Setembro começou muito bem (como pode ser lido no post anterior, sobre o novo e vibrante festival de quadrinhos da cidade de São Paulo) e terminou na mesma vibração e sintonia. Ribeirão Pires, cidade com ares "suiços" na região do Grande ABC, nos brindou no final do mês com sua primeira feira literária (FLIRP), que pelas postagens posteriores e repercussão acalorada, certamente já entrou para o calendário anual ou bianual do município. Além de palestrantes ilustres (Ignácio de Loyola Brandão, Marcelino Freire, Antonio Carlos Secchin, entre outros), a feira contou com um público entusiasmado (no primeiro dia, quase 10 mil pessoas passaram por lá) e dezenas de estandes espalhados pelas ruas do entorno do Paço Municipal. Entre as editoras, a 34, a Martins Fontes, o Sesc, e dezenas de pequenos e médios editores, sebos e autores independentes. A APL (Academia Popular de Letras), capitaneada pela querida Ana Maria Guimarães Rocha, da Biblioteca Municipal Paul Harris, de São Caetano do Sul e da qual faço parte há mais de 10 anos, compareceu em peso (aproximadamente 60 escritores em dois dias), em espaço vizinho ao da revista Raízes e da Academia de Letras da Grande São Paulo. Foi muito emocionante: desde a visita de amigos queridíssimos (amigos de jornalismo da Metô como Gigi, Vivi e Nídia; amigos da velha turma de bairro como o Égon - o Rogério infelizmente, não consegui encontrar a tempo, mas ele encontrou o Ignácio!!; o sempre presente André Briesi, comparsa na APL; e meus queridos familiares, sempre me incentivando muito: Dona Ivete, Magnão e Solange, Julia, meus filhos Lê e Biel e minha companheira de 30 anos Cris), até várias presenças essenciais de aliados da escrita dentro do próprio estande, uns já conhecidos de guerra, outros recentes: Ivan Ferretti, Catarina Rodrigues, Carlos Galego, Cris Escudeiro, Aristides Theodoro, Iracema Mendes Régis, Aderilza Santana, Nelson Albuquerque, Edmir Camargo e Norma, Ricardo Cardoso, Claudio Feldman, Luciana Tani, Márcia Gallo (na vizinha revista Raízes), Sergio e Cida Simka, Laura Figueiredo, Thais Matarazzo, Solange Borges & Suzy; Sergio Ballaminut, Gonçalo Jr., Hildebrando Pafundi (esses três pela Algrasp), Edna Kalil, Elias Felimon, Ala Voloshyn, Adailio Marrocos, Aline Peruzzo, Cris Arantes, Fernando Santos, Eli Luizaga, Douglas Bunder, João Carlos de Brito, Marcos Miller, entre tantos. Só a ida para lá no primeiro dia (sábado) já daria um filme: fui de carona com o elétrico Vitório Cestaroli, e entre conversas e conversas (o Vitório, do alto de seus oitenta e poucos anos, tem história a rodo) e um GPS imaginário, erramos o caminho e fomos parar na Zona Leste de São Paulo (São Mateus, Parque São Rafael) até desembocar numa linda e preservada via na serra (Estrada de Sapopemba) que milagrosamente e sem nós sabermos, nos deixou no pé de Ribeirão Pires! Uma aventura digna do clima que vivenciaríamos na feira. O sábado e o domingo foram dias inesquecíveis, com muitos "causos", risadas, "caçadas literárias" (encontrei livros grátis de Flaubert e Dalton Trevisan numa estratégica geladeira!) e até um sarau emocionante! A APL participou da FLIRP com muito calor humano e com certeza estará na próxima. Valeu muito! (a maioria das fotos na postagem são minhas e da Ana Maria).
A APL em peso! (e essa é só uma parte!)5 de outubro de 2022
1ª FLIRP (Feira Literária de Ribeirão Pires) - APL, presente!
8 de setembro de 2022
1º GIBI SP FESTIVAL (3 e 4 de setembro de 2022)
No último final de semana rolou o 1º Gibi SP Festival, capitaneado pelo grande Wilson Simonetto e sua valorosa equipe. E pela segunda vez nesse tipo de evento, participei como expositor/vendedor (já tinha participado com Francisco Ucha e Alexandre Morgado do último Festival Guia dos Quadrinhos, antes da pandemia). Foi um alegria imensa! Além de fazer aniversário no domingo, pude rever grandes amigos do colecionismo e conhecer ao vivo finalmente alguns colecionadores de quadrinhos que eu só conhecia via internet. Como eu comentei com alguns confrades no evento, eu não poderia estar em outro lugar mais aprazível e reconfortante no meu aniversário! O Gibi SP certamente vai se firmar no calendário de eventos de HQs, pois unanimemente foi aprovado por quem expôs e compareceu à Vila Mariana nos dois dias. Com todo o respeito aos megaeventos como o CCXP, que tem seus méritos e sua importância no mercado mais do que comprovada, mas o Gibi SP também é imprescindível, pois traz de volta um formato muito bem vindo e que tinha deixado órfãos desde que o Festival Guia dos Quadrinhos (ex-Mercado de Pulgas) encerrou sua história depois de uma década: o formato-raiz, onde o foco é gibi, gibi e gibi! Foi lá no saudoso Guia que conheci muita gente boa dos quadrinhos, a partir de 2010, e muitos deles eu reencontrei neste fim de semana emocionante em São Paulo. Inclusive, por ser um local onde aconteceram várias edições do FGQ, eu tive a plena sensação de que tinha voltado no tempo! Entre os expositores e palestrantes, estavam muitos amigos: Marcelo Alencar, Gonçalo Júnior, José Braga, Flávio Luiz, Adriano Rainho, Manoel de Souza, Edson Diogo, Celsão Comic Hunter, Sam Hart, Roberto Guedes, o pessoal do Rio (Copa Comics) - André Luiz Aurnheimer, Luciano Lino e Marcelo Magalhães -, Marcelo Naranjo, Mauricio Muniz, Jota Silvestre, Daniel Esteves, Leandro Luigi. E entre os visitantes, mais surpresas boas: o Alexandre Morgado, o Peter Mihajlovic, o Dedy Edson e o Claudio