26 de abril de 2019
1ª Feira de Vinil em São Caetano do Sul
Mesmo depois de décadas agitando a cultura em São Caetano do Sul e na Grande São Paulo, Ricardo "Rick and Roll" Martins continua à toda, seja como testemunha ocular da cultura rocker em sua coluna semanal no Jornal ABC Repórter e no programa Universo Rick ( às sextas, na TV GABC Canal 3 e Rede NGT Canal 48), seja agitando e criando eventos preciosos e primordiais para a sobrevivência do underground e do universo vintage, unindo músicos, colecionadores, geeks e outsiders. A última das suas é a "1ª Feira de Vinil" em São Caetano, evento que rola nesse próximo sábado, na School of Rock ( endereço e horário abaixo). Não faltarão LPs raros, pôsteres e CDs promocionais. Imperdível!
23 de abril de 2019
Zuza, Homem de Jazz
Acabei de assistir no canal Curta! o documentário "Zuza, Homem de Jazz", da diretora Janaina Dalri. O filme estreou ontem no canal e vai passar durante a semana - amanhã (24) às 10h20, sábado às 22h15 e no domingo às 13h15. Ao lado do meu filho, que está na música, me emocionei com a trajetória cheia de surpresas de Zuza, desde o momento em que resolveu estudar música pra valer e zarpar para os EUA, onde morou por anos. Estudou na School of Jazz em Lenox, Massachussets e também na prestigiada Juilliard Scholl of Music, em Nova York. Na primeira instituição, que tinha em seu corpo docente grandes baluartes do jazz americano, teve aula com o contrabaixista Ray Brown.Na mesma época, final dos anos 50, estagiou na Atlantic Records como engenheiro de som, além de frequentar assiduamente a noite de Nova York, assistindo semanalmente shows antológicos, e iniciando sua carreira de crítico e jornalista musical, com uma coluna semanal em jornal que mandava via Varig para o Brasil. Toda essa bagagem lhe rendeu frutos futuros que sedimentaram suas ações como produtor, editor, diretor,radialista, escritor e redator, sempre "no coração" da música. Essa mistura de suór e paixão foi a conta certa para sua participação na equipe que realizou os incríveis festivais de jazz em São Paulo em 1978 e 1980 em coparticipação da TV Cultura, e que acabou abrindo a porteira para os festivais subsequentes ( Free Jazz, Tim Festival, etc). Ativo até hoje, aos 85 anos, tem programa semanal na Rádio USP (às sextas) onde desfila sua "list" diretamente dos milhares de CDs de jazz e música instrumental brasileira do seu acervo, e também ainda escreve muito - seu último livro foi 'Copacabana - a trajetória do samba-canção (Editora 34 e Edições Sesc, 2017). No fim, me emocionei não só por ver o Zuza emocionado em praticamente todo o filme - revendo histórias, amigos, locais, músicas - e de ver a própria história do jazz brasileiro seguindo em paralelo, mas também por me lembrar do encontro que tive com o Zuza em seu apartamento em São Paulo há uns anos atrás, onde me senti em casa, fui muito bem tratado e pude ver de perto sua estonteante coleção de discos - os LPs cobrem toda as paredes de um cômodo - com destaque para a música instrumental brasileira ( talvez a maior coleção nesse sentido). Zuza Homem de Mello, além de homem de jazz, é definitivamente um gentleman.
12 de abril de 2019
Gibi - 80 anos
Tudo bem que é prata da casa, mas ultimamente é muito difícil toparmos na mídia com comemorações de efemérides importantes na História das HQs no Brasil. Pois foi o que o O Globo fez em sua edição de hoje, ao publicar um bom artigo histórico sobre os 80 anos de O Gibi, publicação de Roberto Marinho que acabou virando sinônimo para todo o sempre de revistinha em quadrinhos no Brasil. Ela não foi a pioneira no formato "comic book" por aqui- Adolfo Aizen ( sempre ele) chegou primeiro com seu Mirim. Mas o nome Gibi pegou de uma maneira que se imortalizou. Fiquem com a matéria no link abaixo. Na foto acima, O Gibi nº1, de 12/04/1939. http://infoglobo.pressreader.com/@Reader211288/csb_abE6KK4WahP8pD-GfKVwbYz_HuKbIqNDQojEGIlBijDJs4e5_Ro2o2FtjGt8Acjh?fbclid=IwAR27rOODi6sK2bqqXK5mfGkrQvJiR_IY9b4eqV1K_dyMJxOPi52-JhqBmlw
11 de abril de 2019
Festival Guia dos Quadrinhos 2019 ( 10 anos!)
