18 de setembro de 2017

O 2º FLIQ vem aí!


Neste próximo fim de semana rola o FLIQ - Festival Limeirense de Quadrinhos - capitaneado pelo intrépido Renato Frigo, um cara que quando se põe a fazer algo faz com propriedade, paixão e cuidado. Em outras palavras, mergulha fundo e costuma fazer bem feito! Assim foi com o grupo no Facebook "Colecionadores de HQs" ( onde o conheci há alguns anos), assim foi com os pioneiros leilões de quadrinhos nas redes sociais e assim foi com o site Colecionadores de HQs, onde tenho o privilégio de colaborar como colunista e eventual revisor. Essa 2ª edição do festival vem com um upgrade daqueles: se na inaugural foi naturalmente tímida, embora muito elogiada por quem foi e com palestras marcantes como a do Gonçalo Jr, , nessa dentição 2017 as atrações não param de pipocar nos posts-anúncios diários do Frigo ( vejam nos quadros e link da programação abaixo). Para acolher tanta gente criativa e empreendedora + o público, o evento mudou-se para as dependências da Faculdade de Administração e Artes de Limeira (FAAL) que fica na Av. Engenheiro Antonio Eugênio Lucatto, 2515 ( veja o mapa para chegar aqui: https://vemprofliq.wordpress.com/como-chegar/ ). Começa no sábado (23/09) a partir das 10h e segue no domingo ( 24/09) a partir das 11h. Eu devo aparecer lá no domingão e finalmente vou reencontrar o Renato Frigo, pois embora tenhamos uma relação de amizade que parece "de infância", só tivemos a oportunidade de nos vermos pessoalmente uma única vez - no já clássico "Festival Guia dos Quadrinhos" em São Paulo. Então que venha o 2º FLIQ! Promete muito!

p.s: o cartaz oficial do 2º FLIQ (lá em cima) foi criado pelo "inesgotável" Marcatti.















E mais, muito mais. Acompanhem no link e programação abaixo:

https://vemprofliq.wordpress.com/hall-dos-artistas/

https://vemprofliq.wordpress.com/programacao-oficial/


O evento acontece na FAAL - Faculdade de Administração e Artes de LimeiraAv. Engenheiro Antonio Eugênio Lucatto, 2515 - Vila Camargo - Limeira - São Paulo
> Mapa para chegar ao festival < 

Horário de funcionamento
23/09 - (sábado) 10:00–19:00
24/09 - (domingo) 11:00–18:00

15 de setembro de 2017

Capa do Mês: O Guri nª 3 ( ano XXII) março de 1961


Esta bela capa de O Guri tem a arte do ainda jovem Getulio Delphim ( nascido em 1938) que já passara pela O Globo/Rio Gráfica e Editora ( onde começou aos 15 anos no O Globo Juvenil)  Garimar, Outubro ( Capitão 7) La Selva e CETPA ( Aba Larga). Aos 23 anos, portanto, já tinha trabalhado bastante para os quadrinhos! Esta é a ultima fase de O Guri e traz histórias brasileiras de Charlie Chan - nesta edição, desenhos internos de José Geraldo ( que em breve fundaria a citada CETPA, Cooperativa Editora de Trabalhos Porto Alegre, iniciativa que arregimentou vários talentos nacionais em prol da nacionalização dos quadrinhos). Como curiosidade, incluo também a contracapa, com anúncio em quadrinhos do creme dental Eucalol.
Ah, e aproveito também para postar também o link do "Sábados da Memória" com a entrevista que Getulio Delphim fez em 2010 para o projeto e que está de volta na rede pela HQMix TV.




Entrevista Getulio Delphim:

