19 de fevereiro de 2022

HQ Memories 3

O caríssimo Luigi Rocco, quadrinhista, caricaturista, cartunista e pesquisador de HQs, acabou de lançar a edição 3 de seu fanzine "HQ Memories" e mais uma vez surpreende com a seleção de histórias clássicas. Neste número, veio com uma sequência praticamente inédita de "Vizunga", de Flavio Colin (1930-2002), tira editada por Mauricio de Sousa e publicada na Folha de S.Paulo em meados dos anos de 1960. Vizunga já tinha sido publicado na revista da Vecchi "Eureka", editada pelo saudoso Octacílio d'Assumpção (Ota) nos anos 1970, e essa parte selecionada por Luigi é a sequência imediata da publicada na época. Seguindo na revistinha, temos a nobre presença do "monstro" Wallace Wood ("Animan"), mais uma criação do pioneiro desenhista dos estúdios de Mauricio de Sousa, Joel Linck ("Bosque Encantado"), que já tinha aparecido em HQ Memories 2 e uma alucinante história da fase europeia de Alain Voss (outro que apareceu no fanzine anterior), "Maxime, o Motoqueiro", de 1974, que fecha essa edição com grande fôlego. HQ Memories é um lançamento que merece chegar ao maior número de apreciadores da velha e boa História em Quadrinhos. Luigi Rocco vem resgatando raridades absolutas, além de colocar tudo em uma embalagem muito bem feita, com capa cartão e papel do miolo de ótima qualidade, cores expressivas na capa e contracapa, além das traduções, letras e edição de arte sempre com muito esmero. Por tudo isso e pela importância do seu surgimento nesse momento tão delicado do mercado em meio a pandemia, desejo uma vida longa, muito longa a HQ Memories!

Quem quiser adquirir o fanzine, é só escrever para o Luigi Rocco no e-mail: luigirocco29@gmail.com e ele vai dar todas as coordenadas.

Doodle: Dina Di (1976-2010)

O Google fez uma bela homenagem hoje ao criar um "doodle" exclusivo nacional da pioneira do hip-hop no Brasil Dina Di (1976-2010), nascida Viviane Lopes Maties, que faria 46 anos hoje. Dina foi MC do coletivo feminino Visão de Rua, ao lado dos artistas Tum e DJ OG, e juntos lançaram o single "Confidência de uma Presidiária", que trazia na letra a dura realidade do sistema prisional feminino, vivido na pele pela própria Dina. Sua mensagem inspirou outras mulheres da periferia a tentarem a sorte no universo hip-hop e hoje é considerada uma desbravadora. Dina faleceu em 2010, depois de contrair uma infecção hospitalar logo depois de dar à luz a sua filha Aline.



18 de fevereiro de 2022

Mauricio Kus (1929-2022)

Registro minha homenagem ao iluminado Mauricio Kus, falecido recentemente aos 92 anos, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ter trocado "figurinhas" por anos. Jornalista, produtor, assessor de imprensa e uma verdadeira "enciclopédia cultural", Kus esteve de corpo e alma em acontecimentos cruciais da vida cultural brasileira. Ele, em suas reportagens, assessorias, ou mesmo como anfitrião de visitantes internacionais em São Paulo, acompanhou estrelas de alto quilate e personalidades ilustres. Uma delas foi a lendária Katherine Dunhan, bailarina, coreógrafa, antropóloga e ativista americana, responsável direta pela Lei Afonso Arinos depois que o luxuoso Hotel Esplanada no centro de São Paulo recusou sua hospedagem quando soube se tratar de uma pessoa negra. O projeto de lei do deputado homônimo, que foi criado logo depois do incidente e virou lei um ano depois, em 1951, transformava em contravenção penal qualquer recusa de hospedagem de hotel, matrícula de escola, entrada em estabelecimento comercial ou contratação em empresa por preconceito de raça. Mauricio Kus, que entrevistara Katherine por conta do triste episódio para o "Correio Paulistano", foi um dos mais veementes na cobertura, classificando o ocorrido como "revoltante incidente". Logo depois da entrevista, a americana convidou-o para assistir a matinê dominical no Teatro Municipal, e ele, mesmo perdendo a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai ( o famoso "Maracanaço", desastroso momento do nosso futebol), topou na hora - e não se arrependeu. Assim foi na vida: não perdia a oportunidade de participar intensamente de momentos que podiam transformar o mundo a sua volta. Na pioneira "Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos", de 1951, que exibiu as HQs pela primeira vez no mundo como "obra de arte", lá estava Kus como peça-chave dos bastidores, ao abrir as portas (depois de várias reuniões exaustivas com a diretoria) do Centro Cultura e Progresso no bairro do Bom Retiro, para a realização do evento. Sem ele e sua insistência, os organizadores Álvaro de Moya (seu amigo desde sempre), Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado, Syllas Roberg, e o mundo, não teriam a  chance de ver concretizada a primeira exposição de quadrinhos do mundo! Outro momento de pioneirismo foi quando participou como jurado da 1ª Edição do Troféu Imprensa, em 1960. Durante a vida toda, escreveu muito sobre TV, Teatro, Música e principalmente Cinema, em diversos veículos da grande imprensa e alguns mais direcionados, como "O Espetáculo". Quando finalmente se "oficializou" como assessor de imprensa, também revolucionou na profissão e praticamente criou a função de assessor de grandes estúdios cinematográficos no Brasil (e repetiu a dose para as áreas hoteleiras, de aviação e de varejo). Virou um grande divulgador do cinema nacional, incluindo todos os filmes de Walter Hugo Khoury, abriu uma importante empresa de assessoria (PR Comunicação, depois Chaits) e se tornou representante da Braniff International Airways no país. Eu conheci Kus em um evento de comunicação há muito tempo e nos últimos anos trocávamos mensagens ou telefonemas (não tão assíduas, mas pra mim sempre valiosas). Quase sempre me ajudava a achar a saída de algum beco que eu tinha me metido em minhas pesquisas culturais. Em 2015, fez questão de mandar um convite de uma peça de teatro que ele estava produzindo/assessorando em São Bernardo, e que ele sabia ser cidade vizinha minha. Mesmo com um buraco no coração pela partida em 2007 da companheira de vida Sara, colocou sempre seu humor e espontaneidade em patamares elevados e se manteve na ativa até o último momento. Vá em paz, mestre! Grandes astros o aguardam mais uma vez!