Juris, bons amigos que conheci em eventos muito, muito longínquos (tendo inclusive colaborado com o essencial projeto do Morgado: "Marvel Comics - A Trajetória da Casa das Ideias no Brasil), apareceram na mesa; Toni Rodrigues, grande amigo e idealizador da fantástica revista MeMo, que já está em sua 10ª edição (outro projeto que me deixa muito lisonjeado em colaborar), também apareceu - e acabou levando duas edições de Akim da Editora Noblet; ainda teve a visita do Bruno, filho do Flavio Micali, grande amigo meu dos tempos de Jornalismo na Metodista; do irrequieto ilustrador, quadrinista e fanzineiro Marcos Venceslau; de dois dos três cabeças da incrível "Pipoca & Nanquim" - Alexandre Callari e Bruno Zago; do especialista em Mort Walker, Vanderlei Garcia e a presença marcante do colecionador mineiro Pedro de Oliveira, um farejador implacável de gibis com brindes - eu acabei conseguindo pra ele um exemplar do Mickey com uma moeda de brinde. Aliás, a sua história do medalhão foi uma das muitas histórias de colecionismo que bombaram pra valer no evento: todos ficaram curiosos em saber qual era a origem daquele medalhão rústico com a efígie do Tio Patinhas, mostrado em imagem no seu celular, que ele havia adquirido uns tempos atrás. Depois de idas e vindas, finalmente o Marcelo Alencar, um dos maiores conhecedores de Disney no Brasil, matou a charada: o medalhão rústico, na verdade, serviu de molde para uma posterior "Pataca" patrocinada e distribuída aos clientes pela Poupança do Itaú. Bingo! Senti falta de alguns amigos que sempre estão nesses eventos: Renato Frigo - que era pra ser meu primeiro "sócio" de mesa, mas também teve problemas particulares -, Francisco Ucha, Laudo Ferreira e o Wil Sideralman, pra citar alguns. Fui agraciado no evento com dois companheiros de mesa incríveis. Inicialmente, quem ficaria na minha mesa era o Franco de Rosa (depois do Frigo), mas por conta de um imprevisto, ele acabou passando o bastão para o Giovanni Voltolini, que eu conhecia só de nome. E foi no evento que eu descobri o porque do Giovanni ser considerado uma lenda entre os colecionadores. Vou contar só uma dele: em 1977, Giovanni estava na Itália, e comprou um exemplar de Ken Parker, que havia acabado de sair em revista própria na Velha Bota. Se apaixonou pelo gibi e na volta, procurou o Ota na Editora Vecchi e soltou: "Ota, porque você não publica Ken Parker no Brasil?". Ota aceitou a sugestão, publicou a revista Ken Parker (a partir de 1978), que durou 53 números e o resto é História. Giovanni, que era da velha turma do Franco na Livraria Gibi nos anos 70, tem muitas histórias no colecionismo e hoje revende material de quadrinhos importado. Com ele apareceu para ajudar na mesa outra figura rara: Wilson Costa de Souza, considerado por muitos um dos maiores entendedores de super-heróis em nossas plagas. Com essa dupla dinâmica - que trouxeram para venda um novo número do fanzine Alegoria (depois de muitos anos!) com histórias inéditas de Jack Kirby e Cavaleiro Fantasma - mais a boa vizinhança (JBraga na direita e o Copa Comics na esquerda) o nosso pedaço ficou bem agitado e animado. A agitação, inclusive, me impossibilitou de conversar com alguns colegas que vi passar nas imediações da mesa, como o Luis Fernando Garcia, o Antonio Carlos Rodrigues e o Gérson Fasano. Na próxima dá certo. Para coroar a participação no evento e o meu aniversário "Cinco ponto Cinco", ainda ganhei presentes (obrigado, Gonçalo, Manoel e Magalhães), encontrei gibis fantásticos para a minha coleção (Ferdinando; Capitão Atlas; Charlie Chan) e ganhei o grande prêmio do Quiz Nerd, atração tradicional apresentada por Mauricio Muniz: uma edição Omnibus luxuosa do Fantasma pela Editora Mythos. Com 55 anos recém completados nas costas, eu parecia uma criança! Vida longa ao Gibi SP Festival!!
Bruno, filho do meu amigo Flavio Micali
A animada turma do Copa Comics: André Aurnheimer, Luciano Lino e Marcelo Magalhães
10 de agosto de 2022
Baú do Seu João 36: "Infraphil"
Invariavelmente, meu pai vinha do trabalho com algo que comprava na rua: se não era jornal, revista ou fascículo, podia ser alguma guloseima de mercadinho ou algum eletrônico exótico, uma ferramenta estranha ou um item tecnológico surpreendente que algum colega de "firma" lhe tinha apresentado ou dado a dica. Certa feita, adentrou nosso lar no fim do expediente com essa caixa suspeita, onde se lia: "Infraphil - o Calor que Cura". O "troço" peculiar era fabricado por uma marca famosa (a alemã Philips) e prometia curar o corpo de alguns males do cotidiano (queimaduras, luxações, machucados, sinusite, reumatismo, dores de dente) e até servir como tratamento de beleza, graças à exposição de sua luz infravermelha. O tal Infraphil tinha uma aerodinâmica arrojada e um design futurista e por algum tempo, meu pai fez um ritual diário de exposição ao raio infravermelho saído da grande "lanterna" frontal do dinâmico aparato, afinal, como dizia o folheto do aparelho revolucionário, "sua família precisa de calor". Assim foi, até que passado algumas semanas, numa noite como qualquer outra, meu pai guardou o Infraphil na caixa, enfiou no fundo de seu guarda-roupa e simplesmente se esqueceu de sua existência. Mais uma vez, como várias outras vezes, a rotina de casa voltava ao seu trivial. Pelo menos até uma outra aquisição inusitada do irrequieto Seu João, de preferência aquelas que prometiam mudar sua vida de um dia para o outro.