Contagem regressiva para o Festival Guia dos Quadrinhos, que completa neste ano 10 primaveras! O evento capitaneado por Edson Diogo e equipe merece a longevidade, pois é um dos poucos eventos de quadrinhos que ainda preservam o frescor do colecionismo, mesmo que no decorrer dos anos tenha se transformado em algo bem maior do que o longínquo "Mercado de Pulgas", nome original do festival. E foi no MP que conheci ao vivo muita gente boa do meio, como Renato Frigo, Alexandre Morgado, José Braga, Wilson Simonetto, Claudio Juris, o pessoal da carioca Confraria do Gibi, Peter Mijahlovic, e tantos outros - sem falar no reencontro com o amigo Marcelo Alencar, que eu não via desde a Editora Abril. Neste ano, além da comemoração da década cpmpleta, irei pela primeira vez como expositor! Junto com os amigos Francisco Ucha e Alexandre Morgado, grandes colecionadores e entendedores do assunto "quadrinhos", estarei na mesa MP19, bem ao lado da Confraria do Gibi! Será uma grande festa, tenham a certeza! Levaremos itens raros e gibis promocionais, para todos os gostos e predileções - Disney, Hanna-Barbera, faroeste, terror, Marvel, álbuns importados, etc, etc. Esperamos vocês lá! Este ano o evento será no bairro da Liberdade, no hotel Hakka. Segue o link do site e o mapa do evento: http://www.fgdq.com.br/expositores/
5 de abril de 2019
A extraordinária biblioteca particular de LÍbano Calil à venda
Ontem no Estadão saiu matéria muito interessante sobre a venda por parte dos filhos da inacreditável biblioteca particular do livreiro Líbano Calil (falecido em 1993) com 15 mil itens raríssimos, comparados em termos de qualidade ao acervo de Mindlin (hoje na USP) e da família Safra. No fundo da casa da família no bairro do Ipiranga, a biblioteca guarda todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis, a primeira edição autografada de Grandes Sertões, Veredas, de Guimarães Rosa, a coleção da importante revista modernista Klaxon, edições com mais de 300 anos - como Theatro de Verdades, de 1744 - entre tantas outras relíquias. Os filhos estão vendendo o acervo particular desde a morte do pai, mas até o ano passado essa negociação era restrita. Atualmente, aparece no site do sebo Calil, que continua em pleno funcionamento (desde 1945, está no 9º andar da Rua Barão de Itapetininga, 88).
a matéria, aqui: https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,com-raridades-filhos-tentam-vender-acervo-particular-de-libano-calil,70002778849?fbclid=IwAR1YFHUaf6e_FN3ZmIyzrlsMrhvKaYpbSaw49vzupsPhEwtPoJGOhxVQEQU
4 de abril de 2019
Milton Andrade finalmente dá nome à Fundação das Artes de São Caetano
Hoje é o dia em que o saudoso Milton Andrade recebe justa homenagem de São Caetano do Sul e tem seu nome oficialmente gravado nas instalações da Fundação das Artes, instituição que recebeu seu sangue, suór e alma e que sem seu empenho jamais teria saído do papel. Ninguém merece mais que ele. Hoje, no dia D da nomeação, tem lançamento de revista e apresentação musical especial. Sigam o folder abaixo...
29 de março de 2019
Frenezine 6 e + poesias de Zhô Bertholini...