Walter Hugo Khoury, Sandra Bréa e Mauricio Kus em 1979 (divulgação/grupo Sandra Bréa/FB)


6 de fevereiro de 2022

Grande Capa: Piauí 185 - Fevereiro de 2022



Essa capa maravilhosa da última Piauí tem essa ilustra incrível da fabulosa Elza Soares, falecida recentemente. O nome deste trabalho, ilustrado por Vito Quintans, não por menos, tem o adequado nome de "A Voz do Milênio". Ela foi por zilhões de motivos a verdadeira "Voz do Milênio" e ninguém tira isso dela (e se alguém for contestar, vai ter que trazer provas em contrário...rs). O desenho de Elza foi encomendado pela revista e as 50 personalidades que aparecem na cabeleira da cantora foram escolhidos pelo pesquisador e compositor Nei Lopes e pela pesquisadora Cléa Maria Ferreira (as identificações de cada um estão no site revistapiaui.com.br). Uma das grandes capas do ano, certamente. O único deslize da redação da Piauí, ao meu ver, foi não ter aproveitado essa fronte tão frondosa e não ter feito uma matéria sobre Elza Soares - não tem uma mísera notinha sobre a cantora na edição inteira. Fica aqui o meu protesto.

4 de fevereiro de 2022

Doodle: Jogos de Inverno de Pequim (Beijing 2022)

 Hoje o Google lançou um Doodle animado bacanudo com o tema dos Jogos de Inverno de Pequim. Vejam abaixo. (ainda acho que essas animações tinham que vir com o crédito dos criadores, que geralmente são muito bons. Inclusive tem a equipe brasileira, que lança ilustrações e animações inéditas em efemérides nacionais)



2 de fevereiro de 2022

Isaac Bardavid (1931-2022)


Uma das vozes mais marcantes da dublagem brasileira silenciou ontem: Isaac Bardavid, grande ator e dublador, faleceu aos 90 anos (faria 91 em 13/02) em sua cidade natal, Niterói/RJ. Dono de uma voz única - grave, potente, poderosa - dublou personagens marcantes do cinema e da TV: Esqueleto (vilão de He-Man), K.I.T.T (o computador do seriado Super Máquina), Tigrão (o amigão do ursinho Pooh), o treinador de Hércules, Filoctetes, no desenho homônimo da Disney; Capitão Haddock ("As Aventuras de Tintim") e principalmente Wolverine (dublou o personagem por 23 anos), seu papel preferido. Esses são os mais lembrados, mas tem centenas de outras participações que merecem citação. Vou citar mais 22: Rei Harold (pai de Fiona em Shrek); Rei Tritão ("A Pequena Sereia"); Robert Baratheon ("Game of Thrones"); tio Fester Addams (em "A Família Addams" 1 e 2); Jor-El (em "Superman - O Filme"); Chefe Powhatan (dos dois "Pocahontas"); Obi-Wan Kenobi ("Guerra nas Estrelas"); o narrador de "Horton e o Mundo dos Quem"; Richard Nixxon ( interpretado por Anthony Hopkins no filme "Nixxon'); Odin (em "Thor" e "Thor - O Mundo Sombrio"); Presidente Snow (da franquia "Jogos Vorazes"); Abutre ("Era do Gelo 2"); Horácio Slughorn (nos filmes de Harry Potter); Tio Patinhas (como Ebenezer Scrooge em "O Conto de Natal do Mickey"); o promotor de "Os Intocáveis"; Capítão Gancho (de "Jake e os Piratas da Terra do Nunca"); Robotnik (da franquia "Sonic"); Yao ("Mulan"); Billy Bones ("Planeta do Tesouro"); Joshamee Gibbs (dos filmes "Piratas do Caribe"); Agamenon (do filme "Troia"); Pandam (em "Pokémon: Sun & Moon"). E mais, muito mais. Alguns atores como Ian Holm, Albert Finney e Martin Landau, vira e mexe tinham dublagem dele. Não bastasse essa imensa carreira como dublador, foi ator dos bons em peças, programas de humor, séries e novelas, e um poeta esporádico ( lançou o primeiro livro em 2016 e o segundo já estava quase pronto). Fica aqui a minha sincera homenagem a esse artista gigante.
(abaixo, o momento em que Isaac conheceu o ator Hugh Jackman/Wolverine em 2017, no programa The Noite no SBT).




