30 de março de 2022

Elifas Andreato (1946-2022)


Elifas Andreato partiu aos 76 anos. Mais um grande artista gráfico brasileiro que nos deixa recentemente - nesse último mês, tivemos a partida de Gepp (1954-2022), da inesquecível dupla Gepp & Maia (como esquecer a série do Pinóquio-Maluf do JT?) e do Luscar (1949-2022), um dínamo do nosso humor gráfico. Elifas foi editor, compositor, ilustrador e principalmente design gráfico, se consagrando como um dos mais prolíficos capistas de discos do Brasil. E em todas essas atividades, nunca deixou de lado sua veia democrática e sua luta em favor dos desfavorecidos. A sua arte cativante e vívida certamente ficará em evidência para gerações futuras, assim como atingiu seus contemporâneos de forma tão profunda. Muitos  textos bem feitos sobre sua longa carreira podem ser lidos de ontem pra hoje na internet ( o texto do Mauro Ferreira no G1 e o trecho da entrevista dada ao ótimo Marcelo Pinheiro, sobre o jornal Opinião, cofundado por ele, são bons exemplos), mas quero deixar aqui alguns momentos em que o Elifas passou por minha vida e deixou marcas indeléveis.

- Ainda na minha infância, tive o privilégio de manusear e escutar a coleção "História da Música Popular Brasileira", da Editora Abril, que meu pai pacientemente completou comprando os fascículos mensais na banca de jornal. Além de conhecer a nata da música brasileira nos textos de especialistas e nas faixas dos discos que vinham encartados, apreciei com gosto pela primeira vez a arte única de Elifas, nas artes, nas fotos e na composição das capas dos fascículos - um dos primeiros trabalhos gráficos de sua lavra.

- Segui na vidas como colecionador de HQs e discos e um grande apreciador da arte nas capas dos LPs, um dos objetos sagrados da nossa cultura que propiciou momentos únicos do design brasileiro. Elifas, um dos capistas mais atuantes, aparecia sempre em minhas aquisições, com destaque para suas obras-primas para discos de Martinho da Vila e Paulinho da Viola. Foram muitos (em sua carreira, aproximadamente 500 capas).

- Quando fui trabalhar no Dedoc da Abril no início dos anos 90, tive a honra de ajudar a equipe do Almanaque Brasil em suas pesquisas mensais sobre a cultura brasileira. O Almanaque é uma das mais importantes obras culturais feitas no país e ainda carece de um estudo mais aprofundado. São anos e anos de publicação, primeiro como revista de bordo da TAM e depois seguindo independente. Conheci na ocasião a querida fotógrafa Iolanda Husak, ex-esposa e amiga para toda vida de Elifas - ela também uma insaciável batalhadora da democracia - Bento, o editor (e filho dos dois) e a ótima equipe da revista.

- No ano passado, consegui o telefone do Elifas e liguei na raça. Estava escrevendo a biografia do Joselito Mattos (outro grande capista) e queria saber alguns detalhes de sua produção no mercado fonográfico. Ele foi de uma simpatia e docilidade extrema e nosso papo acabou se alongando por mais de meia hora! Um grande momento que não esquecerei jamais.

Por essas e outras, Elifas permanecerá em nossa mente, coração e claro, em nosso olhar. Basta olharmos uma ilustração editorial, um cartaz, uma capa de livro ou uma capa de disco desse artista magnífico, que sua sensibilidade artística nos acalentará sempre.

Para ver sua obra e carreira, aqui: http://www.emporioelifasandreato.com.br/main.asp

José Zinerman Nogueira: o "Fóssil Vivo do Underground" a todo vapor!

O caríssimo José 'Zinerman' Nogueira, amigo de muitas e boas, não para quieto e diariamente - repito - diariamente, cria programas, produz vinhetas, desencava tesouros culturais e cria arte de todas as formas (gráfica, plástica, visual, etc). Com seu humor rápido, suas tiradas únicas, cenário psicodélico (do seu próprio QG) e trilhas sonoras tiradas de seu baú de preciosidades, Zinerman anda botando fogo nas noites enfadonhas e dias modorrentos do Instagram. Pra quem não sabe, o Nogueira é cofundador ao lado de Sylvio Passos do primeiro fã clube oficial do Raul Seixas e criador de outros tantos fã clubes pioneiros do rock tupiniquim. Também é um dos fanzineiros mais antigos e atuantes no Brasil, se correspondendo com artistas e escrevinhadores do mundo todo! Eu tive o privilégio de colaborar em alguns zines seus. O seu acervo cultural já alimentou inclusive muitas produções literárias, radiofônicas e cinematográficas. Quem tiver fôlego e quiser acompanhá-lo no Insta, é só buscar seu nome lá: José Zinerman Nogueira. O homem não para! (abaixo, um dos últimos vídeos de sua lavra)




