31 de maio de 2010

Bill, 73

De vez em quando esqueço que eu mesmo já desfilo na ala dos quarenta e poucos (safra 67) e talvez por isso, acabo congelando também a idade dos outros. No post sobre o Faces citei o ex-baixista dos Stones, Bill Wyman, "perto dos 70 anos". Só agora me toquei que estamos em 2010 e o velho Bill conta com 73 anos ( 74 em outubro próximo). Mais velho que os outros integrantes dos Stones, quando surgiu na banda em 1962, já era um homem casado de 26 anos.
William George Perks (seu nome de batismo), ainda toca esporadicamente, seja no combo Rhythm Kings, com seu amigo de longa data Mick Taylor (outro ex-Stones) ou em ocasiões comemorativas. E vejam só, até largou aquela cara de quem está tocando por obrigação, a mesma com que digladiava-se com seu colega atrás das baquetas, Charlie Watts, pelo prêmio imaginário "o músico mais enfastiado do rock". No Rhytm, ao lado de ases da música britânica ( Peter Framptom, Georgie Fame e Albert Lee, por exemplo), anda distribuindo solertes sorrisos de satisfação. Bill é uma figuraça.

28 de maio de 2010

Yvonne Elliman: um vulcão havaiano ainda em erupção


Yvonne Elliman nasceu no Havaí em 1951 e sua voz maravilhosa deixou marcas profundas na música setentista. Primeiro no teatro (1971) e no cinema (1973), com sua iluminada Maria Madalena do musical hippie Jesus Cristo Superstar; depois, como backing vocal de Eric Clapton por 5 anos, sempre com destaque; e causando doce frisson na megalômana discoteque, em canções próprias e dos irmãos Gibbs ( como na trilha sonora de Saturday Night Fever). Em 1979, largou tudo para cuidar da família e fazer tortas. Só voltou em 2004, depois de um show tributo ao homem que a descobriu para os musicais em 1969, Tim Rice. Um quarto de século sem a voz de Yvonne foi mesmo de doer, mas ao que parece, ela vem fazendo shows constantes e concorridos e não pensa em largar a música mais uma vez. Produtores do meu Brasil varonil, tragam Miss Yvonne pra cá, que nós merecemos ouví-la ao vivo!
Discografia:1972 - Yvonne Elliman 1973 - Food of Love 1975 - Rising Sun 1976 - Love Me 1978 - Night Flight 1979 - Yvonne 2004 - Simple Needs EP
Grandes momentos:
Can't Find My Way Home:
Love me
Best my love
Walk Right In