26 de janeiro de 2022

O livro do Vitorio Cestaroli será lançado hoje!

 


Este é o livro do grande Vitorio Cestaroli, saído fresquinho da gráfica. O projeto, por vários motivos, levou alguns anos para ficar pronto e fazer parte da equipe que o ajudou na elaboração (fiz a revisão e o texto da quarta capa), ainda mais no meio dessa pandemia, é realmente um privilégio e um contentamento sem tamanho. Vitório abriu seu coração e mente para contar detalhes e momentos de sua longa carreira na publicidade e no meio editorial, em empresas como Editora Abril, Globo, Mesbla e OESP, e também passagens de sua vida em família, no futebol e na assistência social. Uma trajetória marcada pelo seu temperamento forte e muitas vezes a flor da pele, mas sempre leal, honesto e sincero. As fotos históricas, com grandes profissionais da publicidade, times em que jogou, viagens em família, aliadas às ilustrações fidedignas do ótimo Mario Mastrotti (mais uma vez, meu caminho cruza o do Mastrotti, com quem já fiz projetos inesquecíveis), algumas hilárias, dão o tempero certo para essa intensa autobiografia. A acuidade gráfica da Grife Publicações também deve ser mencionada. Mando mais uma vez os parabéns ao Vitorio e vou fazer o possível para estar presente hoje no seu lançamento às 19:30h no Clube São Caetano, local tradicional aqui da minha cidade, frequentado pelo autor há décadas. A capa aí em cima tem ilustração e lettering do Mastrotti e aqui embaixo segue a dedicatória que o Vitório fez pra mim.



20 de janeiro de 2022

Baú do Malu 84: Histórias Sinistras 21 (Seleções de Terror 88) - Editora Outubro


Eis mais um exemplar da minha coleção "HQs de terror", desta vez "Histórias Sinistras" nº 21 (Seleções de Terror 88) da Editora Outubro. A edição chama logo atenção pela capa "intensa" do mestre Nico Rosso, com uma fatídica mulher com decote aparente e cara maligna, de olho "grande" na gente, enquanto sua vítima agoniza lá atrás. Pelo anúncio interno de "Vigilante Rodoviário", este número da revista saiu entre o final de 1962 e o início de 1963. Nas histórias internas, já há a presença de uma nova geração de desenhistas na editora, como Wilson Fernandes (que trabalharia também para as editoras Pan Juvenil, Taika - nesta faria os heróis Escorpião e Bola de Fogo -, Edrel, Bloch, Press, entre outras) e Manoel Nunes (que também passaria pela Taika e outras editoras menores). Ironicamente, os três artistas que mais me chamaram atenção são para mim, três mistérios: Sumoko ( que usa um interessante jogo de sombra e luz) e Frederico Lopez de La Torre (que aparece em outras histórias da Outubro) - não encontrei referências sobre esses dois - e a primeira história, com um desenho bem original e fora dos padrões, que não tem assinatura (ATUALIZAÇÃO: o amigo Luigi Rocco, viu os créditos na lápide do primeiro quadro e me avisou: história de Ivan Saidenberg e desenhos de Julio Shimamoto. Valeu por essa!). Quem tiver dicas, por favor, me avise nos comentários. No expediente, ainda consta como diretor artístico o mestre Jayme Cortez, co-fundador da Outubro, que logo sairia da sociedade na editora e alçaria voos em outras paragens.










18 de janeiro de 2022

Canequinhas de louça: Bar do Elidio (década de 60) e Baile do Quentão (1912)

 Para apreciação dos leitores do blog, posto imagens (frente e verso) de duas canecas-miniaturas em louça do meu acervo, que já se tornaram peças históricas. A primeira é a caneca brinde do "Baile do Quentão", datada de 1912 (ou seja, com 110 anos). No verso consta o logotipo de um tal FCUST e estou tentando pesquisar na Biblioteca Nacional para ver we encontro alguma pista do que seja (se alguém souber, por favor, avise nos comentários). A outra canequinha é do tradicional Bar do Elidio, famoso pelo seu pioneiro balcão de acepipes, e que existe até hoje na Mooca (foi inaugurado em 1958), tocado pelas três filhas do fundador (Elidio Raimondi, falecido em 2012). Na peça não foi grafado o ano, mas o logo da Brahma sugere que seja dos anos 60.








