do bairro, seus poderes desapareciam. O Hugo Bidê de carne e osso tinha um ratinho branco de mascote, a quem chamava de Ivan Lessa, que o acompanhava em sua rota de botecos.

Esse ratinho logo estava nas tirinhas, no ombro do Capitão Ipanema, e seria a inspiração para o famoso ratinho Sig que surgiria ainda no Chopnics e anos depois seria o símbolo do famoso jornal Pasquim. Sig para quem não sabe veio de Sigmund Freud, pois segundo Jaguar, o ratinho era um roador muito neura, atormentado de paixão pelas belas mulheres da época.
Segue entrevista reveladora de Jaguar pelo Jornal da ABI ( não percam o trecho em que ele narra as peripécias do Sig  de verdade - hilário) e  três do "Chopnics", que ficou na história por ser uma tirinha de humor genuinamente nacional (e adulta), num tempo em que só se via nos jornais tiras de aventuras ou infantis. Pena que Jaguar nunca teve saco pra desenhar HQ - seu foco sempre foi o cartum. Mas que bom que por alguns anos, ele tenha se "sacrificado" por essa boa causa. Viva Jaguar e viva Ivan Lessa!
*Entrevista Jornal da ABI: http://www.abi.org.br/primeirapagina.asp?id=3043
*Crônica no O Dia: http://odia.ig.com.br/portal/opiniao/jaguar-piscina-de-cerveja-1.465366
*Três tiras ( só consegui essas na internet, pelo site Abralatas. Para quem quer conhecer mais sobre, dá pra achar em sebos ou em sites de compras o Almanaque do Jaguar 3, especial com os Chopnics - capa no final):




Dércio Marques (1947-2012)

Ontem estava eu escutando na rede, músicas e depoimentos do grande menestrel Elomar. Parei em um programa documentário da TV Cultura postado no Youtube, onde alguns representantes da boa e escondida música dos grotões brasileiros explanavam sobre a genial obra de Elomar. Em uma dessas participações, gravou-se uma roda de cantoria com Saulo Laranjeira ( humorista e pesquisador cultural - o "político corrupto" da Praça) e Dércio Marques. Na hora me atentei na viola de Dércio e me lembrei que já ouvira seu nome e seus dedilhados em obras e faixas diversas da minha discoteca: em uma coletânea homenageando São Tomé das Letras; na produção de LP da Diana Pequeno, descoberta por ele ( e com quem foi casada); e no excepcional LP de sua estréia fonográfica, "Terra, Vento, Caminho" (1977), da gravadora Marcus Pereira, onde grava o ainda pouco conhecido Elomar ("Curva de Rio") e Ataualpa Yupanqui (talvez um dos primeiros brasileiros a interpretá-lo).
Como de praxe fui pesquisar um pouco mais sobre Dércio na internet; e mais uma vez levei um baita tranco: o artista faleceu em junho ( mais precisamente no dia 26/06) depois de uma operação delicada. Mais uma vez, a mídia de São Paulo e Rio ficou devendo  sobre o falecimento de um legítimo e original artista de nossas raízes - saiu notinha no Terra, no Luis Nassif Online, uma boa matéria no Correio Popular de Campinas e o Wiki atualizou seu perfil ( as TVs passaram longe). O resto saiu na mídia mineira ( ele é natural de Uberaba e ultimamente vivia entre sua terra natal e a Bahia) e nordestina. Muito pouco para quem era reconhecido no meio como um dos grandes violeiros brasileiros. Para Xangai, companheiro de inúmeras apresentações, ele era "um musicaço, que deveria ser mais reconhecido por sua dignidade, competência e talento". Para Elomar, "o maior menestrel do Brasil". Violeiro, cantor, compositor, produtor e pesquisador musical, Dércio foi um dos maiores incentivadores e propagadores do folclore e das cantigas tradicionais da cultura popular. Dividiu palco com baluartes dessa tradição, como João do Vale, Heraldo do Monte, Oswaldinho do Acordeon, Elomar ( de quem foi um dos primeiros produtores), João Bá, entre tantos outros, e pesquisou exaustivamente as tradições e raízes musicais brasileiras, principalmente em seu cerrado natal.

Neste seara, destacam-se dois trabalhos primorosos: o disco "Fulejo"(Copacabana, 1983), onde mergulhou no Vale do Jequitinhonha atrás das verdadeiras congadas mineiras e o CD Folias do Brasil (2000), com foco na tradicional Folia de Reis. Ao lado de sua grande parceira em pesquisas, a irmã Doroty Marques, realizou um extenso trabalho de oficinas junto à 240 crianças de Uberlândia, que resultou no belo disco infantil "Monjolear", indicado ao prêmio Sharp em 1996. Um pouco antes já havia criado canções desse universo no disco "Anjos da Terra", para sua filha Mariana. Seu LP de 1979 pela Copacabana, "Canto Forte - Coro da Primavera", outro marco no nível do primeiro, foi produzido pela irmã Doroty e contou com um time formidável: Toninho Carrasqueira, Paulinho Pedra Azul, Oswaldinho do Acordeon, Heraldo do Monte, Zé Gomes, Irene Portela, o violonista Marco Pereira, etc. Também foi um dos primeiros compositores a inserir com seriedade o tema ecologia em suas músicas, principalmente sobre o bioma cerrado, tão presente em sua infância. Esse post, mesmo atrasado, é minha humilde homenagem à esse artista verdadeiro, que deixou pegadas profundas no solo brasileiro, principalmente em terras a muito abandonadas pelos holofotes midiáticos.
Algumas de suas canções/ interpretações:
* No programa Sr. Brasil do Rolando Boldrin: http://www.youtube.com/watch?v=8VDMwUu3LME
* Roda Gigante: http://www.youtube.com/watch?v=OFkkADAmrBM
* Marianinha: http://www.youtube.com/watch?v=QoLrR9su4yg&feature=related
* Natureza Oculta: http://www.youtube.com/watch?v=ZXU9k-mqWcA&feature=related
* Ciranda Lunar (com Daniela Lasalvia e Amauri Falabella) : http://www.youtube.com/watch?v=Rl3T9a8SeVU&feature=related
* Especial Cultura: http://www.youtube.com/watch?v=uOw3ux0qt1o&feature=related

Doodle olímpico

O Google está gastando "doodles" neste mês. Já homenageou Santos Dumont (já postado aqui) e a aviadora americana Amelia Earhart(aqui: http://sobreisso.com/wp-content/uploads/2012/07/google.png?9707a5) . Hoje, dia da abertura das Olimpíadas de Londres, apareceu mais uma ilustração especial, desta vez em homenagem aos jogos, com traços estilizados envolvendo com criatividade o logotipo do site de busca. Mais um trabalho legal da equipe criativa - deveria ter ficha técnica elencando os responsáveis...

