21 de agosto de 2017

Luto duplo no humor: Paulo Silvino (1939-2017) e Jerry Lewis (1926-2017)





Em poucos dias, o mundo do humor perdeu dois dos seus melhores. Paulo Silvino foi um dos mais marcantes humoristas brasileiros e um dos que mais se deram bem no formato de humor para tv. Começou fazendo cinema nos anos 50 e também cantando ( participou de discos de samba e bossa nova). Na década seguinte pulou para a emergente TV e a partir de 1967 iniciou sua longa jornada na TV Globo, interrompida apenas alguns anos quando fez parte da equipe de humor do SBT e Record. Desde 1999 fazia parte do elenco de Zorra Total ( hoje Zorra) onde continuava a fazer seu humor popular, de riso fácil, com piada de duplo sentido. Entre seus vários talentos, chegou também a produzir programas, foi roteirista do Domingão do Faustão, narrou novela ( Pulo do Gato) e curiosamente, escreveu livros eróticos populares sob o pseudônimo de Brigitte Bijou. Mas vai ficar no imaginário do povo com seus bordões inesquecíveis ( vaja abaixo).
Já Jerry Lewis foi um dos maiores comediantes americanos e para nós (principalmente os da minha geração) o "rei do humor da Sessão da Tarde" ( quando a Sessão da Tarde prestava) com suas gags, caretas e humor pastelão. Fez dupla de sucesso com o ator/cantor Dean Martin ( entre 1946 e 1956) e estourou em bilheteria nos cinemas. Essa fase foi tão profícua que Lewis acabou virando personagem da DC Comics, tanto na fase de dupla com Dean como posteriormente ( a Ebal lançou essas histórias em seu gibi "O Garotão" nos nos 60). Lewis continuou fazendo estrondoso sucesso nos cinemas ( e eventualmente na TV) até meados dos anos 60, quando deu uma guinada para a produção e direção ( como diretor na verdade já havia estreado em 1960). Nessa altura já era considerado não só um comediante de "gags" mas também um ator de humor que ousou e experimentou, principalmente com narrativa não linear e a especialidade em desdobramento das personalidades de seus personagens. Só voltou ao cinema nos anos 80, e desde então recebeu diversos prêmios honorários e especiais, principalmente como mantenedor do programa de ajuda aos portadores de distrofia muscular. Nos últimos tempos, fez algumas participações relâmpagos em filmes para TV e também no cinema - uma das últimas aparições foi em 2013 no filme brasileiro "Até que A Sorte nos Separe 2" onde interpretou um carregador de malas de hotel (reprisando seu papel em "O Mensageiro Trapalhão", de 1960).

Cenas de Jerry lewis:

https://www.youtube.com/watch?v=b6NhVMMjKpY

https://www.youtube.com/watch?v=24pPbkoRxk0

https://www.youtube.com/watch?v=4QH2tuHwo_0

https://www.youtube.com/watch?v=m815Hbgeb6s


* bordões de Paulo Silvino: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2017/08/relembre-bordoes-mais-marcantes-do-humorista-paulo-silvino.html


