30 de janeiro de 2012

Dia do Quadrinho Nacional

Hoje é o Dia do Quadrinho Nacional. Aproveito para parabenizar todos os bravos profissionais brasileiros do traço, que com seus quadrinhos, quadrões, cartuns, caricas, charges, ilustrações, capas, tiras e portraits, continuam com muito suór, criatividade e jogo de cintura, mantendo a nossa arte num padrão de qualidade de reconhecimento internacional.
Ontem tive o prazer de encontrar pessoalmente alguns desses grandes artistas no 10º Encontro dos Caricaturistas do ABC e São Paulo, capitaneado pelo inabalável Mario Mastrotti no aconchegante espaço de eventos do Fran's Café em Santo André (foto abaixo). Destaque para as caricaturas expressas em homenagem ao pioneiro Ângelo Agostini, as diversas publicações novas que surgiram nas rodas de bate-papo e a audição de vários LPs raros, entre eles, um do Kansas ao vivo, outro live do Lynyrd Skynyrd, o primeirão do Golpe de Estado e um fantástico bolachão da pouco falada mas incrível banda britânica Pretty Things.
10º Encontro dos Caricaturistas do ABC e SP (29-01-2012). Em riba: Rubens Jr. (autor da fotos), Humberto Pessoa, Cerito, Rice  e Malu. Aí embaixo: Rubens Jr., Zitto, Humberto Pessoa e Mario Mastrotti.
Entre os visitantes, tive o prazer de uma prosa com o ex-diretor da Editora Abril Vitorio Cestaroli, acompanhado do seu jovem e promissor neto Vinicius e o surpreendente artista Edi (que fez uma caricatura bicolor). Também marcaram presença no evento as "fanzineiras" multimídia Fernanda de Aragão, Letícia Mendonça e Thina Curtis (http://cincodeoutubro.blogspot.com e http://vestindoletras.blogspot.com) , o ilustrador Mário e a dupla Rodrigo Matsubayashi e Felipe Arakaki ( que fez uma versão "mangá" para o seu Agostini).Quanto aos caricaturistas, alguns eu já conhecia, mas a maioria só via e-mail/internet. Abaixo, listei-os, com suas devidas páginas:
Mario Mastrotti: http://www.cartunistamastrotti.com.br/ e http://mastrottiblog.zip.net/
Rubens Junior: http://osquadrinhos.blogspot.com/
Humberto Pessoa: http://www.humbertopessoa.com/ e http://humbertopessoa.blogspot.com/
Cerito: http://mensagensdohiperespaco.blogspot.com/
Rice: http://ricearaujo.blog.uol.com.br/
Gilmar: http://gilmaronline.zip.net/ e http://gilmaronline.blogspot.com/
Fernandes: http://caricaturasfernandes.blogspot.com/
Vasqs: http://www.ostrasaovento.blogspot.com/
Gil de Godoy: http://gildegodoyilustrador.blogspot.com/
Antonio Carlos Pires: http://livrobrasildobem.blogspot.com/2011/09/conheca-antonio-carlos-pires.html
Zitto: http://ciberzitto.blogspot.com/ e http://www.caricazitturista.xpg.com.br/

27 de janeiro de 2012

As Aventuras de Tintim

Fui assistir finalmente "As Aventuras de Tintim", na telona, com a patroa e as crianças. E como bom fã dos quadrinhos originais de Hergé, entrei na sala de projeção encafifado. Embora admirasse os trabalhos anteriores de Steven Spielberg e Peter Jackson, fiquei desconfiado com o entrelaçamento de histórias ( O Segredo do Licorne + trechos de O Caranguejo das Tenazes de Ouro) e o tipo de animação ( captura de movimento - a arte é inserida depois das filmagens com os atores). Não custa lembrar que apesar da carreira consolidada, esta foi a primeira experiência de Spielberg com 3D e animação. Mas essa minha cisma evaporou-se logo nos primeiros instantes. Senti firmeza logo na abertura, ao ver os quadrinhos de várias aventuras originais caindo sobre os nomes dos atores e da produção. E na primeira cena, lá está o próprio Hergé entregando nas mãos de Tintim seu retrato pintado ( a sua cara na HQ). A técnica de animação, que eu já tinha visto antes e me decepcionara no quesito "emoção", desta vez me deixou extasiado com a perfeição dos detalhes ( rugas, sombras, paisagens e até pêlos no nariz do Capitão Haddock) e a naturalidade das expressões faciais e movimentos ( que nos faz às vezes esquecer que é uma animação). Relaxei de vez na cadeira ao perceber que os diretores imprimiram suas marcas sem comprometer as características essenciais dos personagens clássicos. Tintim está perfeito: impetuoso, corajoso, desconfiado e elétrico como tinha de ser. Milu, que em algumas aventuras impressas chega a conversar com seu dono, aqui só late, mas também aparece em todo o momento do filme, ativamente. Os irmãos Dupont e Dupond divertem sem extrapolações. O Capitão Haddock, pela própria trama, divide todas as atenções com o personagem principal e embora não esteja tão desbocado como nos quadrinhos e tenha seu alcoolismo mostrado ao extremo, conquista a platéia em cheio, justamente por suas fraquezas tão sinceras. Há cenas que lembram Indiana Jones? há excesso de aventura e correria em prejuízo do mistério e da investigação? Sim, este é o cinema Spielberg e sempre será. Mas também há uma reverência e respeito aos quadrinhos  nunca vistos na Sétima Arte ( com exceções, talvez, de alguns heróis da Marvel - eu disse alguns). A soma de trechos idênticos aos álbuns de Hergé com sequências inéditas só enriqueceu a trama. Já faz tempo que eu parei de comparar Cinema e HQ - são artes que correm juntas, se adaptam uma a outra mas não se misturam. No caso de Tintim, as duas estão lá, sem forçar a barra, e é justamente a sua corajosa direção, ágil e sem o compromisso de explicações maçantes sobre os personagens e sem exageros nas referências, que a faz umas das melhores adaptações já feitas. Pior para o Oscar, que preferiu os inferiores "Rango", "Um Gato em Paris", 'Chico e Rita', "Kung Fu Panda 2" e o 'Gato de Botas'. Com Oscar ou sem, as aventuras de Tintim têm tudo para prosseguir no cinema. Spielberg, a quem Hergé sugeriu antes de morrer ser o único diretor apto a trabalhar com Tintim, pegou gosto pelo personagem e isso para ele é combustível.
Acompanhem outras resenhas e críticas no blog Tintim por Tintim. Para quem quer saber mais sobre os quadrinhos, o blog também é a melhor pedida:
http://www.tintimportintim.com/