https://www.youtube.com/watch?v=BWwOhnKx7II

13 de setembro de 2017

Revista Raízes nº 55 ( agosto de 2014) na íntegra


A página do Pró-Memória de São Caetano do Sul já disponibilizou em sua página a íntegra da última edição da revista Raízes, publicação semestral de História da cidade. Quem não conhece, vale a pena dar uma olhada, pois são poucos os municípios que podem contar com uma publicação desta envergadura, seja em número de páginas como em conteúdo. A edição de nº 55 ( agosto de 2017) vem recheada de boas matérias, a começar pelo especial de capa sobre os 300 anos do início da construção da Capela de São Caetano na antiga Fazenda do Tijucuçu, seguido de dois perfis emocionantes, um com a história do cineasta Aron Feldman, escrito pelo seu filho, o escritor e ator Claudio Feldman, e outro com a vida do músico Elpídio Moré, ativo na cidade até hoje, assinado pelo editor Caio Bruno. Há também o forte time do SAAD de 1975, visto pelo meu amigo Renato Donisete e o estudo acadêmico do qual eu participei com depoimento, idealizado por Mayra Oliveira, bacharel em Comunicação pela UMES. Há mais, muito mais...vejam no arquivo abaixo. Na página 61 começa a matéria que escrevi sobre a Carvoaria Flórida, que deixou neste ano seu tradicional endereço na Rua Flórida depois de décadas. Nessa empreitada, tive o privilégio de contar com a parceria de dois dos maiores fotógrafos da região, meus amigos Celso Vick e Vinicius Nakashima.

http://www.fpm.org.br/admin/imagens/raizes/raizes_055.pdf

11 de setembro de 2017

Achado 7: Livro de Monogrammas - 2ª edição ( s/d)

Esse item eu achei no meio de uma pilha de livros em uma caixa do São Judas, um lotado, aprazível e caótico sebo localizado no centro de Santo André. Só pelo seu tamanho, menor que a palma da mão, já dá para considerá-lo um achado e tanto. Mas ele é mais do que uma simples agulha no palheiro: é uma publicação que deixou de ter sua serventia e importância por conta da tecnologia e do progresso, mas que em sua época ( primeira metade do século XX) era o grande must das bordadeiras de plantão. Suas letras artísticas e estilizadas formando nomes, bichos e outras figuras chamativas para um belo bordado faz do livretinho um "flash" perfeito de seu tempo, em que os trabalhos manuais, artesanais e o cuidado com os detalhes artísticos e personalizados permeavam várias áreas, como a arquitetura, o design, as artes gráficas e a moda. Pela grafia ( "monogrammas") e estilo, acredito que a revistinha seja das décadas de 30 ou 40, mas é um chute de minha parte. Além dos monogramas propriamente ditos, há também em todo o conteúdo propagandas de remédios da empresa americana The Sidney Ross, pois o livreto é um brinde patrocinado pela própria.  Acima e abaixo, temos a publicação na íntegra, clicado pelo amigo João Antonio Buhrer. Ah, sim, ainda não tinha mencionado: doei esse item para o acervo do João ( "Os Arquivos Incríveis"), por saber que ele tem muito mais a ver com as séries e coleções de sua biblioteca. Em troca, ele me presenteou com peças surpreendentes, que em um futuro bem próximo, serão postadas por aqui.



















4 de setembro de 2017

Fotos do Mês: Ampliações PB - divulgação de Festivais de Música (1960/70)


Nos últimos tempos, adquiri algumas fotos (PBs) que pertenciam ao material de divulgação dos festivais de música que surgiram com tudo na segunda metade da década de 60. Imagens bem interessantes que capturam alguns artistas bem jovens e também provam que o FIC ( Festival Internacional da Canção) tinha atrações de peso entre os concorrentes da ala internacional.
Na ordem temos (a primeira em destaque acima):

1- Sá ( Luiz Carlos Pereira de Sá, futuro integrante do trio Sá, Rodrix & Guarabyra) em 1966

2- Márcio Borges ( parceiro de Milton Nascimento) em 1969 - divulgação FIC

3  e 4 - atrações internacionais concorrendo no FIC 1972: Humble Pie e Wilson Pickett.

( todas as fotos são para divulgação à imprensa. Não consta o nome dos fotógrafos)




31 de agosto de 2017

A arte de Jim Carrey



Jim Carrey, que eternizou no cinema tipos elétricos, cheios de tiques, caretas e maluquices diversas, como Máscara e Ace Ventura, e era conhecido por suas improvisações e brincadeiras nas gravações e bastidores das produções, entrou em depressão profunda após uma sucessão de intempéries particulares, entre elas o suicídio de sua ex-namorada em 2015 e a posterior denúncia de familiares que o acusaram de  culpa no trágico ocorrido. O ator se afastou totalmente de Hollywood, para quem entregou por anos bilheterias gordas de seus blockbusters e mergulhou de vez nas artes plásticas, atividade que iniciara em 2001 e que foi se avolumando nos últimos tempos. Agora em agosto, Carrey reapareceu. Não em um novo filme comercial de estúdio, mas em um documentário de seis minutos, "I Needed Color",onde apresenta em detalhes seu meticuloso e profundo trabalho como pintor, que acabou servindo como terapia e tratamento para "curar um coração despedaçado", conforme suas palavras. O doc, narrado pelo próprio, e que revela pinturas originais e técnicas inusitadas, além de todo o processo interior de superação psicológica em meio às tintas, já teve milhares de views em diversas plataformas de vídeos ( abaixo, na íntegra):