26 de julho de 2012

Anima Mundi 2012

O Anima Mundi 2012 já está rolando à toda desde ontem em São Paulo. Além do número recorde de animações, o festival passa a contribuir com a seleção oficial do Oscar: a partir deste ano, o curta ganhador da mostra principal competitiva pode inscrever-se entre os pré-selecionados à estatueta da Academia de Hollywood. É a prova da legitimidade e importância conquistada pelo festival em seus 20 anos de vida.
Sigam a programação: http://www.animamundi.com.br/pt/festival/informacoes/programacao-rio-e-sao-paulo:646.html

24 de julho de 2012

Hunky Dory: a primeira obra-prima do camaleão

David Bowie incontestavelmente é o "camaleão" do rock, não só pela sua natural disposição em mimetismos vestuais e faciais mas também pelo seu caldeirão de influências, derramado nas canções híbridas de seu vasto acervo e em suas modulações vocais teatralizadas. Nascido David Robert Jones, usou seu nome de batismo nas primeiras composições (David Jones), mas como já havia um quase homônimo fazendo sucesso (Davy Jones integrante dos Monkees, falecido em fevereiro deste ano)  optou pelo Bowie. Com o novo sobrenome lançou o primeiro disco homônimo, de 1967,  já permeado de influências como Bob Dylan/folk , Syd Barret/Pink Floyd, movimento hippie, rock londrino e os beats, mas sem sucesso algum, talvez por sua dispersão. Já o segundo (também homônimo, mais tarde chamado de "Space Oddity") também não vende o esperado, embora inclua seu primeiro sucesso ( lançado um pouco antes como single), Space Oddity, hit totalmente influenciado pelo clima kubrickiano de "2001" e que tocou exaustivamente até a virada da década (foi usada pela BBC na chegada do homem à Lua). Já conhecido, mas ainda descontente e um tanto perdido, Bowie lança em 1970 o ótimo "The Man Who Sold the World", recheado de hard rock e bem mais solto que os discos anteriores - a impressão que dá ao ouví-lo é que causaria menos estranhamento se fosse lançado uns três, quatro anos depois (Bowie sempre adiante). Mick Romson, amigo e parceiro de Bowie por anos, escancara sua guitarra mágica nessa obra.
É com esse "represamento" artístico que Bowie lança em 1971 "Hunky Dory", sua primeira obra-prima. Salpicando todas as influências anteriores com uma tranquilidade e serenidade inéditas até então, o disco não tem faixa mediana - de uma maneira ou outra, todas parecem perfeitas - e enfileira futuros hits como Changes, Oh You Pretty Things, Kooks ( para o recém nascido filho) e Life on Mars com as pérolas lapidadas Song for Bob Dylan, Andy Warhol ( que David conhecera um ano antes nos EUA e influenciaria toda a sua estética posterior) e a bela Quicksand, além de canções enigmáticas e herméticas, sem preocupações comerciais, mas totalmente climatizadas com o resto, caso de Eight Line Poem (prenúncio das homenagens do disco) e The Bewley Brothers e duas faixas antenadas com a virada da década: Queen Bitch, a la Velvet Underground ( e justamente uma homenagem à  Lou Reed) e Fill Your Hearth ( de Biff Rose e Paul Williams), cinematográfica e orquestrada, em sintonia com as trilhas contemporâneas em formato de "crônicas". Um dos que ajudaram Bowie a moldar esse intrincado clima melodioso foi o ainda pouco conhecido Rick Wakeman, futuro mago do teclado progressivo. Usei "futuros hits" pois embora Hunky Dory emocione e /ou sensibilize grande parte de seus privilegiados ouvintes, na época não vendeu grande coisa ( nenhuma novidade na carreira de Bowie até então, com exceção de Space Oddity, o single). Ele só foi devidamente notado e cultuado a partir do disco posterior, The Rise and Fall of Ziggy Stardust and The Spiders from Mars, a obra prima (essa sim) que iria catapultar Bowie para sempre no panteão dos grandes do rock e iria demarcar o território do camaleão inglês. Mas para se chegar a essa clareira luminosa, David Bowie precisou criar pequenos lampejos anteriores, entre 1966 e 1969, e moldar uma delicada pintura sonora chamada Hunky Dory, a primeira de suas obras primas. No Brasil, esse disco é cultuado mas pouco visto à venda em feiras e encontros de vinis, o que é uma grande pena ( o disco hard de 1970, com Bowie de vestido na capa, é mais comum).
Segue a íntegra das faixas, em um belo trabalho de seleção e layout do blog ROCKONTRO, apaixonada confraria roqueira de Goiás, e uma versão fantástica de Seal para Quicksand (acústico MTV):
http://www.rockontro.com/galeria-videos.php?view=69&titulo=David%20Bowie:%20Hunky%20Dory
http://www.youtube.com/watch?v=t39EtXBgXh0

Atualizando: disco na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=YQTENuQYgjM

20 de julho de 2012

Santos Dumont é homenageado com Doodle

Hoje, 20-07,o Google homenageia Santos Dumont, com esse simpático "Doodle" ilustrado comemorando os 139 anos de nascimento do nosso Pai da Aviação.

19 de julho de 2012

18 de julho de 2012

Vale Tudo, o musical

Tiago Abravanel, seu substituto Danilo Moura e elenco da montagem
Na sexta passada, eu e family fomos conferir o musical Vale Tudo, no Teatro Procópio Ferreira, baseado no best seller homônimo de Nélson Motta sobre vida e obra de Tim Maia. Soubemos um pouco depois de comprar os ingressos pela internet, que o ator Tiago Abravanel, neto de Sílvio Santos e protagonista do musical, fora substituído por Danilo Moura, o que se por um lado deixou-nos com o pé atrás, também nos fez refletir que nessas horas o substituto certamente não é um farsante qualquer. E logo na primeira música o ator mostrou que está à altura da grandiosidade da montagem. Não conseguimos ver ao vivo o talento de Abravanel, incensado por público e crítica, não sendo possível comparações, mas comprovamos o quanto Danilo Moura se entregou em seu papel, cantando magistralmente bem e atuando com desenvoltura - sem contar que engordou mais de dez quilos pra encarnar Tim. O elenco, entrosado desde o ano passado, também manteve o pique incessante (são mais de três horas de espetáculo, com um intervalo de meia hora) e mostrou fôlego nas canções (26 ao todo). Destaque para os momentos de humor e os backing vocals, formidáveis. Destaque também para Evelyn Castro, finalista do programa Fama em 2005 que interpreta a mãe de Tim entre outros papéis ( todos os artistas interpretam vários personagens). A direção ágil de João Fonseca, tarimbado em musicais mais o texto direto e reto, sem firulas de Motta ( tal qual o livro) fazem do espetáculo um grande filme ao vivo para os olhos, fazendo valer o ingresso e merecer os louros. Valeu tudo.