Maurício de Sousa e Osamu Tesuka finalmente juntos

Maurício de Sousa, o mais famoso quadrinista brasileiro e Osamu Tezuka, considerado o "pai do mangá", se conheceram há 30 anos e entre idas e vindas Brasil-Japão, chegaram a combinar uma história em animação que unisse seus famosos personagens. O projeto não vingou porque Osamu faleceu prematuramente em 1989, mas esse sonho não saiu da cabeça do criador brasileiro. E foi mais ou menos na época em que a Turma da Mônica Jovem chegava às bancas com sucesso que foi estabelecido um contato com a família Tesuka para reativar a idéia. As negociações vingaram e o crossover será publicado no final de fevereiro - não como desenho animado, que era a idéia inicial, mas nas páginas da já estabelecida revista "Turma da Mônica Jovem", nas edições 43 e 44, com enredo ecológico ligado à Amazônia e sua preservação. Um encontro fadado a entrar para a História, pois nunca personagens brasileiros e japoneses se encontraram em uma HQ. Para Maurício e os produtores dessa façanha, essa junção de forças será ainda mais oportuna pela proximidade da "ECO-20", evento internacional de ecologia marcado para junho deste ano no Rio. Com o mesmo mote sustentável, os personagens clássicos Astro Boy, Safiri e Kimba (entre outros) se encontrarão com os adolescentes Mônica, Cebola, Cascão, Anjinho ( ou Anjão?) e Magali nesta aventura quadrinizada em duas partes. Na revista Turma da Mônica Jovem 43, nas bancas, há um teaser sobre o crossover (capa abaixo). Aguardemos, na torcida de que o enredo fique à altura dos envolvidos.

24 de janeiro de 2012

Nova exposição de Walter Firmo

Walter Firmo, um dos grandes do fotojornalismo brasileiro, engata uma exposição na outra. A partir de amanhã, feriadão em Sampa, a série de sua autoria 'Que Bom que a Vida entre Nós deu Certo outra Vez", integrante do roteiro da 3ª Mostra São Paulo de Fotografia, tem coquetel de abertura às 18 horas no Espaço Ophicina, junto ao lançamento da revista Old Impressa nº2. A exposição fica no espaço até 19/02. Mais detalhes no convite abaixo, gentilmente enviado pelo pessoal da Getty.

Jimmy Castor (1940-2012)

Faleceu na semana passada o ícone da música negra americana Jimmy Castor, multiistrumentista precoce ( substituiu o saxofonista Frankie Lymon no grupo The Teenagers ainda nos anos 50) que estourou nos anos 70 com a banda Jimmy Castor Bunch ( dos hits " Troglodyte" e "It's Just Begun" de 1972 e "Bertha Butt Boogie" de 1974 ), onde se autointitulava "The Everything Man". Continuou solo na virada dos 80, na onda do emergente break/hip hop e sua antiga cria "It's Just Begun" virou referência ao ser inserida em pequena cena de rua do 'block' "FlashDance" de 1983 - prova que Jimmy fazia um som a frente do seu tempo. Tanto que foi um dos compositores mais sampleados de todos os tempos, de Grand Master Flash à Beastie Boys e Jamiroquai. A minha grande turma dos anos 80 tinha entre seus 'compact discs' e coletâneas funk, petardos deste figuraça. Seguem pois, alguns de seus balanços e uma notícia mais completa do óbito, via Bate Estaca do Camilo Rocha, um dos poucos que não errou a idade do músico ( porque foi na fonte certa, o NYT, que cravou a idade da certidão passada por seu filho).
It's Just Begun - http://www.youtube.com/watch?v=FF2bNFQn_1M&feature=related
The Troglodyte (Cave Man) - http://www.youtube.com/watch?v=BkSOT-6YTb8&feature=related
Bertha Butt Boogie - http://www.youtube.com/watch?v=ocOV3V42_SM&feature=related
A Groove Will Make You Move - http://www.youtube.com/watch?v=bopNKgu58yo&feature=fvwrel
Potential - http://www.youtube.com/watch?v=HUW6BZTOzeA&feature=related
Hallucinations - http://www.youtube.com/watch?v=CUeesGxagyQ
L.T.D: http://www.youtube.com/watch?v=NHk7wPUFh90&feature=related
A cena em Flashdance - http://www.youtube.com/watch?v=avu_FqCaZNI
http://oesquema.com.br/bateestaca/2012/01/18/jimmy-castor-1940-2012/

23 de janeiro de 2012

10º Encontro dos Caricaturistas do ABC e São Paulo

Mais uma das boas agitações promovidas pelo Mario Mastrotti. No dia 29 próximo, domingo, acontece em Santo André o "10º Encontro de Cartunistas do ABC  e São Paulo". O evento aproveita para comemorar o Dia do Quadrinho Nacional, 30/01, efeméride instituida pela Associação dos Quadrinistas e Cartunistas de São Paulo em 1984 por ser o dia em que Ângelo Agostini publicou a primeira história em quadrinhos no Brasil (30/01/1869), nas páginas do jornal Vida Fluminense. Segue o release com a programação, local e horário...


O 10º Encontro de Cartunistas do ABC e São Paulo comemora o Dia do Quadrinho Nacional. O evento acontece dia 29 de janeiro de 2012, a partir das 16 horas, no Salão de Festas do Fran`S Café (Av. Portugal, 1126, Bairro Bela Vista em Santo André).
As atividades deste encontro contam com:
1 Presença de cartunistas,caricaturistas, quadrinhistas, tiristas, ilustradores e artistas gráficos da região e de S. Paulo.
2 Exposição relâmpago de caricaturas de Ângelo Agostini, patrono do Quadrinho Nacional, produzida pelos cartunistas participantes.
3 Festival do vinil com audição de raridades. Traga o seu vinil.
4 Livros de Humor gráfico da Editora Virgo com autógrafo dos autores.
5 Presença de fanzineiros, escritores, animadores, colecionadores de vinil e memorabilia. Traga sua publicação.

Organização: Cartunista Mastrotti (11-70324902)

20 de janeiro de 2012

Etta James (1938-2012)

Etta James. Uma das coisas mais impressionantes nesta diva do soul/blues/rithm'blues/rock and roll era a gigantesca extensão de sua voz em comparação com sua estatura. Outra coisa era sua vibração. Lutou ao longo da vida contra preconceitos, vícios, doenças, e mesmo com leucemia, finalizou seu último álbum, "The Dreamer", em 2010. Basta ouvi-la cantando para constatar: Etta James venceu!
At Last: http://www.youtube.com/watch?v=_1uunRdQ61M
Tell Mama: http://www.youtube.com/watch?v=X8pcNIGjJX0
I'd Rather go Blind: http://www.youtube.com/watch?v=YApNirMC9gM
I Just Want to Make Love to You:http://www.youtube.com/watch?v=4Pu_AdU_NQg&feature=related
Baby, What  You Want Me to Do:http://www.youtube.com/watch?v=Y5TWwB_PCDc&feature=related
I Never Meant to Love Him:http://www.youtube.com/watch?v=_KGhKpKwkaY&feature=related