Fiquei em estado de graça na semana quando recebi via correio este magnífico "kit poético" do casal literário/fanzineiro Zhô Bertholini e Jurema Barreto de Souza, com destaque para o mais novo exemplar de "Frenezine - Os Cigarristas". A edição desta último está no número 6 (ano VI) e sob a batuta editorial de Jurema , mais as participações de Isadora Ferraz ( capa), Valdir Kastickas Jr. (arte-final) e assessoria visual/layout de Luzia Maninha, traz um recheio poderosíssimo: salpica em suas páginas poesia visual do Zhô ("Tribo") e poemas de ambos cheios de instantes impactantes ( "tempestade/ árvores derrubadas, fios partidos (...) na tarde só o silêncio permanece inteiro" - Jurema; "a rima está dita para ser caos ou solução" - Zhô). Além do Frenezine 6, o envelope ( com carimbos personalizados Zine dos Cigarristas e Propostal- Contém Poesia) trouxe um dilacerante poema avulso de Zhô ( "vale das lágrimas") de janeiro, feito no calor das emoções do trágico acidente da Vale em Brumadinho/MG e mais um pequeno zine especial dos cigarristas ( nome em referência à Cigarra Edições e à antológica revista literária de mesmo nome), em formato sanfonado com a poesia "Viva-se", de Zhô e um desenho bem legal do poeta assinado pelo chapa Humberto Pessoa. Em tempos bicudos como estes, poesias que me chegam assim sem aviso, me fazem levitar e chorar de contentamento. VALEU, Zhô e Jurema!
26 de março de 2019
Tintim e Milu na Radial Leste ( São Paulo)
Essa foi umas semanas...no meio do rush da Radial Leste, voltando de viagem, me deparo com esse caminhão "belga" com a clássica cena de Tintim e Milu que abria os álbuns com suas aventuras. Sensacional! Seria o motorista ( ou o dono do caminhão) um colecionador de quadrinhos? Fã dos personagens certamente é, visto tal homenagem.
22 de março de 2019
Os perfis do Universa/UOL
O UOL, como quase todo site jornalístico atual, tem muitos assuntos inúteis e ridículos por centímetro quadrado, principalmente quando corre atrás das "celebridades" do momento, mas em alguns "cadernos" e colunas, acerta a mão e produz textos substanciosos e bem amarrados. Tenho uma predileção natural para biografias (a maioria na minha pilha literária no criado-mudo) e leio sempre perfis nas revistas e jornais. Ultimamente tenho parado e prestado bastante atenção ao "Universa" do UOL, que além de trazer matérias mais polêmicas de comportamento tem uma equipe muito boa nas pautas que produz perfis de personalidades. O último, da Paola Carosella, com reportagem de Juliana Linhares e Camila Brandalise, está deliciosamente bem recortado. E tem muitos outros anteriores. Leiam aqui:
https://universa.uol.com.br/reportagens-especiais/sem-filtro-paola-carosella/index.htm#ela-desperta-os-instintos
Google celebra J.S. Bach com tecnologia de inteligência artificial
O Google desde ontem celebra o compositor Johann Sebastian Bach em seu aniversário de nascimento ( 21.03.1685) com um Doodle que estreia a ferramenta da tecnologia de inteligência artificial, possibilitando ao usuário interagir e compor uma melodia de sua escolha com harmonias e melodias no estilo do grande mestre. Ou seja, consegue compor em "parceria" com um dos maiores nomes da música mundial de todos os tempos!
Veja abaixo:
"https://www.google.com/doodles/celebrating-johann-sebastian-bach"
18 de março de 2019
Chegaram os gibis número zero da Disney na Culturama
Ontem fui comprar a Folhona na banca do Fernando e eis que me deparo com as cinco edições inaugurais dos gibis Disney publicados pela editora Culturama, todas iniciando no número zero. Curti muito o visual/layout das capas - bem limpo, sem poluição visual - e também a seleção das histórias. Desejo toda a sorte do mundo para o Paulo Maffia e equipe nessa nova jornada. E torço para que o sucesso alavanque a volta das histórias com produção de profissionais brasileiros.
16 de março de 2019
Red Hot Chili Peppers ao vivo nas pirâmides do Egito (15.03.2019)
Meu filho me avisou e eu consegui assistir/ouvir esse showzaço que foi o "Red Hot Chili Peppers Live at the Pyramids", no Egito. Aconteceu ontem (15.03) ao vivo no Youtube para todo o mundo ( para nós no Brasil rolou em plena tarde). A banda se apresentou muito bem e os destaques para mim ( pra variar) foram o inacreditável Flea, com seu baixo encapetado e o baterista Chad Smith ( não é qualquer batera que consegue seguir a apoteose Flea). O show na íntegra, segue lá embaixo.
https://www.youtube.com/watch?v=55pe6t5uc8I
15 de março de 2019
Despedidas de fevereiro
Já estamos na metade de março e mesmo com essa correria-monstra que me assola nos últimos dias, não posso deixar de lembrar os que se foram no mês passado. Um mês que levou a grande diva do teatro musical brasileiro, um mineiro que sabia fazer música bonita ( e jingles), um dos Monkees ( talvez o mais descolado), o goleiro que um dia parou ( ou quase parou) o rei Pelé e abruptamente, um jornalista respeitado pela direita e pela esquerda, cuja morte acarretou uma comoção geral nas redes.