17 de agosto de 2017

João Kurk

divulgação

Uma das figuras mais lendárias da noite paulistana faleceu na última sexta, dia 11, de causas não divulgadas: João Kurk, vocalista, guitarrista, flautista dos mais gabaritados entre os profissionais de cover que povoam as casas noturnas de Sampa. Foi um susto para seu grande público, que o acompanhava em apresentações pela capital e interior de São Paulo. Ele estava na ativa e cantando bem como sempre - meus filhos adolescentes viram a apresentação de sua banda Mr.Kurk no Duboiê Bar em São Caetano há menos de um mês e o "Galdalf da noite de São Paulo", como era chamado ultimamente pelos seus fãs ( basta olhar sua figura para entender o apelido) mandou muito bem como de praxe. Eu o conheci nos anos 80, com a fantástica Rock Memory, banda de covers fundada em 1981 e que atravessou a década colecionando apresentações memoráveis em casas como Woodstock, Café Pedaço ( onde eu mais os assistia), Café PiuPiu, Calabar, etc. Mas João já era veterano nessa época: começou no rock and roll ainda em 1966 na banda de covers The Islanders, participou da criação da banda Utopia no início dos anos 70, com covers mas também material próprio e finalmente fundou o grupo seminal "Terreno Baldio" em 1974, considerado um dos primeiros progressivos legítimos na terra brasilis, com influência do grupo Gentle Giant e que lançou dois discos bem interessantes, "Terreno Baldio", também conhecido como "Pássaro Azul", de 1975 e "Além das Lendas Brasileiras" de 1977. Então veio o arrasa quarteirão da noite "Rock Memory" em sua vida, que além das milhares de apresentações em uma década, deixou como legado nessa primeira fase três discos, dois de covers ( anos 60 e anos 70) e um autoral, "Sozinho na Cidade". Em 1991, João montou com amigos a "Paris Supertramp", especializada em covers da banda inglesa e em seguida se juntou a mais uma "sólida formação", a banda Rockover, que durou 17 anos e também fez história entre os anos 90 e a primeira década dos 2000 ( enquanto a Rock Memory seguia com novas formações, mas sem Kurk). A formação seguinte, Rockstock, não durou muito ( 2008-2012) mas serviu como semente para a última banda de sua vida, Mr. Kurk, formada por amigos e batizada em sua homenagem. Uma das mais ecléticas formações em sua carreira, com todos os integrantes tendo sua vez nos vocais ( e todos muito bem preparados) e com set list bem democrático, sem preconceitos, misturando clássicos com sucessos recentes do rock ( como Foo Fighters, Kings of Leon /etc). João Kurk amava o rock e isso ficava escancarado em suas performances. Cantava Elvis com emoção profunda, e cada música do seu repertório era muito trabalhada. Aliás, vale lembrar que em todas as bandas covers que formou ou se juntou, não tinha exclusividade no vocal, predominando muitas vezes apenas seu lado de guitarrista e instrumentista, que por sinal, não deixava a desejar. Deixo como homenagem várias apresentações que capturei na web ( e espero que fiquem por muito tempo no Youtube), desde o Rock Memory até hoje e claro, o incrível Terreno Baldio, uma das melhores bandas nacionais dos anos 70. Preparem um bom microfone aí no céu, porque João Kurk vai chegar com tudo.

Terreno Baldio ( 1975 - full) ( https://www.youtube.com/watch?v=NBUpNIMf8eU)

Terreno Baldio ( 1977 - full) ( https://www.youtube.com/watch?v=MGFiHvbXs24)

Rock Memory no Programa Mulher 90 ( https://www.youtube.com/watch?v=PC4Y1KRvMYk )

Rock Memory no Café Pedaço em 1986 ( https://www.youtube.com/watch?v=AbI5lPuuj74 )

Rock Memory no Woodstock Bar em 1984 ( https://www.youtube.com/watch?v=L0MLXhDtIgw&list=PL_fwMM6Gfxof8gCASL--VMtjzIgPZndi0&index=2 )

Rockover em 1993 no Café PiuPiu ( especial) ( https://www.youtube.com/watch?v=lQgHOqU7yM4 )

Rockover no Café PiuPiu em 2006 ( https://www.youtube.com/watch?v=cYBGcjZ9wTo )

Rockstock no Café PiuPiu em 2008 ( https://www.youtube.com/watch?v=mXbJjFK7IQo )

Mr. Kurk ao vivo na Kiss FM em 2016 ( https://www.youtube.com/watch?v=SPq1UL5IzGc&t=3291s)

16 de agosto de 2017

Álvaro de Moya no UOL, por Gonçalo Jr.