30 de agosto de 2017

Foto (s) do Mês - Jeanne Moreau


Jeanne Moreau (1928-2017) , ao lado de Bardot e Deneuve , uma das maiores atrizes do cinema francês, e ( aí é só ela) ícone mor da Nouvelle Vague, faleceu no último dia de julho passado, aos 89 anos, e eu acabei não homenageando a diva à altura. Entre os grandes filmes que protagonizou, Jules e Jim ( Jules et Jim, 1963, de Truffaut) figura com louvor. Trabalhou com Louis Malle ( Os Amantes, 1958), Orson Welles ( em três filmes), Roger Vadim, Peter Brook, Luis Buñuel, Antonioni, Fassbinder, Elia Kazan, entre tantos monstros da direção. E também dirigiu seus própios filmes, a partir de meados dos anos 70. Centenas de momentos marcantes e interpretações fortes; mas nenhuma como em Jules e Jim, um filme que extrapolou fronteiras e mostrou ao pós-guerra a graça, leveza e sensualidade, e ao mesmo tempo a postura libertária de uma atriz atemporal, na pele de uma mulher entre dois amores. No livro "Os Sonhos Não Envelhecem", de Marcio Borges - um dos livros mais emocionantes que li na vida, sobre o início e o desenrolar do Clube da Esquina e principalmente sobre a amizade entre o autor e Milton Nascimento, parceiro de músicas e lutas - há um capítulo quase que todo absorvido pelo filme, que marcou para sempre tanto Marcio como Milton, que acabaram assistindo a película dezenas de vezes, entre rodadas de batidas de limão e discussões político-filosóficas/culturais nas ruas belorizontinas que fervilhavam naqueles meados dos anos 60. A homenagem é tardia mas antes tarde do que nunca- lá em cima, Moreau levitando, em cena que acabou virando capa do DVD do filme ( e não o cartaz original do filme, que é colorido) e abaixo, uma imagem que captura bem a postura da atriz - fumando... e absorvendo o mundo todo com o seu olhar.


29 de agosto de 2017

Capa do Mês: Mickey 900 ( agosto de 2017)


Hoje deparei na banca com esta capa incrível do Mickey, que comemora a impressionante marca de 900 números publicados ininterruptamente pela Editora Abril. Foi em 1952 que Victor Civita, que já lançara a revista do Pato Donald em 1950, resolveu lançar uma revista mensal, mais encorpada que a do Pato, trazendo histórias longas e personagens clássicos. A publicação, que nos primeiros números não tinha o personagem título na capa, engrenou e embora tenha emagrecido atualmente ( 50 páginas ante as mais de 60 páginas que manteve até os anos 90), continua firme nas bancas aos 65 anos de idade. No editorial da edição,  com humor, é citado que foi justamente o fato da primeira edição ter ignorado o rato protagonista na capa, que fez com que optassem por essa capa do 900, com vários "Mickeys" ocupando os espaços. A arte, aliás, é do artista italiano Giorgio Cavazzano.
Abaixo, a clássica e rara nº 1:



28 de agosto de 2017

Wilson das Neves ( 1936-2017)


