12 de fevereiro de 2016

"Seu Tribulino", a incursão de Hilde Weber aos quadrinhos

O achado: tira diária de Hilde Weber na Tribuna da Imprensa - essa tira foi a primeira que botei os olhos ( 12/07/1951)
Muitas vezes, algum assunto ou personalidade tende a aparecer com assiduidade e insistência, mesmo que não esteja necessariamente em nossa mira de pesquisa. Foi o que aconteceu a alguns dias atrás, quando estava a procura de um possível suplemento juvenil na Hemeroteca da Biblioteca Nacional e acabei topando com um achado incrível, totalmente sem querer. O veículo era a Tribuna da Imprensa, jornal carioca do inflamado e polêmico Carlos Lacerda e o período, 1950 a 1953. Ao folhear as primeiras páginas da edição do dia 12/07/1951, deparei com uma tira de quadrinhos no alto da folha do noticiário geral que me chamou a atenção de cara. Sem balões, com desenhos bem soltos, dispostos em três quadrinhos e com o título "Seu Tribulino". Então fui ler quem assinava e quase caí pra trás: Hilde Weber! A mesma Hilde daquele desenho dos anos 50 que encontrei sem querer em um livro ( e que virou post duplo:  http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2015/01/achado-2-desenhos-anos-50.html   e  http://almanaquedomalu.blogspot.com.br/2015/08/achado-2-desenhos-atualizando.html ). A chargista pelo jeito gosta de aparecer de repente em minhas buscas! Logo que descobri a tira do Seu Tribulino, resolvi pesquisar mais a fundo o acervo da Tribuna da Imprensa da BN e acabei descobrindo as origens do personagem no jornal. Cheguei em 18/07/1950, um pouco depois da autora ser contratada como ilustradora e chargista fixa do jornal, onde aparece o anúncio do resultado do concurso com os leitores que acabou batizando o personagem; e no dia seguinte ( 19/07/1950) a primeira tira já é publicada com pompa e circunstância. Percebe-se no personagem ( que tem sempre um título do dia ao lado do nome da tira) respingos político-econômicos da charge diária assinada pela Hilde no mesmo jornal ( o cotidiano do Seu Tribulino inclui feiras livres, contas a pagar, armazéns e atropelos urbanos) e também gags bem ligeiras e espirituosas. Os desenhos, livres, soltos, como era desde sempre o Getúlio Vargas desenhado pela artista e tão espinafrado pelo diário de Lacerda, a essa altura um ex-comunista com bom trânsito entre os católicos. Até onde li sobre a biografia de Hilde, não lembro de terem citado esse personagem e tampouco sobre qualquer incursão sua aos quadrinhos ( se alguém leu qualquer citação a respeito, por favor, mande pra mim, e eu adiciono ao post).
Abaixo, o anúncio do batismo e as primeiras tiras publicadas no jornal

















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