7 de agosto de 2022
Um brinde ao querido Jô! (Jô Soares -1938-2022)
https://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/frente-frente-com-o-mestre.html?m=0
10 de julho de 2022
Dia Mundial do Rock em São Caetano do Sul (13/07) com show do Porão 99!
Na quarta-feira próxima (13/07) estarei mais uma vez ao lado do agitador cultural, empreendedor, mestre de cerimônias e especialista em rock, Rick "and Roll" Martins, que além de apresentar todo o evento no palco, promoverá no Dia Mundial do Rock uma programação imperdível no Espaço Leandrini (endereço no flyer acima), com direito à feira cultural de vinil, moda e quadrinhos (eu sou o "Oásis HQ" do folheto promocional) que começa a partir das 14 horas e abre os trabalhos para o grande show de comemoração dos 55 anos de carreira da lendária banda Porão 99, um ícone na história do rock nacional. Uma grande honra para mim participar deste momento histórico para a cidade. Quem quiser acompanhar as atrações preliminares do show, a partir das 14 horas, não paga nada pra entrar. A partir das 19 horas, os portões abrem para quem vai assistir o show do Porão, e a entrada custa R$30,00. As mesas já estavam praticamente esgotadas, mas quem quiser arriscar, pode checar se ainda há reservas no celular 98920-5008. Viva o Rock! Viva o Porão 99! E como diz o nobre Rick: - E tirem o pé da parede!
"Mauricio e Companhia" - amanhã (11/07) começa mais um imprescindível projeto no Catarse
Depois do sucesso do livro do Ziraldo entre especialistas e fãs das artes gráficas, começa mais uma campanha imprescindível criada pelo jornalista, editor e desenhista Francisco Ucha. "Mauricio e Companhia", que tem co-autoria do Luigi Rocco e minha, segue a mesma linha do lançamento do Ziraldo: duas grandes entrevistas concedidas ao Francisco Ucha por Mauricio de Sousa no Jornal da ABI serve como base para outras atrações do projeto, como uma extensa pesquisa realizada pelo Rocco sobre o período em que Mauricio entrou de cabeça na distribuição de tiras para jornais, com dezenas de autores nacionais nos anos 1960; um texto meu e do Ucha sobre as tentativas anteriores de publicação da revista da Mônica, que acabaram frustradas (com um depoimento inédito de uma testemunha que participou diretamente de uma das tentativas); curiosidades e revelações inéditas da carreira do autor e empresário; imagens surpreendentes; além da capa maravilhosa de Luiz Carlos Fernandes (de novo!) e o prefácio do competente escritor e especialista em quadrinhos Nobu Chinen. Mais um lançamento que não pode faltar na prateleira de quem acompanha a carreira de Mauricio de Sousa, dos fãs de seus inúmeros personagens e dos estudiosos e entusiastas da nona arte. O link da campanha é:www.catarse.me/mauricioecia
HQ Memories 5
Um dos importantes fanzines atuais que resgatam raridades e histórias inéditas das HQs brasileiras e estrangeiras, o HQ Memories, produzido e editado pelo Luigi Rocco, chega ao número 5. Mais uma edição recheada de surpresas, como as duas histórias curtas do Rodolfo Zalla, publicadas no Diário Popular assim que chegou da Argentina em 1964; mais uma incrível história do grandioso Alain Voss (em parceria com Angelfred); uma sátira muito inteligente feita por Minami Keizi e Fernando de Almeida com foco no lendário projetor usado por Gedeone Malagola para decalcar histórias em suas produções para os quadrinhos, com direito a vários personagens que "homenageiam" artistas e profissionais reais da época; e as tiras do detetive Teobaldo, de Lyrio Aragão, que chegou a ter revista própria no final da década de 1960, mas antes teve em duas fases, suas tiras publicadas em jornais com distribuição de Mauricio de Sousa. Completam o fanzine Milo Manara - dentro de uma série sobre a Declaração dos Direitos Humanos que chegou a ser publicada no Estadão em 1989 -, Frazetta e Herrero. Na última página, ao lado da página de futebol de Herrero, publicada originalmente em 1965 na Folha de S.Paulo, saiu a minha carta-resenha, que mandei para o autor e que chegou a sair aqui no blog parcialmente (imagem abaixo). Mais um número imperdível que pode ser comprado por apenas 25 pilas diretamente com o Luigi Rocco (contato: luigirocco29@gmail.com). Mas corram, que essa edição saiu com apenas 30 exemplares.
