30 de junho de 2011

O incompreendido e incomparável Nick Drake

Nick Drake morreu em 1974, aos 26 anos, incompreendido por crítica e público da época. Lançou em vida três discos emblemáticos para o folk e a música britânica, cada um com seu universo e particularidades únicas. O primeiro, Five Leaves Left, de 1969, trouxe um emocionante violão perpassado por orquestrações suaves e vocal sussurrante que viraria seu emblema. O segundo, Bryter Layter (1970),  dialoga com o jazz e o rock e é o que chega mais perto de uma formação "banda" ( graças as participações do guitarrista Robert Thompson, que já participara do primeiro, e seus comparsas do Fairport Convention, além de John Cale); o derradeiro, Pink Moon (1972) é o mais intimista e instrospectivo, mas não menos brilhante. Três discos imprescindíveis que não aconteceram. O magnífico e inusitado disco de estréia vendeu umas três mil cópias. Nick ficou chateado mas não se abateu com o fiasco e logo engatou o lançamento do segundo trabalho, demonstrando sua boa forma e até resquícios de humor entre suas explanações melancólicas de praxe. O resultado pífio nas vendas desta vez  bateu fundo e Nick nunca mais foi o mesmo. Se ele era monossilábico, ficou catatônico; se as drogas e as pílulas eram casuais, tornaram-se um preenchimento das horas; quando gravou as sessões caseiras do derradeiro Pink Moon, seu estado depressivo era tanto, que deixou a fita na mesa da secretária da gravadora Island sem conversar com ninguém. Logo depois voltou para a casa de sua família onde veio falecer dois anos depois. Neste ínterim, ainda tentou uma última sessão de gravação, mas seu estado lastimável só permitiu a conclusão de quatro canções ( lançadas postumamente). O terceiro disco também não vendeu nada, estarrecendo os amigos e músicos que sempre o viram, desde a escola de música, como um gênio criativo sem igual. Mas paralelamente a sua criação ímpar, havia uma timidez, um antimarketing e uma índole indomável que acabaram implodindo qualquer empurrão comercial em sua carreira. Por uma década, Nick Drake ficou fadado ao limbo, só lembrado por privilegiados conhecedores de sua obra. Até que os anos oitenta sopraram ventos em outra direção e fãs do mainstrean como Robert Smith (The Cure) e Peter Buck ( REM) começaram a incensá-lo e louvá-lo em entrevistas, e seu nome passou a figurar entre lendários e influentes de uma geração. Seus três discos de carreira, quem diria, passaram a frequentar listas de melhores discos de todos os tempos. Vários artistas da nova geração (e também Elton John, da velha guarda) regravaram clássicos de sua obra. Nick Drake finalmente e merecidamente, saía da sombra.
Em tempo: Renato Russo gravou Clothes of Sand de Drake em seu primeiro disco solo de 1994 ( todo em inglês). Já as nossas gravadoras - novidade - nunca lançaram os discos de Nick Drake em terra brasilis.

River man: http://www.youtube.com/watch?v=idcaRTg4-fM&feature=related
Way to Blue: http://www.youtube.com/watch?v=S40DdlD9JxI
Cello Song: http://www.youtube.com/watch?v=_1YsFgDaEeo
At the Chime off a City Clock: http://www.youtube.com/watch?v=Y4Va1xJUjC0
Poor Boy: http://www.youtube.com/watch?v=NdYJyp4EIbI
Northern Sky: http://www.youtube.com/watch?v=y11X5WljnFA&feature=related
Parasite (cover de Beck): http://www.youtube.com/watch?v=rUzGz3pBeFQ
Road/ Place To Be/  Which Will.(três faixas de Pink Moon): http://www.youtube.com/watch?v=ZT17fInnJ_I
Clothes of Sand ( com Renato Russo): http://www.youtube.com/watch?v=lN4WcXfxY_s
Day is Done: http://www.youtube.com/watch?v=Cyv4qB5Aft4&feature=related
Pink Moon: http://www.youtube.com/watch?v=aXnfhnCoOyo

22 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (9) - Bárbara Eugênia

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Bárbara Eugênia é bárbara mesmo, e nada ingênua. Veste camiseta do Sonic Youth, canta o que quer ( e o que já viveu) e já é referência na nova cena paulistana. A sua música é moderna sem forçar a barra e tem um frescor espontâneo e despojado só dela. Mas quase, por pouco mesmo, não rolou nada disso. Carioca radicada em São Paulo desde 2006, vinda de uma separação dolorosa ( e qual separação não é dolorosa?) e de um quase início de carreira na MPB tradicional, Bárbara só aprumou seu rumo quando trombou em 2007 com o produtor Apollo 9 que lhe deu a chance de participar da trilha do cultuado filme "O Cheiro do Ralo". Em seguida, engatou uma parceria com Edgar Scandurra em projeto sobre Serge Gainsbourg. Já enturmada em Sampa, se aconchegou entre a turma que vem fazendo a novíssima cena musical brasileira, em parcerias certeiras com Tatá Aeroplano (Cérebro Eletrônico) e Cidadão Instigado. Suas dores e cores de amores, embalados em baladas pop e rocks lisérgicos, conquistaram muitos protagonistas, a ponto de seu disco de estréia, lançado no segundo semestre de 2010 ( "Journal de Bad", um dos melhores lançamentos do ano passado) ter participações atemporais - Otto, Edgard Scandurra, os citados Tatá Aeroplano e Cidadão Instigado, Tom Zé ( em uma vibrante participação em "Dor e Dor", pérola de sua lavra), Pupillo e Dengue (Nação Zumbi), Karina Buhr, entre outros. Bárbara Eugênia é das minhas - adora a música criada entre os anos 50 e 70 - e está aí pra injetar emoção nas modorrentas audições teleguiadas que se avizinham. Sem estardalhaço nenhum, mas com atitude e presença, em quintais até então abandonados.
http://www.barbaraeugenia.com/
http://www.youtube.com/watch?v=Lowic6flj_8&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=6pKAw_nYxWc
http://www.youtube.com/watch?v=82tI54LTXBA&feature=fvwrel
http://www.youtube.com/watch?v=I2h0Fdb5V64&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=7h_UW8_iWcA&feature=relmfu
http://www.youtube.com/watch?v=-VyXUMfcKFc&feature=related

21 de junho de 2011

A música de Chico Buarque, de volta

Chico Buarque segurando o seu novo disco "Chico" ( Reprodução - Site Oficial)
Chico Buarque, depois de alguns anos mergulhado no mar da literatura, está de volta à música. Como sempre, trazendo poesia de primeira dentro de uma canção brasileiríssima. "Querido Diário" é a primeira música de trabalho do disco prestes a sair do forno. O áudio foi disponibilizado para os fãs que fizeram a pré-compra de seu novo CD "Chico" no site  http://www.chicobastidores.com.br/. Esse mesmo áudio acabou vazando e está rolando no Youtube (veja abaixo em matéria do UOL):
Áudio:  http://mais.uol.com.br/view/zwuxgmhe6kop/chico-buarque--querido-diario-04020C9A3966C8B91326?types=A&
Letra:
"Querido diário"

Hoje topei com alguns conhecidos meus
Me dão bom-dia [bom-dia], cheios de carinho;
dizem para eu ter muita luz
e ficar com Deus
Eles têm pena de eu viver sozinho

Hoje a cidade acordou toda em contramão
Homens com raiva,
buzinas, sirenes, estardalhaço
De volta à casa, na rua
recolhi um cão
que, de hora em hora, me arranca um pedaço

Hoje pensei em ter religião
De alguma ovelha, talvez,
fazer sacrifício
Por uma estátua ter adoração
Amar uma mulher sem orifício

Hoje, afinal, conheci o amor
E era o amor, uma obscura trama
não bato nela, não bato
nem com uma flor
mas se ela chora, desejo-me em flama

"Querido diário"
Hoje o inimigo veio,
veio me espreitar
Armou tocaia lá
na curva do rio
Trouxe um porrete, um porrete a "mode" me quebrar
mas eu não quebro não, porque sou macio, viu?!