Jeremy Hardy (1961-2019) - um dos pioneiros do humor britânico ao vivo, em palcos e na rádio, Hardy trabalhou por anos na BBC e participou de vários programas na TV.
Julie Adam (1926-2019) - A atriz foi a mocinha do cultuado filme de terror "O Monstro da Lagoa Negra" (1954), inspiração para o diretor Guilhermo del Toro na feitura do oscarizado "A Forma da Água".Julie fez grandes filmes nas décadas de 40 e 50 para a telona e a partir do final dos 50 enveredou para as séries de TV.
Albert Finney (1936-2019) - um ator camaleônico, é o que se pode dizer do ator britãnico Albert Finney, indicado cinco vezes ao Oscar e protagonista da famosa comédia "As Aventuras de Tom Jones" (1963). Fez parte de grandes filmes como "Adorável Avarento" (1970) "Assassinato no Expresso Oriente" (1974), "Erin Brockovich: uma Mulher de Talento" (2000), "Peixe Grande e suas Histórias Maravilhosas (2003), e nos últimos tempos marcou presença em filmes do OO7 e policiais.
Rosamunde Pilcher (1924-2019) - escritora do best-seller "O Catador de Conchas" (1988), produzido aos 64 anos de idade. Começou cedo na literatura, aos 25 anos, mas escrevia sob pseudônimo - só a partir do décimo livro passou a assinar com seu nome legítimo.
Ricardo Boechat (1952-2019) - o elétrico, faiscante, combativo, espirituoso e transparente Ricardo Boechat era daqueles jornalistas que mergulhavam na profissão como poucos. Suas transmissões, reportagens, comentários, aparições faziam parte do cotidiano de milhares de trabalhadores e cidadãos paulistas e cariocas, e sua morte abrupta, em acidente de helicóptero, deixou consternada e estarrecida uma legião de fãs, amigos e companheiros de labuta.
Tavito (1948-2019) - Um mineiro que sabia fazer música bonita. Compôs pérolas como "Casa no Campo" ( com Zé Rodrix), "Rua Ramalhete" (com Ney Azambuja), "Começo, Meio e Fim", "Naquele Tempo". Foi peça-chave no grupo Som Imaginário, que acompanhou Gal Costa, Milton Nascimento e lançou três discos bem consistentes, e por osmose, participou ativamente do Clube da Esquina. Era craque também em jingles - fez entre outros o pegajoso "Cremogema" ( gravado originalmente pela filha de Rodrix e Lizzie Bravo), além de temas famosos para a Copa do Mundo e Globo. Pessoalmente tive duas felicidades extremas relacionadas ao Tavito: uma quando consegui os dois primeiros discos de sua carreira, raros, graças ao amigo Marcelo Fróes e outra recentemente, quando assisti bem de perto um show seu no Sesc, com direito a bate-papo e foto no final.
Bibi Ferreira (1922-2019) - Um dos maiores fenômenos artísticos brasileiros, Bibi reinou nos musicais de teatro por décadas a fio. Filha de outro monstro, Procópio Ferreira, a atriz, cantora, produtora, apresentadora e diretora nasceu praticamente no palco, e só encerrou oficialmente sua carreira no ano passado, aos 96 anos. Fez história na TV, em peças de teatro e em musicais premiadíssimos, como Piaf, Gota d'Agua e Bibi vive Amalia.
Peter Tork (1942-2019) - Um dos integrantes do fenômeno jovem The Monkees, era um "músico" de verdade, indo contra aos que diziam que todos do grupo eram "fabricados" pela mídia. Tork era aliás multi-instrumentista e compositor e seguiu na música nas décadas seguintes, montando grupos diversos.
Roberto Avallone (1947-2019) - jornalista esportivo famoso pelos seus bordões em que terminava as frases citando "interrogação" e "exclamação", fez brilhante carreira no Jornal da Tarde como chefe de reportagem do caderno de Esportes, recebendo dois prêmios Esso. Mas foi na TV, principalmente na TV Gazeta, com suas polêmicas e "acentos", que fez sucesso junto ao público, intermediando mesas redondas de futebol recheadas de tiradas, brigas e discussões intermináveis.