29 de março de 2022

Jean

Soube hoje que mais um amigo de real grandeza desencarnou. O Jean, além do caráter ilibado e da amizade para toda obra, era um grande conhecedor da história e da discografia do rock e um aficionado por cinema clássico. Que o digam os frequentadores e amigos que o encontravam a postos na tradicional Metal Music no centro de Santo André - o bom papo podia durar horas! Assim foi por duas décadas, lembrando e indicando lados Bs matadores, faixas injustiçadas e discos imperdíveis. Antes, foi proprietário de loja de discos e frequentador de centenas de shows e festivais de rock a partir do final dos anos 60. No início da década passada, numa fase em que revendia vistosas camisetas de rock (eu acabei comprando várias que uso até hoje), foi um dos amigos mais atuantes na montagem das duas edições da Expo Beatles, que eu, o Henrique Valsésia e o Mário Mastrotti montamos em São Caetano com grande sucesso. Seguimos com a amizade e na pandemia conseguimos trocar muitas figurinhas via whatsapp - cheguei a lhe emprestar uma sacola de DVDs para que suportasse bem essa fase de recolhimento. Na última troca de mensagens, há 15 dias, mandei mais uma lista de filmes para ele escolher e ele agradeceu do jeito que sempre respondia: "Valeu, Poeta!". Ele vinha reclamando de um cansaço extremo há um termpo - ele que sempre foi um andarilho raiz - e tinha exames agendados para checar o coração. Estranhei que ele não me retornou sobre os filmes, até que hoje o baque: ele tinha sido internado na semana com pneumonia e não resistiu a uma infecção. Siga em paz, querido amigo Jean, e que se faça um grande concerto de rock para celebrar sua chegada em um lugar de muita harmonia e luz - um reflexo natural para sua alma nobre.

                                   (crédito: Metal Music - Santo André)

26 de março de 2022

Baú do Malu 85: "Corça e Leão" de Adalzira Bittencourt (1929)

Este curioso livro de poesias da década de 1920 eu encontrei em um antiquário na região de São Pedro-SP há uns anos atrás. A bela e sensual capa não tem assinatura, mas dá provas de que a arte editorial ainda seguia os ares libertários franceses, postura que só ia declinar na segunda guerra mundial, quando passou a imperar o olhar americano, mais pudico. A poesia de Adalzira reflete a capa, com trechos como esse: "Em momentos risonhos/ Ó meu amor/ Quisera ser a bailadeira dos teus sonhos/Nua/ Pompeando a minha carne em flôr à luz da lua/ No bailado do amor.". A obra segue entre momentos de volúpia e prazer (leão) e singeleza e castidade (corsa), até que em certo momento, absorve um estado de amor obsessivo e doentio, onde há até a vontade de exterminar uma possível adversária (!Mas se eu souber/Que existe outra mulher/Que saiba amar mais do que eu/Hei de matá-la"). Adalzira tem uma vasta obra literária e atuou em vários campos: direito, literatura, política, ação social e foi uma das primeiras mulheres a lutar por um feminismo com características mais voltadas para a realidade brasileira. Mais uma grande mulher que merece ter sua vida contada em biografia ou no cinema. Seu perfil no wikipedia é bem completo e pode ser lido aqui: https://pt.wikipedia.org/wiki/Adalzira_Bittencourt






17 de março de 2022

Murmur Fest


O meu sobrinho Gui mandou esse folder-convite da Murmur Fest, que rolará na Biblioteca Monteiro Lobato em São Bernardo, no dia 02/04, e eu não perco por nada! O Guilherme e a grande turma que trabalha com ele na produtora independente Murmur tiram leite de pedra para fazer um cinema honesto, verdadeiro e principalmente emocionante (com todas as nuances e ramificações que essa palavra comporta). Nesse primeiro festival organizado por eles, serão apresentados cinco curta metragens - dois que já rodaram o circuito alternativo ("Boo.pp4" e "Hóspede, Exploração e Recompensa") e três inéditos! Isso mesmo: "Bebê Diabo de São Bernardo"; "Feliz Aniversário, Mamãezinha" e "Quando o Abismo Olha de Volta" estreiam nesse dia. Após as exibições, haverá um bate-papo com os realizadores dos filmes. Uma grande oportunidade para o público conhecer de perto a produção corajosa e meticulosa dessa equipe que eu tive a honra de conhecer in loco, na minha própria casa, quando eu e minha esposa Cris abrimos as portas para a gravação de algumas cenas do curta "Bebê Diabo de São Bernardo". Ali, convivendo por três dias (em dois períodos diferentes) com toda a produção (diretor, roteirista, contrarregra, iluminador, fotógrafo, maquiador, atores, etc) pude comprovar a entrega de todos em nome da sétima arte. A maioria jovens, e totalmente compenetrados e (na medida do possível) pacientes, com a árdua, extenuante e cansativa maratona que é produzir um filme com pouca grana, poucos recursos, mas muita disposição e coragem. Fazer cinema no Brasil não é para os fracos e a Murmur marca presença com pegadas fortes no presente e no futuro do cinema nacional.