Saiu a lista do 23º Troféu HQMix

O HQ MIX, maior prêmio brasileiro dos quadrinhos, já tem a lista oficial dos indicados deste ano (link abaixo) e a imagem do troféu-escultura do Geraldão (acima), personagem de Glauco, falecido no ano passado e homenageado nesta 23ª edição. A cerimônia de premiação acontecerá no dia 15 de setembro.
http://blogdosquadrinhos.blog.uol.com.br/noticia/

15 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (8) - Camila Costa

Camila Costa é uma verdadeira pérola a se descobrir. Sua voz doce e seus arranjos primorosos remetem o ouvinte a várias paisagens, todas paradisíacas. As sensações podem ser as mesmas de uma suíte de Guinga & Aldir ou um flerte do "Círco Místico" de Chico & Edu. Violonista, cantora e compositora, fundou há mais de 10 anos, com Nilze Carvalho, o Sururu na Roda, com a proposta de preservar e resgatar o cancioneiro popular. Com o grupo, lançou três discos, participou de workshops sobre o samba em universidades americanas e se aprofundou intensamente em marchinhas clássicas e sambas dos primórdios, num belo trabalho de resgate cultural. Em 2005, consegue uma brecha na agenda do Sururu e grava o seu primeiro trabalho solo, "Reflexo", com dez composições próprias, mostrando um lado autoral passional e intenso. Um disco emocionante, mas inexplicavelmente desapercebido. Entre 2007 e 2009 faz apresentações elogiadas no exterior, ao lado do pianista Itamar Assière e também com o Sururu na Roda. No mesmo ano de 2009, seu projeto "Bendito é o Maldito entre as Mulheres" é aprovado e finalmente em 2011, apresentado no Centro Cultural Banco do Brasil (SP), com Camila ( que também dirigiu e roteirizou todo o projeto) ao lado de Jards Macalé e outras cantoras compositoras cantando a obra de outros homenageados ditos "malditos" (veja aqui, as participações deste projeto incrível: http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10165,1,0,1,1.bb?codigoEvento=3930 ). Essa realização de sucesso parece ter aberto uma grande janela na carreira da compositora, que neste ano se desligou do Sururu de Roda e está em vias de finalizar canções fresquíssimas que fecharão um novo disco ( as demos estão em seu myspace abaixo). Ao que tudo indica, o trabalho não será nada convencional....
http://www.myspace.com/camilacostaoficial
http://www.youtube.com/user/camilacostabrasil?blend=21&ob=5
http://www.youtube.com/user/camilacostabrasil?blend=21&ob=5#p/a/u/2/GsvPaMzHaZs

13 de junho de 2011

Valeu, Bigorna!

Hoje fui fazer o meu habitual caminho pelas novidades dos quadrinhos na internet e tomei um susto: um dos melhores sites sobre a nona arte está encerrando suas atividades, depois de mais de seis anos prestando serviço inestimável à categoria. Márcio Baraldi, uma espécie de super-herói multitarefas do nosso quadrinho pátrio, que ultimamente estava carregando o Bigorna nas costas, conta toda a saga de sacrifícios para manter a página em pé e o que o levou a fechar o ciclo ( além do pertinente desabafo sobre a HQ nacional).Eu que acompanhei o Bigorna por todos esses anos- entrevistas, discussões, prêmios, polêmicas... foram muitos os momentos que fizeram história - espero que o Baraldi, para fechar com chave de ouro, edite uma coletânea ( quando der tempo, claro) com os melhores momentos do site. O Bigorna deixa uma lacuna enorme no jornalismo especializado em quadrinhos, por sua crítica, nunca inconsequente, por seu foco no quadrinho nacional, sem intolerância, e por dar espaço pra todos que quiseram divulgar ou colaborar. Valeu, Márcio Baraldi, valeu Bigorna...

http://www.bigorna.net/index.php?secao=artigos&id=1306717371  ( dêem uma boa sacada no desenho que abre o editorial do Baraldi. É do Bira, outro multi das artes gráficas, que aglomerou numa cena só, personagens clássicos e de todos os gêneros do quadrinho brasileiro. Entre tantos, Garra Cinzenta, Bidu, Saci, personagens do Henfil, Jotalhão, Mônica, Maria Erótica, Turma do Xaxado, Cubinho, Maciota, Bob Cuspe, Trapalhões...

Double Duo Jazz Quartet em grande forma

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Recebi do nobre Duda Moura, via Youtube, o último show da Double Duo Jazz Quartet, formação instrumental em que democratiza sua audaciosa batera ao lado de Amílcar Lobosco ( flauta e sax), Ary Holland ( piano) e Nilton Leonarde (baixo). Parceiros de longa data, os músicos demonstram em versões arejadas de jazz, mpb e pop, uma inabalável sintonia fina entre eles que transparece naturalmente nas execuções ao vivo. Acompanhem trechos do show em apresentação deste mês, as últimas no site do Duda e o primeiro post do Double Duo aqui no Almanaque, em 2009 ( com o myspace do quarteto).
 http://www.dudamoura.com.br/
http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/double-duo-jazz-quartet.html

9 de junho de 2011

"Eduardo e Mônica", a música, vira filme publicitário

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A já clássica "Eduardo e Mônica", história completa de amor letrada e musicada por Renato Russo nos tempos em que se intitulava "O Trovador Solitário" ( um pouco antes da Legião Urbana), virou filme da operadora Vivo pelas mãos da O2 e da agência África. O clipe ficou bem maneiro, e as trocentas vezes que o casal acessa os devidos celulares não comprometem a produção bem amarrada. Com seus 4 minutos e pouco ( a música rola na íntegra), o comercial não teria longa vida no congestionado e veloz horário nobre televisivo. Daí a preferência pela divulgação apenas na internet.
http://www.youtube.com/watch?v=gJkThB_pxpw&feature=pyv

Les Paul e o "Doodle para tocar"

A equipe do Google responsável pela criação dos famosos doodles está cada vez mais criativa. Desta vez, o logo interativo do dia, em homenagem ao  mestre Les Paul, permite que o internauta toque música utilizando o mouse ou o teclado.É isso mesmo! A façanha inédita já virou febre entre os internautas, a ponto de divulgarem sequências no teclado para algumas músicas famosas ( veja lá embaixo).
Les Paul (Lester William Polfuss - 1915-2009) foi um versátil guitarrista de jazz e rock, vendedor de milhares de discos, mas ficou mesmo na história por ser o inventor que alterou o curso da música com a criação da guitarra elétrica de corpo maciço e os múltiplos canais para as gravações. Hoje, completaria 96 anos.
Muitos artistas usaram e divulgaram a Gibson Les Paul para o mundo. Entre tantos, destaco 20 dos bons:
Jimi Hendrix
Eric Clapton
Ace Frehley
Jimmy Page
Steve Howe
Slash
Bob Marley
Zakk Wylde
Brian Jones
Joe Perry
Adrian Smith
Pete Townshend
Rafael Bittencourt
Mark Knopfler
Gary Moore
Billie Joe Armstrong
Paul McCartney
George Harrison
Eddie Van Halen
Raul Seixas
Além do vídeo oficial para o doodle "musical", fiquem com algumas sequências divulgadas hoje na internet:
“Asa Branca”, Luiz Gonzaga - 1235534 1235543 11235 54314 33223 2211
“One” (Metallica) – 3-7-3-5, 1-7-1-5, 3-7-3-5, 1-7-1-5-8
“In the End” (Linkin Park) – 2-6-6-4-3-3-3-342-6-6-4-3-3-3- 342 -6-6-4-3-3-3 – 3-4-2 – 6-6-4-3
“Run to the Hills” (Iron Maiden) – 0 009 990 889 778
“Judas” (Lady Gaga) – J KKKKK JHHHGJHGG JJJJL; HJ
Marcha Imperial do filme “Star Wars” – E, E, E, Q, T, E, Q, T, E, U, U, U, I, T, E, Q, T, E
Trilha do Filme “Poderoso Chefão” – D-H-K-J-H-K-H-J-H-F-G-D
Parabéns pra Você – AASAFD , AASAGF, AAKHFDS, KKJGHGAASAFD , AASAGF, AAKHFDS, KKJGHG
Trilha do filme “Indiana Jones” – ERTI WER TYUP YU IOP
When the Saints Go Marching In (hino gospel americano) – A-D-R-T X2 , A-D-R-T-D-A-D-S, D-D-S-A, A-T-T-R, D-R-T-D-A-S-A
Trilha do filme “Harry Potter” – e-y-i-u-y-p-o-u-y-i-u-y-u-e