A nova face do velho Faces

Quando bati o olho na notinha da internet,"Faces volta com novo vocalista", pensei cá com meus botões: quem será o corajoso que aceitou sentar no velho trono do rouco Rod Stewart? mas quando vi quem era o destemido - Mick Hucknall, ex-líder do Simply Red - entendi tudo e desenrolei o novelo: lembrei que há um ano atrás, li sobre o fim do Simply Red e também sobre a vontade do vocalista em explorar outros terrenos na música, diante do cansaço em relação ao soul comercial formatado da banda. E soube agora, que o Faces, com o trio original remanescente ( Ron Wood, Kenney Jones e Ian McLagan) já havia se unido no ano passado a Bill Wyman, ex-baixista dos Stones e ao próprio Mick Hucknall, para um show único no Royal Albert Hall, em Londres. O encontro suscitou emoções e agora o vocalista foi oficializado no site do grupo, junto com outra grande surpresa: Glen Matlock, o cara que empunhou o baixo na doideira chamada Sex Pistols foi confirmado na nova formação. Quem esperava Bill Wyman, o reservado ex-stone à beira dos 70 anos, não deve saber que ele só toca em show beneficiente, rodeado de amigos, e nunca por dois dias seguidos. Segundo notas, Rod Stewart não aceitou convite de McLagan para se unir aos velhos companheiros sob o teto Faces. E eu acho que foi bom pra eles. Embora Mick tenha 15 anos a menos do que Rod ( enquanto nascia, Rod já cantava), as coincidências entre os dois vocalistas são muitas: os dois são do Reino Unido, adoram futebol e mantêm raízes fincadas no esporte bretão- Rod jogou no Brentford Football Club na juventude e torce ferrenhamente para os clubes Celtic, na Escócia e Manchester United na Inglaterra, enquanto Mick é fanzaço e sócio colaborativo do, adivinhem? Manchester United. Ambos tem uma rouquidão de berço, veneram o soul e o rithm and blues e estouraram na carreira com releituras próprias desses ritmos. Mas, embora o mais velho seja considerado um dos melhores vocalistas britânicos, faz tempo, muito tempo, que perdeu a explosiva emoção dos primeiros anos de juventude mod. Atualmente fez sucesso com releituras da Broadway e tenta timidamente voltar ao terreno do rock. Tá difícil. Já Hucknall parece bem mais motivado na carreira e deve dar tudo de si entre os clássicos músicos e o novo desafio nas plagas do rock. Veremos se desta reunião sairá material inédito. Tem tudo pra rolar.
Só pra fechar: Ron Wood não saiu dos Stones. A banda mais velha do rock está em férias prolongadas e como Ron precisa de atividade constante para fugir da ociosidade pós-internação alcoolica, o momento vem bem a calhar.
Não percam a história do Faces, Small Faces e Humble Pie, fantásticas bandas que se entrelaçaram na história, a seguir, neste mesmo blog.
Vejam o concerto de reunião do Faces no ano passado, com Hucknall, Wymann e convidados, bem ao estilo festeiro dos britânicos: http://www.youtube.com/watch?v=dB9GqxDlKcE
e interview da volta (Sky News): http://www.youtube.com/watch?v=qv6X5jJa0m8

24 de maio de 2010

O exílio exultante dos Stones

Meados de 1971: enquanto o show business continuava em rebordosa por incontáveis desgraças - fim dos Beatles, mortes de Jimi Hendrix (18/09/1970), Janis Joplin (04/10/1970) e Jim Morrison (03/07/1971), os Stones seguiam (como todo o resto do mundo), mais perdidos do que nunca. As diferenças entre Keith Richards e Mick Jagger começavam a ficar nítidas demais: o primeiro se enfiando nas drogas pesadas com os dois pés, o outro assumindo as rédeas do grupo, mas também escancarando seu lado 'celebridade do jet set', com direito à casamento milionário e badalações sem fim. O grupo, endividado até o pescoço sob o peso das taxas exorbitantes do fisco britânico, resolveu debandar para a França, onde os impostos eram bem mais brandos. No território francês, mais precisamente na badalada Côte D'Azur, Keith alugou uma mansão decadente, Villa Nêllcote, e foi ali, neste climão de drogas, decadência e fim dos utópicos sonhos sessentistas, que os Stones, sem mesmo saberem, fizeram um dos sons mais sujos, crus, livres e libertários da história do rock. As gravações para o próximo disco ( o 10º da carreira) tinha tudo pra não dar liga, mas do caos se fez o céu. Keith alternava alquimias no banheiro com riffs inimagináveis, vindos de algum lugar do Mississipi de décadas atrás; Mick Jagger arrancava com força todos os seus velhos ídolos de rithm'blues da garganta; Watts e Wyman sumiam por um tempo da baderna, mas quando assumiam seus instrumentos, tocavam com raiva e rigor; Mick Taylor exortava a sombra do finado Brian Jones, morto há dois anos, e transpirava blues por todos os poros. Os convidados se incorporavam à densidade nevoenta das sessões: Nicky Hopkins, fantástico nas cordas; os sopros, idem; as participações vocais femininas, minha nossa!
Exile on Main Street, o discão feito no exílio francês, foi lançado no ano seguinte. Quando a bolacha saiu, a crítica, perdida como nunca, não entendeu nada. O público não sacou de imediato, mas com o passar das décadas, elevou-o ao panteão das grandes obras musicais. Até Mick Jagger demorou a assimilá-lo e só recentemente percebeu a pérola que sua banda concebeu. Em Exile, tudo é esquisito: os vocais as vezes parecem saídos de um buraco; ouve-se vozes, gritos, instrumentos rústicos. Mas o frescor e a vibração preenchem tudo e o resultado é um álbum histórico e único.
Depois do livro e da música inédita do mês passado, estou trazendo mais uma vez o assunto Exile para este blog, mas o motivo é forte. Depois de quase 40 anos ( e eu estou pulando de propósito o primeiro lançamento em CD, que não capturou toda a força do original), após uma apurada pesquisa do produtor Don Was, que mergulhou em centenas de horas de gravações do período, o tão esperado Exile on Main Street, remasterizado e retrabalhado com empenho e cuidado, volta em três versões: 1) com as 18 músicas originais, em remasterizações mais próximas possíveis das gravações do LP; 2) edição de luxo, incluindo as gravações originais + 10 canções inéditas encontradas pela produção ( entre elas dois takes alternativos de Loving Cup e Soul Survivor); 3) super luxo, com a edição de luxo citada + o documentário em DVD ( lançado por Jagger em Cannes), livro de 50 páginas e discos em vinil.
É do cacete ou não é?
E atenção, atenção: soube pela internet que o canal Multishow vai passar o documentário de Exile On main Street na íntegra, no dia 04/06, às 23 horas. Chequem por favor a programação, pois se realmente for vero, é imperdível. Abaixo, uma das músicas inéditas do Exile 2:
http://www.youtube.com/watch?v=_Oy2-V286H8