Wilson das Neves, falecido no sábado aos 81 anos, foi certamente um dos mais queridos músicos que esse Brasil já teve. Qualquer artista que fosse o queria como baterista, visto que ele transitava com desenvoltura por todas as vertentes, gêneros e ritmos e fosse onde fosse, tocava sempre com paixão, rigor e alto astral. Começou nos anos 50 em orquestras de bailes e gafieiras, e logo em seguida já tocava como profissional nos estúdios da Gravadora Copacabana e acompanhando bambas como o flautista Copinha, fazendo parte dos conjuntos de Ed Lincoln e de Ubirajara Silva ( pai de Taiguara) e orquestras de emissoras de TV. Sempre com o samba nas veias, ele que começou ainda guri na Escola Flor do Ritmo no bairro do Méier, logo caiu de corpo, alma e pandeiro na mão na Império Serrano, escola frequentada por seu pai e a partir daí foi paixão para toda a vida: tornou-se padrinho de bateria e seu integrante fiel até o último momento. Esteve em discos lendários como "Coisas" (1965), do maestro Moacir Santos; o disco da amiga Elza Soares de 1968, onde tanto fez que teve o nome em destaque na capa; "Lugar Comum" (1975), de João Donato; e tantos outros... tocou com Cartola, Nelson Cavaquinho, Wilson Simonal, Martinho da Vila, Candeia, Beth Carvalho, Roberto Ribeiro, João Nogueira Clara Nunes, Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho; trabalhou com mais de 700 músicos(!!!) e seria preciso fazer um livro para listar todos eles - até os gringos Sarah Vaughan, Paul Simon e Sean Lennon tiveram o privilégio de contar com suas baquetas precisas. Com Chico Buarque, foi baterista oficial a partir de 1982 e só não participou do seu último disco, lançado em 2017 , porque estava se tratando do câncer que acabou o levando. E foi ao lado de Chico que resolveu escancarar sua porção compositor, ao compor a primeira parceria, e engatar seu primeiro disco solo, como intérprete, em 1996, "O Som Sagrado de Wilson das Neves". Outro grande parceiro seu em composições foi Paulo César Pinheiro. Vale lembrar que das Neves gravou LPs instrumentais com seu conjunto em décadas anteriores, discos que são disputados a tapa em sebos. Nos últimos anos integrava a eclética Orquestra Imperial, ao lado dos "jovens" Rodrigo Amarante e Nina Becker, entre outros, além de continuar a lançar discos próprios - "Brasão de Orfeu" (2004), "Pra Gente Fazer mais um Samba" (2010) e "Se me Chamar,  Ô Sorte" (2013), onde fez a primeira parceria com Nelson Sargento. Teve sua biografia lançada no ano passado, quando completou 80 anos e seu documentário, em gestação desde 2007, sairá no final do ano - conseguiu ver o filme em edição antes de ser internado. Tanto na película como no papel o que se lerá/verá de Wilson das Neves é o que seus tantos amigos em vida presenciaram: um instrumentista de suingue único, com uma leveza sem igual e um ser humano que tentou levar essa leveza, alegria e elegância para sua convivência/ vivência. Pelas centenas de depoimentos que reverberam depois de seu passamento, ele conseguiu!

Discos primordiais com sua participação:

"Coisas" - Moacir Santos ( 1965) - https://www.youtube.com/watch?v=FhyoSK9F-6g

"Elza Soares/ baterista Wilson das Neves" (1968)- https://www.youtube.com/watch?v=JmqjG60w1bo

"Lugar Comum" - João Donato (1975) - https://www.youtube.com/watch?v=yawNoz0GukM

Discos Solos:

https://www.youtube.com/watch?v=m2lT1fIvOV0 (1968)

https://www.youtube.com/watch?v=LrhfHqsIRtA (1969)

https://www.youtube.com/watch?v=7AQO43iglWA (1970)

https://www.youtube.com/watch?v=ff858TsrvsA (1976)

https://www.youtube.com/watch?v=inlf6V96Qlc  (1996)



25 de agosto de 2017

Rabo de Peixe, fanzine de Rock'n'Roll (1991)

 

Fuçando na minha bagunça aqui, achei esse surpreendente fanzine focado em Rock 'n' Roll , Rockabilly e Psychobilly, editado no começo da década de 90 pelo tarimbado Worney Almeida de Souza (WAZ), um dos grandes divulgadores do rock and roll e também ( sua maior especialidade) dos quadrinhos, lançando veículos independentes muito bem montados e recheados de pesquisa séria. Com seus volumes xerocados da série "Seleções do Quadrix", por exemplo, trouxe à tona clássicos na íntegra, como no número 3, em que publicou as 100 páginas de "A Garra Cinzenta". de Renato Silva ( desenhos) e Francisco Armond ( roteirto - possivelmente um pseudônimo), originalmente lançado nas páginas da Gazetinha nos anos 30. Conheci Worney mais ou menos nessa época de "Rabo de Peixe", quando ele adentrou o Dedoc da Abril, onde eu trabalhava, com uma listinha de "raridades" e "obscuridades" lançadas pela editora, com a esperança de ver esse material e se possível tirar cópias. Não consegui ajudá-lo ( mesmo porque eu não tinha acesso à tudo do acervo) mas desde então encontro ele em diversos eventos em São Paulo. Mas voltando ao fanzine, Rabo de Peixe trazia ótimas notas do universo "rock and roll" em suas 8 páginas xerocadas, com colaborações preciosas de articulistas como Ricardo "Rick and Roll" Martins ( dono da loja Rick and Roll), Eddy Teddy ( ícone do rockabilly nacional, faleceria 6 anos depois, em 1997) , Luizinho Dinamite, Fabian DC, André Barcinski, Sergio Barbo, além do próprio WAZ. Um detalhe que chama atenção na capa é uma tarja pequena no canto direito superior onde se lê "impresso em outubro/92. Como em outra tarja maior aparece "Edição Documento", acredito que esse exemplar seja uma segunda impressão. De qualquer maneira, uma preciosidade de um tempo em que a internet engatinhava e ainda se gravava e se trocava k-7s para ouvir o melhor do rock estrangeiro ou as demos das bandas independentes que emergiam do underground fecundo.