 Vídeo: http://www.youtube.com/watch?v=LT4fPPMXvVk 

7 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (7) - Lulina


foto: Marcelo Costa
Lulina pode até ter criado a Lulilândia, um lugar seu de conto de fadas, cheio de ETs, referências ao número 13 e personagens excêntricos. Mas seu mundo real é bem mais bacana..Esse seu jeitão descolado e meio "nas nuvens" esconde uma vida hipercriativa, que inclui seu segundo trampo oficial como redatora publicitária ( o primeiro é, logicamente, o de cantora-compositora), uma produção literária em off ( já lançou livro e tem muitas poesias e contos inéditos) e um gosto para a ilustração. Nascida no Recife, morou um bom tempo em Olinda, voltou pra Recife, até chegar a São Paulo há uns 9 anos, onde se adaptou rapidamente à cena indie da cidade. Começou a gravar discos caseiros ( 9 ao todo: "Cochilândia", "Bolhas na Pleura", "Sangue de ET", entre outros), que distribuia gratuitamente aos amigos e interessados, chamando atenção pelas letras irônicas e bem humoradas. Quando finalmente calhou de lançar o primeiro disco oficial de estúdio, em 2009, não perdeu a verve: batizou-o de "Cristalina", por ser o "primeiro disco sem ruídos" de sua original carreira. Tanto o disco como a inclusão de suas músicas em trilha (Alice - HBO) e compilações estrangeiras ( Lulina tem uma extensa correspondência com a Europa - principalmente Glasgow) não rompeu seu espírito underground - ela nem cogita interromper sua produção caseira. E segue divulgando sua música com medidas certas de bossa, estranheza, Mutantes, suavidade, Ultraje, humor, Syd Barret, etc, etc., ao lado do comparsa Leo Monstro e banda e com seu jeito Lulina de sempre.
http://lulilandia.wordpress.com/
http://www.myspace.com/lulina
http://www.youtube.com/watch?v=d6kojs-KPKI
http://www.youtube.com/watch?v=7ShKoL6soYI&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=TY5D8GDRdfY&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=3Zgwm3dPHzA&feature=related

6 de junho de 2011

O mistério da "UBE" e o quase lançamento da revista Mônica em 1969

A Mônica, no início, e a capa da Mônica nº1 (Ed.Abril - maio de 1970)
Eu, que adoro chafurdar atrás de um assunto que me interessou, nesta semana fui, por incrível que pareça,  perseguido por um assunto. Explico. Tudo começou com o post sobre o Alain Voss. Ao pesquisar sobre ele, me deparei com um episódio que até então desconhecia: o suposto esquema de lançamento da revista Mônica, de Maurício de Sousa, pela União Brasileira de Editoras, a mesma que lançaria seu personagem Careca em revista própria, mas teve todo o projeto abortado ( a fonte é o blog do Roberto Guedes e a citação é do editor Franco de Rosa - veja aqui: http://guedes-manifesto.blogspot.com/2009/07/40-anos-de-o-careca.html . O ano:1969; ou seja, um ano antes do lançamento real de Mônica pela Editora Abril ( a revista saiu da gráfica de Victor Civita em maio de 1970 e logo se mostrou um sucesso editorial retumbante). Fiquei encafifado com essa menção, mas deixei quieto (eu  só o mencionei, no post do Voss). Na sexta passada, comprei a revista Mundo dos Super Heróis nº 27, com a surpreendente matéria de capa sobre Maurício de Sousa, em um amplo dossiê de 40 páginas (!). E lá, na entrevista com o mestre, feita por Manoel de Souza e André Morelli, o assunto reapareceu. O trecho da entrevista é esse:
Manoel: Parece que, quando você lançou a Mônica, pela Abril, ocorreu um salto na sua carreira e as coisas realmente começaram a acontecer...
Maurício: Em partes. Antes da Abril, eu já estava trabalhando com merchandising, estava entrando na área de desenho animado...a Abril foi parte do processo. Se eu não tivesse ganho prêmios no exterior, não tivesse com o merchandising estourando e publicando tiras em 300 jornais, não teria revista ainda. Um ano antes da Abril, eu já planejava lançar uma revista com outra editora. Mas os jornalistas que montaram essa editora tiveram problemas com a ditadura militar e acabaram presos.
Manoel: Que editora era?
Maurício: Não me lembro. Eles estavam começando, eram jornalistas ex-colegas meus. Só sei que foram presos e minha célula editorial foi desmontada. Eles sumiram e eu não sabia onde eles estavam. Foi um golpe duro.
Quando bati o olho nesse ponto da conversa, percebi que o assunto voltara pra me cutucar, mas não ficou só nisso não. No sábado, comprei em um sebo da minha cidade o livro "Panorama da Música Popular Brasileira na Belle Époque" (1977- Livraria Sant'anna) do magistral pesquisador Ary Vasconcelos (1926-2003) .Uma importante obra que resgata do limbo os músicos brasileiros do século XIX. E não é que ao ler o curriculum vitae do autor, o danado do assunto, mesmo em um livro sobre música, reapareceu? entre centenas de funções exercidas por Ary no meio jornalístico-editorial, está lá: Diretor de Redação da União Brasileira de Editores - UBE (1968-1969). O mesmo nome citado por Franco ( a única diferença é que no livro está Editores e no blog do Guedes, Editoras. A sigla é a mesma) e o mesmo período citado por Voss e Maurício. Bom, o assunto venceu pelo cansaço. Esses indícios me atiçaram e aqui estou eu. Dei uma sapeada na web, mas pelo visto esse tema precisará de uma boa pesquisada externa. Quem sabe o próprio Franco não tenha mais pistas. Juntando o que temos, dá pra se tirar uma conclusão: o que estava no terreno da "lenda", depois dessa declaração do Maurício, passou para o campo das possibilidades. A revista Mônica ( ou da turma da Mônica com outro título) quase saiu em 1969, por uma editora desconhecida- isso é fato, mas é só a ponta do iceberg. Quem eram os jornalistas da UBE? quais eram seus planos no campo editorial? além do Careca e Mônica, havia intenção de lançar outras revistas? como foi esse "desmanche"´da editora via ditadura? Vou atrás de mais pistas. Quem souber de algo, por favor, me ajude nesse resgate.

2 de junho de 2011

Compositoras Brasileiras (6) - Nina Becker

                                                                                                            Divulgação

A música de Nina Becker é camaleônica. Quando surgiu na Orquestra Imperial, por volta de 2002, cobrindo a ausência temporária da crooner Thalma de Freitas, aderiu ao formato multicolorido e alegórico da superbanda e por ali ficou. Veio das artes cênicas e produção de filmes publicitários, abriu ateliê cult de moda simultaneamente à orquestra, mas nunca mais abandonou a música. Também pudera - a escola em que entrou pela porta da frente não podia ser mais perfeita para sua formação prática: além da Thalma, tinha Kassin, Rodrigo Amarante, Moreno Veloso, Nelson Jacobina e seu filho Rubinho, entre tantos novatos e mestres. Durante os movimentados anos ao lado dos parceiros imperiais, começou a compor, e antes mesmo que gravasse essas canções autorais, foi considerada pela APCA como a melhor cantora de 2008 e uma das artistas mais influentes da sua geração, pela revista Bravo. Até que em 2010, finalmente veio á luz outros tons de Nina até então desconhecidos pelo seu público. De uma só tacada, a compositora lançou dois discos irmãos, o "Azul", gravado durante um ano, mais instrospectivo, contemplativo, sereno, e o "Vermelho", gravado ao vivo em estúdio em apenas quatro dias, mais imediato, mais recheado de instrumentos, mas tão delicado quanto. Das 20 músicas dos dois disquinhos, tem duas do Jorge Mautner/Nelson Jacobina (Samba Jambo no Azul e Lágrimas Negras no Vermelho), tem canções da novíssima geração e tem parcerias de Nina com os integrantes da aliada Banda do Amor e também com membros da Orquestra Imperial. Dois discos que embalam o ouvido como música de ninar, assobio de avô, violão no sofá, ambos longe, muito longe do agito carnavalesco d'antes. Mais uma prova de que Nina Becker tem cores de sobra em seu arco-íris particular.
 http://www.ninabecker.net/
http://www.youtube.com/watch?v=DkUIejKOszc&feature=related
Medo: http://www.youtube.com/watch?v=NCTPKwj0hyQ
Toc Toc: http://www.youtube.com/watch?v=4iOqkZKXNF8&feature=related
Ela Adora: http://www.youtube.com/watch?v=lr8AlOF1qno&feature=related
Pedido: http://www.youtube.com/watch?v=vM8lwx7Px94&feature=related
Janela: http://www.youtube.com/watch?v=8z6Qs72R2kI&feature=related
Lágrimas Negras: http://www.youtube.com/watch?v=9bFdzh91i2o&feature=related
Tropical Poliéster: http://www.youtube.com/watch?v=AllzIp--yEU
Madrugada Branca: http://www.youtube.com/watch?v=gpH2tF2I3F0&feature=related