16 de julho de 2012

John Lord (1941-2012)

Morreu hoje, mais um dos gênios incontestes do rock. John Lord, além de ajudar a fundar o Deep Purple, perpetuou para sempre o teclado "heavy", quando muitos não conseguiam imaginar liga no encaixe teclado/rock pesado. Passou também pelo Whitesnake, mas suas raízes estiveram sempre no DP, onde permaneceu de 1968 a 1976 e na volta, a partir de 1982 até sair em 2002. Deixou inúmeros momentos memoráveis, embora a sua participação na faixa Child in Time do primeiro grande disco do Purple, in Rock, de 1970, seja um dos mais lembrados e comentados. Vamos a ele ( ouvir a arte de John Lord é o melhor a fazer em sua homenagem):
http://www.youtube.com/watch?v=PfAWReBmxEs&feature=fvst

12 de julho de 2012

Pra celebrar os 50 anos, discos e shows dos Rolling Stones na íntegra

Nada melhor que comemorar esse marco inédito no rock da forma mais natural possível: ouvindo os Rolling Stones. Selecionei alguns shows e discos memoráveis da longeva carreira stoneana, na íntegra:
* Stripped (DVD) - 1994 - http://www.youtube.com/watch?v=S2OJ6gZ7B9g
* Beggars Banquet (Album) - 1968 - http://www.youtube.com/watch?v=W_g44L5w-Ds
* Goats Head Soup (Album) - 1973 - http://www.youtube.com/watch?v=NEJ_hLV9aAM
* Place Pigalle Vol.1 (Album) (série rara de bootlegs) - http://www.youtube.com/watch?v=ebrw0v7OCzs
* Rolling Stones (Album) - 1964 ( o primeiro LP!) - http://www.youtube.com/watch?v=w79z_Fsnu_U
* Some Girls (Album)-1978( c/ 12 extra tracks) - http://www.youtube.com/watch?v=ayLC1VEOv4o
* Show no Garden State em New Jersey - 1978 - http://www.youtube.com/watch?v=c7ILNFUlQyM
* Sticky Fingers (Album) - 1971 - http://www.youtube.com/watch?v=OeUMrG1XuHY
* Still Life (Album Live) - 1982 - http://www.youtube.com/watch?v=1KXMEpKIuX4
* Black and Blue(Album) - 1976- http://www.youtube.com/watch?v=wcRV6PSjJ30&feature=results_video&playnext=1&list=PLFC75E015E066B1C0
* Let it Bleed (Album) -1969 - http://www.youtube.com/watch?v=LaMnoG5brY0
* Stones & Muddy Waters - Sweet Home Chicago (Album live) -http://www.youtube.com/watch?v=f_eMWRV27Is
* Live in Bremen (1998) - http://www.youtube.com/watch?v=ymTZeyFL7M8
* Concert in 1964 - http://www.youtube.com/watch?v=XhFbpUGteMQ&feature=related
* Stones in the Park (DVD) 1969 - http://www.youtube.com/watch?v=uYPFrUzp87w&feature=related
* Live Marquee Club London - 1971 - http://www.youtube.com/watch?v=3Gf-CXBCfhY&feature=related
* Live Detroit - 1975 - http://www.youtube.com/watch?v=plMLus_mRZA&feature=fvwrel
*Tatto You (Album) - 1981 - http://www.youtube.com/watch?v=gicVEtEhn0M

É hoje: 50 anos de Stones


Mick Jagger, Keith Richards. Ron Wood e Charlie Watts posam em frente a cenário que remete ao Marquee Club, primeiro lugar onde a banda se apresentou em 12/07/1962 (Foto: Reuters/Rankin/Handout)
O grupo elegeu hoje, 12-07, o dia D para as comemorações dos 50 anos da banda. Uma data redonda, pois em 12-07-1962 o grupo, com Mick Jagger, Keith Richards e Brian Jones (na liderança) e mais dois músicos, fez seu primeiro show, no Marquee Club de Londres. Charlie Watts e Bill Wyman entrariam pouco tempo depois na banda e essa formação se manteria até a morte prematura de Jones, em 1969. Mick e Keith voltaram a se falar, depois da última picuinha causada por adjetivos pouco lisonjeiros na autobiografia “Vida” do guitarrista. Keith comentou na semana que eles até se reuniram para alguns ensaios, embora show mesmo só se cogita para 2013. Enquanto isso, projetos e comemorações se espalham. Hoje tem exposição fotográfica em Londres, com a presença da banda (a cobertura do evento pode ser acompanhada no blog linkado lá embaixo). Um livro com imagens inéditas e raras sai ainda neste mês e um documentário está previsto para setembro. A semana no Brasil foi de muitas produções especiais do cinqüentenário. A Globo News fez um programa bem acabado, embora curto, em seu Arquivo N,com a presença de Frejat, João Barone, Claudio Julio Tognolli e Pitty e muitas imagens de arquivo (íntegra abaixo). A TV UOL também produziu uma interessante série com bandas e músicos brasileiros interpretando uma música stoneana, entre eles, Nasi, RPM, Agridoce, A Banda Mais Bonita da Cidade e Tiê ( link abaixo). A foto que ilustra este post é a oficial do cinqüentenário, a primeira com todos juntos desde 2008. Essa pedra pelo jeito, ainda vai ficar cravada no meio da longa estrada do Rock por muito tempo.
* Blog Stone Planet Brazil - http://stonesplanetbrazil.blogspot.com.br/