19 de janeiro de 2012

Nara/Elis



Nara Leão faria 70 anos hoje. Elis Regina se foi há 30 anos. Nara tinha uma voz pequena, econômica; Elis era pura explosão. Mas tirando o estilo vocal e o temperamento ( Elis explosiva e à flor da pele ; Nara comedida, mas não menos emotiva), as duas tinham muito em comum. Ambas tiveram o faro para tirar da obscuridade pérolas escondidas do cancioneiro: Nara com o Show Opinião jogou luz nos autênticos Cartola, Zé Ketti e João do Valle. Elis, desde o início, sempre procurou a fonte: vivia marcando encontro com compositores novos - assim foi nos anos 60 com Gilberto Gil, Milton Nascimento e Chico Buarque ( os dois últimos mudos de timidez) e assim continuou nos anos 70 com João Bosco/Aldir Blanc, Belchior e Cláudio Lucci. Elis batizou em disco (e show) muita gente. E tanto ela como Nara estouraram em festival ( Elis com Arrastão em 1965 e Nara com A Banda em 1966). Tudo bem que Nara já era há anos a 'Musa da Bossa Nova' e foi no seu apartamento que a coisa toda virou movimento, mas foi ali, no festival, que ela apareceu para o Brasil e deu uma virada brusca em sua carreira ( a primeira de muitas - logo depois veio o Opinião e em 1968, um flerte seríssimo com o Tropicalismo). E teve também a postura firme e decidida contra a Ditadura por parte das duas. Nara desde o "Opinião" virou persona non grata para os militares e assim permaneceu até a Abertura; Elis demorou mais para se engajar e foi muito criticada pela esquerda por isso, mas na década seguinte virou esse jogo, principalmente com "O Bêbado e a Equilibrista ( "a volta do irmão do Henfil")  Isso se não entrarmos no campo pessoal, pois ambas tiveram um romance com o lobo Ronaldo Bôscoli ( Nara foi noiva por anos e Elis casou e teve filho com ele). Mas o que vem ao caso aqui é o quanto essas mulheres foram importantes para a nossa música. Sem serem compositoras, conseguiram impor uma identidade e uma emoção tão forte em suas carreiras que entraram para sempre na História como musas e referências máximas na arte da interpretação .
Nara Leão: http://www.youtube.com/watch?v=EDABIsGDaTE&feature=fvst
                  http://www.youtube.com/watch?v=9_VigUedYVI&feature=fvsr
Elis Regina: http://www.youtube.com/watch?v=m_9QRn2wviE
                  http://www.youtube.com/watch?v=6B0sSJrkzGk
                  http://www.youtube.com/watch?v=nk3S3t4ESgQ

16 de janeiro de 2012

Walk off the Earth: uma banda e um violão


A banda Walk off the Earth é uma banda independente canadense que se especializou em fazer covers inusitados de hits, produzindo vídeos surpreendentes que acabam sempre com ótima audiência. Mas o último cover postado pela banda no dia 05/01, versão de um hit da banda indie australiana Gotye extrapolou todas as expectativas e já é o vídeo mais visto do ano. A idéia é bem interessante, a versão está muito bem ensaiada e a participação feminina (a convidada Sarah Blackwood) equilibra bem os vocais. O primeiro a cantar, aliás, tem o timbre do Michael Stipe do finado R.E.M. Assistam o vídeo (no site oficial e no YouTube) e outras estrepolias da banda ( no link do site Vida Ordinária):



http://www.walkofftheearth.com/
http://www.youtube.com/watch?feature=player_embedded&v=d9NF2edxy-M#!
http://vidaordinaria.com/2012/01/bau-dos-covers-especial-walk-off-the-earth/

10 de janeiro de 2012

Stokowski no Brasil, caçadas de Daniella Thompson e um certo disco raro de capa cinza que me caiu às mãos

Há cerca de dois anos, obtive detalhes mais precisos sobre a lendária sessão de gravações empreendidas pelo famoso maestro Leopold Stokowski em 1940 no Rio, à bordo do navio S.S. Uruguay atracado na época em frente a Praça Mauá.
O famoso "S.S. Uruguay", atracado no Rio de Janeiro em 1940 ( foto de Leon van Duivendiik)
Não foi artigo de nenhum especialista brasileiro, e sim uma extensa reportagem histórica de uma obstinada e apaixonada "brasilianista" americana chamada Daniella Thompson, responsável pelo site http://daniellathompson.com  e pelo blog http://daniv.blogspot.com/ . Graças à sua paixão pela Música Brasileira, ela engendrou desde 2000 uma verdadeira caçada às famosas (mas pouco conhecidas) gravações no navio. Regidas por Stokowski, com "a big help" de Villa-Lobos e Donga, participantes e responsáveis pela seleção de músicos, ritmistas e cantores de raiz disponíveis na então capital federal (Pixinguinha, Cartola, Zé Espinguela, Pastoras da Mangueira, Zé da Zilda, Jararaca e Ratinho, João da Bahiana, Luiz Americano, entre tantos) , teve toda a produção sob patrocínio do governo americano e a gravadora Columbia, como parte da "Política da Boa Vizinhança" do Presidente Roosevelt, preocupado com o namoro do então presidente Vargas com o fascismo. A investigação de Daniella, embora sem o resultado desejado (que era o de descobrir e disponibilizar todas as gravações da sessão histórica), levantou a ponta do iceberg e comprovou que ainda existem gravações inéditas nos cofres da gravadora americana.
Capa do disco americano lançado pela Columbia em 1942
Mas por que eu estou levantando este tema só agora? É que depois de ficar encantado com essa história toda e ter guardado todos os artigos referentes, eis que neste último final de semana, revirando uma cesta de LPs de uma bazar beneficiente, eu me deparo com um de capa cinza, que me chamou a atenção não por sua  pequena reprodução fotográfica no canto esquerdo, mas pelo título: "Native Brazilian Music". Graças à Daniella, eu já conhecia esse nome e eu não acreditei quando me dei conta de que o LP em minhas mãos era da série limitada de 3000 unidades produzida pelo Museu Villa Lobos em 1987 com as 17 músicas lançadas originalmente pela Columbia Records em 1942.
Capa do LP brasileiro ( Fundação Villa Lobos - 1987)
Que sorte! se as 40 ( algumas fontes dizem 100) gravações originais de 1940 viraram lenda, se as cerca de 24 gravações no cofre da Columbia nos EUA se tornaram um tesouro intocado, se os dois discos originais de 1942 lançados pela mesma Columbia ( só nos EUA ) com 16 faixas ( e 17 músicas) transformaram-se em raridades iminentes, esse LP lançado há 25 anos já se constitui em uma obra bem rara entre nossos LPs brasileiros, pois é o único lançamento nacional das gravações de Stokovski até hoje. Só o rico encarte com textos e resenhas de Ary Vasconcelos (um dos responsáveis pelo projeto ao lado de Suetônio Valença, Marcelo Rodolfo e Jairo Severiano sob a gestão de Turíbio Santos) já vale muito a pena. Só não é impecável porque a edição nacional copiou o erro da edição americana ao chamar Pai Alufá ( o próprio Zé Espinguela) de Rae Alufá.
Para saber todos os detalhes dessa incrível saga, entender um pouco mais sobre a "política americana de boa vizinhança" e o perfil do maestro Leopold Stokovski, segue abaixo toda a série de reportagens de Daniella Thompson e alguns complementos importantes (áudios e matérias).
A série de Daniella Thompson:
 Caçando Stokowski 
Fevereiro de 2000
 Aguardando sua resposta urgente... 
4 de Março de 2002
 Donga para Villa-Lobos 
5 de março de 2002
 Uma crise urbana em agosto de 1940 
5 de março de 2002
 Native Brazilian Music 
Capas dos álbuns da Columbia.
5 de setembro de 2003
 Tesouros nos cofres da Columbia 
4 de novembro de 2003
 Os sambas mais dançáveis até o momento 
Resenha de Native Brazilian Music na revista Time.
10 de janeiro de 2007 

