31 de janeiro de 2025

Lendo

 Janeiro findando e a pilha na cabeceira vai baixando. Entre as pérolas que já li nesse início do ano:


Este livro do poeta, professor, letrista e tradutor Duda Machado é de 1997 e eu só o descobri neste ano. Li com muito prazer suas poesias etéreas e ao mesmo tempo lúcidas. Duda, baiano de 1944, foi/é muito amigo de Caetano e segundo este último, foi crucial para o Tropicalismo quando chamou a atenção do jovem compositor em 1967 para o filme "Acossado" de Godard, que para ele era muito mais importante do que "Hiroshima, meu Amor", de Alain Resnais. Depois de morar com Caetano no mítico Solar da Fossa, no Rio, encontrou Jards Macalé e com ele fez meia dúzia de canções - em disco saíram "Hotel das Estrelas" e "The Archaic Lonely Stars Blues", gravadas por Gal Costa. Na sequência, produziu a revista "Pólem" e participou do projeto poético anárquico "Navilouca" de Waly Salomão e Torquato Neto (que faleceu em 1972 e não viu a revistona vir à tona). Com essa cancha, Duda finalmente se viu como poeta e a partir do seu primeiro livro, "Zil', de 1977, nunca mais parou de poetizar. Sua escrita tem tropicália, concretismo, Bandeira, Murilo Mendes, Drummond, João Cabral, mas tem também muita identidade própria, numa linguagem sublime, leve, mas sólida. Ainda é fácil de achar esse livro nos amazons e estantes virtuais da vida - se não for esse, comprem logo a antologia póética "1969-2021", que saiu pela Círculo de Poemas no ano passado, pegando praticamente toda a sua obra.


Esse simpático livrinho acima é da coleção "Esses Gaúchos' da editora Tchê!, que contempla, quase 40 nomes da cultura e sociedade gaúcha, de Elis Regina e Teixerinha a Prestes, João Cândido, Álvaro Moreyra e Barão de Itararé. Lançado em 1986 e escrito por Jimi Neto e Rossyr Berny, lança luz sobre a meteórica carreira do músico e produtor Carlinhos Hartlieb (1947-1984), numa linguagem bem descontraída e cheia de referências sobre a efervescente cena musical e cultural do Rio Grande do Sul entre os anos 1960 e 1980. Carlinhos foi um grande catalizador de talentos do teatro e da música que estavam espalhados pelo Estado e graças a sua verve natural para a união e para a produção integrada foi um dos grandes responsáveis para que novas gerações se encontrassem e achassem seu lugar a partir de produções independentes capitaneadas pelo músico. Do início na bossa nova ainda em 1963 (com o amigo Hermes Aquino, que estouraria na década seguinte com "Nuvem Passageira") até o rock do final da década e o teatro gutural do Oficina em São Paulo, Carlinhos se encontrou mesmo quando assumiu no meio dos 70 o papel de produtor e agitador cultural, abrindo espaço para a nova música gaúcha na unha. Mesmo com um documentário feito em 2008 ("Um Risco no Céu", de René Goya Filho,que pode ser assitido aqui: https://www.youtube.com/watch?v=XwM5KX_1FIY), o nome de Carlinhos permanece na sombra e a sua morte prematura é uma das responsáveis por esse hiato: em 1984, seu corpo foi encontrado sem vida em seu retiro, uma cabana na praia do Rosa em Santa Catarina. Sua morte, que a polícia considerou na época como 'enforcamento', deixa até hoje muitas indagações no ar, pois o laudo pericial não encontrou sinais de lesão cervical e apontou indícios de violência e a falta de onze dentes em sua arcada. O legado de Carlinhos precisa ser retomado, pois além de sua importância como agente cultural, sua música é radiante e vibrante. Como curiosidade final, um dos registros mais sólidos que Carlinhos acabou deixando para a posteridade involuntariamente foi o reconhecimento de uma nova espécie de aranha coletada por ele ainda no início dos ano 60 - aranhas sempre foram uma paixão em sua vida -, e que a Universidade de Harvard finalmente registrou em 1988 como Alpaida hartliebi, em sua homenagem.