14 de janeiro de 2022

Algumas clássicas revistas da Editora Pro-C

Em 1979, os amigos quadrinistas Francisco Marcatti e Ricardo Silva, que já faziam algumas edições marginais, resolveram fundar a Editora Pro-C, depois que Marcatti comprou a sua lendária primeira impressora offset de mesa (Rex-Rotary, dinamarquesa). Em agosto de 1980, foi impressa a Refugo nº2 e nos anos seguintes da década mais de três dezenas de revistas com tiragens de até 1000 exemplares. Abaixo, algumas dessas pioneiras revistas do meu acervo, uma pequena mostra histórica da extensa carreira do mais ativo artista dos quadrinhos independentes do Brasil: Francisco Marcatti. O artista continua em grande atividade, com nova impressora e um esquema recente onde imprime uma revista mensal com campanha fixa no Catarse. Um viva ao guerreiro Marcatti!

                             Refugo 2 (reimpressão de fevereiro de 1981)


                        
                                                  Lôdo 4 - novembro de 1983



                                      Cupim 1 - março de 1984



                                   Lôdo 6 - janeiro de 1985


5 de janeiro de 2022

"You Will Always be in Our Minds" - Átila Salvatore Panitz Púglia (1966-2022)

                                                          Festival do Idalina - 1984

Mais uma vez o chão a minha volta tremeu nessa pandemia: soube ontem à noite que o Átila, amigo de longa data (quase 40 anos de amizade), nos deixou antes do combinado. Quem o conheceu, sabe que ele era daqueles que de tão à flor da pele e com tanta ânsia e fome de tudo, podia tanto se transformar em uma onda cheia de paixão e ternura como um vulcão incontrolável. Foi assim a vida toda. Mas não vou entrar em seus conflitos e dificuldades aqui e sim lembrar de tantos, tantos momentos inesquecíveis que testemunhamos juntos, nessas quatro décadas de amizade: as composições que fizemos (eu letra, ele música) a partir do longínquo 1984 - que guardadas as devidas proporções, tinham uma sinergia na criação que lembrava Elton John-Bernie Taupin; o presunto parma que seus pais compravam e a gente devorava nas manhãs pós madrugadas insones em sua casa em Santo André; o festival de música ainda em 1984, para o qual formamos uma banda hippie de 7 integrantes, classificamos 6 músicas e por causa de problemas técnicos (e falta de ensaio), não levamos nenhuma para a final; o milagroso café da manhã que minha santa mãe levava pra gente no meu quarto (cujo ar era uma mistura de cigarro, álcool e chulé), nos domingos que acordávamos de ressaca às três da tarde; a viagem para Porto Alegre em 1986, quando descobri que lá não se atravessava serra para chegar na praia e que o Átila tinha duas avós incríveis: uma, amorosa e cheia de abraços, outra braba que só, mas muito divertida em sua rabugice; suas grandes interpretações de Elvis Presley, tanto no palco como em rodas de violão - aliás foi ele quem me mostrou tesouros escondidos da discografia do rei (e em troca eu lhe retribuí com os Stones); a viagem maluca que fizemos com o Zucco em que levamos pás e picaretas atrás de um veio de ouro que ele tinha visto em seu sonho (será que isso também foi sonho?); o apartamento de sua família na Ponta da Praia em Santos, que entrou para o folclore da turma do Ponto depois de tanta bagunça (e que por isso foi interditado posteriormente para qualquer integrante da turma); as noites sem fim do Chaplin Bar; os ensaios na casa dos Mazuras (regado à Beatles, Made in Brazil e Joelho de Porco) e na Tumba; os churras que duravam três dias na casa da Greice na Rua Alegre; as conversas filosóficas no terraço do Luiz; o show antológico em Santo André, que tinha na plateia minha tia e minha mãe, e foi tão empolgante que terminou com o Átila de shorts; a Kombosa que compramos em sociedade (por 500 pilas) e que depois de andar muito (chegou a ficar um tempo com a turma TNT, do mesmo bairro), acabou arriada no chão na Anhanguera, depois que lotamos a coitada em um trampo com material de gráfica; o show do Legião no Aramaçan; as voltas de moto pelo ABC; e tem mais, muito mais. Anteontem, como sempre fazíamos, trocamos mensagens via whats e ele, sempre empolgado (embora tenha reclamado de “probleminhas de saúde”), fez mais uma vez planos de tocarmos juntos nesse ano, e dessa vez com a presença do Gabriel e Letícia (meus filhos musicais). Lembrou também dos velhos tempos e parecia bem. Ontem, sua ex-esposa me avisa que ele faleceu no domingo à noite (ou seja, algumas horas depois da nossa conversa), possivelmente de um infarto. Era uma despedida.

Siga em paz, meu amigo. Agora, é descansar dessa sua última vida tão agitada e atribulada e ficar um pouco mais perto do seu pai, da minha mãe, do Délius e de tanta gente querida que certamente lhe acolherá onde você estiver.

