11 de junho de 2022

"Ziraldo - Memórias" no Catarse (até 19/06)


Faltam 8 dias para o final da campanha no Catarse do livro "Ziraldo - Memórias", produzido e editado pelo Francisco Ucha. Um lançamento que não pode ficar de fora da biblioteca dos apaixonados pelos quadrinhos e pela história gráfica brasileira. Além da capa dura (com a maravilhosa arte de Luiz Carlos Fernandes) e recompensas tentadoras, o projeto conta com um conteúdo primoroso e primordial:

- a entrevista (originalmente em duas partes) na íntegra, que Ziraldo concedeu ao Jornal da ABI há dez anos para Francisco Ucha e mais dois jornalistas. O próprio Ziraldo mencionou depois que essa foi a entrevista mais completa de sua vida.
- prefácio genial de Ricky Goodwin, jornalista, amigo de Ziraldo e editor das famosas entrevistas do Pasquim.
- texto inédito e surpreendente do jornalista e escritor Zuenir Ventura, outro grande amigo de Ziraldo.
- um texto meu sobre as primeiras publicações de Ziraldo, principalmente nos quadrinhos, antes de se tornar conhecido na grande imprensa.
- uma pesquisa profunda em várias fases de sua carreira, trazendo à tona alguns momentos nunca antes revelados.
- fotos e imagens inéditas.
- uma história em quadrinhos na íntegra, publicada originalmente na revista Vida Infantil nos anos 1950.
Enfim, um projeto imperdível, que merece bater sua meta. O link para apoiar é esse:

29 de maio de 2022

Momento Rockabilly - Informativo nº2 (junho-2022) - Mais um petardo de José Zinnerman Nogueira

Recebi mais um petardo imprescindível do meu velho amigo José Zinerman Nogueira, o "Fóssil Vivo do Underground": o informativo "Momento Rockabilly", um movimentado zine digital com grandes momentos do gênero rockabilly (e seu "primo" atual psychobilly), tanto dos velhos tempos como do último mês. E o veículo rocker vem com aquele já conhecido "pacote completo" do Nogueira: cobertura de shows, perfil de artista, foto histórica, entrevista, letra de música, galeria de imagens e contatos das bandas. Com destaque para o rocker Caio Durazzo (que aparece na capa ao lado de JZN, acima), outro que faz muito pela cena do rock underground. Para quem quer visualizar este informativo completo (nº2, que tem data de junho de 2022), ou outras criações de José Zinerman Nogueira (o homem não para!), entre em contato nos seguintes endereços:

zinerman_nogueira (instagram)

CX Postal 22 CEP 01031-970 SP-SP

José Zinerman Nogueira (Facebook)

e-mail: jn7400@gmail.com 

26 de maio de 2022

Baú do Malu 86: Livreto "Tambaú - A Cidade dos Milagres" - Ado Benatti



Esse simpático livreto acima eu encontrei dentro de um móvel bem antigo em um antiquário da região de São Pedro-SP uns tempos atrás. Me chamou a atenção a bela imagem da capa (sem crédito) e o seu caráter bem artesanal. Tirando a informação de que o livrinho foi distribuído pela Tipografia "Souza", situada no bairro do Brás (São Paulo), mais nada se sabe dessa misteriosa mini publicação (data, tiragem, etc - como não tem preço, possivelmente foi distribuído gratuitamente). No texto de introdução do autor, fica-se sabendo dos "Milagres de Tambaú", cidade que segundo ele "era falada no Brasil inteiro como palco de milagres e acontecimentos incomuns", atribuídos a um padre falecido - Donizetti Tavares de Lima - considerado santo pelos devotos, ainda em vida, principalmente a partir da meados da década de 50. O autor, Ado Benatti (outro mistério), preferiu contar a história desses milagres usando a linguagem dos cordéis (nas palavras dele, na "linguagem sertaneja"),com estrofes de 8 linhas em 22 páginas (o total do livro é de 32 páginas). Numa rápida pesquisa na internet, vê-se que o padre Donizetti (1882-1961) é bem comentado até hoje e deixou marcas na cidade de Tambaú-SP. Mais aqui: http://www.padredonizetti.com.br/bio.asp