- Murmur Fest - Dia 02/04 às 14h

Biblioteca Monteiro Lobato - Rua Dr, Flaquer, 26 - Centro - São Bernardo do Campo - SP 

GRÁTIS

19 de fevereiro de 2022

HQ Memories 3

O caríssimo Luigi Rocco, quadrinhista, caricaturista, cartunista e pesquisador de HQs, acabou de lançar a edição 3 de seu fanzine "HQ Memories" e mais uma vez surpreende com a seleção de histórias clássicas. Neste número, veio com uma sequência praticamente inédita de "Vizunga", de Flavio Colin (1930-2002), tira editada por Mauricio de Sousa e publicada na Folha de S.Paulo em meados dos anos de 1960. Vizunga já tinha sido publicado na revista da Vecchi "Eureka", editada pelo saudoso Octacílio d'Assumpção (Ota) nos anos 1970, e essa parte selecionada por Luigi é a sequência imediata da publicada na época. Seguindo na revistinha, temos a nobre presença do "monstro" Wallace Wood ("Animan"), mais uma criação do pioneiro desenhista dos estúdios de Mauricio de Sousa, Joel Linck ("Bosque Encantado"), que já tinha aparecido em HQ Memories 2 e uma alucinante história da fase europeia de Alain Voss (outro que apareceu no fanzine anterior), "Maxime, o Motoqueiro", de 1974, que fecha essa edição com grande fôlego. HQ Memories é um lançamento que merece chegar ao maior número de apreciadores da velha e boa História em Quadrinhos. Luigi Rocco vem resgatando raridades absolutas, além de colocar tudo em uma embalagem muito bem feita, com capa cartão e papel do miolo de ótima qualidade, cores expressivas na capa e contracapa, além das traduções, letras e edição de arte sempre com muito esmero. Por tudo isso e pela importância do seu surgimento nesse momento tão delicado do mercado em meio a pandemia, desejo uma vida longa, muito longa a HQ Memories!

Quem quiser adquirir o fanzine, é só escrever para o Luigi Rocco no e-mail: luigirocco29@gmail.com e ele vai dar todas as coordenadas.

Doodle: Dina Di (1976-2010)

O Google fez uma bela homenagem hoje ao criar um "doodle" exclusivo nacional da pioneira do hip-hop no Brasil Dina Di (1976-2010), nascida Viviane Lopes Maties, que faria 46 anos hoje. Dina foi MC do coletivo feminino Visão de Rua, ao lado dos artistas Tum e DJ OG, e juntos lançaram o single "Confidência de uma Presidiária", que trazia na letra a dura realidade do sistema prisional feminino, vivido na pele pela própria Dina. Sua mensagem inspirou outras mulheres da periferia a tentarem a sorte no universo hip-hop e hoje é considerada uma desbravadora. Dina faleceu em 2010, depois de contrair uma infecção hospitalar logo depois de dar à luz a sua filha Aline.



18 de fevereiro de 2022

Mauricio Kus (1929-2022)