O genial Dalton Trevisan (1925-2024), falecido recentemente e considerado um dos melhores contistas da literatura brasileira, já era recluso e consagrado quando entregou nas livrarias esse romance "A Polaquinha" em 1985, mais um sucesso inconteste de sua longa carreira. Trevisan escreveu dos anos 1940 até o ano de sua morte, um feito incrível e louvável. Vale a pena mergulhar em suas obras e co- nhecer seu universo conciso, popular e peculiar, repleto de pesadelos particulares e angústias cotidianas.


Quando Gonçalo Junior encasqueta e resolve biografar alguém, pode crer que o livro resultante dessa pesquisa/mergulho vai ser profundo, minucioso e revelador. É só ler qualquer uma de suas obras ("Guerra dos Gibis"; "Eu Não sou Lixo" - biografia de Evaldo Braga; "Pra que Mentir", bio de Vadico; "Visionário dos Quadrinhos", com a história de vida do artista José Luis Salinas; "Um Coração que Chora", com a bio de Jacob do Bandolim, entre tantas outras) para se chegar a essa conclusão. E o livro sobre a pioneira do nosso rock, Celly Campelo ("Garota Fenomenal", coescrito com Dimas Oliveira Junior) não foge à regra e refaz toda a sua trajetória, do sucesso retumbante ainda adolescente no final dos anos 1950, passando por sua surpreendente saída do show business para se casar, com apenas 19 anos até chegar aos mínimos detalhes de sua vida intensa, que presenciou revivals (como o advento da novela "Estúpido Cupido" em 1976) , mas principalmente se viu cercada por críticas e pressões de todos os lados, anos depois da decisão que a tirou da carreira pra sempre. Imperdível!




24 de janeiro de 2025

No Sebo do Japa


No dia 8 último, passei no Sebo do Japa, do lendário Fausto Kataoka - fotoliteiro que trabalhou com meio mundo e meio do mercado de quadrinhos nos anos 1970/1980/1990. A data já estava pré-marcada, pois o roteirista/desenhista/cineasta Isaac Huna - argentino que passou bons anos no Brasil entre a década de 80 e 90 - já tinha me convidado para esse encontro especial no sebo. Em plena quarta-feira, final de tarde, chego lá atrasado e encontro uma turma bem animada na entrada do estabelecimento, enchendo seus copos de espumosas e conversando animadamente sobre histórias incríveis de antanho. Pela foto acima, dá para ter uma ideia da animação da turma, que contou com a presença de (da esquerda para a direita): Henrique de Farias, Drago, Omar Viñole, eu, Franco de Rosa, Julio Hamasaki, Fausto Kataoka e Isaac Huna. Cada um deles com grandes histórias dentro do mercado de histórias em quadrinhos. Um momento inesquecível e mágico!

Para quem quiser visitar o Sebo do Japa, o endereço é Avenida São João, 1510. Ele não abre todos os dias. O dia ideal é sábado.

17 de janeiro de 2025

Visitando a Mikei!


Ontem fui visitar a clássica e histórica Banca Mikei, espaço que frequento desde os meus 9 anos de idade, quando minha mãe me levava pra passear no centro de Santo André, e eu, já um assaz farejador de gibis usados, fazia questão de parar no sebo, sempre recheado de revistas, que ainda ficava na rua da estação de trem. Seu fundador, seu Delson, abriu a Mikei em 1972 (assim mesmo, com o nome ligeiramente mudado, talvez com medo da major Disney implicar com o batismo) e quatro anos depois, lá estava eu fuçando as suas prateleiras e deixando minha mãe em polvorosa. Continuei frequentando o estabelecimento anos a fio e fui testemunha da troca de guarda, quando o Milton e seu filho Rafael compraram a Mikei em 1998 e continuaram a saga de perpetuar seu bom nome. A dupla fez mais: deixou a loja mais organizada, mantendo seções temáticas e fortaleceu o que lhe era mais precioso em sua essência: os Quadrinhos! Após mudanças de endereço, o sebo parece que encontrou seu local definitivo, na Rua Gertrudes de Lima, nº 83, com um espaço amplo, mais arejado e com direito até a um "templo de obras raras" logo na parede da entrada. Ontem fui lá para levar o livro sobre o Suplemento, e como sempre, fui muito bem tratado pelos confrades Milton, Rafa e Thallys. Esse último aliás, postou um texto emocionante no Instagram, que eu trago pra cá, na íntegra, abaixo:

"Com o passar do tempo, a história da Banca Mikei se entrelaçou com a história das histórias em quadrinhos.