25 de maio de 2022

Baú do Seu João 35 - Foto do Corínthians de 1969



Depois de um longo inverno, volto com o baú do meu saudoso pai, João Massolini (1939-2019), um dos mais surpreendentes guardadores de "cultura" que tive o prazer de ver/conviver na vida. Esta foto história do Corínthians de 1969 (uma das muitas formações daquele ano) estava no meio de alguns documentos dele e embora não seja uma foto original, está num formato "cartão postal", com efeito plastificado, margem branca e a escalação descrita no verso. Certamente foi feita na época como brinde ou peça promocional. Meu pai foi, além de guardador contumaz de cultura, um corinthiano roxo. Literalmente, pois quando o Corínthians perdia, a coloração do rosto enfurecido dele podia pender para o vermelho e quando a coisa tava braba mesmo, chegava bem próxima do roxo! Um beijo, pai querido!
obs: a legenda original está com um ligeiro erro sequencial. A escalação certa, da esquerda para a direita é esta: Lula, Oswaldo Cunha, Ditão, Luiz Carlos, Dirceu Alves e Lidu. Agachados: Paulo Borges, Adnan, Benê, Rivelino e Eduardo.


29 de abril de 2022

100 anos de Toots Thielemans (Doodle)

Hoje o Google homenageou o grande músico belga Toots Thielemans, que completa 100 anos hoje, com um 'Doodle' muito bem desenhado. Toots, considerado um dos maiores gaitistas de todos os tempos, chegou a tocar ao vivo no Brasil e participou de projetos com brasileiros ao longo da carreira (Sivuca, Elis Regina e Astrud Gilberto foram alguns deles). Começou a carreira como guitarrista, e além da gaita, foi também um grande assoviador profissional.

25 de abril de 2022

"50 Poemas de Revolta"



Aqui pertinho de casa, uns quatro quarteirões pra cima, uma lojista resolveu colocar na calçada um simpático móvel com livros sortidos para retirada grátis. O famoso "deixe um, pegue outro". Hoje levei lá cinco livros do meu acervo e peguei três: um infantil do escritor João Carlos Marinho - "O Conde Futreson" - com a turma do Gordo; um volume da série "Viagem pelo Brasil", "Qual é o seu Norte - Almanaque da Amazônia", de Silvana Salerno com ilustrações do ótimo Gonzalo Cárcamo; e um livrinho de antologia poética, "50 Poemas de Revolta" (Cia das Letras), com uma seleção bem escolhida de poemas indignados, daqueles que põe o dedo na ferida, cutucam, gritam aos quatro ventos, ironizam a hipocrisia, subvertem o estabelecido. Entre os poetas, luminares como Ferreira Gullar, Hilda Hilst, Drummond, Vinicius, Roberto Piva, Zuca Sardan, Chacal, Ana Cristina César, Torquato Neto, Leminski, Alice Ruiz, Jorge de Lima e muitos outros. Nesses tempos em que se trocam as mãos pelos pés como se troca de roupa, se indignar, se revoltar, é como respirar! Seguem dois versinhos singelos da antologia citada:


ERRO DE PORTUGUÊS

Oswald de Andrade


Quando o português chegou

Debaixo d'uma bruta chuva

Vestiu o índio

Que pena!

Fosse uma manhã de sol

O índio tinha despido

o português



OS OMBROS SUPORTAM O MUNDO

Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu 

                                                                    {Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa que venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos 

                                                                      {edifícios.

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.


(no correr do ano, posto mais desses versos subversivos)




24 de abril de 2022

Cartões comerciais no armarinho



Fui acompanhar minha sogra em suas caçadas por boas linhas para tricô/crochê e nessa expedição paramos em um armarinho no centro de São Caetano. Tudo muito colorido e cheio de surpresas (ainda mais para um leigo como eu), incluindo pincéis, papeis colantes, miniaturas de todo tipo, etc. Na saída, no caixa, vi esses cartões comerciais e trouxe comigo - achei o design bem criativo em ambos. O primeiro, capturando imagem de algum anúncio bem antigo, onde as mulheres lindas desenhadas imperavam e outro com um bem resolvido lettering, onde a agulha perpassa o título. Ei-los aqui, para apreciação.