4 de janeiro de 2012

Virada com Ramones, Cássia Eller e as "500 Mais da Kiss"

Virei o ano focado em duas figuraças que se foram há dez anos: Cássia Eller ( falecida em 29/12/2001) e Joey Ramone (em 15/04/2001).
Aprontei uma grande seleção, com ênfase nessa dupla, para trilha de estrada e me preparei para viajar para o interior, já pensando também em votar via online e acompanhar a maratona da já tradicional "As 500 Mais da Kiss FM" (que rola a partir de 31/12). Não foi proposital, mas depois me lembrei que a rádio 'classic rock' também é de 2001.
Na bagagem de viagem também estava o livro "Hey Ho Let's Go - A História dos Ramones", de Everett True (Editora Madras - capa abaixo), que estou acabando de ler agora. Esta biografia me confirmou uma coisa que eu sabia de relance: Joey Ramone, o desengonçado, alto, amigável, festeiro, esquisito vocalista dos Ramones era realmente a alma da banda, o cara que amava o rock and roll (principalmente os pioneiros e os conjuntos vocais femininos) e direcionava toda a sua vida para a música. Como hobby, colecionava discos e pôsteres psicodélicos dos anos 60. Johnny, o guitarrista, era o oposto: pragmático ao extremo, mandão, prático, fanático por beisebol, republicano - Ramones para ele também era algo maior, mas direcionado totalmente para o ganha-pão, o trabalho e a possibilidade real de aposentadoria ( e bem ou mal, foi quem manteve a "firma" funcionando- a cabeça da banda com certeza).
Por conta desse antagonismo todo, os dois não dirigiram a palavra um ao outro nos últimos dez, doze anos da banda (!!). Dee Dee, o baixista, era o mais porra-louca de todos ( dizem que foi ídolo de Sid Vicious) e levou tudo sempre às últimas consequências, mas também foi um letrista profícuo e uma espécie de ponte entre Joey/Johnny. Faleceu um ano depois de Joey e dois antes de Johnny. Dos fundadores, apenas Tommy, o baterista ( e  primeiro produtor da banda) está vivo, além dos bateristas Marky ( que ficou mais tempo na banda) e Ritchie e o baixista CJ. Cássia Eller, assim como Joey, vivia para a música. Para esconder sua timidez, virava personagem no palco e arrebentava. Cantava de tudo, não só rock, e seu único defeito era não compor. Vi alguns programas na TV sobre ela neste meio tempo ( entre o livro do Ramones e as 500 Mais) e numa fração de segundo me dei conta de como Cássia e os Ramones fazem falta neste atual cenário musical, articulado demais, empresariado demais, direcionado demais, muito bonitinho e "fofinho" até, mas com emoção, tesão e improviso de menos.Quanto às 500 Mais da Kiss, muita música dos Ramones entre elas e sem grandes surpresas entre as primeiras colocações ( a exceção foi o raro glam rock do Sweet, 12º, que eu fiz questão de selecionar abaixo).
Um detalhe inédito que não me escapou é que neste ano, Rolling Stones e Eric Clapton foram varridos das primeiras colocações (a melhor dos Stones ficou em 50º - a lista, do ótimo site Meteleco, que publicou-a com muito súor já no dia 2, tem link abaixo).

30 de dezembro de 2011

O Guia do Bob Dylan - Nigel Williamson (Ed.Aleph)

Acabei de ler este ótimo "guia" sobre Bob Dylan (acima), volume de uma série aclamada no Reino Unido, a "Rough Guides",que chegou neste ano ao Brasil (vi também à venda o guia Led Zeppelin. No ano que vem tem o do Pink Floyd). A compilação é bem completa e além de conter uma biografia detalhada e cheio de notas e boxes complementares essenciais (bios de suas influências, perfil das musas, detalhes de sessões, etc), inclui resenhas de todos os discos ( os famosos bootlegs estão todos aqui), lista com as 5o maiores canções do trovador, os filmes, frases, livros&sites&fanzines e até uma seleção com os "outros Bob Dylans" que vieram na sequência do original. Em se tratando de um dos artistas mais "impenetráveis" da música ( tanto por suas autonarrações extravagantes, surreais e fantasiosas como por todo o folclore criado ao seu redor), o guia esmiuça, tenta explicar mistérios e principalmente, penetra em sua criação com bisturi cirúrgico. Pra quem quer descobrir porque esse americano esquisito, com voz de taquara e letras quilométricas mudou todo o cenário do pop mundial em apenas três anos e mesmo indo e voltando lá do fundo, manteve sua aura de trovador essencial,  esse guia é perfeito como obra de referência e reverência.

28 de dezembro de 2011

Nelson Cavaquinho, 100

Eu não poderia fechar o ano sem homenagear os 100 anos de Nelson Cavaquinho, o mais intuitivo entre tantos dos nossos sambistas intuitivos. Apesar do apelido ( o nome de batismo é Nelson Antonio da Silva), seu instrumento de fé sempre foi o violão, com o qual dedilhava harmonias de modulações inesperadas, com toques precisos e rascantes providenciados sempre por apenas dois dedos. Quem o via tocando nos pés sujos cariocas (seu reduto habitual) ficava de queixo caído, não só pelo peculiar jeito de tocar, mas também pela quantidade de cerveja entornada, a voz roufenha e única em anos de boemia e as letras de uma poética intensa e lírica, sempre sobrevoando lealdade, corações despedaçados e a implacável morte, seu tema mais comum. Nascido em 29/10/1911, viveu intensos 74 anos ( até 18/02/1986) , ricos em histórias que acabaram entrando para o folclore cultural brasileiro, seja de seus tempos de guarda noturno ( devidamente montado à cavalo) , das amizades musicais e da boemia inveterada. Nelson Cavaquinho foi único, mais uma força da natureza brasileira a fabricar sons do coração. 
Durante o ano, a TV produziu alguns bons programas sobre o compositor (vejam os links abaixo) e a EMI lançou uma edição especial com dois CDs em sua homenagem ( link para compra também abaixo). Viva Nelson!
#Ensaio ( TV Cultura - 30/10/2011 - reeditando o programa MPB Especial de 1973) - http://tvcultura.cmais.com.br/ensaio/nelson-cavaquinho
# Mosaico ( original de 2007 - reapresentado em 2011- TV Cultura) 
# Disco Nelson Cavaquinho – 100 anos – Degraus da Vida Emi Odeon -2 CDs 