11 de junho de 2022
"Ziraldo - Memórias" no Catarse (até 19/06)
29 de maio de 2022
Momento Rockabilly - Informativo nº2 (junho-2022) - Mais um petardo de José Zinnerman Nogueira
Recebi mais um petardo imprescindível do meu velho amigo José Zinerman Nogueira, o "Fóssil Vivo do Underground": o informativo "Momento Rockabilly", um movimentado zine digital com grandes momentos do gênero rockabilly (e seu "primo" atual psychobilly), tanto dos velhos tempos como do último mês. E o veículo rocker vem com aquele já conhecido "pacote completo" do Nogueira: cobertura de shows, perfil de artista, foto histórica, entrevista, letra de música, galeria de imagens e contatos das bandas. Com destaque para o rocker Caio Durazzo (que aparece na capa ao lado de JZN, acima), outro que faz muito pela cena do rock underground. Para quem quer visualizar este informativo completo (nº2, que tem data de junho de 2022), ou outras criações de José Zinerman Nogueira (o homem não para!), entre em contato nos seguintes endereços:
zinerman_nogueira (instagram)
CX Postal 22 CEP 01031-970 SP-SP
José Zinerman Nogueira (Facebook)
e-mail: jn7400@gmail.com
26 de maio de 2022
Baú do Malu 86: Livreto "Tambaú - A Cidade dos Milagres" - Ado Benatti
Esse simpático livreto acima eu encontrei dentro de um móvel bem antigo em um antiquário da região de São Pedro-SP uns tempos atrás. Me chamou a atenção a bela imagem da capa (sem crédito) e o seu caráter bem artesanal. Tirando a informação de que o livrinho foi distribuído pela Tipografia "Souza", situada no bairro do Brás (São Paulo), mais nada se sabe dessa misteriosa mini publicação (data, tiragem, etc - como não tem preço, possivelmente foi distribuído gratuitamente). No texto de introdução do autor, fica-se sabendo dos "Milagres de Tambaú", cidade que segundo ele "era falada no Brasil inteiro como palco de milagres e acontecimentos incomuns", atribuídos a um padre falecido - Donizetti Tavares de Lima - considerado santo pelos devotos, ainda em vida, principalmente a partir da meados da década de 50. O autor, Ado Benatti (outro mistério), preferiu contar a história desses milagres usando a linguagem dos cordéis (nas palavras dele, na "linguagem sertaneja"),com estrofes de 8 linhas em 22 páginas (o total do livro é de 32 páginas). Numa rápida pesquisa na internet, vê-se que o padre Donizetti (1882-1961) é bem comentado até hoje e deixou marcas na cidade de Tambaú-SP. Mais aqui: http://www.padredonizetti.com.br/bio.asp
25 de maio de 2022
Baú do Seu João 35 - Foto do Corínthians de 1969
29 de abril de 2022
100 anos de Toots Thielemans (Doodle)
Hoje o Google homenageou o grande músico belga Toots Thielemans, que completa 100 anos hoje, com um 'Doodle' muito bem desenhado. Toots, considerado um dos maiores gaitistas de todos os tempos, chegou a tocar ao vivo no Brasil e participou de projetos com brasileiros ao longo da carreira (Sivuca, Elis Regina e Astrud Gilberto foram alguns deles). Começou a carreira como guitarrista, e além da gaita, foi também um grande assoviador profissional.
25 de abril de 2022
"50 Poemas de Revolta"
Aqui pertinho de casa, uns quatro quarteirões pra cima, uma lojista resolveu colocar na calçada um simpático móvel com livros sortidos para retirada grátis. O famoso "deixe um, pegue outro". Hoje levei lá cinco livros do meu acervo e peguei três: um infantil do escritor João Carlos Marinho - "O Conde Futreson" - com a turma do Gordo; um volume da série "Viagem pelo Brasil", "Qual é o seu Norte - Almanaque da Amazônia", de Silvana Salerno com ilustrações do ótimo Gonzalo Cárcamo; e um livrinho de antologia poética, "50 Poemas de Revolta" (Cia das Letras), com uma seleção bem escolhida de poemas indignados, daqueles que põe o dedo na ferida, cutucam, gritam aos quatro ventos, ironizam a hipocrisia, subvertem o estabelecido. Entre os poetas, luminares como Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Drummond, Vinicius, Roberto Piva, Zuca Sardan, Chacal, Ana Cristina César, Torquato Neto, Leminski, Alice Ruiz, Jorge de Lima e muitos outros. Nesses tempos em que se trocam as mãos pelos pés como se troca de roupa, se indignar, se revoltar, é como respirar! Seguem dois versinhos singelos da antologia citada:
ERRO DE PORTUGUÊS
Oswald de Andrade
Quando o português chegou
Debaixo d'uma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena!
Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
o português
OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO
Carlos Drummond de Andrade
Chega um tempo em que não se diz mais: meu
{Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.
Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.
Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos
{edifícios.
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.
(no correr do ano, posto mais desses versos subversivos)
24 de abril de 2022
Cartões comerciais no armarinho
Fui acompanhar minha sogra em suas caçadas por boas linhas para tricô/crochê e nessa expedição paramos em um armarinho no centro de São Caetano. Tudo muito colorido e cheio de surpresas (ainda mais para um leigo como eu), incluindo pincéis, papeis colantes, miniaturas de todo tipo, etc. Na saída, no caixa, vi esses cartões comerciais e trouxe comigo - achei o design bem criativo em ambos. O primeiro, capturando imagem de algum anúncio bem antigo, onde as mulheres lindas desenhadas imperavam e outro com um bem resolvido lettering, onde a agulha perpassa o título. Ei-los aqui, para apreciação.