Registro minha homenagem ao iluminado Mauricio Kus, falecido recentemente aos 92 anos, que tive o privilégio de conhecer pessoalmente e ter trocado "figurinhas" por anos. Jornalista, produtor, assessor de imprensa e uma verdadeira "enciclopédia cultural", Kus esteve de corpo e alma em acontecimentos cruciais da vida cultural brasileira. Ele, em suas reportagens, assessorias, ou mesmo como anfitrião de visitantes internacionais em São Paulo, acompanhou estrelas de alto quilate e personalidades ilustres. Uma delas foi a lendária Katherine Dunhan, bailarina, coreógrafa, antropóloga e ativista americana, responsável direta pela Lei Afonso Arinos depois que o luxuoso Hotel Esplanada no centro de São Paulo recusou sua hospedagem quando soube se tratar de uma pessoa negra. O projeto de lei do deputado homônimo, que foi criado logo depois do incidente e virou lei um ano depois, em 1951, transformava em contravenção penal qualquer recusa de hospedagem de hotel, matrícula de escola, entrada em estabelecimento comercial ou contratação em empresa por preconceito de raça. Mauricio Kus, que entrevistara Katherine por conta do triste episódio para o "Correio Paulistano", foi um dos mais veementes na cobertura, classificando o ocorrido como "revoltante incidente". Logo depois da entrevista, a americana convidou-o para assistir a matinê dominical no Teatro Municipal, e ele, mesmo perdendo a final da Copa do Mundo entre Brasil e Uruguai ( o famoso "Maracanaço", desastroso momento do nosso futebol), topou na hora - e não se arrependeu. Assim foi na vida: não perdia a oportunidade de participar intensamente de momentos que podiam transformar o mundo a sua volta. Na pioneira "Primeira Exposição Internacional de Histórias em Quadrinhos", de 1951, que exibiu as HQs pela primeira vez no mundo como "obra de arte", lá estava Kus como peça-chave dos bastidores, ao abrir as portas (depois de várias reuniões exaustivas com a diretoria) do Centro Cultura e Progresso no bairro do Bom Retiro, para a realização do evento. Sem ele e sua insistência, os organizadores Álvaro de Moya (seu amigo desde sempre), Jayme Cortez, Reinaldo de Oliveira, Miguel Penteado, Syllas Roberg, e o mundo, não teriam a  chance de ver concretizada a primeira exposição de quadrinhos do mundo! Outro momento de pioneirismo foi quando participou como jurado da 1ª Edição do Troféu Imprensa, em 1960. Durante a vida toda, escreveu muito sobre TV, Teatro, Música e principalmente Cinema, em diversos veículos da grande imprensa e alguns mais direcionados, como "O Espetáculo". Quando finalmente se "oficializou" como assessor de imprensa, também revolucionou na profissão e praticamente criou a função de assessor de grandes estúdios cinematográficos no Brasil (e repetiu a dose para as áreas hoteleiras, de aviação e de varejo). Virou um grande divulgador do cinema nacional, incluindo todos os filmes de Walter Hugo Khoury, abriu uma importante empresa de assessoria (PR Comunicação, depois Chaits) e se tornou representante da Braniff International Airways no país. Eu conheci Kus em um evento de comunicação há muito tempo e nos últimos anos trocávamos mensagens ou telefonemas (não tão assíduas, mas pra mim sempre valiosas). Quase sempre me ajudava a achar a saída de algum beco que eu tinha me metido em minhas pesquisas culturais. Em 2015, fez questão de mandar um convite de uma peça de teatro que ele estava produzindo/assessorando em São Bernardo, e que ele sabia ser cidade vizinha minha. Mesmo com um buraco no coração pela partida em 2007 da companheira de vida Sara, colocou sempre seu humor e espontaneidade em patamares elevados e se manteve na ativa até o último momento. Vá em paz, mestre! Grandes astros o aguardam mais uma vez!

Walter Hugo Khoury, Sandra Bréa e Mauricio Kus em 1979 (divulgação/grupo Sandra Bréa/FB)


6 de fevereiro de 2022

Grande Capa: Piauí 185 - Fevereiro de 2022



Essa capa maravilhosa da última Piauí tem essa ilustra incrível da fabulosa Elza Soares, falecida recentemente. O nome deste trabalho, ilustrado por Vito Quintans, não por menos, tem o adequado nome de "A Voz do Milênio". Ela foi por zilhões de motivos a verdadeira "Voz do Milênio" e ninguém tira isso dela (e se alguém for contestar, vai ter que trazer provas em contrário...rs). O desenho de Elza foi encomendado pela revista e as 50 personalidades que aparecem na cabeleira da cantora foram escolhidos pelo pesquisador e compositor Nei Lopes e pela pesquisadora Cléa Maria Ferreira (as identificações de cada um estão no site revistapiaui.com.br). Uma das grandes capas do ano, certamente. O único deslize da redação da Piauí, ao meu ver, foi não ter aproveitado essa fronte tão frondosa e não ter feito uma matéria sobre Elza Soares - não tem uma mísera notinha sobre a cantora na edição inteira. Fica aqui o meu protesto.

4 de fevereiro de 2022

Doodle: Jogos de Inverno de Pequim (Beijing 2022)

 Hoje o Google lançou um Doodle animado bacanudo com o tema dos Jogos de Inverno de Pequim. Vejam abaixo. (ainda acho que essas animações tinham que vir com o crédito dos criadores, que geralmente são muito bons. Inclusive tem a equipe brasileira, que lança ilustrações e animações inéditas em efemérides nacionais)



2 de fevereiro de 2022

Isaac Bardavid (1931-2022)