10 de julho de 2012

Floreal e seu "Subúrbio" mágico

Floreal é um grande cara. Apaixonado por cultura, principalmente quando ela surge na forma de quadrinhos, artes, cinema, literatura e música, já suou muito a camisa e gastou muito material de desenho em seus 30 anos exatos como cartunista/quadrinhista, iniciados na Folha de S.Paulo em caderno editado por Angeli. Atualmente publica no jornal Graphiq, de Mário Latino, dá uma força para o casal Gual/Daniela na Livraria HQMix e povoa seu blog pessoal (http://florealandrade.blogspot.com.br/ ) com cartuns e quadrinhos que marcaram sua premiada carreira. Do material mais novo, adoro a série Subúrbio, a mesma que ele publica no Graphiq e replica na internet (colei duas páginas aqui para apreciação). Com sensibilidade sem pieguice, saudade sem saudosismo e senso histórico sem didatismo, ele relembra sua infância/juventude e a cultura dos anos 60/70 com informações precisas em desenhos leves/soltos que sempre revelam um pouco sobre sua cidade natal, São Miguel Paulista, sua família e amigos, e também  alguns colegas de profissão, homenageados em pequenas crônicas desenhadas. 




As colagens, principalmente com seus gibis prediletos de todos os tempos, dão um charme adicional aos quadrinhos. Vale muito a pena seguir seu blog – eu fico sempre esperando um novo post clássico ou uma nova sequência do seu ‘Subúrbio’ mágico. Obrigado, Floreal, por me rejuvenescer com seu universo atemporal.



3 de julho de 2012

Capa do Mês: Revista Raízes 45


Pulei a seção "Capa do Mês" no mês passado por não ter encontrado uma capa que me chamasse a atenção no período. Já, neste mês, adorei a solução encontrada para a capa da revista histórica semestral da minha cidade São Caetano, Raízes. Ícones da infância dividem espaço na cena: cavalinho artesanal, carrinho esportivo de ferro, vitrolinha colorida, sanfoninha, aviõezinhos em porta-aviões, bola, bonequinha e fotos com crianças e seus brinquedos. Eis então em destaque, a fronte da revista, que já virou referência entre as publicações históricas municipais do país.
Para saber mais detalhes sobre o lançamento, programado para depois de amanhã (05/07), aqui: http://culturaiblog.blogspot.com.br/2012/07/revista-raizes-45.html

1 de julho de 2012

No Prêmio HQMix 2012

Fazia muito, muito tempo que eu não ia a uma entrega do Troféu HQMix - fui nas primeiras edições, entre os anos 80 e 90.Ontem, sabadão dia 30, eu, Cris e crianças fomos à premiação do 24º Troféu HQMix, no Sesc Pompéia. Uma noite muito tranquila e agradável. E cheia de nuances. Na platéia, fãs dos quadrinhos, familiares dos premiados e a presença maciça de profissionais do meio. Dos que avistei ou cumprimentei na platéia: Manoel de Souza e vários de seus colaboradores da Revista Mundo dos Super Heróis ( melhor mídia de quadrinhos), logo na entrada.  A dupla de grandes, Fernandes e Gilmar, representando o nosso ABC, bem na minha frente ( foto abaixo) .Os irmãos Paulo e Chico Caruso que ficaram bastante tempo nos bancos laterais, até o anúncio da premiação para o Festival Internacional de Humor do Rio - onde ambos apareceram no vídeo (quando Serginho Groisman perguntou por eles, eles já tinham saído). O ilustre Professor Waldomiro Vergueiro, um dos maiores especialistas de quadrinhos no Brasil. Marcos Venceslau, com seu fanzine Subterrâneo na mão. Will Sideralman, que logo subiria no palco para receber o seu prêmio. Sidney Gusman, o Cidão, da MSP, com um sorriso de orelha a orelha.
Na platéia, muita emoção e novidades. Cheguei com Maringoni recebendo seu prêmio ( Livro teórico - Angelo Agostini) e logo em seguida os sócios atuais da Editora Devir homenagearam Mauro dos Prazeres, sócio-fundador da editora, falecido neste ano. O editor Toninho Mendes, amigo do saudoso publisher, também leu um poema em sua homenagem, na sequência de uma breve e emocionada presença do filho de Mauro.
Geral do 24ºHQMix. Serginho Groisman, eterno apresentador do evento, recebe homenagem de aniversário no telão. De costas, logo a minha frente, a dupla Gilmar (de preto) e Fernandes, grandes artistas da minha região.
Serginho Groisman, apresentador da premiação pela 24ª vez, ou seja, de todas as edições ( e diga-se, sem cachê nenhum), espirituoso como sempre, mexeu com Laerte, brincou com Angeli, ganhou bolo de aniversário e parabéns roqueiro ( puxado pela boa banda Fábrica de Animais). Explicou aliás, porque estava trabalhando no seu níver: descobriu a pouco tempo que nasceu no dia 30 mesmo, 1h da manhã, mas a sua mãe resolveu registrar seu nascimento no dia 29 por achar que o trabalho de parto já era simbolicamente o nascimento. Pra não mudar a tradição de anos, Groisman continua comemorando seu aniversário no dia 29 mesmo. Laerte subiu no palco maquiado e de vestido e esse seu novo estilo de vida já não causa tanto estranhamento, pelo menos no meio dos quadrinhos. Angeli, no palco, comentou que está se sentindo mais "velho" e sossegado, ainda mais agora que tornou-se avô. Marcatti, em um discurso ligeiro mas bem emocionante, explicou a importância do prêmio "Grande Mestre dos Quadrinhos" dado a ele. os gêmeos Gabriel Bá e Fabio Moon brincaram e recomendaram à platéia que todos "arrumem" um irmão gêmeo, por ser muito inspirador e dar certo - citaram inclusive os outros irmãos gêmeos premiados na mesma noite, Magno e Marcelo Costa. Família, aliás, foi o grande catalizador da noite. Além do assunto irmãos, houve aplausos efusivos a uma mãe ( do Dálcio Machado, melhor cartunista, que fez questão de anunciar sua presença na platéia) e um dos premiados que subiu ao palco com a irmã, como forma de demonstrar toda a importância da mana na sua obra ( foi o Lellis ou o Ruas? essa eu acabei me distraindo, depois de voltar do banheiro).
Fui embora antes do término, mas ainda consegui ver subindo ao palco, Daniel Esteves e Will ( o primeiro subiu fazendo uns "passinhos de dança"), Wellington Srbek ( da Editora Nemo por Arzach de Moebius), a equipe criadora de Terapia ( melhor web quadrinhos),Vitor Cafaggi ( novo talento - roteirista) e o grande vencedor da noite ( ao lado da equipe de Mauricio de Sousa) Gustavo Duarte, com três premiações ( entre elas, melhor desenhista do ano), todos eles, muito aplaudidos. Perdi a entrega do André Diniz, melhor roteirista, uma grande figura com quem já troquei correspondência. E também não consegui cumprimentar o presidente do HQMix, Marcelo Alencar, velho conhecido meu da Abril, que fez uma ótima gestão e uma premiação das mais democráticas.
Entre as novidades, uma veio do FIQ, que anunciou Laerte como próximo homenageado do festival, ano que vem. Já o vereador Paulo Gabriel veio expor que o MAG (Museu de Artes Gráficas) pode virar realidade muito em breve, mas só irá à votação se houver uma grande movimentação por parte da categoria. Novidade? E a Eliana Caruso, do Festival Internacional de Humor do Rio trouxe uma ótima notícia: já está sendo produzida no Arpoador, em homenagem ao recém falecido Millôr Fernandes, uma escultura vazada para que se veja o pôr do sol na praia - um velho costume do mestre. 
Gabriel, mais novo leitor da Chiclete com Banana, ao lado do mestre Angeli. E eu, adorando a cena.
Para fechar com chave de ouro, consegui encontrar Angeli com sua esposa na porta do teatro e depois de contar-lhe que consegui guardar a coleção completa de Chiclete com Banana, já devidamente destrinchada pelo meu filho Gabriel, pedi ao criador uma pose para foto ao lado de seu jovem leitor ( foto acima, incluindo o penetra aqui). Valeu, grande Angeli.
Que venha o 25º, com essa mesma disposição e emoção. Se Deus quiser, eu não perco mais.