divulgação/FolhaPress
Matéria digna do legado do Prof. Álvaro de Moya, assinada pelo Gonçalo Jr no UOL ontem. Gonçalo tem uma biografia pronta do Moya ( a sair pela Editora Noir, na verdade uma autobiografia) e a muito tempo entrevistou-o para essa empreitada. Os estagiários das redações que pesquisaram para a notícia do falecimento anteontem ( afinal, esse departamento está nas mãos quase exclusivas dos focas, até onde eu sei) precisavam muito ter lido essa matéria para saberem que o mestre Moya foi um dos pioneiros que estabeleceram o que a TV faz até hoje em sua grade de programação  e que ele chegou a ser chefe do Boni e do Walter Clark quando estes ainda engatinhavam no veículo. Mas como tudo hoje é "correria desenfreada" e "pesquisa rasa" ( e isso é culpa dos editores, não dos subordinados) e essa ótima matéria saiu só ontem perto das 10h da manhã, a turma de plantão mergulhou com tudo no Google ( praxe) e deixou pra lá fontes fidedignas como Francisco Ucha ( seu assessor há 6 anos), Mauricio Kus ( que ajudou na produção da comprovada primeira exposição sobre quadrinhos no mundo em 1951 em São Paulo), Waldomiro Vergueiro ( do qual Moya foi mentor na USP), Mauricio de Sousa ( que ficou muito próximo a ele entre os anos 60 e 70, inclusive em trabalhos conjuntos) e o próprio Gonçalo Junior. Se assim fosse, não veríamos uma nota tão vazia no JN ( " o em cima da hora" não justifica a matéria sem nem sequer imagem/foto) e uma matéria com erros feios na Folha ( novidade?). A matéria do Gonçalo focou mais na TV ( a pauta do UOL pendeu para este tema) mas capturou momentos primordiais na carreira e na vida de Álvaro de Moya. Senti falta de detalhes sobre os primeiros anos de Moya nos quadrinhos ( na redação da Gazetinha, como capista de O Pato Donald e Mickey na Abril entre 1952 e 1953 e como colaborador da Editora Outubro/Continental), mas aí é só o lado perfeccionista meu de colecionador/fuçador ferrenho de quadrinhos falando alto. Viva Moya!

https://entretenimento.uol.com.br/noticias/redacao/2017/08/15/conhecido-pelos-quadrinhos-moya-foi-um-dos-inventores-da-tv-brasileira.htm

14 de agosto de 2017

Álvaro de Moya (1930-2017)



Com muito pesar, soube da morte de Álvaro de Moya hoje, em São Paulo. Um dos primeiros profissionais do traço a integrar a equipe de Victor Civita na Abril ( 1952/1953, ainda na Rua João Adolfo, no centro de São Paulo), além de ser um dos maiores conhecedores de quadrinhos do mundo, foi pioneiro na TV ( desenhou os letreiros inaugurais da TV Tupi, ajudou no nascimento da TV Bandeirantes e foi produtor e diretor na Excelsior), professor na USP e grande entusiasta do cinema. Escreveu obras essenciais sobre HQ, principalmente "Shazan" de 1970, que trouxe à tona uma visão moderna, profunda e desmistificadora da nona arte. Graças ao amigo ( e seu assessor) Francisco Ucha, organizador da fantástica exposição "Quadrinhos'51" de 2012 ( aqui: https://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/04/em-familia-na-emocionante-exposicao.html ), tive o prazer de conhecê-lo e cheguei a visitá-lo em sua casa, onde pude ver ao vivo parte de seu acervo e muitas histórias ( aqui: https://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2016/03/papo-cultural-com-francisco-ucha-e.html . Um ser humano empolgante, animado, generoso, que compartilhava sua vasta cultura sem qualquer resquício de empáfia. Fique em paz, mestre!