                                                          No Chaplin - início dos 1990


   II Festival do Idalina - 1985 (banda Sétimo Cálice): Haroldo, Átila, Shazam, Ruy, Marcelo Mazuras,  Ricardo Mazuras


                              
                       Malu & Átila no I Festival do Idalina em São Caetano do Sul (Délius aparece atrás)

                                                   Átila, Nena e eu em frente a minha casa (1984) 


Átila e banda em frente ao lendário Chaplin Bar (Ricardão baterista aparece na esquerda e Satan, tecladista é o quarto da esquerda para a direita) - 1989


Átila em uma performance mais recente

31 de dezembro de 2021

"Mãos Dadas", de Drummond ( Um ótimo 2022!)

 O Almanaque fecha o ano com esse belo poema de Drummond, "Mãos Dadas". Mais do que nunca, não devemos largar as mãos dos nossos aliados! Um ótimo 2022 para todos os leitores do blog. Em 2022, tem mais, muito mais.



Grande Capa - "Tiradentes", de Gutemberg Monteiro (CETPA)

 


A série "Capa do Mês" passa a partir deste post a ter outro nome:"Grande Capa". Inauguro a nova fase com essa magnífica capa do mestre Gutemberg Monteiro (1916-2012 - também conhecido como Gut ou Goot). "Tiradentes" é uma das publicações da CETPA (Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre -RS) que não constam nos perfis da editora sulista publicados por aí. A CETPA ousou lutar por um mercado de quadrinhos nacionais em um período complicado da História brasileira (entre a crise mundial do papel e o golpe militar de 1964), capitaneada pelo editor e desenhista José Geraldo, que conhecia o então governador do RS, Leonel Brizola., e arregimentou grandes desenhistas e autores para a empreitada:  Julio Shimamoto, Flavio Colin, Getúlio Delphin, João Mottini, Renato Canini, Bendatti, Flavio Teixeira, Luis Saidemberg (alguns não tiveram tempo de publicar nada e outros saíram com seus trabalhos em tiras nos jornais). A coisa começou a degringolar com a renúncia de Jânio Quadros e afundou com os militares assumindo o poder, mas mesmo assim a cooperativa conseguiu lançar pelo menos meia dúzia de títulos entre 1962 e 1963: Aba Larga (três edições); História do Cooperativismo; História do Rio Grande do Sul; Sepé; Zé Candango (só em tiras). Há algumas semanas consegui incluir esse "Tiradentes" no Guia dos Quadrinhos, importante site de indexação de títulos do quadrinho nacional. Até onde sei, é a primeira vez que a edição consta "oficialmente" entre as publicações da editora gaúcha. Nada mais justo que Gutemberg apareça como mais um membro atuante da CETPA (ele que fez não só a capa, mas a história em quadrinhos a cores e todo o texto histórico, ao lado da equipe da cooperativa), ele que é um dos mais importantes artistas nacionais, que fez história na Rio Gráfica (principalmente como capista, mas também como desenhista de Fantasma e outros personagens em uma segunda fase), trabalhou para a Ebal e Editora Outubro e brilhou nos EUA fazendo HQs de terror (para a Warren), HQs para a Charlton (linha romântica) e Harvey (Gasparzinho) e tiras para a dupla Tom & Jerry durante quase duas décadas. Gutemberg é um daqueles artistas geniais brasileiros que merecem uma biografia digna de sua vida/carreira. Demorou. (abaixo, o link do Guia dos Quadrinhos):

http://www.guiadosquadrinhos.com/capas/tiradentes/ti249100

A pedidos (Ranieri e outros amigos), posto uma página interna da publicação:


Atualização: diferente do que comentei na postagem, essa publicação já tinha sido publicada no blog do amigo Luigo Rocco (Tiras Memory) em 03/05/2019, que transcreveu na íntegra o capítulo sobre a CETPA do clássico livro "Quadrinhos para Quadrados", escrito pelo saudoso Diamantino da Silva (Bels, 1976), esse sim, o primeiro veículo a citar esse volume em quadrinhos sobre Tiradentes.

16 de dezembro de 2021

Vânia Bastos canta Taiguara (Tema de Eva)

Quando ouvi essa música na Rádio Brasil MPB, me emocionei pra valer. Eu sempre tive uma paixão incomensurável pela pungente interpretação de Vânia Bastos, e quando digo interpretação pungente estou me referindo a todas as suas interpretações, desde a época do Lira Paulistana na virada dos 1970 para os 1980. Tudo o que ela canta vira emoção, sentimento, profundidade. Tive a honra de vê-la uma vez (queria muito que fossem mais vezes) aqui perto de casa, nos anos 80, quando abriu uma casa de shows intimistas, Marina's, que trouxe muita gente boa pra tocar em São Caetano. Na mesma noite em que Vânia cantava com toda sua delicadeza e ternura, estava na plateia um fã seu de nome Belchior (que sentou em uma mesa com amigos, do lado da minha). Desde sempre comprei seus discos (que não foram tantos assim), muitos deles por selos ou gravadoras pequenas. Vânia Bastos é grande, tão grande, que nem sempre cabe nesse mundo urgente do sucesso a todo custo. Seu público fiel, que lota seus shows nos Sescs da vida, nas viradas culturais e festivais por aí comprovam que sucesso nas paradas é muito relativo. Viva Vânia Bastos, sempre Vânia Bastos.