2 de abril de 2022
Ruy Maurity (1949-2022)
Ultimamente, principalmente na pandemia, passei a escutar sons recorrentes quando escrevia a trabalho no computador: Nick Drake, Elton John, Donny Hathaway, Astrud Gilberto, Johnny Alf, entre outros. E o querido Ruy Maurity era um deles - ouvi muito, muito, sua música profundamente brasileira, rural, que funde com perfeição folclore, crença, natureza e um olhar bem próximo daquele brasileiro que mora lá no fundo do Brasil, fora das mídias e das estatísticas. O som de Maurity me acompanha desde a infância, quando assobiei e cantarolei muito "Nem Ouro, Nem Prata" ("Eu vi chover, eu vi relampear") e "Marcas do que se Foi", que a família toda cantava anualmente nas festas de réveillon. O compositor, ao lado do seu parceiro José Jorge, foi figura carimbada nas trilhas de novelas por toda a década de 1970 e surgiu para a música no Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia Cinco", dele e de Zé Jorge, no início da década. Além de "Nem Ouro Nem Prata" e "Marcas do que se Foi", outras músicas de seu repertório acabaram na boca do povo, como "Serafim e seus Filhos" (regravada por vários artistas e com direito a continuação) e "Menina do Mato". Os amigos e conhecidos são unânimes em dizer que Maurity era uma pessoa muito tranquilo e doce. Eu pude presenciar isso quando há uns quatro ou cinco anos atrás, resolvi ligar para ele, com a intenção de entrevistá-lo. Ele foi muito solícito e simpático, mas recusou meu convite: "Marcos, no momento eu só quero curtir os meus bichos e minha aposentadoria". Realmente, esse amor pelos bichos era latente em suas postagens nas redes sociais, geralmente com fotos de cães de todos os tipos. Até que no dia 01/04, no portal do seu irmão, o também compositor Antonio Adolfo, veio a notícia de seu desencarne, aos 72 anos. Que sua doçura ecoe na imensidão e sua entrada no outro plano venha com a tranquilidade que você sempre procurou colher aqui nessa vida.
Aqui, full, um dos grandes discos de Ruy Maurity:
30 de março de 2022
Elifas Andreato (1946-2022)
Elifas Andreato partiu aos 76 anos. Mais um grande artista gráfico brasileiro que nos deixa recentemente - nesse último mês, tivemos a partida de Gepp (1954-2022), da inesquecível dupla Gepp & Maia (como esquecer a série do Pinóquio-Maluf do JT?) e do Luscar (1949-2022), um dínamo do nosso humor gráfico. Elifas foi editor, compositor, ilustrador e principalmente design gráfico, se consagrando como um dos mais prolíficos capistas de discos do Brasil. E em todas essas atividades, nunca deixou de lado sua veia democrática e sua luta em favor dos desfavorecidos. A sua arte cativante e vívida certamente ficará em evidência para gerações futuras, assim como atingiu seus contemporâneos de forma tão profunda. Muitos textos bem feitos sobre sua longa carreira podem ser lidos de ontem pra hoje na internet ( o texto do Mauro Ferreira no G1 e o trecho da entrevista dada ao ótimo Marcelo Pinheiro, sobre o jornal Opinião, cofundado por ele, são bons exemplos), mas quero deixar aqui alguns momentos em que o Elifas passou por minha vida e deixou marcas indeléveis.
- Ainda na minha infância, tive o privilégio de manusear e escutar a coleção "História da Música Popular Brasileira", da Editora Abril, que meu pai pacientemente completou comprando os fascículos mensais na banca de jornal. Além de conhecer a nata da música brasileira nos textos de especialistas e nas faixas dos discos que vinham encartados, apreciei com gosto pela primeira vez a arte única de Elifas, nas artes, nas fotos e na composição das capas dos fascículos - um dos primeiros trabalhos gráficos de sua lavra.
- Segui na vidas como colecionador de HQs e discos e um grande apreciador da arte nas capas dos LPs, um dos objetos sagrados da nossa cultura que propiciou momentos únicos do design brasileiro. Elifas, um dos capistas mais atuantes, aparecia sempre em minhas aquisições, com destaque para suas obras-primas para discos de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Foram muitos (em sua carreira, aproximadamente 500 capas).
- Quando fui trabalhar no Dedoc da Abril no início dos anos 90, tive a honra de ajudar a equipe do Almanaque Brasil em suas pesquisas mensais sobre a cultura brasileira. O Almanaque é uma das mais importantes obras culturais feitas no país e ainda carece de um estudo mais aprofundado. São anos e anos de publicação, primeiro como revista de bordo da TAM e depois seguindo independente. Conheci na ocasião a querida fotógrafa Iolanda Husak, ex-esposa e amiga para toda vida de Elifas - ela também uma insaciável batalhadora da democracia - Bento, o editor (e filho dos dois) e a ótima equipe da revista.
- No ano passado, consegui o telefone do Elifas e liguei na raça. Estava escrevendo a biografia do Joselito Mattos (outro grande capista) e queria saber alguns detalhes de sua produção no mercado fonográfico. Ele foi de uma simpatia e docilidade extrema e nosso papo acabou se alongando por mais de meia hora! Um grande momento que não esquecerei jamais.
Por essas e outras, Elifas permanecerá em nossa mente, coração e claro, em nosso olhar. Basta olharmos uma ilustração editorial, um cartaz, uma capa de livro ou uma capa de disco desse artista magnífico, que sua sensibilidade artística nos acalentará sempre.
Para ver sua obra e carreira, aqui: http://www.emporioelifasandreato.com.br/main.asp
José Zinerman Nogueira: o "Fóssil Vivo do Underground" a todo vapor!