Gordon Banks (1937-2019) - um dos melhores goleiros de todos os tempos, o inglês Gordon Banks foi campeão do mundo em 1966 e "quase" parou Pelé na Copa do Mundo de 70, fazendo uma defesa inacreditável que desde então vem sendo repetida em retrospectivas do futebol universal.
Mark Hollis (1955-2019) - Líder e fundador da banda Talk Talk, o londrino Mark Hollis era vocalista, tecladista, guitarrista e principal compositor da banda. Lançou apenas um disco solo nos anos 90, retirando-se em seguida da cena musical e vivendo reservadamente desde então.
14 de março de 2019
Carolina Maria de Jesus homenageada pelo Google
No 105º de seu nascimento, a escritora Carolina Maria de Jesus, autora do livro Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada, de 1960, é homenageada pelo Google , ganhando esse doodle ilustrado abaixo.
12 de março de 2019
Fernandes premiado em Portugal
Além de muito acima da média em termos de desenho, Fernandes é um baita ser humano, e quem o conhece sabe bem o que eu estou falando. O que ele já faz pela cultura na região do ABC, diariamente, não é pra qualquer um. Além disso, tem os prêmios...cada vez mais sua arte é reconhecida lá fora e agora ele acaba de abiscoitar mais um: primeiro lugar no prestigiado PortoCartoon World Festival, realizado pelo Museu Nacional da Imprensa em Portugal. A categoria em que ele participou e levou o prêmio máximo foi o Prêmio Especial de Caricatura em homenagem ao cantor Bob Dylan. Como ele próprio diz na matéria do Vinicius Castelli no Diário do Grande ABC de hoje ( abaixo), o prêmio é de grande importância por ser disputado por excelentes artistas do mundo todo. Parabéns, mister Luiz Carlos Fernandes! Você merece!
Baú do Malu 77 : "Shirley", de Charlotte Brontë (1945 - 1ªedição - Edições e Publicações Brasil S.A)
Um livro dos anos 40, com capa graficamente muito bem tramada e uma encadernação em ótimo estado: eis meu exemplar de "Shirley", de Charlotte Brontë (1816-1855), a irmã mais velha das três Brontë que chegaram à idade adulta ( duas irmãs morreram ainda adolescentes), todas escritoras, e autora do romance "Jane Eyre". A lombada está bem preservada, sem perdas aparentes, e traz um portrait pintado da personagem principal. A ilustração de capa tem a assinatura "S. Reis". Na contracapa, as "novidades literárias" das "Edições e Publicações Brasil Editora S.A. ( sito à Rua da Liberdade, 704 -São Paulo). A data da edição, para ser mais preciso, é 1945, e é inclusive, a primeira edição brasileira.
23 de fevereiro de 2019
Danilo Caymmi canta Dorival Caymmi ( Sesc-Santo André 22/02/2019)
Fui com meu filho assistir ao show em que o Danilo Caymmi canta as músicas do seu pai, o genial Dorival Caymmi (1914-2008). O projeto se chama "Viva Caymmi" e vem num formato bem simples mas extremamente agradável e eficiente: Danilo no vocal e flautas; a narração histórica feita pelo ator Nilson Raman, também produtor, ao seu lado; e violão a cargo do ótimo Flavio Mendes. Entremeando as canções, histórias divertidas e pitorescas de Dorival, lembradas por Danilo, como aquela em que o mestre tocava seu sucesso "Marina" em uma boate de Copacabana e um cliente "trêbado" encostou uma arma em sua barriga dizendo ser o marido da Marina. Outra que deu o que falar foi com "Maracangalha", canção inspirada no seu amigo Zezinho, que era casado, mas tinha esposa e até filho em outra cidade e quando acontecia algo, mandava telegrama para ele mesmo e dizia à mulher - "Eu vou pra Maracangalha". No repertório, o creme de la creme do cancioneiro caymmiano, das músicas praieiras iniciais ( onde criou um gênero genuinamente brasileiro) e os sucessos na voz de Carmen Miranda, ao período de sambas canções pós-proibição dos cassinos, sua aproximação com Tom Jobim e João Gilberto ( ou seja, com a bossa) e as últimas produções para a TV ( em novelas e séries como Gabriela, Teresa Batista Cansada de Guerra, etc). entre as curiosidades, a confirmação da composição em quatro mãos de "Samba do Avião" com Tom Jobim, mas sem a assinatura de Caymmi. Um show muito divertido e importante pelo seu valor de resgate cultural, que fechou no bis com a deliciosa música de Danilo ( com os parceiros Edmundo Souto e Paulinho Tapajós), "Andança", cantada e decantada até hoje em acampamentos, fogueiras, rodinhas, saraus e karaokês. Deixo também registrado aqui a simpatia natural de Danilo, que esbanja vitalidade aos 70 anos e não se importou em momento algum em ficar aguardando uma fila considerável de fãs para autógrafos e fotos ao seu lado, com um largo sorriso no rosto.