29 de junho de 2012

Clube da Esquina madruga na Globo

A Rede Globo das "altas horas' não é a mesma Globo do dia ou do chamado 'horário nobre'. A emissora dos Marinho deixa as produções mais 'cults', sofisticadas ou segmentadas para a faixa da 'meia-noite pra frente'. Em muitos casos, vale a pena ficar acordado e checar essas produções, como "´Por Toda a Minha Vida", séries especiais, algumas entrevistas e atrações pontuais do Jô Soares ou do Altas Horas do Serginho Groismann e o Som Brasil, que em suas últimas edições vem prestando homenagens de respeito, de Gilberto Gil ( que terá reprise no Canal Viva neste sábado e domingo em homenagem a seus 70 anos), a Luiz Gonzaga, da Bossa Nova e Raul Seixas à Música Nordestina e à Jovem Guarda, entre outros. Hoje, o mesmo Som Brasil prestará tributo a um dos melhores discos brasileiros já feitos, o Clube da Esquina, de 1972, idealizado por Milton Nascimento e Lô Borges (os dois na foto, com Camila Pitanga) com uma congregação única de instrumentistas e letristas. Entre os convidados do programa, além da dupla mentora, estarão no palco Fernanda Takai e a banda As Minas, Megh Stock, Filipe Catto e o grupo Kamy - muitos nem tinham nascido quando o disco foi gerado. Na grade, a data do Som Brasil é sexta-feira, 29, depois do Programa do Jô, mas na prática isto quer dizer, madrugada de sábado, 30, entre  uma e duas da matina. Vale a pena ficar acordado - Milton, Lô, Beto Guedes e Cia não frequentam Faustão, Caldeirão e outros "ãos" globelezados. Melhor assim.
Making of: http://globotv.globo.com/rede-globo/som-brasil/t/veja-tambem/v/assista-ao-making-of-do-som-brasil-em-homenagem-ao-clube-da-esquina/2010372/

27 de junho de 2012

A volta do Pelezinho

Confirmado: Pelezinho, personagem criado por Mauricio de Sousa em meados dos anos 70, e que teve gibi mensal próprio pela Editora Abril entre 1977 e 1982 ( além das tiras de jornais e almanaques e especiais pela Abril - até 1987 e Editora Globo - até 1990), está de volta! segundo Pelé, em entrevista coletiva hoje ao lado de Mauricio de Sousa e a direção da Editora Panini, a volta visa a Copa do Mundo do Brasil em 2014. Pelezinho foi sem dúvida um dos gibis mais criativos da época e merece ser reapresentado para as novas gerações. Serão republicadas todos os números da fase Abril na ótima Coleção Histórica (quadrimensal), além de outros formatos para a banca, todos com histórias já publicadas. Um gibi mensal no tradicional formatinho não foi descartado, mas não há nenhuma previsão ( um nº zero especial foi impresso,  mas só para divulgar a volta).O atual gibi do Ronaldinho Gaúcho, segundo Mauricio, não será descontinuado por conta do novo contrato com a empresa de Pelé. Inclusive é cogitada a criação de outros personagens futebolistas para os quadrinhos até as Olímpiadas do Rio 2016, como Neymar ( Pelé sugeriu também Rogério Ceni). Segue release para a imprensa com todos os lançamentos do novo projeto:
http://www.inteligemcia.com.br/76476/2012/06/27/a-torcida-pediu-e-pelezinho-entra-em-campo-novamente/
A "carreira" do personagem também pode ser conferida nesta ótima matéria do Marcus Ramone:
http://www.universohq.com/quadrinhos/2007/Pelezinho.cfm

26 de junho de 2012

Stones 50

Meio século de Stones agora em julho. O logotipo comemorativo (by Shepard Fairey) já saiu do forno (acima) e a banda se prepara para a reunião que decidirá toda a estratégia para a antológica efeméride . Um disco com inéditas não está descartado, mas por enquanto, só o show dos 50 anos daqui três semanas e uma exposição fotográfica em Londres. Esperamos algo substancioso por estas plagas, afinal, não é qualquer banda que completa 50 anos. Só as que são feitas de pedra.
E falando em pedra, no clima do cinquentenário, segue uma gravação de 1962, ano 1 do grupo, que conseguiu se safar das vissitudes do tempo e das intempéries:
http://www.youtube.com/watch?v=gL-f-8Vh068


25 de junho de 2012

Baú do Seu João 6: Coleção Saraiva (anos 50/60)