11 de agosto de 2017

Em seu 44º aniversário, Hip-Hop ganha Doodle "educativo"

O Hip-Hop e toda sua cultura implícita, está comemorando 44 invernos: foi em 11/08/1973 que o DJ Kool Herc lançou em uma festa a semente do estilo. O Doodle comemorativo do Google relembra a data com uma animação cheia de marra, detalhando partes desta História, além de trazer ferramentas interativas onde se pode brincar de DJ nas picapes estilizadas, fazer mixagens com músicas conhecidas e até criar as próprias músicas. Ryan Germick, um dos mentores da ação no Google, disse em entrevista que este foi um dos projetos mais complexos já feitos pela empresa. A arte do Doodle é do grafiteiro Cey Adams.



O Doodle interativo ( e roteiro completo do projeto) aqui:

https://www.google.com/doodles/44th-anniversary-of-the-birth-of-hip-hop

9 de agosto de 2017

Capitão Feio - Identidade ( Preview)


Mais um lançamento prá lá de aguardado, "Capitão Feio - Identidade", de Magno Costa e Marcelo Costa, a nova Graphic dos estúdios MSP sairá em setembro, primeiramente na Bienal do Livro do Rio e logo em seguida em bancas, naquelas versões já tradicionais ( capa dura ou cartonada). Sidão ( Sidney Gusman, mentor/editor do projeto) pra não perder o costume, fez um preview de "responsa" no Facebook hoje, com imagens inéditas, incluindo capa e texto de quarta capa. A produção da dupla Costa me causou ótima impressão, em uma história que parece bem movimentada e cheia de ângulos, com várias referências/reverências ao vilão predileto dos leitores da turma da Mônica, mostrado no álbum no esplendor de sua fúria. Só senti falta daqueles fios de cabelo que insistiam em se rebelar na calvície do Capitão nos gibis tradicionais, mas como a história é sobre suas origens, talvez o estilo seja proposital. De qualquer forma, esta nova edição da coleção Graphic MSP ( a 16ª) tem tudo para repetir o sucesso das anteriores. E muito dessa qualidade passa pela edição primorosa do Sidão, que sempre sua à beça por meses até que um álbum desses venha à luz.
As imagens disponibilizadas podem ser conferidas abaixo, da última até a primeira ( além da capa lá em cima):











7 de agosto de 2017

Joe Satriani no Ibira!

divulgação

Ontem, eu e a família do-ré-mi fomos sem pestanejar ao showzaço gratuito do Joe Satriani, um dois mais rápidos guitarristas do mundo - além de seu histórico como professor de guitarristas brilhantes como Steve Vai ( que se tornou grande amigo), Kirk Hammett, Alex Skolnik ( Testament), entre outros. No Parque do Ibirapuera ( SP), em noite de lua cheia e um frio aconchegante, milhares de pessoas cercaram o auditório do parque para prestigiar o guitarrista americano que é colecionador de Grammys e já vendeu mais de 10 milhões de cópias de seus discos. Nos últimos tempos acompanho um pouco de longe sua carreira, mas nos anos 80/90 fui ferrenho ouvinte de suas pirotecnias estonteantes, primeiro no disco "Surfin with the Alien" de 1987, que deixou todo mundo de queixo caído na época, menos Steve Vai, seu ex-aluno, conhecedor de seu virtuosismo na guitarra e por isso mesmo responsável por divulgar Satriani sempre que possível em entrevistas, o que ajudou-o a conquistar sucesso depois de pelo menos dez anos na labuta. Além desse petardo que estampava na capa o próprio Surfista Prateado de Stan Lee e John Buscema, ícone dos quadrinhos sessentistas, talvez o disco do homem que eu mais ouvi/gastei a agulha foi o de 1992, The Extremist, cheio de nuances e climas e um dos projetos de sua carreira mais festejados pela crítica. Joe Satriani tem estilo próprio e mistura em seu caldeirão tudo o que tem direito - jazz, blues, funk, heavy, progressivo - e ontem, além de seus clássicos ( "Crushing Day"; "Always with Me, Always With You"; "Summer Song"; "Friends")  tocou Hendrix e um número muito próximo de ser chamado de baião. Um show gratuito com duas horas de duração em que o protagonista tocou com muita disposição - lembrando que ele completou 61 anos em julho! - esbanjando felicidade enquanto esmerilhava suas três ( quatro?) guitarras na apresentação, ao lado de sua banda competentíssima. Quem estava lá pôde presenciar: depois de exaustivas músicas com quatro minutos ou mais, o guitarrista não apresentava nenhum sinal de cansaço, sequer presença de suór ( vejam fotos dele de quinze anos atrás - ele também não envelhece!!), o que me faz acreditar que ele possa ser um "alien". Pra tocar guitarra desse jeito, bem provável!
No final apoteótico do show, que durante toda a sua duração contou com efeitos visuais estonteantes vindos do telão, Satriani pediu para o guitarrista Artur Menezes, brasileiro radicado nos EUA que fez com sua banda uma perfeita abertura, subir ao palco para ajudá-lo em um blues de alta voltagem. No fim fez um gesto de retribuição à reverência explícita do jovem instrumentista, o que prova sua falta de esnobismo. O professor estava lá para divertir a plateia e se divertir também. Conseguiu.