Uma das vozes mais marcantes da dublagem brasileira silenciou ontem: Isaac Bardavid, grande ator e dublador, faleceu aos 90 anos (faria 91 em 13/02) em sua cidade natal, Niterói/RJ. Dono de uma voz única - grave, potente, poderosa - dublou personagens marcantes do cinema e da TV: Esqueleto (vilão de He-Man), K.I.T.T (o computador do seriado Super Máquina), Tigrão (o amigão do ursinho Pooh), o treinador de Hércules, Filoctetes, no desenho homônimo da Disney; Capitão Haddock ("As Aventuras de Tintim") e principalmente Wolverine (dublou o personagem por 23 anos), seu papel preferido. Esses são os mais lembrados, mas tem centenas de outras participações que merecem citação. Vou citar mais 22: Rei Harold (pai de Fiona em Shrek); Rei Tritão ("A Pequena Sereia"); Robert Baratheon ("Game of Thrones"); tio Fester Addams (em "A Família Addams" 1 e 2); Jor-El (em "Superman - O Filme"); Chefe Powhatan (dos dois "Pocahontas"); Obi-Wan Kenobi ("Guerra nas Estrelas"); o narrador de "Horton e o Mundo dos Quem"; Richard Nixxon ( interpretado por Anthony Hopkins no filme "Nixxon'); Odin (em "Thor" e "Thor - O Mundo Sombrio"); Presidente Snow (da franquia "Jogos Vorazes"); Abutre ("Era do Gelo 2"); Horácio Slughorn (nos filmes de Harry Potter); Tio Patinhas (como Ebenezer Scrooge em "O Conto de Natal do Mickey"); o promotor de "Os Intocáveis"; Capítão Gancho (de "Jake e os Piratas da Terra do Nunca"); Robotnik (da franquia "Sonic"); Yao ("Mulan"); Billy Bones ("Planeta do Tesouro"); Joshamee Gibbs (dos filmes "Piratas do Caribe"); Agamenon (do filme "Troia"); Pandam (em "Pokémon: Sun & Moon"). E mais, muito mais. Alguns atores como Ian Holm, Albert Finney e Martin Landau, vira e mexe tinham dublagem dele. Não bastasse essa imensa carreira como dublador, foi ator dos bons em peças, programas de humor, séries e novelas, e um poeta esporádico ( lançou o primeiro livro em 2016 e o segundo já estava quase pronto). Fica aqui a minha sincera homenagem a esse artista gigante.
(abaixo, o momento em que Isaac conheceu o ator Hugh Jackman/Wolverine em 2017, no programa The Noite no SBT).




26 de janeiro de 2022

O livro do Vitorio Cestaroli será lançado hoje!

 


Este é o livro do grande Vitorio Cestaroli, saído fresquinho da gráfica. O projeto, por vários motivos, levou alguns anos para ficar pronto e fazer parte da equipe que o ajudou na elaboração (fiz a revisão e o texto da quarta capa), ainda mais no meio dessa pandemia, é realmente um privilégio e um contentamento sem tamanho. Vitório abriu seu coração e mente para contar detalhes e momentos de sua longa carreira na publicidade e no meio editorial, em empresas como Editora Abril, Globo, Mesbla e OESP, e também passagens de sua vida em família, no futebol e na assistência social. Uma trajetória marcada pelo seu temperamento forte e muitas vezes a flor da pele, mas sempre leal, honesto e sincero. As fotos históricas, com grandes profissionais da publicidade, times em que jogou, viagens em família, aliadas às ilustrações fidedignas do ótimo Mario Mastrotti (mais uma vez, meu caminho cruza o do Mastrotti, com quem já fiz projetos inesquecíveis), algumas hilárias, dão o tempero certo para essa intensa autobiografia. A acuidade gráfica da Grife Publicações também deve ser mencionada. Mando mais uma vez os parabéns ao Vitorio e vou fazer o possível para estar presente hoje no seu lançamento às 19:30h no Clube São Caetano, local tradicional aqui da minha cidade, frequentado pelo autor há décadas. A capa aí em cima tem ilustração e lettering do Mastrotti e aqui embaixo segue a dedicatória que o Vitório fez pra mim.



20 de janeiro de 2022

Baú do Malu 84: Histórias Sinistras 21 (Seleções de Terror 88) - Editora Outubro


Eis mais um exemplar da minha coleção "HQs de terror", desta vez "Histórias Sinistras" nº 21 (Seleções de Terror 88) da Editora Outubro. A edição chama logo atenção pela capa "intensa" do mestre Nico Rosso, com uma fatídica mulher com decote aparente e cara maligna, de olho "grande" na gente, enquanto sua vítima agoniza lá atrás. Pelo anúncio interno de "Vigilante Rodoviário", este número da revista saiu entre o final de 1962 e o início de 1963. Nas histórias internas, já há a presença de uma nova geração de desenhistas na editora, como Wilson Fernandes (que trabalharia também para as editoras Pan Juvenil, Taika - nesta faria os heróis Escorpião e Bola de Fogo -, Edrel, Bloch, Press, entre outras) e Manoel Nunes (que também passaria pela Taika e outras editoras menores). Ironicamente, os três artistas que mais me chamaram atenção são para mim, três mistérios: Sumoko ( que usa um interessante jogo de sombra e luz) e Frederico Lopez de La Torre (que aparece em outras histórias da Outubro) - não encontrei referências sobre esses dois - e a primeira história, com um desenho bem original e fora dos padrões, que não tem assinatura (ATUALIZAÇÃO: o amigo Luigi Rocco, viu os créditos na lápide do primeiro quadro e me avisou: história de Ivan Saidenberg e desenhos de Julio Shimamoto. Valeu por essa!). Quem tiver dicas, por favor, me avise nos comentários. No expediente, ainda consta como diretor artístico o mestre Jayme Cortez, co-fundador da Outubro, que logo sairia da sociedade na editora e alçaria voos em outras paragens.