Como eu já tinha prometido anteriormente, aos poucos vou postando os impressionantes achados pós-reforma na casa do meu enciclopédico pai, que já voltou do hospital são, salvo e emputecido diante da nova decoração que acabou desestruturando sua "desordem ordenada" de poeiras cósmicas, ácaros imemoriais e caixas herméticas. Entre as relíquias que foram aflorando dos armários mágicos do Seu João, essa Coleção Saraiva salta à vista. Desde minha primeira infância, já babava por essas capas na estante enquanto deglutia um copo de leite C com bolacha Maria. E não tem como não babar. São as maravilhosas ilustrações do único artista da série, o mestre Nico Rosso, que ornamentou todos os volumes da coleção (perto de 200), de 1948 (um ano depois de chegar da Itália) à meados dos anos 60, com seu estilo barroco e eclético, o mesmo que ao longo dos anos deu vida tanto ao legítimo terror nacional nos quadrinhos como às ilustrações de contos de fadas e capas e histórias diversas para editoras como Ebal, La Selva,Taíka e M&C. Seu João guardou 13 volumes, e são as suas capas que disponho aqui. Vale a pena ver e rever. Pra mim, essas imagens não tem só tinta e papel, mas cheiro de infância.
Vol.31 - janeiro 1951
Vol. 87 - Setembro 1955
Vol.90 - dezembro 1955
Vol. 107 - maio 1957
Vol.117 - março 1958
Vol.120 - junho 1958
Vol.125 - Novembro 1958
Vol.151 - Janeiro 1961
Vol.162 - Dezembro 1961
Vol.166 - Abril 1962
Vol. 173 - Novembro 1962
Vol.175 - janeiro 1963
Vol. 186 - Dezembro 1963

19 de junho de 2012

Troféu HQMix 2012: saiu a lista dos vencedores

Saiu ontem a lista oficial dos laureados do 24ºTroféu HQMix 2012. A premiação será no dia 30 deste mês no mesmo bat-Sesc Pompéia. Segundo o site do evento, falta definição ainda para três premiações  acadêmicas: melhor doutorado, melhor mestrado e trabalho de conclusão de curso.

Adaptação para os Quadrinhos
Clara dos Anjos - Wander Antunes e Marcelo Lelis

Caricaturista
Gustavo Duarte

Cartunista
Dalcio Machado

Chargista
Angeli

Desenhista Estrangeiro
David Mazzucchelli

Desenhista Nacional
Marcelo Lelis

Destaque Internacional
Fábio Moon e Gabriel Bá

Destaque Latino-americano
Fierro (Argentina)

Edição Especial Estrangeira
Asterios Polyp - David Mazzucchelli

Edição Especial Nacional
Morro da Favela - André Diniz

Editora do Ano
Leya/Barba Negra

Evento
7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos)

Exposição
Criando Quadrinhos - Ivan Costa

Grande Contribuição
FanZines nas Zonas de Sampa

Grande Mestre
Marcatti

Homenagem Especial
Mauro dos Prazeres (sócio-fundador da editor Devir, morto neste ano)

Homenagem Especial
Achados e Perdidos - Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno "Ito"

Livro Teórico
Ângelo Agostini - Gilberto Maringoni

Mídia sobre Quadrinhos
Mundo dos Super-Heróis

Novo Talento - Desenhista
Magno Costa e Marcelo Costa

Novo Talento - Roteirista
Vitor Cafaggi

Produção para Outras Linguagens
Angeli 24 Horas - Beth Formaggi

Projeto Editorial
MSP Novos 50 - Mauricio de Sousa

Publicação de Aventura/Terror/Ficção
Birds - Gustavo Duarte

Publicação de Clássico
Arzach - Moebius

Publicação de Humor Gráfico
Uma Patada com Carinho - Chiquinha

Publicação de Tira
Macanudo - Liniers

Publicação Erótica
Black Kiss - Howard Chaykin

Publicação Independente de Autor
Birds - Gustavo Duarte

Publicação Independente de Grupo
Café Espacial

Publicação Independente Edição Única
O Louco, a Caixa e o Homem - Daniel Esteves e Will

Publicação Infantojuvenil
Turma da Mônica Jovem - Mauricio de Sousa

Publicação Mix
MSP Novos 50 - - Mauricio de Sousa

Roteirista Estrangeiro
David Mazzucchelli

Roteirista Nacional
André Diniz

Salão e Festival
3º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro

Tira Nacional
Manual do Minotauro - Laerte

Web Quadrinhos
Terapia - Mario Cau, Marina Kurcis e Rob Gordon

Web Tiras
Um Sábado Qualquer - Carlos Ruas 

O troféu deste ano homenageia o clássico personagem de Primaggio Mantovi, o palhaço Sacarrolha (abaixo)


Mais informações sobre o evento:

15 de junho de 2012

Stan Lee e a DC

Essa me apareceu sem querer, ao cair na mão um exemplar do catálogo/magazine da Editora Taschen (original americano) da virada 2011/2012 (Winter). Logo nas páginas iniciais, a publicação pediu para algumas personalidades escolherem seu livro do catálogo Taschen predileto. E olhem só qual o mestre Stan Lee escolheu: "75 Years of DC Comics" de Paul Levitz ( lançado em 2009). Bem compreensível, pois quando a sua eterna rival nos comics surgiu, Stan tinha 11 anos, e certamente curtiu muito as então pioneiras histórias nas revistas. Mais de cinco anos depois (1939), Stan virava assistente na Timely, futura Marvel, enquanto Superman já fazia sucesso na rival e Batman era lançado. Mas aí seus olhos já estavam voltados para seus próprios roteiros e criações, que o levaria ao topo do mercado duas décadas e meia depois.

14 de junho de 2012

Carlos Reichenbach (1945-2012)

Os grandes do cinema brasileiro vão nos deixando. Primeiro foi o Paulo Cezar Saraceni em abril e hoje, no dia de seu aniversário, o indomável Carlos Reichenbach, Carlão para os chegados. Cineasta inconformado, independente, indomável, indulgente, esse sim era uma pessoa in. Fez do cinema sua vida, batalhou pela arte, ajudou muitos na profissão, revelou dezenas de atores/atrizes, ganhou prêmios e foi reconhecido internacionalmente. Sofreu muito para finalizar seus filmes... talvez porque nunca foi bajulador e nunca fez nada por encomenda. Dêem uma passeada agora pela internet e vejam quantos amigos e colegas gratos, quantos fãs e quantos influenciados pela sua arte. Diretor, produtor, crítico, professor, fotógrafo, roteirista, Reichenbach foi guerreiro do nosso cinema. Que seus filmes continuem chocando os hipócritas e iluminando os idealistas.
Curta metragem "Esta Rua tão Augusta" (1966-1968) -http://www.youtube.com/watch?v=oGmQ99A6uRY
Curta metragem "Murilolendo" (1997/TV Cultura) - http://www.youtube.com/watch?v=jQxb3GF_fBA
Série Obra Revelada (2009/Itaú Cultural) - http://www.youtube.com/watch?v=L0SoPLRcym8
Episódio Canal Brasil 10 anos (2008) - http://www.youtube.com/watch?v=1YKaq2ovRSI
Vídeo homenagem no III Curta Neblina (dez/2011)- http://www.youtube.com/watch?v=q_cCKXLhvrA
Especial TV PUC SP (2005 - trecho) - http://www.youtube.com/watch?v=mbs7qDSpT1E