27 de maio de 2011

Alain Voss (1946-2011)

Alain Voss foi um dos grandes quadrinistas da Metal Hurlant, mas no Brasil, onde viveu a maior parte de sua vida ( Voss nasceu na França, veio pequenino pra cá e no início dos 70 voltou pra Europa) as suas mais conhecidas "obras" são as duas capas que fez para os Mutantes: "Jardim Elétrico" de 1971, e "Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets", de 1972. Mas o artista já produzia para os quadrinhos desde os anos 60, em revistas como O Loco (Editora Taika - 1968 - nos moldes da Mad americana e antes da Mad Brasil) e personagens próprios como "O Careca" (1969). Esse último poderia ter sido bem mais conhecido na época, mas a União Brasileira de Editoras, que pretendia  lançar a revista do personagem e também a primeira edição de Mônica, desistiu de se lançar nos quadrinhos e todos os 8.000 exemplares de "O Careca" já impressos foram incinerados ( no ano seguinte, a Editora Abril lançou Mônica). "O Careca" só foi ressucitado em 1995, em edição facsimilar do Comix Club. Depois de estourar na França nos anos 70, com fantásticas histórias sci-fi na Metal Hurlant via Les Humanoides Associés (onde se tornou amigo pessoal de Moebius) e álbuns avulsos de grande sucesso, Voss voltou ao Brasil em 1981, publicando HQ na Inter-Quadrinhos ( Editora Ondas) e na efêmera revista "Monga, a Mulher Gorila" (Press-Maciota). Entre trabalhos publicitários e editoriais diversos, ganhou dois prêmios HQ-Mix: em 1988, como "melhor desenhista nacional" e 1989, por "melhor exposição". Em 2001, o Itaú Cultural promoveu o evento "Anos 70: Trajetórias", destacando o trabalho de Voss ao lado de Roberto Crumb, Paulo Caruso, Angeli, Flávio e Laerte. Nos últimos anos, criou quadros, ilustrou capas de discos e livros e mesmo debilitado por um AVC sofrido em 2009, colaborou com a edição brasileira do Le Monde Diplomatique, produziu a HQ  "Anarcity" no computador e lançou as tiras "Os Zensetos" para  Caros Amigos. Alain Voss faleceu no dia 13 de maio em Portugal, onde morou por anos. No dia 16, Rita Lee twittou em sua homenagem: "Alain Voss era um artista gauche. Sarcástico e irônico. Perdia o amigo mas ñ perdia um deboche cruel. Tenho vários quadros da época Mutante".
Galeria "Alain Voss":
Capa do LP "Jardim Elétrico" dos Mutantes (1971)
"O Careca" - a revista original de 1969 não foi lançada

"Heilman"de 1978
Capa "Inter-Quadrinhos" - 1981
"Parodies" - série que virou álbum na Europa

"Mutantes e Seus Cometas no País dos Baurets' (1972)

26 de maio de 2011

"20 anos Gibiteca Henfil"

Começou no dia 19 deste mês no Centro Cultural São Paulo a mostra "Henfil nos 20 anos da Gibiteca". Intercalando imagens de duas exposições famosas, "Henfil Baixou Aqui" ( apresentada no Salão de Humor de Piracicaba logo após sua morte) e “Henfil – Vida e Obra”, coletânea de diversos personagens criados pelo artista e charges políticas e esportivas ( por anos, Henfil desenhou no Jornal dos Sports do Rio e também na revista Placar), a mostra é um verdadeiro mergulho na obra incomparável do mestre mineiro, patrono da gibiteca. Como de praxe, Ivan Cosenza, filho e herdeiro de suas obras, organizou e produziu a exposição, que vai até 17 de julho e é grátis.

"20 anos Gibiteca Henfil"
Data: de 19/5 a 17/7
Horário: de terça a sexta das 10h às 20h e aos sábados e domingos das 10h às 18h
Local: Centro Cultural São Paulo - CCSP
End.: Rua Vergueiro, 1000 – Paraíso - próximo à Estação Vergueiro do Metrô - centro - São Paulo
Preço: entrada gratuita
Tel.: (11) 3397-4002
http://www.centrocultural.sp.gov.br/

25 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(5) - Anelis Assumpção

Anelis Assumpção - que responsa - é filha do inesquecível Itamar Assumpção, o homem que revirou de ponta cabeça a MPB na virada dos 70 pros 80. Mas não é que esse DNA todo, nesse caso, só ajudou? Pai e filha tem muita coisa em comum: a poesia concreta/urbana/urgente; a mensagem desafiadora; os arranjos desconstruídos, entre o jazz, o pop e a MPB tradicional. Somam-se a essas atávicas semelhanças, a sua privilegiada vocação vocálica, o dub impassível, a suavidade insuspeita e o distanciamento natural da sua atualidade, que a mantém imune a rótulos absurdos que lançavam maldição às gerações passadas. Da sua geração, só faltava ela lançar disco solo ( as suas ex-companheiras de DonaZica, Andréia Dias e Iara Rennó já debutaram). Não falta mais: seu CD/LP "Sou Suspeita, Estou Sujeita, Não Sou Santa" (imagem acima) está na boca do forno e seu lançamento está marcado para o início de junho ( ouça ele inteiro no link abaixo). A demora tem justificativas fortes: a compositora maturou suas canções enquanto produzia a antologia definitiva da obra de seu pai, "Caixa Preta" ( com todos os discos de carreira + dois inéditos). E o destino fez mais. Itamar havia prometido produzir o primeiro disco da filha mais velha, se em contrapartida ela o ajudasse a botar toda a sua discografia em dia. E mesmo com seu falecimento em 2003, tudo aconteceu como prometido: com o dinheiro da "Caixa Preta", Anelis conseguiu bancar as gravações e a produção de seu disco - de uma maneira ou de outra, o pai cumpriu seu trato também. E a faixa de abertura é de quem? ele, Itamar Assumpção, claro. Abrindo clareira pra filha, prestes a lançar um dos discos do ano.
http://www.anelis.com.br/
http://www.facebook.com/pages/Anelis-Assump%C3%A7%C3%A3o/112958915387280
http://www.youtube.com/watch?v=mnBPEPGAWpM
http://www.youtube.com/watch?v=9lLhvNidFiE&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=adhT1gM5PKo&feature=related

21 de maio de 2011

A Banda Mais Bonita da Cidade

Os vídeos campeões de audiência no Youtube geralmente focam três situações: o cômico, o ridículo ou o polêmico. Pois A Banda Mais Bonita da Cidade conseguiu entre ontem e hoje uma proeza incrível: o clip caseiro produzido pela banda incluindo uma dezena de amigos músicos em um casarão centenário no interior do Paraná, já está neste momento em que escrevo, alcançando 500.000 visualizações. A canção "Oração" é bonitinha, simples sem ser simplória e emotiva na medida, daquelas que ficam ressoando na cabeça. Mas o toque mágico de tudo foi a filmagem, gravada em plano-sequência, que conseguiu capturar uma espontaneidade rara de se ver nesses tempos tecnológicos e cínicos. A banda é formada por Uyara Torrente (vocal), Vinícius Nisi (violão, teclado e piano infantil), Rodrigo Lemos (banjolele e guitarra), Diego Plaça (violão e baixo) e Luís Bourscheidt (percussão e bateria). O cara que inicia o vídeo com o gravador na mão e anda pela casa é Leo Fressato, o compositor da canção. A coisa bombou de uma maneira, que muitos veículos correram para entrevistar a turma ( veja abaixo a da Marie-Claire, com o tal vídeo da banda e mais duas gravações na mesma casa). Só espero que essa "fama" instantânea não estrague justamente o melhor deles: a alegria de fazer música.
http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI234865-17642,00-VINICIUS+NISI+INTEGRANTE+DA+BANDA+MAIS+BONITA+DA+CIDADE+QUE+VIROU+HIT+NA+IN.html