18 de janeiro de 2022

Canequinhas de louça: Bar do Elidio (década de 60) e Baile do Quentão (1912)

 Para apreciação dos leitores do blog, posto imagens (frente e verso) de duas canecas-miniaturas em louça do meu acervo, que já se tornaram peças históricas. A primeira é a caneca brinde do "Baile do Quentão", datada de 1912 (ou seja, com 110 anos). No verso consta o logotipo de um tal FCUST e estou tentando pesquisar na Biblioteca Nacional para ver we encontro alguma pista do que seja (se alguém souber, por favor, avise nos comentários). A outra canequinha é do tradicional Bar do Elidio, famoso pelo seu pioneiro balcão de acepipes, e que existe até hoje na Mooca (foi inaugurado em 1958), tocado pelas três filhas do fundador (Elidio Raimondi, falecido em 2012). Na peça não foi grafado o ano, mas o logo da Brahma sugere que seja dos anos 60.








14 de janeiro de 2022

Algumas clássicas revistas da Editora Pro-C

Em 1979, os amigos quadrinistas Francisco Marcatti e Ricardo Silva, que já faziam algumas edições marginais, resolveram fundar a Editora Pro-C, depois que Marcatti comprou a sua lendária primeira impressora offset de mesa (Rex-Rotary, dinamarquesa). Em agosto de 1980, foi impressa a Refugo nº2 e nos anos seguintes da década mais de três dezenas de revistas com tiragens de até 1000 exemplares. Abaixo, algumas dessas pioneiras revistas do meu acervo, uma pequena mostra histórica da extensa carreira do mais ativo artista dos quadrinhos independentes do Brasil: Francisco Marcatti. O artista continua em grande atividade, com nova impressora e um esquema recente onde imprime uma revista mensal com campanha fixa no Catarse. Um viva ao guerreiro Marcatti!

                             Refugo 2 (reimpressão de fevereiro de 1981)


                        
                                                  Lôdo 4 - novembro de 1983



                                      Cupim 1 - março de 1984



                                   Lôdo 6 - janeiro de 1985


5 de janeiro de 2022

"You Will Always be in Our Minds" - Átila Salvatore Panitz Púglia (1966-2022)

                                                          Festival do Idalina - 1984

Mais uma vez o chão a minha volta tremeu nessa pandemia: soube ontem à noite que o Átila, amigo de longa data (quase 40 anos de amizade), nos deixou antes do combinado. Quem o conheceu, sabe que ele era daqueles que de tão à flor da pele e com tanta ânsia e fome de tudo, podia tanto se transformar em uma onda cheia de paixão e ternura como um vulcão incontrolável. Foi assim a vida toda. Mas não vou entrar em seus conflitos e dificuldades aqui e sim lembrar de tantos, tantos momentos inesquecíveis que testemunhamos juntos, nessas quatro décadas de amizade: as composições que fizemos (eu letra, ele música) a partir do longínquo 1984 - que guardadas as devidas proporções, tinham uma sinergia na criação que lembrava Elton John-Bernie Taupin; o presunto parma que seus pais compravam e a gente devorava nas manhãs pós madrugadas insones em sua casa em Santo André; o festival de música ainda em 1984, para o qual formamos uma banda hippie de 7 integrantes, classificamos 6 músicas e por causa de problemas técnicos (e falta de ensaio), não levamos nenhuma para a final; o milagroso café da manhã que minha santa mãe levava pra gente no meu quarto (cujo ar era uma mistura de cigarro, álcool e chulé), nos domingos que acordávamos de ressaca às três da tarde; a viagem para Porto Alegre em 1986, quando descobri que lá não se atravessava serra para chegar na praia e que o Átila tinha duas avós incríveis: uma, amorosa e cheia de abraços, outra braba que só, mas muito divertida em sua rabugice; suas grandes interpretações de Elvis Presley, tanto no palco como em rodas de violão - aliás foi ele quem me mostrou tesouros escondidos da discografia do rei (e em troca eu lhe retribuí com os Stones); a viagem maluca que fizemos com o Zucco em que levamos pás e picaretas atrás de um veio de ouro que ele tinha visto em seu sonho (será que isso também foi sonho?); o apartamento de sua família na Ponta da Praia em Santos, que entrou para o folclore da turma do Ponto depois de tanta bagunça (e que por isso foi interditado posteriormente para qualquer integrante da turma); as noites sem fim do Chaplin Bar; os ensaios na casa dos Mazuras (regado à Beatles, Made in Brazil e Joelho de Porco) e na Tumba; os churras que duravam três dias na casa da Greice na Rua Alegre; as conversas filosóficas no terraço do Luiz; o show antológico em Santo André, que tinha na plateia minha tia e minha mãe, e foi tão empolgante que terminou com o Átila de shorts; a Kombosa que compramos em sociedade (por 500 pilas) e que depois de andar muito (chegou a ficar um tempo com a turma TNT, do mesmo bairro), acabou arriada no chão na Anhanguera, depois que lotamos a coitada em um trampo com material de gráfica; o show do Legião no Aramaçan; as voltas de moto pelo ABC; e tem mais, muito mais. Anteontem, como sempre fazíamos, trocamos mensagens via whats e ele, sempre empolgado (embora tenha reclamado de “probleminhas de saúde”), fez mais uma vez planos de tocarmos juntos nesse ano, e dessa vez com a presença do Gabriel e Letícia (meus filhos musicais). Lembrou também dos velhos tempos e parecia bem. Ontem, sua ex-esposa me avisa que ele faleceu no domingo à noite (ou seja, algumas horas depois da nossa conversa), possivelmente de um infarto. Era uma despedida.