26 de dezembro de 2011

O Verão do Píer (Dunas da Gal)

Neste mês li uma matéria muito boa sobre o famoso Verão do Píer, em Ipanema, ocorrido em 1972 e que sem querer se tornou revolucionário e influência para outros verões sucessores ( como o Verão da Lata e o Verão do Apito). Tudo começou com o movimento dos surfistas, que correram para para lá depois que o imenso píer, uma nada elegante estrutura de madeira, aço e ferro adentrando o mar, foi afixado para escorar os tubos de esgoto e acabou involuntariamente aumentando o tamanho das ondas e formatando exóticas dunas artificiais na orla (montes de areia retirada do fundo do mar). O movimento do surf trouxe também artistas, descolados, vagabundos, poetas e intelectuais, e em pouco tempo formou-se a primeira tribo em Ipanema. Gal Costa, que fazia show ali perto, foi a pioneira e tornou-se musa inspiradora, chegando a batizar as tais dunas. A história completa, com fotos incríveis de Fernando Fedoca Lima, Eurico Dantas e Frederico Mendes ( frequentadores do local) podem ser lidas na íntegra no link abaixo ( matéria original da Revista O Globo de 04/12/2011, de autoria de Renato Lemos). Também existe uma página específica sobre o píer, pierdeipanema.com.br e para 2013 cogita-se o lançamento do longa "Píer de Ipanema-1972", de Fernando Keller. 

20 de dezembro de 2011

Capa do mês: As Aventuras de Sherlock Holmes ( Editora Zahar)

Adquiri um livro de bolso nesta semana com uma arte de capa muito bem resolvida: "As Aventuras de Sherlock Holmes", da Editora Zahar. A edição faz parte da série "Bolso de Luxo" da editora carioca, e traz capa dura, uma dúzia de casos do famoso detetive de Arthur Conan Doyle ( na verdade, o volume reúne os doze primeiros contos de Holmes, publicados entre julho de 1891 e junho de 1892 na revista britânica Strand Magazine) e 50 ilustrações originais de Sidney Paget. Com projeto gráfico de Carolina Falcão, a arte da capa é de Rafael Nobre ( incluindo imagem de Andrew Ward/Life File/Getty Images). Uma cena muito bem urdida, como se vê na reprodução acima.

12 de dezembro de 2011

O bom blog do Dagomir

Durante todo o ano, acompanhei vários endereços na blogosfera, principalmente os voltados para a cultura, a História ( e aí incluo também o colecionismo), a música e os quadrinhos ( minhas paixões). Entre tantos, um realmente me fisgou pra valer: o blog do Dagomir Marquezi. Escritor, roteirista e jornalista, ele mantém a página desde 2006, e o que se percebe de cara em seus posts é que ele gosta muito do seu ofício de escrever. Histórias de suas amizades, projetos, viagens e descobertas, sempre com foco em sua produção literária e jornalística, que passa por todos os meios de comunicação possíveis: revista, jornal, fanzine, livro,tv, rádio e internet. Seu texto tranquilo, elegante sem ser rebuscado,direto ao ponto, traz ao leitor do blog uma cumplicidade natural, como em uma carta a um velho conhecido. De quebra, o autor resgata pérolas de sua produção de quatro décadas, como histórias em quadrinhos de fanzines setentistas, matérias raras de revistas e vídeos dos seus tempos de roteirista de TV. Nos meus anos de DEDOC-Abril ( 1989 a 2002) , cheguei à vê-lo em diversas ocasiões, pesquisando fotos para uma matéria nova ou mergulhando nas velhas pastas com matérias de jornais clipadas. Pelo que vejo hoje em seu blog, a sua escrita hiperativa continua à toda, seja no novo livro sobre JK como em seus blogs-irmãos ( que podem ser acessados na mesma página), nas colaborações mensais na Placar ( "Mortos-Vivos") e Info ( "Em 2031") e eventuais em outros veículos.Dagomir, para citar uma de suas paixões, continua uma veloz locomotiva.
http://dagomir.blogspot.com/

9 de dezembro de 2011

Coojornal, o resgate

Estava eu ontem na Fnac Paulista com as crianças, quando me deparei com uma exposição sui generis: 24 capas do histórico informativo alternativo gaúcho Coojornal estampavam discretamente as paredes do café interno da megalivraria. Editado pela Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, o jornal existiu entre 1975 e 1982 e se destacou por sua linguagem direta e provocativa, sem partidarismo.Na entrada do café, um livro propositadamente em destaque: "Coojornal - Um Jornal de Jornalistas sob o Regime Militar", organizado pelo antigo colaborador Rafael Guimaraens (que chegou a ser preso pela Ditadura), e Clô Barcellos, responsável pela Editora Libretos.A seleção para a obra reproduz 33 reportagens, além de entrevistas representativas ( com Elis, Brizola, Chico Buarque, etc), fotos, charges e cartoons. Entre os colaboradores, Eduardo Bueno, Caco Barcelos, Eduardo Galeano, Hamilton Almeida Filho, Palmério Dória, Ricardo Chaves, Edgar Vasques e Santiago.Tanto o livro como a exposição itinerante ( que passa por vários pontos culturais durante todo o ano) fazem parte de um grande projeto de memória, que também inclui um documentário ( junto com o livro por um preço só), palestras, site do projeto e a digitalização de toda a coleção do jornal ( em doses homeopáticas, claro).


Esse resgate todo foi incumbido inicialmente ao ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de Porto Alegre e segundo editor do Coojornal, Osmar Trindade, que faleceu em 2009, mas deixou a semente nas mãos de Guimaraens e Clô, que conseguiram passar o projeto na Lei Rouanet. A exposição segue até o dia 15/12 na Fnac Paulista, fechando à partir das 18h com uma apresentação do documentário e debate com a presença dos ex-coojornalistas Elmar Bones, Ayrton Centeno e Rafael Guimaraens.( o livro está à venda por: R$40,00).