O caríssimo José 'Zinerman' Nogueira, amigo de muitas e boas, não para quieto e diariamente - repito - diariamente, cria programas, produz vinhetas, desencava tesouros culturais e cria arte de todas as formas (gráfica, plástica, visual, etc). Com seu humor rápido, suas tiradas únicas, cenário psicodélico (do seu próprio QG) e trilhas sonoras tiradas de seu baú de preciosidades, Zinerman anda botando fogo nas noites enfadonhas e dias modorrentos do Instagram. Pra quem não sabe, o Nogueira é cofundador ao lado de Sylvio Passos do primeiro fã clube oficial do Raul Seixas e criador de outros tantos fã clubes pioneiros do rock tupiniquim. Também é um dos fanzineiros mais antigos e atuantes no Brasil, se correspondendo com artistas e escrevinhadores do mundo todo! Eu tive o privilégio de colaborar em alguns zines seus. O seu acervo cultural já alimentou inclusive muitas produções literárias, radiofônicas e cinematográficas. Quem tiver fôlego e quiser acompanhá-lo no Insta, é só buscar seu nome lá: José Zinerman Nogueira. O homem não para! (abaixo, um dos últimos vídeos de sua lavra)
29 de março de 2022
Jean
Soube hoje que mais um amigo de real grandeza desencarnou. O Jean, além do caráter ilibado e da amizade para toda obra, era um grande conhecedor da história e da discografia do rock e um aficionado por cinema clássico. Que o digam os frequentadores e amigos que o encontravam a postos na tradicional Metal Music no centro de Santo André - o bom papo podia durar horas! Assim foi por duas décadas, lembrando e indicando lados Bs matadores, faixas injustiçadas e discos imperdíveis. Antes, foi proprietário de loja de discos e frequentador de centenas de shows e festivais de rock a partir do final dos anos 60. No início da década passada, numa fase em que revendia vistosas camisetas de rock (eu acabei comprando várias que uso até hoje), foi um dos amigos mais atuantes na montagem das duas edições da Expo Beatles, que eu, o Henrique Valsésia e o Mário Mastrotti montamos em São Caetano com grande sucesso. Seguimos com a amizade e na pandemia conseguimos trocar muitas figurinhas via whatsapp - cheguei a lhe emprestar uma sacola de DVDs para que suportasse bem essa fase de recolhimento. Na última troca de mensagens, há 15 dias, mandei mais uma lista de filmes para ele escolher e ele agradeceu do jeito que sempre respondia: "Valeu, Poeta!". Ele vinha reclamando de um cansaço extremo há um termpo - ele que sempre foi um andarilho raiz - e tinha exames agendados para checar o coração. Estranhei que ele não me retornou sobre os filmes, até que hoje o baque: ele tinha sido internado na semana com pneumonia e não resistiu a uma infecção. Siga em paz, querido amigo Jean, e que se faça um grande concerto de rock para celebrar sua chegada em um lugar de muita harmonia e luz - um reflexo natural para sua alma nobre.
(crédito: Metal Music - Santo André)26 de março de 2022
Baú do Malu 85: "Corça e Leão" de Adalzira Bittencourt (1929)
Este curioso livro de poesias da década de 1920 eu encontrei em um antiquário na região de São Pedro-SP há uns anos atrás. A bela e sensual capa não tem assinatura, mas dá provas de que a arte editorial ainda seguia os ares libertários franceses, postura que só ia declinar na segunda guerra mundial, quando passou a imperar o olhar americano, mais pudico. A poesia de Adalzira reflete a capa, com trechos como esse: "Em momentos risonhos/ Ó meu amor/ Quisera ser a bailadeira dos teus sonhos/Nua/ Pompeando a minha carne em flôr à luz da lua/ No bailado do amor.". A obra segue entre momentos de volúpia e prazer (leão) e singeleza e castidade (corsa), até que em certo momento, absorve um estado de amor obsessivo e doentio, onde há até a vontade de exterminar uma possível adversária (!Mas se eu souber/Que existe outra mulher/Que saiba amar mais do que eu/Hei de matá-la"). Adalzira tem uma vasta obra literária e atuou em vários campos: direito, literatura, política, ação social e foi uma das primeiras mulheres a lutar por um feminismo com características mais voltadas para a realidade brasileira. Mais uma grande mulher que merece ter sua vida contada em biografia ou no cinema. Seu perfil no wikipedia é bem completo e pode ser lido aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Adalzira_Bittencourt
17 de março de 2022
Murmur Fest
O meu sobrinho Gui mandou esse folder-convite da Murmur Fest, que rolará na Biblioteca Monteiro Lobato em São Bernardo, no dia 02/04, e eu não perco por nada! O Guilherme e a grande turma que trabalha com ele na produtora independente Murmur tiram leite de pedra para fazer um cinema honesto, verdadeiro e principalmente emocionante (com todas as nuances e ramificações que essa palavra comporta). Nesse primeiro festival organizado por eles, serão apresentados cinco curta metragens - dois que já rodaram o circuito alternativo ("Boo.pp4" e "Hóspede, Exploração e Recompensa") e três inéditos! Isso mesmo: "Bebê Diabo de São Bernardo"; "Feliz Aniversário, Mamãezinha" e "Quando o Abismo Olha de Volta" estreiam nesse dia. Após as exibições, haverá um bate-papo com os realizadores dos filmes. Uma grande oportunidade para o público conhecer de perto a produção corajosa e meticulosa dessa equipe que eu tive a honra de conhecer in loco, na minha própria casa, quando eu e minha esposa Cris abrimos as portas para a gravação de algumas cenas do curta "Bebê Diabo de São Bernardo". Ali, convivendo por três dias (em dois períodos diferentes) com toda a produção (diretor, roteirista, contrarregra, iluminador, fotógrafo, maquiador, atores, etc) pude comprovar a entrega de todos em nome da sétima arte. A maioria jovens, e totalmente compenetrados e (na medida do possível) pacientes, com a árdua, extenuante e cansativa maratona que é produzir um filme com pouca grana, poucos recursos, mas muita disposição e coragem. Fazer cinema no Brasil não é para os fracos e a Murmur marca presença com pegadas fortes no presente e no futuro do cinema nacional.