22 de maio de 2010

Zé, O Soldado Raso: esclarecimentos importantes

O post sobre o Recruta Zero rendeu um comentário pertinente e esclarecedor de Hélio Fittipaldi, filho do editor Savério Fittipaldi, que publicava no início dos anos 70, famosos livrinhos com o melhor da HQ mundial, e achei importante abrir este novo post para as devidas ratificações.
A primeira correção é com relação ao nome da antiga Saber: o correto é Saber S/A-Expansão Industrial e Comercial da Cultura, e não Editora Saber como eu havia citado. No início dos anos 90, como esclareceu Hélio, a Editora Saber Ltda., sob sua batuta, e aí sim com editora no nome, publicou novas revistas do personagem, podendo enfim utilizar o nome Recruta Zero.
A outra alteração é com relação ao título 'Zé, o Soldado Raso'. Na verdade, a intenção do editor Savério Fittipaldi não foi de maneira nenhuma batizar o personagem à revelia. Por causa do contrato da King Features com a Rio Gráfica e Editora (atual Editora Globo) na época, que possibilitou à editora de Roberto Marinho o registro do nome Recruta Zero, a Saber S/A não pôde usar o mesmo nome. Daí portanto, surgiu o título Zé, o Soldado Raso.
Agradeço muito ao Hélio Fittipaldi pela sua providencial intervenção e peço desculpas pelo uso equivocado da expressão "forçou a amizade" - no fim, quem acabou forçando fui eu, mesmo sem intenção. Aquele post foi uma homenagem ao personagem Beetle Bailey e suas várias fases no Brasil, o que inclui sem dúvida, a clássica coleção da Saber S.A. (agora aprendi). De quebra, o comentário em questão revelou uma importante informação histórica de mercado: o gibi editado pela RGE, desenhado aqui no Brasil (até onde eu sei, um dos artistas era Primaggio Mantovi) não chegava a 12 mil exemplares, enquanto Zé O Soldado Raso, com histórias originais, vendia de 48 a 50 mil exemplares.

14 de maio de 2010

História em Quadrinhos em revista de História, sim senhor!