Acompanhem o projeto no site e toda a saga do Coojornal na ótima série feita pela reportagem do Sul21:
 http://www.coojornal.com.br/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-a-cooperativa-que-incomodou-a-ditadura/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-um-alternativo-suprapartidario/
http://sul21.com.br/jornal/2011/06/coojornal-a-memoria-comeca-a-ser-resgatada/

4 de dezembro de 2011

Um samba para Sócrates

Crédito: site oficial do Corínthians
O disco "Ná Ozetti" de 1988 foi o tão aguardado primeiro LP solo da cantora que perambulara desde o final dos anos 70 por dezenas de festivais e discos ( principalmente da cena paulistana) e se destacara no experimental e inteligente grupo Rumo. Eu gastei com vontade os sulcos deste vinil e o considero um dos destaques daquela década.
Entre canções memoráveis, líricas e reconfortantes, esse disco trouxe uma homenagem especial ao Dr. Sócrates: um samba bem pra frente, alegre e faceiro, de autoria do prof. José Miguel Wisnik, intitulado "Socrates Brasileiro", cuja letra pegava o mote não só da extensão do nome de batismo do craque (Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira), como aproveitava também para destacar o seu peculiar segundo nome também no título. Nesse 04/12/2011, que entra para a história com o pentacampeonato brasileiro do Corínthians e com o falecimento de um de seus maiores ídolos, fecho o dia com esse delicioso samba, recheado de política, povo, labuta e esperança, e sem transparecer um pingo de tristeza, como bem o doutor gostaria.
http://www.youtube.com/watch?v=8YzgF0PiBS8

30 de novembro de 2011

Oito vídeos de George Harrison (escolhidos a dedo por Tânia Vinhas do blog da Superinteressante)

Eu sempre que posso dou uma olhada nos meus sites preferidos da blogosfera e a página da Super está entre as ++ da minha lista. Por coincidência, minha esposa Cris mandou por e-mail o link desta matéria-homenagem, publicada ontem ( 10 anos exatos da morte de George). Eu não tinha visto, mas bem sei da competência da Tânia Vinhas em capturar lances inusitados e curiosos do vasto mundo cultural pop. Uma ótima chance para analisar as várias facetas do mais misterioso entre os FabFour.
http://super.abril.com.br/blogs/cultura/8-momentos-agitados-da-carreira-de-george-harrison-o-beatle-quieto/

Mark Twain ganha Doodle especial em seu 176º aniversário

O Google trouxe nesta quarta-feira mais um Doodle especial, desta vez  para o escritor e jornalista americano Mark Twain (1835-1910 - nome de batismo: Samuel Clemens), no dia de seu 176º aniversário.No cabeçalho da página aparecem crianças pintando a palavra "Google" em um cercado, referência direta aos seus personagens mais famosos ( a cena de Tom Sawyer caiando a cerca é clássica). Com títulos como 'As Aventuras de Tom Sawyer', 'As Aventuras de Huckleberry Finn', e  'O Príncipe e o Mendigo', o escritor é clássico absoluto, recomendado para quem ama literatura bem feita e ainda por cima feita com emoção.

Baú do Malu 34 - Raio Vermelho nº 49 -20/12/1952

O Pato Donald foi a primeira revista da Editora Abril, e isso é alardeado desde os tempos de Victor Civita, o homem que fundou a editora nos idos de 1950, em São Paulo. Na verdade, o Pato Donald virou uma espécie de "moedinha nº1" do velho editor e sua revista, lançada em julho de 1950, sempre foi considerada a primeira da editora porque trouxe sorte e sucesso ao empreendimento ( a revista existe até hoje e segundo seu filho, Roberto Civita, jamais deixará de existir, tanto por razões históricas como emotivas). Mas antes, existiu um "patinho feio" na ´história da Abril: a revista "Raio Vermelho", lançada em maio de 1950 e editada nos mesmos moldes do irmão Cesar Civita, da Editorial Abril da Argentina ( lá a mesma revista chamava-se "Misterix").As historietas eram feitas na Itália, montadas na Argentina e despachadas para o Brasil, mas seja por seu formato estranho ( horizontal), que acabava empastelando os quadrinhos e diminuindo os balões, seja pelo ritmo mais "lerdo" das aventuras, em comparação com os ágeis heróis americanos, a revista nunca foi um sucesso e parou em fevereiro de 1953 ( no mesmo ano houve uma nova tentativa, utilizando-se o mesmo título argentino, "Misterix"). Esta edição (capa acima), de 20 de dezembro de 1952 ( muitos especialistas cravam que a revista parou em 1951) já saía em formato americano, mas mesmo assim a revista estava à beira de seu desaparecimento. As histórias, muito bem desenhadas pelos italianos e argentinos, trazem os personagens Kayo Kirby, Homem de Ferro ( muito antes do famoso da Marvel, mas sem armadura - só força descomunal), Bull Rocket e Dito Mangalô ( tira cômica).Destaque para a primeira tira que abre a edição, "Trabuco e Trinquete" (destaque abaixo),desenhada por Luis Destuet ( e assinada, raridade nas revistas da Abril da época), artista argentino,o mesmo que já desenhava para a Disney em seu país e nessa época era contratado da Abril para ensinar o "estilo Disney" aos jovens desenhistas da editora ( entre eles, Álvaro de Moya).O diretor de quadrinhos na época era Jerônimo Monteiro, um pioneiro dos quadrinhos brasileiros e também da literatura sci-fi por aqui. Outro detalhe curioso é o logo da editora na capa, um quadrado branco com a letra A em preto, que eu nunca tinha visto em outra publicação da casa.

29 de novembro de 2011

Caetano Veloso e Ronnie Von (1967)

Estava eu com esse disquinho na mão hoje (logo abaixo) - de vez em quando eu cato um compacto da minha coleção pra pesquisar sua história - e descobri que antes dessa gravação de "Pra Chatear" de Sérgio Murillo (de 1968), houve outra no ano anterior, com Ronnie Von e o então jovem compositor baiano Caetano Veloso ( acima, o compacto retirado do LP Ronnie Von nº 3).