24 de agosto de 2017

Beto Carrero nos quadrinhos: matéria saindo no CdHQs


Mais um post na minha coluna "Alma de Almanaque" e desta vez focando as revistas em quadrinhos com Beto Carrero e Betinho Carrero, personagens que chegaram às bancas graças à persistência do empresário Beto Carrero. Com produção esmerada, formato magazine e a destreza de profissionais tarimbados como Eugênio Collonese e Helio de Soveral, a primeira revista, lançada em 1985, não durou muito ( como tantos outros lançamentos periódicos brasileiros) mas deixou saudade em quem teve a oportunidade de conhecê-la. A matéria foi baseada em um post anterior aqui do blog, acrescida de novos detalhes e a inclusão da revista infantil Betinho Carrero, lançada pouco antes de seu falecimento. Na pesquisa, acabei topando com essa seção de cartas que saiu na edição nº 2 ( foto acima), com a inclusão logo de cara da carta escrita pelo lendário editor Adolfo Aizen, fundador da EBAL, que congratula e torce para o sucesso do projeto.  Fiquem com a matéria, aqui:

http://colecionadoresdehqs.com.br/fundo-bau-beto-carrero-em-quadrinhos/


23 de agosto de 2017

Na sala com João Gurgel



No domingo passado me senti como um daqueles privilegiados frequentadores dos saraus musicais do ap da Nara Leão lá no comecinho da Bossa Nova: fui convidado para participar de um inédito "recital" em minha cidade - São Caetano do Sul - nos moldes daqueles encontros que impulsionaram a bossa a virar o que virou. O evento particular ocorreu no ap da minha colega Marisa Dea, professora, assessora e agitadora cultural, bem perto de casa, e trouxe o excelente ator, compositor e hábil violonista João Gurgel. No esquema "passa chapéu no final", Marisa recebeu perto de uma dúzia de convidados para assistir o show intimista com repertório quase todo focado nas músicas do essencial Sérgio Ricardo - compositor, cantor, instrumentista, cineasta, ator, pintor - pai de João. Em meio à pequena mas calorosa e participativa plateia - composta por amigas da Marisa, a maioria pertencente ao professorado, mais eu, meu filho Gabriel - que anda tocando violão/guitarra com gosto - e o amigo Nilton Jorge, convidado por mim - Gurgel surpreendeu pela rapidez com que desenvolveu os bem amarrados acordes de seu pai em conjunção com as letras extensas e discursivas, entremeando cada música com análises e comentários pertinentes, principalmente sobre os temas tratados. Logo fiquei sabendo por ele mesmo que essa desenvoltura se dá pela sua experiência como artista de rua - recitando e interpretando números em ônibus e metrôs do Rio de Janeiro ( ele mora no Vidigal) - embora ele tenha confessado ser tímido por natureza. As músicas para o recital foram muito bem escolhidas, amarrando-se naturalmente uma na outra. Além de 90% das composições assinadas pelo pai, o músico adicionou à playlist a emocionante "Canoa, Canoa" ( de Nelson Angelo e Fernando Brant), um dos destaques do emblemático LP Clube da Esquina 2, de Milton Nascimento (1978), duas composições do experimental e autêntico Metá Metá, grupo paulistano de muita qualidade que mistura jazz com influências africanas ( tanto na música como nas letras, com ênfase no Candomblé). Do repertório de Sérgio Ricardo, destaque para a sempre moderna "Calabouço", "A Fábrica", "Brincadeira de Angola" ( com letra do amigo poeta Chico de Assis), a ecológica "Cacumbu" e algumas composições recentes de muito entusiasmo e vibração. No final da apresentação, sua irmã e também filha de Sérgio Ricardo, Marina Lutfi, com uma voz suave e muito bem colocada, ajudou-o na interpretação de "Calabouço" e "Cacumbu" e emendou uma ótima canção do Metá Metá.
Vale lembrar que Sérgio Ricardo está com bem vividos 85 anos! Ele ia aparecer no recital dos filhos e até quem sabe fazer uma participação em algum número, mas no dia anterior sofreu uma pequena queda ( nada grave) mas que o fez declinar do convite. Fica para uma próxima! Mesmo com sua ausência, ou por isso mesmo, discorremos muito sobre sua carreira, suas composições e sua permanente insatisfação diante da injustiça e da desigualdade, o que o fez durante a vida sempre estar junto daqueles que seguram o lado mais fraco da corda. Viva Sérgio Ricardo! E que venham mais iniciativas como essa da Marisa - que está disposta a muito mais depois que fundou oficialmente seu grupo cultural independente - pois só assim conseguiremos furar o bloqueio dessas megacorporações que controlam o show business e não deixam chegar á tona manifestações culturais independentes e fora do mainstream. Esses recitais em salas, varandas, quintais ou seja lá em que cômodo for é para mim a melhor ferramenta contracultural que temos nesse momento!