Festival de Cultura e Arte do Grande ABC

No final de semana vai rolar um evento cultural bem eclético cá em São Caetano. É o Festival de Cultura e Arte do Grande ABC, realizado pelo Diário do Grande ABC em parceria com a Prefeitura de São Caetano do Sul e apoio da Universidade Metodista. Arte, shows, poesia, desenhos, teatro. Confiram na agenda do site oficial os horários e endereço. No sábado (16) tem show com o legendário Zé Geraldo (17h) e mais tarde o Funk Como Le Gusta. No domingo (17) rola Claudio Zoli (17h) e mais tarde a banda Cachorro Grande. Entremeando esses grandes shows, artistas inscritos mostram seus trabalhos. Inclusive, um de nossos parceiros do livro "Brasil do Bem", o Humberto Pessoa, estará no local expondo três caricaturas ( link do seu blog abaixo).
Agenda oficial:  http://www.dgabc.com.br/festivalabc/
Blog do Humberto Pessoa: http://humbertopessoa.blogspot.com.br/2012/06/1-festival-de-cultura-e-arte-do-grande.html

13 de junho de 2012

Semanário, jornal de Timor Leste

Este peculiar jornal acima, "Semanário", que mistura português com dialeto local é do longínquo Timor Leste. O exemplar, de 05/05/2012 , foi um presente do meu cunhado Zé, que passou um mês no país lecionando em curso especial do Senai ( na verdade eu tinha pedido um gibi de lá, mas ele não localizou banca ou outro local de venda de quadrinhos). Embora Timor atravesse um período de paz, ficamos um tanto apreensivos com essa viagem pro outro lado do planeta ( contando as baldeações e trocas de vôos, a viagem de volta durou 39 horas!!), mesmo sabendo que o motivo era nobre. És muito bem vindo de volta, caríssimo Zé!

Rock de Brasília, o filme

Ontem, minha namorada de quase 20 anos me presenteou com esse documentário acima (valeu, moi), o já premiado "Rock Brasília - Era de Ouro" de Vladimir Carvalho (Coleção Canal Brasil/2011). O cineasta já tem fama de ourives da película, pois costuma colecionar imagens por anos a fio até compor um painel representativo de uma época ou um movimento. Esse último encerra uma trilogia sobre a construção cultural e ideológica da capital federal, e mostra imagens de seu arquivo pessoal desde o final dos anos 80 ( o auge das principais bandas Legião Urbana, Plebe Rude e Capital Inicial). Não tive tempo de ver ainda mas não vejo a hora. Enquanto isso, deixo um trecho aqui:
Entrevista ao Canal Brasil: http://www.youtube.com/watch?v=22Q0nZvfGuQ
Trailer: http://www.youtube.com/watch?v=PEcvjN7s260

11 de junho de 2012

A revista da Mônica que nunca foi lançada - parte 2

Sergio de Souza. Declaração do editor joga mais luz ao "não lançamento" de Mônica em 1969.
No ano passado levantei um assunto misterioso e periclitante: o lançamento da Mônica em revista em 1969, ou seja, um ano antes do seu lançamento pela Editora Abril em 1970, pontapé fundamental de Mauricio de Sousa para seu império editorial atual (veja aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2011/06/o-misterio-da-ube-e-o-quase-lancamento.html ). Na época eu 'pesquei' o assunto no blog do Roberto Guedes, ao pesquisar sobre o Alain Voss, e também de um breve comentário sobre o fato retirado de um depoimento do próprio Mauricio à revista Mundo dos Super Heróis, mas detalhes precisos, neca de pitibiriba. Naquele post eu prometi que assim que surgissem mais indícios, faria um complemento. E um ano depois, sem querer (é sempre assim), acabei esbarrando no mesmo assunto quando pesquisava sobre a imprensa alternativa nos anos de chumbo. A fonte consultada foi o completo livro do Bernardo Kucinski, "Jornalistas e Revolucionários- Nos Tempos da Imprensa Alternativa"(Editora Scritta -1991 -capa abaixo), uma obra de cabeceira pra mim e que esmiuça com precisão e muita pesquisa a trajetória da imprensa alternativa (ou "nanica", como dizem) desde o Golpe de 64 ( com o pioneiro Pif Paf de Millôr) até os jornais sindicais do início dos anos 80.
Kucinski, ele próprio um jornalista que passou por vários veículos à margem da grande imprensa, é meticuloso e traz não só bastidores como vários perfis dos articulistas e protagonistas desse jornalismo marginal que acabou mudando a linguagem da própria 'big press'. No capítulo que identifica com detalhes a 'turma' do Sergio de Souza (ex-editor de Caros Amigos e dezenas de outras publicações, falecido em 2008), a mesma que revolucionou o jeito de se fazer reportagem em revista ( Realidade) e inovou em distribuição ( Bondinho), eu parei no seguinte trecho:
"...Mas "ninguém queria contratar o grupo como um todo, tinham medo, até que Samuel Wainer chamou-os para produzir IDÉIA NOVA, um grande tablóide dominical de informação; Wainer alugou um andar de hotel na boca do lixo, em São Paulo, para fazer o projeto em segredo, mas quando estava quase pronto, veio o famigerado AI-5, ele pagou  e premiou todo o mundo e sumiu". Em seguida, a equipe revisteira propôs à editora dos irmãos Rossolitto, donos de gráfica e de uma revista grosseira de polícia, o lançamento de três revistas: "uma revista de histórias em quadrinhos do Alan Voss, que ficou bastante conhecida; a revista da Mônica, com o Maurício de Souza (sic); e uma revista feminista, CARA METADE, que se proporia a mostrar como as mulheres vêem os homens; estava o time todo, estavam prontos os fotolitos do Mauricio de Souza (sic) e os da história em quadrinhos, e os homens disseram que não tinham mais capital para bancar os projetos...".
Esse trecho do livro foi baseado em depoimento do próprio Sergio de Souza dado ao autor em 1990. Uma nova e mais clara luz sobre o caso, que nos traz novos nomes. Se no post anterior tínhamos UBE, agora temos também os irmãos Rossolito, nomes por trás da editora. A revista de Voss "que ficou bem conhecida" é o "Careca", também citada anteriormente; e com essa nova declaração, feita por um protagonista, entende-se que os projetos não foram pra frente por receio político mesmo, medo até, rebatizado de "falta de capital" (afinal, estava tudo pronto para lançamento). Se não houve prisões, como Maurício supõe, com certeza rolou uma dispersão do grupo, que logo, sob o novo nome de  A&C (Arte & Comunicações), lançaria O Bondinho, um projeto tímido inicialmente, distribuido só no interior do Pão de Açúcar e que logo se transformaria num dos veículos mais surpreendentes e anárquicos da imprensa tupiniquim. Mas essa é uma outra história...