19 de maio de 2011

12/05/2011: Waters, Gilmour e Mason no mesmo palco

O dia: 12 de maio de 2011. O local: 02 Arena em Londres. O show: turnê 2011 de Rogers Waters. Os três remanescentes da formação original do Pink Floyd, Roger Waters, Nick Mason e David Gilmour ( dois fundadores, Syd Barret e Richard Wright, já faleceram) subiram ao palco para uma verdadeira celebração junto ao público. O momento foi emocionante e não foi pra menos: eles não tocavam juntos desde o Live 08 em 1995, ou seja, 16 anos antes ( o tecladista Richard Wright também estava naquela apresentação). Os três tocaram juntos apenas duas vezes em 30 anos. O encontro começou com uma apresentação já ensaiada de Gilmour ( nas alturas do grande muro de Waters), mas a entrada de Mason, em seguida, foi totalmente espontânea, propiciando um desfecho perfeito. Quem sabe, os três não gravam material novo, depois de longos invernos de isolamento?

Seguem as cenas do grande encontro ( registros de celulares, claro) e uma matéria original da Rolling Stone.com, traduzida pela Nathália Plá da Whiplash.
http://whiplash.net/materias/news_851/130393-pinkfloyd.html
http://www.youtube.com/watch?v=-L42YTWSJtI
http://www.youtube.com/watch?v=TTHX6VsU2ZA

18 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras -(4)- Andréa Dias

Andréa Dias era pra estar aqui faz tempo, mas antes tarde do que nunca. Ela sem dúvida é uma das mais autênticas compositoras dos últimos anos, mesclando com convicção humor, sarcasmo, ironia,  em crônicas cotidianas de amores e dissabores existenciais e sociais. Se Andrea cantasse lá nos idos dos oitenta, Itamar Assumpção lhe daria aval - sua música tem samba de breque, atonalidades e espírito rock e a poesia corajosa de suas letras mistura lirismo com marcas de medicamentos. E desde que lançou o autoral "Vol.1" em 2007, vem embasbacando sua classe. Fez parte da Banda Glória e da DonaZica, teve uma breve passagem pela Farofa Carioca do Seu Jorge, antes do estouro, e desde o primeiro disco, vem tocando e gravando com meio mundo do meio: Fernando Catatau, Marcelo Jeneci, Oswaldinho da Cuíca, Zeca Baleiro, Arrigo Barnabé, TomZé, Zélia Duncan, Jair Rodrigues, entre outros. O "Vol 2" veio em 2010, mais uma vez com todas as composições suas.Engatou shows em Sevilha e Paris.Participou de coletâneas internacionais. Andréa tem uma vida tão intensa quanto sua carreira: ex-evangélica, saiu de casa aos 17 e caiu no mundo. Virou garçonete, babá, fez bicos, morou na casa de amigos, perambulou pelo mundo, passou fome, até que em um bar que trabalhava, sua voz agradou o dono, que lhe deixou cantar para os clientes. Misturou no repertório, sua musa Janis Joplin, os maçetes do coral da igreja que frequentava e as quebradas do samba de breque. Deu em tudo isso. E Andréa Dias quer mais.
"O Fio da Comunicação" - http://www.youtube.com/watch?v=_6JdJEiUV-4
"Homem" - http://www.youtube.com/watch?v=J_R3blpq36E&feature=fvwrel ( essa música foi composta por Andrea logo depois de ouvir do ator Paulo Cesar Pereio que "mulher boa é mulher morta")
"Asas" e "Bode" - http://www.youtube.com/watch?v=jhC3llLNdO4&feature=related
"Retrato" - http://www.youtube.com/watch?v=Lelar9jvvlk&feature=related

Paulo Leminski e os quadrinhos

Eu leio muito sobre HQ, e muitas vezes me deparo com personalidades da cultura e das artes que receberam influência dos quadrinhos em suas formações. Quando li na última semana um trecho sobre Paulo Leminski no livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", do incansável pesquisador Gonçalo Júnior, me veio o estalo: vou começar a postar essas referências! primeiro, porque geralmente partem de figuras que a priori não imaginamos que um dia foram fãs de gibis; e segundo, porque eses registros formarão um painel interessante para futuras consultas. Os quadrinhos, ao que parece, finalmente estão se firmando como arte e entretenimento sério aos olhos da sociedade. HQ nunca foi coisa só para criança, embora forças externas ( igreja, governo, pais, escola) sempre a colocassem como vilã, má influência e subliteratura. Da minha geração, de cada 50 amigos ( e a minha velha tchurma tinha por volta disso mesmo), cinco liam quadrinhos às vezes e outros cinco liam com frequência. 40 deles sequer tomaram conhecimento ou não puderam acompanhar as artes sequenciais impressas. Muitos pais rasgavam as revistinhas, muitos padres faziam discursos contra, muitos professores condenavam. Hoje - até que enfim - a diferença entre quadrinhos adultos e infantis está muito clara. Do começo do seculo XX até o início da década de 1980, fã de quadrinho era que nem sambista ( dos anos 20 aos 50) ou roqueiro (dos anos 60 aos 80) - invariavelmente tachado de vagabundo. Gibi deixava a mente preguiçosa. Grandes fãs desta nobre arte, principalmente jornalistas e fanzineiros, conseguiram reverter essa pecha e hoje livros, graphic novels e revistas de luxo repousam triunfais nas prateleiras das livrarias. O que precisa-se agora é salvar a velha banca de jornais e as revistas populares - mas essa é uma outra estória. Fiquemos com o Leminski, que abre essa série.

"... a jornalista e poetisa Alice Ruiz tornou-se editora de Horóscopo Rose, com circulação mensal, que teve em seu marido, o poeta Paulo Leminski (1944-1989), um colaborador importante e assíduo. Principalmente na produção de roteiros para histórias em quadrinhos sobre o tema. Leminski era um apaixonado por histórias em quadrinhos desde a infância. Adorava ler gibis durante a madrugada. De preferência, de terror, da La Selva. Não perdia um número de O Terror Negro, Histórias do além e Sobrenatural. "Ele tinha um certo fanatismo pelos quadrinhos de horror. Quando nos conhecemos, possuía uma pilha de gibis que vinha colecionando desde menino", relembrou a ex-mulher. A mãe do poeta lhe contou que era comum, na alta madrugada, ela acordar e ver luz no corredor. Como dormia no mesmo quarto do irmão, Paulo não acendia a luz para não acordá-lo. Quando todos iam dormir, ele pegava os gibis e virava a noite no corredor."
( trecho do livro "Guerra dos Gibis 2 - Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar", de Gonçalo Júnior - Editora Peixe Grande - 2010).
ps: só para situar, esse trecho se refere ao momento em que a Grafipar, famosa editora de Curitiba, estava iniciando sua produção nos quadrinhos e em poucos anos faria história nesse gênero.Leminski e Alice Ruiz colaboraram com a editora nesse período.