Por ser um ponto de encontro de apaixonados pela nona arte, personagens essenciais para a memória do quadrinho brasileiro acabam sempre aparecendo por aqui.

Hoje, nosso amigo de longa data Marcos Massolini, nos visitou e autografou nossas edições do livro em que fez parte em parceria com Francisco Ucha e Toni Rodrigues: "Suplemento Juvenil - 90 Anos' conta com riqueza de detalhes a história desse importante periódico que está intrinsecamente ligado ao surgimento do mercado de quadrinhos como o conhecemos hoje.

Um trabalho de pesquisa fantástico e essencial!!

O Marcos ainda ganhou um HQMix em 2024 por mais seu trabalho de resgate relacionado a quadrinhos, "Joselito Solta seus Bichos", que conta a história de um mestre há muito tempo esquecido: Joselito Mattos (1924-1989). Livro lançado pela Editora Noir.

A Banca Mikei apoia todos os resgates históricos relacionados a HQs. Entendemos que os artistas importantes não podem mais ficar nas páginas passadas. Caso se interesse pelos livros, você pode encontrar nos links abaixo:

https://ucha-editorial.lojaintegrada.com.br/suplemento-juvenil-90

https://www.editoranoir.com.br/n-0049

(Texto de Thalys Miller)

Vida longa para a Banca Mikei!

13 de janeiro de 2025

Bons presságios!

Abrindo os trabalhos do blog em 2025, saúdo os leitores e desejo um novo ano recheado de projetos incríveis, descobertas maravilhosas e paixões arrebatadoras! Essa mariposinha graciosa veio me visitar enquanto escrevinhava essas linhas. Bons presságios!

31 de dezembro de 2024

Suplemento Juvenil 90 Anos

Aos 90 minutos do segunto tempo de 2024, saiu da gráfica o livro "Suplemento Juvenil - 90 Anos"( Ucha Editorial), escrito a seis mãos pelo Toni Rodrigues, eu e e o Francisco Ucha (que também editou e diagramou). Essa capa magnífica tem criação do Toni e contamos também com a big helper do colecionador e pesquisador Rogério Casacurta e o auxílio luxuoso do colecionador Luis Tabloides. Ainda bem que deu tempo de ser publicado em 2024, pois esse ano comemorou-se os 90 anos do suplemento de Adolfo Aizen, que mudou a forma de se ler e publicar quadrinhos no Brasil, com a vinda de histórias de monstros sagrados da Época de Ouro da HQ mundial, principalmente as de aventuras. Fiquei extremamente grato pela oportunidade de escrever para essa obra seminal, que pode ser adquirida em várias plataformas e também na loja da Ucha Editorial (abaixo).

https://ucha-editorial.lojaintegrada.com.br/suplemento-juvenil-90

27 de dezembro de 2024

Colóquio híbrido do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP: processo de pesquisa, criação e produção do livro "Joselito Solta seus Bichos"


No dia 13 de dezembro participei do último colóquio do ano do Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP. O evento foi híbrido e além da participação presencial, teve também videoconferência simultânea com colegas de vários estados. Apresentei ao vivo nas dependências do prédio da ECA-USP todo o processo de pesquisa, criação e produção do livro "Joselito Solta seus Bichos", vencedor do Prêmio HQMix na categoria "Grande Contribuição - Pesquisa". Fui muito bem recebido pelos membros do Observatório - entre eles os professores Waldomiro Vergueiro, Roberto Elísio, Celbi Pegoraro e Gazy Andraus - e fiquei muito feliz com a audiência tanto interna como externa - a aparição do filho de um antigo membro fundador do GrupeHQ (Grupo de Pesquisas e Estudos das Histórias em Quadrinhos) de Natal foi prova de como o mundo realmente é pequeno. Eu cito o GrupeHQ no livro, pois eles foram os primeiros a entrevistar Joselito Mattos, em 1972. A noite fechou com chave de ouro com o tradicional amigo secreto, em que fui convidado a participar. Agradeço a todos os envolvidos pela recepção e pelo resultado obtido.