Entre feitiçarias, máquinas voadoras e prostitutas....a Turma da Mônica.
Como já comentei em outra oportunidade, sou camundongo de banca de jornais, daqueles que fuçam todo o território pertencente ao jornaleiro e suas divisões estabelecidas. Por esse motivo, sempre evitei assinatura, que tira o prazer imensurável de adentrar uma banca, além de corroborar para o fim da sinergia entre vizinhos e confrades das redondezas. Papo de banca é tão rico quanto papo de boteco ou de churrasco de domingo. Mas voltando ao assunto do espaço físico da banca, sempre prestei mais atenção nas prateleiras de música e quadrinhos, minhas paixões de sempre, mas também nos jornais, nos fascículos e coleções diversas. Ultimamente, com o crescente avanço do nicho "nostálgico" nas pautas editoriais, surgiram dezenas de revistas voltadas para a História, assim mesmo, com H maiúsculo. A maioria centra fogo na história mundial, com ênfase em guerras e biografias de grandes figuras-chaves da humanidade. Como o meu foco coloca sempre o Brasil à frente, adicionei à minha cesta mensal de banca a Revista de História da Biblioteca Nacional, embora anos antes eu já comprasse a excelente Nossa História, que tinha à frente Pedro Correia do Lago em parceria com a mesma BN, mas que acabou fechando depois de desentendimentos e uma curta sobrevida solo. A publicação da Biblioteca Nacional surgiu desse rebuliço e mantém-se solerte como única revista unicamente voltada para a historia brasilis.
Eis que em seus dois últimos números, me deparo com um assunto que nunca pensei ver entre os artigos acadêmicos da publicação: quadrinhos! No mês passado, o pesquisador Gonçalo Júnior expôs com a propriedade de sempre, a história do famoso Gibi, que virou sinônimo de revista em quadrinhos no Brasil. E o último número, de maio, traz artigo do professor Waldomiro Vergueiro, da USP, um dos pioneiros em levar os quadrinhos para o universo acadêmico. O tema, surpreende quem conhece superficialmente o trabalho de Maurício de Sousa,o mais bem sucedido profissional de quadrinhos no Brasil: ao capturar uma história longínqua da turma da Mônica, original de 1971 ( Mônica nº 15 – Editora Abril) , intitulada Os Azuis, o professor analisa a crítica crônica contra o trabalho do autor, acusado de superficial , violento e de exercer má influência sobre o público infantil, e traz à baila o contraponto inserido nesta história específica, que trata com rara delicadeza temas como racismo, discriminação e cultura das aparências. Eu que acompanho gibis daquela época vou mais além: antes de Roberto Carlos, Maurício de Sousa já abordava ecologia e degradação do meio-ambiente, em historinhas do Horácio, do Astronauta e da própria Turma da Mônica. Se a superficialidade imperou nas décadas seguintes, aí é uma outra história, mas a avaliação é pertinente e apropriada para sepultar enganos bisonhos.
Já estava na hora das HQs entrarem oficialmente nas discussões e análises acadêmicas e esse espaço em revista especializada abre novos horizontes para a nona arte. Se o cinema, o teatro e a fotografia sempre pautaram reportagens históricas, porque não os quadrinhos?