Siga em paz, meu amigo. Agora, é descansar dessa sua última vida tão agitada e atribulada e ficar um pouco mais perto do seu pai, da minha mãe, do Délius e de tanta gente querida que certamente lhe acolherá onde você estiver.

                                                          No Chaplin - início dos 1990


   II Festival do Idalina - 1985 (banda Sétimo Cálice): Haroldo, Átila, Shazam, Ruy, Marcelo Mazuras,  Ricardo Mazuras


                              
                       Malu & Átila no I Festival do Idalina em São Caetano do Sul (Délius aparece atrás)

                                                   Átila, Nena e eu em frente a minha casa (1984) 


Átila e banda em frente ao lendário Chaplin Bar (Ricardão baterista aparece na esquerda e Satan, tecladista é o quarto da esquerda para a direita) - 1989


Átila em uma performance mais recente

31 de dezembro de 2021

"Mãos Dadas", de Drummond ( Um ótimo 2022!)

 O Almanaque fecha o ano com esse belo poema de Drummond, "Mãos Dadas". Mais do que nunca, não devemos largar as mãos dos nossos aliados! Um ótimo 2022 para todos os leitores do blog. Em 2022, tem mais, muito mais.



Grande Capa - "Tiradentes", de Gutemberg Monteiro (CETPA)

 


A série "Capa do Mês" passa a partir deste post a ter outro nome:"Grande Capa". Inauguro a nova fase com essa magnífica capa do mestre Gutemberg Monteiro (1916-2012 - também conhecido como Gut ou Goot). "Tiradentes" é uma das publicações da CETPA (Cooperativa Editora e de Trabalho de Porto Alegre -RS) que não constam nos perfis da editora sulista publicados por aí. A CETPA ousou lutar por um mercado de quadrinhos nacionais em um período complicado da História brasileira (entre a crise mundial do papel e o golpe militar de 1964), capitaneada pelo editor e desenhista José Geraldo, que conhecia o então governador do RS, Leonel Brizola., e arregimentou grandes desenhistas e autores para a empreitada:  Julio Shimamoto, Flavio Colin, Getúlio Delphin, João Mottini, Renato Canini, Bendatti, Flavio Teixeira, Luis Saidemberg (alguns não tiveram tempo de publicar nada e outros saíram com seus trabalhos em tiras nos jornais). A coisa começou a degringolar com a renúncia de Jânio Quadros e afundou com os militares assumindo o poder, mas mesmo assim a cooperativa conseguiu lançar pelo menos meia dúzia de títulos entre 1962 e 1963: Aba Larga (três edições); História do Cooperativismo; História do Rio Grande do Sul; Sepé; Zé Candango (só em tiras). Há algumas semanas consegui incluir esse "Tiradentes" no Guia dos Quadrinhos, importante site de indexação de títulos do quadrinho nacional. Até onde sei, é a primeira vez que a edição consta "oficialmente" entre as publicações da editora gaúcha. Nada mais justo que Gutemberg apareça como mais um membro atuante da CETPA (ele que fez não só a capa, mas a história em quadrinhos a cores e todo o texto histórico, ao lado da equipe da cooperativa), ele que é um dos mais importantes artistas nacionais, que fez história na Rio Gráfica (principalmente como capista, mas também como desenhista de Fantasma e outros personagens em uma segunda fase), trabalhou para a Ebal e Editora Outubro e brilhou nos EUA fazendo HQs de terror (para a Warren), HQs para a Charlton (linha romântica) e Harvey (Gasparzinho) e tiras para a dupla Tom & Jerry durante quase duas décadas. Gutemberg é um daqueles artistas geniais brasileiros que merecem uma biografia digna de sua vida/carreira. Demorou. (abaixo, o link do Guia dos Quadrinhos):

http://www.guiadosquadrinhos.com/capas/tiradentes/ti249100

A pedidos (Ranieri e outros amigos), posto uma página interna da publicação:


Atualização: diferente do que comentei na postagem, essa publicação já tinha sido publicada no blog do amigo Luigo Rocco (Tiras Memory) em 03/05/2019, que transcreveu na íntegra o capítulo sobre a CETPA do clássico livro "Quadrinhos para Quadrados", escrito pelo saudoso Diamantino da Silva (Bels, 1976), esse sim, o primeiro veículo a citar esse volume em quadrinhos sobre Tiradentes.

16 de dezembro de 2021

Vânia Bastos canta Taiguara (Tema de Eva)

Quando ouvi essa música na Rádio Brasil MPB, me emocionei pra valer. Eu sempre tive uma paixão incomensurável pela pungente interpretação de Vânia Bastos, e quando digo interpretação pungente estou me referindo a todas as suas interpretações, desde a época do Lira Paulistana na virada dos 1970 para os 1980. Tudo o que ela canta vira emoção, sentimento, profundidade. Tive a honra de vê-la uma vez (queria muito que fossem mais vezes) aqui perto de casa, nos anos 80, quando abriu uma casa de shows intimistas, Marina's, que trouxe muita gente boa pra tocar em São Caetano. Na mesma noite em que Vânia cantava com toda sua delicadeza e ternura, estava na plateia um fã seu de nome Belchior (que sentou em uma mesa com amigos, do lado da minha). Desde sempre comprei seus discos (que não foram tantos assim), muitos deles por selos ou gravadoras pequenas. Vânia Bastos é grande, tão grande, que nem sempre cabe nesse mundo urgente do sucesso a todo custo. Seu público fiel, que lota seus shows nos Sescs da vida, nas viradas culturais e festivais por aí comprovam que sucesso nas paradas é muito relativo. Viva Vânia Bastos, sempre Vânia Bastos.


Em tempo: esta gravação foi feita para o CD e DVD em homenagem à Taiguara, "A Voz da Mulher na Obra de Taiguara", de 2011. "Tema de Eva" foi gravada originalmente por Evinha, outra iluminada.


Raízes 64



Depois de um hiato na edição passada - não consegui mandar o artigo a tempo - eis que volto a colaborar com a querida revista Raízes, publicação semestral memorialista da minha cidade, editada e produzida pela Fundação Pró-Memória. Voltei ao formato crônica para contar algumas passagens tragicômicas e emocionantes como escoteiro do Grupo de Escoteiros João Ramalho (entre 1979 e 1981). É sempre um grande prazer colaborar com um veículo tão raro - são poucas, pouquíssimas cidades ou municípios no Brasil que mantém uma publicação periódica, de cunho histórico, e ainda por cima com tanta qualidade e tantos anos ininterruptos em atividade. Parabéns mais uma vez à editora Paula Fiorotti e sua ótima equipe de pesquisadores, articuladores, profissionais gráficos, historiadores e colaboradores. A edição vem forrada de boas matérias, a começar pela da capa, escrita e pesquisada com muito afinco pelo ótimo Caio Bruno, jornalista e supervisor do Museu Histórico Municipal, que trouxe à baila um perfil completo da Avenida Goiás, a mais famosa avenida de São Caetano do Sul. Outros artigos que eu devorei e gostei muito: o ensaio do escritor/poeta Carlos H.Chirotto ("Uma Tarde em São Caetano"), as curiosidades e surpresas por detrás dos nomes de ruas da cidade ("Um passeio pelas ruas de São Caetano do Sul" da pedagoga e membro da Comisão Editorial Cristina Ortega); o emocionante perfil da saudosa atleta Delenice Aparecida da Fonseca de Oliveira ("Uma Quadra Poliesportiva leva o nome de uma Vencedora: Delenice" do escritor e ex-atleta e professor Paulo Moriassu Hijo), a parte 2 da série sobre o clube de futebol Saad (pelo professor de educação física, fanzineiro e amigo Renato Donisete) e a surpreendente história da EMEF Dom Benedito - eu não sabia que essa tradicional escola tinha nascido no meu bairro! (do historiador Rodrigo Marzano Muraro). As fotos históricas espalhadas pela edição também surpreendem  sempre. Com mais de 30 anos de existência, a revista Raízes continua firme e forte em seu propósito de divulgar e manter viva a História do nosso município! Viva!

(A publicação é gratuita e pode ser retirada na própria Fundação Pró-Memória, na Avenida Dr. Augusto de Toledo, 255, Bairro Santa Paula - São Caetano do Sul).