A música "Pra Chatear" é uma composição de Caetano Veloso, inspirada em tradicional ciranda pernambucana. Vale a pena escutar esse raro registro da dupla, que de tão descontraído, até inclui uma risada de Ronnie Von, que na época já despontava como uma alternativa mais voltada ao "rock inglês" ( inclusive com versões de Beatles), em contrapartida à Jovem Guarda mais "americana" de Roberto Carlos.
http://mais.uol.com.br/view/7itgi4myir9b/ronnie-von-e-caetano-veloso--pra-chatear-1967-0402CC183660D0911326?types=A&

26 de novembro de 2011

Capa do Mês: Piauí 62

A Piauí de novembro saiu com essa chamativa capa estampando famoso óleo do pintor holandês Marinus van Reymerswaele, de 1540,. Essa obra é conhecida por “Dois coletores de impostos” ou “O gabinete do coletor de impostos”, mas na internet encontrei também como “Os Agiotas” e “Os Usurários”. Na verdade, nem a autoria de Marinus é comprovada inteiramente, embora outras obras de sua autoria foquem em tema econômico ( dinheiro, bancos, impostos). A equipe de arte da revista fez algumas inserções modernas, atualizando o dinheiro para dólares e euros, modificando o conteúdo do livreto para gráficos e grafando nas vestimentas marcas famosas do mundo financeiro ( Goldman Sachs, Merril Lynch). Outra curiosidade é a máscara “V de Vingança” ( a máscara de Guy Fawkes) logo atrás dos camaradas (referência direta aos manifestantes de Wall Street). Aliás, os confrades da usura receberam um discreto fotoshop no rosto, além de mudanças cromáticas nas vestimentas .Comparem a capa (acima) com o quadro original ( abaixo) e aproveitem também para ler uma boa matéria dessa edição, de autoria de Renato Terra ( músico e cineasta de “Uma Noite em 67”), que com o foco no esquema de lançamento do último disco de Lenine, acabou destrinchando o comércio musical atual, com suas saídas e armadilhas.
http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-62/questoes-tecnomusicais/lenine-lanca-um-som

24 de novembro de 2011

20 anos sem Freddie Mercury

Um dos melhores vocalistas de todos os tempos já deixou o Planeta há duas décadas exatas. O dia traz homenagens em várias mídias, e elas já começaram no final de semana.
No domingo, o bom programa Extrato da MTV veio com o título "Os Hinos da Rainha", trazendo em sua tradicional lista, 15 das músicas mais representativas do Queen.
Assista aqui: http://mtv.uol.com.br/programas/extrato/videos/os-hinos-da-rainha
Hoje rola muita coisa boa relacionada ao Queen e a Freddie. Nas ondas do rádio, via Antena 1 ( essa dica é do Léo) entre 18h e 19h, uma hora exclusiva com a banda no programa Big Hour ( sintonize no 94,7 FM)
ou na web: http://www.antena1.com.br/
O site The Living Brick criou para a data um boneco do cantor feito de Lego
aqui: http://livingdigital.com.br/20-anos-sem-freddie-mercury/
O site do Fantástico resgatou um antigo programa ( com apresentação de uma jovem Cristiane Torloni) com imagens inéditas de show raro do Queen.
http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1676867-15605,00-MORTE+DE+FREDDIE+MERCURY+COMPLETA+ANOS.html 
Paulo Cavalcanti na Rolling Stone digital traz hoje uma ótima matéria com os últimos dias de Freddie ( e links com fotos, vídeos e promoção)
http://www.rollingstone.com.br/noticia/os-ultimos-dias-e-morte-de-freddie-mercury/
E para quem quer novidade ( e mesmo 20 anos depois, sempre aparece uma), na sexta, o The Sun noticiou que em 2012 as gravações de Freddie com Michael Jackson sairão em disco. A fonte é duvidosa, mas quem falou foi o próprio Brian May. É ver para crer.
http://culturasemcensura2.blogspot.com/2011/11/dueto-entre-michael-jackson-e-freddie.html

18 de novembro de 2011

O Espírito Vivo de Will Eisner

Spirit, a obra prima de Will Eisner (1917-2005), é tema de exposição inédita na Gibiteca Henfil (Centro Cultural São Paulo), fechando as comemorações de 20 anos do espaço.A mostra apresenta 106 desenhos originais do artista norte-americano, além de uma estátua de bronze do personagem esculpida pelo artista Peter Poplaski. Em paralelo à homenagem ao personagem, a proposta da curadora Marisa Furtado é mostrar o processo criativo e a personalidade de Eisner, que esteve no Brasil sete vezes ( e eu fiquei frente a frente com ele em uma delas.Aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/08/frente-frente-com-o-mestre.html ) e se não bastasse ter revolucionado os quadrinhos já em 1940, com suas quebras de páginas, ângulos cinematográficos e grafismos inéditos em The Spirit, também quebrou a boca do balão nos anos 70, quando inaugurou ( alguns dizem que ele consolidou) o gênero graphic novel.
Vale a pena, muito a pena, conhecer a obra e o processo criativo desse genial artista. E para aqueles que não conhecem sua obra, nunca é tarde. Depois de uma passadinha na exposição, que é gratuita, podem aproveitar a própria gibiteca e apreciar qualquer uma das fantásticas histórias criadas por Will Eisner.
Em tempo: Marisa Furtado, curadora da exposição, e também diretora dos documentários da Série Profissão Cartunista. dirigiu o primeiro filme feito no mundo sobre Eisner, aprovado pelo próprio ( disponível em DVD) e faz um trabalho explêndido de pesquisa e design nessa apaixonante exposição.
"O Espírito Vivo de Will Eisner"
Centro Cultural São Paulo (Piso Flávio de Carvalho - Rua Vergueiro, 1000 - Paraíso. Junto à estação Vergueiro do Metrô).
Até 18 de dezembro (terça a sexta, das 10h às 20h; sábados, domingos e feriados, das 10h às 18h)
Informações: 3397-4002
Grátis

Trilha natalina com The Smiths

A nova revelação da música londrina está na trilha do novo filme natalino da rede John Lewis. Slow Moving Millie canta com muita emoção uma nova versão da música "Please, Please, Please, Let Me Get What I Want”, by The Smiths, cover que estará no seu primeiro álbum a ser lançado em dezembro. Sigam no Tripicalistas:
http://tripicalistas.blogspot.com/2011/11/smiths-no-novo-filme-natalino-da-rede.html

16 de novembro de 2011

Erika Iris Simmons e sua "Tape Deck Art"

A artista americana Erika Iris Simmons  usa fitas cassete e rolos de filme para criar  portraits de alguns dos maiores ícones da música e do entretenimento. A arte realmente não precisa escolher matéria-prima pra virar obra-prima. Incrível!
http://www.flickr.com/photos/iri5/sets/72157611954107572/with/3344465546/ 

Esses retratos já influenciaram até a indústria do vídeo. No ano passado, o diretor Ethan Lader, elaborou o  clipe do cantor/compositor Bruno Mars para a música Just The Way You Are, baseado inteiramente na arte de Erika (abaixo):
http://www.youtube.com/watch?v=LjhCEhWiKXk 