6ª Virada Cultural

A 6ª Virada Cultural, com início no sábado (15), está mais diversificada do que a edição passada (veja abaixo link do mapa com as atrações por ordem alfabética e programação dos palcos) e mais uma vez, pelo seu gigantismo, inclui atrações imperdíveis entre outras tantas nem tanto. Mas o painel multifacetado é sempre louvável e traz apresentações, exposições e performances pra todos os gostos. Além das homenagens ao centenário Adoniran Barbosa pipocarem por todos os lados , o palco musical da Praça Julio Prestes (Av.Duque de Caxias, próximo à Sala São Paulo) é o maior destaque do evento, por trazer três apresentações internacionais de relevo: os cubanos Barbarito Torres e Ignacio Mazcote, a banda Living Colour e o platinado ABBA. Listei algumas atrações que me chamaram a atenção de cara:
# # Barbarito Torres e Ignazio Mazcote (Cuba) - o famoso grupo cubano Buena Vista Social Club já perdeu muitos integrantes originais, mas ainda mantém a aura. Um de seus integrantes, Barbarito Torres, o “rei do alaúde” se apresenta ao lado de outro expoente da música da Ilha, Ignazio Mazcote, fundador do Afro Cuban All Stars, inaugurando a Virada no sábado. Praça Julio Prestes 18h sábado (15)
# # Cantoria – No encerramento deste mesmo palco, outro encontro que promete: os quatro fantásticos violeiros, Elomar, Xangai, Vital Farias e Geraldo Azevedo, cujo show originou dois dos melhores discos brasileiros nos anos 80 ( Cantoria 1 e 2 - Selo Kuarup)de novo ao vivo depois de quase trinta anos. Praça Julio Prestes 18h domingo (16)
# # ABBA e Living Colour – As atrações mais chamativas do Virada. ABBA é ABBA, uns acham uma baba e outros babam, mas certamente é um grupo que tem história e gerou consideráveis hits e cifrões ao longo da carreira. O Living Colour deixou muita gente perplexa nos anos 80, com sua mistura black/rock que fez escola. Com o passar dos anos, os ânimos se afrouxaram, mas o seu virtuosismo ao vivo deve se manter intacto. Living Colour (3h) e ABBA (15h do domingo). Praça Julio Prestes.
## Zélia Duncan e Céu – Zélia e Céu estarão no palco da Julio Prestes também, uma seguida da outra. Zélia Duncan já cravou suas marcas na MPB e Céu está em reta ascendente e surpreendente. Zélia as 21h e Céu as 0h.
# #Dimensão Nerd - O local mais alucinado do Virada, denominado Dimensão Nerd, é imperdível para os fãs de Sci-Fi, animação e quadrinhos . Terá encontro de editores independentes de HQ, exposição de Toy Art e várias paradas temáticas: Cosplay ( fantasias inspiradas em heróis do mangá e do anime), Parada Estelar ( para os fãs de Guerra nas Estrelas, com direito até a luta de sabres), Parada Mágica e Medieval ( com personagens de Senhor dos Anéis, Harry Potter, etc) e Monstros. No espaço também haverá jogos de tabuleiro, RPG, games diversos e teatro. Horários sob consulta. Praça Roosevelt
# #Trem das Onze - trem especial da CPTM percorre o trecho entre as estações Braz e Luz, de 1 em 1 hora, e no seu interior, projeções de imagens,, espetáculo baseado no programa radiofônico Charutinho-Histórias da Maloca e apresentação de grandes sucessos de Adoniran Barbosa, homenageado-mor da 6ª Virada. Começa as 23 horas do sábado e vai até 11 horas do domingo.
# #Seções monstruosas de cinema - Filmes de monstros clássicos, entre eles Godzilla e Lobisomem, estarão em dois cinemas do centro, Cine São José (Rua Dom José, 306) e Cine Windsor (Av Ipiranga 974). Seções a partir das 18 horas do sábado, segue até o fim da tarde de domingo. Aproveitando a deixa: no Cine Arouche haverá sessões de musicais clássicos.
# #Carros antigos - No domingo (16) de manhã, haverá uma grande exposição de carros antigos no Parque Dom Pedro 2º. Começa às 9h e vai até as 16h.
# #Rock - Além de Pitty, Titãs, CPM 22 ( cantando Ramones) ,o redivivo Raimundos, a histórica Patrulha do Espaço e os Velhas Virgens ( que homenageam Adoniran), o palco roqueiro desta edição receberá duas lendas do gênero: a Big Brother and Holding Company, primeira banda de Janis Joplin, e The Grand Mother Re-Invented, com membros da antológica Mothers of Invention do finado, genial e crazy Frank Zappa. Atenção aos horários, pois as duas bandas gringas abrem o palco ainda na noite de sábado. Av. São João, próximo a Rua General Osório, virado para a Av. Ipiranga.
# #Soul e Stars - Dois monumentos do soul e da música negra se apresentam no palco mais eclético e talvez mais cult do evento : Booker T., da legendária Booker T. and the MGs (11 horas) e Temptations ( 1h da manhã). Não bastassem essas figuras legendárias, subirão neste mesmo palco dois brasileiros mundialmente conhecidos, o bruxo Hermeto Pascoal (19 h) e o incensado Airto Moreira (21h), além do “gliterrível” Edy Star, que a pedidos, repete o mesmo show da Virada 2009 com músicas de Raul Seixas e Sergio Sampaio (5h). No domingo ainda destacam-se o bardo gaúcho Nei Lisboa (7h), Tatit, Wisnik e Nestrovski e Grupo (11h) e outra brasileira “estrangeira”, Flora Purim (15h). Bulevar São João/Vale do Anhangabaú
# #Samba - Grandes inovadores do estilo se apresentam no palco dedicado ao velho samba, começando com dois mestres, Paulo Vanzolini e Nélson Sargento (19 e 21hs respectivamente); logo em seguida, homenagem a Simonal, com seus dois filhos Max de Castro e Simoninha (23 h) e ainda o corinthiano Germano Mathias e o carioquíssimo Dicró no mesmo breque às 17 horas do domingo, a eloquente Elza Soares (3h da matina - domingo) e o jovial Jair Rodrigues (1h). Entremeios, mestres do pagode e do fundo de quintal e o inusitado Orlandivo ( famoso por tocar “chave” e compor a clássica “Bolinha de Sabão”). Praça da República - Próximo à av. Ipiranga, virado para a Rua do Arouche.
É muita coisa. Em cada espaço ou palco, sempre há uma atração ou mais a destacar. Tem reggae na Barão de Limeira, música clássica e dança na Estação da Luz, Arrigo Barnabé e ícones da Jovem Guarda no Largo do Arouche, novos artistas na Washington Luis ( incluindo três compositoras destacadas em post anterior deste blog: Juliana Kehl, Tulipa Ruiz e Karina Buhr), Toquinho na Julio Prestes e muito , muito mais. A Virada dura 24 horas, começando às 18h de sábado para terminar às 18h do domingo.Mais informações, consulte o site oficial do evento ou o Mapa da Virada Cultural 2010:http://entretenimento.uol.com.br/virada-cultural/2010/atracoes/