22 de fevereiro de 2019
Baú do Seu João 28: tirinhas em quadrinhos no carnê do IPTU (SP-1984)
Essa foi uma grande surpresa: entre tantos carnês do IPTU que meu pai guardou em caixas de sapato, eis que encontro essas tiras em quadrinhos no verso de um deles, especificamente o do ano de 1984, anunciando o banco Nossa Caixa. A principio, achei que era desenho do Ziraldo, pelos traços, mas a assinatura não batia com a dele. Aí quando postei em um certo grupo de grandes pesquisadores da área, batata! Vários amigos cravaram que as tiras eram do Zélio, irmão mais novo do Ziraldo. A assinatura dele nem sempre parece seu nome e nesse caso, até lembra a palavra "Mineiro". Mais uma surpresa do eclético baú do Seu João!
19 de fevereiro de 2019
Baú do Seu João 27: série 3-D Sensacional ( Chocolates Nestlé/Disney/Rio Gráfica e Editora) - 1982
Reinicio aqui, quase 1 mês depois da morte de meu querido e saudoso pai, João Massolini, a série "Baú do Seu João", com preciosidades e curiosidades de seu vasto acervo cultural. Retomarei sua numeração, mas tentarei fazer as postagens com menos espaço de tempo como forma de homenagear meu pai.
Posto nesta retomada esses curiosos livretinhos em 3-D que vinham nos chocolates Nestlé no início dos anos 80. Os Chocolates Surpresa, mais pro final dos 80, virou uma marca icônica e ainda hoje é muito lembrada nas redes sociais por ter trazido como brinde cartões temáticos (principalmente animais), figurinhas e até miniaturas. Mas desses livretinhos 3-D que acompanhavam as barras tradicionais eu não me lembrava. Na contracapa aparece o registro: "1982- Criação de Divisão de Projetos Especiais da Rio Gráfica e Editora", o que me faz constatar que foi mais um "jeitinho" da RGE de publicar personagens Disney nas "barbas" da Abril, hegemônica desse universo com seus gibis. O que me leva a lembrar também daquela série "Robinson" que a Rio Gráfica lançou lá no final dos 50/início dos 60, com personagens e séries "renegadas" ou "esquecidas" pela Abril. Do acervo do meu pai, não achei o nº 3 desse "Bambi". Se encontrar posteriormente, atualizo aqui. Ah, e o óculo, como vocês podem ver, foi substituído por um da Folha....rs. Meu pai era ligeiro!
17 de fevereiro de 2019
LP "Urbana" - Leo Karan - Marcus Pereira ( 1976)
Depois de longo inverno, voltei na tradicional Feira do Vinil de Santo André para papear com velhos camaradas e caçar relíquias por bons preços. Bati longo papo com o boss Cesar Guisser, que mesmo com uma dor nas costas lascada, se entusiasmou ao me soprar sobre a feira especial que rolará em junho desse ano por conta dos 15 anos do evento! Essa longevidade só foi possível pelo empenho e paixão do próprio Guisser desde o início. A parada seguinte, e obrigatória, foi na banca do Carlinhos, amigo de longa data, proprietário de um sebo na Zona Sul (V.Liviero). Ele sempre tem discos "não óbvios" e lados Bs fora dos valores estratosféricos. Dessa vez ele já tinha guardado pra mim mais um disco do selo Marcus Pereira ( minha fixação!) e um 10 polegadas com capa fantástica! (que postarei aqui em breve). Pra agora, fiquemos com o tal LP da MP:
Leo Karan, nascido em Novo Horizonte (SP) e músico de bares do centro de São Paulo entre os anos 60 e 70, foi da turma do Jogral, fez música com Adauto Santos, parceria com Paulo Cesar Pinheiro e acompanhava sempre que podia Luis Carlos Paraná em seus projetos. Chegou a se inscrever em festivais universitários e lançou seu único disco pelo selo Marcus Pereira ( aqui embaixo,na íntegra), "Urbana", de 1976, com várias músicas em parceria com o irmão, Gilberto Karan (além dos citados Adauto e Paulo Cesar Pinheiro) e a presença de Theo de Barros ( também como maestro e arranjador), Theo da Cuíca, Hector Costita, Carlos Poyares, os maestros Elcio Alvares, Erlon Chaves e Damiano Cozzela, entre outros. Mais um daqueles tempos que sumiu sem deixar vestígios. A música é samba paulista, mas com pitadas de circo, toada, evocações noturnas e com eflúvios, claro, do Jogral, João Sabastião Bar, Redondo, etc etc.