11 de novembro de 2011

Eleven e o legado do casal Alain Johannes/Natasha Schneider

Escolhi este 11/11/11 para homenagear uma banda muito boa e pouco comentada no Brasil, que tem tudo a ver com a numerologia da data: Eleven. Fundada nos EUA em 1990 pelo casal Alain Johannes ( vocal, guitarra) e Natasha Schneider ( vocal, teclado), com Jack Irons na bateria, a banda encerrou as atividades com a morte por câncer de Natasha em 2008 e deixou uma discografia relevante, calcada no rock e sempre muito bem produzida e arranjada. Casados, Alain e Natasha se completavam nas idéias musicais e as composições escancaravam essa cumplicidade. Inicialmente o som do grupo não era tão denso e mesclava arranjos e harmonias bem amplas e solares, mas com a aproximação de Josh Homme ( Queen of the Stone Age) em várias parcerias, as composições tornaram-se mais pesadas e “garageiras”, mas sem perder a aura "cigana". Inclusive, Alain e Natasha participaram também do belo álbum solo de Chris Cornell, “Euphoria Morning”, do próprio Queens of the Stone Age e Alain colaborou mais recentemente com o Them Crooked Vultures ( projeto de Joss).Um casal bem camaleônico, durante um quarto de século juntos, tanto no visual como nas composições ( vejam os exemplos lá embaixo) Em 2010, Alain Johannes, considerado um dos grandes músicos da sua geração, e que além de compositor, é multi-instrumentista e produtor, lançou seu disco solo ( “Spark”, pelo selo Rekords Rekords de Joss Homme) , um registro embebido de lembranças e homenagens à sua musa – a canção “Endless Eyes” por exemplo, foi composta especialmente para o “Natasha Schneider Benefit Concert” e deu pano para toda a concepção de “tributo” do álbum. Natasha Schneider, nascida em Moscou, além da longa parceria com o marido no Eleven ( e bandas menores anteriores), participou também de filmes como “2010-O Ano em que Faremos Contato”(1984) e Spiker (1985), além de compor trilhas ( como “Who’s in Control”, para Mulher-Gato de 2004). Faleceu em 02/07/2008, e conforme relatos não confirmados, às 11:11.

Abaixo, onze bons momentos da Eleven e de Alain/Natasha (incluindo música do solo-homenagem de Alain Johannes e participações com Joss Homme/ Queen of the Stone Age).
Eleven - Raimbow's End (1991) - http://www.youtube.com/watch?v=N6Hvqj9mWds&feature=related
Eleven - Tomorrow Speaks - http://www.youtube.com/watch?v=eHjC6K0dK_M&feature=related
Eleven - Reach out  http://www.youtube.com/watch?v=X4xgT-JziVw  
Eleven - Heavy (1994) - http://www.youtube.com/watch?v=sgvyYl5JLwU&feature=related
Eleven - Took me for a Ride - http://www.youtube.com/watch?NR=1&v=h3sXgq8gB-o
Eleven - You're my Diamond -  http://www.youtube.com/watch?v=JxDWxePPmKU&feature=related
Eleven - Towers - http://www.youtube.com/watch?v=tc1VlsAz4dQ&feature=related
Eleven c/Joss Homme-Stone Cold Crazy- http://www.youtube.com/watch?v=FiAWn1KSe-0&feature=related
Queen of the Stone Age ( acoustic live Berlin 2005) -In My Head - http://www.youtube.com/watch?v=1GiaN_10pNk&feature=related  
Queen of the Stone Age (live 2005) - The Lost Art of Keeping a Secret - http://www.youtube.com/watch?v=0JlYFTQIjGY&feature=fvst 
Alain Johannes - Endless Eyes - http://www.youtube.com/watch?v=soMMdBsDswA&feature=related 

9 de novembro de 2011

A "Segunda-feira sangrenta" de Bob Geldof e os Boomtown Rats


Divulgação - Site oficial
 Qum escuta o nome de Bob Geldof talvez se recorde que ele foi o grande responsável pelo "Live Aid" em 1984, ao escrever a música "Do They Know It’s Christmas" (com Midge Ure do Ultravox) e conseguir juntar um grande time de músicos para o Natal daquele ano e show no ano seguinte, com a missão de arrecadar fundos para combater a fome na Etiópia. Ou se puxar um pouco mais a memória, talvez se lembre que ele foi o protagonista do filme "Pink Floyd The Wall", de Alan Parker (1982). Essas duas referências puxam principalmente a nossa "memória visual", e é por esse motivo que poucos sabem ou se lembram que um certo grupo irlandês, o Boomtown Rats, que existiu entre 1975 e 1985 ( e portanto, contemporâneo tanto do filme como do evento beneficiente) era a banda do próprio, Mr. Bob Geldof. E pouca gente sabe que o maior êxito do grupo, a música "I Don't Like Mondays" (de 1979) foi escrita logo depois de Bob ler nos jornais sobre um tiroteio numa escola da Califórnia executado por Brenda Ann Spencer, que disse tê-lo feito por não gostar das segundas-feiras (Mondays). Se outra banda irlandesa, U2, teve um dos seus grandes sucessos, "Sunday Bloody Sunday", baseado num violento conflito entre protestantes e católicos conhecido como "Domingo Sangrento", houve quatro anos antes, outro hit de outra banda irlandesa, que alcançou as paradas britânicas narrando outro dia violento. Sem as proporções da guerra civil irlandesa, mas uma guerra isolada e particular, do outro lado do Atlântico.
A música "I Don't Like Mondays", aqui:
http://www.youtube.com/watch?v=-Kobdb37Cwc&ob=av2e
E a história do Boomtown Rats ( em inglês), aqui:
http://www.boomtownrats.co.uk/the-boomtown-rats.html

7 de novembro de 2011

O AcervoSorve 6 :álbuns portugueses da Distri - Spaghetti e o Tesouro da Pirâmide (1984) e San-Antonio na Grécia (1983)


Na minha última visita ao Sebo Proxy(já postado aqui: http://almanaquedomalu.blogspot.com/2009/10/boas-novas.html ) encontrei bem escondidas numa enorme pilha de gibis de super heróis, essas duas preciosidades portuguesas: os álbuns "Spaghetti - o Tesouro da Pirâmide" (1984) e "San-Antonio na Grécia" (1983), ambos da Distri Editora ( Colecção "B.D. Para Todos"). O primeiro personagem eu já tinha ouvido falar: começou em 1957 com desenhos de Dino Attanasio e roteiros do afamado René Goscinny na revista belga Tintin. Era uma série de histórias curtas que passou a ter aventuras mais longas quando Goscinny deixou de roteirizar logo no início ( para quem não sabe, ele começou a escrever as histórias de Asterix em 1959 e já fazia o cowboy Lucky Luke desde 1955). é o caso deste álbum, uma aventura posterior com roteiros de R.Francel. Já San-Antonio é um famoso personagem da literatura francesa, criação do autor Frédéric Dard.No álbum em quadrinhos,a arte é de Henri Desclez e o roteiro de Patrice Dard ( que deve ser filho de Frederic). Para saber mais sobre a obra de Attanasio e seu personagem Spaghetti, segue um ótimo post do ótimo blog português "As leituras de Pedro". E também um pouco sobre Frederic Dard, em nota sobre sua morte em 2000.
http://asleiturasdopedro.blogspot.com/2011/01/spaguetti-integrale-1.html 
http://www1.folha.uol.com.br/fol/cult/ult08062000165.htm