11 de maio de 2010

Recruta Zero em exposição




Beetle Bailey nasceu em 1950 pelas mãos de Mort Walker e vem sendo publicado no Brasil há décadas, em revistas (da Rio Gráfica nos anos 60 até a Mythos recentemente) e tiras ( jornais diversos - o Estadão o publica faz tempo). No Brasil, os tradutores resolveram fugir do nome original alusivo ao formato de seu capacete (besouro) e preferiram distingui-lo pela sua ordem hierárquica ( zero na escala militar, raso). O nome brasileiro Recruta Zero lhe caiu muito bem, assim como Brucutu ( Alley Oop) e Ferdinando ( Li'l Abner). Mesmo com o nome firmado em nossas plagas, chegou a ter um segundo batismo brasileiro, quando a Editora Saber em sua famosa coleção de livrinhos de borda amarela do início dos 70, forçou a amizade e resolveu chamá-lo de Zé, o Soldado Raso. Mort Walker é um desenhista profícuo e argumentista sagaz. Aos 86 anos, passa ao largo da aposentadoria e continua desenhando sua tirinha de caserna há ininterruptos 60 anos. E certamente estaria no Brasil, não fosse a idade avançada, para prestigiar a mostra em homenagem aos 60 anos do seu soldado folgado, que o Sesc Vila Mariana expõe desde o dia 07, com originais inéditos, palestras e vídeos.
Acima, reproduzo algumas capas de minha coleção, como o álbum da LP&M, que traz um histórico do personagem desde o começo, quando ainda era um jovem universitário ( a tira só virou "militar" em 1951), passando pelo gibi em formato livro da Editora Saber e culminando na última dentição do personagem em nossas bancas, pela Mythos.
O Estadão fez um ótima matéria escrita pelo Jotabê Medeiros, incluindo uma mini-entrevista com Mort Walker e intervenções do mestre Álvaro de Moya ( http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,recruta-zero-completa-60-anos-de-anarquia,547458,0.htm )
Como o nascimento do Zero é 04/09 ( mesma data do meu nascimento! será por isso que me identifico tanto com ele?), haverá posteriormente uma análise mais histórica do personagem aqui no blog.
O Sesc Vila Mariana fica na Rua Pelotas, 141 ( tel 5080-3000) e a exposição, gratuita, fica até o dia 27/06, de terça à sexta (10h as 21h30) e sábados e domingos ( 1oh às 18h30).