Abaixo, fotos da apresentação ( e a íntegra de "The Extremist", para recordar)

https://www.youtube.com/watch?v=yxIM312iBWU











4 de agosto de 2017

Luiz Melodia (1951- 2017)


Sexta feira triste, muito triste! Faleceu Luiz Melodia, um dos mais autênticos intérpretes/compositores de nossa terra brasilis. Melô se despede da gente aos 66 anos, deixando uma obra ainda a ser estudada - suas composições são genuínas, únicas - e discos que se tornaram clássicos, a começar pelo primeiro, Pérola Negra (1973), obra prima de sua carreira. Como músico e intérprete Melodia não deixou herdeiros - um soul tropical cheio de climas, com pitadas de samba, tudo embalado na mais sólida afinação. E como letrista, mais uma vez quebrou tradições, transgredindo frases, misturando emoções em poesias cortantes e crônicas pungentes. Tive o privilégio de conhecê-lo em um evento no Rio há alguns anos atrás. Trocamos ideias, ele foi muito aberto e descontraído, e fiquei emocionado ao vê-lo mais tarde, brincando com crianças no carpete do hotel , enquanto o evento rolava no salão ao lado. Luiz Melodia era assim, zen até a última ponta. Sua música "Magrelinha" é das mais celebradas por mim e pela Cris entre a playlist de favoritas que temos desde o começo do nosso relacionamento. Seu disco "Pérola Negra", um dos mais "gastos" na minha velha vitrola. E a emocionante "Juventude Transviada" , tema de novela, uma das grandes músicas da trilha da minha infância. Por essas e outras Melodia sempre fez parte da minha vida. Que fique em paz em seu novo caminho.

https://www.youtube.com/watch?v=efg8Th__apc

3 de agosto de 2017

Baú do Malu 71: Mascote 1 e 3 ( Editora Abril - 1953)