Em tempo: esta gravação foi feita para o CD e DVD em homenagem à Taiguara, "A Voz da Mulher na Obra de Taiguara", de 2011. "Tema de Eva" foi gravada originalmente por Evinha, outra iluminada.


Raízes 64



Depois de um hiato na edição passada - não consegui mandar o artigo a tempo - eis que volto a colaborar com a querida revista Raízes, publicação semestral memorialista da minha cidade, editada e produzida pela Fundação Pró-Memória. Voltei ao formato crônica para contar algumas passagens tragicômicas e emocionantes como escoteiro do Grupo de Escoteiros João Ramalho (entre 1979 e 1981). É sempre um grande prazer colaborar com um veículo tão raro - são poucas, pouquíssimas cidades ou municípios no Brasil que mantém uma publicação periódica, de cunho histórico, e ainda por cima com tanta qualidade e tantos anos ininterruptos em atividade. Parabéns mais uma vez à editora Paula Fiorotti e sua ótima equipe de pesquisadores, articuladores, profissionais gráficos, historiadores e colaboradores. A edição vem forrada de boas matérias, a começar pela da capa, escrita e pesquisada com muito afinco pelo ótimo Caio Bruno, jornalista e supervisor do Museu Histórico Municipal, que trouxe à baila um perfil completo da Avenida Goiás, a mais famosa avenida de São Caetano do Sul. Outros artigos que eu devorei e gostei muito: o ensaio do escritor/poeta Carlos H.Chirotto ("Uma Tarde em São Caetano"), as curiosidades e surpresas por detrás dos nomes de ruas da cidade ("Um passeio pelas ruas de São Caetano do Sul" da pedagoga e membro da Comisão Editorial Cristina Ortega); o emocionante perfil da saudosa atleta Delenice Aparecida da Fonseca de Oliveira ("Uma Quadra Poliesportiva leva o nome de uma Vencedora: Delenice" do escritor e ex-atleta e professor Paulo Moriassu Hijo), a parte 2 da série sobre o clube de futebol Saad (pelo professor de educação física, fanzineiro e amigo Renato Donisete) e a surpreendente história da EMEF Dom Benedito - eu não sabia que essa tradicional escola tinha nascido no meu bairro! (do historiador Rodrigo Marzano Muraro). As fotos históricas espalhadas pela edição também surpreendem  sempre. Com mais de 30 anos de existência, a revista Raízes continua firme e forte em seu propósito de divulgar e manter viva a História do nosso município! Viva!

(A publicação é gratuita e pode ser retirada na própria Fundação Pró-Memória, na Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255, Bairro Santa Paula - São Caetano do Sul).

30 de novembro de 2021

Foto em Destaque: Daniel Azulay em seu programa Turma do Lambe-Lambe


Essa foto incrível eu consegui em um leilão virtual. Na imagem, o querido e saudoso Daniel Azulay, de violão em punho, senta com sua equipe do programa Turma do Lambe-Lambe (seu grande trunfo na carreira) em cima de um mar de cartas (um termômetro da receptividade do programa junto ao público). No verso da foto PB 12x24, há o crédito do fotógrafo - Luiz Silva - mas o veículo referente está apagado no carimbo (pode ser Tribuna da Imprensa). Não tem data, mas pelo jeitão da cena e certa mocidade do apresentador, deve ser entre o final dos anos 70 e início dos 80. Daniel, que faleceu no ano passado aos 72 anos (tratava um câncer quando sucumbiu ao Covid) foi devidamente homenageado aqui no blog naquele triste momento e também quando foi premiado no HQMix de 2018, por sua  carreira em prol dos quadrinhos e do ensino artístico (links abaixo). No mesmo ano, publiquei com muito sucesso aqui, a íntegra do programa original do documentário "Os Doces Bárbaros" de 1976, dirigido por Tom Job Azulay, irmão de Daniel - com desenhos personalíssimos desse último (também entre os links abaixo). 

Saudade, Daniel Azulay!

http://almanaquedomalu.blogspot.com/2020/03/daniel-azulay-1947-2020.html

http://almanaquedomalu.blogspot.com/2018/09/foto-do-mes-com-daniel-azulay-no-30.html 

http://almanaquedomalu.blogspot.com/2018/11/bau-do-malu-76-programa-original.html 



GET BACK!

(Pôster - The Beatles - Get Back/ Divulgação Disney)