8 de maio de 2010

Sérgio Ricardo, muito além do violão vilão

Sérgio Ricardo ficou estigmatizado para sempre por um ato de poucos segundos. Depois de cantar com dificuldades sua música Beto Bom de Bola no Festival da MPB de 67, em meio a intermitentes vaias - e eu estou cada vez mais convicto que os festivais de música dos anos 60 tinham na platéia mais profissionais de vaias do que outra coisa - o compositor perdeu a paciência, e no desfecho da canção, quebrou o violão no chão e jogou-o na turba barulhenta. Muitos na época queriam ter feito o mesmo, mas o único que enfrentou "fisicamente" a platéia foi ele. Caetano Veloso atacou na oratória um ano depois, Jards Macalé comeu rosas com maçã em sua Gothan City (1969) e Walter Franco e o maestro Julio Medalha sentaram no palco e silenciosamente, armaram um jogo imaginário - mas jogar violão, só ele. Certamente um dos momentos mais emblemáticos dos 60, mas que ao longo dos anos, ficou tatuado para sempre na carreira errática de Sérgio Ricardo - uma última mini-entrevista com ele em jornal de SP só repisou esse assunto - e prejudicou demais sua jornada musical posterior. Como o artista jogava com as duas e cabeceava, acabou se virando em outras atividades como cinema e artes plásticas, o que virou uma saída salutar de sobrevivência. A sua música, revista longe do violão quebrado, é bem interessante. Sempre política/social, com um breve início mais suave na bossa nova, lembra as toadas do seu contemporâneo Geraldo Vandré, embora repique no samba, entranhada nos sertões e interiores miseráveis do país, com um vocal que lembra a clã Caymmi. Depois da sua elogiada parceria com Glauber Rocha e outras trilhas ( incluindo até novela televisiva), Sérgio lançou alguns discos esporádicos, belos e fortes como sempre, mas péssimos em venda, e acabou caindo de cabeça no cinema como realizador e produtor, na literatura e nas artes plásticas, em obras muito elogiadas no meio. Nesta segunda-feira, 10, a Casa das Rosas ( Avenida Paulista,37) lança mais um volume da competente e aberta coleção Aplauso ( da Imprensa Oficial, que já tem pelo menos uma centena de lançamentos) e o biografado da vez é o próprio Sérgio Ricardo, que completa 60 anos de carreira e também está com uma exposição de arte plástica digital , intitulada Artistas da Rua, com cerca de vinte telas, no interior do mesmo espaço cultural desde a semana passada. O livro em questão, Canto Vadio, foi escrito pela Eliana Pace e custa R$30. É uma grande chance de se conhecer outras facetas deste artista, que merece uma reavaliação de sua obra, muito além de um certo violão vilão que violou vaias.
Pra quem não viu, a sua participação no FMPB da Record ( e uma ráida aparição de Chico Anysio no júri): http://www.youtube.com/watch?v=OqtgtrSxj6M

6 de maio de 2010

Keith Richards na Guitar Player brasileira


A Guitar Player de abril ( que só chegou na banca aqui perto nesta semana) traz a lenda viva do rock Keith Richards em uma matéria que talvez seja a mais completa sobre sua longa carreira e sua técnica única. O autor Ricardo Vidal fez uma bela reportagem que disseca o homem e o guitarrista, buscando referências cruciais na infância/juventude pobre, no eterno encontro/desencontro com Mick e na longa estrada stoneana. Geralmente em matérias extensas sobre os Stones, o foco sempre acaba dividido entre Mick e Keith. Como essa da Guitar Brasil é inteiramente dedicada ao mestre do anel de caveira, ficou visível o cuidado do jornalista em trazer a tona tanto o lado humano, carregado de autodestruição, excessos e excentricidades, como a faceta heróica e profissional, laureada por sucesso, criatividade e entrega. Aliada a biografia acurada, que destaca também as grandes influências do guitarrista como Chuck Berry e várias lendas do blues, a revista ainda traz a sua tradicional análise técnica e de estilo: lista e comentários de todo o equipamento na carreira ( guitarras prediletas, amplificadores e efeitos), discografia comentada dos Stones com ênfase nas intervenções antológicas de Keith e 15 músicas pautadas na seção 'lições', de Satisfaction (1965) a Like a Rolling Stone (Dylan, versão 1995). Aliás, na obra-prima Satisfaction, segundo os autores que compilaram as pautas, o clássico riff é tocado errado por muita gente boa (?!!), que confunde o efeito utilizado. No fim da leitura, só comprovei o que já sabia: Keith Richards é genial sem nunca ter complicado. Afinal, a essência do rock não é essa?