10 de junho de 2012

Ivan Lessa (1935-2012)

A foto clássica na redação do Pasquim: Ivan Lessa e Jaguar
O Pasquim abarcou em sua redação dezenas de "escribas natos", alguns inclusive fundando um novo estilo no jornalismo brasileiro. Por lá passaram excelentes cronistas/jornalistas/escritores como Tarso de Castro, Sérgio Cabral, Luis Carlos Maciel, Sérgio Augusto, Moacyr Scliar, Newton Carlos, Martha Alencar. Mas os criadores de textos que mais impregnaram (no bom sentido) o jornal alternativo foram Millôr Fernandes, Paulo Francis e Ivan Lessa, a trinca que levou a acidez e a ironia a um patamar único no humor jornalístico. Os três 'enfant terribles' já desencarnaram, Millôr a pouco tempo e agora Ivan, aos 77, dias depois de sua última crônica na BBC. Ivan Lessa sempre foi afiadíssimo em sua redação, daqueles nunca em cima do muro, sempre cutucando, ironizando, destilando veneno e antídoto na mesma proporção. Fez uma dupla memorável com Jaguar, antes mesmo do Pasquim, ao criar as tiras do 'Chopnics', que combinava beatnik com chopps e aparecia no Jornal do Brasil e no Jornal dos Sports simultaneamente (e que deu vida à Sig, o ratinho). Continuou com o mesmo espírito no Pasquim até virar correspondente na Inglaterra e nunca mais voltar para o seu amado Rio de Janeiro. Voltou sim, uma vez, acho que na década passada, e viu um Rio tão diferente daquele setentista, sujo, violento, sem seus bares prediletos, que preferiu ficar com aquele Rio antigo no seu coração e continuar escrevendo seus textos, cada vez mais corrosivos (entendem agora por que?) no Reino Unido. Trabalhou até o fim, deixando centenas de crônicas para a BBC (link abaixo). Um dos nossos maiores textos, com certeza, e pouco conhecido por aqui justamente por essa distância. Mas Ivan Lessa, o filho do Orígenes, sempre nos sobrevoou com seu texto, independente da Geografia, tanto para trovoar como para ensolarar os ares do seu velho Brasil.
As crônicas na BBC Brasil: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/06/120608_ivan_lessa_rw.shtml

7 de junho de 2012

Lira Paulistana - O Filme

Postei faz pouco tempo sobre o festival de documentários e dentre os filmes estava lá um dos lançamentos brasileiros mais aguardados, o "Lira Paulistana" de Riba de Castro, ex-sócio do emblemático Teatro Lira Paulistana, cuja finalização a minha amiga Pilar já tinha avisado via Face me enviando o pôster oficial (este acima). Vale a pena ficar ligado na programação cultural de São Paulo, pois certamente o filme surgirá em salas comerciais ( por pouco tempo, como de praxe) e circuitos alternativos. A produção durou alguns anos e pode ser dissecada em sua página oficial ( que parou de ter atualizações mas tem links e matérias bem interessantes sobre todo o processo do doc e os 30 anos do movimento). No embalo, segue também o making of e o trailer. Pelo clima e quantidade de depoimentos, parece que a película chegou onde queria. Espero que sim.
O site: http://lirapaulistana.net/
Making Of: http://www.youtube.com/watch?v=HJld7rvHrVw&feature=endscreen&NR=1
O trailer: http://www.youtube.com/watch?v=2w5wjtezXB8

1 de junho de 2012

Nelson Jacobina e Levon Helm: dois instrumentistas que tocavam com a alma

Levon Helm (1940-2012)
Nelson Jacobina (1954-2012)
Nelson Jacobina, violonista requisitado, compositor de mão cheia, foi fiel escudeiro do apocalíptico Jorge Mautner. Em décadas de atividade, sempre que possível, estava no palco com seu amigo pré/pós tropicalista, assim como em diversos discos independentes, shows pelo Brasil afora e ultimamente, membro efetivo da incrível Orquestra Imperial.
Levon Helm, baterista fundador da The Band, que acompanhou Bob Dylan em inúmeras ocasiões, ajudou a cunhar com seus colegas de banda a junção folk/country/rock e foi um dos primeiros bateristas vocalistas da cena.
Tanto Nelson como Levon elevaram a música às alturas e ambos amavam tanto o que faziam, que praticamente entravam em transe quando tocavam. Eram instrumentistas de alma. Coincidência ou não, os dois  tinham câncer há anos, mas não arredaram o pé dos palcos, mesmo com dor, fraqueza, vertigens, o que fosse. Em 19 de abril, Levon Helm, às vésperas dos 72 anos, descansou de sua heróica batalha. Nelson Jacobina, aos 58 anos, alguns dias depois de sua última apresentação, fez sua passagem em 31 de maio. Sempre considerei a música um dom supremo, um tipo de poder mágico. Esses dois extraordinários instrumentistas  ajudaram a sacramentar minha opinião.

Dois momentos brilhantes da música mundial:  Maracatu Atômico, original (1972, composição de Mautner-Jacobina), executada pela bombástica Banda Atômica, com Mautner, Jacobina, Arnaldo Brandão e Vinicius Cantuária; e The Weight, um dos números ao vivo da despedida da The Band filmada por Martin Scorsese em The Last Waltz (25/11/1976) - Levon é o primeiro a cantar.
* http://www.youtube.com/watch?v=0ocevnfp0vU
* http://www.youtube.com/watch?v=sjCw3-YTffo