- Murmur Fest - Dia 02/04 às 14h
Biblioteca Monteiro Lobato - Rua Dr, Flaquer, 26 - Centro - São Bernardo do Campo - SP
GRÁTIS
19 de fevereiro de 2022
HQ Memories 3
O caríssimo Luigi Rocco, quadrinhista, caricaturista, cartunista e pesquisador de HQs, acabou de lançar a edição 3 de seu fanzine "HQ Memories" e mais uma vez surpreende com a seleção de histórias clássicas. Neste número, veio com uma sequência praticamente inédita de "Vizunga", de Flavio Colin (1930-2002), tira editada por Mauricio de Sousa e publicada na Folha de S.Paulo em meados dos anos de 1960. Vizunga já tinha sido publicado na revista da Vecchi "Eureka", editada pelo saudoso Octacílio d'Assumpção (Ota) nos anos 1970, e essa parte selecionada por Luigi é a sequência imediata da publicada na época. Seguindo na revistinha, temos a nobre presença do "monstro" Wallace Wood ("Animan"), mais uma criação do pioneiro desenhista dos estúdios de Mauricio de Sousa, Joel Linck ("Bosque Encantado"), que já tinha aparecido em HQ Memories 2 e uma alucinante história da fase europeia de Alain Voss (outro que apareceu no fanzine anterior), "Maxime, o Motoqueiro", de 1974, que fecha essa edição com grande fôlego. HQ Memories é um lançamento que merece chegar ao maior número de apreciadores da velha e boa História em Quadrinhos. Luigi Rocco vem resgatando raridades absolutas, além de colocar tudo em uma embalagem muito bem feita, com capa cartão e papel do miolo de ótima qualidade, cores expressivas na capa e contracapa, além das traduções, letras e edição de arte sempre com muito esmero. Por tudo isso e pela importância do seu surgimento nesse momento tão delicado do mercado em meio a pandemia, desejo uma vida longa, muito longa a HQ Memories!
Quem quiser adquirir o fanzine, é só escrever para o Luigi Rocco no e-mail: luigirocco29@gmail.com e ele vai dar todas as coordenadas.
Doodle: Dina Di (1976-2010)
O Google fez uma bela homenagem hoje ao criar um "doodle" exclusivo nacional da pioneira do hip-hop no Brasil Dina Di (1976-2010), nascida Viviane Lopes Maties, que faria 46 anos hoje. Dina foi MC do coletivo feminino Visão de Rua, ao lado dos artistas Tum e DJ OG, e juntos lançaram o single "Confidência de uma Presidiária", que trazia na letra a dura realidade do sistema prisional feminino, vivido na pele pela própria Dina. Sua mensagem inspirou outras mulheres da periferia a tentarem a sorte no universo hip-hop e hoje é considerada uma desbravadora. Dina faleceu em 2010, depois de contrair uma infecção hospitalar logo depois de dar à luz a sua filha Aline.
18 de fevereiro de 2022
Mauricio Kus (1929-2022)
Registro minha homenagem ao iluminado Mauricio Kus, falecido recentemente aos 92 anos, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ter trocado "figurinhas" por anos. Jornalista, produtor, assessor de imprensa e uma verdadeira "enciclopédia cultural", Kus esteve de corpo e alma em acontecimentos cruciais da vida cultural brasileira. Ele, em suas reportagens, assessorias, ou mesmo como anfitrião de visitantes internacionais em São Paulo, acompanhou estrelas de alto quilate e personalidades ilustres. Uma delas foi a lendária Katherine Dunhan, bailarina, coreógrafa, antropóloga e ativista americana, responsável direta pela Lei Afonso Arinos depois que o luxuoso Hotel Esplanada no centro de São Paulo recusou sua hospedagem quando soube se tratar de uma pessoa negra. O projeto de lei do deputado homônimo, que foi criado logo depois do incidente e virou lei um ano depois, em 1951, transformava em contravenção penal qualquer recusa de hospedagem de hotel, matrícula de escola, entrada em estabelecimento comercial ou contratação em empresa por preconceito de raça. Mauricio Kus, que entrevistara Katherine por conta do triste episódio para o "Correio Paulistano", foi um dos mais veementes na cobertura, classificando o ocorrido como "revoltante incidente". Logo depois da entrevista, a americana convidou-o para assistir a matinê dominical no Teatro Municipal, e ele, mesmo perdendo a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai ( o famoso "Maracanaço", desastroso momento do nosso futebol), topou na hora - e não se arrependeu. Assim foi na vida: não perdia a oportunidade de participar intensamente de momentos que podiam transformar o mundo a sua volta. Na pioneira "Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos", de 1951, que exibiu as HQs pela primeira vez no mundo como "obra de arte", lá estava Kus como peça-chave dos bastidores, ao abrir as portas (depois de várias reuniões exaustivas com a diretoria) do Centro Cultura e Progresso no bairro do Bom Retiro, para a realização do evento. Sem ele e sua insistência, os organizadores Álvaro de Moya (seu amigo desde sempre), Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado, Syllas Roberg, e o mundo, não teriam a chance de ver concretizada a primeira exposição de quadrinhos do mundo! Outro momento de pioneirismo foi quando participou como jurado da 1ª Edição do Troféu Imprensa, em 1960. Durante a vida toda, escreveu muito sobre TV, Teatro, Música e principalmente Cinema, em diversos veículos da grande imprensa e alguns mais direcionados, como "O Espetáculo". Quando finalmente se "oficializou" como assessor de imprensa, também revolucionou na profissão e praticamente criou a função de assessor de grandes estúdios cinematográficos no Brasil (e repetiu a dose para as áreas hoteleiras, de aviação e de varejo). Virou um grande divulgador do cinema nacional, incluindo todos os filmes de Walter Hugo Khoury, abriu uma importante empresa de assessoria (PR Comunicação, depois Chaits) e se tornou representante da Braniff International Airways no país. Eu conheci Kus em um evento de comunicação há muito tempo e nos últimos anos trocávamos mensagens ou telefonemas (não tão assíduas, mas pra mim sempre valiosas). Quase sempre me ajudava a achar a saída de algum beco que eu tinha me metido em minhas pesquisas culturais. Em 2015, fez questão de mandar um convite de uma peça de teatro que ele estava produzindo/assessorando em São Bernardo, e que ele sabia ser cidade vizinha minha. Mesmo com um buraco no coração pela partida em 2007 da companheira de vida Sara, colocou sempre seu humor e espontaneidade em patamares elevados e se manteve na ativa até o último momento. Vá em paz, mestre! Grandes astros o aguardam mais uma vez!