4 de maio de 2010

Baú do Malu 24 - Edições portuguesas de BD

Antologia da BD Clássica 9 - Brick Bradford - Editorial Futura - 1983
Antologia da BD Clássica 11 - Corrigan - Editorial Futura - 1984

Antologia da BD Clássica 14 - Rip Kirby II - Editorial Futura - 1984

Antologia da BD Clássica 13 - Aventuras de Dick - Editorial Futura - 1984

Coleção Jerry Spring nº2 - Pancho em Apuros - Edições 70 -1983

Os Escorpiões do Deserto - Um Fortim em Dancália - Edições 70 - 1984

Aventuras de Corto Maltese -As Célticas I-Os Anjos à Janela do Sol Nascente - Edições 70-1982

Revista O Mosquito - janeiro de 1986

Sargento Kirk - 2ºvolume - Bertrand Editora -1985

Coleção 16/22 -Barbarella - A Obra-Prima - Meriberica/Liber - 1979

Aventuras Completas de Modesty Blaise - Gradiva - 1986

História em Quadrinhos em Portugal chama-se Banda Desenhada. HQ portanto, é BD. Durante os anos 70 e principalmente a década seguinte, álbuns e mais álbuns portugueses de banda desenhada apareciam à venda no Brasil, graças ao intercâmbio de algumas livrarias e distribuidoras escolhidas à dedo. Uma das maiores difusoras destes álbuns, sem dúvida nenhuma foi a Martins Fontes, que pelas suas origens, tinha um contato mais próximo com o mercado lusitano. Pelo que sei de alguns amigos que viajaram à Europa recentemente ( e que são intimados a trazer exemplares de lá), o mercado de quadrinhos, em consonância com a crise que se alastra por todas as áreas econômicas, anda cambaleante. Espanha, França e Portugal tiveram várias editoras e revistas extintas de 10 anos pra cá e o que se vê hoje são raríssimos lançamentos. A Itália, embora em crise, segue bem com seus 'fumetti' em bancas, que ao contrário de seus vizinhos, sempre se virou bem em vendas ao privilegiar gibis-formatinhos de papel barato.
Eu nunca tive grana sobrando pra ficar comprando álbuns novos em livrarias, salvo raríssimas exceções, e consegui a maioria destes exemplares acima, posteriormente em sebos e promoções.
Muitos deles são coletâneas de tiras clássicas de jornais, e o grande destaque aqui fica para o genial e inimitável Hugo Pratt, artista italiano que correu mundo e trabalhou vários anos na América do Sul.

1 de maio de 2010

Portal Cultura Brasil

Na quarta-feira passada, a Fundação Padre Anchieta lançou o Portal Cultura Brasil, um site colossal dedicado exclusivamente à música brasileira. O portal alia conteúdo musical de 40 anos da TV Cultura com 73 anos da Rádio Cultura, disponibilizando imagens e aúdios raros, entrevistas e trechos de programas essenciais como Ensaio, Viola, Minha Viola e RadarCultura. Além do acervo histórico, a página produzirá conteúdo atualizado e interativo. Um projeto digno de nota, e certamente um tesouro para apreciadores, pesquisadores e estudiosos da nossa música. Segue o link do novo portal e detalhes mais precisos no release de lançamento:
http://www.culturabrasil.com.br/
http://www.tvcultura.com.br/conteudo/25719