 




Assim que o conteúdo ficar disponível, eu incluo aqui.


22 de dezembro de 2024

Revista Raízes nº69 - Dezembro de 2024

E pra não perder o costume, a revista Raízes, veículo memorialista de São Caetano do Sul-SP, é lançada em dezembro, para deleite dos que amam a História da região do ABC. O lançamento dessa vez foi na Pinacoteca, com direito à tour pelas obras da exposição atual (uma coleção de obras doadas pelos munícipes) e um depoimento emocionante da editora Paula Fiorotti, a frente da revista há mais de 10 anos. Eu colaboro com o veículo mais ou menos no mesmo período e me orgulho de ter ajudado, junto com vários amigos/colegas colaboradores valiosos e a edição primorosa de Paula, na faceta mais leve e ágil da revista nos últimos tempos. Nesse número, fiz um resgate da marca de guitarras Snake, que começou com uma fábrica em São Caetano e depois virou uma marca nacional de instrumentos e aparelhos de som. Os primórdios da empresa é contado minuciosamente, incluindo a formação da pioneira banda The Snakes (que foi inspiração para o nome da fábrica). A participação dos filhos de Alaor Rangon e Carlão (mais tarde, Dave McLean), Alexandre e André, foi fundamental para atualizar o legado tanto da empresa Snake como das formações musicais até os anos 1970. Fiquei muito satisfeito com o resultado e pela repercussão vejo que a recíproca é a mesma. Devo citar também a colaboração do grande Zezinho Mulero (Zezinho Jordans), amigo de Alaor e Carlão e contemporâneo dessa história toda.

A Raízes nº69 está coesa e já a considero uma das melhores edições já lançadas. Além da capa sobre o Estádio Lauro Gomes, palco esportivo de muitas histórias na cidade - e brilhantemente costurada pelo meu amigo Renato Donisete - a revista traz histórias e curiosidades de ruas pioneiras; a trajetória do grupo Renascença, ligado aos bailes da saudade; a curiosa aparição de um estúdio cinematográfico em São Caetano, que podia ter se trnsformado em uma nova Vera Cruz; o Clube Atlético Centenário e sua importância histórica; os 50 anos de história do Semeador, escola infantil metodista; e por aí vai.

Paula e equipe estão de parabéns por mais esse rebento do único veículo memorialísitico municipal regular em circulação na Grande São Paulo. Para quem quiser adquirir ou conhecer a revista, é só se dirigir ao endereço da Pró-Memória em São Caetano do Sul (Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255 - Centro) e retirar o seu exemplar grátis. Quem estiver longe, pode aguardar no site da instituição, que as edições são digitalizadas e disponibilizadas lá (www.fpm.org.br)

16 de dezembro de 2024

"Panda no Rio Celofane" (arte/poesia)


Neste final de ano, resgatei aquela foto do panda que postei aqui no Almanaque (com uma miniatura em cima de um papel celofane) e resolvi acrescentar um poema novo. Achei tão supimpa o resultado que resolvi imprimir neste mês. Taí, frente (acima) e verso (abaixo), "Panda no Rio Celofane", foto/montagem e poesia de minha autoria.