Walter Hugo Khoury, Sandra Bréa e Mauricio Kus em 1979 (divulgação/grupo Sandra Bréa/FB)6 de fevereiro de 2022
Grande Capa: Piauí 185 - Fevereiro de 2022
Essa capa maravilhosa da última Piauí tem essa ilustra incrível da fabulosa Elza Soares, falecida recentemente. O nome deste trabalho, ilustrado por Vito Quintans, não por menos, tem o adequado nome de "A Voz do Milênio". Ela foi por zilhões de motivos a verdadeira "Voz do Milênio" e ninguém tira isso dela (e se alguém for contestar, vai ter que trazer provas em contrário...rs). O desenho de Elza foi encomendado pela revista e as 50 personalidades que aparecem na cabeleira da cantora foram escolhidos pelo pesquisador e compositor Nei Lopes e pela pesquisadora Cléa Maria Ferreira (as identificações de cada um estão no site revistapiaui.com.br). Uma das grandes capas do ano, certamente. O único deslize da redação da Piauí, ao meu ver, foi não ter aproveitado essa fronte tão frondosa e não ter feito uma matéria sobre Elza Soares - não tem uma mísera notinha sobre a cantora na edição inteira. Fica aqui o meu protesto.
4 de fevereiro de 2022
Doodle: Jogos de Inverno de Pequim (Beijing 2022)
Hoje o Google lançou um Doodle animado bacanudo com o tema dos Jogos de Inverno de Pequim. Vejam abaixo. (ainda acho que essas animações tinham que vir com o crédito dos criadores, que geralmente são muito bons. Inclusive tem a equipe brasileira, que lança ilustrações e animações inéditas em efemérides nacionais)
2 de fevereiro de 2022
Isaac Bardavid (1931-2022)
Uma das vozes mais marcantes da dublagem brasileira silenciou ontem: Isaac Bardavid, grande ator e dublador, faleceu aos 90 anos (faria 91 em 13/02) em sua cidade natal, Niterói/RJ. Dono de uma voz única - grave, potente, poderosa - dublou personagens marcantes do cinema e da TV: Esqueleto (vilão de He-Man), K.I.T.T (o computador do seriado Super Máquina), Tigrão (o amigão do ursinho Pooh), o treinador de Hércules, Filoctetes, no desenho homônimo da Disney; Capitão Haddock ("As Aventuras de Tintim") e principalmente Wolverine (dublou o personagem por 23 anos), seu papel preferido. Esses são os mais lembrados, mas tem centenas de outras participações que merecem citação. Vou citar mais 22: Rei Harold (pai de Fiona em Shrek); Rei Tritão ("A Pequena Sereia"); Robert Baratheon ("Game of Thrones"); tio Fester Addams (em "A Família Addams" 1 e 2); Jor-El (em "Superman - O Filme"); Chefe Powhatan (dos dois "Pocahontas"); Obi-Wan Kenobi ("Guerra nas Estrelas"); o narrador de "Horton e o Mundo dos Quem"; Richard Nixxon ( interpretado por Anthony Hopkins no filme "Nixxon'); Odin (em "Thor" e "Thor - O Mundo Sombrio"); Presidente Snow (da franquia "Jogos Vorazes"); Abutre ("Era do Gelo 2"); Horácio Slughorn (nos filmes de Harry Potter); Tio Patinhas (como Ebenezer Scrooge em "O Conto de Natal do Mickey"); o promotor de "Os Intocáveis"; Capítão Gancho (de "Jake e os Piratas da Terra do Nunca"); Robotnik (da franquia "Sonic"); Yao ("Mulan"); Billy Bones ("Planeta do Tesouro"); Joshamee Gibbs (dos filmes "Piratas do Caribe"); Agamenon (do filme "Troia"); Pandam (em "Pokémon: Sun & Moon"). E mais, muito mais. Alguns atores como Ian Holm, Albert Finney e Martin Landau, vira e mexe tinham dublagem dele. Não bastasse essa imensa carreira como dublador, foi ator dos bons em peças, programas de humor, séries e novelas, e um poeta esporádico ( lançou o primeiro livro em 2016 e o segundo já estava quase pronto). Fica aqui a minha sincera homenagem a esse artista gigante.























