21 de agosto de 2017

Luto duplo no humor: Paulo Silvino (1939-2017) e Jerry Lewis (1926-2017)





Em poucos dias, o mundo do humor perdeu dois dos seus melhores. Paulo Silvino foi um dos mais marcantes humoristas brasileiros e um dos que mais se deram bem no formato de humor para tv. Começou fazendo cinema nos anos 50 e também cantando ( participou de discos de samba e bossa nova, além de frequentar os programas de rock de Carlos Imperial). Na década seguinte pulou para a emergente TV e a partir de 1967 iniciou sua longa jornada na TV Globo, interrompida apenas alguns anos quando fez parte da equipe de humor do SBT e Record. Desde 1999 fazia parte do elenco de Zorra Total ( hoje Zorra) onde continuava a fazer seu humor popular, de riso fácil, com piada de duplo sentido. Entre seus vários talentos, chegou também a produzir programas, foi roteirista do Domingão do Faustão, narrou novela ( Pulo do Gato) e curiosamente, escreveu livros eróticos populares sob o pseudônimo de Brigitte Bijou. Mas vai ficar no imaginário do povo com seus bordões inesquecíveis ( vaja abaixo).
Já Jerry Lewis foi um dos maiores comediantes americanos e para nós (principalmente os da minha geração) o "rei do humor da Sessão da Tarde" ( quando a Sessão da Tarde prestava) com suas gags, caretas e humor pastelão. Fez dupla de sucesso com o ator/cantor Dean Martin ( entre 1946 e 1956) e estourou em bilheteria nos cinemas. Essa fase foi tão profícua que Lewis acabou virando personagem da DC Comics, tanto na fase de dupla com Dean como posteriormente ( a Ebal lançou essas histórias em seu gibi "O Garotão" nos nos 60). Lewis continuou fazendo estrondoso sucesso nos cinemas ( e eventualmente na TV) até meados dos anos 60, quando deu uma guinada para a produção e direção ( como diretor na verdade já havia estreado em 1960). Nessa altura já era considerado não só um comediante de "gags" mas também um ator de humor que ousou e experimentou, principalmente com narrativa não linear e a especialidade em desdobramento das personalidades de seus personagens. Só voltou ao cinema nos anos 80, e desde então recebeu diversos prêmios honorários e especiais, principalmente como mantenedor do programa de ajuda aos portadores de distrofia muscular. Nos últimos tempos, fez algumas participações relâmpagos em filmes para TV e também no cinema - uma das últimas aparições foi em 2013 no filme brasileiro "Até que A Sorte nos Separe 2" onde interpretou um carregador de malas de hotel (reprisando seu papel em "O Mensageiro Trapalhão", de 1960).

Cenas de Jerry lewis:

https://www.youtube.com/watch?v=b6NhVMMjKpY

https://www.youtube.com/watch?v=24pPbkoRxk0

https://www.youtube.com/watch?v=4QH2tuHwo_0

https://www.youtube.com/watch?v=m815Hbgeb6s


* bordões de Paulo Silvino: http://g1.globo.com/fantastico/noticia/2017/08/relembre-bordoes-mais-marcantes-do-humorista-paulo-silvino.html