15 de dezembro de 2024

A biografia de Paulo Hamasaki fecha um ano muito produtivo


Para fechar um ano muito, muito produtivo, acabou de sair da gráfica a segunda biografia que escrevi para a Editora Criativo: "Paulo Hamasaki - o Filósofo do Nanquim". Fiquei muito feliz com o resultado e consegui colocar na biografia as passagens mais representativas da criativa carreira de Hamasaki (que foram muitas). O intuito dessa bio foi resgatar o legado desse grande artista, que geralmente é citado por aí, mas pouco se sabe de suas inúmeras contribuições para as HQs entre o final dos anos 1950 até os anos 1990. A repercussão foi excelente e uma em especial me deixou emocionado: o amigo de Hamasaki, Julio Shimamoto, mandou um email ontem para mim e para o editor Marcio Baraldi: "Impressionante a bio de Paulo Hamasaki! Belo trabalho de pesquisa de 
Marcos Massolini e de editoração primorosa! Valeu mil! Abração! - Shima". Familiares, amigos e fãs de Paulo também me mandaram mensagens. Essas devolutivas valem todo o esforço e empenho que concentrei para que essa obra viesse à luz.  

À venda no site da Editora Criativo e na Comix. 

https://livrariacriativo.com.br/paulo-hamasaki-o-filosofo-do-nanquim---biografia/p?fbclid=IwY2xjawHLuUtleHRuA2FlbQIxMAABHeoAKH46i2Vmfi82P1grCuJdMeZou-X9iVguRlxlvhxdJ--IGXlJEUzXSQ_aem_1PcjGE9KcIIH_yXhK9-2oQ


O Troféu HQMix nos 100 anos de Joselito Mattos


Fechando com chave de ouro a comemoração de 100 anos de Joselito Mattos (1924-2024), eis o troféu HQMix que homenageia a Laerte e sua personagem Muriel (que sai literalmente do armário nessa estatueta de 2024). O troféu simbolizou bem o que foi a entrega dos troféus na quarta-feira passada (11-12), com muita diversidade, emoção e superação no palco do Sesc 14-Bis. Para fechar o ano comemorativo, ainda fui convidado ontem para um chat ao vivo nas dependências da Eca-USP com o grupo de estudiosos e pesquisadores do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP, por uma sugestão do autor e professor Nobu Chinem. Foi uma noite prazeirosa onde pude em cerca de 1 hora, esmiuçar o processo de pesquisa do livro "Joselito Mattos Solta seus Bichos" e contar um pouco sobre a trajetória do artista. Além dos integrantes ao vivo, fui assistido por colaboradores e entusiastas do Observatório pelo Brasil todo. Viva Joselito!

11 de dezembro de 2024

Zine House Brasil apresenta o "Quase Oásis"

O nobre José Zinnerman Nogueira continua sua brava luta de divulgação da arte/literatura independente no Brasil. Nessa semana, tive a honra de ver o meu último livro de poesias, "Quase Oásis" ser divulgado pelo Nogueira no Instagram diretamente do QG da Zine House Brasil - berço/porto/casa do seu imenso acervo cultural. E com direito à declamação! Valeu, Nogueirão!

https://www.instagram.com/reel/DDM0plkuUDUf8bllxcdtjgit2p7e0Hineo_wg0/?igsh=Y3lzbTY4ZHNpZnEy  


 


21 de novembro de 2024

"Joselito Mattos Solta seus Bichos" ganha o Troféu HQMix na categoria "Contribuição do Ano"

 


Felizão da vida com a premiação do livro "Joselito Solta seus Bichos" (Noir, 2023) na categoria "Contribuição do Ano" do 36º Troféu HQMix. O livro estava concorrendo na categoria "Livro Teórico" com feras como Gonçalo Junior (que venceu) e Toni Rodrigues, e acabou ganhando nessa categoria que corre por fora (não entra na votação geral, mas na votação da comissão especial do evento). No ano em que Joselito Mattos completa 100 anos, nada mais simbólico e justo ao grande artista que estava praticamente invisível na mídia quando comecei a pesquisa sobre sua carreira, pesquisa que acabou durando cinco anos. A trabalheira valeu muito a pena. Hoje, posso afirmar com orgulho, que graças a esse esforço, Joselito Mattos finalmente está na mídia novamente! Viva!