13 de maio de 2011

Toninho Spessoto (1958-2010)

Eu soube muito depois sobre seu falecimento, mas não importa. O Rick Berlitz me avisou meses depois que Toninho Spessoto, um dos maiores jornalistas musicais do país tinha falecido em 23 de dezembro de 2010. Além da data ingrata, perto do Natal, a internet, com sua enxurrada de informações para todo o lado, traz tanto lixo e inutilidade, que na filtragem final algumas notas cruciais acabam invisíveis. Jornalista quase não escreve sobre jornalista ( que bobagem!) e poucas notas sairam a respeito do seu falecimento. Não deveria ser assim. Spessoto foi um dos críticos mais apaixonados por música e arregimentou durante a vida muitos amigos no meio, principalmente entre os músicos independentes, categoria que ele defendeu e colocou como prioridade em suas batalhas profissionais. Além de crítico e jornalista, foi radialista, produtor e até arriscou-se em algumas composições, como membro do Clube Caiubi ( link abaixo). As suas contribuições ao jornalismo musical em 30 anos de carreira são infindáveis: colaborador da Bizz, revista Sucesso, Rolling Stone, JB, Portal Imprensa; editor da Rádio Pool e Bandeirantes; colaborador da Rádio Alvorada de Belo Horizonte e Juiz de Fora, produtor da AllTV. Nos últimos tempos, além do seu imprescindível blog Acordes ( desde 2007), também fazia os programas  “Fora de Série” e “Papo de Músico”, na Rádio USP. Nesses tempos de preconceitos gratuitos e relações glaciais, foi antes de tudo um grande apreciador da "boa música", fosse o gênero que fosse, e sempre dava uma força para talentos escondidos nos subterrâneos do brutal mercado musical. Nos meus tempos de Dedoc Abril, vi muito o Toninho tomando café e pesquisando suas pautas, sempre com seu jeito tranquilo e discreto. Ele já está fazendo uma falta danada.
http://blogacordes.blogspot.com/
http://clubecaiubi.ning.com/profile/toninhospessoto
http://www.dicionariompb.com.br/toninho-spessoto/dados-artisticos
http://emiliopacheco.blogspot.com/2010/12/toninho-spessoto.html

Hard Rock Cafe argentino traz a a história por trás da música

Esses chamativos e bem urdidos pôsteres acima são criações da Y&R de Buenos Aires para campanha fresquíssima do Hard Rock Cafe argentino, intitulada There's a story behind every song (Há uma história por trás de toda canção). As três clássicas canções escolhidas são transportadas para a linguagem dos quadrinhos em uma bem amarrada sequência de ilustrações alusivas tanto à letra da composição como à própria vida do criador. Na transposição de Tears in Heaven de Eric Clapton, a letra autobiográfica que narra a triste e real história do filho de Clapton, que morreu aos 4 anos após cair do 53º andar do seu apartamento em Nova York, transforma-se em quadros sem balões ou legendas, intercalando cenas do nascimento da criança, o relacionamento pai e filho, as excursões e ensaios paralelos, o acidente fatal, a reação emocional imediata de Clapton e a criação da música neste turbilhão todo. Let it Be, assinada por Lennon-McCartney, mas cria inconteste de Paul, traz em sua versão folder o início rock and roll da banda mais famosa do mundo, passando pela beatlemania, as polêmicas e buscas do quarteto, o momento de inspiração/revelação de Paul,, a fuga de John para Yoko e a inexorável dissolução da banda depois de conflitos internos e desavenças. O painel ilustrado de Redemption Song vai mais longe ainda, ao resgatar o passado africano, a escravidão e luta do povo, a tradição rastafári vinda de lá, o início do reggae e dos Wailers, a carreira e o sucesso solo de Marley e até a referência ao seu dedo machucado em uma pelada no Brasil, mal curado, que acabou progredindo para um câncer e levando o compositor em 1981.  Uma bela campanha, que muito além do apelo comercial, faz uma grande homenagem à música.

11 de maio de 2011

Mais uma bela homenagem em animação do Google

Hoje na página inicial do Google, mais uma bem feita homenagem em animação à uma figura importante da história das artes. A personalidade em foco desta vez é a revolucionária dançarina americana Martha Grahan (117º aniversário), em animação realizada por Ryan Woodward, ilustrador especialista em storyboards.

Acompanhem o Doodle animado e sua pré-produção:
http://googlediscovery.com/2011/05/10/google-faz-doodle-animado-em-homenagem-a-martha-graham/

9 de maio de 2011

Compositoras Brasileiras 2011 -(3)- Simona Talma

O cenário musical do Rio Grande do Norte anda fervilhando desde a década passada, e muito dessa alta temperatura tem a ver com grandes talentos autorais que em um determinado momento resolveram unir forças e mostrar suas criações. Na cidade de Natal, além do Policanto, evento em que um artista convidado canta o repertório de um artista homenageado, outro projeto crucial, o Retrovisor, pensado em 2005 e desenvolvido em 2008 por Valéria Oliveira, Luiz Gadelha, Khrystal, Ângela Castro e Simona Talma, não só uniu composições dessa turma, como conseguiu lançar a música potiguar para outras esferas. Todos fizeram música com todos. Se a mentora Valéria já era uma grande referência para o grupo, depois de brilhar como intérprete no Japão desde os anos 90 ( onde lançou quatro discos), além de Suíça e EUA , e cantar ao lado de ícones como Edu Lobo, Hugo Fattoruso, Mário Adnet e João Bosco, entre outros, foi depois de se voltar para seus conterrâneos que finalmente conseguiu mostrar com mais convicção sua porção autoral iniciada em 2005 - postura que manteve até hoje. Khrystal lançou um excelente disco em 2007, "Coisas de Preto" e com a música homônima e outras de sua autoria à  tiracolo, escancarou seus vários talentos: cantora, violonista, guitarrista, pandeirista, pesquisadora de ritmos, encantando Guinga, Aldir Blanc e Tárik de Sousa, que a trouxe ao Rio. Ângela Castro, nascida em Porto Velho, mas desde 2000 em Natal, invadiu festivais e eventos com sua banda Rosa de Pedra, que lançou disco homônimo no ano primeiro do Retrovisor e assim como Khrystal, tocou em especial da Globo . E Simona Talma, talvez a mais inquieta de todas, já partiu para o autoral logo no seu debut ( "A Moça mais Vagal que Há"), gravado em 2005 mas só lançado no benfasejo ano de 2008. Com ares carregados de blues, rock e jazz, a compositora deslavadamente emociona quem a ouve. E não para: além de banda infantil (Trem Fantasma) e programa de vídeo no youtube (Microondas), lançou no ano passado ao lado do onipresente Luiz Gadelha ( o responsável por fazê-la cantar) o disco "Matando o Amor". A moça é matadora mesmo.
Todas as citadas aqui merecem destaque nesta série "Compositoras", mas resolvi deixar a instigante Simona Talma representando todas elas. A magnífica Valéria Oliveira, já com duas décadas de carreira, merecerá um post à parte em breve; Khrystal já venceu festival ( com música sua e de Simona), ganhou prêmos importantes, mas meu feeling diz que ela ainda vai lançar um grande disco entre este ano e 2012 - prefiro aguardar até lá. Ângela Castro ainda é uma integrante de banda e eu preferi não dissociá-la dela - merecerão post próprio com certeza. Simona Talma, é com você:


#Projeto Incubadora: http://www.dosol.com.br/2011/02/11/projeto-incubadora-simona-talma-e-luiz-gadelha-em-estudio-processo-de-gravacao/ 
# Gargalo: http://www.youtube.com/watch?v=_YNXrwBRU9A&NR=1   
# Eu te peço um Verso: http://www.youtube.com/watch?v=u7P0BUTxYNg&feature=related
# Dito Blues: http://www.youtube.com/watch?v=0OOPRx-m_mY&feature=related
# Confio a um Blues: http://www.youtube.com/watch?v=wOzHOBLRRQ8&feature=related
# O Roqueiro e a Hippie: http://www.youtube.com/watch?v=MNOahP-elbE&feature=related

29 de abril de 2011

In-Edit Brasil 2011: documentários musicais para todos os gostos

Desde ontem rola em São Paulo o plural "In-Edit- 3º Festival Internacional do Documentário Musical", com mostras e exibições competitivas de filmes documentais sobre o amplo universo da música.