2 de abril de 2022

Ruy Maurity (1949-2022)

     (crédito: Pinterest/Silvana Regina)

Ultimamente, principalmente na pandemia, passei a escutar sons recorrentes quando escrevia a trabalho no computador: Nick Drake, Elton John, Donny Hathaway, Astrud Gilberto, Johnny Alf, entre outros. E o querido Ruy Maurity era um deles - ouvi muito, muito, sua música profundamente brasileira, rural, que funde com perfeição folclore, crença, natureza e um olhar bem próximo daquele brasileiro que mora lá no fundo do Brasil, fora das mídias e das estatísticas. O som de Maurity me acompanha desde a infância, quando assobiei e cantarolei muito "Nem Ouro, Nem Prata" ("Eu vi chover, eu vi relampear") e "Marcas do que se Foi", que a família toda cantava anualmente nas festas de réveillon. O compositor, ao lado do seu parceiro José Jorge, foi figura carimbada nas trilhas de novelas por toda a década de 1970 e surgiu para a música no Festival Universitário do Rio de Janeiro com a música "Dia Cinco", dele e de Zé Jorge, no início da década. Além de "Nem Ouro Nem Prata" e "Marcas do que se Foi", outras músicas de seu repertório acabaram na boca do povo, como "Serafim e seus Filhos" (regravada por vários artistas e com direito a continuação) e "Menina do Mato". Os amigos e conhecidos são unânimes em dizer que Maurity era uma pessoa muito tranquilo e doce. Eu pude presenciar isso quando há uns quatro ou cinco anos atrás, resolvi ligar para ele, com a intenção de entrevistá-lo. Ele foi muito solícito e simpático, mas recusou meu convite: "Marcos, no momento eu só quero curtir os meus bichos e minha aposentadoria". Realmente, esse amor pelos bichos era latente em suas postagens nas redes sociais, geralmente com fotos de cães de todos os tipos. Até que no dia 01/04, no portal do seu irmão, o também compositor Antonio Adolfo, veio a notícia de seu desencarne, aos 72 anos. Que sua doçura ecoe na imensidão e sua entrada no outro plano venha com a tranquilidade que você sempre procurou colher aqui nessa vida.

Aqui, full, um dos grandes discos de Ruy Maurity: 

https://www.youtube.com/watch?v=q0LyE9WDExU

30 de março de 2022

Elifas Andreato (1946-2022)


Elifas Andreato partiu aos 76 anos. Mais um grande artista gráfico brasileiro que nos deixa recentemente - nesse último mês, tivemos a partida de Gepp (1954-2022), da inesquecível dupla Gepp & Maia (como esquecer a série do Pinóquio-Maluf do JT?) e do Luscar (1949-2022), um dínamo do nosso humor gráfico. Elifas foi editor, compositor, ilustrador e principalmente design gráfico, se consagrando como um dos mais prolíficos capistas de discos do Brasil. E em todas essas atividades, nunca deixou de lado sua veia democrática e sua luta em favor dos desfavorecidos. A sua arte cativante e vívida certamente ficará em evidência para gerações futuras, assim como atingiu seus contemporâneos de forma tão profunda. Muitos  textos bem feitos sobre sua longa carreira podem ser lidos de ontem pra hoje na internet ( o texto do Mauro Ferreira no G1 e o trecho da entrevista dada ao ótimo Marcelo Pinheiro, sobre o jornal Opinião, cofundado por ele, são bons exemplos), mas quero deixar aqui alguns momentos em que o Elifas passou por minha vida e deixou marcas indeléveis.

- Ainda na minha infância, tive o privilégio de manusear e escutar a coleção "História da Música Popular Brasileira", da Editora Abril, que meu pai pacientemente completou comprando os fascículos mensais na banca de jornal. Além de conhecer a nata da música brasileira nos textos de especialistas e nas faixas dos discos que vinham encartados, apreciei com gosto pela primeira vez a arte única de Elifas, nas artes, nas fotos e na composição das capas dos fascículos - um dos primeiros trabalhos gráficos de sua lavra.

- Segui na vidas como colecionador de HQs e discos e um grande apreciador da arte nas capas dos LPs, um dos objetos sagrados da nossa cultura que propiciou momentos únicos do design brasileiro. Elifas, um dos capistas mais atuantes, aparecia sempre em minhas aquisições, com destaque para suas obras-primas para discos de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Foram muitos (em sua carreira, aproximadamente 500 capas).