https://www.youtube.com/watch?v=7fLozIMTl2s&t=206s&fbclid=IwAR1jdTxjLP-vS6YNrTzdpvBPbxoQyfByqW-XLuABlMSc9a1CN0OvrfoWVz8
12 de fevereiro de 2019
Despedidas de janeiro/2019
Como eu estava as voltas com a doença do meu pai no início do ano, deixei de postar sobre as personalidades culturais que deixaram o nosso planetinha ( para um lugar melhor, sem dúvida, visto os terríveis últimos acontecimentos que despencam em nosso colo todo dia). Fica aqui o registro e um pequeno perfil deles;
Pedro Bento (1934-2019) -(03/01) Um ícone da música sertaneja, Joel Antunes Leme, conhecido como Pedro Bento, faleceu aos 84 anos, e já estava sem seu parceiro de décadas, Zé da Estrada, falecido em 2017. A dupla tinha como característica marcante o uso de "sombreros" e roupa típica, inclusive incorporando ao som elementos mexicanos.
Edyr de Castro (1946-2019) - (15/01) Atriz, integrante do grupo As Frenéticas, já havia diagnosticado Alzheimer desde 2004 e morava há alguns anos no Retiro dos Artistas. Foi casada com Zé Rodrix, com quem teve uma filha.
Marcelo Yuka (1965-2019) - (18/01) Cofundador, Baterista, letrista e um dos principais compositores de O Rappa, Yuka ficou paraplégico em 2000 após levar nove tiros ao tentar proteger uma mulher em um assalto na Tijuca. Ainda permaneceu no Rappa por mais de um ano, quando a banda lançou disco ao vivo gravado antes do seu incidente. Declarou divergências com os outros integrantes quando saiu. Criou pouco depois a banda F.U.R.T.O (Frente Urbana de Trabalhos Organizados), parte de um projeto social já existente, e só lançou seu disco solo em 2017. No ano passado já tinha tido um AVC. Nesse último acidente vascular, acabou não resistindo. Deixa um vasto acervo de músicas, letras e pinturas, muitas delas inéditas.
Marciano (1951-2019) - (18/01) Reconhecidamente no meio como um dos grandes cantores sertanejos, Marciano faleceu aos 67 anos, depois de um infarto agudo ( em São Caetano do Sul, assim como Pedro Bento). Mas não era só cantor - mandava muito bem nas letras e compôs sucessos populares duráveis ( muitos ao lado de Darci Rossi) como "Fio de Cabelo" e "Crises de Amor". Além de ser gravado por dezenas de duplas desde os anos 70, também manteve uma carreira solo desde 1993 e chegou a fazer dupla também com Milionário.
Roberto Livi (1942-2019) - (25/01) Cantor, compositor e produtor argentino, começou dançando rock and roll em seu país natal. No início da Jovem Guarda (1964) aproveitou oportunidade dada por um empresário brasileiro e acabou fazendo sucesso aqui com dois LPs e váriuos singles. Nos anos 70, voltou para a Argentina, gravando seus sucessos em espanhol, ma slogo voltou a gravar no Brasil. Produziu muita gente a partir da mesma década, de The Fevers a José Augusto, além de ter lançado Sidney Magal. A partir dos anos 80, foi trabalhar nos EUA. Suas músicas foram gravadas por artistas do mundo todo, de Roberto Carlos a Julio Iglesias, de Sting a Zé Rodrix, de Pimpinela a Armando Manzanero. Em fevereiro de 2018 voltou como cantor, apresentando o single "La Puntita".