Na ala brasileira da mostra, a variedade chama atenção. Tem muito samba ( "Cartola - Música para os Olhos", "O Samba que Mora em Mim") mas também tropicalismo ( "Os Filhos de João"), baião ( "O Homem que Engarrafava Nuvens", sobre o parceiro de Luiz Gonzaga, Humberto Teixeira), pífanos no Nordeste ("O Mundo Encantado de Zabé da Loca"), rock nacional ( com filmes já conhecidos de Paralamas e Titãs), entre outros. No bloco internacional a pegada é mais roqueira: tem os ingleses clássicos do The Kinks (("Do It Again"), Sex Pistols ("Who Killed Nancy?") , o interessante perfil de um símbolo do rock pesado ("Lemmy"), e filmes consagrados das maiores bandas do Reino Unido, "Gimme Shelter" e "Get Yer Ya-Ya’s Out" (ambos dos Rollings Stones) e ''What''s Happening! The Beatles in USA'', de1964 (além de "LennonNY", sobre a vida de John Lennon em Nova York).
A terceira edição do festival também faz homenagens a três cineastas, que terão mostras especiais: o espanhol Carlos Saura ( que abrirá o festival com seu "Flamenco, Flamenco"-2010), o norte-americano Albert Maysles ( do já citado filme dos Beatles) e o brasileiro Andrucha Waddington (diretor de ''Paralamas Em Close Up: Uma Breve História Do Rock Brasileiro''-1998)
O festival, com mais de 70 produções ligadas ao universo musical, acontece em São Paulo (de 28/04 a 08/05) e no Rio de Janeiro (de 06/05 a 12/05). Em São Paulo, os locais, preços e os contatos são estes, logo abaixo do site oficial do evento:
http://in-edit-brasil.com/2011/ 
 
In-Edit Brasil – 3º Festival Internacional do Documentário Musical

28 de abril a 8 de maio

MIS
Avenida Europa, 158
Entrada Gratuita
Telefone: (11) 2117-4777
Mostra Panorama Brasileiro

Galeria Olido
Avenida São João, 473
Valor do ingresso: R$ 1 (inteira)
Telefone: (11) 3331-8399
Mostras Panorama Brasileiro e Panorama Mundial

Cinesesc
Rua Augusta, 2.075
Valor do ingresso: R$ 4 (inteira)
Mostra Panorama Mundial
Telefone: (11) 3087-0501

Cine Livraria Cultura - Sala 2
Av. Paulista, 2.073
Valor do Ingresso: R$ 10 (inteira)
Telefone: (11) 3285 3696
Mostra Panorama Mundial

Matilha Cultural
Rua Rego Freitas, 542
Entrada gratuita
Telefone: (11) 3256-2636
Mostras Panorama Brasileiro e Panorama Mundial

As atrações confirmadas para o Rock in Rio 2011

Confiram no link oficial abaixo, quais são as atrações confirmadas para o Rock in Rio 2011, que acontecerá em outubro no Brasil, depois das últimas edições no exterior.
http://www.rockinrio.com.br/lineup/

Compositoras Brasileiras 2011- (2) Roberta Campos

Essa mineira de Caetanópolis, radicada desde 2004 em Sampa, adentrou 2011 com tudo. Depois de gravar, produzir, arte-finalizar e lançar seu disco independente de estréia ( "Para Aquelas Perguntas Tortas" - 2008), que acabou conquistando a Rádio Nova FM com a faixa "Mundo Inteiro", e receber elogio sincero de um de seus ídolos (“É para gente como Leandro Tavares ou a Roberta Campos cantar, que eu componho” - Marcelo Camelo na revista Rolling Stone), Roberta Campos finalmente vem conquistando seus louros de batalha com a turnê de seu último CD "Varrendo a Lua" (2010- Deckdisc - também em vinil pela Polyson), que tem a providencial participação de Nando Reis na faixa "De Janeiro a Janeiro". Aos 33 anos (que a cara de menina não revela), e mais de 200 composições (!) com influências várias, de Beatles e Clube da Esquina a Legião Urbana e Damien Rice, Roberta chega merecidamente aos ávidos ouvidos que ainda não a conheciam Brasil afora.
http://www.myspace.com/robertacampos
http://www.youtube.com/watch?v=dnnk4ZJOGls
http://www.youtube.com/watch?v=QnyHDxYNZiw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=PE4xiVzaMwg&feature=watch_response
http://www.youtube.com/watch?v=HprOoyggqCM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=8nOEO7Hm7rg&feature=related

27 de abril de 2011

Quem é Quem: Compositoras Brasileiras 2011 - (1) Bruna Caram

Já faz um ano que eu postei aqui no blog uma seleção de 20 compositoras que estavam despontando neste século (http://almanaquedomalu.blogspot.com/2010/04/quem-e-quem-as-novas-compositoras.html  ) . A repercussão foi incrível e eu prometi que neste ano eu repetiria a dose. Se naquela ocasião, eu retirei as escolhidas de um bloquinho que eu carregava pra todo lado e que vinha recheado de nomes que vinham chamando minha atenção desde 2007, agora a tarefa está mais fácil. Nesta seleção atual incluí algumas compositoras que não entraram na lista anterior por falta de espaço e outras que durante este período de um ano caíram em meus ouvidos ou me foram sopradas. O intuito dessa serie é o mesmo: mostrar que este nosso Brasil, por mais que a TV aberta e a maioria das rádios insistam em esconder, ainda é um país repleto de talentos natos e originais, e principalmente, mantendo a tradição de grandes criadoras como Rita Lee, Joyce, Luli e Lucina, entre tantas outras, um celeiro de maravilhosas compositoras-intérpretes. A única diferença é que neste ano vou postar uma artista por vez, nos próximos dias. Deleitem-se...

1- Bruna Caram

Embora tenha iniciado carreira solo em um disco só com músicas de Otávio Toledo e parceiros letristas (Essa Menina - 2006), Bruna entrou de corpo, alma e voz ao projeto, o que lhe rendeu elogios rasgados e pelo menos uma música alçada a um  patamar cult ( Palavras do Coração - Otávio Toledo/ J.C. Costa Netto). Esse grande debut abriu clareiras e possibilitou à cantora um vôo mais solto no disco seguinte, "Feriado Pessoal", de 2009, com versões acaloradas de Guilherme Arantes, Lô Borges e Caetano Veloso, sublimes composições contemporâneas,  além da música que deu nome ao álbum, de sua autoria. Pelos seus antecedentes ( a avó foi cantora de rádio, o avô é violonista) e pelos passos firmes atuais ( recém formada em música pela UNESP), Bruna Caram tem tudo para continuar encantando como intérprete e oxalá, nos presenteando com novas composições.
http://www.brunacaram.com.br/
http://www.youtube.com/watch?v=CybFAalDP_w&feature=related  
http://www.youtube.com/watch?v=6ql_TGBTOvo&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=JYGM4CGvimM&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=xdZCPhjYtUg&feature=related

19 de abril de 2011

Ballet Stagium homenageia Adoniran Barbosa em São Caetano

O aclamado grupo de dança Ballet Stagium traz espetáculo na quarta-feira (20/04), no Teatro Santos Dumont em São Caetano, homenageando o centenário do compositor paulista Adoniran Barbosa. Utilizando o bom humor peculiar do homenageado e aproveitando a deixa para se aprofundar na cultura brasileira, o grupo fará uma apresentação leve e com foco principalmente nos jovens, que desconhecem a rica obra deste que foi um dos mais geniais cronistas urbanos do século passado.
Teatro Santos Dumont
Av. Goiás 1.111, Centro - São Caetano do Sul
Dia 20/04 ( Quarta-feira) às 20 horas
Valor: R$ 10,00
Classificação indicativa: 12 anos

Escher chega à São Paulo

A exposição " O Mundo Mágico de Escher" chega à São Paulo hoje, depois de passar por Rio e Brasília no ano passado. Grande oportunidade de apreciar a obra fantástica deste artista considerado o "mestre do ilusionismo". Vejam mais no Tripicalistas.
http://tripicalistas.blogspot.com/2011/04/o-mundo-magico-de-escher.html

18 de abril de 2011

A "maratona Beatles" da Virada Cultural

A Virada Cultural de São Paulo deste ano teve um público recorde de 4 milhões de pessoas e momentos inesquecíveis como o emocionante encerramento com Paulinho da Viola. Um dos palcos mais disputados foi o que homenageou os Beatles: uma das melhores bandas covers do quarteto de Liverpool, a Beatles 4ever permaneceu no palco por 18 horas, em uma maratona que rendeu a execução na íntegra de 15 álbuns da banda inglesa ( um duplo e duas coletâneas), perfazendo mais de 220 músicas. O Beatles 4ever já andou fazendo maratona semelhante. No dia 08 de setembro de 2007, a banda tocou os 15 álbuns da discografia original dos Beatles em evento no teatro do Hotel Crowne Plaza, com início às 10:00h da manhã e término às 02:00h da manhã do dia seguinte (16 horas de show).
Eles já estão no Guiness, mas isso não desfez o espírito maratonista da banda, que continua com seus projetos incansáveis.