- Quando fui trabalhar no Dedoc da Abril no início dos anos 90, tive a honra de ajudar a equipe do Almanaque Brasil em suas pesquisas mensais sobre a cultura brasileira. O Almanaque é uma das mais importantes obras culturais feitas no país e ainda carece de um estudo mais aprofundado. São anos e anos de publicação, primeiro como revista de bordo da TAM e depois seguindo independente. Conheci na ocasião a querida fotógrafa Iolanda Husak, ex-esposa e amiga para toda vida de Elifas - ela também uma insaciável batalhadora da democracia - Bento, o editor (e filho dos dois) e a ótima equipe da revista.

- No ano passado, consegui o telefone do Elifas e liguei na raça. Estava escrevendo a biografia do Joselito Mattos (outro grande capista) e queria saber alguns detalhes de sua produção no mercado fonográfico. Ele foi de uma simpatia e docilidade extrema e nosso papo acabou se alongando por mais de meia hora! Um grande momento que não esquecerei jamais.

Por essas e outras, Elifas permanecerá em nossa mente, coração e claro, em nosso olhar. Basta olharmos uma ilustração editorial, um cartaz, uma capa de livro ou uma capa de disco desse artista magnífico, que sua sensibilidade artística nos acalentará sempre.

Para ver sua obra e carreira, aqui: http://www.emporioelifasandreato.com.br/main.asp

José Zinerman Nogueira: o "Fóssil Vivo do Underground" a todo vapor!

O caríssimo José 'Zinerman' Nogueira, amigo de muitas e boas, não para quieto e diariamente - repito - diariamente, cria programas, produz vinhetas, desencava tesouros culturais e cria arte de todas as formas (gráfica, plástica, visual, etc). Com seu humor rápido, suas tiradas únicas, cenário psicodélico (do seu próprio QG) e trilhas sonoras tiradas de seu baú de preciosidades, Zinerman anda botando fogo nas noites enfadonhas e dias modorrentos do Instagram. Pra quem não sabe, o Nogueira é cofundador ao lado de Sylvio Passos do primeiro fã clube oficial do Raul Seixas e criador de outros tantos fã clubes pioneiros do rock tupiniquim. Também é um dos fanzineiros mais antigos e atuantes no Brasil, se correspondendo com artistas e escrevinhadores do mundo todo! Eu tive o privilégio de colaborar em alguns zines seus. O seu acervo cultural já alimentou inclusive muitas produções literárias, radiofônicas e cinematográficas. Quem tiver fôlego e quiser acompanhá-lo no Insta, é só buscar seu nome lá: José Zinerman Nogueira. O homem não para! (abaixo, um dos últimos vídeos de sua lavra)




29 de março de 2022

Jean

Soube hoje que mais um amigo de real grandeza desencarnou. O Jean, além do caráter ilibado e da amizade para toda obra, era um grande conhecedor da história e da discografia do rock e um aficionado por cinema clássico. Que o digam os frequentadores e amigos que o encontravam a postos na tradicional Metal Music no centro de Santo André - o bom papo podia durar horas! Assim foi por duas décadas, lembrando e indicando lados Bs matadores, faixas injustiçadas e discos imperdíveis. Antes, foi proprietário de loja de discos e frequentador de centenas de shows e festivais de rock a partir do final dos anos 60. No início da década passada, numa fase em que revendia vistosas camisetas de rock (eu acabei comprando várias que uso até hoje), foi um dos amigos mais atuantes na montagem das duas edições da Expo Beatles, que eu, o Henrique Valsésia e o Mário Mastrotti montamos em São Caetano com grande sucesso. Seguimos com a amizade e na pandemia conseguimos trocar muitas figurinhas via whatsapp - cheguei a lhe emprestar uma sacola de DVDs para que suportasse bem essa fase de recolhimento. Na última troca de mensagens, há 15 dias, mandei mais uma lista de filmes para ele escolher e ele agradeceu do jeito que sempre respondia: "Valeu, Poeta!". Ele vinha reclamando de um cansaço extremo há um termpo - ele que sempre foi um andarilho raiz - e tinha exames agendados para checar o coração. Estranhei que ele não me retornou sobre os filmes, até que hoje o baque: ele tinha sido internado na semana com pneumonia e não resistiu a uma infecção. Siga em paz, querido amigo Jean, e que se faça um grande concerto de rock para celebrar sua chegada em um lugar de muita harmonia e luz - um reflexo natural para sua alma nobre.

                                   (crédito: Metal Music - Santo André)