                                      foto/montagem: Antonio Carlos Rodrigues da Silva


A lista completa dos vencedores:

https://blog.hqmix.com.br/noticias/lista-dos-vencedores-36a-edicao/

16 de novembro de 2024

Armando Freitas Filho (1940-2024)

O poeta Armando Freitas Filho faleceu em setembro aos 84 anos e eu só soube hoje, depois que vi um documentário sobre a poeta Ana Cristina César (1952-1983) no Canal Curta. Armando era um amigo de primeira hora da escritora, e depois de sua abrupta morte - Ana se suicidou aos 31 anos - coube-lhe a missão de perpetuar sua obra, o que cumpriu muito bem: editou cinco livros póstumos com poemas que resgatou de várias caixas de papelão que vieram para sua casa após o falecimento e ajudou a manter o nome da escritora em voga por todos esses anos. Além dessa missão primordial, Armando seguiu com sua poesia - iniciada em 1963 com o livro "Palavra" - e se tornou um dos maiores poetas brasileiros, cultuado, premiado e - que bom - prestigiado em vida. Ganhou prêmios, foi protagonista em documentários (um deles, com direção de Walter Carvalho) e se manteve ativo - seu último livro, "Só Prosa", o único de prosa na carreira, é de 2022. Deixo aqui, como homenagem a ele, um filme da série "Sangue Latino", dirigido por Felipe Nepomuceno e apresentado por Eric Nepomuceno e uma poesia, daquelas dilacerantes, de sua lavra. Siga na luz, poeta!

https://www.youtube.com/watch?v=m7hhhGvcoLM ("Sangue Latino"- 2020 - Canal Brasil)





14 de novembro de 2024

Sonia Poli no Shopping Atrium (Santo André)

Estava eu aguardando a patroa sair do dentista na semana passada - e resolvi dar uma volta no Shopping Atrium, em Santo André. O passeio, despreocupado, rendeu: além de encontrar uma grande feira de miniaturas de carros - carrinhos não são bem minha praia, mas acabei achando um Pato Donald sensacional em uma das bancas e em breve, posto aqui - topei com uma bela exposição da artista plástica Sonia Poli (cujo perfil está lá no final ) num estande um pouco afastado das lojas. Adorei! Os quadros dela transpiram leveza e a música está em toda parte. Cliquei alguns quadros, para apreciação de vocês.







3 de novembro de 2024

Evandro Teixeira (1935-2024)


Depois da grande perda para o fotojornalismo que foi a morte de Antonio Ribeiro na segunda semana deste mês, ontem partiu para outro plano o monumental fotógrafo Evandro Teixeira, que em 70 anos de atividade no fotojornalismo (47 anos só no JB) registrou com sua lente quase tudo de mais importante que aconteceu na segunda metade do século XX pra cá. Além de temáticas importantes que viraram livros (Canudos foi uma delas), sua participação no núcleo do furacão da ditadura foi crucial para mostrar a barbárie nas ruas que insistia em ser camuflada. Seu acervo de milhares de imagem está sob os cuidados do IMS. Valeu, Evandro! Seu olhar por trás da lente evitou cegueiras permanentes. Acima, uma de suas fotos emblemáticas durante a Ditadura, pelo Jornal do Brasil.                       

25 de outubro de 2024

"Grafia: Palavra, Som, Forma e Movimento", exposição de Carlos Galego em São Caetano do Sul


O artista multimeios, jornalista, escritor e editor Carlos Galego está com a exposição "Grafia: Palavra, Som, Forma e Movimento" aberta desde o dia 3 deste mês na sede da Secretaria de Cultura de São Caetano do Sul-SP (Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255), com produção artística de Cris Escudeiro. A mostra permanece no local até o final deste mês e além de inédita, é gratuita e livre para todos públcos, de domingo a domingo, das 9h às 19h. O autor já está nessa lida da escrita há um bom tempo, com vários projetos literários lançados e intervenções artísticas urbanas memoráveis ("Estrada das Palavras" é uma dessas ações antológicas de poesia ao ar livre); Fui conferir a exposição nessa semana e mergulhei para valer nas palavras/letras de Galego em seus vários formatos poéticos (lambe-lambe, vídeo, cartaz, anúncio, fotografia), numa amálgama de encher os olhos, a mente e o coração. Imperdível! Cliquei alguns momentos da mostra (só alguns, para não quebrar o suspense de quem vai conferir ao vivo), que de quebra (e que quebra) tem participação especial do queridíssimo poeta do ABC Zhô Bertholini. Sigam-me abaixo:












23 de outubro de 2024

Baú do Malu 91 - Caneca original do programa Jô Soares Onze e Meia

 


Nos anos 1990, quando eu trabalhava no Departamento de Documentação da Editora Abril (Dedoc), era eu quem fazia as pesquisas com os perfis de cada entrevistado do Jô Soares para o seu programa no SBT, o Jô Soares Onze e Meia. Uma das lembranças dessa época é a caneca original do programa, que guardo com muito carinho. Saudade daqueles tempos em que a comunicação não era por mensagem de voz no whatsapp. A produção do programa - Adrian, Ana e outros da equipe - me ligava a qualquer hora do expediente para tirar dúvidas, pedir pesquisas adicionais e entre um pedido e outro, papear sobre dezenas de assuntos culturais e históricos interessantes. Viva o Gordo!

25 de setembro de 2024

Uma das fotos mais icônicas da história da música mundial

Hoje na Folhona, Ruy Castro publicou em sua coluna uma foto antológica e espetacular de 1958, tirada pelo fotógrafo Art Kane intitulada "A Great Day in Harlem". Sem dúvida nenhuma, uma das imagens mais icônicas da história da música mundial (chegou a ser reinterpretada centenas de vezes mundo afora e virou tema de filme duas vezes). Se quem assistiu ao documentário de "We Are the World" e achou um milagre a logística de Lionel Ritchie, Quincy Jones, Henry Belafonte e outros envolvidos no projeto conseguir reunir aquela renca de artistas famosos num dia só de gravação, em meio à turnês e outras gravações, imaginem há 66 anos atrás, um fotógrafo da revista Esquire conseguir reunir 60 dos mais significativos artistas do Jazz da época, dispersos por natureza, num mesmo local do Harlem, NY, às 10 da manhã (um horário em que todos ou quase todos faziam questão de estar dormindo). Pois ele conseguiu a proeza e a foto foi publicada na edição da Esquire de janeiro de 1959. A nata jazzística posou para a sua câmera e as ausências foram poucas (Louis Armstrong, Billie Holliday, Miles Davis, Duke Ellington e Ella Fitzgerald estavam em turnês fora da cidade). Simplesmente sensacional! Ruy escreveu sobre o assunto porque um dos que estavam na cena acabou de falecer - Benny Golson, saxtenor dos melhores, faleceu na segunda aos 95 anos - e agora só sobrou um vivo para contar a história daquele dia (sem contar as crianças de rua que insistiram para sair na foto): o genial Sonny Rollins, do alto de seus 94 anos. 

12 de setembro de 2024

"Joselito Solta seus Bichos" é finalista do Troféu HQMix 2024



O presente de aniversário não poderia ter sido melhor! A biografia que escrevi sobre o artista Joselito Mattos para a Editora Noir, que levou cinco anos só de pesquisa, foi indicada no 36ºPrêmio HQMix na categoria "Livro Teórico". Estou muto feliz pelo reconhecimento, ainda mais no ano em que se comemora os 100 anos do nascimento de Joselito. É para se comemorar, e muito! Obrigado à comissão julgadora que selecionou a obra e obrigado a todos que de que alguma maneira fizeram com que esse livro viesse à luz! O link para votação é esse aqui (votação válida somente para quem se recadastrou no prêmio) : https://votacao.hqmix.com.br/?fbclid=IwZXh0bgNhZW0CMTAAAR2X_xD9ma3g4ZzbitinKg4d6uvNkr92klEC-tgz2hzXp3oRUZFvZij4oc4_aem_vcZ7CUGD40su0hXVbjtnsQ