O assunto do momento e que certamente vai render pano pra manga no decorrer de dezembro é a estreia do documentário em três episódios “Beatles: Get Back”, de Peter Jackson (o aclamado diretor da trilogia Senhor dos Anéis), lançado pelo canal de streaming Disney+ nesse último final de semana de novembro e que deixou beatlemaníacos, curiosos e detratores da banda em polvorosa. Em um trabalho extenuante e hercúleo (com os nomes de Ringo, Paul, e as viúvas Yoko Ono e Olivia Harrison presentes na produção) que levou cerca de quatro anos para ser finalizado, Jackson filtrou com acuidade um material colossal a que teve acesso – 60 horas de imagens e mais de 150 horas de áudio até então inéditas, que sobraram do doc “Let it Be” (1970), de Michael Lindsey-Hogg – para chegar a quase oito horas de puro entretenimento/deleite/emoção/animosidades/conversas confessionais/desabafos/ gêneses de grandes composições/gracejos, com uma qualidade técnica incrível. É como se o telespectador puxasse uma cadeira e se sentasse ao lado do quarteto de Liverpool e sua equipe em torno, no centro de um gigantesco galpão (a acústica do local é duramente criticada pelo grupo), e não só se percebesse uma testemunha ocular desse último suspiro criador da banda, como começasse a duvidar de muita coisa que foi falada e gritada por aí sobre o fim de um dos maiores grupos musicais de todos os tempos. Yoko Ono, que era um dos principais focos negativos do documentário anterior, lançado em meio à fogueira das vaidades alimentada pelo fim definitivo do quarteto, não parece tão vilã assim no filme atual – o que se vê é mais um John aéreo e etéreo, sem muita bronca externada, levitando sem grandes aflições sobre as conversas mais pesadas dos outros e mais tocando do que externando suas opiniões. Paul aparece como aglutinador, mas ao mesmo desgastado e em certos momentos criticado por colocar suas ideias com muita incisão e ênfase ( George, o mais irritado com esse comportamento de chefe de Paul, lança frases irônicas ou reclamações sobre sua posição dentro da banda a todo tempo); Ringo, que sempre foi o mais divertido,  e estava às voltas com filmagens ao lado de Peter Sellers, aparece na sua, sem muitos apartes, enquanto George (talvez o maior destaque do documentário) surge a toda hora (assim como Paul), ora sarrista, ora espirituoso, ora com o saco cheio e ora deixando claro que suas ideias novas não se encaixavam com o momento da banda (sob os olhares de dois de seus novos amigos hare-krishnas, sentados no chão do estúdio improvisado). Entre conversas, insinuações, improvisos e closes inusitados, o que mais emociona (principalmente para fãs como eu) é a execução das músicas ainda cruas, sem as letras definitivas e com algumas notas ainda desencaixadas – ou seja, a essência da criação de verdadeiras obras primas, ali, brutas, na nossa cara.

Eu falei tudo isso, e só assisti a primeira parte (com pouco mais de duas horas). Ainda há muito o que se ver nesse impressionante documento – o último capítulo, por exemplo, é todo dedicado ao antológico e famoso show ao vivo “no telhado” em Londres (a última aparição ao vivo da banda, que não tocava fora dos estúdios desde 1966). Um colosso de filme que merece ser visto mesmo por quem não conhece direito o legado ou a história da banda (talvez ver esse documentário seja um bom começo para começar a conhecer – há inclusive uma pequena introdução sobre a trajetória da banda até ali). Afinal, em pleno 2021, a Beatlemania está definitivamente reinstalada!

Para quem não tem assinatura da Disney, não se aflija. Com a repercussão do filme, logo, logo serão disponibilizadas outras mídias – como DVD -, tenha a certeza disso.

28 de novembro de 2021

33º HQMix - A premiação na íntegra

Ontem rolou a entrega dos troféus HQMIX em cerimônia online que durou pouco mais de 1 hora e meia. Com a onipresente apresentação de Serginho Groisman e produção dos criadores Jal e Gual (+ equipe fiel), a 33ª edição do prêmio teve como destaque incontestável a presença maciça das mulheres em premiações importantes - Ana Luiza Koehler levou 4 troféus -, além dos concorrentes que somaram mais prêmios à sua coleção, como a editora Pipoca & Nanquim (pelo 4ºano), MSP/Panini (com três premiações) e o artista Shiko (3 também). Meus destaques adicionais: a justa premiação à dupla Marcelo Alencar e Fábio Figueiredo do Stúdio 313, para o álbum de luxo Disney "Mob Dick" , de Francesco Artibani e Paolo Mottura, publicado pela Panini ("Adaptação para os Quadrinhos") - a dupla vem fazendo um trabalho fantástico em lançamentos colossais da Disney para a Panini; a vitória de "Império dos Gibis" de Manoel de Souza e Mauricio Muniz - Editora Heróica, um livraço que concorreu com outras ótimas publicações (Memo, de Toni Rodrigues, também era uma de minhas favoritas,não só porque eu participo como revisor do projeto, mas porque sei de sua importância histórica); e "Menage"#1, de Laudo Ferreira, Marcatti e Germana Viana (com 2 premiações) - um trio de ouro que faz das tripas coração e deve/precisa/necessita seguir com outros projetos. Outra homenagem/premiação que me deixou emocionado foi a da Maria Aparecida Godoy, como Mestre do Quadrinho Nacional. Ela foi responsável por dezenas de histórias de terror nos anos 60,70 e 80, em parceria com quadrinistas ilustres do gênero - Colonnese, Zalla, Rosso, entre outros - tornando-se uma das pioneiras nessa atividade. Maria Aparecida e Eva Furnari - a querida autora de inúmeros livros infantis e ilustrações (inclusive para Recreio e Folhinha) e criadora da personagem Bruxinha, que deu forma ao troféu deste ano (Serginho, que também levou prêmio especial para casa, fez uma ótima entrevista com ela, abrindo os trabalhos da premiação) - são a mais perfeita tradução de um ano em que ELAS reinaram! Viva!