A Editora Abril ( leia Victor Civita, o fundador) sempre se orgulhou de ter começado seu conglomerado editorial com um "pato", a despeito do velho Walt ter também lá nos anos 20  finalmente "vingado" ( após algumas frustrações e fracassos) com um rato ( e eu nem preciso escrever que é o Mickey, certo?). O pato do seu Victor é o Pato Donald, claro, lançado em julho de 1950 em formato menor ( depois adaptado para o atual formatinho). Por causa desse amuleto de sorte, que não vendia horrores no início mas graças ao "marketing de guerrilha" de Civita e sua pioneira equipe ( entre eles Claudio de Souza, Reinaldo de Oliveira, Alberto Maduar e um pouco depois Álvaro de Moya), que faziam corpo a corpo junto às bancas, a revistinha O Pato Donald deslanchou e catapultou a vinda de revistas de outros segmentos - Capricho, Quatro Rodas, Cláudia, etc. Moya, em recente entrevista ao colecionador Adriano Rainho, lembrou que um desenho da cara do Pato Donald - sugestão sua - foi adaptado na frente da perua de distribuição da Abril, avisando assim a criançada que o gibi novo tinha acabado de chegar. Diante desse começo promissor, outras revistas do período (1950-1953) que não tiveram a mesma sorte em vendas, acabaram ficando no limbo, esquecidas na história oficial da editora  - citei-as em post anterior: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2012/04/bau-do-malu-36-diversoes-escolares-n.html ) . A Mascote entra nessa história como mais uma das publicações renegadas da Editora Abril. Publicada em 1953 ( um pouco depois da estreia do Mickey em revista própria), foi mais uma tentativa de Victor Civita de introduzir no Brasil revistas lançadas e testadas pelo seu irmão César Civita em sua Editorial Abril na Argentina ( como Raio Vermelho, depois Misterix - aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2011/11/bau-do-malu-34-raio-vermelho-n-49.html ). Uma revistinha infantil pitoresca e abusada em "efeitos visuais", com bordas recortadas contornando os desenhos da capa, os textos narrativos escritos com letra de caderno ( e a tinta imitando caneta esferográfica), geralmente dando pistas dos autores que produziram as historinhas ( Heitor, que deve ser Hector Oesterheld; Sirob - Boris ao contrário; Hugo, muito provavelmente é o grande Hugo Pratt), as histórias principais sequanciais, sem quadros definidos nem balões de diálogos. Até onde eu sei saíram apenas quatro edições mensais de Mascote no Brasil ( o original na Argentina era Gatito - veja aqui, neste ótimo post: http://mimamamemima2009.blogspot.com.br/2013/01/gatito.html ). Eu possuo em meu acervo a número 1 ( setembro de 1953) e a número 3 ( novembro de 1953). Na última, algumas histórias creditam os autores - entre eles mais uma fera do quadrinho argentino: Alberto Breccia. O pato "voava" nas bancas neste 1953, Mickey começava a pegar gosto e equipe de artistas da casa chegou a ter até curso extensivo para pegar o jeito de desenhar seguindo o "padrão Disney". Paralelamente, uma segunda roupagem de "Raio Vermelho" ( a verdadeira primeira revista de Victor Civita no Brasil) rebatizada de Misterix e lançada neste mesmo ano - com lindas capas de Jayme Cortez ( não assinadas) sobreviveu por um semestre (12 edições quinzenais). O simpático "Gatito" e sua turma acabaram esquecidos nesse processo. Se em algum momento o astuto Victor Civita se deu conta e tentou algum tipo de divulgação mais focada ( no caso o público era formado por leitores mais novos), já era tarde para o Mascote.

Abaixo, capa da 3 e internas das edições 1 e 3:










31 de julho de 2017

Fotos do Mês: Santo André ( Centro, Vila Assunção e Ipiranguinha)

No meio do mês, resolvemos eu e meu filho andar a pé até uma consulta médica em Santo André, cerca de oito quilômetros de casa. Pesou nessa escolha sem dúvida a crise econômica, já que em casa estamos economizando de tudo um pouco - condução, alimentação, lazer, etc - mas o passeio acabou fazendo muito bem para os olhos e o coração. Atravessamos o Centro da cidade rumo aos bairros Vila Bastos, Vila Assunção e Ipiranguinha, até a Rua Carijós. As imagens vieram naturalmente, com o celular em punho. E eu consegui algumas imagens interessantes, algumas mais óbvias ( Paço) , outras bem lado B. Santo André, cidade que consta em minha certidão de nascimento é grande à beça, faz divisa com Cubatão e Santos e tem muito, mas muito detalhe escondido, longe dos holofotes. Essa certamente será a primeira entre muitas expedições fotográficas ao município vizinho.

Obra de Tomie Ohtake no Paço Municipal




Casarão na esquina da Rua Celk. Agenor de Camargo e Rua Cel. Francisco Amaro





começo da Rua Carijós

Igreja Matriz da Vila Assunção




Parque Antonio Flaquer - Ipiranguinha