Os discos e os horários ( aproximados) da maratona:
18h - Please, Please Me - 1963

19h - With the Beatles- 1963
21h - A Hard Days Night - 1964
22h30 - Beatles For Sale - 1964
0h - Help! - 1965
1h30 - Rubber Soul - 1965
3h - Revolver - 1966
4h30 - Sgt. Pepper’S Lonely Hearts Club Band - 1967
6h - MagicalMistery Tour - 1967
7h30 - Yellow Submarine - 1967
9h - White Album Vol. 1 - 1968
10h30 - White Album Vol. 2 - 1968
12h - Let It Be - 1969
13h30 - Abbey Road - 1970
15h - Past Masters Vol.1 - 1988
16h30 - Past Masters Vol.2 - 1988

15 de abril de 2011

Google homenageia Chaplin com vídeo-paródia

O genial Charles Chaplin, completa 122 anos de nascimento amanhã (16), mas o Google disponibilizou hoje para alguns países, um Doodle especial de aniversário que parodia os filmes do cineasta/ator/produtor/músico em cenas hilárias e claro, mudas.
Curtam:
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=3NGSU2PM9dA

10 de abril de 2011

Lula Côrtes: vida e obra de um multiartista

O raríssimo "Paêbiru"
No dia 26/03 faleceu Lula Côrtes, uma lenda das artes, pioneiro na psicodelia e na fusão rock/ritmos nordestinos. Em três momentos cruciais da história cultural nordestina dos anos 70 lá estava ele: em 1972, ao gravar com Laílson ( hoje artista do traço) o cultuado LP "Satwa", pela gravadora Rozemblit; ao produzir e criar a arte da capa do incensado "No Sub Reino dos Metazoários" de Marconi Notaro, de 1973; e ao finalizar um ano depois, junto à Zé Ramalho o viajante álbum duplo "Paêbiru- O Caminho da Montanha do Sol", um dos discos mais raros do Brasil por um fato insólito: após enchente do Rio Capibaribe que inundou as instalações da gravadora pernambucaca Rozemblit, poucas cópias do LP foram salvas, e hoje são vendidas a preços estratosféricos ( média de R$ 2000,00).

Arte de capa de Lula Côrtes para o disco de Marconi Notaro (1973)
Todas as três obras acima são pedras fundamentais do movimento psicodélico brasileiro e tiveram parca distribuição e participação contínua de um grupo blindado do underground nordestino que modificou o modo de se fazer música no Nordeste, contando além de Zé e Lula, com Geraldo Azevedo, Alceu Valença,  Robertinho do Recife, Ivinho, Zé da Flauta, Paulo Raphael, entre outros. Não por coincidência, os três trabalhos chegaram a liderar a lista de discos mais vendidos na categoria World Music quando lançados em 2008 por uma gravadora independente americana, Time-Lag Records. No Brasil (oh, que novidade), necas, never, jamais foram lançados em CD. Aliás, um dos grandes desejos de Lula Côrtes era justamente o lançamento digital de Paêbiru.
Zé Ramalho, Alceu Valença e Lula Côrtes, no Festival Abertura ( 1975)
Passado esse período fértil da metade dos anos 70, Côrtes prosseguiu em suas andanças artísticas, unindo sempre música, pesquisa, artes plásticas e poesia. Depois de participar ao lado de Alceu Valença e Zé Ramalho do Festival Abertura de 1975,  concluiu nos anos seguintes as gravações de "O Gosto Novo da Vida", "Rosa de Sangue", "A Mística do Dinheiro", "O Pirata" (nenhum destes discos foram lançados comercialmente), "Nordeste, Repente e Canção" ( Gravadora Marcus Pereira) e "Lula Cortes & Má Companhia" ( só este último com distribuição em CD). Nos anos 90, chegou a frequentar a geração manguebeat, e voltou a fazer shows e a gravar -  formou bandas de blues, como a Bluebróders, e participou do CD "A Turma do Beco do Barato", que reuniu vários músicos que fizeram a cena underground do Recife nos anos 70.
Na literatura, iniciada ainda em 1972 com " O Livro das Transformações" contribuiu com diversos lançamentos de prosa e poesia, seja em edições artesanais ou audio-books; nos últimos anos, além do cargo de assessor de cultura na cidade de Jaboatão(PE), se lançou profundamente nas artes plásticas, culminando no ano passado com aquarelas retratando o cotidiano dos habitantes e os aspectos históricos e ecológicos da cidade, material que se tornou parte da exposição "Fragmentos", com 35 aquarelas, aberta em setembro. o artista lutava contra o câncer há cinco anos, mas trabalhou até o fim, finalizando concertos musicais, pintando, tocando, cantando e recitando. Nada mais natural para um multiartista como Lula Côrtes.

"Paêbiru", com a capa aberta
Seguem alguns links pertinentes sobre Lula Côrtes:
# matéria ótima da Rolling Stone Brasil sobre o lendário disco Paêbiru:
http://www.rollingstone.com.br/edicoes/24/textos/agreste-psicodelico/
# Algumas músicas do Paêbiru:
http://www.youtube.com/watch?v=f97VehyBVEg&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=Rw-ewq7Qr2c&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=I-P4SuYmdsw&feature=related
http://www.youtube.com/watch?v=o2_q7ksZpQw&feature=related
# Lula Côrtes ( tocando tricórdio!!!) ao lado de Alceu Valença, Zé Ramalho e parte do grupo Ave Sangria ( veja ficha do vídeo) em vídeo produzido pela Globo para o Festival Abertura ( "Vou Danado pra Catende"- 1975):
http://www.youtube.com/watch?v=rnc84s-i3ew
#A música "Desengano", de sua autoria, hit da geração politizada nos anos 70 e 80 no Recife:
http://www.youtube.com/watch?v=DLFr6nXFhe0

1 de abril de 2011

Uma das mais hilárias histórias da turma da Mônica de volta às bancas

Quando comprei nesta semana a "Coleção Histórica Turma da Mônica nº 22"  e segurei na mão o Cebolinha fac-similar nº22, com o personagem-título às voltas com um disco-voador na capa, voltei à outubro de 1974, quando eu contava 7 anos completos e comprei este mesmo gibi na banca do meu bairro, perto do Rhodia ( atual Coop) graças aos trocados de minha incentivadora mãe. Conforme ia folheando a revistinha, todas as histórias, com seus detalhes, paisagens e nuances, brotavam com força de algum escaninho da minha memória. Então na página 30, eis que me aparece "Os Abobrinhas", uma das histórias mais hilárias da turma da Mônica e que eu considero uma das melhores de todos os tempos, ao lado de "Átila, o Engraxate", "Mônica é Daltônica?", entre outras. O roteiro de Márcio de Sousa pega carona nos Secos & Molhados, a grande febre da época, que tomou conta de todas as gerações, incluindo os pequeninos como eu. Além da maquiagem dos "Abobrinhas" ( Cebolinha e Cascão), há outras referências ao grupo de Ney Matogrosso e do movimento glam rock: o primeiro quadro já abre com Cebolinha ouvindo "O Vira" ( "O gato preto cruzou a estrada..."), sucesso estrondoso composto por João Ricardo ( dos Secos) e Luli ( de Luli e Lucina - na época Luli e Lucinha); e seis páginas depois o Cascão cita artistas ligados ao glam: os próprios Secos e Molhados, Alice Cooper ( um pioneiro), David Bowie ( grafado no balão como Davy Bowie) e Edy Star ( brasileiro pioneiro em maquiagem, gravou pirado disco coletivo com Raul Seixas, Sergio Sampaio e Miriam Batucada, em 1971). É uma historinha típica da época, inocente e cheia de "gags", mas pela referência e reverência pop tornou-se clássica e histórica. Para aquele menino de 1974, inesquecivelmente emocionante também.

* Nas bancas: Coleção Histórica Turma da Mônica volume 22 - março de 2011 ( inclui Mônica nº 22 - fevereiro de 1972; Cebolinha nº 22 - outubro de 1974; Cascão nº 22 - junho de 1983; Chico Bento nº 22 - junho de 1983 e Magali nº22 - janeiro de 1995) - preço R$14,95.