O momento triste da noite - e que pareceu durar uma eternidade - foi a galeria de ilustres profissionais e personalidades ligadas aos quadrinhos que nos deixaram entre 2020 e 2021. Por conta da pandemia ( e das consequências dela, para além do vírus), esse número duplicou ou triplicou e ver queridos como Ota, Antero Leivas, Robson Rocha, Biratan, Nani, Charlie Watts (baterista e quadrinista), Klebs Jr. e tantos outros, foi um murro no coração. Que todos eles, que de uma maneira ou outra, encantaram o mundo com sua magia artística e força criativa, estejam bem onde estiverem agora.

Para quem não conseguiu assistir a premiação ontem, segue aqui na íntegra, pelo canal do Sesc-SP no Youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=f8bP_cljt-E

22 de novembro de 2021

Livros Livres (Viva Marisa Déa)

No fim de semana, fui despreocupadamente em uma feirinha esotérica, acompanhado de minha amada Cris, aqui mesmo na minha cidade. Eu curto esse universo "São Thomé das Letras" e nesses eventos sempre tem alguma miniatura interessante ou impressos inusitados. De cara, conheci o quadrinista Alexandre Lince, um jovem artista que faz um trabalho interessante com aventuras em tiras de sua turminha "Blizys", além de projetos especiais, como a compilação que fez com histórias lendárias da cidade de Paranapiacaba. Vale a pena conhecer!

Um pouco mais adiante, me deparo com um pequeno móvel de duas prateleiras com um cartaz: "LIVROS LIVRES", com publicações doadas para o evento que podiam ser adquiridas gratuitamente, sem devolução. Claro que fui lá fuçar. Entre dicionários, folhetos bíblicos e alguns exemplares com temas de saúde, encontrei dois ótimos volumes: "Letras & Canções" de Ana Terra (1981) e "O Rapto da Mulher Barbada" (1978) de Cláudio Feldman. A primeira tem letras belíssimas que já viraram música com Danilo Caymmi, Joyce, Natan Marques, Angela Ro Ro, Milton Nascimento, Zé Renato, etc. - e esse primeiro livro de sua carreira traz quase todas elas, entre 1974 e 1980. Excelente! Já o livrinho do Claudio Feldman, autor são andreense de longa carreira, filho do grande cineasta Aron Feldman, é brilhante: com um humor telegráfico e direto, inclui centenas de mini textos transfigurando jornalismo em literatura e literatura das boas! A capa é de Moacir Torres, quadrinista de extensa carreira, que já morou em Santo André e atualmente está no interior de São Paulo - ele foi cocriador ao lado de Feldman do cultuado Jornal da Taturana, publicação independente que marcou a literatura na região. Feliz da vida, fui pra casa e quando bato o olho na dedicatória do livrinho do Feldman, "Para a Marisa, esta 'barbada', oferece Cláudio", me caiu a ficha. Minha saudosa amiga Marisa Déa, que desencarnou em junho deste ano (e que por conta da minha total paralisia na ocasião, acabei não homenageando no blog) - professora, tradutora, escritora, revisora e agitadora cultural - não era amiga da Ana Terra? E também, por conta de sua eterna cumplicidade com a literatura, depois de anos e anos dando aula de letras em Santo André, não conhecia também o Feldman? (quem do meio em Santo André, não conhece o Feldman?). Posso até estar viajando, mas é muita coincidência dois livros de dois amigos de Marisa na minha mão, vindos de uma cestinha de "livros livres" em nossa cidade natal! Na época em que ela foi subitamente para outro plano, estava combinando em mensagens de comprar seu último livro - a ideia era adiar até a pandemia melhorar, mas acabou não dando tempo de encontrá-la. Hoje, depois de cinco meses, por confluências do universo, acho que adquiri dois livros cativos do substancioso acervo de Marisa Déa, que assim como esses livros, deve estar LIVRE por aí, ensinando, escrevendo, corrigindo, declamando, e principalmente juntando gente em torno de arte/cultura/literatura, sua mais deliciosa armadilha. Viva Marisa!




12 de novembro de 2021

"Cantacrônica": todos os programas estarão no Spotify


O programa "Cantacrônica", anunciado no post anterior, já está de vento em popa dentro da programação da Rádio Brasil MPB. Entre o final de outubro e hoje, entraram no ar três programas e tanto eles como os posteriores, ficarão disponibilizados no Spotify. Quem perdeu ao vivo, pode escutar depois neste link abaixo. Deixem suas impressões, comentários ou sugestões de temas no chat ou nos comentários do site da rádio! 

https://www.radiobrasilmpb.com.br/news-6-cantacronica-ouca-os-programas-anteriores

"Cantacrônica" - às sextas-feiras, meio dia ou reprise nas segundas, 1 da matina.

https://www.radiobrasilmpb.com.br/