Michel Legrand (1932-2019) - (26/01) Michel Legrand é um dos maiores músicos da França. Compôs para inúmeros filmes de sucesso, como Les Misérables, e marcou o jazz mundial liderando bandas que contaram com anata do gênero - Miles Davis, Bill Evans e John Coltrane foram alguns deles - além de compor para Stan Getz, Sarah Vaughan e muitos outros. Canções suas viraram standards, regravadas por músicos de jazz por décadas a fio.
Sérgio de Carvalho ( 1949-2019) - (26/01) Produtor responsável por discos primordiais na história da nossa música, Sergio era irmão dos músicos Dadi e Mú. Entre os destaques de sua carreira, a produção dos principais discos de Chico Buarque entre 1972 e 1994; e também discos de Fafá de Belém , Emílio Santiago , Edu Lobo , Gal Costa, Elba Ramalho, Luiz Melodia (o fundamental "Pérola Negra"), Quinteto Violado, Nara Leão, Simone, Francis Hime, Altamiro Carrilho, MPB-4,Quarteto em Cy, Guilherme Lamounier , A Cor do Som, Zizi Possi e Raul Seixas, entre outros, muitos outros. Na Globo, foi responsável por 10 especiais de Roberto Carlos.
James Ingram (1952-2019) - (29/01) Cantor, compositor e produtor musical americano, ficou conhecido pelas músicas em trilhas no cinema e duetos premiados. Iniciou carreira na banda Revelation Funk e cantor de estúdio, chamando a atenção de Lamont Dozier, um compositor de reputação ( Motown) que o chamou para participar de seu disco - a música Love's Calling fez parte do álbum Zíngara (1980) e foi um sucesso. A partir daí, duetos marcantes com Patty Austin ( incluindo a número 1 "Baby Come to Me"), Kenny Rogers, Kim Carnes, Michael McDonald, Linda Ronstadt; produções ao lado de Quincy Jones, Ray Charles, Anita Baker, Natalie Cole, Nancy Wilson; e partipação junto a outros 45 artistas no memorável "We Are the World". A partir dos 90, focou a carreira no cinema.
11 de fevereiro de 2019
LP "Isto é Lamartine Babo" com Os Rouxinóis (1963 - Continental - Selo Som)
Carnaval chegando e não poderia ter sido em outra hora o meu encontro com esse maravilhoso LP "Isto é Lamartine Babo", com os Rouxinóis (1963). O grupo vocal, com Dinorah Lemos, Maria Terezinha Gonçalves Dias, Zenilda Barroso, Inácio Gomes Dias Filho, Jair Pinto de Avelar, Mario Machado e Raul Moreno, durou perto de um ano ( 1963-1964), mas deixou projetos importantes como este disco tributo lançado em comemoração à "Noite de Lamartine Babo", realizada no Teatro Municipal do Rio de Janeiro em 01 de agosto de 1963. Antes, participou do espetáculo "O Teu Cabelo Não Nega", show de Carlos Machado no Golden Room de Copacabana Palace que contava a biografia do mestre compositor, falecido em junho do mesmo ano, de infarto. Seu parceiro de músicas, Braguinha, costumava dizer que o Carnaval é dividido em duas fases: antes e depois de Lamartine. No disco tributo, Os Rouxinóis cantam as marchinhas clássicas de seu repertório, e também canções que se imortalizaram no cancioneiro popular, como " Terra da Boa Esperança" , "No Rancho Fundo" (com Ary Barroso), "Eu Sonhei que Tu Estavas Tão Linda" (com Francisco Matoso), fechando com os hinos dos clubes cariocas - América, Flamengo, Vasco da Gama, Fluminense e Botafogo. Os arranjos são do maestro Guaraná e o texto de capa de Sérgio Cabral. E tudo isso embalado com essa capa maravilhosa ilustrada pelo desenhista que melhor soube interpretar o Rio de Janeiro, suas paisagens, cotidiano e mulheres: Lan! Lanfranco Aldo Ricardo Vaselli Cortellini Rossi Rossini, nascido na Toscana italiana, completará 94 anos em 18/02! Pois então que esta espetaculosa capa seja uma homenagem de aniversário a ele.Viva Lan! Viva o Carnaval!
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